15 de março de 2017

Capítulo dois

Mare

NUNCA FICO SOZINHA.
Os carcereiros não saem. Há sempre dois deles, de vigia, mantendo o que sou silenciado e suprimido. Eles não precisam de nada além de uma porta trancada para me manter prisioneira. Não que eu consiga me aproximar dela sem ser arrastada de volta ao centro do quarto. São mais fortes do que eu e estão sempre alertas. O único jeito de escapar de seus olhos é ir ao banheiro, um pequeno cômodo de ladrilhos brancos e torneiras douradas, com uma fileira repulsiva de Pedras Silenciosas no chão. Há blocos cinza perolados suficientes para fazer minha cabeça latejar e minha garganta fechar. Preciso ser rápida lá dentro e aproveitar cada segundo sufocante. A sensação me faz lembrar do poder de Cameron. Ela consegue matar alguém com a força de seu silêncio. Por mais que eu odeie a vigília constante dos guardas, não correria o risco de sufocar no banheiro só por mais alguns minutos de paz.
É engraçado, mas antes eu achava que meu maior medo era ficar sozinha. Agora nunca fico só e nunca estive tão aterrorizada.
Faz quatro dias que não sinto minha eletricidade.
Cinco.
Seis.
Dezessete.
Trinta e um.
Risco os dias no rodapé perto da cama com um garfo. É uma sensação boa deixar minha marca, infligir um pequeno ferimento na minha prisão no Palácio de Whitefire.
Os Arven não se importam. Eles me ignoram na maior parte do tempo, concentrados no silêncio total e absoluto. Continuam em posição perto da porta, sentados como estátuas com olhos vivos.
Este não é o mesmo quarto em que dormi da outra vez em que estive em Whitefire. Obviamente não seria adequado abrigar uma prisioneira real no mesmo lugar que uma noiva real. Mas tampouco estou numa cela. Minha jaula é confortável e bem mobiliada, com uma cama macia, uma estante estocada de livros chatos, algumas cadeiras, uma mesa e até cortinas elegantes, tudo em tons de cinza, marrom e branco. Uma suíte esvaziada de cor, assim como estou esvaziada de poder.
Aos poucos, me acostumo a dormir sozinha, mas os pesadelos me atormentam sem Cal para mantê-los longe. Não tenho ninguém que se importe comigo. Toda vez que acordo, toco os brincos que pontuam minha orelha, nomeando cada pedra. Bree, Tramy, Shade, Kilorn. Irmãos de sangue e de coração. Três vivos, um fantasma. Queria ter um brinco para fazer par com o que dei para Gisa, assim teria um pedaço dela também.
Sonho com minha irmã às vezes. Nada concreto, mas lampejos de seu rosto, de seu cabelo vermelho, escuro como sangue derramado. Suas palavras me assombram mais que tudo. Um dia as pessoas virão aqui e tomarão tudo o que você tem. Ela tinha razão.
Não há espelhos, nem mesmo no banheiro. Sei o que este lugar está fazendo comigo. Apesar das refeições reforçadas e da ociosidade, meu rosto está ficando mais fino. Meus ossos machucam minha pele conforme vou definhando, mais afiados do que nunca. Não há muito o que fazer além de dormir ou ler um dos volumes do código tributário de Norta; mesmo assim, a exaustão se instalou dias atrás. Hematomas surgem a cada toque. E a coleira parece quente, ainda que eu passe os dias com frio e tremendo. Talvez seja febre. Posso estar morrendo.
Não que eu tenha alguém para confirmar isso. Mal falo. As portas se abrem para comida e água e para a troca dos carcereiros, nada mais. Nunca vejo criados vermelhos, embora ainda devam existir. São os Arven que pegam a comida, os lençóis e as roupas deixados do lado de fora e os trazem até mim. Eles também limpam o lugar, de cara amarrada por realizar uma tarefa tão baixa. Imagino que deixar um vermelho entrar no meu quarto seja perigoso demais. Isso me faz sorrir. Significa que a Guarda Escarlate ainda é uma ameaça, o suficiente para garantir um protocolo tão rígido, que me isola de qualquer outro vermelho.
Mas nem os prateados se aproximam. Ninguém vem zombar ou tripudiar da garota elétrica. Nem mesmo Maven.
Os Arven não conversam comigo. Não me dizem seus nomes. Então invento. Tigrina, a velha mais baixa do que eu, com um rosto pequenino e olhos alertas e aguçados. Ovo, com sua cabeça redonda, branca e careca. Trio tem três linhas tatuadas no pescoço, como o arranhão de garras perfeitas. E Trevo, de olhos verdes, uma menina mais ou menos da minha idade, resoluta em seus deveres. É a única que tem coragem de me olhar nos olhos.
Quando soube que Maven me queria de volta, fiquei à espera de dor ou trevas, ou um pouco dos dois. Mais que isso, esperava sofrer meu tormento sob seu olhar ardente.
Mas não houve nada desde que cheguei e fui obrigada a ajoelhar. Naquele dia, ele disse que ia exibir meu corpo para todo mundo ver. Mas não veio nenhum executor. Nenhum murmurador como Samson Merandus ou a rainha morta invadiu minha cabeça e revelou meus pensamentos. Se esta é minha punição, é bem entediante. Maven anda sem criatividade.
As vozes na minha cabeça continuam. São tantas, tantas lembranças. Cortam como o fio de uma espada. Tento aliviar a dor com livros maçantes, mas as palavras voam diante de meus olhos, e as letras se rearranjam para formar o nome das pessoas que deixei para trás. Vivas ou mortas. E Shade está em toda parte.
Ptolemus pode ter matado meu irmão, mas fui eu quem o colocou nesse caminho. Porque fui egoísta, pensando que era uma espécie de salvadora. Porque, de novo, depositei minha confiança em quem não deveria e lidei com a vida das pessoas como se fosse um jogo de cartas. Mas você invadiu uma prisão. Soltou muita gente. E salvou Julian.
Um pensamento frágil e um consolo mais frágil ainda. Sei agora qual foi o preço do que aconteceu no presídio de Corros. Todos os dias tenho que aceitar o fato de que, se pudesse voltar atrás, não o pagaria de novo. Nem por Julian nem por cem sanguenovos vivos. Não salvaria nenhum deles se custasse a vida de Shade.
E, no final, deu na mesma. Maven tinha me pedido para voltar meses antes, suplicando a cada bilhete manchado de sangue. Ele esperava me comprar com cadáveres. Eu achava que nunca toparia uma troca dessas, nem por mil vidas inocentes.
Agora, queria ter obedecido há muito tempo. Antes que ele pensasse em atacar as pessoas que amo, sabendo que eu tentaria salvá-las. Sabendo que eu só faria um acordo por Cal, Kilorn e minha família. Pela vida deles, abri mão de tudo.
Acho que Maven sabe que é melhor não me torturar. Nem mesmo com o sonador, uma máquina feita para usar meus raios contra mim e me despedaçar, nervo a nervo.
Minha agonia é inútil para ele. Sua mãe lhe ensinou bem. Meu único consolo é saber que o jovem rei está sem a cruel manipuladora de marionetes. Enquanto sou mantida aqui, vigiada dia e noite, ele está sozinho no controle de um reino, sem Elara Merandus para guiá-lo e protegê-lo.
Faz um mês que não sinto ar fresco e quase o mesmo tempo que não vejo nada além do interior do meu quarto e da vista estreita que minha única janela oferece. Ela dá para o jardim de um pátio, há muito morto agora no fim do outono. As árvores foram manipuladas pelos verdes. Deviam ser maravilhosas com folhas, uma coroa verdejante de flores e galhos espiralados. Mas, sem nada, os carvalhos, elmos e faias nodosos se curvam em garras; seus dedos secos e mortos raspam uns nos outros, feito ossos. O pátio está abandonado, esquecido. Assim como eu.
Não, resmungo para mim mesma.
Os outros vão vir atrás de mim.
Ouso ter esperança. Sinto um frio na barriga toda vez que a porta abre. Por um momento, espero ver Cal, Kilorn, Farley ou Nanny usando o rosto de outra pessoa. O coronel, até. Agora, eu choraria se visse seu olho escarlate. Mas ninguém vem me buscar. Ninguém virá.
É cruel ter esperança quando não há nenhuma.
E Maven sabe disso.
Enquanto o sol se põe no trigésimo primeiro dia, entendo o que pretende fazer. Ele quer que eu apodreça. Esmoreça. Seja esquecida.
Lá fora, os flocos da primeira neve caem do céu cor de ferro. O vidro é frio ao toque, mas se recusa a congelar.
Eu também.


A neve é perfeita sob a luz da manhã, uma crosta branca decorando árvores nuas. Até a tarde, vai ter derretido. Pela minha contagem, hoje é 11 de novembro. Uma época fria, cinzenta e morta entre o outono e o inverno. A neve de verdade só vai se instalar no fim do mês.
Em casa, pulávamos da varanda para os montes de neve, mesmo depois que Bree quebrou a perna ao cair numa pilha de lenha soterrada. Custou a Gisa o salário de um mês inteiro curá-lo, e tive que roubar a maioria dos materiais de que o “médico” precisava. Isso aconteceu no inverno antes de meu irmão ser recrutado, a última vez em que toda a família esteve reunida. E agora nunca estaremos todos juntos de novo.
Minha mãe e meu pai estão com a Guarda. Gisa e meus irmãos também. Estão seguros. Estão seguros. Estão seguros. Repito isso toda manhã. É um consolo, mesmo que talvez não seja verdade.
Devagar, afasto meu prato de café da manhã. Conheço bem o mingau doce, a fruta e a torrada, e não me servem de consolo.
— Terminei — digo, por força do hábito, sabendo que ninguém vai responder.
Tigrina surge ao meu lado, olhando com desprezo para a comida deixada pela metade. Pega o prato como se fosse um inseto, segurando-o longe, e o leva até a porta.
Ergo os olhos rápido, na esperança de ter um mero vislumbre da antessala. Está vazia, como sempre, e meu coração se aperta. Tigrina joga o prato no chão com um estrépito, talvez o quebrando, mas não se importa. Algum criado vai limpar. A porta se fecha, e ela volta ao seu lugar. Trio ocupa a outra cadeira, com os braços cruzados, me encarando sem piscar. Consigo sentir o poder de ambos. Parece um lençol apertado demais, mantendo meus raios presos e ocultos, tão longe que nem chego perto de alcançá-los. Dá vontade de arrancar minha própria pele.
Odeio isso. Odeio isso.
Odeio. Isso.
Crac.
Jogo o copo contra a parede oposta, derramando água e deixando que manche o cinza horroroso. Os guardas nem piscam. Faço isso com frequência.
E ajuda. Por um minuto. Talvez.
Sigo a programação de sempre, aquela que desenvolvi ao longo do último mês de cativeiro. Acordo. Me arrependo na hora. Recebo o café da manhã. Perco o apetite. Peço que levem a comida embora. Me arrependo na hora. Jogo a água fora. Me arrependo na hora. Tiro as roupas de cama. Às vezes rasgo os lençóis, às vezes aos berros. Me arrependo na hora. Tento ler. Olho pela janela. Olho pela janela. Olho pela janela. Recebo o almoço. Faço tudo de novo.
Sou uma garota muito ocupada.
Ou deveria dizer “mulher”?
Dezoito anos é uma divisão arbitrária entre a adolescência e a vida adulta. Eu os completei semanas atrás, em 17 de novembro. Não que alguém saiba ou tenha notado. Duvido que os Arven se importem que eu esteja um ano mais velha. Apenas uma pessoa neste palácio-prisão se importaria. E ele não me visita, para meu alívio. É a única felicidade que tenho. Sou mantida aqui, cercada pelas piores pessoas que conheço, mas não preciso sofrer com a presença dele.
Até hoje.
O silêncio absoluto ao meu redor se despedaça, não com uma explosão, mas com um estalo. O velho giro da chave na fechadura. Fora de horário, sem aviso. Ergo a cabeça com o som, assim como os Arven, que perdem a concentração com a surpresa.
Adrenalina corre pelas minhas veias, movida pelo meu coração, que de repente bate forte. Em uma fração de segundo, ouso ter esperança de novo. Sonho com quem poderia estar do outro lado da porta.
Meus irmãos. Farley. Kilorn.
Cal.
Quero que seja Cal. Quero que seu fogo consuma totalmente este lugar e estas pessoas.
Mas não reconheço o homem do outro lado da porta. Só as roupas me são familiares — uniforme preto, detalhes prateados. Um agente de segurança, sem nome e sem importância. Ele segura a porta aberta com as costas. A maior parte de seu corpo fica do lado de fora.
Os Arven se levantam de um salto, tão surpresos quanto eu.
— O que você está fazendo? — Trio pergunta. É a primeira vez que ouço sua voz.
Tigrina segue o protocolo, ficando entre mim e o agente. Outra explosão de silenciamento me atinge, alimentada pelo medo e pela confusão dela. É como uma onda corroendo os resquícios de força que ainda tenho. Me seguro na cadeira, porque não quero cair na presença de outras pessoas.
O agente de segurança não diz nada, só olha fixo para o chão. Esperando.
Ela entra, com um vestido feito de agulhas. Seu cabelo prateado foi trançado com pedras preciosas, como a coroa que anseia por usar. Estremeço com a visão dela, perfeita, fria e afiada, com a postura de uma rainha, ainda que sem o título. Porque ela ainda não é rainha. Posso perceber.
— Evangeline — murmuro, tentando esconder o tremor na voz, tanto pelo medo como pela falta de uso. Seus olhos pretos passam por mim com toda a ternura de um chicote estalando. Da cabeça aos pés e dos pés à cabeça, tomando nota de todas as imperfeições, todas as fraquezas. Sei que são muitas. Finalmente, seu olhar pousa na minha coleira e nas farpas de metal. Seu lábio se curva de repulsa e vontade. Como seria fácil para ela voltar as pontas da coleira para minha garganta e me fazer sangrar até a morte.
— Lady Samos, a senhorita não tem permissão de entrar aqui — diz Tigrina, ainda entre nós. Fico surpresa com sua audácia.
Evangeline volta os olhos para minha guarda com um desprezo crescente.
— Acha que eu desobedeceria o rei, meu noivo? — Ela força uma risada fria. — Estou aqui sob ordens dele. O rei exige a presença da prisioneira na corte. Agora.
Cada palavra arde. Um mês de aprisionamento de repente parece muito pouco. Parte de mim quer se agarrar à mesa e obrigar Evangeline a me arrastar para fora da minha jaula. Mas nem o isolamento destruiu meu orgulho. Ainda não.
E nunca vai destruir, lembro a mim mesma. Então me levanto nas pernas fracas, com as articulações doloridas e as mãos trêmulas. Um mês atrás ataquei o irmão de Evangeline com pouco além dos dentes. Tento invocar aquela energia como posso, ao menos para me erguer.
Tigrina se mantém firme, imóvel. Sua cabeça se volta para Trio.
— Não fomos informados. Esse não é o protocolo.
Evangeline volta a rir, exibindo os dentes brancos e brilhantes. Seu sorriso é belo e violento como uma faca.
— Você está me desautorizando, guarda Arven? — Enquanto fala, suas mãos passam pelo vestido, alisando o tecido em meio à floresta de agulhas. Partes dele grudam em Evangeline como um ímã, e de repente sua mão está cheia de agulhas. Ela segura os pedaços de metal na mão, paciente, esperando com uma sobrancelha arqueada. Os Arven sabem que é melhor não estender seu silêncio esmagador para uma filha da Casa Samos, ainda mais a futura rainha.
A dupla troca olhares, visivelmente discordando. Trio franze a sobrancelha e olha feio. Finalmente, Tigrina suspira alto e dá um passo para o lado, se afastando.
— Uma escolha que nunca vou esquecer — Evangeline murmura.
Me sinto exposta, sozinha diante de seus olhos penetrantes, apesar dos outros observando. Evangeline me conhece, sabe o que sou, do que sou capaz. Quase a matei no Ossário, mas ela fugiu, com medo de mim e do meu poder. Definitivamente não está com medo agora.
Decidida, dou um passo à frente. Na direção dela. Na direção do vazio abençoado que a cerca, permitindo que seu poder flua. Mais um passo. Rumo ao ar livre, à eletricidade. Será que vou sentir na mesma hora? Será que vai voltar com tudo?
Precisa voltar. Precisa.
Mas Evangeline mostra todo o seu escárnio num sorriso. Ela também dá um passo, para trás, e eu quase rosno.
— Não tão rápido, Barrow.
É a primeira vez que a ouço dizer meu nome verdadeiro.
Evangeline estala os dedos, apontando para Tigrina.
— Levem-na.


Eles me arrastam como fizeram no dia em que cheguei, com uma corrente presa à coleira. Quem a segura firme é Tigrina. Ela e Trio continuam me silenciando, e sinto seu poder como um tambor dentro do crânio. A caminhada por Whitefire parece se estender por quilômetros, e avançamos devagar. Como da outra vez, não estou vendada. Não há motivo para isso.
Reconheço mais e mais conforme nos aproximamos do nosso destino, cortando por passagens e galerias que explorei livremente vidas atrás. Na época em que não sentia necessidade de diferenciá-las. Agora, faço o possível para mapear o lugar na cabeça. Preciso conhecer a planta se pretendo sair daqui viva. Meu quarto dá para o leste e fica no quinto andar; sei disso porque contei as janelas. Lembro que Whitefire é composto por quadrados interligados, com cada ala cercando um pátio como o que vejo do meu quarto. A vista das janelas altas e arqueadas se altera a cada novo corredor. O jardim de um pátio, a Praça de César, as longas extensões do campo de treinamento onde Cal se exercitava com seus soldados, as muralhas distantes e a ponte de Archeon reconstruída mais além. Não passamos pelos cômodos onde encontrei o caderno de Julian, onde assisti a fúria de Cal e a conspiração silenciosa de Maven.
Fico surpresa com a quantidade de memórias que o palácio guarda, apesar do curto tempo que passei aqui.
Passamos por um bloco de janelas que dá para o oeste, para os quartéis, o rio Capital e a outra metade da cidade além dele. O Ossário se localiza entre os prédios; sua silhueta enorme me é familiar demais. Conheço esta vista. Parei diante destas janelas junto com Cal. Menti para ele, sabendo do ataque que aconteceria naquela noite. Mas não antevia o que aquilo nos causaria. Cal sussurrou que queria que as coisas fossem diferentes. Sinto o mesmo.
As câmeras devem seguir nosso avanço, mas não consigo mais senti-las. Evangeline não diz nada enquanto descemos para o andar principal com os oficiais atrás dela, uma revoada de pássaros negros atrás de um cisne de metal. Música ecoa de algum lugar. Pulsa como um coração inchado e pesado. Nunca a ouvi antes, nem no baile a que fui nem durante as aulas de dança com Cal. Tem vida própria, é sombria, perversa e estranhamente convidativa. À minha frente, os ombros de Evangeline ficam tensos.
O andar está estranhamente vazio, com apenas alguns guardas posicionados ao longo dos corredores. Guardas comuns, não os sentinelas, que devem estar com Maven.
Evangeline não vira à direita, como eu esperava, para entrar na sala do trono pelas portas grandiosas e arqueadas. Ela avança e todos nós a seguimos, entrando em outro cômodo que conheço bem demais.
A câmara do conselho. Um círculo perfeito de mármore e madeira polida. Cadeiras ladeiam as paredes, e o selo de Norta, a coroa flamejante, domina o piso ornamentado. Vermelha, preta e prateada, com pontas de chamas explosivas. Quase tropeço ao ver aquilo e preciso fechar os olhos. Tigrina me arrastaria pelo salão se eu caísse, não tenho dúvidas. Eu deixaria que o fizesse com o maior prazer só para não ter que ver este lugar. Foi onde Walsh morreu. Seu rosto lampeja na minha mente. Ela foi caçada feito um coelho. E foram os lobos que a capturaram — Evangeline, Ptolemus, Cal. Eles a encontraram nos túneis sob Archeon, enquanto seguia as ordens da Guarda Escarlate. Arrastaram-na para cá e a entregaram à rainha Elara para interrogatório. Não deu em nada. Porque Walsh se matou. Engoliu um comprimido letal na frente de todos, para proteger os segredos da Guarda Escarlate. Para me proteger.
Quando o volume da música triplica, abro os olhos novamente.
A câmara do conselho ficou para trás, mas o que vejo diante de mim consegue ser pior.

12 comentários:

  1. Ain senhor obrigada 😍 dia após dia esperando esse livro

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  2. Maven o rei sem criatividade :-/

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  3. Estou curiosa, o q sera :/

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  4. Maven anda sem criatividade kkkk
    ei, se ela fez aniversário semanas atrás em 17 de novembro, como é possível que hoje seja dia 11 de novembro??
    buguei. ~polly~

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    1. Né! Dei uma pesquisada, Polly, e está assim mesmo. A autora pecou nessa parte...

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    2. Eu meio que fique perdida nesse lance de aniversário tbm, será que Victoria queria desser que era novembro e niver em outubro??? O que será esse pior ou qem será???

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  5. Gente, só eu notei que o pátio abandonado foi onde Tibérias e Coriane se conheceram? Quando ela falou da coroa de folhas, passou pela minha cabeça...

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Boa leitura :)