3 de março de 2017

Capítulo dezoito

O LUAR SE DERRAMA PELO CHÃO, brilhante o suficiente para enxergarmos o caminho. Sob a luz prata, o rubor da minha pele é quase imperceptível: fico idêntica a uma prateada. Cal arrasta as cadeiras sobre o chão de madeira e abre espaço para nosso treino numa das salas de visitas. Trata-se de um cômodo isolado, mas o ruído das câmeras está sempre por perto. Os homens de Elara assistem a tudo, mas ninguém vem nos interromper. Ou melhor, interromper Cal.
Ele saca um dispositivo estranho do casaco e o posiciona no meio da sala. Parece uma caixinha. Cal a observa com certa ansiedade, à espera de alguma coisa.
— Essa coisa vai me ensinar a dançar?
Ele balança a cabeça, ainda sorrindo, e responde:
— Não, mas ajuda.
De repente, um ritmo pulsante jorra da caixa, e então me dou conta de que aquilo é um alto-falante, como os da arena em Palafitas. Só que este é para música, não para lutas. Vida, não morte.
A melodia é suave e rápida como batimentos cardíacos. Diante de mim, o sorriso de Cal aumenta; seu pé se move ao ritmo da música. Não consigo resistir, meus pés acompanham a batida. É um som tão animado, tão alegre, bem diferente da música metálica e fria da aula de Blonos e das canções tristes do vilarejo. Meus pés deslizam sob o chão e começo a tentar recordar os passos ensinados pela professora.
— Não se preocupe. Continue! — Cal ri.
A bateria acelera e o príncipe se agita, começa a cantarolar a melodia. Pela primeira vez parece não ter o peso do trono sobre os ombros.
Também fico com a sensação de que meus medos e preocupações voaram para longe, pelo menos por alguns minutos. É um tipo diferente de liberdade, como um passeio de moto com Cal.
Ele, aliás, é bem melhor que eu, mas ainda assim parece tolo. Nem consigo imaginar quão idiota pareço. Apesar disso, fico triste quando a música termina. À medida que as notas se desmancham no ar, chega a sensação de volta à realidade, a fria consciência de que não deveria estar aqui.
— Acho que não é uma boa ideia, Cal.
Ele joga a cabeça para o lado, numa confusão divertida.
— Por quê?
Ele vai mesmo me fazer falar? Então digo:
— Não posso sequer ficar a sós com Maven — gaguejo, sentindo meu rosto corar. — Não sei se posso dançar com você numa sala escura.
Em vez de argumentar, Cal apenas ri e dá de ombros. Outra música, mais lenta e com tons mais graves, preenche o lugar.
— Na minha opinião, é um favor para o meu irmão — ele explica. — A não ser que você queira pisar no pé dele a noite toda — acrescenta, com um sorriso maldoso.
— Eu sei muito bem onde piso, obrigada — digo, cruzando os braços.
Devagar e com delicadeza, ele me toma pela mão.
— Talvez na arena — diz. — Mas não na pista de dança.
Baixo a cabeça e observo seus pés moverem ao ritmo da música. Ele me conduz e me faz seguir seus passos. Apesar de todo o esforço, acabo tropeçando nele.
Cal sorri, feliz por provar que eu estava errada. Ele tem alma de soldado, e soldados gostam de vencer.
— Esta música tem o mesmo ritmo que a maioria das que você ouvirá no baile. É uma dança simples, fácil de aprender.
— Vou dar um jeito de estragar — resmungo, deixando que ele me conduza pela sala.
Nossos passos desenham um quadrado no chão e me esforço para não pensar na proximidade de Cal, nos calos de suas mãos. Para minha surpresa, são como as minhas: ásperas de tantos anos de trabalho.
— É provável — ele sussurra, já sem sorrir.
Estou acostumada com o fato de Cal ser mais alto que eu. Nesta noite, porém, ele parece menor. Talvez por causa da escuridão ou da dança. Ele está como nos encontramos pela primeira vez: uma pessoa, não um príncipe.
Seus olhos se detêm em meu rosto, bem onde antes estava a ferida.
— Maven fez um bom trabalho — sua voz soa estranhamente amarga.
— Foi Julian. Julian e Sara Skonos.
Embora a reação de Cal não seja tão forte quanto a do irmão, ele também fecha a cara.
— Por que vocês dois não gostam dela?
— Maven tem seus motivos. Bons motivos — balbucia. — Mas não compete a mim contar. E eu não desgosto de Sara. Só não... não gosto de pensar nela.
— Por quê? O que ela fez para você?
— Para mim nada — suspira. — Ela cresceu com Julian e minha mãe.
Sua voz vacila à menção da mãe, mas ele prossegue.
— Era sua melhor amiga. E, quando minha mãe morreu, lamentou até não poder mais. Julian estava arrasado, mas Sara...
Ele hesita, pensando em como continuar. Nossos passos ficam mais lentos, até pararem. A música, porém, ainda ecoa ao redor.
— Não me lembro da minha mãe — ele retoma bruscamente, tentando se explicar. — Não tinha nem um ano quando morreu. Só sei o que meu pai conta. E Julian. E nenhum dos dois gosta de falar dela.
— Tenho certeza de que Sara poderia falar dela, já que era a melhor amiga.
— Sara Skonos não pode falar, Mare.
— Não mesmo?
Cal explica devagar, no mesmo tom de voz calmo do pai.
— Ela disse o que não devia, mentiras terríveis, e foi castigada.
Me encho de horror. Ela não pode falar.
— O que ela disse?
Num piscar de olhos, sinto as mãos de Cal esfriarem. Ele se afasta e sai dos meus braços. A música enfim termina. Com movimentos rápidos, enfia o alto-falante no bolso. Restam apenas as batidas dos nossos corações para preencher o silêncio.
— Não quero mais falar dela — ele bufa. Seus olhos carregam um brilho estranho e se alternam entre mim e as janelas atravessadas pelo luar.
Sinto uma pontada no coração; a dor em sua voz me fere.
— Tudo bem.
Com passos ágeis e calculados, ele segue na direção da porta como se fizesse um esforço para não correr. Mas, ao se virar para mim mais uma vez, sua aparência é a mesma de sempre: calma, discreta, distante.
— Pratique os passos — ele diz, soando como Lady Blonos. — Amanhã, na mesma hora.
E então sai, me deixando sozinha numa sala cheia de ecos.
— O que estou fazendo? — pergunto a mim mesma.
Já estou a meio caminho da cama quando noto algo muito errado em meu quarto: as câmeras estão desligadas. Nenhuma sequer vibra sobre mim com seus olhos elétricos e vigilantes que registram tudo o que faço. Mas, diferentemente do blecaute anterior, tudo o mais ao meu redor lateja. A eletricidade ainda pulsa pelas paredes, por todos os quartos, exceto o meu. Farley.
Mas, em vez da revolucionaria, é Maven que emerge da escuridão. Ele abre as cortinas para a luz do luar.
— Passeio da madrugada? — pergunta com um sorriso amargo.
De queixo caído, luto para encontrar as palavras.
— Você sabe que não pode estar aqui — digo com um sorriso forçado para tentar me acalmar. — Lady Blonos vai se escandalizar. Vai castigar nós dois.
— Os homens de minha mãe me devem um ou dois favores — ele diz, apontando para o local onde as câmeras se escondem. — Blonos não terá provas.
Não sei por quê, mas isso não me consola. Na verdade, sinto calafrios pelo corpo. Não de medo, mas de ansiedade. Os calafrios aumentam, fazem a eletricidade aflorar em meus nervos como um raio à medida que Maven caminha em minha direção.
Ele me observa corar com aparente satisfação.
— Às vezes esqueço — sussurra levando a mão à minha bochecha, sem pressa, como se pudesse sentir a cor do sangue que pulsa em minhas veias. — Gostaria que não precisassem pintar você todos os dias.
Minha pele vibra ao toque de seus dedos, mas tento ignorar.
— Somos dois.
Seus lábios se contorcem na tentativa fracassada de sorrir.
— O que houve? — pergunto.
— Farley entrou em contato novamente — ele diz, recuando e enfiando as mãos no bolso para esconder os dedos trêmulos. — Você não estava aqui.
Que sorte.
— E o que disse?
Maven dá de ombros e caminha até a janela para observar o céu noturno.
— Passou a maior parte do tempo fazendo perguntas.
Alvos. Deve ter pressionado Maven mais uma vez à caça das informações que ele não quis dar. Posso ver em seus ombros caídos e em sua voz vacilante que disse mais do que queria.
Muito mais.
— Quem?
Minha mente repassa os diversos prateados que conheci aqui, aqueles que foram, à sua maneira, gentis comigo. E se algum deles for sacrificado em nome da revolução de Farley?
Quem seria o alvo?
— Maven, quem você entregou?
Ele se vira para mim com uma ferocidade que jamais vi brilhar em seus olhos. Por um segundo, temo que exploda em chamas.
— Eu não queria, mas ela tem razão. Não podemos ficar parados, precisamos agir. E se isso significa entregar pessoas, é o que farei. A contragosto, mas farei. É necessário.
Como Cal, respira fundo na tentativa de se acalmar.
— Participo das reuniões dos conselhos com meu pai: o de impostos, segurança e defesa. Sei quem fará falta ao meu... aos prateados. Dei a ela quatro nomes.
Quem?
— Reynald Iral, Ptolemus Samos, Ellyn Macanthos e Belicos Lerolan.
Expiro antes de acenar com a cabeça. Essas mortes não poderão ser escondidas. O irmão de Evangeline e a coronel farão muita falta mesmo.
— A coronel Macanthos sabe que sua mãe mente. Sabe dos outros ataques...
— Ela controla meia legião e é chefe do conselho de guerra. Sem ela, a frente de batalha ficará um caos por meses.
— Frente de batalha? — Cal. Sua legião.
Maven assente.
— Meu pai não enviará seu herdeiro à guerra depois disso. Com um ataque tão perto de casa, duvido que o mandará para longe da capital.
Então a morte dela salvará Cal. E ajudará a Guarda.
Shade morreu por isso. Sua causa agora é minha.
— Dois coelhos com uma cajadada só — suspiro, com os olhos cheios de lágrimas. Por mais difícil que seja, trocaria a vida dela pela de Cal. Mil vezes.
— Seu amigo também faz parte do plano.
Meus joelhos tremem por Kilorn, mas consigo manter a postura enquanto Maven explica friamente os detalhes.
— E se falharmos? — pergunto quando ele termina, enfim pronunciando as palavras que o príncipe tenta contornar.
Ele balança a cabeça devagar e responde:
— Isso não vai acontecer.
— Mas e se acontecer?
Não sou o príncipe, minha vida não foi um mar de rosas. Sei esperar o pior de tudo e de todos.
— O que acontece se falharmos, Maven? — insisto.
Sua respiração entrecortada revela sua dificuldade em permanecer calmo.
— Então seremos considerados traidores. Nós dois. Seremos julgados por traição, condenados e... mortos.


Não consigo me concentrar na aula seguinte de Julian. Não consigo focar em nada além daquilo que está por vir. Tanta coisa pode sair errado e há tanto em jogo. Minha vida, a de Kilorn, a de Maven: estamos todos arriscando nosso pescoço por isso.
— Não é mesmo da minha conta, mas — começa Julian, interrompendo meus pensamentos — você parece, digamos, bem ligada ao príncipe Maven.
Quase rio aliviada, mas também não deixo de me chatear. Maven é a última pessoa com quem devo me preocupar neste ninho de cobras. Só a sugestão já me faz bufar.
— Sou a noiva dele — respondo com o máximo esforço para não explodir.
Mas, em vez de encerrar o assunto, Julian insiste. Sua serenidade geralmente me acalma, mas hoje só me provoca frustração.
— Só quero ajudar você. Maven se parece com a mãe.
Maven é meu amigo. Maven se arrisca mais do que eu. Logo a verdade explode de mim.
— Você não sabe nada sobre ele. Julgá-lo por seus pais é como me julgar por meu sangue. Não é porque você odeia o rei e a rainha que deve odiar o filho deles também.
Os olhos de Julian se cravam em mim, moderados e cheios de fogo. Quando fala, sua voz soa como um rugido.
— Odeio o rei porque ele foi incapaz de salvar minha irmã, porque ele a substituiu por aquela víbora. Odeio a rainha porque ela destruiu Sara Skonos, porque ela pegou a mulher que eu amava e deixou em frangalhos. Porque ela cortou a língua de Sara fora. — Julian faz uma breve pausa e, em voz baixa, lamenta. — Sua voz era linda.
Sou tomada por uma náusea profunda. De repente o silêncio doloroso de Sara e suas bochechas murchas começam a fazer sentido. Não é à toa que Julian a chamou para me curar.
Ela não poderia contar a verdade a ninguém.
— Mas... — minhas palavras saem fracas e roucas, como se alguém me arrancasse a voz. — ... ela é uma curandeira.
— Curandeiros de pele não podem curar a si próprios. E ninguém reverteria o castigo da rainha. Assim, Sara está condenada a carregar esse infortúnio para sempre.
Diversas lembranças ecoam em sua voz, uma pior que a outra.
— Os prateados não ligam para dor, mas somos orgulhosos — retoma. — Orgulho, dignidade, honra: são coisas que nenhum poder substitui.
Por pior que me sinta por Sara, temo também por mim mesma. Cortaram a língua dela por conta de alguma coisa que disse. O que não farão comigo?
— Você está esquecendo, menininha elétrica.
O apelido é como um tapa na cara que me traz de volta à realidade.
— Este não é seu mundo. Aprender a fazer reverências não mudou isso. Você não compreende nosso jogo.
— Porque isto não é um jogo, Julian — emendo, empurrando o livro com os registros de baixas na direção dele. — É questão de vida ou morte. Não jogo em busca de um trono, uma coroa ou um príncipe. Não jogo nada. Sou diferente.
— É mesmo — ele murmura ao correr os dedos sobres as páginas. — E é por isso que corre perigo, por todos os lados. Até Maven. Até eu. Todo mundo trai todo mundo.
Seus olhos ficam nublados e sua mente voa. Sob essa luz, ele parece velho e grisalho, um homem amargo assombrado pela irmã morta, apaixonado por uma mulher arruinada, condenado a ensinar uma garota que só mente. Atrás dele, vejo um pedaço do mapa do que já foi o reino um dia, do que veio antes. Este mundo inteiro é assombrado.
Então surge o pior pensamento à cabeça. Shade já é meu fantasma. Quem mais se juntará a ele?
— Não se engane, minha menina — ele diz finalmente. — Você também está no jogo, mas como peão de alguém.
Não tenho paciência para discutir.
Pense o que quiser, Julian. Ninguém me controla.


Ptolemus Samos. Coronel Macanthos. Os rostos pairam em minha mente enquanto Cal e eu rodopiamos pela sala de espera. Nesta noite a lua começa a minguar, a desaparecer, mas minha esperança nunca foi tão forte. O baile é amanhã, e depois — bom, não sei ao certo onde o caminho vai desembocar. Mas será diferente. Uma nova estrada para nos conduzir em direção a um futuro melhor. Haverá efeitos colaterais — pessoas mortas, aleijadas — que não podemos evitar, como disse Maven. Mas ele sabe dos riscos. Se tudo sair conforme o planejado, a Guarda Escarlate terá hasteado sua bandeira onde todos podem ver. Farley fará outra transmissão após o atentado para discorrer sobre nossas exigências. Igualdade, liberdade e direitos. Perto de uma rebelião escancarada, parece um bom acordo.
Meu corpo se solta em direção ao chão num arco vagaroso que me faz soltar um gritinho. Os braços fortes de Cal se fecham ao meu redor e me puxam para cima num segundo sem dificuldades.
— Perdão — ele diz, meio envergonhado. — Pensei que você estivesse pronta para isso.
Não estou pronta. Estou com medo. No entanto, forço uma risada na tentativa de esconder o que não posso lhe contar.
— Não. Foi culpa minha. Me distraí de novo.
Tento despistá-lo. Ele aproxima sua cabeça um pouco e me encara nos olhos.
— Ainda preocupada com o baile?
— Mais do que você imagina.
— Um passo de cada vez. É o melhor jeito.
Então ele ri de si mesmo e retomamos os passos mais simples.
— Sei que é difícil de acreditar — brinca —, mas nem sempre fui o melhor dançarino.
— Que chocante! — replico, também sorrindo. — Pensei que os príncipes nascessem com o poder de dançar e jogar conversa fora.
Ele ri mais uma vez e acelera o ritmo dos movimentos.
— Eu não. Se dependesse de mim, permaneceria na garagem ou no quartel, inventando coisas e treinando. Diferente de Maven. Ele é um príncipe duas vezes melhor que eu.
Penso em Maven, em suas palavras gentis, seus modos perfeitos, seu conhecimento impecável da corte — e em todas as coisas que finge ser para ocultar seu verdadeiro coração.
De fato, duas vezes melhor.
— Mas ele nunca passará de príncipe — comento, quase em tom de lamentação —, e você será rei.
O tom de sua voz desce ao nível do meu e uma nuvem sombria embaça seu olhar. Cal arrasta uma tristeza mais forte a cada dia. Talvez ele não goste da guerra tanto quanto imagino.
— Às vezes, desejo que as coisas não fossem assim — desabafa.
Ele fala com suavidade, e suas palavras preenchem minha cabeça. Embora o baile se anuncie no horizonte do amanhã, me vejo mais concentrada nele, em suas mãos e no leve aroma de brasas de madeira que parece seguir Cal aonde quer que vá. Isso me lembra calor, outono, lar.
Culpo a melodia por meu coração acelerado, aquela música que palpita com tanta vida. Por algum motivo, esta noite me faz lembrar as aulas de Julian, as suas histórias do mundo de antes. Um mundo de impérios, corrupção, guerra e mais liberdade que jamais experimentei.
Mas as pessoas daquela época já se foram, seus sonhos são ruínas existentes apenas sob a forma de fumaça e cinzas.
“É da nossa natureza”, diria Julian. “Destruímos. É a constante da nossa espécie. Não importa a cor do sangue, os homens sempre cairão.”
Não entendi a aula uns dias atrás. Agora, com as mãos de Cal nas minhas, me guiando delicadamente, começo a compreender o que ele quis dizer.
Consigo perceber minha própria queda.
— Você vai mesmo partir com a legião?
Só as palavras bastam para me amedrontar.
Ele inclina levemente a cabeça.
— O lugar de um general é com seus homens.
— O lugar de um príncipe é com sua princesa. Com Evangeline — complemento às pressas.
Boa, Mare, meu cérebro grita.
O ar ao nosso redor se adensa com o calor, apesar de Cal sequer se mover.
— Ela ficará bem, acho. Evangeline não é lá muito apegada a mim. E tampouco sentirei falta dela.
Incapaz de encarar seus olhos, foco naquilo que está diante de mim. Infelizmente, me deparo com seu peito e sua camisa fina demais. Acima de mim, ele suspira fundo.
Seus dedos levantam meu queixo com cuidado para que nossos olhos se encontrem. Uma chama dourada arde em seu olhar, refletindo o calor de seu peito.
— Sentirei sua falta, Mare.
Por mais que queira permanecer ali, parar o tempo e deixar o momento durar para sempre, sei que não é possível. Apesar de tudo o que sinto e penso, Cal não é o príncipe a quem fui prometida. Mais importante ainda: ele está do lado errado. É meu inimigo. Cal é proibido.
Assim, com passos hesitantes e relutantes, recuo para longe do seu alcance e do círculo de calor a que fiquei tão acostumada.
— Não posso — é só o que consigo dizer, embora meus olhos me traiam. Sinto as lágrimas de raiva e remorso, lágrimas que jurei não derramar.
Contudo, talvez a perspectiva da guerra tenha deixado Cal mais ousado e imprudente, coisas que jamais foi. Ele trai seu único irmão. Eu traio minha causa, Maven e eu mesma. Mas não quero parar.
Todos podem trair todos.
Seus lábios pressionam os meus, rijos e ternos. O toque é eletrizante, mas não como de costume. Não se trata de uma centelha de destruição, mas de vida.
Por mais que queira me desvencilhar, simplesmente não consigo. Cal é um penhasco do qual me jogo alegremente. Um dia ele saberá que sou sua inimiga e tudo isto não passará de uma lembrança do passado distante. Mas ainda não.

46 comentários:

  1. Respostas
    1. aiiiiii. um final feliz por favor *-*

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    2. Aninha das kebradas1 de julho de 2017 08:06

      Por favor! Pfv que eles fiquem juntos, que a rainha tome no c*, o maven e a envageline se casem pq loko só da certo com loko. Como diz nosso mestre whindersson

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  2. Sabia que algo ia rolar...
    Que pena que não podem ficar juntos :(
    ~polly~

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  3. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
    NÃO TO SABENDO LIDAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRR
    ~EMY

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  4. Que merda aconteceu? Ainda não consigo acreditar no que eu acabei de ler.
    ~Debora~

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    1. Na verdade o cal traiu o irmão dele com ela então...

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    2. Aninha das kebradas1 de julho de 2017 08:07

      Na vdd ela só beijo quem ela queria beijarKKK

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  6. Como diabos, todas essa coisas, conspirações, traições e etc., não acabam caindo na Rainha,uh? pensem hihih

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    1. A Cobra é "tão esperta, poderosa, lê mentes e tals" como essa criatura não descobriu nada ainda? Vamos refletir!
      X Maysa

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    2. Acho que a raiinha sabe de tudo e vai ser um grande choque no final, Maven pe filho dela e é nele que nao confio acho que ele esta ganahando a confianca dela as ordens da mãe e a colocando contra Cal por que ele sim quer mudanças e a rainha odeia Cal e odeia ela. Dois tiros com uma só bala

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    3. Não é como se a rainha cada vez que visse o filho fosse ler a mente dele e ela não vai querer ler a mentes de vermelhos do nd. E sobre Mare, ela só entra e provavelmente lê os pensamentos atuais mas seria diferente se a Mare estivesse pensando na rebelião e tudo mais... então é possível esconder dela isso

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  7. Mds eu quero lá com o Maven.Ai,Ai isso vai dar um aue dá porr*

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  8. Respostas
    1. quando vc tá lendo os comentários de boas e de repente vê uma semideusa <3

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  9. Meu core não aguentaa #Shippo <3

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    1. Aninha das kebradas1 de julho de 2017 08:08

      Teorias:
      Evangeline fica put*
      Maven fica put*
      O povo fica put*
      A rainha fica put*
      O rei fica put*
      Todo mundo fica put*

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  10. ISSO VAI DÁ EM MERD*...

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  11. Acredito que a traição vai vir de Maven

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    1. É com muita dor no meu core que eu tô esperando isso tbm! !

      Flavia

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  12. EU SHIPPO, MAS NO MOMENTO, A F A S T A

    ~Bella~

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  13. pelo amor de R'hllor... Tô é morta. Que momento mais cute cute ♡♥ AEEEEEEE PORRA, MEU SHIPP CARAI

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  14. Sabia q ia acontecer! \(ToT)/

    Tô com tanta pena do Mavey agora... além d ter q noivar a força e viver na sombra do irmão, os dois ainda o traem! </3

    Sabia q Mare e Cal iam ficar juntos dede o início, mas meu core ainda se aperta pelo Mavey... pf n o deixem sozinho!

    (9_9)/\ ~ Pf, Victoria Aveyard, nunca te pedi nada!


    Ass.; Mutta Chase Herondale (T.T)

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    1. luamara prateada animus20 de maio de 2017 20:32

      eu quero que o Maven morra. Sinceramente.

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  15. Lindos.... Isso mesmo.... Tem que beijar muito!!! Kkkkk
    Marven esta muito bonzinho!!! Desconfio dele. Ele é fingido!!!!

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  16. Eu estou tão MORTAAAAAAA com esse capítulo. Prevejo miiiiil tretas pro baile de amanhã. Ai meu Deus esse livro é demaaaais me ajudem a superar , tô viciadonaaa.
    Ass: Déborah Alana

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  17. Ótimo! Ela fica com o Cal e eu com o Maven💖💖💖💖💖

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  18. EU SABIA KKK
    NÃO SE ENGANEM GENTE, ESSE MARVEN E BOM DEMAIS, DESCONFIEM DISSO

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  19. Achei esse beijo muito rápido... tudo aconteceu muito rápido... Me parece mais atração do que um sentimento mais forte, pelo menos por agora. Não deu tempo pra realmente desenvolver um romance sólido. Não deu tempo ainda de me convencer deste shipp (vamos ver como a história se desenrola).

    Também acho que Maven tem coisas a esconder, mas acho que é por um bom motivo, acredito que ele tem boas intenções, porém ele é disposto a jogar sujo para conquistar seus objetivos (afinal, mesmo que por uma boa causa ele tá traindo a própria família, isso é uma prova de sua obstinação). To achando que ele também é um tipo raro e também pode ler mentes (por isso Julian disse que ele é igual a mãe).

    Mas também acho que o Cal ainda não é totalmente digno de confiança. Ele quer muito agradar o pai dele e ele realmente pensa em manter o equilíbrio mantendo os vermelhos em seus lugares. Ele teme mudar a estrutura que mantem os vermelhos subjugados em todo o continente, não só em seu país, e não pretende fazer algo a respeito. Então sim, enquanto ele não lutar pelos vermelhos, ele é inimigo dela.

    Óh céus, que situação!

    ~Pri

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  20. Não acredito!!!!!!!
    Super shipo!!!!
    Gente vamos lá...
    Como vamos chamar o casal?

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  21. Meu Deus, já amo eles Cal e Mare sempre ❤❤❤❤❤ AMEI DESDE O PRINCIPIO E NÃO VAI SER AGORA QUE VAI ACABAR ESSE AMOR, ESPERO QUE ATÉ O FINAL ESSE AMOR CRESÇA AINDA MAIS!!!

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  22. Shippo ela com o Maven, apesar de desconfiar dele. Também gosto do Cal, mas Teen Maven

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  23. ai meu coraçaaaaaaaoooooo , buaaaaaaaaaaa, cara isso so serviu pra me deixar mais confusa ainda vei , eu to sentindo do fundo do meu coraçao , ta doendo ,muito,tipo , eu quero que ela fique com o maven, mas tambem quero que ela fique com o cal, cara eu to chorando muito , ela ta sofrendo muito , eu nao sei explicar com palavras mas eu to sentindo oque ela ta sentindo em relaçao a tudo , e meu coraçao nao aguenta , buaaaaaaaaaaaa

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  24. Ah quer saber? Desisto, vou shippar Cal e Mare sim! Não confio nesse Maven de jeito nenhum (o problema e que tô amando ele. O problema e que e aparentemente impossível Cal e Mare ficarem juntos... já vi que vou sofrer demais com esse casal...

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  25. ;-; chorei
    que triangulo amoroso e esse

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  26. E eu aqui jurando que não ia me lascar mais com triangulo amoroso. Mas tô amando Mare e Cal <3 O coração não guentaaa que amorrr

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  27. eu to feliz e triste ao mesmo tempo

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  28. Scrr meu Sem or, ja nem sei quem shippo mais kkkkk

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  29. GENTE!!!!!!! por favor, Maven não presta, não inspira confiança a nenhuma de nós. Shippo muitoooooooooooo CAl !!!!!!!!!

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  30. MEU DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUS!!!!!!!!!!!!!
    Como é isso, Brasil??
    Tenho lá minhas desconfianças com Maven. Amo ele, maaaaas... =O

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  31. — É mesmo — ele murmura ao correr os dedos sobres as páginas. — E é por isso que corre perigo, por todos os lados. Até Maven. Até eu. Todo mundo trai todo mundo.
    Só eu q reli essa parte?(todo mundo trai todo mundo)acho q a altora ta dando dicas
    Ass: Milly*-*

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  32. Mavennnnnn! Naaaaaaaaaaaauuummmmmmm!!!! Por que você fez isso Mare? Ele é gostoso? É... Mas é perigo! Danger!
    Maven é fofo e tem as mesmas idéias que você! Para de ser troxa e ciscar no quintal dos outros! Ninguém sabe o que ele ta escondendo! Mas eu ainda prefiro Maven do que Cal que tem mente que nem o pai!

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Boa leitura :)