25 de março de 2017

Capítulo 8 - A canção da lamúria

CAM
Dez Dias

— Bom dia, alunos.
Cam recostou o corpo na cadeira ao ouvir a voz do diretor zumbir pelo intercomunicador durante a primeira aula, no dia seguinte.
— O destaque dos anúncios do dia é que o time de futebol americano organizou uma lavagem de carros depois das aulas. Por favor, compareçam e ofereçam seu apoio. Como vocês sabem, os ingressos para o baile de formatura estão à venda no refeitório até sexta-feira, e em breve irei divulgar os nomes dos indicados a rei e rainha do baile.
A turma, que um segundo antes estava imersa em conversas frenéticas, caiu em silêncio. Fazia tempo que Cam não presenciava esse tipo de atenção total num grupo de adolescentes. Para eles, o baile de formatura era realmente importante. Ele olhou para Lilith do outro lado da sala e se perguntou se uma parte escondida bem no fundinho dela também não sentia o mesmo.
Quando Jean Rah tinha dito a Cam, na véspera, que Lilith havia se inscrito para tocar na festa, Cam ficou tão empolgado que deu soquinhos e saltos no ar, perdendo a pose por três segundos inteiros.
— Caramba, meu irmão — disse Jean, com uma risada. — Você tá sabendo que não está na banda, né?
— Ainda não — disse Cam, afastando o cabelo para o lado.
Jean encolheu os ombros, em simpatia.
— Isso você precisa decidir com a chefe. A Vingança é, na verdade, a banda de Lilith.
— Por mim tudo bem — disse Cam.
Naquele dia, perguntaria a Lilith não apenas se ele poderia entrar na banda, como também se ela aceitaria ser seu par na festa de formatura. Na véspera, no refeitório, logo depois de ela brigar com Chloe, Lilith pareceu amolecer um pouco. Deixou que Cam entrasse um pouco em seu mundo, sem fechar as portas totalmente, nem mesmo quando ele se atrevera a agir de modo um pouco mais romântico com ela.
Ele desejava que ela o olhasse nos olhos agora, do outro lado da sala, mas ela estava imersa em seu caderno preto.
— As candidatas a rainha da formatura são... — disse Tarkenton pelo intercomunicador. — Chloe King, June Nolton, Teresa Garcia e Kara Clark.
Chloe, que agora usava o cabelo raspado nas laterais, imediatamente deu um pulo da carteira.
— U-huuu! As gatas da Desprezos Nítidos atacam novamente!
Chloe e suas colegas de banda se abraçaram, rindo e chorando ao mesmo tempo, fazendo os minivestidos em tons pastel subirem pelas coxas.
A Sra. Richards atravessou a sala e as separou, pedindo que voltassem a se sentar.
— Quanto ao rei da formatura — continuou Tarkenton —, os indicados são Dean Miller, Terrence Gable, Sean Hsu e Cameron Briel.
Cam estremeceu quando alguns adolescentes em torno dele assoviaram e bateram palmas. Lilith, obviamente, não olhou para eles. Cam não tinha feito o menor esforço para conhecer aluno algum na Trumbull, fora Lilith e Jean. Estava na cara que aquela indicação para rei da formatura tinha sido obra de Lúcifer; ele deve ter apostado que Lilith odiaria qualquer um que fizesse parte daquele grupo.
Tarkenton continuou, listando algumas das responsabilidades dos “membros da corte” enquanto Cam imaginava a quantas reuniões idiotas teria de comparecer ao longo daqueles dez dias. De repente a porta da sala foi aberta, atraindo sua total atenção.
Luc, com o tablet sob o braço, caminhou até a Sra. Richards e sussurrou algo em seu ouvido. Para horror de Cam, mas não surpresa, a professora apontou para Lilith.
— É aquela ali, na segunda fileira.
Luc sorriu em agradecimento, depois abordou Lilith como se eles não se conhecessem.
— Srta. Foscor?
— Sim? — disse Lilith, assustada ao ver aquele rapaz alto na sua frente. Cobriu com a mão suas anotações no caderninho.
— Este é o comprovante de que sua inscrição foi recebida. — Luc colocou o envelope sobre a mesa dela.
— Inscrição para o quê? — Enquanto Lilith abria o envelope, Luc, divertido, fez sinal de positivo para Cam e seguiu porta afora.
Cam inclinou-se para a frente enquanto ela desdobrava o papel. Estava desesperado para lê-lo, para anular qualquer trauma que o diabo estivesse disposto a causar em Lilith. Inclinou-se tanto que a garota na frente dele olhou para trás, torceu o nariz e empurrou a carteira dele alguns centímetros para trás.
— Seu tarado. — Cam sentiu o olhar dela analisando sua pele, as manchas senis próximas de sua testa. — Eca. Quantas vezes você bombou no primeiro ano? Tipo, quinze?
Ele a ignorou. Observou os dedos de Lilith começarem a tremer, e o sangue fugir de seu rosto. Ela se levantou da cadeira, apanhou suas coisas e saiu apressada da sala.
Cam partiu em disparada atrás dela, ignorando as ameaças da Sra. Richards de suspendê-lo e enviar um comunicado a seus pais. Alcançou Lilith no corredor e a agarrou pelo cotovelo.
— Ei...
Ela afastou a mão dele com um safanão.
— Cai fora.
— O que aconteceu?
— Bem que ele me avisou sobre você.
— Ele quem?
— Luc. — Lilith fechou os olhos. — Como sou idiota.
Quando ela mostrou o papel para Cam, ele viu que era uma cópia impressa do e-mail que tinha mandado a Ike Ligon, com a letra de “Blues de outro alguém”. A única coisa que não estava incluída era a biografia de Lilith que Cam escrevera, as palavras que o haviam feito chorar.
— Você roubou minha letra e a inscreveu no concurso — acusou ela.
Cam respirou fundo.
— Não é assim tão simples.
— Ah, não? — perguntou Lilith. — Você apanhou ou não apanhou meu caderno, copiou a letra de minha música e a inscreveu nesse concurso?
Como ele poderia explicar que havia feito tudo aquilo para ajudá-la? Que Lúcifer estava tentando causar problemas entre os dois? Observou o rosto da garota se contorcer de nojo.
— Sei que não foi o certo...
— Cara, você é inacreditável! — berrou Lilith. Parecia prestes a estrangulá-lo.
Ele tentou segurar as mãos dela.
— Fiz isso por você.
Ela lhe deu um safanão novamente.
— Vou fingir que você não disse isso. E tire as mãos de mim.
Ele levantou as mãos, num gesto de rendição.
— Mandei a letra em seu nome, não no meu.
— O quê?
— Essa música é sensacional — disse ele. — E você mesma falou que não iria se inscrever no concurso. É uma grande oportunidade de mostrar seu trabalho para todo mundo, Lilith. Eu não podia deixar passar.
Ela ficou olhando para a folha de papel.
— Mas Luc disse que...
— Não escute o que Luc diz, tá legal? A única coisa que ele quer na vida é colocar você contra mim — interrompeu Cam.
Lilith o encarou, desconfiada.
— E por quê isso?
Cam soltou um suspiro.
— É difícil explicar. Olhe, você tem todo direito de ficar brava comigo, mas, por favor, não deixe isso atrapalhar sua carreira. Você tem como vencer esse concurso, Lilith. Você deveria vencer esse concurso.
Cam percebeu então o quanto eles estavam próximos um do outro. Meros centímetros separavam seus ombros; ele conseguia lhe ouvir a respiração. Havia tanto sofrimento nos olhos de Lilith! Cam faria qualquer coisa para que ela tornasse a ser a garota feliz e despreocupada que havia conhecido um dia.
— Você prometeu ficar longe de mim — disse ela.
Cam engoliu em seco.
— E vou. Mas, por favor, pense no que acabei de dizer. Você é talentosa demais para não tentar.
Lilith corou e desviou os olhos, como se não estivesse acostumada a ouvir elogios. Ele conseguia enxergar todas aquelas coisinhas que formavam a pessoa que ela era: as manchas de tinta em suas mãos, os calos nas pontas dos dedos. Ela era talentosíssima, uma estrela brilhante. A música era um dos fios que a conectava a Lilith por quem ele havia se apaixonado tanto tempo atrás, e era por esse motivo que ele precisava fazê-la entender que suas intenções ao inscrever sua música no concurso eram boas.
— Lilith — sussurrou Cam.
O sinal tocou.
Ela recuou um passo, e Cam percebeu que o momento entre eles havia passado. O corpo dela tinha voltado a ficar tenso, seus olhos tornando-se a encher de ódio.
— Por que eu deveria escutar os conselhos de alguém capaz de fazer uma coisa tão baixa? — Ela arrancou a folha de papel da mão dele e saiu, apressada, enquanto as portas das salas se abriam e os alunos se espalhavam pelos corredores.
Cam bateu a cabeça num armário. E isso porque ele desejara convidá-la para a festa hoje.
— Ai — disse Luc, passando casualmente por ali. — E justamente quando achei que ela estava começando a amolecer. É quase como se existisse uma força invisível trabalhando contra você a cada movimento. — A gargalhada rouca do demônio continuou a ecoar nos ouvidos de Cam até muito depois de Luc desaparecer, virando uma esquina.


Na hora do almoço, Cam descobriu por Jean, que tinha descoberto por Kim, que, na terceira aula, Lilith recebera mais um bilhete, o qual misteriosamente a dispensava de assistir ao restante das aulas do dia. Cam deveria fazer uma prova besta de matemática na quarta aula, que não hesitou em matar.
Escapou pela saída dos fundos, subiu na moto que havia apanhado no dia anterior e seguiu em direção à parte mais perigosa da cidade. Logo estava batendo na porta da casa de Lilith. Na frente da garagem havia uma minivan roxa caindo aos pedaços, a porta dos fundos aberta.
— Mas o que... — disse Lilith, ao atender a porta.
— Está tudo bem? — perguntou ele.
— Que pergunta idiota — disse ela.
A linguagem corporal de Lilith gritava para ele se afastar. Cam tentou respeitar isso, mas era difícil. Odiava ver a ira que se fluía dela todas as vezes que o olhava.
Era ainda pior porque, no bolso de trás de sua calça, estavam os ingressos que havia comprado para os dois irem à festa.
— Tem uma coisa que eu queria te perguntar — disse ele.
— Você ouviu falar da Vingança e veio perguntar se pode entrar na banda.
Cam não podia se deixar abalar por aquela franqueza. Levaria as coisas com tranquilidade, tentaria até mesmo ser romântico, tal como tinha planejado.
— Antes de mais nada, quero dizer que estou muito feliz que tenha se inscrito para tocar na formatura...
— Será que a gente poderia, por favor, não chamar esse baile de “formatura”? — cortou Lilith.
— Quer chamar a formatura por outro nome? — perguntou ele. — Por mim tudo bem, mas acho que isso pode provocar um motim em Trumbull. Porque, olhe, aquela gente está bem empolgada. “Faltam só dez dias para a melhor noite de nossas vidas” e toda essa baboseira.
— Eles vão chutar você da corte da formatura se o pegarem tirando sarro desse jeito — disse Lilith. — É heresia escolar.
Cam sorriu de leve. Quer dizer então que ela havia escutado quando seu nome foi anunciado.
— Nossa, é só isso que preciso fazer para me chutarem da corte da formatura? — perguntou ele. — Ah. Desculpe, esqueci que não estávamos mais chamando o baile de formatura.
Lilith refletiu por um instante.
— Só para deixar claro: vou a essa festa porque quero tocar com a minha banda e ouvir os Quatro Cavaleiros, não porque quero usar um arranjo de flores maravilhoso ou um longo de cetim vermelho-cereja.
— Que alívio — disse Cam. — Porque vermelho-cereja é tão démodé.
Por um instante ele teve a impressão de que Lilith iria sorrir, mas então os olhos dela voltaram a ficar gélidos.
— Se você não veio por causa da banda, então por que veio?
Convide-a. O que está esperando? Ele sentiu os ingressos no bolso da calça, mas, por algum motivo, não conseguiu se mexer. O clima não era o ideal. Ela ia recusar. Era melhor esperar.
Depois de um instante de silêncio esquisito, Lilith o empurrou para o lado, atravessou o gramado e foi até a minivan caindo aos pedaços. Enfiou-se pela porta aberta, puxou uma alavanca e recuou quando uma plataforma de metal se desdobrou e abaixou-se até o nível do chão.
A mãe de Lilith apareceu no alpendre. Usava batom cor-de-rosa e um sorriso de um megawatt que não escondia em nada a exaustão dos olhos. Sua beleza havia desbotado, mas Cam percebeu que, um dia, ela havia sido de arrasar, exatamente como Lilith.
— Posso ajudar em alguma coisa? — perguntou ela a Cam.
Cam fez menção de responder, mas Lilith o interrompeu.
— Ele é só um cara lá da escola que veio me entregar um trabalho.
Sua mãe disse:
— A escola vai ter de esperar. Preciso da sua ajuda com Bruce, agora. — Ela deu as costas para a porta e reapareceu um segundo depois, empurrando uma cadeira de rodas, e, na cadeira, estava Bruce.
Ele tremia e parecia frágil. Tossiu num pano de prato, os olhos marejados.
— Oi, Cam — cumprimentou Bruce.
— Não sabia que seu irmão estava doente.
Lilith o afastou, foi até Bruce e correu os dedos por seus cabelos.
— Agora sabe. O que você quer, Cam?
— Eu... — começou a dizer.
— Não importa. De todos os possíveis motivos para sua vinda até aqui, não consigo pensar em nenhum que tenha importância — retrucou Lilith.
Cam foi obrigado a concordar. Mas o que ele podia fazer? Abrir as asas e contar a verdade: que ele era um anjo caído que certa vez lhe partira o coração de tal maneira que ela jamais conseguira se recuperar? Que sua ira por ele era muito mais profunda que a raiva que sentia por uma letra de música roubada? Que ele perderia tudo se não conseguisse lhe conquistar o coração uma vez mais?
— Lilith, precisamos ir — declarou sua mãe, puxando a alavanca e depois contornando o carro para sentar no banco do motorista. Enquanto a cadeira de rodas era levantada para entrar no fundo da van, os olhos de Bruce se encontraram com os de Cam e ele deu uma piscadela, como se dissesse: Não leve as coisas tão a sério.
— Tchau, Cam — disse Lilith, ao fechar as portas traseiras da van e se acomodar no banco do passageiro.
— Para onde estão indo? — quis saber Cam.
— Para a emergência do hospital — gritou Lilith pela janela.
— Deixe eu ir com vocês. Posso ajudar...
Mas Lilith e a família já estavam dando ré na entradinha da casa. Ele esperou até a van virar a esquina, e então liberou as asas mais uma vez.
O sol se punha quando Cam os encontrou no pronto-socorro.
Lilith e sua mãe dormiam em um corredor, apoiadas uma na outra e sentadas em cadeiras alaranjadas e manchadas. Ele observou Lilith por um instante, maravilhado com sua beleza e sua paz roubada.
Aguardou até que o segurança saísse de seu posto e depois entrou escondido na ala dos quartos dos pacientes. Espiou por trás de várias cortinas até encontrar o garoto, sentado numa maca e sem camisa, com tubos de oxigênio nas narinas e um tubo intravenoso preso ao braço. Alguém tinha escrito Bruce com marcador azul num quadro branco pendurado acima de sua cabeça.
— Sabia que você viria — disse ele, ainda olhando pela janela, sem virar a cabeça.
— Como você sabia?
— Porque você ama minha irmã — respondeu ele.
Cam segurou a mão de Bruce, percebendo que estava segurando-a tanto pelo garoto como por si. Percebeu que, desde que entrara no Inferno de Lilith, não tinha visto nenhum rosto amigável. Vinha esforçando-se sem parar, sem receber o menor indício de que fazia algum progresso e sem ninguém para incentivá-lo a prosseguir. Apertou a mão do garoto, agradecido.
— Amo mesmo — disse por sobre o ruído suave dos bipes das máquinas às quais Bruce estava plugado. — Amo sua irmã mais que qualquer coisa de qualquer lugar, neste mundo ou em outro.
— Fácil. Afinal, é minha irmã. — Bruce deu um sorriso fraco. Por um instante sua respiração parou. Cam estava quase chamando uma enfermeira quando o peito do garoto assumiu um ritmo tranquilo. — Brincadeira. Ei, Cam?
— Sim?
— Você acha que vou durar o bastante pra sentir a mesma coisa por alguém algum dia?
Cam foi obrigado a desviar os olhos porque não conseguiu mentir para Bruce e dizer que sim, que um dia ele amaria uma garota tão profundamente quanto Cam amava Lilith. Dali a uma semana e meia, não sobraria mais nada de seu mundo. Independentemente do que Lilith escolhesse e do resultado do acordo entre Cam e Lúcifer, provavelmente Bruce e todas as infelizes almas de Crossroads seriam enviadas para futuras punições.
Apesar disso, Cam desejava que existisse um jeito de oferecer algum conforto ao menino no pouco tempo que lhe restava. Sentiu um nó na garganta e as asas queimando de vontade de se abrir, na base dos ombros. Uma ideia se formou em sua mente. Era arriscada, mas Cam era adepto dos riscos.
Olhou para o menino, que admirava a paisagem pela janela e parecia ausente agora. Provavelmente eles teriam poucos minutos antes de uma enfermeira entrar ali, ou de Lilith e sua mãe despertarem.
Respirou fundo, fechou os olhos, inclinou a cabeça em direção ao teto e desenrolou as asas. Em geral ele sentia uma deliciosa sensação de abandono ao fazer isso, mas, daquela vez, teve de tomar cuidado para não deixar as asas baterem em nenhum dos equipamentos médicos que mantinham Bruce estabilizado.
Quando Cam abriu os olhos, percebeu que suas asas tinham preenchido todo o pequeno espaço protegido pela cortina e que refletiam um brilho dourado nas paredes. Bruce olhava para ele com grande reverência e só um bocadinho de medo. A glória de um anjo era a visão mais incrível que um mortal poderia testemunhar — e Cam sabia que para Bruce devia ser especialmente notável porque, tirando Lilith, ele jamais vira nada de muito belo em sua breve existência.
— Alguma pergunta? — quis saber Cam. Era justo dar ao menino um tempo para se recuperar.
O garoto balançou a cabeça em negativa, de modo quase imperceptível, mas não gritou ou se consumiu em chamas. O fato de Bruce ainda ser jovem ajudava, pois seu coração e sua mente ainda se encontravam abertos à possibilidade da existência de anjos. Justamente o que Cam havia esperado.
Agora poderia prosseguir.
Ele correu as mãos pela parte interna das asas, surpreso ao sentir como as novas penas brancas eram diferentes ao tato. Estavam mais grossas, rijas, e, percebeu Cam, perfeitas para o que tinha em mente.
Fez uma careta ao puxar uma imensa pena branca, com 30 centímetros de comprimento, e macia como um beijo. Era chamada de galhardete. Na base da pena, na extremidade de seu cálamo pontudo, havia uma única gota de sangue iridescente. Era impossível dizer de que cor era, porque exibia todas as cores ao mesmo tempo.
— Segure isto — instruiu ele, entregando a Bruce a pena com o cálamo apontado para cima.
— Uau — sussurrou Bruce, correndo os dedos pelas beiradas macias e brancas enquanto Cam ia até o tubo intravenoso gotejante enfiado em Bruce.
Desatarraxou o tubo na base da bolsa de soro, depois apanhou a pena da mão do garoto e mergulhou o cálamo no tubo. Ficou observando o líquido claro serpentear num trilhão de cores até o sangue angélico se mesclar a ele. Cam tornou a atarraxar o tubo e devolveu a pena a Bruce. Não precisava mais dela.
— Você por acaso acabou de salvar minha vida? — perguntou Bruce, guardando a pena embaixo do travesseiro.
— Por enquanto, sim — disse Cam, tentando parecer mais animado do que realmente se sentia.
Dobrou as asas e voltou a escondê-las.
— Valeu.
— Segredo?
— Segredo — disse Bruce, e Cam começou a caminhar em direção à porta. — Ei, Cam — chamou o garoto, baixinho, quando Cam estava prestes a sair para o corredor.
— Sim?
— Não diga a ela que falei isso, mas você devia contar a Lilith que a ama — sussurrou o garoto.
— Ah, é? — disse Cam. — Por quê?
— Porque — respondeu Bruce — acho que ela ama você também.

5 comentários:

  1. acho q a lilith devia amolecer um pouco o coração
    amo demais esses 2 <3

    ResponderExcluir
  2. Bruceeeee me lembrou o Max Lightwood 😭😭

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. agr que li seu comentário tbm lembrei dele.

      Excluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)