25 de março de 2017

Capítulo 2 - Almas mortas

CAM

Cam observou Lilith desaparecer no meio do bosque do riacho da Cascavel, reprimindo o impulso imenso de correr atrás dela. Estava tão magnífica quanto estivera em Canaã, com a mesma alma iluminada e expressiva cintilando sob a beleza exterior. Aquilo o deixara impressionado e muito aliviado também, porque, quando recebera a notícia chocante de que a alma dela não estava no Paraíso conforme ele esperara, e sim no Inferno com Lúcifer, Cam imaginara o pior.
Foi Annabelle quem contara a ele. Cam a procurara, achando que ela poderia lhe dar detalhes de como Lilith estava se saindo no Paraíso. A anjo de cabelos cor-de-rosa balançou a cabeça, parecendo tristíssima ao apontar para baixo e dizer:
— Você não sabia?
Cam ficou consumido pela curiosidade de saber como Lilith — a pura, a bondosa Lilith — fora parar no Inferno, mas a pergunta que o remoía na verdade era: seria ela ainda a mesma garota que ele amara, ou Lúcifer conseguira destruí-la?
Aqueles cinco minutos com ela o levaram de volta a Canaã, ao amor empolgante que os dois compartilharam um dia. Estar ao seu lado o enchera de esperança. Entretanto... Tinha algo diferente em Lilith. Ela agora carregava uma amargura afiada que a revestia como um escudo.
— Está se divertindo? — A voz veio de algum lugar acima dele.
Lúcifer.
— Obrigado por me deixar ver Lilith — disse Cam. — Agora, tire ela daqui.
Uma risada lépida sacudiu as árvores.
— Você me procurou implorando para saber em que condição estava a alma dela — disse Lúcifer. — Eu disse que deixaria vê-la, mas só porque você é um de meus preferidos. Então que tal falarmos de negócios?
Antes que Cam pudesse responder, o chão se abriu sob seus pés. Seu estômago revirou violentamente, uma sensação que apenas o demônio era capaz de forjar, e, à medida que despencava, Cam ponderava sobre os limites das forças angelicais. Raramente ele questionava seus instintos, mas esse — o de amar Lilith e ser amado por ela novamente —, por mais poderoso que fosse, exigiria a clemência do demônio... ou que Cam tivesse coragem de enfrentá-lo diretamente. Abriu as asas e olhou para baixo quando uma mancha azul cresceu aos seus pés, ficando cada vez mais definida. Ele aterrissou sobre um piso de linóleo.
O bosque e o riacho da Cascavel tinham desaparecido, e Cam se flagrou no meio de uma praça de alimentação de um shopping center abandonado. Dobrou as asas junto às laterais do corpo e sentou-se numa banqueta diante de uma mesa com tampo laminado cor de laranja.
A praça de alimentação era imensa, com centenas de mesas feiosas idênticas àquela. Era impossível saber onde o lugar começava e onde terminava. Uma claraboia comprida dominava o teto, mas de tão imunda Cam não conseguia enxergar nada além da sujeira cinzenta que recobria o vidro. O chão estava lotado de lixo: pratos vazios, guardanapos engordurados, copos de plástico amassados com seus respectivos canudos mordidos. Um cheiro de coisa velha pairava no ar.
Ao redor havia as lanchonetes de sempre — comida chinesa, pizzas, asinhas de frango —, mas todas em estado de decrepitude: a de hambúrgueres estava fechada, na de sanduíches, as luzes tinham queimado, e a vitrine da que vendia frozen yogurt fora quebrada. Apenas em uma das lanchonetes havia luz. Seu toldo era negro e em letras douradas imensas se lia Aevum.
Atrás do balcão, um rapaz jovem de cabelos arruivados e ondulados, com camiseta branca, jeans e um chapéu achatado de chef de cozinha, preparava alguma coisa que Cam não conseguia enxergar.
Os disfarces pós-Queda do diabo eram os mais diversos possíveis, mas Cam sempre reconhecia Lúcifer pelo calor escaldante que exsudava. Embora estivessem separados por uns 5 metros de distância, Cam teve a sensação de assar numa churrasqueira.
— Que lugar é este? — gritou o anjo.
Lúcifer olhou para ele e lhe deu um sorriso estranho, enfeitiçante. Tinha o rosto de um rapaz bonito e carismático de 22 anos, com sardas no nariz.
— Aqui é o Aevum, também chamado de Limbo às vezes — respondeu o demônio, apanhando uma espátula grande. — É um estado intermediário entre o tempo e a eternidade, e estou preparando um prato especial para os clientes de primeira viagem.
— Não estou com fome — avisou Cam.
Os olhos intensos de Lúcifer cintilavam enquanto ele virava alguma coisa numa bandeja marrom com a espátula. Então ele foi para trás de um caixa registradora e levantou a divisória de plástico que separava a pequena cozinha da praça de alimentação.
Remexeu os ombros e liberou suas asas, que eram imensas, rígidas e de um tom dourado esverdeado, como o de joias antigas e manchadas. Cam prendeu a respiração para não sentir o cheiro nauseante e mofado que emanava delas, enojado com aqueles bichinhos pretos horrorosos que se aninhavam em suas dobras.
Segurando a bandeja no alto, Lúcifer aproximou-se de Cam. Semicerrou os olhos, desconfiado, para suas asas, onde a fissura branca ainda cintilava em meio ao dourado.
— O branco não combina com você. Tem algo que queira me dizer?
— O que ela está fazendo no Inferno, Lúcifer?
Lilith tinha sido uma das pessoas mais virtuosas que Cam já conhecera. Ele não conseguia imaginar como poderia ter se tornado uma das súditas de Lúcifer.
— Ah. Você sabe que não consigo trair uma confissão. — Lúcifer sorriu e pousou a bandeja de plástico na frente de Cam. Em cima havia um pequenino globo de neve com uma base dourada.
— O que é isto? — perguntou. Cinzas escuras preenchiam o globo, caindo incessantemente e quase obscurecendo a lira minúscula que flutuava ali dentro.
— Confira você mesmo — disse Lúcifer. — Vire o globo.
Cam virou o globo de ponta-cabeça e encontrou uma pequena manivela na base. Girou-a, e a música da lira o inundou. Era a mesma melodia que estivera cantarolando desde que deixara Troia: a canção de Lilith. Ou pelo menos era assim que a chamava. Fechou os olhos e flagrou-se novamente às margens do rio em Canaã, três mil anos atrás, ouvindo-a tocar.
Aquela versão de caixinha de música barata foi mais emocionante do que Cam esperava. Ele apertou o globo com os dedos, e então...
Pou.
O globo se estilhaçou. A música parou, ao mesmo tempo que sangue escorria pela palma de Cam.
Lúcifer atirou-lhe um pano de prato cinzento e imundo e fez um gesto para que ele se limpasse.
— Sorte a sua que tenho muitos mais. — Indicou a mesa atrás de Cam. — Vá em frente, experimente outra. Todas têm suas pequeninas diferenças!
Cam pousou os cacos do primeiro globo de neve na mesa, limpou as mãos e observou os cortes se fechando. Então se virou e olhou uma vez mais para a praça de alimentação: no centro de cada uma das mesas de tampo cor de laranja, antes vazias, havia um globo sobre uma bandeja de plástico marrom. O número de mesas ali havia aumentado; agora aquilo era um mar de mesas que se estendia a uma distância longínqua.
Cam apanhou o globo na mesa atrás dele.
— Vá com calma — aconselhou Lúcifer.
Dentro do globo havia um pequenino violino. Cam girou a manivela e ouviu uma versão diferente da mesma canção simultaneamente doce e amarga.
O terceiro globo continha um violoncelo em miniatura.
Lúcifer sentou-se e levantou os pés enquanto Cam percorria as mesas da praça de alimentação, incitando a música de cada um dos globos. Havia cítaras, harpas, violas. Violões com corda de aço, balalaicas, bandolins... todos tocando uma ode ao coração partido de Lilith.
— Estes globos... — disse Cam, devagar. — Cada um representa os diversos Infernos onde você a aprisionou.
— E sempre que ela morre em um deles — continuou Lúcifer — acaba aqui, onde lembra mais uma vez de sua traição. — Ele se levantou e começou a caminhar por entre as mesas, admirando suas criações com orgulho. — Então, para manter as coisas interessantes, eu a envio a um novo Inferno, criado especialmente para ela. — Lúcifer sorriu, expondo fileiras de dentes afiados como navalhas. — Não sei o que é pior: os Infernos infinitos aos quais eu a mando, sem cessar, ou ser obrigada a retornar para lembrar o quanto odeia você. Mas, enfim, é isso que mantém a roda girando: a raiva e o ódio que ela sente.
— De mim. — Cam engoliu em seco.
— Ah, eu só trabalho com o material que me dão. Não é culpa minha que você a tenha traído. — Lúcifer soltou uma gargalhada que fez os tímpanos de Cam latejarem. — Quer saber qual é meu detalhezinho preferido nesse novo Inferno de Lilith? O fato de não ter fim de semana! De ela frequentar a escola todos os dias do ano! Dá para imaginar? — Lúcifer levantou um globo de neve, depois deixou que caísse no chão e se espatifasse. — Ela acha que não passa de uma adolescente tipicamente melancólica, atravessando uma experiência escolar tipicamente melancólica.
— Por que Lilith? — perguntou Cam. — Você arquiteta os Infernos de todo mundo da mesma forma?
Lúcifer sorriu.
— Não, as pessoas tediosas constroem os próprios infernos, com direito a fogo, enxofre e todas essas baboseiras. Não precisam de nenhuma ajuda de minha parte. Mas Lilith... ah, Lilith é especial. Não preciso lhe dizer isso.
— Mas e as pessoas que sofrem ao lado dela? Os alunos daquela escola, sua família...
— Não passam de peões — respondeu Lúcifer. — Foram levados diretamente do Purgatório para encenar um papel na história de outra pessoa. O que, por si só, já é uma espécie de inferno também.
— Não entendo — disse Cam. — Você está tornando a existência de Lilith completamente horrorosa...
— Ah, não dê todo o crédito a mim — protestou Lúcifer. — Você ajudou!
Cam ignorou a culpa, para não sufocar.
— Mas você permitiu que ela conservasse algo que ama mais que qualquer coisa. Por que deixa que ela toque sua música?
— A existência de alguém só é completamente horrível quando se prova um gostinho do que é belo — retrucou Lúcifer. — Isso serve para lembrar a pessoa de tudo aquilo que jamais poderá ter.
Tudo aquilo que jamais poderá ter.
Luce e Daniel haviam libertado algo dentro de Cam, algo que ele pensava ter perdido para sempre: a capacidade de amar. Compreender que isso era algo possível de novo, que ele poderia ter uma segunda chance, foi seu estímulo para que procurasse Lilith.
E agora que a encontrara, agora que sabia que ela estava ali...
Ele precisava fazer alguma coisa.
— Preciso vê-la mais uma vez — disse Cam. — Aquele encontro foi muito breve...
— Já lhe fiz favores demais — cortou Lúcifer, com uma risada maldosa. — Já lhe mostrei como é a eternidade para ela. Eu não precisava fazer isso.
Cam correu os olhos pelos globos de neve intermináveis.
— Não acredito que escondeu isso de mim.
— Não escondi nada; você é que não estava nem aí — retrucou Lúcifer. — Estava sempre ocupado demais. Luce e Daniel, a turminha popular da Sword and Cross, toda a badalação... Mas agora... Bem. Gostaria de ver alguns dos Infernos anteriores de Lilith? Seria divertido.
Sem esperar resposta, Lúcifer segurou a nuca de Cam e a empurrou para um dos globos de neve. Cam fechou os olhos com força, preparando-se para o momento em que seu rosto esmagaria o vidro.
Mas em vez disso...
Viu-se ao lado de Lúcifer no delta de um rio largo. Uma chuva torrencial caía. Pessoas saíam correndo de uma fileira de cabanas, carregando seus pertences, cheias de pânico ao notar o rio aumentando de volume. Na outra margem, uma garota levando uma cítara caminhava devagar, uma expressão triste e calma, em contraste gritante com o caos à volta. Embora ela não se parecesse em nada com a Lilith que ele amara em Canaã, nem tampouco com a garota que acabara de conhecer em Crossroads, Cam a reconheceu imediatamente.
Ela estava indo em direção ao rio que começava a encher.
— Ah, essa Lilith — disse Lúcifer, com um suspiro. — Ela sabe mesmo como partir.
A garota sentou-se na margem do rio e começou a tocar. As mãos voavam pelo instrumento de braço comprido, produzindo uma música triste e melódica.
— Um canto de tristeza para um afogamento — disse Lúcifer, com um quê de admiração.
— Não; é um canto de tristeza para os instantes antes do afogamento — corrigiu Cam. — Tem uma grande diferença.
Então o rio inundou suas margens, cobrindo Lilith e a cítara, as casas, as cabeças das pessoas que fugiam, e Cam e Lúcifer.
Segundos depois, os dois estavam no alto de uma montanha. Filetes de névoa envolviam os pinheiros, como se fossem dedos.
— Essa é uma das minhas favoritas — comentou Lúcifer.
Ouviram uma música triste de banjo às suas costas. Viraram-se e flagraram sete crianças magras como gambitos sentadas no alpendre de um chalé de madeira caindo aos pedaços. Estavam descalças, as barrigas estufadas. Uma garota de cabelo loiro-avermelhado segurava um banjo no colo enquanto dedilhava as cordas.
— Não vou ficar aqui parado, assistindo à Lilith tocar até morrer de fome! — protestou Cam.
— Ora, não é tão ruim assim; é quase como cair no sono — disse Lúcifer.
O garoto mais novo aparentemente fazia exatamente isso agora. Uma das irmãs pousou a cabeça em seu ombro e seguiu o exemplo. Então Lilith parou de tocar e fechou os olhos.
— Já chega — disse Cam.
Ele pensou na Lilith que havia acabado de conhecer no riacho da Cascavel. Todo o sofrimento do passado, a marca de todas aquelas mortes, ficara guardado em algum lugar dentro da garota, apesar de ela não ter nenhuma lembrança consciente disso. Exatamente como Luce.
Não, percebeu ele: Lilith era muito diferente de Luce. Eram tão distantes uma da outra quanto o leste do oeste. Luce fora um arcanjo obrigado a viver uma vida amaldiçoada de mortal. Já Lilith era uma mortal amaldiçoada por influências imortais, atirada daqui para lá por ventos eternos que não conseguia perceber, mas cujos efeitos sentia mesmo assim. Eles estavam ali, na maneira como ela cantava de olhos fechados dedilhando o violão rachado.
Ela estava presa numa maldição. A menos que...
— Quero que me mande de volta para lá — pediu Cam ao demônio. Os dois agora tinham voltado à praça de alimentação do Inferno, com globos de neve espalhados sobre as mesas, para onde quer que Cam olhasse, cada qual preenchido pela dor de Lilith.
— Nossa, gostou tanto assim de Crossroads, é? — perguntou Lúcifer. — Ai. Estou emocionado.
Cam olhou bem fundo nos olhos do diabo e estremeceu diante da maldade que encontrou ali. Durante todo aquele tempo, Lilith estivera sob o jugo de Lúcifer. Por quê?
— O que você quer para libertá-la? — perguntou ele ao demônio. — Faço qualquer coisa.
— Qualquer coisa? Hum, gostei disso. — Lúcifer enfiou as mãos nos bolsos de trás da calça, inclinou a cabeça e olhou fixamente para Cam, refletindo sobre o assunto. — O atual Inferno de Lilith deverá se encerrar daqui a 15 dias. Eu adoraria vê-la sofrer ainda mais durante essas duas semaninhas. — Ele fez uma pausa. — Poderíamos tornar a coisa bem mais interessante.
— Você tem o péssimo hábito de tornar as coisas interessantes — retrucou Cam.
— Uma aposta — propôs Lúcifer. — Se nos 15 dias que restam a Lilith você conseguir limpar-lhe o coração negro do ódio que sente e convencê-la a se apaixonar por você mais uma vez... apaixonar-se de verdade... entrego os pontos, pelo menos no que diz respeito a Lilith. Paro de projetar os Infernos sob medida para ela.
Cam olhou para Lúcifer, desconfiado.
— É fácil demais. Qual é a pegadinha?
— Fácil? — repetiu Lúcifer, com uma gargalhada. — Será que você não percebeu o rancor imenso que ela guarda dentro de si? Tudo culpa sua. Ela odeia você, amigão. — Ele deu uma piscadela marota. — E nem sequer sabe o motivo.
— O que ela odeia é aquele mundo terrível — disse Cam. — Qualquer um odiaria. Isso não quer dizer que ela me odeie. Ela nem se lembra de quem sou.
Lúcifer balançou a cabeça.
— O ódio que ela sente por aquele mundo horroroso onde mora não passa de uma fachada para o ódio maior e mais tenebroso que ela sente por você. — Ele cutucou o peito de Cam. — Quando uma alma se magoa tanto quanto a de Lilith, a dor é permanente. Ainda que ela não mais reconheça seu rosto, Cam, ela reconhece sua alma. Reconhece a essência de quem você é. — Lúcifer deu uma cusparada no chão. — E lhe nutre um ódio profundo.
Cam estremeceu. Não podia ser verdade. Daí, porém, lembrou-se de como ela o havia tratado.
— Eu vou consertar as coisas.
— Claro que vai — ironizou Lúcifer, assentindo. — Tente.
— E depois que eu reconquistá-la... o que acontece? — perguntou Cam.
Lúcifer sorriu, de um jeito paternalista.
— Você estará livre para viver o restante dos dias mortais de Lilith ao seu lado. Vocês serão felizes para sempre. É isto que quer ouvir? — Então ele estalou os dedos, como se tivesse acabado de se lembrar de alguma coisa. — Ah, é! Você queria saber qual era a pegadinha.
Cam aguardou. As asas ardiam de desejo de voar até Lilith.
— Já lhe tomei muito tempo — disse Lúcifer, subitamente sério e frio. — Quando você fracassar, deverá retornar ao seu lugar. Que é aqui, ao meu lado. Chega de vagar pelas galáxias, desse branco em suas asas. — Lúcifer semicerrou os olhos vermelhos injetados para ele. — Você se juntará a mim atrás da Muralha das Trevas, sentado à minha direita. Por toda a eternidade.
Cam encarou o demônio fixamente. Graças a Luce e Daniel, agora ele tinha a oportunidade de reescrever seu destino. Como poderia desistir disso de novo, com tanta facilidade?
Então pensou em Lilith. No desespero no qual ela chafurdara ao longo de milênios.
Não. Ele não podia pensar no que havia a perder. Tinha de se concentrar em reconquistar o amor dela, em aliviar seu sofrimento. Se existia alguma esperança de salvá-la, então valia a pena tentar.
— Combinado — decidiu Cam, e estendeu a mão.
Mas Lúcifer negou o cumprimento.
— Guarde essa baboseira para Daniel. Não preciso de um aperto de mãos para selar nosso acordo. Você verá.
— Tudo bem — disse Cam. — Como eu a encontro?
— Tome a porta à esquerda do quiosque de cachorro-quente. — Lúcifer apontou para a fileira de lanchonetes, que agora estavam distantes. — Assim que chegar a Crossroads, a contagem regressiva começa.
Cam já estava seguindo em direção à porta, em direção a Lilith, mas, ao atravessar a praça de alimentação do Inferno, a voz de Lúcifer pareceu acompanhá-lo.
— Só quinze dias, meu velho rapaz. Tic-tac!

4 comentários:

  1. Oh may good!!!!!!!!!!

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  2. OMGGGGGGGGGGGGGGG!!!

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  3. Se ele não conseguir 😢😢 eu vou chorar já estou avisando 😂😂😂😂

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Boa leitura :)