25 de março de 2017

Capítulo 19 - Fim do sonho

LILITH
Duas Horas

Centro do palco.
Escuridão profunda.
Lilith segurou o microfone frio com as mãos em concha. Em seguida, uma luz ofuscante caiu em cima dela, e a plateia desapareceu.
Ela olhou para o globo espelhado cintilante pendurado nas vigas. Se não fosse por Cam, Lilith teria passado aquela noite sozinha, escrevendo canções em seu quarto. Não estaria no baile, diante de uma pista de dança lotada, acenando para seus companheiros de banda, prestes a arrasar.
Ela ignorou os joelhos trêmulos, o coração acelerado.
Respirou fundo e sentiu o peso do violão sobre o peito, o tecido leve do vestido.
— Dois, três, quatro — contou ao microfone.
Ouviu o som da bateria, súbito como uma chuva torrencial. Seus dedos acariciaram as cordas do violão em um lento riff triste, que depois explodiu na canção.
A guitarra de Cam encontrou seu violão no meio do turbilhão, e eles tocaram como se fosse sua última noite na Terra, como se o destino do universo dependesse de como tocavam em conjunto. Era o momento pelo qual ela vinha esperando. Não sentia mais medo. Estava vivendo seu sonho. Fechou os olhos e cantou.

Sonhei que a vida era um sonho
Que alguém estava sonhando em meus olhos...

Sua canção soava do jeito que ela sempre esperara que algum dia pudesse soar. Abriu os olhos e virou-se para Jean Rah e Luis. Ambos estavam completamente absortos na música. Acenou para Cam, que estava do outro lado do palco, dedilhando a guitarra habilmente, sem desgrudar os olhos dos dela.
Ele estava sorrindo. Ela nunca percebera o quanto adorava o jeito como ele sorria para ela. Quando ela se virou para o público a fim de tocar o segundo verso, teve um rápido vislumbre de seu irmão e sua mãe. Eles estavam de pé, afastados da multidão, dançando com total abandono.
Lilith mal conseguia se ouvir acima dos vivas do público. Afastou-se do microfone para solar, arqueando as costas e deixando os dedos voarem sobre as cordas. Aquilo era alegria. Não havia mais nada além de Lilith, sua banda e sua música.
Depois ela apanhou o microfone novamente, e, no último verso, a voz de Cam se juntou à dela, encontrando harmonias que nunca haviam ensaiado.
Lilith ergueu o braço e parou de tocar, fazendo uma pausa antes do dístico final da canção. Jean, Luis e Cam pararam também.
O público gritou mais alto.
Quando abaixou o braço na hora do acorde final, a banda começou a tocar com ela, no tempo certo, e todas as pessoas da plateia gritaram.
Quando a música acabou, só restou uma coisa a fazer. Ela correu em direção a Cam e segurou sua mão. Queria estar ao lado dele quando se curvassem para agradecer. Porque, sem ele, ela não estaria aqui. Nada daquilo teria acontecido.
Ele estendeu a mão para ela e sorriu. Eles se deram as mãos e foram para a frente do palco.
Segure firme, Lilith flagrou-se dizendo para a mão de Cam. Agarre-se a mim, assim. Não solte.
— Lilith arrasou! — Uma voz se ergueu sobre os aplausos. Lilith teve a impressão de que era de Ariane.
— Vida longa à rainha! — gritou outra voz, que poderia ser de Roland.
— Faça uma reverência, estrela do rock — murmurou Cam ao ouvido dela.
— Faça comigo.
O êxtase tomou conta de Lilith quando ela e Cam se inclinaram para a frente. Foi um movimento natural, como se ela e Cam estivessem tocando em turnê desde sempre, agradecendo a plateias arrebatadas a vida inteira. Talvez aquilo fosse um déjà vu ao contrário, e ela estivesse tendo um gostinho do que o futuro lhe reservava.
Esperava que sim. Queria tocar novamente com Cam, e logo.
Virou-se para ele. Ele se voltou para ela.
Antes que ela se desse conta, os lábios deles quase...
— Guardem isso para o pós-baile! — trovejou a voz de Luc, enquanto ele se apressava para subir no palco e se colocar entre eles, afastando-os.
As luzes do palco diminuíram de intensidade, e Lilith tornou a conseguir enxergar o público. Todos ainda urravam e aplaudiam. Ariane, Roland, Bruce e Janet foram para a fila do gargarejo e gritavam como se Lilith fosse uma estrela do rock de verdade. Ela sentia-se como uma.
Os seguranças continham as pessoas que tentavam subir ao palco. Até mesmo o diretor Tarkenton estava aplaudindo. Lilith viu as cadeiras vazias ao lado da dele e percebeu que os Quatro Cavaleiros deviam estar nos bastidores agora, preparando-se para fechar a noite.
A batalha já tinha sido tão épica que, para Lilith, parecia loucura estar prestes a ver sua banda favorita.
— Que noite, hein? — perguntou Luc à plateia. — E ainda vem mais por aí!
Dois caras de rabo de cavalo e camisetas do apoio técnico orientavam as outras bandas competidoras a subir no palco novamente. Chloe foi até Lilith e passou um braço em sua cintura.
— Mandou bem — disse ela. — Apesar de eu ter mandado melhor.
— Valeu. — Lilith riu. — A Desprezos foi ótima também.
Chloe assentiu.
— A gente arrasa.
— Muita calma agora — disse Luc, pedindo silêncio. — Vencedores e perdedores devem ser determinados.
Lilith se remexia entre Chloe e Cam. Tarkenton estava subindo os degraus até o palco, trazendo um envelope e um troféu onde, no topo, havia uma guitarra dourada.
— Os conceituados juízes chegaram a uma decisão? — indagou Luc.
Tarkenton deu um tapinha no microfone. Parecia tão deslumbrado pelas apresentações quanto Lilith.
— O vencedor da Batalha de Bandas, patrocinada pela King Media, é...
Um solo de bateria sintetizado tocou nos alto-falantes do estádio. Uma onda competitiva repentina dominou Lilith. Sua banda tinha arrasado naquela noite. Eles sabiam disso. O público sabia disso. Até mesmo Chloe King sabia disso. Se existisse justiça neste mundo...
Luc apanhou o envelope da mão de Tarkenton.
— A Desprezos Nítidos!
A banda de Chloe começou a gritar, a chorar e a empurrar todas as outras pessoas para fora dos holofotes.
— Próxima parada, rainha do baile! — gritou Chloe, e abraçou as amigas.
Os ouvidos de Lilith zumbiam enquanto Chloe aceitava o troféu. Momentos antes ela havia experimentado a noite mais sensacional de sua vida. Agora sentia-se brutalmente derrotada.
— Que bosta — disse Jean Rah.
Luis chutou um marcador de palco.
— A gente mandou melhor.
Lilith sabia que Cam a encarava, mas estava aturdida demais para olhá-lo nos olhos. Ela tivera a sensação de que sua música havia mudado o mundo.
Não havia.
Sentiu-se ridícula por ter acreditado no contrário.
— Ei — disse a voz de Cam ao seu ouvido. — Tá tudo bem?
— Claro. — Lágrimas ardiam em seus olhos. — A gente devia ter vencido. Certo? Quero dizer, a gente arra..
— A gente venceu — disse Cam. — Ganhamos algo melhor.
— O quê? — perguntou Lilith.
Cam olhou para Luc.
— Você vai ver.
— Concorrentes, por favor, saiam pela esquerda do palco — disse o garoto da organização.
As integrantes da Desprezos foram conduzidas até uma mesa dobrável montada ao lado da mesa dos juízes. Nela, num papel dobrado ao meio, lia-se Reservado para os Vencedores. As outras bandas se espremeram nas coxias. Cam segurou a mão de Lilith.
— Venha comigo. Conheço um lugar onde podemos assistir os Quatro Cavaleiros.
— Ei, ei, calminha aí — disse Luc, segurando a outra mão de Lilith.
Ela se viu presa no palco entre os dois, querendo ir com Cam, mas desejando saber o que Luc queria. Olhou para a plateia, surpresa ao perceber que estava tão tensa quanto antes de se apresentar com sua banda. No telão da escola, o enorme relógio marcava 11h45. O horário limite para Lilith voltar para casa em geral era meia-noite, mas uma vez que a mãe e Bruce estavam ali, Lilith provavelmente poderia ficar até um pouco mais tarde.
— Acontece que hoje à noite — disse Luc ao microfone — Amor e Ócio, Morte do Autor e Vingança não são as únicas perdedoras. Todos aqueles que participaram do concurso de composições... também perderam. Todos, menos uma.
Lilith prendeu a respiração. Quase tinha se esquecido do e-mail de Ike Ligon. Os Quatro Cavaleiros estavam prestes a tocar sua canção.
Sua decepção diminuiu. Vencer a Batalha de Bandas teria sido sensacional, mas a música que ela tocara no palco com Cam, Jean e Luis era o que importava. Todo o restante era mero acessório.
— Pedi a Lilith para continuar no palco — disse Luc para o público — porque eu acho que ela conhece a canção que os Quatro Cavaleiros estão prestes a tocar.
A cortina subiu nos fundos do palco, e atrás dela estavam os Quatro Cavaleiros. Rod, o baixista musculoso de cabelos escuros, acenou para o público. Joe, o excêntrico baterista loiro, levantou as baquetas com uma expressão divertida. Matt, o tecladista, estava olhando para o set list. E, no centro do palco, Ike Ligon, ídolo musical de Lilith, olhou para ela e sorriu.
Ela não se conteve. Gritou, juntamente a todas as outras garotas e três quartos dos rapazes na plateia.
— Que demais! — disse ela para Cam.
Ele apenas sorriu e lhe apertou a mão. Não havia ninguém no mundo com quem Lilith desejaria estar que não Cam. Aquele momento era perfeito.
Ike sustentou o olhar dela e disse:
— Esta aqui é para Lilith. Chama-se “Votos”.
Lilith piscou, confusa. Jamais escrevera uma canção chamada “Votos”. Seu coração começou a bater depressa, e ela não soube o que fazer. Será que deveria dizer a alguém que era um engano? Será que Ike simplesmente confundira o nome da música?
Entretanto, já era tarde demais. A banda começou a tocar.

Te dou meus braços
Meus olhos
Minhas cicatrizes
E todas as minhas mentiras
E tu, que me darás?

A música era bonita, mas Lilith não era a autora. Entretanto, enquanto ouvia, os acordes começavam a pipocar em sua cabeça uma fração de segundo antes de a banda tocá-los, como se ela fosse prever os movimentos seguintes da canção.
Antes que ela se desse conta do que fazia, a letra já estava em sua boca e ela a cantava também — porque, de alguma forma, sabia que “Votos” havia sido concebida para ser um dueto:

Te dou meu coração
Te dou o céu
Mas se te der meu passo veloz
Não poderei voar até ti
E tu, que darás
Para mim?

A voz de um rapaz encheu seus ouvidos, cantando junto da canção que ela, de alguma forma, conhecia do fundo de sua alma. Só que não era a voz de Ike.
Era Cam. Lágrimas inundavam seus olhos enquanto ele cantava, com o olhar fixo sobre Lilith.

Te dou um coração
Te dou uma alma
Te dou um início
Sabes o que farás?

Por que ela estava com a sensação de que eles já haviam cantado essa música juntos antes?
Não podia ser. Mas, quando ela fechou os olhos, uma visão surgiu: os dois sentados diante de um rio. Não era o pequeno riacho da Cascavel, e sim um rio cristalino e caudaloso, em alguma época muito distante.
Ela havia acabado de escrever aquela canção, para ele. Queria que ele gostasse. Viu em seus olhos que ele gostou. Sentiu em seu beijo, quando ele se inclinou e presenteou seus lábios com os dele. Não havia tensão alguma entre os dois, nenhum ressentimento, nenhum medo. Onde quer que estivessem, fosse a época que fosse, ela o amara profundamente, e os dois estavam se preparando para alguma coisa — um casamento.
O casamento deles.
Em algum lugar, há muito tempo, Cam e Lilith tinham sido noivos.
Lilith abriu os olhos.
Os Quatro Cavaleiros estavam terminando a canção. A guitarra silenciou, e Ike cantou o último verso a cappella.

O que tu darás para mim?

A multidão explodiu em aplausos. Lilith ficou imóvel.
Cam deu um passo em sua direção.
— Lilith?
O corpo dela tremia. Luzes explodiram diante dos olhos de Lilith, cegando-a. Quando ela foi capaz de enxergar de novo, seu vestido parecia diferente: mais branco e sem as alterações de Ariane. Lilith piscou e enxergou algo que parecia ser uma caverna escura ao pôr do sol, o céu ardente em tons de vermelho e laranja. Ela ainda estava diante de Cam, tal como estivera diante dele no palco.
Ela pressionou as mãos sobre o coração, sem entender por que doía tanto. Falou palavras numa língua que era nova para ela, mas que, de alguma forma, ela compreendia.
— Na noite em que você se foi, sonhei que ensinava uma canção de amor para um bando de rouxinóis, para que eles pudessem encontrá-lo e cantar, pedindo que você voltasse para mim. Agora eu sou o rouxinol, que viajou somente para isso. Eu ainda o amo, Cam. Volte para mim.
— Não.
A resposta dele foi tão abrupta, como o corte da mais afiada das facas, que Lilith se dobrou de dor. Conteve um grito, esfregou os olhos... e quando afastou as mãos deles...
A caverna tinha sumido, o sol também. Cam se fora.
Lilith estava num barraco sombrio, encostada na parede. Ela reconheceu a cama desfeita, o balde de madeira cheio de água rançosa e a louça suja de vários dias num canto. Moscas do tamanho de beija-flores enxameavam sobre as placas de gordura dos pratos. Tudo era familiar, embora ela não soubesse bem o porquê.
— Eu lhe disse para lavar a louça! — ralhou uma voz de mulher, num tom arrastado. — Não vou dizer de novo.
De alguma forma, Lilith sabia que, do outro lado da parede, havia um fio de metal amarrado entre dois pregos. Ela sabia que conseguia criar música nesse fio, que era capaz de fazê-lo soar como um bom instrumento de muitas cordas. Ansiava por ir para fora com ele, sentir a ardência do cobre nos dedos calejados.
— Já lhe disse, você só pode tocar aquele fio idiota depois de lavar a louça — disse a mulher, pegando uma faca. — Já estou cheia daquele fio.
— Não, por favor! — gritou Lilith, enquanto saía correndo atrás da mulher.
Lilith não foi rápida o suficiente, e a mulher cortou o fio sem dó nem piedade. Lilith caiu de joelhos e chorou.
Fechou os olhos novamente e, quando os abriu, estava montada num cavalo, sacolejando por uma estrada congelada, numa paisagem montanhosa. Ela segurava as rédeas com todas as forças, como se sua vida dependesse disso. Sua respiração virava uma névoa à sua frente, sua pele ardia, e ela sabia que estava morrendo devido a uma febre. Ela era uma cigana, doente e faminta, vestida em trapos, que cantava canções de amor em troca de migalhas.
Piscou mais uma vez, e outra vez mais, e a cada vez Lilith se lembrava de outra experiência infernal. Em todas, era uma artista em dificuldades, infeliz e condenada. Houve uma Lilith cantora de ópera, que dormia num beco atrás do teatro. A Lilith membro de orquestra, atormentada por um maestro cruel. A Lilith trovadora, morrendo de fome numa cidade medieval. Em cada existência, pior que a pobreza, a solidão e o abuso, era a raiva que escurecia seu coração. Em cada existência, ela detestava o mundo que habitava. E queria vingança.
Volte para mim, implorara a Cam.
Não.
— Por quê? — Ela gritou a pergunta que estivera desesperada demais para conseguir formular em qualquer outro dia de sua vida até agora. — Por quê?
— Porque... — Um silvo ensurdecedor tomou conta de seus ouvidos. — Nós fizemos um acordo.
— Que acordo? — perguntou ela.
Lilith abriu os olhos. Estava de volta ao palco de Crossroads. A plateia estava imóvel, aterrorizada. Era como se o tempo tivesse parado. Os Quatro Cavaleiros tinham partido, e no lugar deles estava Luc, parado no meio do palco.
— Lilith! — Ela ouviu Cam gritar. Ele correu até ela, mas Luc o conteve e acenou para Lilith se aproximar.
Ela olhou em volta, para todos os rostos congelados do público.
— O que está acontecendo?
— Tome — disse Luc ao microfone. Ela deu um passo para ele, que entregou-lhe uma esfera de vidro, um globo de neve. — A peça que faltava.
Lilith ergueu o globo. Dentro, havia um penhasco em miniatura que se projetava acima de um mar agitado. Uma pequena estatueta de uma garota de vestido de noiva branco estava parada à beira do precipício. O chão sob Lilith oscilou, e de repente ela era a garota de branco, dentro do globo de neve.
Deu um passo desajeitado para trás, afastando-se da borda. Sentiu o cheiro do mar revolto e, além dele, conseguia enxergar o vidro que encerrava aquilo tudo.
— Dê uma boa olhada em seu futuro, Lilith — disse uma voz atrás dela.
Ela se virou e viu Luc, recostado sobre uma rocha.
— Sem Cam — disse ele — para que viver?
— Para nada.
Ele gesticulou, indicando as águas.
— Então chegou a hora.
Luc tinha a mesma aparência que ali em Crossroads, mas Lilith entendeu que ele era mais que aquilo. O rapaz à sua frente era o diabo, e ele havia feito uma oferta a ela, que estivera tão doente de amor que se vira incapaz de recusar.
— Eu trouxe você até ele — disse o demônio. — E você fez seu melhor. Mas Cam não quis você, não é?
— Não — respondeu ela, repleta de tristeza.
— Você precisa honrar sua parte do acordo.
— Estou com medo — disse ela. — O que acontece depois da...
— Deixe isso comigo.
Ela olhou para o mar e entendeu que não tinha escolha.
Ela não saltou; inclinou o corpo para a frente e, em seguida, deixou-se cair nas águas. Deixou-se levar. Quando as ondas a atingiram, Lilith não tentou dominá-las. Para que tentar sobreviver? Seu coração pesava como uma bigorna, e ela afundou.
Então estava no fundo, à luz filtrada pelas águas, sozinha. A água negra encheu seu nariz, sua boca, seu estômago, seus pulmões.
Sua alma.
De volta ao palco, Lilith estava de frente para Cam.
Sentia Jean Rah, Luis e os outros artistas da batalha em torno deles. A plateia estava estupefata, esperando para ver o que Lilith iria fazer. Mas ela só conseguia olhar para Cam. Havia um brilho selvagem nos olhos dele.
— O que você viu?
— Eu vi... você. — A voz dela tremeu. — E...
Então Lilith entendeu que os boatos que corriam em Trumbull sobre a garota que Cam tinha levado ao suicídio eram verdade.
— A garota que se matou — disse ela, sua voz ecoando por todo o Coliseu — era eu.
— Oh, Lilith — disse Cam, fechando os olhos.
— Tirei minha vida porque amava você — disse ela, enquanto os fatos de seu passado começavam a vir à tona. — Mas você...
— Eu também te amava — disse ele. — Eu ainda...
— Não. Eu implorei. Desnudei minha alma para você. E você me disse “não”.
Cam estremeceu.
— Eu tentava te poupar.
— Mas você não podia. Porque eu já tinha feito um pacto. — Ela se virou e apontou um único dedo trêmulo para Luc. — Com ele.
A pele ao redor dos olhos de Cam se retesou.
— Eu não sabi...
— Eu tinha certeza de que, se pudesse encontrar você, seria capaz de te reconquistar.
Cam fechou os olhos.
— Fui um idiota.
— Mas eu estava errada — continuou Lilith. — O que eu acabei de ver... essas outras vidas que vivi...
Cam assentiu.
— Os outros Infernos.
Outros Infernos? Lilith congelou. Quer dizer que...
Aquela vida, a vida dela, não era, na verdade, uma vida afinal?
Todos os horrores que fora obrigada a sofrer, padecera por causa de Cam. Porque, muito tempo atrás, ele a seduzira, a ludibriara a se apaixonar por ele. E ela fora idiota o suficiente para cair na mesma armadilha mais uma vez.
De repente, Lilith estava tão furiosa que mal conseguia ficar de pé.
— Esse tempo todo... eu estive no Inferno? — Ela se afastou de Cam, saindo da luz dos holofotes e entrando na escuridão. — E tudo por sua causa.

4 comentários:

  1. E a água vasou da privada ;u;
    Eita Cam! Logo agora que tudo estava indo bem...
    Broxante isso viu ;-;

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  2. Ahhhh que raivaaaa!! Mas vamos lá Lilith o amor supera tudo... N dê esse gostinho pro Cabrunco.

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  3. E como sempre depois de uma reconciliação de Lilith e Cam o diabo apronta algo pra acabar com td

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  4. A culpa foi inteiramente da Lilith , osh ninguém obrigou ela a fazer pacto com o Capeta , o motivo pode ter sido o Cam , mas a culpa foi dela.

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