25 de março de 2017

Capítulo 14 - O novo zero

CAM
Quatro Dias

Na manhã seguinte à noite em que encontrou Bruce e Lilith no boliche, Cam estava sentado ao lado de Lúcifer, sobre um placar de madeira cheio de farpas. Os dois olhavam para um campo de futebol americano. Mais atrás, viam-se as colinas ardentes.
O ar, úmido, estava repleto de fumaça. Às sete da manhã, a escola encontrava-se ainda mais silenciosa que o cemitério da Sword & Cross quando Cam descobrira que Lilith habitava infinitos Infernos, quando sua única preocupação eram os jogos com Luce e Daniel. Gostaria de ter sido mais grato por sua vida ser encantadoramente mais simples naqueles tempos.
Restavam quatro dias para o término de sua aposta com o diabo e Cam não tinha ideia de qual seria o resultado final. Houve momentos — como aquele em que Lilith provou seu antigo vestido de noiva — em que Cam percebera que ela quase conseguia vislumbrar seu passado estilhaçado. Embora esperasse de todo coração que ela estivesse perto de se apaixonar por ele, ela ainda não lhe dissera aquilo com todas as letras.
Os dois nem sequer haviam se beijado.
Lúcifer enfiou a mão num saco de papel pardo e entregou a Cam um copo de isopor fumegante.
Estava disfarçado de Luc, mas, quando ele e Cam se viam a sós, o diabo deixava à mostra seu rosnado verdadeiro e aterrorizante.
— Mesmo que você vivesse mais dezesseis trilhões de anos, nunca deixaria de ser um ingênuo — disse ele.
— Prefiro ser ingênuo a cínico — retrucou Cam, e deu um gole em seu café. — Além disso, como você explica o que aconteceu? Ela mudou. Depois que o jogo começa, não tem como saber como irá terminar.
— Essa é a beleza de ser o número dois. — Lúcifer sorriu, e Cam viu as larvas que se contorciam entre as falhas em seus dentes. — Ninguém espera que você vença. Cuidado!
Embaixo deles, o placar se acendeu, e as palavras Time da Casa e Time Convidado se iluminaram à luz da manhã. O diabo soltou suas asas envelhecidas e voou até a arquibancada, depois chamou Cam para juntar-se a ele.
Cam pousou o café no placar, suspirou, olhou ao redor para ter certeza de que estavam a sós, e depois libertou suas asas. Sentia vontade de soltá-las todas as vezes em que esteve com Lilith, mas não podia mostrar a ela seu verdadeiro eu, ainda não. Talvez nunca pudesse.
Cam sentiu as asas se abrirem atrás de si, depois notou os olhos de Lúcifer examinando-as.
— O que está acontecendo? — perguntou o diabo, o cenho franzido.
Cam tentou não aparentar surpresa ao ver suas asas, que agora estavam rajadas em partes iguais de dourado e branco.
— Quem tem de me dizer é você — respondeu Cam, decolando do placar para pairar ao lado de Lúcifer. Era bom sentir o ar, sentir-se leve, sentir o vento ao seu redor. — Meu cabelo, minha cintura, minhas asas. Você é o estilista brilhante, certo?
A arquibancada rangeu sob os pés de Cam e Lúcifer, e, sem saber de onde, Cam ouviu um ruído semelhante ao farfalhar de um tecido. Ou talvez fossem as asas escamosas de Lúcifer se dobrando. Cam também fez o mesmo com as dele, para que nenhum par de olhos mortais as visse sem querer.
— Estamos no que eu chamarei de três quartos do jogo — disse Lúcifer, exalando uma nuvem de fumaça preta que se espiralou pelo ar até pairar sobre o placar, e então sumiu. A caixa que designava em que tempo estava o jogo se acendeu com o número três. — Vamos ver como nossos times estão se saindo.
Lúcifer contorceu a boca, e Cam se deu conta de que o diabo também não tinha certeza de como seria o resultado final. Tinha trazido Cam até ali para minar sua confiança. Ele não poderia permitir que Lúcifer visse fraqueza de sua parte; qualquer rachadura que o diabo percebesse, imediatamente se transformaria num alvo.
— Sua primeira jogada foi boa, admito — disse Lúcifer. — Montar uma banda com Lilith: um ponto! — O número 1 apareceu sob a caixa do Time Convidado no placar. Depois ele riu. — Roubar o caderno dela e depois distribuir aquela letra de música pela escola foi, definitivamente, um ponto para moi.
Quando o número 100 apareceu sob Time da Casa, Luc soltou as asas, avançou e bateu no placar algumas vezes.
— Qual o problema desta coisa?
Voou de novo até a arquibancada, e Cam observou quando as asas entram nos ombros dele, notando a maneira como cintilavam de modo sombrio à luz matinal.
— Curei o irmão dela — declarou Cam. — Isso vale mais que qualquer coisa que você tenha tentado desfazer.
— Certo, vou dar esse desconto — declarou Luc. — Embaixo de Time Convidado, o número 1 tornou-se 2. — Mas você também ficou velho, gordo e careca, e todos concordariam que essa é uma gorda vantagem para mim. — O número 200 surgiu no placar do Time da Casa.
Cam revirou os olhos.
— Não sei se você percebeu, mas Lilith não está nem aí para como você manipula minha aparência.
— Não é que ela não percebeu! — vociferou Luc. — Por algum motivo, ela não vê como seu corpo está mudando.
Cam ficou confuso.
— Está dizendo que estou feio para todo mundo, menos para Lilith?
— Tim, tim, tim. — O placar acendeu o número 3 em Time Convidado. Luc olhou diretamente para o sol, sem piscar. — Também não entendo. Tinha certeza de que essa sua aparência a deixaria enojada, mas...
— Mas ela é Lilith — disse Cam, percebendo tudo pela primeira vez. — Ela enxerga o que existe dentro de mim, e nem mesmo você consegue interferir nisso. — Ele olhou para si. Há muitos dias não sentia tanta confiança. — Não sei por que precisei perder minha beleza para me dar conta disso. — Ele provocou o diabo: — Você devia me dar um ponto extra por isso.
— Não me importo em dar. — Lúcifer virou-se para o placar, onde agora se lia: Time da Casa: 300; Time Convidado: 3. Então estreitou os olhos para Cam. — Não sei por que está tão confiante. Você está perdendo.
— Como sabe? — perguntou Cam.
— Pela primeira vez em todas as suas vidas, Lilith está aprendendo a gostar de seu Inferno — disse Lúcifer. — Parou de comparar seus sonhos com a realidade.
— Ela está se adaptando, aprendendo a sobreviver — concordou Cam. — Está quase...
Ele parou, lembrando-se de como Lilith sorrira para ele outro dia, do outro lado do refeitório, e do som de sua voz na noite anterior, quando ela cantou com Bruce no fliperama, e de seu olhar quando todos fizeram um brinde com refrigerante morno à sua vitória no concurso de letras de música.
— ... feliz — concluiu Cam.
— Mas uma garota feliz não precisa ser salva por alguém como você — argumentou Lúcifer, com um rosnado. — Encare a real, Cam: ela precisa odiar a própria vida para que possa te amar. Senão, você perde a aposta... e Lilith. — No Time da Casa o placar mostrou o número 2000. O som dos números mudando com tanta rapidez tiniu como o ruído da chuva num telhado. — Sim, uma derrota na noite da festa da formatura é certa — decretou Lúcifer. — Mas isso não é novidade alguma.
— Errado — retrucou Cam.
— Vou lhe dizer uma coisa. — Lúcifer se inclinou para perto. O diabo cheirava a anis misturado com brasas. O estômago de Cam se revirou. — Vou liberar você.
— Como assim? — perguntou Cam.
— Vou dar a aposta como encerrada. Você pode voltar a choramingar nos confins do universo, sem jamais conhecer seu potencial, e eu vou voltar a confundir a vida de todo mundo.
Nos olhos avermelhados do demônio, Cam notou certo desespero.
— Você acha que vai perder — disse Cam, sem refletir.
Lúcifer soltou uma gargalhada que pareceu sacudir o chão embaixo deles.
— Por que mais desejaria cancelar a aposta? — perguntou Cam.
A gargalhada terminou abruptamente.
— Talvez o que aconteceu com Luce e Daniel tenha provocado mudanças em mim também — ofereceu ele, num rosnado. — Talvez eu esteja sendo misericordioso com você, por mais repulsivo que isso possa parecer.
— Você está blefando — devolveu Cam. O diabo podia dizer o que quisesse: não havia a menor chance de Cam desistir do acordo. — Não vou abandonar Lilith. Não posso seguir sem ela.
— Aplaudo sua perseverança — disse Lúcifer, quando o número 4 se acendeu do lado do Time Convidado no placar. — Mas você não sabe do que está falando. Não sabe nem ao menos por que Lilith virou uma de minhas súditas, não é?
Cam engoliu em seco. Aquela dúvida o atormentara desde antes de ele chegar ali, desde que Annabelle revelou onde poderia encontrar Lilith.
— Suicídio — disse Lúcifer, devagar, enfatizando cada sílaba.
— Não. Ela não faria... — sussurrou Cam.
— Você pensa que a conhece? Mas não conhece. E não tem a menor chance nessa aposta. — Lúcifer olhou para o campo desolado que criara. — E todo mundo, até mesmo aqueles adolescentes otários ali embaixo, sabe disso, menos você.
— Conte-me o que aconteceu — pediu Cam, ouvindo o tremor na própria voz. — Quando ela tirou a própria vida? Por quê?
— Você tem até o fim do dia para desistir — declarou Lúcifer, com o brilho da maldade nos olhos. — Senão cuidado, porque as coisas vão ficar sujas.
— Para variar, não é? — disse Cam.
O diabo lançou-lhe um olhar ameaçador.
— Você vai ver.


Cam andava de um lado a outro do estacionamento, aguardando a chegada dos ônibus escolares para que se iniciasse mais um dia na Trumbull. A advertência do diabo o deixara inquieto. Precisava ver Lilith. Fechou os olhos e tentou imaginá-la caminhando até a escola, mas a única coisa em que conseguia pensar era no suicídio mencionado por Lúcifer. Quando teria ela feito isso? Onde? Seria ele, Cam, o responsável?
Assim que conheceu Lilith, Cam soube que não haveria maneira de separar sua existência da dela. Ela era seu verdadeiro amor. Se havia alguma coisa que Cam aprendera com Luce e Daniel fora isso: quando você encontra uma alma que ama mais que qualquer outra, não a abandona.
O guincho agudo dos freios anunciou a chegada dos ônibus escolares. Quando a frota amarela preencheu o espaço circular, os alunos desceram os degraus e depois seguiram em bando até a escola, como todos os dias. Mas havia algo diferente naquela manhã. Algo sombrio pairava no ar. Os alunos conversavam aos sussurros e, quando seus olhos pousavam sobre Cam, enrijeciam, recuavam e então afastavam-se rapidamente.
Uma garota que ele nunca vira até então cuspiu ao passar por ele.
— Como você consegue dormir à noite, seu porco?
À medida que mais olhares desconfiados pousavam nele, as asas de Cam começaram a arder, escondidas dentro de seus ombros. Lúcifer havia avisado que as coisas ficariam feias, mas o que teria feito exatamente?
Chegou na sala da primeira aula minutos antes de o sino tocar. Só havia uns poucos alunos ali, mas todos viraram as costas quando Cam entrou.
Uma garota de longos cabelos negros e sardas olhou para trás e disse, em tom de desdém:
— Não acredito que esse monstro foi indicado para a corte da formatura!
Cam ignorou todo mundo, sentou-se e esperou pela chegada de Lilith.
Ela entrou assim que o sinal tocou, ainda de cabelo úmido, as roupas amarrotadas, com uma maçã semicomida na mão. Não olhou para Cam.
Ele aguardou cinquenta minutos torturantes, depois puxou-a para um canto logo após a aula.
— O que foi? — perguntou ele. — O que aconteceu?
— Não é de minha conta com quem você saía antes de me conhecer — disse Lilith, com os olhos marejados. — Mas a garota se matou!
— Que garota? — perguntou Cam.
— Por que preciso explicar isso para você? — perguntou Lilith. — Você saiu com mais de uma garota que se matou?
— De onde você tirou isso? — perguntou Cam, embora, claro, soubesse que nem precisava perguntar. Lúcifer provavelmente tinha cochichado algum boato fraudulento no ouvido de alguém, e agora Cam virara o pária da escola.
— Todo mundo no ônibus só falava disso hoje de manhã. — Lilith percebeu as pessoas olhando feio para Cam. — Pelo jeito, parece que a escola inteira está sabendo.
— Eles não sabem de nada — retrucou Cam. — Você, sim. Você me conhece.
— Diga que não é verdade — pediu Lilith. Cam ouviu o tom de súplica em sua voz. — Diga que ela não se matou por causa do que você fez.
Cam olhou para baixo, para suas botas. Lilith estava em Crossroads porque havia se matado, mas teria ela se matado por causa dele?
— É verdade — respondeu ele, agoniado. — Ela tirou a própria vida.
Lilith arregalou os olhos e recuou. Cam entendeu que, na verdade, ela não estava esperando ouvir aquilo.
— Ele está importunando você de novo, Lilith?
Cam se virou e viu Luc, o cabelo perfeitamente penteado para trás. O diabo segurou o braço de Lilith, flexionando o bíceps.
— Vamos, linda?
— Pode deixar que eu conheço o caminho. — Lilith puxou o braço e se soltou de Luc, mas continuou olhando para Cam ao falar.
— Isso quer dizer que ela não quer que você vá atrás dela, Cam — murmurou Luc, quando Lilith virou as costas.
Cam fechou as mãos em punhos.
— Última chance de desistir — disse Lúcifer.
Cam balançou a cabeça numa raiva silenciosa. Enquanto observava Lilith se afastando, temia tê-la perdido de uma vez por todas.
— Não é assim tão ruim — disse Luc, e tirou um bilhetinho do bolso de trás da calça. Entregou o papel a Cam. — O diretor quer vê-lo na sala dele agora.


A mesa da secretária em frente ao escritório de Tarkenton estava vazia, e a sala do diretor, fechada. Cam alisou a camiseta do disco APPETITE FOR DESTRUCTION que tinha comprado no brechó, passou a mão nos cabelos e bateu na porta.
Que se abriu imediatamente.
Ele entrou, hesitante, pois não viu ninguém ali dentro.
— Sr. Tarkenton? Senhor? Mandou me chamar?
— Aaaaaaaaaaaargggggh!!!! — Roland e Ariane saltaram de trás da porta e se dobraram de tanto rir.
Ariane fechou a porta e a trancou.
— Senhor?!? Mandou me chamar? — disse ela, com sua melhor imitação da voz de Cam.
— Essa é a coisa mais engraçada que eu já vi em séculos, senhor — disse Roland.
— Ha, ha, ha. Podem rir à vontade — disse Cam. — Desculpe aí, mas estou tentando me adaptar ao lugar.
Abraçou Roland e depois Ariane. Eram as últimas pessoas que esperava ver por ali, mas Cam não podia estar mais grato por encontrar os amigos.
— Está mandando bem, cara — disse Ariane, enxugando os olhos. Tinha raspado a cabeça e estava toda vestida de preto. A única cor que se via nela era a franja laranja chocante de seus cílios postiços. — E tô gostando de ver. Mas, hã... — Ela fez uma careta, olhando para a barriga de Cam. — E essa barriga de chope aí?
— É a ideia que Lúcifer tem de diversão — respondeu Cam. — Ele pensou que seria um balde de água fria para Lilith, mas ela nem percebe a diferença; ou pelo menos não percebia, quando gostava de mim. Não sei agora. — Olhou para seus amigos, tomado de emoção. — Como vieram parar aqui?
— Também por conta da ideia de Lúcifer de diversão — explicou Roland. Estava sensacional com um terno de risca de giz de alfaiataria e uma camisa de babados, e cheirava a perfume caro.
— Certo — disse Cam, entendendo tudo na mesma hora. — Ele sabe que vai perder, por isso quer que vocês dois me convençam a desistir da aposta.
— Pode ser, cara — disse Roland. — Mas concordamos com ele.
— Em outras palavras — continuou Ariane —, o que está fazendo, Cam?
— Se não me engano, na última vez que nos vimos, vocês sugeriram que eu consertasse meus erros. Lembram-se? — retrucou Cam.
— Mas não desse jeito! — Ariane repreendeu Cam. — Depois que Luce e Daniel conseguiram uma segunda chance para suas almas... quero dizer... cara!
Na Sword & Cross, Ariane e Roland haviam falado de Luce e Daniel como se os amantes angelicais constituíssem um modelo de história de amor para o restante deles. Entretanto, na ótica de Cam, Luce e Daniel apenas gostavam um do outro acima de qualquer coisa. E, para ele, tudo bem. Os dois jamais quiseram causar uma revolução.
E ainda assim haviam causado. Por causa da escolha de Luce e Daniel de arriscar tudo em nome do amor é que Cam estava ali em Crossroads.
— Não estou pedindo conselhos — declarou Cam.
— Isso não impede Ariane de continuar falando. — Roland encostou-se na mesa de Tarkenton. — Por que atirar o futuro eterno no lixo por causa de uma aposta malfadada com o diabo? E então recusar a oferta de Lúcifer de encerrar a aposta?
Cam entendia como, de fora, parecia impossível: quinze dias para conquistar o coração de uma garota... uma garota cujo ódio por ele fora forjado ao longo de três milênios no Inferno. Entretanto, ele não estava nem aí. Em seu coração, não havia dúvida de que precisava salvar Lilith. Não era uma escolha. Era a medida de seu amor por ela.
Ariane segurou os ombros de Cam e o empurrou na cadeira giratória com assento de couro de Tarkenton. Segurou o porco de bronze do diretor.
— Olhe, Cam, você sempre foi autodestrutivo. A gente entende isso e te ama mesmo assim, mas já está na hora de deixar de lado os joguinhos com Lúcifer.
— Ele nunca perde — interferiu Roland. — Talvez só de vez em nunca.
— Não posso — disse Cam. — Vocês não entendem? É meu jeito de honrar a escolha de Luce e de Daniel de desistirem da imortalidade. Preciso salvar Lilith. É o único jeito de salvar a mim mesmo. — Ele inclinou o corpo para a frente, ainda sentado na cadeira. — A pessoa que amo está sendo molestada. O que aconteceu com o senso de responsabilidade de vocês? O Roland e a Ariane que conheço jamais me perdoariam se eu não tentasse libertar Lilith.
— Tivemos um senso de responsabilidade para com o destino de Lucinda — disse Ariane. — Mas Lilith é muito menos importante que Luce. Não passa de um grão de areia na praia.
Cam piscou, atônito.
— Talvez para vocês.
— Para todo mundo — disse ela. — É por isso que todos nós passamos seis mil anos seguindo Luce para cima e para baixo. Ela enfrentou uma escolha que tinha implicações cósmicas.
— Lilith também é importante — protestou Cam. — Ela merece mais que isso.
— Você pelo menos vai levá-la ao baile de formatura? — perguntou Ariane, depois suspirou. — Sempre quis ir a um baile de formatura.
— Ainda não a convidei — admitiu Cam. — O momento certo não chegou.
— Você está muito atrasado nesse jogo! — exclamou Ariane. — Talvez eu e Ro possamos ajudá-lo nesse departamento. Depois de tanto treino com Luce e Daniel, viramos mestres em criar situações românticas. Pensou nisso?
A porta se abriu de repente.
— Posso ajudá-los? — disse Tarkenton.
Ariane pousou o peso de papel em formato de porco com todo o cuidado na mesa do diretor e deu uma palmadinha na cabeça do bicho.
— Este porquinho é lindo. Dou 25 centavos por ele.
— Saia da minha cadeira agora! — trovejou Tarkenton para Cam, e em seguida virou-se para Roland e Ariane. — E quem são vocês, seus delinquentes?!
— Somos anjos caídos — respondeu Roland.
— Não insultem minha religião! — vociferou Tarkenton, com o rosto contorcido. — Eu poderia mandar prender vocês por invasão! E você, Sr. Briel, está suspenso pelo restante do dia de hoje e amanhã também. Saia da escola antes que eu mande expulsá-lo!
— Por favor, não me dê suspensão, senhor — disse Cam. — Preciso vir para cá.
Roland olhou para Cam, desconfiado.
— Está falando sério, cara? Você se importa?
Cam se importava. Os dias são longos e solitários quando a garota que você ama está na escola, e você, não. A aposta com Lúcifer terminaria em quatro dias. Se ele desejava mesmo libertar Lilith daquele Inferno, precisaria de absolutamente todos os momentos que pudesse ter ao seu lado.

2 comentários:

  1. O q deu no Roland e na Ariane, eles se esqueceram da Tess e da Rosalina? Sei não, isso tá estranho...

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  2. Amei, finalmente um pouco do humor da Ariane

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Boa leitura :)