8 de fevereiro de 2017

Capítulo 51

Rob tinha sido o primeiro a ver, a partir de sua posição ligeiramente elevada em cima de Bumper. Mas, em poucos segundos, eles eram visíveis para Maddie, Will e as outras crianças.
Por um momento eles eram apenas figuras escuras contra o horizonte.
Maddie tentou contá-los, mas quando eles se moveram, ela perdeu a conta. Parecia haver quase uma dúzia deles e eles vinham do sul, agrupados e bem juntos na estrada.
Um deles estava um pouco à frente e acenou para os outros seguirem diante.
Mesmo à distância, Maddie imaginou que ele estava apontando para o pequeno grupo à frente deles.
Gritos assustados ressoaram entre as crianças. Elas pensavam que estavam a salvo. Pior, haviam sido assegurados de que estavam a salvo. Agora eles estavam em perigo de novo e olharam para Will e Maddie com desconfiança. Eles não tinham nenhuma dúvida de quem os seguia.
— É o Ladrão! — Um deles falou, e quando as palavras foram pronunciadas, os outros choramingaram de medo.
— Você nos disse que ele tinha ido embora! — quem disse isso foi um dos meninos mais velhos, e ele gritou as palavras para Will.
Will encontrou seus olhos acusadores sem se abalar.
— Eu pensei que ele tivesse — ele respondeu calmamente. — Aparentemente, eu estava errado.
Ele se virou para observar os homens que perseguiam, franzindo a testa enquanto concentrava seu olhar sobre o homem guiando-os, lembrando como ele tinha estado agachado, olhando para a estrada, quando viu pela primeira vez os traficantes de escravos.
— Parece que eu estava errado sobre eles não terem um rastreador — ele falou de lado para Maddie. — Parece que aquele sujeito na liderança tem seguido o nosso caminho.
Maddie olhou para ele, o pânico apertando-lhe a garganta.
— O que vamos fazer? — ela perguntou. Sua voz ameaçou traí-la e subir em um tremor agudo. Ela lutou contra isso, obrigando-se a manter a calma.
Will estendeu a mão e segurou-lhe o pulso, apertando-a com firmeza. O contato a acalmou. Ela respirou fundo e olhou-o nos olhos.
— Eu estou bem — ela falou.
Will assentiu.
— Bom. Aqui está o que você vai fazer. Você vai correr. Coloque estas crianças para correr o mais rápido que puder. Eu vou ficar aqui e atrasar Ruhl e seus capangas.
Ela olhou com medo para todo o terreno aberto que os rodeava.
— Aqui? — ela repetiu com medo. — Você não pode pará-los aqui! Há terreno aberto em ambos os lados, sem nada para proteger seus flancos. Eles vão flanqueá-lo e matá-lo!
Ele balançou a cabeça em aprovação por sua avaliação da situação.
— Parece que você aprendeu bastante sobre avaliar o terreno — ele comentou. — Mas eu não vou tentar detê-los. E não planejo deixar que eles me flanqueiem. Eu só quero atrasá-los – embora talvez eu seja capaz de apanhar alguns deles. Então voltarei para trás e farei a mesma coisa outra vez. E continuarei a fazê-lo durante o tempo que for preciso para você ir embora.
Enquanto ele falava, foi até onde Puxão estava parado e soltou a aljava de flechas pendurada em sua sela. Pegou uma dúzia de flechas extras e amontoou-as em sua aljava.
Puxão bufou nervosamente. Eu não gosto disso.
— Eu vou ficar bem — Will falou baixinho.
Maddie assumiu que ele estava falando com ela para tranquilizá-la.
— Deixe-me ficar com você — ela pediu impulsivamente. — Juntos, talvez possamos mantê-los longe.
Ele balançou a cabeça.
— Juntos nós ainda estaríamos flanqueados. E seria duas vezes mais difícil para nós dois para escaparmos sem sermos vistos. Além disso, preciso de você para levar as crianças em segurança. Se deixados por conta própria, eles vão desistir depois de alguns quilômetros. Você terá que levá-los, Maddie. Mantenha-os em frente. Force-os. Ameace-os. Grite com eles. Mas os mantenha em frente.
Ele olhou para o céu, observando a posição do sol, onde ele estava começando sua jornada inclinada para baixo, a oeste.
— Faltam poucas horas até escurecer. Se você ainda estiver à frente deles ao pôr do sol, procure um bom esconderijo fora da estrada. Deixe-os descansar por um tempo, em seguida, leve-os para correr novamente antes do amanhecer.
— Mas... e o rastreador deles? Ele vai ser capaz de nos encontrar — ela lembrou.
Will levantou uma sobrancelha.
— Quando eles se aproximarem, ele será o primeiro que vou procurar — ele respondeu.
Ela olhou com medo para as figuras escuras na estrada atrás deles. Ela podia ver que eles estavam se aproximando.
— Eles vão te matar — ela falou miseravelmente, com lágrimas nos olhos.
Will balançou a cabeça.
— Ninguém até hoje conseguiu isso — ele respondeu. — E muitos tentaram. Agora vai!
Ele estalou as duas últimas palavras para ela, colocando-a em ação.
Ela estendeu a mão e tocou-lhe o braço, e ele acenou para ela. Então ela se virou, gritando para as crianças:
— Vamos! Corram! Corram por suas vidas!
As crianças se viraram e começaram a correr. Inevitavelmente, os mais velhos foram à frente, afastando-se das crianças menores. Apenas um ficou. Era o menino nas costas de Bumper, acompanhado de Rob. Ele segurou as rédeas e segurou Bumper ainda por um momento.
— Posso ficar e assistir Tratado matar o Ladrão? — perguntou ele.
— Não! Agora é hora de ir! — Maddie gritou com ele. — Corra! Corra!
Relutante, o garoto soltou as rédeas e virou Bumper, que trotava ao longo da estrada, ultrapassando as crianças que já tinham começado a correr.
— Pelo menos alguém tem fé em mim — Will falou com o fantasma de um sorriso.
Ele olhou para trás para ver os homens de Ruhl começarem a se espalhar em uma longa fila, abarcando a estrada inteira. Ele acenou com a cabeça para si mesmo. Maddie tinha razão. Com terreno aberto de ambos os lados, tentariam flanqueá-lo, e havia pouco que pudesse fazer sobre isso.
Will os contou. Havia onze homens na linha. A maioria deles estava agora com a cintura coberta pela grama longa. Dois permaneceram na própria estrada. Aqueles seriam Jory Ruhl e o rastreador, ele imaginou, perguntando-se de onde o rastreador tinham vindo. Aqueles dois ainda estavam totalmente expostos na estrada e por um momento ele ficou tentado a experimentar um tiro a longa distância em Ruhl. Afinal, o traficante de escravos não tinha ideia do que estava enfrentando e ele não estaria esperando o tipo de precisão fantástica com que um arqueiro poderia lançar suas flechas.
Então, com relutância, ele descartou a ideia. Seu primeiro objetivo era se livrar do rastreador, para dar a Maddie e às crianças uma melhor chance de escapar. Sua vingança pessoal teria que esperar – embora não muito.
Calmamente, sem pressa, ele puxou uma flecha da aljava. Inspecionou-a em busca de falhas, embora soubesse que não haveria nenhuma, e mirou para o bando.
Ele virou-se de frente para o seu alvo, o arco longo pronto, mas ainda não esticado enquanto observava as pequenas figuras se aproximando na estrada. Os homens nas laterais estavam fazendo um caminho mais pesado, abrindo caminho através da grama na altura da cintura, e Ruhl e seu perseguidor ficaram involuntariamente à frente deles. Eles estavam dentro da área de tiro agora, mas Will esperou um pouco mais. Ele raramente errava, mas queria ter certeza de que acertaria este tiro. Mentalmente, ele revisou suas ações. Mirar, ver, soltar. Então, quando ele soubesse que a flecha acertaria o alvo – e geralmente ele podia dizer nos primeiros segundos – ele atiraria uma segunda flecha em Ruhl.
— Vamos lá — ele murmurou. — Só mais alguns metros.
E então ele estava pronto. O arco veio até a posição de disparo.
Ele viu a imagem de observação, que incluiu a elevação do arco, a linha da flecha e o alvo minúsculo, a centenas de metros de distância. Sentiu o toque do dedo indicador contra o canto de sua boca quando recuou contra a força de quarenta quilos de madeira de teixo, sentiu a pressão intensa da corda grossa contra as pontas de seus dedos enluvados.
Com uma parte separada de sua mente, ele viu a figura parar na estrada, como se sentisse perigo iminente. Tarde demais.
Ele lançou a flecha, que voou do arco. No momento depois de lançar, soube que era um bom tiro. Sua mão encontrou automaticamente outra flecha, pegou e mirou. Moveu seu arco e mudou seu alvo para Jory Ruhl, avistou-o e liberou a tensão novamente.


Ruhl tornou-se consciente de que estava à frente da linha de homens que avançavam. Ele hesitou, chamando Enrico para parar. Enquanto o fazia, ouviu um assobio, então um baque feio.
Enrico soltou um grito de surpresa e dor e abriu os dois braços, cambaleando para trás sob o impacto da seta em alta velocidade. Então ele caiu de costas, os olhos cegos encarando o céu.
Naquela fração de segundo, Ruhl percebeu que apenas um tipo de arqueiro poderia ter acertado aquele tiro e reconheceu a importância da capa escura que o arqueiro encapuzado usava.
— Um arqueiro do rei! — ele gritou.
E, ao mesmo tempo, percebeu que ele seria o próximo alvo. Jogou-se de lado na estrada, sentindo e ouvindo o silvo da flecha que passou logo acima dele, acertando a terra batida atrás dele.
Agarrando a besta, ele rolou para fora da estrada, na proteção da grama longa.


Will viu Ruhl cair esticado na estrada uma fração de segundo antes que a flecha cortasse o ar, onde ele estava de pé. Ele amaldiçoou amargamente.
Ruhl tinha rolado para fora da estrada, para o meio da grama. Não havia nenhum sinal dele. Mas Will sabia que tinha perdido o tiro.
Olhou para a direita. Os homens no outro extremo da linha faziam trabalhando o seu caminho para chegar por trás dele, movendo-se em um longo arco que os mantinha na faixa extrema de mira. À esquerda, a mesma coisa acontecia.
Ele franziu os lábios, pensativo. Se ele pudesse colocar uma flecha em um deles, diminuiria as probabilidades de ser cercado. Mesmo se errasse e a flecha passasse perto, seria o suficiente para retardar o homem e fazê-lo abaixar-se.
Ele mirou, viu e soltou a flecha. Ela se arqueou ao longe. Poucos segundos depois, o escravagista em que tinha mirado caiu na grama na altura da cintura e desapareceu. Will não tinha ideia se o acertara ou não. Ele achava que não. Mas, agora, o homem tinha que se mover de quatro, e ele não enxergaria nada. Isso deveria atrasá-lo.
Ele girou suavemente para a esquerda, mirou e viu o caminho que a seta percorreria.
Seu alvo estava correndo, na esperança de que sua velocidade e a distância entre eles faria Will errar a mira. Os lábios de Will se curvaram ligeiramente. Ele mirou e atirou. As duas ações foram quase casuais, como se ele dificilmente tivesse achado o tiro difícil. Mas, quando a flecha acelerou em seu caminho, ele sabia que acertaria o seu alvo.
Ele perdeu a visão do que aconteceria eventualmente, em seguida, ouviu um breve grito e viu o traficante de escravos do lado esquerdo da linha de homens levar ambas as mãos para a garganta, em seguida, cair.
— Dois já foram — ele falou para si mesmo.
Então ele viu movimento à direita em sua visão periférica. O traficante de escravos estava se aproximando e correndo. Mas quando Will esticou a mão e pegou outra flecha, ele caiu de bruços na grama, desaparecendo de vista.
Will franziu a testa. A grama estava tornando disparar algo difícil. Se estivessem em chão limpo, com o homem escondido atrás de um tronco ou uma pedra, ele poderia ter tentado um tiro clout – atirando alto no céu para deixar a seta mergulhar para baixo quase verticalmente sobre o alvo. Mas a grama interminável tornava difícil julgar a distância.
E ele nunca veria o eventual ponto em que seta acertaria.
Algum sexto sentido o avisou do perigo e ele voltou-se para o centro da linha, onde três homens avançavam em uma corrida.
Ele liberou uma flecha, perdendo quando o homem que tinha como alvo o evitou inesperadamente. Quase imediatamente, ele colocou outra seta no caminho. Desta vez, houve um grito e o homem cambaleou para trás quando a pesada flecha o acertou. Mas então ele se levantou novamente e continuou se aproximando. O tiro tinha lhe ferido, nada mais.
Não havia tempo para tentar novamente. Os homens da beira à direita continuavam correndo e já tinham ultrapassado a posição de Will. Ele hesitou, olhou para a esquerda e viu que outro tinha tomado o lugar do flanco esquerdo. Ele também estava correndo, então caiu na grama e sumiu de visão.
— Hora de eu não estar mais aqui — Will murmurou
Ele olhou para o norte. Maddie e as crianças estavam desaparecendo ao longo do horizonte distante. Estavam a alguns quilômetros de distância, o que lhe deu um pouco espaço para se movimentar.
Ele virou-se e correu a toda velocidade pela estrada, parando depois de cento e cinquenta metros para jogar o jogo de novo. Ele tinha a sensação de que era um jogo perdido, mas planejava continuá-lo pelo máximo de tempo que pudesse. E se conseguisse enfurecer Ruhl o suficiente, talvez o traficante de escravos pudesse esquecer sobre recapturar as crianças.
Sua sede de vingança para com Will poderia deixá-los escapar.
Ele parou e virou-se para enfrentar o inimigo. Três tiros. Um à esquerda, um à direita, um pouco à esquerda do centro.
Com os dois primeiros não fez mais do que assustar, fazendo-os mergulhar para cobrir-se mais uma vez. O terceiro capanga de Ruhl foi atingido em cheio no pescoço. Ele encarou com os olhos arregalados o eixo de penas que se projetava abaixo de seu queixo, olhou para Ruhl, encolhido na grama alta, e tentou falar.
O único som que ele podia fazer era um murmúrio de asfixia. Em seguida, as pernas desmoronaram sob ele e ele caiu por terra.
Will o viu cair.
Estou melhorando as probabilidades, ele pensou. Mas não conseguirei rápido o suficiente.
Eles estavam correndo à esquerda e à direita agora, mas antes que Will pudesse reagir, tinham pulado para a terra no meio da grama longa novamente. Os homens no meio da linha estavam avançando mais lentamente, mantendo-se abaixados e sob a cobertura. As coisas estavam ficando fora de controle, os homens de cada lado da linha estendida passaram da posição de Will. Ele tinha que derrubá-los. Sua mão roçou as pontas das penas das flechas em sua aljava enquanto avaliava quantas lhe restavam. Havia cerca de uma dúzia, talvez um ou dois mais.
Ele decidiu que talvez fosse hora de sacrificar a precisão pelo volume.
O flanco da esquerda se moveu novamente e Will soltou três flechas contra eles em rápida sucessão. Então girou nos calcanhares e deixou outras três voarem na direção geral dos homens à direito. Apesar das chances, um dos homens ficou de pé, e assim que a primeira flecha acertou o chão a vários metros dele, ele prontamente cai de volta sob a cobertura, gritando um aviso aos seus companheiros.
Will verificado o flanco esquerdo novamente. Os tiros subitamente rápidos tiveram o efeito desejado. Os homens ali estavam nervosos e não se levantariam tão rápido.
Ele acenou com a cabeça, satisfeito.
— Hora de se mover — ele falou, e saiu correndo pela estrada novamente.


Encolhido na grama longa ao lado da estrada, Jory Ruhl olhou para o corpo de seu capanga. Eles estavam juntos fazia dois anos, e se Ruhl podia dizer que tinha um amigo, aquele homem o era. Olhando para a flecha cinza alojada em sua garganta, Ruhl tentou lembrar quantas o arqueiro tinha disparado até o momento. Ele havia disparado a uma taxa prodigiosa. Mais cedo ou mais tarde, ficaria sem flechas.
Continuando abaixado e fora de vista, ele gritou para os que o rodeavam:
— Eu quero aquele homem vivo! Não o matem. Quero-o vivo!

2 comentários:

  1. E se "conguisse" enfurecer Ruhl o suficiente, talvez o traficante de escravos pudesse esquecer sobre recapturar as crianças.

    Está faltando algumas letras em "conseguisse"
    ~Usagi M.

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Boa leitura :)