8 de fevereiro de 2017

Capítulo 45

Will limpou um trecho de terra entre eles e esboçou com a ponta de sua faca de caça.
— Aqui está a trilha da falésia, com a caverna na parte inferior — ele começou.
— A caverna fica a cerca de dez metros da trilha — ela o corrigiu e ele olhou para ela. Ela deu de ombros. — Você disse para eu estudar cada detalhe. Isso é um detalhe.
— Muito bem — ele alterou o esboço. — Feliz agora?
Ela assentiu.
— Aqui está a trilha. Aqui está a caverna. As tendas estão aqui — ele indicou sua posição. — E o navio está aqui, na praia — ele olhou para ela. — Alguma correção? — ele perguntou, um pouco ácido.
Ela fez um pequeno gesto renunciando com uma mão.
— Não. Parece bom.
— Agora, a maré vai começar a vir cerca de quatro horas após o meio-dia. Ela se manterá assim por algumas horas, e lá elas sete, começará a vazante. Meu palpite é que os ibéricos vão querer sair na maré vazante quando estiver totalmente escuro. Isso será cerca de uma hora depois da maré alta. Eles ainda terão água o suficiente sob a quilha e a maré vai levá-los.
— Por que eles vão esperar até escurecer? — perguntou Maddie.
— Há patrulhas. A estação escandinava tem um navio a leste da costa para uso do rei. Ele patrulha nessas águas, mantendo um olho em contrabandistas, piratas... e traficantes de escravos. Os ibéricos não vão querer correr para ele, então vão esperar escurecer. Você percebeu que o navio é todo negro?
Ela concordou com a cabeça.
— Isso é porque eles preferem viajar de noite. Voltando, a caverna fica do lado esquerdo da baía quando você olha do mar. O navio está um pouco para a direita do meio da praia. Eu pretendo fazer o meu caminho das falésias do lado direito, e ficar a centenas de metros do navio...
— E se não houver nenhuma maneira de descer? — ela o interrompeu.
Ele olhou para ela por um longo momento, respirou fundo e, em seguida respondeu.
— Há. Eu explorei e encontrei um caminho enquanto você estava cochilando. Agora não interrompa.
— Você sempre disse que eu deveria ter uma mente inquiridora — ela apontou.
— Eu disse. Mas não é hora de interrupção. Se você quiser perguntar, espere até eu terminar. Agora, uma vez que eu tiver descido a falésia, começarei a atirar flechas de fogo no navio.
— Flechas de fogo?
Ele olhou para ela de novo.
— Esta não foi uma pergunta. Foi mais uma declaração — disse ela, desculpando-se.
— Vou deixar essa passar. Sim, eu vou começar a atirar flechas de fogo. Se há uma coisa que dá medo em um marinheiro, é incêndio a bordo seu navio. Navios são cheios de corda alcatroada, lona seca e madeira. Eles queimam ao primeiro sinal de uma chama.
— Então eles vão correr até a praia, para o navio, para apagar o incêndio? — Maddie perguntou.
Will assentiu.
— É meu palpite, e Ruhl e os seus homens vão ajudá-los. Se perderem esse navio, todo o trabalho deles servirá para nada. Uma vez que eles estiverem todos agrupados em torno do navio, derrubarei alguns dos homens de Ruhl. Isso vai diminuir as chances deles.
— Eles irão atrás de você assim que você fazer isso — ela observou.
Havia um tom preocupado na voz dela quando ela pensou nele enfrentando dezoito homens por conta própria.
Ele balançou a cabeça com desdém.
— Essa é a ideia. Eu vou levá-los para longe, voltando até as falésias a sudoeste. E eles não virão rápido demais. Nada diminui menos um homem do que o pensamento de que ele pode ser acertado por uma flecha a qualquer minuto — acrescentou sombriamente.
— O que eu faço enquanto tudo isso está acontecendo? — perguntou ela.
Ele bateu a ponta de sua faca no mapa de terra novamente, no local onde estava indicada a trilha.
— Eu quero que você esteja, na base da trilha antes de eu começar. Uma vez que eles forem até a praia para socorrer o navio, você tem que libertar as crianças da caverna — ele fez uma pausa e olhou avaliador. — Você sabe onde as chaves ficam?
Ela assentiu com a cabeça.
— Em um gancho num dos postes de suporte da tenda-refeitório.
— Boa menina. Você vai levá-las para fora da caverna e subir com elas pela trilha. Em seguida, siga para o norte o mais rápido que puder. Com toda a comoção no navio, as probabilidades são que ninguém os perceba.
— E se o fizerem?
— Bem, aí toda a prática com o seu arco e seu estilingue virá a calhar. Não os deixe chegar perto. Eles são assassinos e não vão lhe dar uma segunda chance. Se estiverem vindo para cima de você, não hesite em matá-los.
Ela pensou no plano por alguns momentos. Parecia lógico.
Era bastante simples, mas Will muitas vezes lhe dizia que planos simples eram os melhores. Havia menos coisas para dar errado.
— Tudo bem. E nos encontramos novamente aqui? — ela perguntou finalmente.
Mas ele sacudiu a cabeça.
— Você corre para o norte o mais rápido que puder. Vou levar Ruhl e os seus homens para sudoeste. Então vou me livrar deles e dar a volta para me juntar a você.
Ele parecia confiante. Mas ela sabia que não seria tão simples como ele estava fazendo parecer. Ele sentiu sua preocupação.
— Se algo der errado, vá para Ambleton. É uma grande cidade na estrada, a cerca de quinze quilômetros da costa. Haverá um oficial da lei lá e você deve estar segura. Eu a alcançarei eventualmente.
Maddie o olhou com ar de dúvida.
— Certifique-se disso.
— Confie em mim — disse ele. E acrescentou: — Não há mais nada. Uma vez que o incêndio começar a bordo do navio, há a boa chance de que os ibéricos não vão esperar. Eles podem muito bem lançá-lo para o mar. Afinal, se o perderem, estarão acabados.
— E vai demorar mais dez ou onze horas antes que a maré os deixe voltar — disse Maddie.
— Exatamente. O que reduzirá os homens que estamos enfrentando. Alguma pergunta?
Ela olhou para Will. Ele estava se colocando em grande risco, sabia. Sua parte no plano era perigosa, mas ele seria o único expondo-se ao inimigo, a fim de levá-los para longe dela e dos prisioneiros enquanto ela fazia seu caminho para o norte. Mas ela não podia pensar em uma maneira de expressar isso a ele, então finalmente respondeu:
— Não. Tudo parece claro.
— Bem, nós temos cinco horas antes de precisarmos começar a nos mover. Poderíamos muito bem descansar um pouco.
Ele recostou-se com a cabeça apoiada em sua sela, os braços cruzados no seu peito, e puxou o capuz sobre o rosto. O estômago de Maddie se agitou com a antecipação da noite por vir. Seus nervos estavam tensos como uma corda de arco.
— Como você pode dormir em um momento como este? — ela perguntou, mas a única resposta foi um ronco baixo.
Ela olhou para ele com desconfiança. Nas vezes que dormiu perto dele, nunca tinha ouvido um ronco antes.
— Você está fingindo.
— Não. Eu estou dormindo de verdade — veio a voz de debaixo do capuz.


Will descansou por várias horas. Quando as sombras começaram a alongar, ele se levantou e se espreguiçou. Então pegou o estojo em que guardava suas flechas reservas e o alforje onde guardava o equipamento. Ele desamarrou a parte superior do estojo, olhou para dentro, em seguida, tirou meia dúzia de flechas. Maddie se aproximou para vê-las. As flechas estavam todas embrulhadas em um tecido de trama aberta logo depois de sua cabeça larga.
— O que é isso? — ela perguntou, curiosa. Nunca tinha visto antes.
Will olhou para ela.
— Flechas de fogo. É bom sempre ter algumas preparadas. O tecido atrás da ponta larga altera a distribuição do peso. Então, quando as faço, tenho que reequilibrá-las para ter certeza de que elas voem como uma flecha normal. Eu também as faço um pouco mais longas que minhas flechas normais para conseguir a tração completa. Obviamente, uma vez a ponta está pegando fogo, não posso puxar uma delas pelo comprimento todo até o arco.
— Você sempre leva algumas com você? — ela perguntou.
Ele acenou com a cabeça.
— Se eu começasse a fazê-las agora, ficaria brincando em torno de conseguir o equilíbrio certo.
— Vale a pena estar preparado — ela comentou, pensativa.
— Exatamente. Nunca se sabe quando você vai precisar de algo como isto — disse ele, erguendo uma das flechas.
Ele puxou um pequeno cilindro de madeira de seu alforje de equipamentos e abriu a tampa. O cilindro era na verdade um frasco de boca larga contendo óleo, onde Will deslizou três das setas, em seguida, virou cuidadosamente o cilindro, deixando o óleo mergulhar nas hastes envoltas em tecido das flechas. Depois de vários minutos, retirou as flechas, inspecionou-as para se certificar de que o tecido estava completamente saturado, então enrolou as setas em um pedaço de oleado para impedir a evaporação do óleo inflamável. Ele colocou as outras flechas dentro do frasco de óleo e repetiu o processo.
Maddie o observava, fascinada. Mais uma vez, ocorreu-lhe o pensamento de que havia mais em ser um arqueiro do que ter boa mira e mover-se silenciosamente.
— Como você vai acendê-las? — ela perguntou. — Se começar a bater pederneiras para acender o fogo, eles vão encontrá-lo antes que você possa atirar e se mover silenciosamente.
— Vou levar uma lanterna escura — Will explicou.
Ele mostrou-lhe uma pequena lanterna de metal com uma vela dentro. Havia um obturador na frente que se abria e fechava, bloqueando ou liberando a luz da chama.
Ela balançou a cabeça em admiração.
— Você já pensou em tudo.
Mas Will olhou para ela e balançou a cabeça solenemente.
— Eu duvido — ele respondeu. — Não importa o quão cuidadosamente você planeja, não importa o quanto acha que sabe, você nunca pensou em tudo.

5 comentários:

  1. Que tradução zoada hem!

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    1. Pois é, como dito, ainda não revisei... olha só como recebo certos capítulos hauehauea

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  2. — Não. Eu estou dormindo de verdade. ^^

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Boa leitura :)