8 de fevereiro de 2017

Capítulo 43

No fim da tarde, o bando de sequestradores finalmente chegou. Como Will havia previsto, os cativos se arrastavam, cansados ao longo do meio da estrada, suas mãos amarradas na frente deles, uma corda pesada ligando-os pelos pescoços. Havia seis, e todos eles pareciam desanimados e deprimidos. Ruhl e dois de seus homens montavam em pequenos pôneis, arrastando os cativos, instando-os a se mover mais rápido. Will reconheceu Ruhl e o homem encapuzado que estava com ele quando tinham sequestrado Violet. O Roteirista foi reconhecido como o terceiro que montava. O manto azul, chapéu largo e sapatos vermelhos o marcavam como tal. Além dos três, havia seis outros homens no destacamento.
Quando o grupo passou perto de onde Will e Maddie estavam escondidos na grama longa à beira da falésia, podiam ouvir o tilintar de sinos do Roteirista que a leve brisa transportava até eles.
Violet e os outros cativos pareciam completamente intimidados. Notou que eles se encolhiam para longe sempre que o Roteirista andava por perto. Uma vez, ele ouviu a figura de manto azul rir ao ver uma menina do grupo, que Will achou ser Carrie Clover, de Danvers Crossing, se encolher para longe dele com um grito assustado. Os lábios de Will ficaram rígidos numa linha apertada.
Os outros homens do grupo de sequestradores escravagistas estavam fortemente armados com uma variedade de lanças, achas e machados, e dois tinham espadas em seus cintos. Eles eram duros, barbudos e despenteados, vestiam couro e lã áspera. Cada um deles tinha um pequeno conjunto de corda curtas e atadas numa ponta que eles usavam para exortar os cativos em uma velocidade maior.
— Nove deles — Will sussurrou.
— E pelo menos mais dois no acampamento — Maddie acrescentou.
— E haverá mais ainda na tripulação do navio quando ele chegar. Mais ou menos meia dúzia.
Maddie mordeu o lábio pensativamente. As chances estavam inclinando-se um pouco longe demais em favor do inimigo, ela pensou. Consequentemente, ela se surpreendeu pelo comentário seguinte de Will.
— A boa notícia é que temos mais flechas do que o suficiente — disse ele severamente.
Ruhl e os outros dois cavaleiros começaram a liderar o caminho pela falésia. A linha de prisioneiros o seguiu. Era, obviamente, difícil andar com as mãos amarradas, e com a pesada corda ligando-os. Se um escorregasse, os dois que estivessem ao seu lado seriam arrastados para baixo também. Eles lutaram sem jeito na trilha dura. Os outros homens conduziram a traseira. A trilha era estreita demais para permitir-lhes a andar ao lado de seus prisioneiros. Pelo menos isso significava que eles não poderiam chicotear as crianças com o conjunto de cordas.
Deslizando, escorregando e tropeçando, a linha de crianças capturadas finalmente fez o seu caminho estranho para o nível do solo. Ruhl e os outros dois cavaleiros postaram-se para barrar o caminho, impedindo a movimentação dos escravos para a praia e direcionando-os ao longo da base da falésia em direção à caverna.
Os dois homens que esperavam no acampamento olharam para cima para ver como o grupo fazia o seu caminho pela trilha dura. Maddie ficou interessada ao ver que ninguém mais saiu das tendas. Parecia que a quadrilha até o momento totalizava onze homens.
O homem que estava cuidando do fogo pegou um largo aro de chaves de um dos postes que sustentavam a tenda de laterais abertas. Puxando um pesado porrete que estava encostada à mesa, ele começou a andar calmamente até a porta da caverna.
— Mexa-se, Donald! — Ruhl gritou asperamente. — Nós não temos o dia todo!
— Bem-vindo de volta, Mestre Ruhl — respondeu o homem em um tom mal-humorado. No entanto, Maddie notou que ele acelerou seu ritmo.
Os recém-chegados andaram hesitantes na direção da porta gradeada da caverna, sem saber o que estava para acontecer em seguida. Will podia ver agora que a corda que os prendia passava por anéis de metal em pesados colares de couro fervido, cada um preso com uma coleira individual. O homem com as chaves destrancou o portão barrado. Aparentemente alguém dentro da caverna fez uma tentativa para sair, porque ele rosnou e cutucou com o porrete para dentro da escuridão. Ciente de que os habitantes da caverna estavam parados, ele então virou-se para o primeiro prisioneiro na fila e desalgemou o colar, estimulando o menino com seu porrete para levá-lo para dentro da caverna.
Ruhl observou enquanto o homem chamado Donald repetiu o processo com os próximos dois prisioneiros. Então, convencido de que as coisas estavam seguindo sem problemas, Ruhl mudou-se para a tenda de comer, amarrando seu cavalo um dos pilares e olhando para o outro homem que estava no acampamento e que agora fitava vagamente seu líder.
— Traga-me uma bebida, Thomas, maldito! — Ruhl rosnou. — Estive na sela o dia todo!
— Não há muito amor perdido no meio deles — Will murmurou enquanto o homem apressou-se a ir buscar um jarro escuro e várias canecas de cerveja para Ruhl.
Ruhl derramou uma grande medida em sua caneca e bebeu profundamente, suspirando com satisfação quando terminou. O Roteirista e outro cavaleiro desmontaram e se juntaram a ele. Na hierarquia do bando, os três estavam, obviamente, no topo do ranking. Ruhl era indiscutivelmente o líder, e o Roteirista e o homem mascarado eram seus tenentes. Os outros eram simplesmente os soldados rasos.
Ruhl e os seus dois companheiros relaxaram e beberam, rindo de vez em quando pelo tempo que conversavam, enquanto Donald e os outros homens empurraram e amaldiçoaram as crianças, forçando-as para dentro da caverna.
— Deve estar ficando lotado lá — Maddie arriscou.
Will olhou de soslaio para ela.
— Dez presos ao todo, você disse — ela continuou. — Seria necessária uma caverna bem grande para mantê-los confortáveis. E a maioria das cavernas tende a ser pequena.
O último prisioneiro foi empurrado para dentro da caverna, então a porta gradeada se fechou atrás dele, trancando-a. A partir de seu ponto de observação sobre a falésia, eles podiam ouvir o barulho da chave pesada. Um dos três que estava guardando os prisioneiros a caminho da enseada recolheu as cordas pesadas e as coleiras de couro. O homem com as chaves, Donald, voltou para a área central do acampamento, voltando as chaves para onde ele tinha pegado.
— Tragam alguma comida pra já — Ruhl ordenou.
Claramente Donald e o outro homem, Thomas, eram encarregados de cuidar do trabalho servil ao redor do acampamento. Will guardou essa informação para mais tarde. Se houvesse luta, esses poderiam ser deixados para o final. Eles não eram suscetíveis a ser particularmente agressivos ou sagazes. Homens como aqueles faziam o que lhes era ordenado. Eles raramente pensavam por si. E, pelo o que Will tinha visto de Ruhl, até agora, ele parecia ser um homem que desencorajaria o pensamento individual entre seus subordinados.
O acampamento parecia estar em sua rotina normal. Em torno das sete da noite, Ruhl mandara que Thomas levasse comida e água para a caverna. Donald o acompanhou, destrancando a porta para seu companheiro para se certificar que nenhum dos ocupantes tentasse fugir. A maré tinha mudado e estava começando a voltar mais uma vez, rastejando lentamente até a praia e cobrindo a vasta extensão de areia ondulada que havia sido exposta pela maré baixa.
Maddie e Will ficaram olhando até que o arqueiro barbudo tocou seu ombro e apontou um polegar em direção ao pequeno grupo de árvores onde haviam deixado os cavalos.
— Parece que eles se instalaram para acampar a noite. Nós também podemos descansar um pouco. Voltaremos antes do amanhecer e descobriremos uma maneira de tirar as crianças de lá.
— Só nós contra onze homens? — perguntou Maddie.
Will lançou-lhe um olhar longo e grave, em seguida, assentiu.
— Só nós contra onze homens.
Eles rastejaram de volta para o bosque de árvores, embora não houvesse realmente necessidade de discrição. Os traficantes de escravos estavam todos dormindo em suas tendas e a praia ficava pelo menos vinte metros abaixo de onde eles estavam. Eles deram água aos cavalos e os desselaram. Então eles tiveram uma refeição fria de carne seca, frutas e pão amanhecido. Maddie puxou o velho bule desgastado e levantou uma sobrancelha para Will. Mas ele sacudiu a cabeça.
— Sem fogo — disse ele brevemente. — Eles podem sentir o cheiro da fumaça. Ou podem estar vigiando ao redor da área.
Assim, beberam água de seus cantis. Não havia água corrente nas proximidades e a pequena lagoa pela qual passaram mais cedo era estagnada e coberta lodo. Eles esticaram seus sacos de dormir. Maddie olhou para Will.
— Devemos ficar de vigia? — ela perguntou e ele assentiu.
— Devemos manter um olho sobre a praia para ver se alguma coisa acontece — disse ele. — Eu pegarei as quatro primeiras horas.
Ela calculou rapidamente. Isso significava que Will estaria de vigia duas vezes durante a noite, e ela uma vez. Ela encolheu os ombros. Era justo, pensou ela, enquanto se arrastava para seus cobertores.
Ela viu sua fantasmagórica figura escura sumir na noite. Alguns minutos depois, ela estava dormindo. Não estava preocupada com qualquer um pegando-a de surpresa. Bumper e Puxão dariam o aviso caso alguém se aproximasse do pequeno acampamento.
Mas só por garantia, ela dormiu com seu estilingue entrelaçado em torno de sua mão direita e sua bolsa de chumbinhos ao lado da cabeça.

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