8 de fevereiro de 2017

Capítulo 42

O amanhecer era dali a quatro horas e Will decidiu que eles deveriam ter algumas horas de sono antes de se prepararem para seguir Ruhl e seu bando.
— Nós não podemos rastreá-los no escuro e estivemos acordados vigiando nas duas últimas noites. Nós deveríamos dormir enquanto podemos — ele disse. — Eles não estarão se movendo muito rápido. Ruhl disse que eles iriam buscar as outras crianças que sequestraram. Isso vai atrasá-los.
Maddie bocejou. Ela não questionou sua avaliação da situação.
Eles retornaram para a clareira onde tinham escondido os cavalos e desenrolaram seus cobertores sobre a grama macia e flexível. Maddie dormiu assim que fechou seus olhos. A tensão das noites gastas sob vigilância, e os eventos dos dias anteriores a deixaram exausta física e emocionalmente.
Ela acordou com o que agora considerava ser o delicioso cheiro de café fresco sendo preparado. Sentou-se e viu Will posicionado perto de uma pequena fogueira, o mapa do feudo Trelleth aberto no chão ao lado dele. Ele ouviu-a se mexer e olhou para cima, gesticulando para o café nas brasas à beira do fogo.
— Pegue um pouco de café pra você — ele disse. — E tem pão ali para esquentar também. Não há nenhum sentido em sair de estômago vazio.
Ela apoiou um pedaço de pão em uma vara perto do calor das brasas, depois despejou café dentro de uma xícara. Eles não tinham leite, mas por agora ela consegui-a bebê-lo puro, contanto que fosse adoçado com bastante mel. Ela bebeu saboreando, virou a torrada uma vez que estava a ponto de queimar e agachou-se em frente a ele.
— Você achou a Baía Hawkshead? — ela perguntou.
Ele assentiu, apontando um dedo para o gráfico.
— Um pouco ao sul daqui — ele disse. — Entendo porque eles a chamam de Baía de Hawkshead.
Ela olhou-o, franzindo a testa.
— Hawkshead... Não parece uma cabeça de falcão pra mim — ela falou, esfregando os olhos.
Will levantou uma sobrancelha na direção dela.
— Poderia ser porque você está olhando de cabeça para baixo — ele respondeu pacientemente. — A propósito, sua torrada está queimando.
Ela pegou a torrada e queimou seus dedos, deixando cair a fatia de pão ligeiramente escurecida sobre a grama. Ela murmurou um xingamento muito grosseiro. Isso fez as duas sobrancelhas de Will subirem.
— Não é o tipo de linguagem que se espera de uma princesa — ele apontou. — Onde você escutou essa palavra em particular?
— Da minha mãe — ela respondeu logo.
Will assentiu.
— Isso explica.
— Além disso, eu não sou mais uma princesa, como você destacou.
Ele olhou rapidamente para ela. Ficou satisfeito ao notar que não havia amargura em sua voz e que ela parecesse estar apenas afirmando um fato, não reclamando sobre isso.
Na verdade ela prefere isto À sua vida antiga, ele pensou, levemente surpreso pela percepção. Então, por que não? Pelo menos agora havia um senso de propósito para sua vida, e um senso de realização que havia faltado em seu tempo no Castelo Araluen.
Ela recuperou a torrada e espalhou manteiga sobre ela, mastigando com gosto. Havia algumas lâminas de grama na superfície mas ela tirou-as da boca e esticou o pescoço para ver o mapa da perspectiva de Will.
— Humm — ela admitiu relutantemente. — Acho que é um pouco parecido com uma cabeça de falcão agora que olhei deste modo. Quão longe é?
— Cerca de um dia de viagem na estrada principal — Will respondeu. — Os sequestradores provavelmente levarão mais tempo. Um dia e meio, talvez dois. Eles estarão andando à pé e terão que evitar outros viajantes. É um pouco difícil de explicar porque se está viajando com um grupo de jovens prisioneiros. Pela mesma razão, a estrada atravessa meia dúzia de cidades e vilas, e eles terão que se desviar delas — ele apontou para uma trilha marcada no mapa. — Tem uma trilha aqui, correndo para o sul. Faz um pequeno desvio, mas liga-se a uma outra estrada que vai para o leste – e esse caminho é uma rota direta, enquanto a estrada dá voltas e voltas que levam a estas outras vilas.
— Não faria sentido para os sequestradores pegarem esse caminho? — ela perguntou.
Mas Will balançou a cabeça.
— Eles estavam indo para leste quando deixaram a vila. Isso indicaria que eles estão pegando a estrada. Tanto que esta trilha pode até não estar em seus mapas. O cartógrafo do Castelo Trelleth é bastante meticuloso. Ele coloca uma série de detalhes que outras pessoas deixariam de fora.
— Então se nós pegarmos esse caminho chegaremos à costa antes deles? — Maddie indagou.
— Sim. Dessa forma, podemos explorar a área e ver como é tudo. Deve haver algum tipo de acampamento lá, e podem existir outros membros do bando esperando. Mas ouvi dizer que ele estava esperando um navio de escravos ibérico em poucos dias. Sempre é uma boa ideia ver o cenário de batalha de antemão.
Ela olhou para ele.
— Haverá uma batalha lá?
O rosto de Will estava sombrio quando ele respondeu:
— Oh, penso que pode haver.
Eles terminaram seu café da manhã, enrolaram seus cobertores e os amarraram atrás das selas. Puxão e Bumper estavam ambos inquietos e animados. Eles estavam ansiosos para começar a se mover novamente depois de dias de inatividade forçada.
Era bom estar na sela de novo, e Maddie gostava da sensação dos saltos entusiasmados de Bumper debaixo dela. Puxão olhou o cavalo mais novo com um sorriso superior.
— Você está tão animado quanto ele — Will falou suavemente.
Puxão sacudiu sua cabeça. De fato, ambos os cavalos, sensíveis ao humor de seus cavaleiros, reconheceram o fato de que o que quer que Will e Maddie estivessem procurando ao longo da semana anterior, eles pareciam ter encontrado. Portanto, eles reagiram ao novo senso de propósito de seus cavaleiros. Eles sentiram que a ação estava à frente deles – e cavalos de arqueiros eram criados para a ação.
Eles galoparam para o sul e um pouco a oeste até que, uma hora antes do almoço, chegaram ao caminho que levava a leste para o mar. Will desceu da sela para inspecionar o chão, checando para ter certeza de que ninguém tinha passado por essa trilha recentemente. Uma coisa era presumir que Ruhl e seus homens não pegariam esse caminho. Mas era prudente ter certeza.
— Uma vaca e um vaqueiro passaram por aqui — ele disse. — Talvez dois dias atrás. Desde então, parece não ter ninguém.
— Você não achou que Ruhl viria por esse caminho — Maddie apontou.
Will a fitou longamente antes de responder:
— E agora eu sei que ele não veio.
Ele montou sobre a sela e eles galoparam ao longo do caminho, ocasionalmente sendo forçados a deitar sobre o pescoço dos seus cavalos para evitar os galhos mais baixos das árvores.
— Parece que não usam muito esta trilha — Maddie comentou.
Will não disse nada.
Eventualmente, a trilha emergiu a partir da densa floresta que compreendia cerca de dois terços do seu comprimento. Eles encontraram-se galopando em campos abertos e passando por fazendas, com ocasionais barracas de madeira pontilhando a vista. E logo Maddie sentiu aquele cheiro inebriante de sal que mais uma vez lhe disse que eles estavam se aproximando do mar.
No meio da tarde, eles atingiram a estrada costeira. A estrada fora levantada um pouco acima do terreno circundante, com valas de drenagem em ambos os lados. Will gesticulou para Maddie permanecer no térreo fora da estrada, fora da vista. Ele desmontou e subiu para a estrada, olhando para o norte e depois para o sul.
— Tudo limpo em ambos os sentidos — ele falou. Então apontou com o polegar para o sul. — A Baía Hawkshead fica a três quilômetros naquela direção. Vamos.
O cenário mudou mais uma vez. Os pastos verdes e campos bem cuidados deram lugar a brejos grosseiros, onde arbustos raquíticos cresciam até a altura da cintura e as árvores eram poucas e esparsas. Will fez careta enquanto avaliava a terra.
— Sem muito abrigo — ele observou.
Maddie olhou para ele.
— Então nós os veremos chegando — ela apontou.
— Estou mais preocupado que eles nos vejam indo — ele observou. — Lembre-se, não será apenas nós. Nós teremos dez crianças conosco. Elas serão um pouco difíceis de esconder.
Ela franziu os lábios. Ela não tinha pensado nisso. Começou a olhar para os lados, marcando qualquer lugar que poderia ser usado como abrigo. No interior, que cerca de meio quilômetro da estrada, uma fileira de escarpas baixas subia do brejo. Em sua base, pedras estavam caídas desordenadamente. As escarpas obviamente eram instáveis e propensas a deslizamentos de terra ao longo do tempo. Ela podia ver vários buracos escuros que poderiam muito bem marcar aberturas para cavernas. Isso significava que poderia ser possível encontrar um esconderijo útil caso eles precisassem de um. E estava começando a pensar que eles poderiam precisar de um logo.
A estrada ia para o sul seguindo a linha da costa. Havia mais falésias aqui, ela viu, caindo para o oceano abaixo deles. Elas eram feitas principalmente de barro e desciam sem desvios para a água, parecendo como se tivessem sido esculpidas por uma lâmina. O mar, correndo sobre um fundo de areia, era raso e verde claro.
— Bonito — ela falou.
Will seguiu sua linha de visão e resmungou.
— Não se você fosse um marinheiro. Essa água é rasa por quase um quilômetro até o mar. Você precisaria esperar a maré alta para desembarcar.
Ele tinha memorizado alguns pontos de referência do mapa, assim saberia quando eles estivessem se aproximando da Baía Hawkshead. Agora, quando eles passaram pelo último, um pequeno lago com um bosque igualmente pequeno de árvores baixas, ele fez uma pausa.
— Nós deixaremos os cavalos aqui. Vamos em frente à pé para ver como é.
Eles deixaram os cavalos escondidos nas árvores e fizeram seu caminho através dos arbustos na altura da cintura para a próxima área de terra. Além dela, de acordo com o mapa, a Baía Hawkshead se estendia.
Quando chegaram ao nível da borda do precipício, Will moveu a palma da sua mão em um gesto para baixo. Maddie se agachou, depois, seguindo a liderança de seu mentor, ela caiu sobre as mãos e joelhos, rastejando em frente através do mato grosso.
Se houvesse pessoas na caverna, seria pedir problemas simplesmente caminhar até a borda da crista em plena vista.
Will parou e chamou-a para frente. Ela rastejou pelos arbustos, fazendo o mínimo de barulho possível, até que estava ao lado dele. A Baía Hawkshead se estendia diante deles.
A falésia era mais baixa aqui, cerca de dez a quinze metros de altura, e era mais inclinada do que os penhascos verticais afiados pelos quais eles tinham passado. Diferente daqueles penhascos, que eram basicamente de barro, esses eram formados de pedra e areia, intercalados com tufos de plantas marinhas e arbustos. Na sua base estava uma praia semicircular de areia grossa.
O mar se agitava e ela podia vê-lo formando ondulações no fundo de areia rasa. A água era rasa por pelo menos um quarto de um quilômetro para dentro do mar.
No centro da praia, bem acima da marca d’água, que era delineada por emaranhados de troncos e algas, estavam quatro grandes tendas. A lona desgastada e cinza e estava esticada sobre armações de madeira. Elas estavam ali faziam um tempo, Maddie pensou. Aquele era um acampamento permanente.
Havia uma grande fogueira a dez metros de distância das tendas – longe o suficiente para que a fumaça do fogo não fosse um problema – e uma sólida mesa e bancos de madeira estabelecidos sob um teto de lona suportado por uma estrutura de madeira. Seus quatro lados estavam abertos.
Ela contou dois homens que se deslocam pelo local do acampamento, embora pudesse haver outros escondidos nas tendas. Quatro tendas indicavam, pelo menos, dezesseis homens no acampamento, ela imaginou. Então ela reconsiderou. Os reféns teriam que ser mantidos em algum lugar.
Enquanto ela pensava, Will a cutucou e apontou para a falésia no lado esquerdo da baía. Ela olhou na direção que ele estava indicando e viu uma abertura escura na rocha na altura do solo. Quando olhou mais de perto, pôde distinguir uma porta de madeira com uma trava através da abertura.
Ela revisou seu pensamento. Era onde os reféns eram mantidos, percebeu.
Will tinha dito a ela sobre a afirmação de Ruhl – que tinham tomado dez prisioneiros. Ela se perguntou quantos deles já estavam na caverna, e quantos estavam a caminho com o Ladrão e o Roteirista.
Will inclinou-se perto dela.
— Há uma trilha que conduz para baixo da falésia à esquerda da caverna. Consegue vê-la?
Embora o traficante de escravos mais próximo estivesse a mais de cem metros distância tentando de trazer o fogo adormecido de volta à vida, Will mal falou as palavras.
Maddie mapeou a falésia e pôde distinguir a trilha. Ela corria através das rochas em ângulo, ziguezagueando para trás várias vezes, depois acabando na praia, a vinte metros da abertura escura que marcava a caverna. Ela levantou o polegar para indicar que tinha visto.
— Quando nós tirarmos as crianças de lá, é para onde você vai levá-las. De volta até o topo da falésia — ele disse a ela.
Ela virou-se rapidamente para olhar para ele.
— “Para onde eu vou levá-las”? E o que você vai fazer?
Ele deu uma batida de leve na madeira lisa de seu arco, deitado na grama diante dele.
— Eu vou ter a certeza de que ninguém vai vê-la indo embora.

3 comentários:

  1. Capitulo 46? NNãoentendi

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    1. Nem eu... kkkkkk
      Bem, não terminei de revisar o livro, então não faço ideia do que tem no meio heuaheuahue

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  2. Acordei 06:30 da manhã para ler, e em nenhum momento , e arrependi.
    Ass: Lua

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Boa leitura :)