8 de fevereiro de 2017

Capítulo 37

No início da tarde, muito antes das sombras começarem a alongar, Maddie fugiu da aldeia e foi para o local onde Bumper estava à espera. Will levara Puxão, é claro, por isso seu cavalo preto e branco estava sozinho na pequena clareira próxima à estrada. Ela se preocupava com isso, mas Bumper parecia contente mesmo sozinho.
Ela o escovou e o alimentou com duas maçãs. Um pequeno riacho corria perto da clareira, e ela pegou o balde de água e encheu-o. É claro que ele poderia ter bebido do próprio riacho, mas era visível da estrada e havia uma chance de ele ser visto por qualquer transeunte casual.
Ou qualquer um que não fosse tão casual, ela pensou, considerando as histórias que tinha escutado nas últimas vinte e quatro horas. Ela estava feliz por ter visitado Bumper em plena luz do dia. Ela teria ficado nervosa demais para sair após o escurecer.
Ela correu de volta para a aldeia enquanto ainda havia bastante luz.
Depois do pôr do sol, incomodada com a história do maléfico e misterioso Ladrão, Maddie estava feliz por passar a noite na estalagem. O quarto do sótão que lhe tinha sido atribuído possuía uma porta grossa e uma tranca robusta. Isso lhe deu uma certa sensação de segurança. Mas ela ainda estava nervosa e tendendo a saltar a qualquer ruído inesperado. O som de passos nas escadas a fazia congelar, a cabeça inclinada para um lado e ouvindo atentamente. Mesmo que a lógica lhe dissesse que os passos provavelmente pertenciam a Jerome ou sua mulher, ou a outro membro do pessoal da pousada, ela mantinha uma mão perto do cabo da faca de caça – pendurada sobre a cabeceira da cama – até que ouvia os passos se afastarem.
Como Will sugerira, ela se oferecera para ajudar na cozinha e sua oferta foi aceita de bom grado. Além do mais, isso lhe deu algumas horas na companhia de outras pessoas, e o barulho e a agitação da cozinha ocupada era uma mudança bem-vinda do pequeno quarto no topo da escada.
Jerome observou com aprovação quando ela escondeu os cabelos sob um lenço, vestiu um avental e começou a raspar os pratos gordurosos, em seguida, mergulhou-os em um grande caldeirão de ferro com água e sabão suspenso sobre a lareira da cozinha. Ela então os esfregava completamente com uma escova de madeira de cabo longo. Depois de alguns minutos, seu rosto estava vermelho e úmido do vapor e seus braços estavam cobertos com espuma até os cotovelos. Quando as louças estavam lavadas, ela ocupou-se em varrer a cozinha e o bar.
Ela ainda estava fazendo isso quando os últimos clientes se encaminharam para fora, dando adeus ao dono do bar. Alguns deles murmuraram cortesias para ela também. Eles tinham visto o quanto ela estava trabalhando e eles admiravam tal ação.
Ainda era relativamente cedo quando a taberna esvaziou. Era dia de semana, afinal, e a gente do campo ia para a cama e levantava cedo. Jerome entrou no bar enquanto Maddie terminava de varrer e encostava a vassoura em seu armário. Ele se moveu para a porta da frente e encaixou dois parafusos pesados de ferro para bloqueá-la – um perto do topo e o outro na parte inferior da porta. Ele olhou para ela e sorriu tranquilizador.
— Vou trancar a porta da cozinha também depois que Emma e Ted tiverem ido — disse ele.
Ele assumiu que ela poderia estar nervosa com o pai longe e quis tranquilizá-la. O taberneiro gostava da garota. Ela havia trabalhado duro durante a noite. Mesmo que ele fosse cobrar Will por uma noite de alojamento no estábulo – afinal de contas, o seu carrinho de mão e os seus pertences estavam guardados lá – ele decidiu que pagaria a Maddie algumas moedas por seu esforço.
Maddie sorriu para ele. As portas eram de carvalho maciço, com o interior reforçado por uma segunda camada de tábuas na diagonal. A taberna tinha, afinal, uma série de itens valiosos – vinho, cerveja e comida, para não mencionar o dinheiro que havia sido arrecadado no bar durante a noite. Era provavelmente o lugar mais seguro na aldeia.
A cozinheira e o ajudante de cozinha, Emma e Ted, fizeram suas despedidas e partiram para suas casa. Jerome foi para a cozinha e trancou a porta que dava para estábulo e o pátio. Ele se moveu ao redor da grande sala de teto baixo, apagando as velas e soprando a grande lanterna que pendia da viga central. Agora a única luz vinha da lareira. O fogo estava baixo e piscava sombras nos cantos.
Isso deixou apenas Jerome e sua mulher, Tildy, na estalagem com Maddie. O estalajadeiro e sua esposa tinham um pequeno conjunto de cômodos que ocupavam metade do primeiro andar do prédio, deixando espaço para um adicional de três quartos para hóspedes. O quarto de Maddie ficava no andar de cima, sob o teto inclinado do sótão.
— Hora de ir para a cama, Maddie — Jerome disse a ela. — Tenha cuidado com sua vela. Certifique-se de que está apagada antes de ir dormir.
Depois dos sons alegres e da agitação da noite, a pousada parecia estranhamente silenciosa quando Maddie subiu as escadas para seu quarto. Ela carregava uma vela consigo em uma bandeja de estanho, protegendo o fogo com a mão livre enquanto subia. A pousada era cheia de correntes de ar e a noite estava fria.
O sótão era sem dúvidas gelados. Nenhum calor do térreo parecia penetrar ali e ela tremeu quando puxou o vestido pela cabeça. Ela hesitou, então mergulhou em sua mochila e tirou suas calças e jaqueta, puxando-os por cima de sua camisa.
Havia um par de meias grossas de lã, e ela as calçou também. Quando finalmente se deitou e puxou os dois cobertores finos até o queixo, ela se sentia razoavelmente confortável, senão exatamente quente.
O vento tinha aumentado durante a noite e assobiava em volta do piso superior da pousada, procurando as muitas fendas que dariam a sua entrada e sacudindo as paredes e a pequena janela do sótão com as rajadas mais pesadas.
— Uma boa noite para estar dentro — ela disse a si mesma.
Claro, isso desencadeava uma miríade de pequenos ruídos, como as tábuas da casa rangendo e gemendo enquanto se moviam e raspavam uma na outra. Assim que ela se acostumava com o padrão de sons, um novo som surgia e a assustava novamente. Então ela permaneceu escutando por alguns minutos, deitada tensa sob os cobertores, até ter certeza de que o novo barulho não era nada sinistro.
Deitada com os olhos arregalados enquanto o vento batia nas paredes, ela esticou o braço para cima até o cinto que prendia sua faca de caça na cabeceira da cama. Ela soltou-a e colocou a arma debaixo do travesseiro, sua mão descansando no punho.
Confortada pela sensação da arma pesada, ela finalmente se permitiu dormir.
E acordou.
Seus olhos se abriram, mas além disso, ela não demonstrou nenhum movimento.
Além de uma hesitação momentânea, sua respiração permaneceu a mesma – profunda, uniforme e rítmica. Will a tinha treinado para acordar à menor sensação de que o perigo podia estar presente, mas a fazê-lo com os menores sinais exteriores possíveis. Apressadamente ela fechou os olhos mais uma vez, deixando apenas uma pequena fenda entre as pálpebras para enxergar.
Ela sentiu uma presença no quarto. Alguém, ou alguma coisa, estava de pé ao lado da cama. Maddia estava deitada sobre seu lado direito, de costas para a porta, com a mão direita tocando o punho de sua faca de caça sob o travesseiro.
Seja lá quem ou o que fosse, estava atrás dela, fora de seu campo de visão. Ela não sabia como sabia que estava lá. Não escutava uma respiração, nem pequenos movimentos. Lá fora, o vento ainda golpeava a janela e as paredes.
Mas ela podia sentir alguma coisa lá. Alguma coisa perto. Algo malévolo.
— Você está acordada, menina. Eu sei está. Não se mexa. Não tente se virar. E deixe o que está sob o seu travesseiro onde ele está.
A voz era rouca, um sussurro rouco. A voz soou estranha – Maddie pôde detectar um sotaque quando ele falou “eu sei está” em vez de “eu sei que está”. Ela estava deitada rígida sob os cobertores, sem se atrever a se mover. Ela queria sacar a faca de caça e atacar. Mas não conseguia encontrar a vontade de fazê-lo. Agora, ela ouvia um baixo farfalhar de roupas como se aquele que falava tivesse se movido ligeiramente. Como ele entrara? A porta da frente e a da cozinha estavam trancadas solidamente. E o seu quarto estava trancado também.
Ela percebeu que não havia futuro na tentativa de responder a essa pergunta. Ele estava aqui, e isso era tudo o que importava.
— Você tem feito perguntas, garota — a voz murmurou. — Isso não é saudável. Não é saudável para você. Não é saudável para aquele garoto da aldeia com quem você tem falado.
Seu coração deu uma pulo com medo – por si mesma, e por David. David era vulnerável e praticamente sem proteção. Seus pais eram simples aldeões. Provavelmente era corajoso o suficiente, mas não um combatente.
— Você sabe o que acontece com as pessoas que falam sobre o Ladrão. Você não quer que isso aconteça ao seu amigo. Ou com você. Portanto, mantenha a boca fechada. Entendeu?
Ela não disse nada, não sabendo se admitiria que estava acordada ou não. O silêncio tornou-se insuportável.
— Eu disse, entendeu? — o intruso repetiu.
Obviamente, ele queria uma resposta. Ela tentou falar, mas sua boca estava seca com o medo. Finalmente, ela conseguiu falar, em uma voz que era um pouco mais que um sussurro:
— Eu entendi.
Mais uma vez, ela ouviu um leve som de movimento. Então, para seu alívio, percebeu que o homem estava se afastando dela.
— Tenha certeza que sim — aquela voz horrível respondeu.
Ela ouviu o clique suave da trava de sua porta quando ele cuidadosamente a ergueu. Ele estava indo, pensou, e alívio inundou através dela. As dobradiças gemeram quando a porta se abriu, então a voz falou novamente:
— Não olhe para mim. E não tente me seguir. Eu vou saber se você o fizer. E o Ladrão virá buscá-la em uma noite escura.
Ela estremeceu. A ameaça sem rosto do Ladrão, o horror do próprio nome, fez seu sangue gelar. A porta se fechou em silêncio e a presença, de quem quer que fosse, desapareceu.
Por pelo menos vinte segundos ela ficou imóvel, paralisada pelo medo. Então, lentamente, o medo começou a ser substituído por raiva. Ela não era uma criança indefesa, para se assustar com uma voz no escuro. Ela era uma aprendiza de arqueiro! Tinha sido treinada para usar a faca saxônica, a faca de arremesso, o arco e o estilingue. Havia sido treinada para lutar sem armas, se necessário. Ela era um membro de uma Corporação orgulhosa e altamente qualificada. E era a primeira membra mulher! Se ela permanecesse ali agora, tremendo sob os cobertores ao som de um estrangeiro com voz rouca que não se atrevia a mostrar a cara e que a ameaçou com algum personagem vago de uma história de terror, ela estaria ignorando a Corporação. E estaria provando que aqueles que duvidavam (e ela sabia que havia muitos), que diziam que uma garota não tinha o que era necessário para ser um arqueiro estavam certos!
Foi o último pensamento que a colocou em ação. Ela jogou as pernas para fora da cama, puxando a faca de caça de baixo do travesseiro. Ela já estava vestida. O ar frio da noite a obrigara a isso. Ela começou a ir para a porta, depois hesitou. Seu estilingue e a bainha de cinto da faca estavam amarrados sobre a cabeceira da cama. Juntamente com a bainha, o cinto carregava a bolsa de tiro, com vinte bolinhas de chumbos no interior. Ela pegou ambos, colocando o cinto por cima do ombro e a bainha da faca. O estilingue permaneceu na mão direita, pronto para a ação. Quando abriu a porta, sua mão esquerda foi para a bolsa de couro em busca de um dos pesados projéteis de chumbo.
Ela carregou o projétil no estilingue e fez seu caminho suavemente para as escadas abaixo, colocando seu peso nas beiras dos degraus, perto das paredes, para minimizar os movimentos e os rangidos. No bar, ela olhou ao redor rapidamente. A janela estava escancarada, sua simples tranca estava dobrada e torta. Foi assim que o intruso entrara, ela percebeu.
A porta da frente também estava entreaberta. Maddy apressou-se até ela, prestes a abri-la completamente, depois hesitou.
Seu coração estava acelerado e ela percebeu que seria tolice mergulhar de cabeça para fora da porta. O intruso poderia estar assistindo e esperando para ver se ela o tinha seguido. Em vez disso, ela abriu uma fresta e deslizou pela abertura, ficando perto da parede, na sombra escura do telhado baixo.
Ela examinou toda a rua, os olhos se esforçando em busca de um sinal de movimento. Nada. Ela amaldiçoou em voz baixa. E se ele tivesse escapado enquanto ela estava deitada, tremendo de medo, sob os cobertores? Ela não via como ele poderia. Não demorado muito para reunir a vontade de vir atrás dele. Seus olhos percorreram as sombras da rua e ela pensou ter visto um movimento a cerca de quarenta metros de distância, no beco estreito entre duas casas.
Enquanto via isso, Maddie sentiu uma dor aguda em seu pé quando ela pisou em uma pedra afiada.
Ofegante de dor, ela inclinou-se para segurar o pé em uma ação reflexa – e salvou sua vida ao fazê-lo.
Algo pesado zumbiu por sobre a sua cabeça e acertou a madeira da moldura da porta atrás dela. Agora ela podia ver seu agressor mais claramente. Ele era uma forma escura em uma lacuna entre duas casas e como ela tinha visto, e o braço dele se afastou, preparando para lançar outro projétil.
Sua formação entrou em ação. Maddie endireitou-se e reagiu à ameaça sem pensar. Braço para trás, um passo à frente, então chicoteou o estilingue para trás e logo para frente. O chumbo brilhou em sua jornada e, uma fração de segundo depois, ela viu o braço do homem ir para frente enquanto ele atirava por sua vez. Instintivamente, ela se jogou no chão.
O tiro, com o impulso extra do estilingue para impulsioná-lo, atingiu seu alvo primeiro. Ela ouviu uma pancada na carne e um grito abafado de dor de seu agressor, uma vez que foi acertado. Em seguida, a figura escura cambaleou, ergueu os braços e caiu de costas. Um segundo depois, o projétil que ele tinha atirado acertou a porta atrás dela, um metro e meio acima de onde ela estava deitada de bruços.
Ela se levantou, os olhos atentos na forma escura no chão.
Automaticamente, ela carregou outra esfera de chumbo no estilingue e se moveu para seu agressor, colocando seus pés cuidadosamente no chão, fazendo o mínimo de barulho possível. Sentia-se terrivelmente exposta quando se moveu para a rua, onde a luz pálida da lua de repente parecia ser tão brilhante quanto o dia. Ela seguiu uma curva quando se aproximou dele, girando para a direita, então de volta. Dessa forma, se ele estivesse fingindo e de repente se levantasse, ela não estaria onde ele esperava que estivesse.
Uma parte dela refletia sobre a maneira fácil como fora sua sequência de ações. Respondendo ao ataque, caindo esticada no chão, e agora movendo-se em um meio círculo para se aproximar dele, o estilingue pendurado e pronto para uso em sua mão direita e um pouco atrás dela. Eram todas as coisas que tinham retinido em sua cabeça uma e outra vez em suas aulas com Will.
O homem não se moveu quando ela se aproximou. Maddie parou a poucos metros de distância. Não podia ver nenhum sinal de movimento, nenhum sinal de que ele ainda respirava. Ela percebeu que à curta distância o estilingue seria inútil. Ela enfiou-o rapidamente no bolso e puxou a faca de caça. O suave sussurro do aço em couro e lã era estranhamente reconfortante.
Ela circulou em volta dele, mantendo-se fora do alcance dos braços e pernas dele, e aproximou-se. Ajoelhou-se perto do homem e pôde ver a ferida em sua testa. Os olhos arregalados a encaravam e ela sabia que ele estava morto.
Por um momento, ficou entorpecida com horror. Então seu estômago revirou quando ela percebeu que havia matado um homem. Ela queria vomitar, mas controlou-se com esforço e sentou sobre os pés para estudá-lo. Ela reagira instintivamente quando arremessou o projétil nele. Era uma reação automática – de autopreservação e autodefesa. Ela não tivera tempo para pensar no resultado possível. O homem já havia tentado matá-la com o primeiro disparo que dera. Ele estava prestes a lançar o segundo. Se ela não revidasse, seria ela quem estaria morta agora. Lembrou-se de como seu segundo tiro zuniu em cima de sua cabeça, lembrou das batidas viciosas quando ambos os mísseis acertaram a porta da pousada.
Era ele ou ela. Enquanto considerava o fato, lembrando-se de como ele a ameaçara e tentara aterrorizá-la para ganhar seu silêncio, e depois tentando matá-la duas vezes, ela descobriu que não lamentava suas ações. Ela fez o que tinha que fazer.
Ele estava vestido todo de preto. Gorro de lã preta. Calças pretas enfiadas em botas de feltro preto, e uma camisa de lã preta sob uma capa curta de gola alta. Um cinto de couro preto prendia um longo punhal de lâmina curva em uma bainha. Ele tinha cabelos escuros e um bigode escuro e caído – algo incomum entre os homens Araluen – e sua pele era morena.
Sob o manto, ela podia ver uma tira de couro atravessando o peito diagonalmente. Ela moveu o manto de lado com a ponta de sua faca e revelou uma bolsa de couro lisa pendurada do seu lado esquerdo. Era impossível removê-la facilmente, sobrecarregada como estava pelo manto e o fato de que ele estava deitado na alça que a prendia.
Maddie colocou a faca de caça sob a correia e a cortou facilmente, em seguida, puxou a bolsa para a luz.
Dentro havia alguns bens pessoais: algumas moedas e uma faca curta que poderia ser usada para comer, uma colher de ferro e um par de pederneiras. Seu interesse foi despertado por dois itens em forma de cruz. Ela puxou um deles para fora com cuidado e examinou. Consistia em um pesado disco de bronze, com quatro lâminas fixadas em torno de sua circunferência com ângulos iguais entre si. As lâminas tinham aproximadamente oito longos centímetros. Suas bordas eram suaves, mas as pontas eram afiadas.
— Um quattro — ela murmurou.
Ela tinha visto aquilo uma vez antes, no arsenal do Castelo Araluen. Era uma arma ibérica – uma arma de assassino – projetada para lançar. Com quatro lâminas giratórias rápidas no ar, era quase certo de que acertaria e penetraria o alvo. Ela percebeu que era aquilo que zunira sobre a cabeça dela e acertara a porta da taverna. Ela balançou a cabeça lentamente. Graças pela pedra afiada em meu pé, pensou.
Quando ela voltou a guardar o quattro, ouviu o farfalhar de papel e descobriu um segundo compartimento na parte de trás da bolsa. Ela abriu-o e olhou dentro. Havia uma única folha dobrada lá.
— Vamos olhar para isso mais tarde — ela falou baixinho para si mesma, em seguida, levantou-se e considerou o que deveria fazer com o homem morto.
No final, ela decidiu deixá-lo onde estava.
Se ela despertasse a vila agora, haveria perguntas. Como ela conseguira superar um homem adulto – e armado com um longo punhal e uma bolsa cheia de quattros? O que ela realmente fazia aqui? O que tinha nos papéis que ela encontrara com ele?
Inevitavelmente, sua verdadeira identidade – e a de Will – seria descoberta. Se tornaria óbvio que ele não era um trabalhador itinerante inofensivo e sim um Arqueiro do Rei. E isso daria um aviso para o Ladrão e sua gangue de que eles estavam sendo perseguidos. Se isso acontecesse, eles poderiam escapar para outro feudo e Will e Maddie iriam perdê-los.
Se ela o deixasse ali, os companheiros dele poderiam muito saber o que tinha acontecido. Poderiam saber que ele foi encontrado morto na rua da aldeia. Mas eles não teriam ideia de como. Poderiam suspeitar. Mas não saberiam.
Chegando a uma decisão, ela examinou o terreno circundante, finalmente encontrando um brilho opaco de metal na luz do luar. Era o projétil que ela atirara. Ela o recuperou, virou-se e andou rapidamente de volta à pousada, parando para pegar os dois quattros fincados na madeira da moldura da porta. Então ela escorregou de volta para o sótão, depois de trancar a porta da frente.
Ela foi acordada na manhã seguinte por um burburinho na rua. Espiando pela janela estreita, viu que uma pequena multidão se reunira em volta da figura vestida de preto no chão. Ela tinha sido descoberta por um leiteiro em seu caminho para trazer suas vacas do pasto verde para a ordenha. Ele deu o alarme e agora oito ou nove aldeões se agrupavam em volta do morto misterioso. Eles se perguntavam em voz alta de onde ele tinha vindo e o que tinha acontecido com ele. Sua roupa preta e armas indicavam que não era tão bom.
Eventualmente, ele foi colocado em uma maca e levado para uma das casas. Eles organizariam um enterro mais tarde.
Sua presença, seu propósito e sua morte eram um mistério. E em uma vila pequena onde os eventos extraordinários raramente aconteciam, seria um tema de conversa e especulação por meses, talvez por anos vindouros.
Mas dentre todas as teorias discutidas, ninguém associou o estranho com a jovem hóspede do sótão da pousada.

6 comentários:

  1. Toooomaaaa!! Mexe com Arqueiros! Sério, eu vou começar a praticar. Maddie n me decepcionou!

    ResponderExcluir
  2. Karina, um erro aqui:
    "MasD entre todas as teorias discutidas"...

    ResponderExcluir
  3. Estou amando a Maddie.
    Ass: Lua

    ResponderExcluir
  4. karina, será q dá pra colocar nas reações no final de cada capítulo um emocion? ou no mínimo uma reação de medo e espanto tipo TRETA MALIGNA! e WORRY!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi! Já pensei nisso, porém tem pessoas que não entendem... aí acho que ficaria ruim para elas - o emoticon teria que ser desses: :D :P *-* .-. E aí acho que ficaria ruim pra elas

      Excluir
  5. É isto aí! Muito bem para primeira morte... quero dizer ela não é uma assassina, se defendeu. Mas não será humana se não tiver remorso. Eu estou me sentindo eufórica e angustiada para ela.

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)