8 de fevereiro de 2017

Capítulo 31

Eles se moveram para a mesa e sentaram-se lado a lado enquanto Will espalhava o conteúdo do cofre escondido. O primeiro item era um mapa da área envolvendo o castelo Trelleth. Tinha sido rapidamente esboçado, provavelmente por Liam, e mostrava pouco na forma de características geográficas. Mas havia três aldeias marcadas no mapa, todas a certa distância do castelo. Ao lado de cada uma, o nome de uma pessoa estava nitidamente escrito.
Maddie se inclinou para frente, com os cotovelos sobre a mesa, e olhou para o nome mais próximo dela.
— Boyletown, Peter Wiliscroft — disse ela, lendo do mapa. — Quem é Peter Wiliscroft e o que ele tem a ver com Boyletown?
Will balançou a cabeça.
— E quem é Carry Clover, e o que ela esta fazendo em Danvers Crossing? E o que tem Maurice Spoker a ver com Esseldon?
Eles olharam para o mapa por alguns segundos, como se esperassem que a resposta se tornasse mais clara.
— Talvez eles sejam os chefes dessas aldeias? — Maddie sugeriu.
Will apontou o nome na segunda aldeia que tinham lido.
— Carrie Clover seria uma mulher — ele apontou.
Maddee resmungou. Ela nunca tinha ouvido falar de uma aldeia com uma chefe mulher, embora fosse possível.
— Talvez ela fosse a esposa dele? — sugeriu.
— Talvez.
Will não parecia convencido. Mais uma vez eles se sentaram em silêncio, considerando o quebra-cabeça. Finalmente Maddie falou:
— O que mais tinha no cofre?
Havia outras duas folhas. Will desenrolou a primeira e a alisou. Era uma lista das três aldeias marcadas no mapa, com detalhes sobre os tamanhos relativos de cada uma.
— Todas têm o tamanho semelhante — ele falou. — Grandes aldeias. Não grandes o suficiente para chamar de cidade. Ou ter oficiais da lei elegidos.
Quando aldeias cresciam para cidades, elas se tornavam mais organizadas. Xerifes eram designados para manter a paz. E a cidade assistida era geralmente recrutada por ordens do xerife. Aldeias menores tendiam a fazer isso sem essa hierarquia.
— Isso pode ser significativo — disse Maddie. — O que é a última folha?
Will desenrolou o terceiro pedaço de papel e suas sobrancelhas se ergueram quando ele leu seu conteúdo. Ele moveu a lista de aldeias para o lado para estudar o mapa mais uma vez, então se sentou, pensando bastante. Maddie se inclinou para estudar a última página.
— Esses são os nomes das pessoas das três aldeias — ela percebeu.
— E eles não são chefes ou conselheiros — respondeu Will. — Olhe, Peter Wiliscroft, doze, e uma data de três semanas atrás. Depois Carrie Clover, catorze, e outra data. Cinco dias após o de Peter Wiliscroft.
— E Maurice Spoker, quatro dias depois de Carrie. Ele tem onze — disse Maddie.
— O que as datas significam? — Will perguntou em voz alta.
— Talvez sejam aniversários — Maddie sugeriu.
Will apertou os lábios, parecendo duvidoso.
— Talvez. Se for assim, eles nasceram na mesma época. Mas em anos diferentes.
— Talvez algo tenha acontecido com essas crianças — Maddie apontou.
Will olhou para ela.
— Como o quê?
Ela encolheu os ombros.
— Eu não sei. Talvez eles morreram. Ou desapareceram. Algo como isso.
— Possivelmente. É um mundo perigoso, depois de tudo. Há lobos nessa parte do reino. E ainda se vê ursos ocasionalmente.
— Vamos supor por um momento que estou certa — disse Maddie — e eles estão mortos ou desaparecidos. Por que ninguém viu a ligação entre três crianças de três aldeias no mesmo feudo que se foram no espaço de duas semanas?
— Eles provavelmente não estão conscientes disso. Veja como são amplamente separados. As pessoas de, por exemplo, Danvers Crossing estão preocupados com Carrie Clover. Mas eles não têm ideia de que duas outras crianças de idades semelhantes desapareceram em outras aldeias. Não há muita comunicação entre aldeias como esta.
— Como Liam soube? — Maddie perguntou.
Will deu de ombros.
— É parte de ser um arqueiro saber o que está acontecendo no feudo. Nós viajamos pelas vilas, coletando notícias e informações, à procura de eventos incomuns. Ele provavelmente viu este padrão entre as aldeias.
— E alguém o matou antes que ele pudesse fazer algo a respeito — Maddie finalizou.
Will levantou uma mão, advertindo.
— Isto supondo que estes três estão sumidos, ou mortos, ou que algo ruim aconteceu com eles. Poderia haver um monte de explicações para essas datas.
— Como o quê?
— Eu não sei.
— Mas pense nisso, Will. Deve ser algo como isso. Afinal, Liam se deu ao trabalho de esconder os nomes e datas em seu cofre. Então devem ter algum significado importante. E alguém o matou. Ele deve ter feito perguntas sobre aquelas três crianças e quem as levou, descobriu sobre isso – e sofreu um acidente.
— É uma hipótese razoável — ele admitiu — mas isso é tudo.
Maddie tinha uma imaginação fértil e ele precisava controlá-la. Tudo era demais numa situação como essa, havia a tentação de organizar as evidências para se adequar à teoria e ignorar qualquer outras que não se encaixassem.
— Não vamos tirar conclusões — ele continuou. — Acho que é hora de fazermos uma pequena investigação. Primeiro eu vou precisar obter alguns equipamentos do castelo.


— Um carrinho de mão? — Maddie exclamou, olhando para o pequeno veículo gasto que Will tinha trazido do castelo. — O que queremos com um carrinho de mão?
— É para levar todos os nossos pertences mundanos — falou a ela. — Estamos fingindo ser um trabalhador itinerante e sua filha. Eu vou estar à procura de trabalho e você vai junto comigo — ele fez uma pausa, em seguida enfiou a mão no carrinho e atirou um vestido esfarrapado e remendado para ela. — Enquanto penso nisso, é melhor você se vestir.
Maddie considerou a roupa com desgosto.
— Eu tenho que usar esse trapo? — perguntou.
Will assentiu.
— Há uma pequena chance de você ser reconhecida como arqueira se estiver usando uma capa camuflada e estiver carregando um arco — ele apontou. — Não queremos que as pessoas saibam quem somos. Com demasiada frequência, as pessoas tendem a se fechar quando veem um arqueiro. O que temos que fazer é ir para essas vilas xeretar ao redor. A probabilidade é que você tenha mais sorte com as crianças do que eu com seus pais. Crianças tendem a falar com outras crianças, enquanto eles estarão mais desconfiados ao redor dos adultos.
— E os nossos cavalos? O que vamos fazer com eles? — Maddie perguntou.
— Quando chegarmos a um vilarejo, vamos escondê-los na floresta por perto. Um trabalhador agrícola dificilmente possui um cavalo, muito menos dois. Tenha em mente que Puxão não ficará muito feliz com tudo isso. Ele terá que puxar o carrinho para nós e isso pode muito bem estar abaixo de sua dignidade.
De fato, Puxão ficou furioso quando viu o carrinho.
Você espera que eu puxe isso? Eu não sou um cavalo de carroça, você sabe.
— E eu não sou um trabalhador agrícola itinerante — Will respondeu a ele. Olhou ao redor para se certificar de que Maddie estava fora do alcance da voz antes de responder ao cavalo. — Mas nós estamos à paisana, e é um excelente disfarce.
Eu não vou deixar as pessoas me verem puxando isso.
— Você não precisa. Nós vamos desatrelá-lo quando chegarmos perto da aldeias. Você pode esperar por nós na floresta.
E então quem vai puxar o carrinho? Puxão quis saber.
— Eu. É um carrinho de mão, depois de tudo. E as pessoas me verão fazendo isso.
As pessoas vão te ver? Muitas pessoas?
— Dezenas dela, eu acho. Vou até usar um grande chapéu de palha com a borda esfarrapada.
Parece justo para mim.
Como se percebeu, Puxão levou o carrinho facilmente. Era bastante leve, e mesmo com Will em suas costas, ele não estava sobrecarregado. No entanto, seu orgulho era outra questão, ele bufou com raiva para Will sempre que passava alguém na estrada.
Danver Crossing era a vila mais próxima e Will a selecionou como seu primeiro destino. Eles pararam na estrada cerca de dois quilômetros antes de chegar à aldeia. Eles encontraram uma pequena clareira a mais ou menos dez metros da estrada, com muito capim fresco e sombra para os cavalos. Will desatrelou Puxão do carrinho.
Havia um grande odre de água pendurado nos fundos do carrinho que ele usou para encher um balde de couro para os dois cavalos.
— Vou vir checar vocês está esta noite — Will disse aos cavalos. — Por agora, fiquem em silêncio.
As últimas palavras eram um comando ensinado a todos os cavalos de arqueiros. Isso garantiria que Bumper e Puxão permaneceriam escondidos na clareira quando as pessoas passassem e não fariam som algum. Ambos os cavalos assentiram com a cabeça várias vezes, compreendendo o comando.
Em seguida Will pegou o carrinho de mão de dois eixos e começou a descer a estrada para Danvers Crossing, Maddie ao seu lado.
Quando ele colocou um velho chapéu de palha com a borda torta na cabeça, Will estava convencido de que podia ouvir os risinhos de Puxão.

3 comentários:

  1. Karina, um errinho aqui:
    "Nos Vajamos ( VIAJAMOS) pelas vilas,"

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  2. — Eu. É um carrinho de mão, depois de tudo. E as pessoas me verão fazendo isso.
    As pessoas vão te ver? Muitas pessoas?
    — Dezenas dela, eu acho. Vou até usar um grande chapéu de palha com a borda esfarrapada.
    Parece justo para mim.
    Kkkkk
    Puxão é demais

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  3. Kkkkkkkk amor eterno por Will e Puxão ♥♥♥
    Ass: Lua

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Boa leitura :)