8 de fevereiro de 2017

Capítulo 3

— EM QUE MALDITO INFERNO DE ESCONDERIJO VOCÊ ESTAVA?  — A calma e digna Princesa Cassandra exigiu.
Maddie congelou em choque quando as palavras de sua mãe ecoaram em volta da sala de estar dos aposentos reais. Ela tinha subido a escada da torre na ponta dos pés e seguido silenciosamente até os quartos, destravando a porta com cuidado, em seguida, abrindo-a rapidamente para evitar os guinchos persistentes das dobradiças. O interior estava na escuridão, com cortinas pesadas vedando todas as janelas e apenas algumas brasas no fogo.
Ela parou ao lado da porta, seus sentidos alertas para qualquer som ou indício de outra presença na sala. Ela tinha tirado as botas antes de subir as escadas e agora as segurava em sua mão esquerda. Satisfeita de que seus pais ainda estivessem dormindo em seu quarto, ela começou a andar pisando cuidadosamente sobre o tapete grosso para seu próprio quarto.
Em seguida, sua mãe – perita na arte de emboscada, como a maioria das mães são – a tinha assustado com seu furioso rugido. Maddie parou no meio do caminho, um pé equilibrado sobre o tapete. Ela olhou freneticamente ao redor da sala. Estava convencida de que estava vazia. Agora ela percebia a forma fraca da mãe sentada em uma grande poltrona de espaldar alto.
— Mamãe! — ela disse, se recuperando rapidamente. — Você me assustou!
— Eu a assustei?
 Cassandra se levantou da poltrona e atravessou a sala para enfrentar a filha. Ela estava de camisola, com um pesado robe sobre ele para protegê-la do frio. Um observador teria comentado sobre a semelhança entre as duas mulheres. Ambas tinham pequena estatura, eram magras e graciosas em seus movimentos. As duas tinham olhos verdes e características atraentes. E ambas tinham o mesmo determinado inclinar em seus queixos. Em tempos passados, as pessoas teriam se enganado confundindo-as como irmãs, e não seria nenhuma surpresa se isso acontecesse. Elas compartilhavam a mesma massa de cabelos loiros, embora houvesse um cinza ocasional em Cassandra agora – prova da tensão sob a qual tem estado, gerenciando o Reino de seu pai enfermo nestes últimos três anos.
— Eu a assustei? — ela repetiu mais perto, sua voz subindo alguns tons com incredulidade.
— Eu pensei que você estivesse dormindo — disse Maddie, tentando um inocente sorriso.
Na verdade, ela tinha certeza de que sua mãe estava dormindo quando ela deixara seus aposentos, várias horas antes. Ela olhara no dormitório real para ter certeza disso.
— Eu pensei que você estivesse dormindo — replicou a mãe. — Se bem me lembro, à nona hora você fez uma grande cena sobre o quão cansada estava.
Ela fingiu um enorme bocejo. Maddie estava desconfortavelmente consciente de que era uma excelente representação de seu próprio desempenho na noite anterior.
— Oh, eu estou tããão cansada! — Cassandra disse, ainda imitando-a em uma exagerada vozinha feminina. — Receio que eu vá para a cama imediatamente.
— Ah... sim — disse Maddie. — Bem, eu acordei. Eu estava morrendo de fome, então fui até a cozinha pegar algo para comer.
— Levando suas botas — Cassandra observou.
Maddie olhou para baixo para elas, como se as visse pela primeira vez.
— Hum... Eu não queria deixar lama por todo o tapete — disse ela rapidamente. Muito rapidamente. Falar rapidamente muitas vezes resulta em um erro.
— Traria muita lama da cozinha — Cassandra falou uniformemente.
Maddie abriu a boca para responder, mas não conseguia pensar em nada a dizer. Ela a fechou novamente.
— Madelyn, você está louca? — Cassandra disse, sua raiva finalmente estourando como água jorrando através de uma barragem quebrada. — Você é uma Princesa, a herdeira do trono depois de mim. Você não pode passear pela floresta na calada da noite. É muito perigoso!
— Mãe, é só uma floresta. Não é perigoso. Eu sei o que estou fazendo. Eu vi um texugo — acrescentou ela, como se isso fosse desculpa para o que ela tinha feito.
— Oh, bem, se você viu um texugo, isso torna tudo bem! — o sarcasmo de Cassandra cortou como um chicote. — Por que você não mencionou o texugo imediatamente? Agora eu posso voltar para a cama e dormir em paz porque eu sei que você não estava em perigo. Como você poderia estar quando viu um maldito texugo?
— Mãe... — Maddie começou em um tom que implicava que sua mãe não estava sendo razoável.
Maddie só chamava Cassandra de “mãe” quando ela estava exasperada com o que via como um comportamento obsessivo de excesso de controle. Cassandra estava muito bem ciente desse fato e seus olhos brilharam com raiva.
— Não me venha com Mãe para cima de mim, Madelyn! — Ela retrucou.
Os ombros de Madelyn se endireitaram e ela ficou um pouco mais alta. Ela era dois centímetros menor que a sua mãe e, às vezes ela sentia que a deficiência a colocava em desvantagem.
— Então não venha você com Madelyn para cima mim! — Ela respondeu secamente.
Cassandra só a chamava pelo nome completo, formal, quando sentia que a garota estava sendo irresponsável, imatura e irritante.
— Vou chamá-la de Madelyn a qualquer momento que eu quiser, mocinha!
Maddie revirou os olhos.
— Oh, estamos no mocinha agora? — ela disse, cansada. Ela fez um gesto acenando com as mãos. — Deixe tudo para lá. Vamos ouvir a ladainha dos meus pecados. Eu sou uma garota terrível. Sou irresponsável. Sou uma vergonha para a casa real de Araluen.
Ela ficou de frente para a mãe dela, com uma mão no quadril em uma pose petulante, totalmente irritante como só uma adolescente pode ser quando sabe que está no lugar errado, mas se recusa a admiti-lo. A mão de Cassandra se contraiu e ela sentiu um impulso irresistível de dar um tapa na filha. Ela enfiou as mãos nos bolsos do robe para impedir tal ação. Respirou fundo e baixou a voz.
— Há ursos naquela floresta, Madelyn. O que você faria se se encontrasse com um?
— Dondy diz que, se você encontrar um urso, você se agacha, fica parado e não faz contato visual.
Dondy era o silvicultor real e mestre de caça.
— Ele também diz que é um último recurso e tem sucesso apenas na metade das vezes.
— Então eu correria para o outro lado. Ou subiria em uma árvore. Uma árvore pequena e fina, então ele não poderia subir depois de mim. — Ela adicionou o último rapidamente, antes que Cassandra pudesse apontar que ursos são capazes de subir em árvores. Era óbvio que ela não ia se render a este ponto.
Cassandra mudou de rumo.
— Também há criminosos, salteadores, fora-da-lei e bandidos. Eles se escondem na floresta.
— Eles são bem poucos e estão distantes entre estes dias. Papai verificou isso — Maddie respondeu.
Horace tinha conduzido recentemente uma série de varreduras armadas para expulsar os bandidos de suas tocas na floresta.
— Só precisa de um. Você sabe muito bem. Você poderia ser sequestrada e mantida presa em troca de resgate.
— Ele precisaria me pegar primeiro — Maddie respondeu teimosamente.
Cassandra se virou, levantando suas mãos em resignação.
— Veja bem, nós teríamos que estar dispostos a pagar para ter você de volta — ela murmurou. Seu tom indicava que não se tinha certeza sobre isso.
A porta do quarto se abriu, permitindo que um feixe de luz penetrasse no cômodo escuro. Horace entrou. Seu cabelo estava desgrenhado e seu camisolão estava escondido sob sua calça. Seus pés estavam descalços. Assim como a lâmina da espada na mão direita. Ela brilhava à luz da lanterna ele segurava na mão esquerda, enviando reflexos aleatórios ao redor das paredes.
— O que está acontecendo? — disse. Vendo apenas sua esposa e filha na saleta, ele colocou a espada de lado, inclinando-se contra a parede. Ele segurou a lanterna mais alto, estudando sua filha na luz. — Você foi caçar novamente — disse ele. Seu tom era uma mistura de raiva e resignação.
— Pai, eu estive fora apenas por uma hora... — Maddie começou, sentindo que seu pai poderia ser mais razoável do que Cassandra. Ela sabia que poderia trazê-lo rapidamente à sua maneira de pensar.
— Eu estive esperando mais de duas horas — Cassandra a cortou. — Encontrei sua cama vazia e estive sentada aqui desde então.
Horace balançou a cabeça. Qualquer esperança de que ele pudesse ser mais indulgente que sua mãe foram frustradas por suas próximas palavras.
— Você é estúpida, Maddie? Ou está apenas determinada a desafiar sua mãe e eu? Tem que ser uma coisa ou outra, então me diga. O que é isso?
Não era justo, pensou Maddie, a forma como os adultos dão a você duas alternativas igualmente condenáveis e insistem que você escolha uma. Ela cruzou os braços e baixou os olhos da expressão zangada de seu pai.
— Eu estou esperando — disse Horace.
Maddie apertou a mandíbula. Ela olhou para seus pais irritados e eles devolveram o olhar. Por fim, Cassandra não pôde suportar o silêncio.
— Maddie, você é a herdeira do trono. Você governará Araluen um dia — começou ela, e Maddie aproveitou a abertura que ela tinha criado.
— E como eu posso fazer isso se você me mantém trancada em um casulo protetor? Se eu não sei nada sobre enfrentar o perigo, tomar decisões e pensar rapidamente?
— O quê? — disse a mãe, franzindo a testa.
Mas Maddie continuou.
— Se eu fosse um menino, meu pai iria me ensinar a lutar, montar e levar os homens em batalha...
— Eu te ensinei a montar — disse Horace, mas ela balançou a cabeça impaciente.
— Se eu me tornar rainha, como posso pedir aos homens para sair e lutar por mim se eu não sei nada sobre como fazer isso sozinha?
— Você terá conselheiros — lembrou Cassandra. — Pessoas que conhecem essas coisas.
— Não é o mesmo! Se esperará que eu tome decisões — ela apontou um dedo para a mãe. — De todas as pessoas, você deveria entender isso! Quando tinha a minha idade, você lutou contra os Wargals, foi sequestrada por Escandinavos e comandou arqueiros contra os Temujai. Você lutou ao lado do meu pai!
— Isso foi por acidente. Eu não planejei fazer essas coisas!
— Mas você escolheu ir para Arrida e lutar contra os Tualaghi, e escolheu ir para Nihon-Ja e resgatar papai. Você matou o tigre das neves...
— Alyss matou — Cassandra disse, mas Maddie ignorou a interrupção.
— E você costumava fugir para a floresta e praticar com seu estilingue...
A cabeça de Cassandra se levantou rapidamente.
— Quem te disse isso?
— Vovô. Ele disse que costumava ficar muito preocupado com você.
— Seu avô fala demais — Cassandra respondeu, apertando os lábios. — De qualquer forma, mesmo que eu tenha feito essas coisas, não quer dizer que você deve fazê-las também.
— Mas as pessoas a respeitam! Eles sabem que você já enfrentou o perigo! Isso é tudo o que estou pedindo, um pouco do mesmo respeito! E eu estou entediada! Quero alguma emoção em minha vida!
— Bem, esta não é a maneira de obtê-la! — rebateu Cassandra.
— Então como é? Diga-me! Eu não quero passar os meus dias aprendendo bordados, geografia e gramática! Quero aprender coisas mais importantes.
— Talvez possamos dar um jeito... — Horace disse com certa dúvida. Ele podia ver um grão de sentido no que a sua filha estava dizendo.
Mas ela se virou para ele imediatamente.
— Como o quê? O que podemos fazer funcionar?
Ele fez um gesto impotente no ar.
— Eu não sei... alguma coisa... vamos ver.
Maddie finalmente explodiu em raiva.
— Oh, ótimo! Vamos ver. A grande desculpa dos pais para não fazer nada! Isso é fantástico, pai! Vamos ver!
— Não fale assim comigo — Horace disse a ela, embora estivesse consciente do fato de que a frase “vamos ver” era uma tática parental experimentada e verdadeira para adiar decisões difíceis.
— Por que não? Será que vamos ver o que acontece comigo se eu fizer? O que vamos ver? — Ela se inclinou em direção a ele, desafiando-o, com as mãos nos quadris. Todo o seu corpo parecia tremer de indignação e frustração.
— Tudo bem. É isso — Horace retrucou. — Você está confinada ao seu quarto por uma semana! Vou colocar uma sentinela na porta e você não vai sair!
As bochechas de Maddie ficaram flamejantes com raiva de si mesma agora.
— Isso é tão estúpido e mesquinho! Acho que vamos ver como isso funciona! — Ela gritou.
— Então são duas semanas — Horace disse, tão zangado quanto ela. Ela respirou fundo para responder e ele inclinou a cabeça para um lado. — Pensando em tentar três semanas?
Ela hesitou, e em seguida viu o olhar nos seus olhos. Ela se virou e marchou com raiva até a porta de seu próprio quarto.
— Isso é tão injusto! — ela gritou, e bateu a porta atrás de si.
Horace e Cassandra trocaram um longo olhar. Horace balançou sua cabeça, derrotado, e pôs o braço em volta dos ombros da esposa.
— Isso correu bem — ele disse.

6 comentários:

  1. Gente, eles vão mandar essa criatura pro Will treina? Vai dar mta confusão, ou coisas engraçadas.

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  2. — EM QUE MALDITO INFERNO DE ESCONDERIJO VOCÊ ESTAVA? — A calma e digna Princesa Cassandra exigiu.

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  3. kkkkkkkk. Essa é a garota que o Will era treinar? Ou ela mata ele ou morre de raiva! kkkkkkkkkk.
    Ass: Bina.

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  4. Dedutora de livros6 de março de 2016 13:52

    Will agora amargo vai ter que treinar uma menina arrogante que a qualquer hora vai vai usar o argumento que é a Princesa da Coroa (relembrando Cassandra falando com Halt)? Sério. Vai dar errado, e depois certo, e talvez um pouco mais de confusão. Ela vai querer fazer as coisas do seu jeito, mas no final vai ser uma excelente arqueira.

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Boa leitura :)