8 de fevereiro de 2017

Capítulo 21

Maddie passou mais duas horas se familiarizando com seu novo cavalo. Bob mostrou-lhe alguns dos comandos básicos que cavalos de arqueiros eram treinados para responder – como mudar a marcha a um sinal do cavaleiro, como pisar mais forte durante a cavalgada para que um perseguidor não perceba que sua presa desmontara e que o cavalo estava agora sem cavaleiro. Mas havia movimentos básicos que poderiam vir a ser úteis em combate – se esquivar e recuar, erguer-se nas patas traseiras e girar no lugar, acertar um inimigo com as patas dianteiras e dar coices com as patas de trás.
Todos os cavalos de arqueiro vinham treinados com essas manobras básicas – e muito mais. Para deleite de Maddie, Bumper respondia imediatamente aos sinais mão, joelho e pé que o Jovem Bob lhe ensinara. Era quase como se tudo o que ela tinha que fazer era pensar no movimento e Bumper a respondia antes que o pensamento estivesse completamente formado.
Ela continuou a se surpreender com a leveza do passo. Era uma constante surpresa ver a rapidez com que ele se movia, a rapidez com que ele mudava de direção, e como podia acelerar do nada e começar a galopar quase que instantaneamente.
Dançarino do Sol era um belo cavalo, não havia nenhuma dúvidas. Mas Bumper parecia ser uma extensão da sua própria personalidade. Ele sabia o que ela queria dele, e o fazia de forma rápida e sem problemas.
Maddie e Bumper galopavam através dos campos e galhos, acompanhados por Jovem Bob em um cavalo de arqueiro aposentado.
Eventualmente, Bob decretou que ela aprendera o suficiente por uma manhã e que voltariam, montando em um galope de passo constante até que eles estavam a meio quilômetro de distância de casa. A capa e os longos cabelos de Maddie balançavam ao vento por trás dela.
Terei que cortar o cabelo, ela pensou, em seguida entregou-se à pura euforia da velocidade e poder de Bumper.
Ela diminuiu a velocidade conforme se aproximaram da cabana. Ficou surpresa ao ver Puxão parado perto do cercado, enquanto Will montava um velho cavalo cinza, movendo-se em um galope suave no campo ao lado. Ele a viu chegando e acenou, dirigindo sua montaria em direção a ela.
Bumper relinchou uma saudação, ao que o velho cinzento respondeu. Ao se aproximarem, era evidente que os pelos em torno do focinho eram brancos. Mas havia algo vagamente familiar nele, pensou.
— Quem é esse? — perguntou ela, enquanto parava ao lado de Will.
Ele deu um leve sorriso e se inclinou para correr os dedos através da crina desgrenhada do cavalo, puxando-o carinhosamente.
— Um velho amigo — respondeu ele. — Seu nome é Belerofonte. Eu gosto de vê-lo assim sempre. Mas já faz um tempo. Não o vi desde que...
As palavras se desvaneceram, assim como seu sorriso. Instintivamente, Maddie soube que ele estava prestes a dizer desde que Alyss morreu. Ela passou por cima do estranho silêncio com uma observação:
— Ele parece de alguma forma... familiar.
Will assentiu e apontou para onde Puxão estava.
— Ele parece Puxão — ele apontou, e Maddie acenou com a cabeça, vendo a semelhança agora que ele mencionou.
Este cavalo era mais velho, e seu pelo acinzentado era branco em torno do focinho. Mas a sua formação era a mesma. E ele ficava do mesmo jeito, mantendo a cabeça em um pequeno ângulo enquanto os ouvia, assim como ela notara Puxão fazendo.
— Ele foi o meu primeiro cavalo de arqueiro — Will continuou. — Na verdade, ele foi meu primeiro cavalo. Eu não tive uma mãe e um pai rico – e não tinha um Arridi inteligente para montar.
Interessante, ele pensou. Talvez ela quisesse dizer o que falou para Jovem Bob. Talvez estivesse mesmo começando a desfrutar de tudo isso.
— Então, há quanto tempo foi isso? — perguntou Maddie.
Will balançou a cabeça.
— Mais do que eu gostaria de lembrar. Mas eu me lembro. Estava tão animado com ele como você parece estar com o jovem Bumper aqui.
Bumper bufou e balançou a crina com a menção de seu nome. Maddie se inclinou para frente e deu um tapinha no pescoço dele.
— Ele é realmente notável — disse ela. — Você não tem ideia.
— Tenho certeza que não — ele respondeu gravemente.
Só então Jovem Bob cantarolou lentamente até se juntar a eles. Seu rosto tinha aquele sorriso agora familiar enquanto olhava Will montado em Belerofonte.
— Como ele lhe parece?
Will olhou para o cavalo, inclinando-se um pouco para ver os vestígios da cruel cicatriz que marcava seu ombro direito.
— Como se eu nunca tivesse estado longe — ele admitiu.
Jovem Bob riu. Ele cresceu no serviço dos arqueiros e seus cavalos, e sempre gostou de vê-los reunidos.
— Ele ainda tem muitas explosões de velocidade, não tem?
Will balançou a cabeça.
— Eu não queria forçá-lo muito. Não queria que ele se esforçasse demais ou distendesse um dos músculos.
— Aaah, não ele — disse o treinador de cavalos. — Ele correria como uma gota num chapéu, sim. E deixaria esses mais jovens em seus calcanhares enquanto faz isso.
A essa declaração, tanto Bumper quanto Puxão ergueram suas cabeças, bufaram e patearam em protesto. Belerofonte olhou de um para o outro. Maddie podia jurar que ele rira, se um cavalo pudesse rir.
Chegou a hora do almoço com Jovem Bob. Eles tinham trazido pão duro, fresco queijo e várias fatias grossas de presunto. E Bob trouxera alface e rabanetes frescos de sua pequena horta. Bob e Will bebiam café, adoçado com colheradas de mel. Maddie, como era seu costume, bebeu leite.
Jovem Bob balançou a cabeça enquanto a observava.
— Nunca ouvi falar de um arqueiro que não bebe café — ele disse, em dúvida.
Will deu de ombros. Estava quase resignado à antipatia de Maddie em relação à bebida tradicional Arqueira até agora.
— Novos tempos, Bob — disse ele. — Suponho que temos de avançar junto com ele.
— Não, Will. Tradição é tradição. É mudança o suficiente você ter um aprendiz do sexo feminino, sem ela não beber café. São muitas mudanças, e muito rápidas.
— Desculpe-me — disse Maddie — vocês têm que discutir meus hábitos enquanto estou sentada aqui?
Os dois homens a fitaram por alguns segundos. Em seguida, entreolharam-se e responderam em uníssono:
— Sim.
Maddie revirou os olhos e pegou o copo de leite. Ela tomou um grande gole do líquido fresco.
— Você não sabe o que está perdendo — ela comentou.
— E nem quero saber — respondeu Will.
Quando terminaram a refeição, Will e Maddie limparam a mesa e lavaram os pratos e facas que usaram. Enquanto faziam isso, Jovem Bob desculpou-se e saiu.
— Ele está dizendo adeus a Bumper — Will explicou a ela. — Bob fica muito ligado a seus cavalos. Às vezes acredito que ele pensa que eles são apenas a título de empréstimo para nós. De certa forma, acho que são — acrescentou.
Ela foi para a janela e olhou para fora. O pequeno homem estava de pé perto de Bumper, com o rosto quase tocando o do cavalo. Ela viu os lábios dele se movendo ao formar palavras, e instintivamente se moveu para a porta, mas Will a parou.
— Deixe-os — ele falou — você deixaria ambos embaraçados se eles soubessem que você estava assistindo.
Ela concordou, achando que Will estava certo, e voltou para seu lugar na mesa. Will tinha lavado os pratos, e Maddie pegou uma pequena toalha para secá-los, empilhando-os ao lado. Poucos minutos depois, Bob retornou à cabana, seu sorriso de volta.
— Apenas dando instruções de última hora para o garoto — ele falou — queria ter a certeza de que ele não a derrubaria de novo – você não merece.
Eles se despediram de Jovem Bob, então foram ao encontro de seus cavalos, que esperavam. Eles montaram e seguiram para a estrada, com Maddie levando Dançarino do Sol pela rédea. O Arridi pareceu contente em apenas segui-los, pareceu não perceber a afeição de Maddie pelo pequeno cavalo malhado preto e branco. Mas então, ele e Maddie nunca tiveram um relacionamento próximo como o que ela estava desenvolvendo com Bumper. Ela montou alegremente com eles pela estrada, exaltando as muitas virtudes de seu novo cavalo.
 Durante esses momentos, Will respondeu apenas com grunhidos monossilábicos, mas ela pareceu não notar seu pouco entusiasmo pelo cavalo dela e suas fantásticas habilidades.
— Ele é tão leve em seu passo! — ela exclamou. — Mal se percebe que ele toca o chão enquanto galopa. E a velocidade! Bom, eu nunca vi um cavalo correr tão rápido quanto ele. Ele é realmente incrível! Uma vez, nós nos deparamos com uma vala antes que eu percebesse que ela estava ali, e Bumper simplesmente se preparou e praticamente voou sobre ela! Honestamente, foi como voar. Num minuto estávamos trotando, no outro pulamos por cima dela.
Puxão virou a cabeça para olhar para Will. Will deu de ombros. Puxão soltou um pum. Mas Meddie nem percebeu. Ou se percebeu, não entendeu o ruído grosseiro de Puxão como uma crítica.
— E então Bob me mostrou como fazê-lo pisar mais forte, de modo que um perseguidor não perceberia que ele está sem cavaleiro. Você sabia que eles faziam isso?
— Lembro de ouvir sobre isso há muitos anos — Will respondeu secamente.
Ele sentiu que Puxão estava prestes a fazer outro som desagradável e cutucou-o fortemente com a mão para detê-lo. Puxão sacudiu a crina.
— Sim, então, eles podem fazer isso. E ele me mostrou esse truque e muitos outros. Bumper realmente é bastante maravilhoso!
Melhor cavalo que já viveu.
Will apertou Puxão levemente com as coxas para mostrar-lhe que ele escutara. Imaginou que Maddie acharia estranho se ele começasse uma conversa com seu cavalo. O que tornou a pergunta seguinte de Maddie ainda mais estranha.
— Will — ela começou — posso te fazer uma pergunta?
— Você já fez — ele responde, e sentiu um instante de nostalgia.
Quantas vezes esse diálogo tinha acontecido entre ele mesmo e Halt, ele se perguntou. Ele ficou satisfeito ao ver que Maddie ficava tão perdida com a resposta quanto ele costumava ficar.
— O quê? Oh... é. Sim, suponho que sim. Mas de qualquer maneira, posso te fazer outra... — ela parou a tempo antes que ele pudesse lhe dar a mesma resposta. Ela parou, então recomeçou, escolhendo as palavras deliberadamente: — Eu gostaria de fazer uma pergunta, se você não se importar.
Will assentiu.
— Siga em frente.
— Bom... é só que... quer dizer... isso vai soar um pouco estranho, eu acho...
— Eu não ficaria muito surpreso com isso.
Ela olhou para ele. Queria desesperadamente fazer sua pergunta, mas temia fazer-se de boba. Will gesticulou para que ela continuasse. Ela tomou uma respiração.
— Quero dizer... você costuma sentir que seu cavalo conversa com você?
Isso o fez sentar-se ereto na sela. Ele nunca tinha discutido a comunicação que experimentava com Puxão. Suspeitou por muito tempo que Halt e Abelard tivessem um vínculo similar. Mas, aparentemente, Maddie já tinha sentido isso com Bumper.
Talvez nós estivéssemos certos em selecioná-la para a Corporação, ele pensou. No entanto, respondeu:
— Um cavalo? Conversando? Você está falando sério?
Maddie ficou muito vermelha e falou apressadamente:
— Não. Não. Foi apenas uma ideia estranha, suponho. Esqueça que mencionei isso.
Ele concordou. Mas não esqueceu. O comentário ficou com ele durante toda a noite.

3 comentários:

  1. Will sendo malvado!!kkkkkk

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  2. Que chato, por que ele não disse que os cavalos se comunica com os arqueiros!
    Ass: Bina.

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  3. Estou amando Will como mestre. KKKK é divertido quando comparamos ele como aprendiz de Halt.

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Boa leitura :)