8 de fevereiro de 2017

Capítulo 20

— Bem, eu vou selá-lo para você — Jovem Bob disse a ela. — Suponho que queira usar a sua própria sela?
Ela assentiu com a cabeça enquanto descia das costas de Dançarino do Sol. A sela era um item muito pessoal. Ela estava acostumada com aquela e estava confortável nela.
— Sim, por favor.
Jovem Bob começou a se mover em direção a Dançarino do Sol, mas Will levantou a mão para detê-lo.
— Penso que Maddie pode tirar a sela de seu próprio cavalo — disse ele. — Essa pode ser uma mania que pode continuar, e não temos nenhuma mão estável para nos ajudar na cabana.
Maddie não se importava de selar e domar o cavalo. Ela fazia isso há vários anos. Jovem Bob pulou para longe da cerca e pegou uma corda com laço. Ele colocou-a sobre o pescoço de Dançarino do Sol enquanto Maddie retirava o freio do arridi.
— Bom cavalo — disse ele, olhando com aprovação para os traços de Dançarino do Sol. — Tem uma boa revolução de velocidade, esses arridis, e uma bela natureza também. Pena que ele seja castrado.
Maddie colocou as rédeas sobre a cabeça de Bumper. O pequeno cavalo na verdade baixou a cabeça para que ela pudesse fazê-lo. Ela parou e olhou com curiosidade para Jovem Bob.
— Por que isso? — ela perguntou.
— Teria gostado de pegá-lo emprestado por um ano ou algo assim. Usá-lo em nosso programa de criação.
— Ele tem as pernas um pouco finas para um cavalo de arqueiro, não é? — Will perguntou.
No decorrer de sua carreira, ele tinha derrubado muitos cavaleiros armados pela simples razão de ter Puxão indo de cabeça em seus cavalos. As pernas dos arridi eram frágeis demais para esse tipo de comportamento, ele pensou.
Bob coçou o nariz, pensativo.
— Mas mesmo assim, poderíamos utilizar a velocidade. Crie com algo um pouco mais pesado e você poderá obter velocidade e uma boa construção sólida também.
Maddie colocara o freio e o arreio agora. Bumper abriu e fechou a boca, mastigando até que encontrou uma posição confortável. Maddie rapidamente soltou a sela.
O malhado empurrou seu pescoço para a frente para estudar a sela. Ela sentiu sua respiração quente em suas mãos quando ele cheirou e bufou, as narinas distendendo para então contrair enquanto ele respirava regularmente.
Depois de alguns segundos, ele endireitou-se de novo e balançou a cabeça várias vezes, como se estivesse dando-lhe a sua aprovação.
Virou-se, em seguida, pegou o cobertor de sela de Dançarino do Sol de volta. Mais uma vez, ela permitiu que Bumper o estudasse, tendo certeza de que ele deu a sua aprovação. Então ela estendeu sobre suas costas, arrumou-o de forma suave e uniforme, sem rugas. Ela abaixou-se, e com um leve grunhido de esforço, ergueu a sela para o dorso do cavalo. Bumper virou a cabeça para ela com curiosidade.
Ela sorriu para ele.
— Tudo bem? — Ela perguntou, e ele sacudiu a crina várias vezes.
Ela abaixou para pegar a cinta da barriga que estava pendurada, então, empurrando a tampa da sela e estribo para expor o final da fivela, passou a tira através da fivela e apertou-a.
Ela puxou-a mais um ponto para que a sela estivesse bem encaixada nas costas do cavalo. Fez uma pausa, observando Bumper para ver se ele ia soltar qualquer respiração reprimida – vira o pequeno truque de Puxão quando Will o selava ao longo das últimas semanas. Mas Bumper não tinha essa malícia. Ela acariciou seu pescoço com aprovação e ele olhou para ela novamente, movendo a cabeça para cima e para baixo. Por um momento, ela podia jurar que ele estava tentando falar com ela. Ela abanou a cabeça, descartando o pensamento.
Maddie puxou a aba lateral e o estribo de volta para baixo, para a posição certa, e olhou para os dois homens que a assistiam. Havia alguma coisa... uma expectativa na maneira que eles observavam. Ela olhou de um para o outro. Tinha a sensação de que eles sabiam de algo que ela desconhecia.
— Antes de montar... — Jovem Bob começou, mas foi rapidamente cortado.
— Existe alguma coisa que você queira perguntar? Você sabe tudo o que precisa?
Um olhar se passou entre os dois. Ela inclinou a cabeça para um lado e sorriu. O sorriso era um pouco arrogante.
— Já montei um cavalo antes, você sabe.
Will assentiu.
— Então você sabe.
— E ele parece muito calmo e tranquilo — ela falou.
Will franziu os lábios, pensativo.
— Calmo é preciso. Eu não tenho certeza de que tranquilo seja a escolha correta da palavra.
Ela sorriu com indulgência, olhando para Bumper, parado como uma rocha, sem a habitual inquietação que os cavalos muitas vezes têm quando acabam de ser selados.
— Oh, eu acho que é bastante precisa — ela falou, confiante.
Will fez um gesto amplo com a mão direita.
— Então, se você está certa, vá em frente.
Ela olhou para Jovem Bob, que deu de ombros. Ela tomou as rédeas na mão esquerda e virou o estribo para que pudesse colocar o pé esquerdo nela. Ao fazê-lo, Bumper voltou a estudá-la. Ali estava uma expectativa em sua expressão, ela pensou.
Em seguida, balançou a cabeça. Cavalos não têm expressões, disse para si mesma.
Ela saltou uma vez com o pé direito no chão. Observou que Bumper ficou perfeitamente imóvel para ela. Muitas vezes um cavalo tentava andar para longe quando o cavaleiro tentava montar. Ela balançou a cabeça para ele.
— Bom garoto — ela falou, e subiu facilmente na sela.
Foi então que o inferno se libertou.
Bumper pareceu pular do chão com todas as quatro patas, arqueando as costas e deixando-a sem equilíbrio. Então ele desceu com força, rangendo os dentes e prontamente colocando a cabeça para baixo, erguendo o traseiro para o ar.
Maddie era uma boa amazona, mas nunca tinha sentido isso num cavalo antes. Além disso, ela ainda não tinha se assentado firmemente e sentiu-se escorregar para a direita.
Bumper explodiu de novo em outro daqueles pulos de primavera. Mas desta vez ele foi para a esquerda, na direção contrária a que ela caía. Madie percebeu que nunca iria sentar direito e chutou o pé esquerdo livre do estribo. Estava muito óbvio que ela iria cair. Bumper começou a se erguer sobre as pernas traseiras. Ela se inclinou para frente para compensar e percebeu, tarde demais, que ele estava blefando.
Sua cabeça baixou novamente e seu traseiro se ergueu, atirando-a no ar como um equino-catapulta-gigante. Ela sentiu deixar a sela, voando para além do cavalo. Ela se torceu no ar, na esperança de conseguir cair de alguma forma de pé. E ela quase o fez. Mas estava muito fora de equilíbrio para aguentar completamente e caiu de joelhos na areia.
Gemendo, ela estava deitada no pó, tentando desesperadamente trazes o ar de volta a seus pulmões temporariamente vazios. Ela abriu os olhos e descobriu Bumper a olhando de cima, uma expressão interrogativa no rosto. Ele bufou baixinho, soprando ar quente sobre o rosto dela. Era quase como se estivesse verificando se ela estava bem.
Ela rolou para o lado dele e ficou de joelhos, procurando em torno do cercado do celeiro. Jovem Bob e Will estavam olhando para ela com várias expressões. Dançarino do Sol estava alarmado. Puxão parecia estar sorrindo calmamente.
Maddie se levantou, um pouco trêmula, e olhou para eles.
— Você sabia que ia acontecer — ela falou em tom acusador.
Will considerou a declaração durante um segundo mais ou menos. Em seguida, assentiu.
— Bem, sim, como uma questão de fato — confirmou ele.
Ele esperou até que Maddie tivesse batido um pouco da poeira de suas roupas, em seguida, continuou.
— É que você talvez tenha sido um pouco... condescendente sobre os nossos cavalos. Pensei que poderia ser útil se você visse que eles não são todos sólidos, calmos e tranquilos. Que eles têm certa quantidade de fogo neles.
Ela esfregou as costas dolorosamente.
— Você tem esse direito — disse ela.
Ela olhou para Bumper, que se aproximou dela e esbarrou suavemente com sua testa. Não havia nenhum sinal de maldade ou comportamento contrário em seus olhos. Eles eram grandes e escuros, brilhantes e amigáveis.
— Por que você fez isso? — Ela perguntou a ele.
— Porque ele foi treinado dessa maneira — Jovem Bob explicou.
 Ela o fitou, incrédula.
— Você o treinou para mim, sempre que eu montá-lo, ele...?
Ela não podia ver muito futuro em ter um cavalo que se comportava dessa maneira.
Mas o Jovem Bob estava balançando a cabeça.
 — Ele foi treinado para não aceitar ninguém que não tenha dito a frase de permissão.
Ela franziu o cenho e Will explicou.
— Todos os nossos cavalos têm uma frase código. Se você usá-la quando conhecer um cavalo de arqueiro, ele vai permitir que você monte nele sem problemas. Caso não faça isso, ele vai sacudir como o próprio Gorlog até derrubá-la. O que, no seu caso, não levou muito tempo.
— Gorlog? — Perguntou ela. — Quem é Gorlog?
— Um deus escandinavo muito útil — ele respondeu.
Mas ela ainda estava absorvendo o resto do que ele disse.
— Então cavalos de arqueiro tem algum código secreto? Nunca ouvi falar de uma coisa tão estranha.
— Você nunca ouviu falar de alguém que roubou um cavalo de arqueiro, também — Jovem Bob riu de prazer.
— O que veio a ser útil várias vezes em minha vida — Will apontou.
Mais uma vez, Maddie franziu o cenho, sem acreditar muito neles. Tudo parecia rebuscado demais.
 — Então eu tenho que dizer essa... frase de permissão... sempre que eu montar nele?
Jovem Bob balançou a cabeça.
— Só pela primeira vez. Depois disso, ele irá reconhecê-la.
— Então, o que tenho que dizer? — Ela abordou Will, mas ele apontou para Jovem Bob.
— É diferente para cada cavalo — Will respondeu. — Você pode muito bem saber que para Puxão é “Tudo bem?”. Pode chegar um momento em que você terá que montá-lo, por isso vale a pena você saber.
Maddie olhou para Jovem Bob agora. Ela ainda não tinha certeza se acreditava em tudo isso.
— E então?
Jovem Bob franziu o cenho, pensativo por um segundo ou dois, então respondeu:
— Com Bumper, você diz “Não me arrebente”.
Seus olhos se arregalaram em descrença.
— Não me arrebente? — Ela repetiu.
Will e Jovem Bob responderam em coro triunfante:
— Não para nós! Fala para o cavalo!
— Você pode sussurrar em seu ouvido pouco antes de montar — Will acrescentou.
Ela lembrou agora que quando fora para montar Bumper antes, ele se virara para ela como se esperasse alguma coisa. Talvez, ela pensou, apenas talvez, eles estivessem dizendo a verdade.
Ela se aproximou do malhado novamente, cruzando as rédeas e colocando-os no punho da sela. Ela parou por um segundo ou dois e, com certeza, Bumper virou a cabeça para ela. Ela inclinou-se na ponta dos pés e sussurrou em seu ouvido.
— Não me arrebente.
Bumper acenou com a cabeça, como se estivesse satisfeito. Antes que ela pudesse mudar de ideia, colocou o pé esquerdo no estribo e montou na sela.
Ela ficou tensa, esperando, temendo o pior. Cinco segundos se passaram.
Em seguida, dez. Bumper era tão sólido e imóvel como um cavalo de madeira. Aos poucos, ela percebeu que tinham dito a verdade.
Algum dia, prometeu a si mesma, retribuiria a ação.
O que ela tinha visto – ou pensava que tinha visto – e o que ela estava experimentando eram dois assuntos completamente diferentes. Jovem Bob passou por ela enquanto ela circulava o cercado e abriu o portão, abrindo caminho para os campos abertos além.
— Leve-o para uma corrida — disse ele.
Ela instou o cavalinho pelo portão e tocou-lhe os calcanhares nas laterais novamente, soltando a tensão nas rédeas.
A resposta foi surpreendente. Bumper acelerou como uma flecha partindo de um arco, tão depressa que ela quase foi deixada para trás. Mas ele sentiu sua perda momentânea de equilíbrio e diminuiu a velocidade, permitindo-lhe recuperar o seu assento. Então, ele estava fora de novo, o pescoço esticado, as pernas atingindo grandes passos delimitadores.
A velocidade era incrível. Ela nunca tinha andado tão rápido em sua vida.
Você não esperava por isso, não é?
— Não, eu não... — respondeu ela, chocada ao descobrir que estava falando com seu cavalo – e, ainda mais surpreendente, o cavalo parecia falar com ela.
Do cercado, Will e Jovem Bob observaram cavalo e amazona desaparecendo mais e mais à distância.
— Você fez bem, Bob — Will disse a ele.
Jovem Bob estava protegendo os olhos contra o brilho do sol, observando Maddie e Bumper correndo.
— Ela é uma boa amazona. Tem uma postura equilibrada e mãos boas e suaves. Você diria que ela é uma arridi.
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, observando cavalo e cavaleiro, ouvindo a batida fraca dos cascos de Bumper na grama.
Então, em um tom casual simulado que não enganou Jovem Bob nem por um segundo, Will perguntou:
— Suponho que Belerofonte está por aqui, certo?
Jovem Bob gargalhou com prazer.
— Imaginei quanto tempo você levaria para perguntar! Ele está no estábulo.

5 comentários:

  1. Kkk, nunca mim canso desses cavalos de arqueiro.

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  2. A telepatia começa no momento que eles falam a frase secreta!! rsrs Acho que é algo que os Bobs fazem. >w< eles que são os feiticeiros.
    -Aydan Natsume

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  3. Gostei kkkkkkkkkkk, até ela fala com os cavalos. O nome do livro deveria ser Arqueiros e seus cavalos falantes!
    ass: Bina.

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  4. Kkkkkkkk amo os cavalos de arqueiros. O Belerofonte ♥
    Ass: Lua

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  5. kkkk, essa e a parte "estranha" de rangers. os caras ficam tomando bebidas a base de ervas e cafeína o dia todo, e depois começam a conversar com cavalos e a conhecer velhinhos centenários...

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Boa leitura :)