8 de fevereiro de 2017

Capítulo 19

— A coisa é — Will falou — precisamos de qualidades particulares em um cavalo.
Passaram-se três dias desde que retornaram do vau. Dançarino do Sol levara a pior da experiência. Puxão, é claro, meramente ligou para a longa viagem, como parte integrante de sua vida. Hoje eles estavam montando lado a lado, embora Will ainda não tivesse dito onde eles estavam indo. Maddie poderia estar imaginado, mas ela pensava que Dançarino do Sol estava mostrando um novo nível de deferência para com o desgrenhado cinza de Will.
— Que tipo de qualidades?
— Velocidade, é claro — respondeu Will. — E seu arridi tem isso. Em curto prazo, ele é, possivelmente, mais rápido que Puxão.
Puxão sacudiu a crina e bufou. Will sorriu e se inclinou para frente, acariciando seu pescoço.
— Eu diria que ele é definitivamente mais rápido — Maddie apontou. — Afinal de contas, ele simplesmente galopou para longe de vocês dois no outro dia. Você viu.
— Sim. Eu vi — Will respondeu uniformemente. — Mas Puxão não estava se esforçando então. Ele estava trotando para conservar sua força.
— Então, quão rápido ele pode correr? — Ela desafiou, virando de lado na sela para estudar o cavalinho. Como antes, ela pensou que ele era uma visão bastante inexpressiva.
Para sua surpresa, Will deu de ombros.
— Eu não sei.
Ela olhou para ele com ceticismo.
— Você nunca o viu correr? — Ela perguntou.
 Ele balançou a cabeça.
— Eu o vi correr muitas vezes. E a cada vez, ele correu o mais rápido, como ele tinha que fazer. Mas eu não tenho ideia se isso era o mais rápido que ele podia ir. Na verdade, eu duvido.
Maddie franziu a testa, incerta. Ela não tinha certeza de que o entendia.
Conte a ela sobre Tempestade de Areia.
 Will considerou a sugestão de Puxão, e depois assentiu.
— Alguns anos atrás, estávamos no deserto arridi — ele começou.
Maddie assentiu ansiosamente.
— Sim. Foi quando minha mãe foi resgatar o oberjarl escandinavo?
Ela tinha ouvido referências vagas desse evento, mas nem a mãe nem o pai preencheram qualquer um dos detalhes. Agora, ela sentiu que estava prestes a aprender mais sobre essa aventura, e então endireitou-se de modo que esse vê-lo enquanto ele continuava.
— Precisamente. Em qualquer caso, numa situação, eu tive que competir com Puxão em uma corrida contra um garanhão arridi chamado Tempestade de Areia. Ele era um verdadeiro campeão, o melhor no rebanho bedullin.
— Bedullin? — Ela repetiu hesitante. Ela não estava familiarizada com esta palavra.
— Os Bedullin são uma tribo nômade arridi. Grandes cavaleiros e criadores de cavalos maravilhosos. Um dos seus jovens rapazes tomou posse de Puxão.
Na verdade, é claro, o ocorrido acontecera ao antecessor do atual Puxão, que estava envolvido na corrida, mas Will não queria entrar nesse tópico, ou em sua crença de que o personagem de seu cavalo transferiu-se de uma encarnação para a próxima. Ele não tinha certeza de que poderia explicar corretamente se tentasse.
— Fôramos separados por uma tempestade de areia. O jovem bedullin encontrou Puxão no deserto e clamou por ele — afirmou ele.
Maddie olhou para o pequeno cavalo.
— Por quê? — Ela perguntou, pouco diplomática.
Will olhou a encarou por alguns segundos, depois balançou a cabeça. Quando ele falou, havia um toque de irritação em sua voz.
— Porque eles são grandes juízes em matéria de cavalo — respondeu asperamente. — Eles olham para além do óbvio.
E eu tenho uma grande beleza interior.
Distraidamente, Will deu outro tapinha no pescoço de Puxão.
— De qualquer forma — continuou ele — Tempestade de Areia foi a escolha de seu rebanho. Ele era a montaria pessoal do líder. Eu os convenci de que, se Puxão pudesse vencê-lo em uma corrida, eu ficaria Puxão.
— Por que eles apenas não ficaram com Puxão de qualquer maneira? Por que eles têm que fazer uma corrida?
— O jovem em questão estava tendo um pouco de dificuldade para montar e eu concordei em ajudá-lo caso ele vencesse a corrida.
Ela bufou com desdém.
— Não devia ter muito de cavaleiro — ela observou. — O que há de tão difícil para montar nele?
Ele estava prestes a responder, então parou. Sentiu um súbito impulso perverso. Maddie estava tão segura de si mesma, rápida para denegrir Puxão.
— Eu te contarei mais tarde. De qualquer forma, Tempestade de Areia decolou como uma flecha para fora de um arco. Puxão saiu atrás dele, mas ao longo dos primeiros cinquenta metros, Tempestade de Areia mantinha-se muito a frente.
— Bem, é claro que ele o fez — disse ela, confortável em sua própria certeza.
— A coisa é, eu estava confiante de que Puxão iria durar mais que Tempestade de Areia. Nossos cavalos de arqueiro são criados para ter uma enorme resistência e tive a certeza de que a corrida era de uma grande distância, não apenas uma corrida de velocidade. E na segunda parte da corrida, Puxão começo a ganhar terreno. Nós gradualmente emparelhamos, e estávamos correndo cabeça a cabeça, com apenas trezentos metros para a chegada.
Will olhava para a paisagem à frente, mas em sua mente, enxergava a pista de corrida no deserto mais uma vez, voltando por sobre os muitos anos que se passaram.
— Puxão corria mais rápido do que eu já o tinha visto correr. Mas Tempestade de Areia era um grande cavalo. Começou a nos ultrapassar. Nós o acompanhamos por um metro ou mais. Então ele nos pegou e passou a frente na curva de volta.
Ele fez uma pausa, lembrando-se.
Os olhos de Maddie se iluminaram com a emoção da história.
— O que aconteceu?
— Bem, Puxão meio que assumiu. De repente, ele acelerou na frente do outro cavalo, deixando-o para trás. Mas Tempestade de Areia recuperou a diferença mais uma vez, e quando ele deu seu arranque final, senti Puxão vacilar em seu passo.
— Você o forçou mais do que deveria — disse ela, lembrando-se de como ela tinha feito o mesmo com Dançarino do Sol três dias antes.
Em seguida, ela franziu a testa. Puxão estava aqui com eles. Então, obviamente eles não tinham perdido a corrida.
— Foi o que pensei. Esse leve vacilo foi o suficiente para fazer Tempestade de Areia dar tudo o que tinha. Ele se afastou novamente, correndo como o vento. Então ele se cansou, e Puxão de repente se recuperou e passou acelerado por ele. Eu não tinha ideia de como Puxão podia se mover tão rápido como ele fez. Mas ainda mais surpreendente, ele enganara o outro cavalo, forçando-o a usar sua reserva de energia. Aquela pausa em seu passo tinha sido intencional, incitando Tempestade de Areia a fazer um grande esforço.
Will sorriu para seu cavalo e inclinou-se para acariciá-lo entre as orelhas.
— A coisa é, precisamos de cavalos que combinem a resistência e a velocidade. Um cavalo de arqueiro pode mover-se incrivelmente rápido, como você verá mais tarde. Mas ele também pode manter-se constante no galope como você viu antes hora após hora, com apenas um pequeno descanso. Nós precisamos disso. Nós viajamos sozinhos. Se estivermos sempre em um local apertado, precisamos saber que nossos cavalos podem durar mais que os cavalos de nossos inimigos – mesmo que tenham remonta disponíveis para eles. Nós temos apenas um cavalo. Precisamos ser capazes de confiar nele. Nossos cavalos têm que ser inteligentes e astutos. E rápidos também. E capazes de trabalhar todos os dias sem pausa. Essa é a forma como eles são criados. Nossos criadores de cavalos os criam dessa forma para as gerações seguintes.
— Então para onde vamos agora? — Perguntou ela, embora imaginasse que já sabia. As palavras de Will confirmaram suas suspeitas.
— Nós vamos ver o Jovem Bob. Ele é o nosso criador de cavalos sênior. E tem o seu cavalo de arqueiro pronto para você.


O Jovem Bob foi uma espécie de revelação. Ele caminhou para fora de sua cabana a fim de cumprimentá-los.
Sua pele era bronzeada por anos de exposição ao sol e ao vento. Ele era quase completamente careca, com apenas alguns tufos de cabelo branco fino de cada lado da cabeça. Quando ele sorriu, Maddie viu que ele tinha poucos dentes à esquerda, e seu rosto era enrugado e vincado com a idade. Ela não podia nem pensar em avaliar quantos anos ele poderia ter.
Apenas seus olhos eram jovens. Eles eram azuis, brilhantes e exigentes.
— Bom dia para você, arqueiro Will — disse Jovem Bob.
— Bom dia, Jovem Bob. Espero que esteja se mantendo bem — cumprimentou Will.
Jovem Bob assentiu várias vezes, enquanto considerava as palavras.
— Ah, sim. Não posso me queixar. Tenho essa dor agora e depois, é claro, minhas costas, por vezes me dão uma terrível pontada...  — Ele gargalhou.
Era um som estranho, de alta frequência, mas Maddie pensou que era apropriado, vindo a partir desta figura.
— Mas lá vou eu me queixando, não é? — Jovem Bob disse rindo, depois parou abruptamente e virou-se surpreendido. Seu olhar perspicaz estava sobre Maddie, a fez sentir que estava sendo avaliada.
— Nunca houve uma aprendiza antes — ele observou.
Ela assentiu com a cabeça.
— Eu sei.
— Então, como está indo? Você está gostando?
Ela hesitou. Já fazia algum tempo desde que ela tinha considerado a pergunta. Os dias tinham sido muito ocupados aprendendo novas habilidades, aperfeiçoando sua pontaria e atirando, e ele se atrevia a perguntar se ela estava gostando.
— Sim. Estou — ela respondeu depois de uma pausa. Ela estava surpresa por querer dizer mesmo isso.
Jovem Bob inclinou a cabeça para um lado para estudá-la mais de perto.
Seu sorriso desapareceu quando ele olhou para ela, avaliando-a. Ele pareceu aprovar o que viu.
— Bom pra você. É uma grande oportunidade que lhe foi dada. Faça bom proveito disso.
— Eu pretendo — ela respondeu, consciente do olhar de Will avaliando-a.
Consciente, também, que ela quis dizer o que disse. Ela planejara aproveitar ao máximo esta oportunidade e sentiu outra rápida sensação de surpresa quando percebeu isso.
E de repente, aquele sorriso dividiu o rosto enrugado do Jovem Bob.
— É claro, ela não pode ser uma Arqueira sem um cavalo de arqueiro, pode, arqueiro Will?
— Isso é o que eu venho dizendo.
— Então é melhor eu buscar um para ela.
O Jovem Bob virou-se, mancando rapidamente para um grande edifício sólido que ficava atrás de sua cabana.
Quando julgou que ele estava bem fora do alcance da voz, Maddie se inclinou na sela e sussurrou para Will:
— Por que você o chama de Jovem Bob? Ele é positivamente um ancião.
Tarde demais, ele ergueu a mão para pará-la. Mas o Jovem Bob virou-se para enfrentá-los, rindo mais uma vez.
— Porque meu pai é o Velho Bob – e ele é ainda mais ancião que eu.
Ele virou-se novamente, retomando aquela estranha marcha meio saltitada em direção aos estábulos. Ele tinha andando mais cinco metros quando olhou por cima do ombro para ela.
— E ele é o único surdo. Eu não.
Maddie olhou para Will, as mãos erguidas com a palma para cima, em um gesto impotente. Ele deu de ombros. A figura encurvada desapareceu no edifício estável. Alguns segundos depois, eles ouviram um relincho de cavalo de dentro do grande edifício.
Puxão respondeu instantaneamente. As orelhas de Dançarino do Sol levantaram e ele olhou em volta. Ele estava um pouco inseguro naquele ambiente.
Puxão, pelo contrário, parecia perfeitamente em casa. Jovem Bob saiu para a luz do sol da manhã puxando um cavalo atrás de si. Apesar de suas dúvidas quanto aos cavalos dos arqueiros, Maddie inclinou-se com expectativa. Esta seria sua montaria, depois de tudo.
Como Puxão, ele era atarracado e tinha corpo de barril, e as pernas meio curtas. Sua crina e cauda eram longas e o pelo da lateral era todo desgrenhado. Mas ele tinha sido escovado até o pelo brilhar. E ela sentiu um nó em sua garganta quando viu que ele era um animal malhado – marcado com padrões irregulares de branco e preto. Ela sempre gostou de malhados.
Jovem Bob conduziu o cavalo até eles. Puxão relinchou novamente e avançou para acariciar o outro cavalo. Dançarino do Sol pisou nervosamente, recuando alguns passos.
— Este aqui é o Bumper — Jovem Bob disse.
— Bumper? — Perguntou Maddie.
O criador de cavalos riu novamente, dando tapinhas carinhosos no cavalo.
— Ele tem esse nome porque quando era um potro, gostava de chocar-se com as coisas. Você sabe, bumperpara-choque... Ele não faz muito isso agora.
Como se pegando a deixa, o malhado empurrou-a com o nariz, fazendo-a cambalear alguns passos.
— Bem, na maior parte do tempo, de qualquer maneira — ele admitiu.
Maddie estava estudando o cavalo, discernindo os poderosos músculos escondidos sob o pelo bem escovado. Bumper olhou para ela e ela viu a inteligência e empatia em seus olhos. Sentiu uma onda repentina de propriedade – não, ela pensou, era mais como amizade.
— O que você acha dele? — Will perguntou, com os olhos na direção de sua jovem aprendiza.
E pela terceira vez em dez minutos, Maddie se viu um pouco surpresa com sua resposta.
— Ele é lindo — ela falou em voz baixa.

8 comentários:

  1. Então Puxão morreu?

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  2. Nao. Os cavalos de arqueiros sao trocados a cada 15 anos, mas o nome eh o msm. E tudo fica como antes como se nada tivesse acontecido. Eh um segredo dos arqueiros

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  3. To louca pra ver ela conversando com o Bumper.

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  4. Já eu do louca pra ver se o Will vai contar para ela que tem uma senha para montar no cavalo ou vai deixar ela descobri por conta própria! Se bem que por conta própria é mais doloroso! kkkkkkkkkkk
    Ass: Bina.

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    1. Ela com toda a certeza vai descobrir por conta propria!

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  5. Tava torcendo pro cavalo ser fêmea, já pensou puxão com uma namorada? Seria Topper

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Boa leitura :)