8 de fevereiro de 2017

Capítulo 12

Uma vez os cavalos foram acomodados no estábulo, Will mostrou a Madelyn o pequeno quarto que seria dela. Relembrando seu próprio primeiro dia, ele tinha colocado um vaso de flores brilhantes no quarto, assim como Halt tinha feito por ele, tantos anos antes. Mas levaria mais do que um ramo de flores ajudar Maddie a recuperar-se do estado de choque e mágoa que houvera em sua chegada.
Ela entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. Em sua época não era nada mais que uma cortina, mas ele decidira que Madelyn poderia precisar de uma forma mais substancial de privacidade enquanto estava com ele, então Will pediu aos carpinteiros de Redmont que fizessem uma porta antes de sua chegada.
Ele olhou para a porta fechada, se perguntando se a chamava para a sala. Decidiu que ela tinha tido surpresas o bastante por um dia e deixaria que ela tivesse algumas horas para meditar sobre as coisas.
Ele preparou o jantar – um guisado de frango salgado e batata – e quando a escuridão caiu, ele acendeu as lanternas na sala principal da cabana e preparou uma fogueira.
As luzes quentes e amareladas das lanternas e das chamas bruxuleantes do fogo lançaram uma aura alegre ao redor da sala. Quando sentiu que havia passado tempo suficiente para meditar, ele bateu suavemente na porta.
— Maddie — ele chamou. — Jantar.
Em seu quarto, a fome competiu contra o orgulho e seu sentimento ferido. Depois de vários minutos, a fome venceu e a porta se abriu. Ela surgiu com toda a dignidade que conseguiu reunir, tomando seu lugar à mesa enquanto ele a servia.
Ela comeu avidamente, notando com surpresa como a refeição estava deliciosa. Ela não tinha ideia de que Wil cozinhava tão bem. Mas o clima entre eles ainda era tenso, e sua conversa era limitada a necessidades – como o pedido ocasional de sal ou pão para ser provado. Quando ela terminou, ela se levantou da mesa.
— Eu vou para o meu quarto — ela falou. Por um momento, ela considerara pedir permissão, mas teimosamente descartou a ideia.
Will encontrou seu olhar, vendo que a raiva ainda estava lá. Dê-lhe tempo, pensou ele, e acenou com a cabeça concordando.
— Boa ideia. Amanhã será um grande dia.


Maddie ficou bem acordada sobre a pequena cama durante horas, ouvindo os sons da noite da floresta ao seu redor, lutando contra as lágrimas que ameaçavam rolar. Foi tudo tão diferente do que ela havia pensado que seria. Will – o Tio Will que ela amara por tantos anos – estava sendo sombrio e distante. Sua desaprovação era óbvia.
Mas por que, ela perguntou-se. O que ela tinha feito de errado?
Na verdade, embora ela mesma não estivesse ciente disso, a arrogância e petulância de Madelyn resultavam de um sentimento de inferioridade e falta de autoestima.
Seus pais eram reconhecidos em todo o Reino. Horace, seu pai, era o cavaleiro mais habilidoso de Araluen, temido pelos inimigos e respeitado pelos amigos. Ele era uma figura maior que a vida, um verdadeiro herói.
E sua mãe não era menos. Ela era uma princesa, é claro, e estava atualmente no poder do Reino no lugar de seu pai. Mas ela também tinha ganhado a aprovação e o respeito de seus súditos. Sua vida tinha sido cheia de aventuras e conquistas.
Contra isso, o que Maddie tinha feito? O que ela poderia esperar realizar? Quanto mais ela media-se contra seus famosos pais, mais ela se encontrava ausente.
Lágrimas ameaçaram vir mais uma vez, mas ela arqueou seus olhos furiosamente, forçando-os para trás e recusando-se a deixar as lágrimas caírem.
Eu não vou chorar, disse furiosamente, e, eventualmente, com esse pensamento em primeiro plano em sua mente, ela caiu em um sono inquieto.
Ela acordou ao som baixo de Will mexendo em potes e panelas na cozinha. Por um momento, ela não tinha ideia de onde estava e olhou ao redor do pequeno quarto, tentando se lembrar. Pela primeira vez, ela notou o ramalhete brilhante de flores no peitoril da janela, e a toalha dobrada ao pé da sua cama. Pendurada em uma estaca na parte de trás da porta estava uma bata felpuda – um roupão, ela adivinhou.
Ela se levantou e abriu a porta. Will, que estava ocupado na pequena cozinha, ouviu-a e se virou.
— Dormiu bem? — Ele perguntou, e ela assentiu.
Ela olhou ao redor da pequena cabana, vendo seus detalhes pela primeira vez. Na noite anterior, ela estava chocada e confusa demais para perceber muita coisa. Agora ela viu que havia apenas uma grande sala central, com uma alcova para a cozinha e outro quarto além do dela. Will viu sua expressão perplexa.
— O banheiro fica nos fundos — disse ele. — Café da manhã em dez minutos.
Ela balançou a cabeça de novo, incerta quanto à forma de responder. Seu tom de voz e suas maneiras não eram tão sombrios como na noite anterior. Ela decidiu manter sua reação neutra. Voltou para o seu quarto, pegou a toalha e o roupão e então dirigiu-se à porta.
A cadela de Will estava esparramada ao sol matinal na varanda. Ela bateu a cauda em saudação e Maddie parou para coçar suas orelhas.
— Olá, menina. Qual o seu nome?
Sable, é claro, não respondeu. Mas ela esticou a cabeça para trás, os olhos fechados de prazer, para permitir que Maddie a acariciasse no queixo e na pele grossa em seu pescoço. Maddie deu-lhe um tapinha final e levantou-se. Ela olhou em volta, tendo em vista a pequena clareira. Era realmente um belo local, decidiu. O sol estava começando a mostrar-se sobre as copas das árvores, e o ar estava fresco com o cheiro do dia nascente.
Ela lavou-se sob um chuveiro rudimentar na casa no banheiro, tremendo com a água fria. Então enxugou-se rapidamente, vestiu o roupão e voltou para a cabana. De volta ao seu quarto, ela hesitou, perguntando-se o que deveria usar. Ela havia largado suas roupas no chão na noite anterior, mas, é claro, Rose-Jean não estava aqui para recolhê-las e dobrá-las, e separar as roupas limpas para o dia seguinte. Na verdade, as roupas dela estavam todas nas valises, que ainda estavam no estábulo.
Finalmente, ela decidiu que iria vestir a roupa que usara no dia anterior. Vestida, ela voltou para a sala principal.
Will olhou para cima, balançando a cabeça em uma acolhida. Ele colocou um prato sobre a mesa.
— Eu não sei como você gosta de seus ovos — disse ele. — Eu os fiz mexidos.
Ela torceu o nariz.
— Eu não gosto de ovos.
Will respirou fundo.
— Você não gosta de ovos — repetiu ele. Ela balançou a cabeça. — E bacon?
Ele olhou para o fogão, onde outra panela estava estalando alegremente na placa sobre as brasas.
Mais uma vez, ela balançou a cabeça. Pareceu-lhe ser um pequeno gesto espalhafatoso, mas ele segurou seu temperamento.
— Temos um presunto curado ao ar especial que é feito para nós por um açougueiro no Castelo Araluen — disse Maddie. — É tão leve e delicado. Ele simplesmente derrete em sua língua. Mas o bacon? — Ela estremeceu dramaticamente. — Eca!
— Bem, nós não temos qualquer presunto curado ao ar. Talvez mais tarde pudéssemos ir às compras à Vila Wensley e pegar algumas cotovias em vez disso? — Will sugeriu, o sarcasmo em seu tom.
Ela balançou a cabeça, ignorando-o.
— Eu gosto de frutas — ela falou.
Will soltou um pequeno suspiro de alívio.
— Fruta é bom — disse ele.
Ele selecionou uma maçã grande e brilhante de uma tigela no balcão da cozinha e colocou-a em um prato na frente dela. Maddie olhou para ele com incerteza.
— Maçãs não são frutas? — Will perguntou.
Maddie fez um pequeno gesto.
— Bem, geralmente, os criados a descascam e cortam em fatias para mim — ela comentou.
Houve um longo silêncio. Eles olharam um para o outro. Ela podia sentir que, mais uma vez, o tinha incomodado. De repente ele se moveu, tirando a maçã do prato e depositando-a na madeira áspera da mesa.
Houve um silvo de aço contra couro quando sua faca de caça saltou da bainha de sua lateral. Em seguida, ele a trouxe para baixo, e com um retumbante clang, cortou a maçã em duas metades, que oscilaram suavemente sobre a mesa.
— Considere-a em fatias — ele falou.


O café da manhã continuou em um silêncio tenso. Will, cedendo um pouco, fez um pouco de pão fresco, juntamente com manteiga e conservas feitas de framboesas. A conserva tinha sido um presente de Jenny e era a sua favorita. Ele se perguntou com ironia por que ele estava dando um pouco para Maddie.
Ela comeu com prazer, percebendo o quão faminta estava. Will, por sua vez, comeu os ovos mexidos e bacon que tinha preparado antes. Quando Maddie terminou seu pão e geleia, ele foi para trás dela pegar o fumegante bule de café sobre a placa do fogão. Café deixaria tudo certo, ele pensou. Ninguém poderia manter um mau humor quando eles tinham uma xícara de café doce e quente diante deles.
— Café? — ele perguntou, já começando a derramar um pouco do líquido perfumado em seu copo.
— Eu não bebo café — ela respondeu.
Will arqueou as sobrancelhas em surpresa.
— Por que não? Todo mundo bebe café.
— Eu não. Não gosto do sabor. Prefiro leite, se você tiver... por favor — ela acrescentou, após uma pausa.
Ele aceitou que a última palavra era uma grande concessão por parte dela. Havia um jarro de leite fresco resfriando com um pano úmido. Ele o pegou e serviu para ela, balançando a cabeça enquanto observava o líquido branco e cremoso enchendo seu copo.
— Como é que esperam que eu faça de você uma Arqueira? — ele murmurou.
Ela não tinha certeza de como deveria responder a isso. Sabiamente, ela permaneceu em silêncio. Mas o leite era bom, ela pensou.
Após o café da manhã, Will tomou um gole da segunda xícara de café. Talvez houvesse alguma vantagem sobre ela não gostar da bebida, ele pensou, se sempre sobrar café no pote para si. Maddie terminou seu leite e pegou todos as cascas e migalhas de pão de seu prato.
— Esse é um pão excelente — ela falou. — Você o fez também?
Ela não tinha certeza de quão longe suas habilidades culinárias iam. Mas ele sacudiu a cabeça.
— Há um padeiro em Wensley que traz todas as manhãs. Na verdade, no futuro, você pode ir buscá-lo e salvá-lo de uma viagem. Esse pode ser um dos seus deveres sem-a-criada.
Ela sentiu que ele a estava testando e se recusou a morder a isca. Ela simplesmente assentiu com a cabeça e ele continuou.
— Além disso, você vai fazer a sua cama e arrumar o seu quarto todas as manhãs antes do café.
Ele lançou um olhar significativo para seu quarto, onde os lençóis ainda estavam caídos e torcidos.
— Fazer minha cama? Eu não...
— Sim, você vai. Ou será que você pensa que a criada fará isso para você?
Ela fechou sua mandíbula com raiva.
— Bem, eu não vejo por que devemos viver como camponeses — disse ela. — Rose-Jean poderia facilmente vir aqui todos os dias e...
— Rose-Jean foi embora — ele a interrompeu.
Por um momento ela não compreendeu.
— Foi embora? Foi embora para onde?
— Voltou ao Castelo Araluen. Havia um grupo de mensageiros saindo mais cedo esta manhã e arranjei para ela ir com ele. Não poderíamos tê-la tropeçando por aí por conta própria, poderíamos?
— Mas... ela era a minha criada. Você não tinha o direito... — Ela parou, vendo a luz brilhar em seus olhos.
— Maddie, por favor, entenda, eu tenho todo o direito. Ela era sua criada quando você era a princesa. Agora você é uma aprendiza de arqueiro. E arqueiros não têm criadas domésticas. Acho que já mencionei isso.
Will sentiu uma torção cruel de diversão quando se lembrou de uma conversa semelhante com Halt em seus primeiros dias como aprendiz. Os aprendizes de arqueiro fazem todo o trabalho doméstico, ele se lembrou de Halt lhe dizendo.
— Além disso — ele acrescentou — você vai varrer esta cozinha todos os dias depois do café da manhã, e limpar a lareira. E toda sexta-feira, você pode levar o tapete para o lado de fora e bater a poeira.
Ela o encarou com os olhos semicerrados. Ele fingiu não perceber por alguns segundos, em seguida, ergueu as sobrancelhas em uma pergunta.
— Será que você tem algo a dizer? — perguntou ele.
Ela respondeu muito deliberadamente:
— Posso perguntar quem realizou estas tarefas antes de eu chegar?
Will assentiu, como se a pergunta fosse boa.
— Na verdade, fui eu — ele respondeu. — Posso ver agora porque Halt gostava de ter aprendizes. Eu deveria ter pegado um há muito tempo.
Ela não disse nada, apenas levantou-se e se dirigiu para o quarto dela, fazendo a cama em uma série de movimentos bruscos, irritada. Quando terminou, ela olhou ao redor da sala e viu que havia apenas uma pequena área com cortinas para o armazenamento de roupas. Não caberia um décimo das roupas que ela trouxera.
— Onde é que vou guardar as minhas roupas? — ela exigiu.
Will colocou a cabeça pela porta e fez um gesto para a pequena área com as cortinas.
— Isso deve servir — ele disse a ela.
Ela balançou a cabeça e deu uma risada oca.
— Aquele espaço pequeno não vai caber nenhuma das roupas que eu trouxe comigo.
Will acenou alegremente com a mão.
— Oh, não se preocupe com elas. Elas já estão em seu caminho de volta para o Castelo Araluen com Rose-Jean.

14 comentários:

  1. Kkkkk , estou amando Will :D
    Porem concordo com Madelyn café é ruim!

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    1. kkkk pois é! E é por essas e outras que é impossível para mim ser uma arqueira. Odeio café e tenho péssima pontaria

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    2. Até bebo café puro, mas prefiro com leite kkkkkkkk

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    3. Eu realmente posso ser um arqueiro... eu amo café e por causa dos livros dos arqueiros eu tomei café com mel em vez de açúcar e amei agora só tomo assim....

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    4. Eu poderia tomar chá é a mesma coisa !!!0.o

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    5. Sério? Que legal! Eu sempre quis peovar, mas não gosto nem de café, então...

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  2. Kkk Will cruel. Fruta descascada e cortada em fatias? Arqueira que não gosta de café? Onde esse mundo vai parar?

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  3. kkkkkkkk, Do amando essa versão do Will!
    Ass: Bina.

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  4. — Oh, não se preocupe com elas. Elas já estão em seu caminho de volta para o Castelo Araluen com Rose-Jean.
    KKKKKKKKKKK

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  5. Kkkkkkk Will está virando o Halt Kkkkkkkk.
    Ass: Lua

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  6. como alguem no mundo nao bebe café ?! incompreensivel :/

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  7. Halt virou will! estou amando a seriem da do do will tendo q atura a meddelyn e mais faze o q

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  8. Agora, sua mimada, voce vai usar uma capa de arqueiro.

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Boa leitura :)