17 de fevereiro de 2017

9. Rio acima

... uma sombra se lança sobre a mente quando uma nuvem envolve, em pleno meio-dia, o todo-poderoso Sol...
Emily Dickinson

— Deixe-me ver a faca — disse Iorek Byrnison. — Eu entendo de metal. Nada que seja feito de ferro ou aço é um mistério para um urso. Mas nunca vi uma faca como a sua e gostaria de poder examiná-la de perto.
Will e o urso rei estavam na coberta de proa do vapor, sob os raios quentes do sol que se punha, e a embarcação navegava rapidamente, fazendo progresso em sua rota rio acima, havia bastante combustível a bordo, havia comida que Will pudesse comer, e ele e Iorek Byrnison estavam, pela segunda vez, medindo e avaliando os méritos um do outro. Já haviam feito isso uma primeira vez.
Will estendeu a faca para Iorek, oferecendo primeiro o cabo, e o urso a recebeu delicadamente. Sua garra-polegar ficava de frente para as quatro garras-dedos, permitindo-lhe manipular objetos com a mesma destreza que seres humanos, então ele virou a faca para um lado, depois para o outro, trouxe-a até bem perto dos olhos, segurando-a de maneira que refletisse a luz, testando o gume — o gume de aço — num pedaço de ferro velho.
— Este gume é o que você usou para cortar minha armadura — disse ele. — O outro é muito estranho. Não sei dizer o que é capaz de fazer, como foi feito. Mas quero compreender o que é. Como foi que isto veio parar em suas mãos?
Will contou a ele a maior parte do que havia acontecido, deixando de fora apenas as coisas que diziam respeito somente a ele: sua mãe, o homem que tinha matado, seu pai.
— Você lutou por ela e perdeu dois dedos? — perguntou o urso. — Mostre-me o ferimento. Will estendeu a mão. Graças ao unguento de seu pai, as superfícies cortadas estavam cicatrizando bem, mas ainda estavam muito sensíveis.
O urso as cheirou.
— Musgo-sanguíneo — concluiu. — E mais alguma coisa que não consigo identificar. Quem lhe deu isso?
— Um homem que me disse o que deveria fazer com a faca. Então ele morreu. Ele tinha um pouco de unguento numa caixa de chifre e curou meu ferimento. As bruxas tentaram, mas o feitiço que fizeram não funcionou.
— E o que ele disse para você fazer com a faca? — perguntou Iorek Byrnison, entregando-a de volta a Will cuidadosamente.
— Disse para usá-la numa guerra combatendo ao lado de Lorde Asriel — respondeu Will. — Mas primeiro preciso salvar Lyra da Língua Mágica.
— Então nós ajudaremos — disse o urso, e o coração de Will deu um pulo de prazer.


Ao longo dos dias seguintes, Will descobriu por que os ursos estavam fazendo aquela viagem para a Ásia Central, tão longe de sua terra natal. Desde a catástrofe que havia aberto os mundos, todo o gelo do Ártico havia começado a derreter, e novas e estranhas correntes tinham aparecido nas águas do mar. Uma vez que os ursos dependiam do gelo e dos seres que viviam no mar gelado, concluíram que logo estariam passando fome se ficassem onde estavam, e, sendo racionais, decidiram como deveriam reagir. Teriam que migrar para onde houvesse neve e gelo em abundância: iriam para as mais altas montanhas, para a cadeia que tocava o céu, a meio mundo de distância, mas inabalável, eterna e coberta por muita neve. De ursos do mar eles se tornariam ursos das montanhas, pelo tempo que fosse necessário até que o mundo voltasse a se acomodar.
— Então vocês não estão em guerra? — perguntou Will.
— Nossos velhos inimigos desapareceram com as focas e as morsas. Se encontrarmos novos inimigos, sabemos como lutar.
— Pensei que uma grande guerra estivesse em vias de começar e que envolveria todo mundo. De que lado você lutaria se isso acontecesse?
— Do lado que oferecesse mais vantagem para os ursos. Que dúvida! Tenho alguma estima por muito poucas pessoas entre os humanos. Uma delas era um homem que voava num balão. Ele está morto. Outra é a bruxa Serafina Pekkala. A terceira é a menina Lyra da Língua Mágica. Primeiro eu faria o que fosse melhor para os ursos. Depois, o que fosse melhor para a criança, ou para a bruxa, ou que pudesse vingar meu companheiro morto, Lee Scoresby. É por isso que vou ajudar você a salvar Lyra da Língua Mágica daquela abominável mulher Coulter.
Iorek contou a Will como ele e alguns de seus súditos tinham nadado até a foz do rio e pago o aluguel daquela embarcação com ouro, contratado a tripulação e utilizado o derretimento do Ártico de maneira vantajosa para eles ao deixar que o rio os levasse para o interior até onde fosse possível — e, como sua nascente ficava exatamente nos contrafortes do norte das montanhas que estavam procurando e como Lyra também estava prisioneira lá, as coisas tinham calhado de correr muito bem até agora.
E assim o tempo foi passando.
Durante o dia, Will cochilava no convés, descansando, reunindo forças, porque estava exausto em cada partícula de seu ser. Observou, à medida que a paisagem começou a mudar e a estepe de ondulações suaves foi dando lugar a morros baixos cobertos de relva verdejante, e depois ao relevo de terras mais altas, com o desfiladeiro ou a catarata ocasional, e mesmo assim o vapor continuou navegando rumo ao sul.
Ele conversava com o capitão e com os tripulantes, por educação, mas lhe faltava a facilidade de comunicação imediata que Lyra tinha com estranhos, achava difícil encontrar muito para dizer, e, de qualquer maneira, não estavam muito interessados nele. Aquilo era apenas um trabalho e, quando estivesse terminado, eles partiriam sem olhar para trás. Além disso, não gostavam muito dos ursos, apesar de todo o ouro. Will era um estrangeiro e desde que pagasse por sua comida, pouco se importavam com o que ele fizesse. Para completar, havia aquele seu estranho dimon, que parecia tanto com uma bruxa: às vezes estava lá e outras vezes parecia ter desaparecido. Supersticiosos, como muitos marinheiros, ficavam bem contentes em deixá-lo em paz. Balthamos, por sua vez, também se mantinha calado. Por vezes seu sofrimento e luto se tornavam demasiado intensos para que pudesse suportá-los e deixava o barco para voar bem alto, entre as nuvens, buscando qualquer retalho de luz ou sabor de ar, quaisquer estrelas cadentes ou arestas de pressão que pudessem recordá-lo das experiências que havia compartilhado com Baruch. Quando falava, à noite na escuridão da pequenina cabina onde Will dormia, era apenas para comunicar quanto tinham progredido e que distância ainda faltava percorrer para chegarem à caverna e ao vale. Talvez ele pensasse que Will tinha pouca compreensão e simpatia a oferecer por seu sofrimento, porém, caso tivesse buscado, teria encontrado muita. Tornou-se cada vez mais brusco e formal, embora nunca sarcástico, aquela promessa, pelo menos, ele cumpriu.
Quanto a Iorek, ele examinava a faca obsessivamente. Olhava para ela durante horas a fio, testando os dois gumes, arqueando-a, segurando-a no alto, voltada para a luz, tocando-a com a língua, cheirando-a e até escutando o som que o ar fazia quando fluía sobre sua superfície. Will não se preocupava com a faca, pois Iorek era, evidentemente, um artífice de imenso e reconhecível talento, também não temia por Iorek, por causa da delicadeza de movimento daquelas patas poderosas. Afinal Iorek veio procurar Will e disse:
— Este outro gume. Ele faz alguma coisa que você não me contou. O que é e como funciona?
— Não posso mostrar a você aqui — respondeu Will — porque o navio está em movimento. Mas assim que pararmos eu mostro.
— Posso imaginar o que é — disse o urso — mas não consigo compreender o que estou pensando. É a coisa mais estranha que já vi.
E devolveu a faca a Will, com um longo olhar desconcertante e indecifrável de seus olhos negros profundos.
Naquela altura, o rio havia mudado de cor, porque estava se encontrando com os restos das primeiras águas das enchentes que tinham descido do Ártico. Will constatou que as convulsões haviam afetado a terra de maneira diferente em diferentes lugares, uma aldeia após a outra estava mergulhada em água até a altura de seus telhados e centenas de pessoas desabrigadas tentavam salvar o que podiam com barcos a remo e canoas. A terra devia ter afundado um pouco ali, porque o rio se alargou e seu curso se tornou mais lento, e era difícil para o piloto traçar sua rota com precisão em meio às correntes de águas largas e barrentas.
O ar ali era mais quente e o sol ficava mais alto no céu, os ursos tinham dificuldade para se refrescar, alguns deles nadavam ao lado do vapor enquanto este ia seguindo, sentindo o sabor das águas de sua terra natal naquela terra estranha.
Mas finalmente o rio se estreitou e se tornou mais profundo de novo e, logo adiante deles, começaram a se elevar as montanhas do grande planalto central asiático. Certo dia, Will viu uma borda de cor branca no horizonte e ficou observando enquanto ela foi crescendo pouco a pouco, se separando em diferentes picos, com cadeias e desfiladeiros entre eles, e tão altos que pareciam que deviam estar muito próximos — apenas a alguns quilômetros mas ainda estavam muito longe, era só que as montanhas eram imensas e, a cada hora que delas se aproximavam, pareciam ainda mais inconcebivelmente altas.
A maioria dos ursos nunca tinha visto montanhas, exceto pelos penhascos em sua própria ilha, Svalbard, e ficaram em silêncio quando levantaram o olhar para os gigantescos contrafortes, ainda tão distantes.
— O que caçaremos por lá, Iorek Byrnison? — perguntou um deles. — Existem focas nas montanhas? Como viveremos?
— Existe neve e gelo — foi a resposta do rei. — Nos sentiremos confortáveis. E existem animais selvagens em abundância. Nossa vida vai ser diferente durante algum tempo. Mas vamos sobreviver e, quando as coisas voltarem a ser como devem e o Ártico congelar de novo, nós ainda estaremos vivos para voltar e retomá-lo. Se tivéssemos ficado lá, teríamos morrido de fome. Estejam preparados para coisas estranhas e para novos hábitos, meus ursos.
Afinal, chegou um momento em que o vapor não podia mais navegar, porque naquele ponto o leito do rio se estreitava e se tornava raso. O capitão parou a embarcação no fundo de um vale, que normalmente teria estado coberto de relva e de flores da montanha, onde o rio fazia meandros sobre leitos de cascalho, mas o vale agora era um lago e o capitão insistiu em que não se arriscaria a ir além dele, porque depois daquele ponto não haveria profundidade suficiente abaixo da quilha, mesmo com a grande enchente do norte.
De modo que eles ancoraram junto a uma das paredes do vale, onde uma saliência de rocha formava uma espécie de plataforma, e desembarcaram.
— Onde estamos agora? — perguntou Will ao capitão, cujo inglês era limitado.
O capitão encontrou um velho mapa meio rasgado e apontou com seu cachimbo, dizendo:
— Este vale aqui, nós agora. Você leva, continua.
— Muito obrigado — agradeceu Will, e se perguntou se deveria oferecer pagamento pelo mapa, mas o capitão já tinha se afastado para supervisionar o desembarque da carga.
Não demorou muito para que os cerca de 30 ursos e suas armaduras estivessem na margem estreita. O capitão gritou uma ordem e a embarcação começou a virar com grande esforço contra a corrente, manobrando até chegar ao meio do curso, e então soltou um apito explosivo que ecoou por muito tempo pelas paredes do vale.
Will sentou sobre um pedregulho, lendo o mapa. Se estivesse certo, o vale onde Lyra estava prisioneira, de acordo com o anjo, ficava a alguma distância para leste e para o sul, e o melhor caminho para chegar lá era através de uma passagem estreita entre as montanhas chamada desfiladeiro Sungchen.
— Ursos, marquem este lugar — disse Iorek Byrnison para seus súditos. — Quando chegar a hora de voltarmos para o Ártico, nos reuniremos aqui. Agora sigam seus caminhos, cacem, alimentem-se e vivam. Não façam guerra. Não estamos aqui para guerrear. Se houver ameaça de guerra, mandarei chamá-los.
Os ursos eram, em sua maioria, criaturas de hábitos solitários e só se reuniam em tempos de guerra ou em emergências. Agora que se encontravam nos limites de uma terra de neve, estavam impacientes para partir, todos eles, fazer suas explorações cada um por si.
— Então vamos andando — disse Iorek Byrnison — e encontraremos Lyra.
Will levantou a mochila e eles se puseram em marcha.


Foi bom caminhar durante a primeira parte da jornada. O sol estava quente, mas os pinheiros e os rododendros mantinham o calor mais forte longe de seus ombros e o ar era fresco e límpido. O terreno era rochoso, mas as pedras eram espessamente recobertas de musgo e de agulhas de pinheiros, e as encostas que subiram não eram muito íngremes. Will descobriu que estava adorando o exercício. Os dias que havia passado a bordo, o repouso forçado tinham devolvido suas forças. Quando havia encontrado Iorek, estivera realmente nas últimas. Não sabia disso, mas o urso sabia.
E, tão logo ficaram sozinhos, Will mostrou a Iorek como o outro gume da faca funcionava. Abriu uma janela para um mundo onde uma floresta pluvial equatorial de atmosfera escaldante e úmida gotejava, e onde vapores carregados com perfume forte escaparam pairando no ar rarefeito da montanha. Iorek observou atentamente, tocou a borda da janela com a pata e a farejou, atravessou a janela e entrou no ar quente e úmido para olhar em silêncio. Os guinchados dos macacos, o piar dos pássaros, os zumbidos dos insetos, o coaxar dos sapos e o gotejar incessante de vapor de água se condensando pareceram soar muito alto para Will, que estava do lado de fora. Então Iorek voltou e observou Will fechar a janela, então pediu para ver a faca de novo, olhando tão de perto o gume de prata que Will achou que estivesse correndo o risco de cortar o olho. Ele o examinou por muito tempo e depois devolveu a faca sem fazer maiores comentários, exceto o seguinte:
— Eu estava certo: não teria podido lutar contra isto.
Então seguiram caminho, falando pouco, algo que agradava aos dois. Iorek Byrnison capturou uma gazela e a comeu quase inteira, deixando a carne mais macia para que Will cozinhasse. E, quando a certa altura chegaram a uma aldeia, enquanto Iorek esperava na floresta, Will trocou uma de suas moedas de ouro por uma porção de pão rústico achatado, frutas secas, botas de couro de iaque e um colete de uma espécie de pele de ovelha, pois estava ficando frio à noite. Ele também conseguiu perguntar sobre o vale com os arco-íris. Balthamos o ajudou, assumindo a forma de um corvo, igual ao dimon do homem com quem Will estava falando, ele tornou mais fácil a troca de informações entre eles e Will conseguiu obter indicações úteis e claras sobre o caminho. Ficava a mais três dias de caminhada. Bem, eles estavam chegando lá. Mas outros também estavam.
O grupo armado enviado por Lorde Asriel, a esquadrilha de girópteros e o zepelim — tanque com combustível haviam alcançado a abertura entre os mundos: a fenda no céu acima de Svalbard. Ainda tinham um longo caminho pela frente, mas voavam sem parar, exceto para os trabalhos de manutenção essenciais, o comandante, o africano Rei Ogunwe, mantinha contato duas vezes por dia com a fortaleza de basalto. Ele tinha um galivespiano operador de magneto a bordo de seu giróptero e por seu intermédio tomava conhecimento com a mesma rapidez que Lorde Asriel do que estava acontecendo nos outros lugares.
As notícias eram desconcertantes. A pequena espiã, Lady Salmakia, havia observado escondida nas sombras enquanto os dois poderosos braços da Igreja, o Tribunal Consistorial de Disciplina e a Sociedade do Ofício do Espírito Santo, concordavam em pôr de lado suas diferenças e reunir seus conhecimentos. A Sociedade tinha um aletiometrista que era mais ágil e mais talentoso que Frei Pavel e, graças a ele, agora o Tribunal Consistorial sabia exatamente onde Lyra estava, e mais: eles sabiam que Lorde Asriel havia enviado tropas para resgatá-la.
Sem perder tempo, o Tribunal havia convocado uma frota de zepelins e, naquele mesmo dia, um batalhão da Guarda Suíça começou a embarcar nos zepelins que esperavam no ar tranquilo acima do lago de Genebra.
De modo que cada lado tinha conhecimento de que o outro também estava se dirigindo para a caverna nas montanhas. E ambos sabiam que quem chegasse lá primeiro levaria vantagem, mas essa vantagem não fazia grande diferença: os girópteros de Lorde Asriel eram mais rápidos que os zepelins do Tribunal Consistorial, mas tinham uma distância maior a percorrer, e eram limitados pela velocidade de seu zepelim-tanque.
E havia uma outra questão a considerar: quem quer que se apoderasse primeiro de Lyra, teria que lutar contra o exército adversário para sair. Seria uma tarefa mais fácil para o Tribunal Consistorial, porque eles não tinham que se preocupar em retirar Lyra em segurança. Estavam voando para lá para matá-la.
O zepelim que transportava o Presidente do Tribunal Consistorial também levava outros passageiros, sem que ele tivesse conhecimento. O Cavaleiro Tialys havia recebido uma mensagem em seu magneto ressonante, ordenando que ele e Lady Salmakia entrassem clandestinamente a bordo. Quando os zepelins chegassem ao vale, ele e Lady Salmakia deveriam abandonar o grupo e seguir adiante independentemente, encontrar um meio de chegar à caverna onde Lyra estava sendo mantida e protegê-la, da melhor forma possível, até que as forças do Rei Ogunwe chegassem para resgatá-la. A segurança de Lyra deveria ser considerada mais importante que qualquer outra coisa. Entrar clandestinamente no zepelim era arriscado para os espiões e não apenas por causa do equipamento que tinham que carregar. Além do magneto ressonante, os itens mais importantes eram um par de larvas de inseto e seus alimentos. Quando os insetos adultos emergissem, eles se pareceriam mais com libélulas do que com qualquer outra coisa, mas não seriam semelhantes a nenhum tipo de libélula que os humanos do mundo de Will, ou de Lyra, jamais tivessem visto antes. Para começar, seriam muito maiores. Os galivespianos criavam esses insetos com muito cuidado e os insetos de cada clã diferiam dos de outros. O clã do Cavaleiro Tialys criava robustas libélulas listradas de vermelho e amarelo, de apetites vigorosos e brutais, enquanto a que Lady Salmakia estava alimentando seria uma criatura esguia, capaz de voar rapidamente, com um corpo azul elétrico e a capacidade de brilhar na escuridão.
Cada espião era equipado com uma quantidade dessas larvas que, ao serem alimentadas com quantidades cuidadosamente medidas de óleo e de mel, podiam manter em estado de animação suspensa ou trazer rapidamente à maturidade. Tialys e Salmakia agora disporiam de 36 horas, dependendo dos ventos, para trazer à plena maturidade aquelas larvas, porque este era aproximadamente o tempo que o voo levaria e precisavam que os insetos emergissem antes que o zepelim aterrissasse.
O Cavaleiro e sua colega encontraram um lugar esquecido atrás de uma antepara e trataram de se acomodar em segurança, enquanto a aeronave era carregada e abastecida, e então os motores começaram a rugir, fazendo tremer a estrutura leve de ponta a ponta, enquanto a equipe de terra soltava as amarras e os oito zepelins subiam no céu noturno.
O povo deles teria considerado a comparação um insulto mortal, mas os dois conseguiram se esconder no mínimo tão bem quanto ratos. Daquele esconderijo, os galivespianos conseguiam ouvir muita coisa e mantiveram contato de hora em hora com Lorde Roke, que estava a bordo do giróptero do Rei Ogunwe.
Mas havia uma coisa que não podiam mais descobrir no zepelim, porque o Presidente em nenhum momento tocou no assunto: e era a questão do assassino, Padre Gomez, que já havia sido absolvido do pecado que iria cometer se o Tribunal Consistorial fracassasse em sua missão. O Padre Gomez estava em outro lugar e ninguém sabia disso, nem o estava seguindo.

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