4 de fevereiro de 2017

8. Frustração

LYRA tinha que digerir aquela nova história da sua vida, e para isso precisava de tempo. Ver Lorde Asriel como seu pai era uma coisa, mas aceitar a Sra. Coulter como sua mãe não era assim tão fácil. Alguns meses antes, ela teria gostado, sabia disso também, e ficava confusa.
Mas, sendo Lyra, não se preocupou muito tempo com isso, pois havia a cidade do Pântano para explorar e muitas crianças gípcias para impressionar. Antes de passado o prazo de três dias, ela era especialista — pelo menos se considerava — em manejar a vara que impulsionava os barcos e tinha reunido um bando de crianças contando histórias de seu pai poderoso que fora preso injustamente.
— E então uma noite o Embaixador da Turquia foi convidado para jantar na Jordan. E ele tinha ordens do próprio Sultão para matar o meu pai, certo, e tinha no dedo um anel com uma pedra oca cheia de veneno. E quando chegou o vinho, ele esticou o braço por cima da taça do meu pai e deixou o veneno cair dentro dela. Fez isso tão depressa que ninguém viu, mas...
— Que tipo de veneno? — quis saber uma menina de rosto magro.
— Veneno de uma serpente turca muito especial, que eles atraem tocando flauta e depois jogam em cima uma esponja encharcada de mel; a serpente morde e não consegue desprender os dentes, eles então tiram o veneno dela. De qualquer maneira, meu pai tinha visto o que o turco fez e disse: “Senhores, quero fazer um brinde pela amizade entre a Faculdade Jordan e a Faculdade de Izmir” (que era a faculdade do Embaixador turco). “E para mostrar nossa boa vontade de sermos amigos, vamos trocar de taças, cada um bebendo o vinho do outro.” O Embaixador ficou enrascado, porque não podia recusar sem cometer uma ofensa mortal, e não podia beber porque sabia que o vinho estava envenenado. Ele ficou pálido e desmaiou ali mesmo. Quando voltou a si, eles estavam ainda todos sentados, esperando e olhando para ele. E então ele tinha que beber o veneno ou então confessar tudo.
— Então que foi que ele fez?
— Ele bebeu. Levou cinco minutos inteiros para morrer, e sofreu o tempo todo.
— Você viu isso tudo acontecer?
— Não, porque meninas não têm permissão para se sentar na Mesa Principal. Mas vi o corpo dele, depois. A pele estava toda enrugada, como uma maçã velha, e os olhos tinham saltado. Tiveram que enfiar eles para dentro...
E assim por diante.
Enquanto isso, na periferia da região dos Pântanos, policiais batiam nas portas, revistavam porões e latrinas, inspecionavam documentos e interrogavam todos que dissessem ter visto uma menininha loura. Em Oxford, a busca foi ainda mais severa: vasculharam a Faculdade Jordan desde o mais empoeirado quarto de entulhos até o porão mais escuro, e fizeram o mesmo com Gabriel e St. Michael’s, até que os reitores de todas as faculdades fizeram um protesto coletivo invocando seus direitos. A única ideia que Lyra tinha de que a procuravam era o incessante zumbido dos motores a gás das aeronaves cruzando o céu. Elas não eram visíveis porque as nuvens estavam baixas, e pelo regulamento as aeronaves tinham que manter uma certa altura acima da região do Pântano, mas quem sabia que instrumentos de espionagem elas poderiam estar carregando? Era melhor ir se esconder quando ouvia os motores, ou usar uma capa de chuva para cobrir seus cabelos louros.
E ela interrogou Mãe Costa sobre cada detalhe da história do seu nascimento. Teceu esses detalhes formando uma tapeçaria mental mais clara do que as histórias que tinha inventado, e revivia vezes sem conta a fuga do casebre, o esconderijo no armário, o desafio, o choque de espadas...
— Espadas? Meu Deus, garota, você está sonhando? — perguntou Mãe Costa. — O Sr. Coulter tinha uma pistola, e Lorde Asriel a tirou da mão dele e o derrubou com um único soco. Depois houve dois tiros. Não sei como você não se lembra; devia lembrar, embora fosse pequena. O primeiro tiro foi de Edward Coulter, que conseguiu pegar a arma e disparou, e o segundo foi de Lorde Asriel, que tornou a arrancar a arma do outro e atirou bem no meio dos olhos dele, espalhando os miolos. Então, com a maior calma, ele disse: “Pode sair, Sra. Costa, e traga o bebê”, porque você estava berrando tanto, você e esse dimon; ele pegou você, brincou com você e carregou você nos ombros de um lado para o outro, com ótimo humor, com o morto estendido ali, e me pediu para trazer vinho e para limpar o chão.
No final da quarta repetição, Lyra estava firmemente convencida de que se lembrava de tudo, e até mesmo ofereceu detalhes da cor do casaco do Sr. Coulter e dos mantos e das peles penduradas no armário. Mãe Costa riu.
E sempre que estava sozinha Lyra pegava o aletiômetro e ficava olhando para ele como se fosse o retrato de um namorado. Então cada imagem tinha vários significados? Por que ela não conseguiria entender todos eles? Afinal, não era filha de Lorde Asriel?
Lembrando-se do que Farder Coram tinha dito, ela tentou focalizar a mente em três símbolos escolhidos ao acaso e moveu os ponteiros para cada um deles. Descobriu que, se segurasse o aletiômetro de uma certa maneira na palma das mãos e olhasse para ele de um jeito especial, meio preguiçoso (como ela chamava), o ponteiro maior começava a se movimentar. Em vez de passear pelo mostrador, ele ia de uma figura para outra. De vez em quando, parava em três delas, às vezes em duas, às vezes em cinco ou mais, e embora ela nada compreendesse, aquilo lhe dava uma calma agradável e profunda, diferente de tudo que ela conhecia. Pantalaimon ficava debruçado sobre o mostrador, às vezes em forma de gato, às vezes de rato, acompanhando o ponteiro grande com a cabeça; e, uma ou duas vezes, os dois compartilharam um vislumbre de significado que parecia como um raio de sol que tivesse atravessado as nuvens para iluminar uma majestosa silhueta de grandes montes a distância — alguma coisa muito além e jamais suspeitada. E Lyra sentia, nessas ocasiões, o mesmo arrepio que sentira durante toda a sua vida ao ouvir a palavra Norte.
Assim se passaram os três dias, com muitas idas e vindas entre a grande quantidade de barcos e o Zaal. E então chegou a noite da segunda reunião do Encontro. O Salão estava mais cheio do que antes, se isso fosse possível. Lyra e os Costa chegaram a tempo de se sentar na frente, e assim que as luzes trêmulas mostraram que o Salão estava repleto, John Faa e Farder Coram apareceram na plataforma e se sentaram atrás da mesa. John Faa não precisou pedir silêncio; apenas colocou as mãos enormes sobre a mesa e olhou para a plateia, e o burburinho cessou. Ele então falou:
— Bom, vocês fizeram o que eu pedi, e melhor do que eu esperava. Agora vou chamar os chefes das seis famílias para subirem aqui, entregar seu ouro e oferecer suas possibilidades. Nicholas Rokeby, você vem primeiro.
Um homenzarrão de barbas pretas subiu para a plataforma e colocou sobre a mesa uma pesada sacola de couro.
— Este é o nosso ouro, e nós oferecemos 38 homens.
— Obrigado, Nicholas — disse John Faa.
Farder Coram estava tomando notas. O primeiro homem ficou parado nos fundos da plataforma enquanto John Faa chamava o seguinte, e o seguinte; e cada um deles subia, colocava uma sacola na mesa e anunciava o número de homens que tinha para oferecer. Os Costa faziam parte da família Stefanski, e naturalmente Tony tinha sido um dos primeiros a se oferecer como voluntário. Lyra percebeu o dimon-falcão dele se mexendo de uma pata para outra e estendendo as asas enquanto o ouro dos Stefanski e 23 homens eram oferecidos a John Faa.
Depois que os chefes das seis famílias tinham sido chamados, Farder Coram mostrou suas anotações a John Faa, que ficou de pé e falou para que todos ouvissem.
— Amigos, conseguimos 170 homens. Agradeço a todos com muito orgulho. Quanto ao ouro, não duvido, pelo peso, que todos vocês rasparam seus cofres, e meus agradecimentos são também por isso. O que vamos fazer é o seguinte: vamos arrendar um navio e velejar para o Norte, encontrar as crianças e libertar todas elas. Pelo que sabemos, pode haver luta. Não será a primeira nem a última vez que lutamos, mas nunca tivemos que lutar com pessoas que roubam crianças, e vamos precisar ter uma esperteza fora do comum. Mas não vamos voltar sem as nossas crianças. Sim, Dirk Vries?
Um homem se levantou e perguntou:
— Lorde Faa, o senhor sabe por que levaram nossos filhos?
— Ouvimos dizer que é um assunto teológico. Estão fazendo uma experiência, mas não sabemos qual. Para dizer a verdade a vocês, nem sequer sabemos se o que estão fazendo com elas é bom ou ruim. Mas, seja como for, eles não têm o direito de aparecer de noite e roubar criancinhas de suas casas. Sim, Raymond van Gerrit?
O homem que tinha falado na primeira reunião se levantou e disse:
— Essa criança, Lorde Faa, essa que o senhor disse que estava sendo procurada, essa que está agora sentada na primeira fila. Ouvi dizer que as casas de todas as pessoas na beira dos Pântanos estão sendo revistadas e reviradas de cabeça para baixo por causa dela. Ouvi dizer que hoje mesmo estão votando no Parlamento para acabar com nossos privilégios tradicionais por causa desta criança. Sim, amigos — ele continuou, acima dos cochichos que surgiram —, eles vão passar uma lei acabando com o nosso direito de liberdade de movimentos dentro e fora dos Pântanos. Agora, Lorde Faa, o que queremos saber é o seguinte: quem é esta criança que pode fazer isso conosco? Ela não é gípcia, pelo que ouvi dizer. Como é que uma menina terrestre pode colocar todos nós em perigo?
Lyra ergueu os olhos para John Faa. Seu coração batia com tanta força que ela mal conseguiu ouvir as primeiras palavras da resposta dele.
— Ora, fale claramente, Raymond, não seja tímido — ele disse. — Quer que a gente entregue a criança para os perseguidores dela, é isso?
O homem ficou em silêncio, de cara feia.
— Bom, pode ser que sim, pode ser que não — John Faa continuou. — Mas se algum homem ou alguma mulher precisa de uma razão para fazer o bem, que pense nisso: essa menininha é nada menos que a filha de Lorde Asriel. Para os que esqueceram, foi Lorde Asriel quem intercedeu com os turcos pela vida de Sam Broekman. Foi Lorde Asriel quem permitiu aos barcos gípcios passagem livre nos canais dentro das suas propriedades. Foi Lorde Asriel quem derrotou a Lei dos Cursos d’Água no Parlamento, para grande benefício nosso. E foi Lorde Asriel quem lutou noite e dia nas enchentes de 53 e mergulhou de cabeça na água duas vezes para salvar o jovem Ruud e Nellie Koopman. Se esqueceram disso? Que vergonha, que vergonha. E agora esse mesmo Lorde Asriel está preso nas regiões mais frias, distantes e escuras, na fortaleza de Svalbard. Preciso dizer a vocês o tipo de criaturas que estão vigiando ele lá? E esta é a filhinha dele que nós estamos cuidando, e Raymond van Gerrit ia entregar ela para as autoridades em troca de um pouco de paz. É verdade, Raymond? Fique de pé e responda, homem!
Mas Raymond van Gerrit estava afundado no assento e não se levantou. Um sussurro baixo de desaprovação percorreu o grande Salão, e Lyra sentiu a vergonha que ele devia estar sentindo, assim como uma onda de orgulho por seu corajoso pai.
John Faa olhou para os outros homens na plataforma.
— Nicholas Rokeby, você vai ficar encarregado de encontrar um navio e vai ser o comandante dele quando partirmos. Adam Stefanski, quero que se encarregue das armas e munições, e comande a batalha. Roger van Poppel, você cuida de todos os outros suprimentos, da comida até as roupas para frio. Simon Hartmann, você vai ser o tesoureiro e vai prestar contas a todos nós do emprego do nosso ouro. Benjamin de Ruyter, quero que se encarregue da espionagem; há muita coisa que precisamos saber, e vou colocar você responsável por isso, e vai fazer seus relatórios a Farder Coram. Michael Canzona, você vai ficar responsável por coordenar o trabalho dos quatro primeiros, e vai fazer os relatórios para mim, e se eu morrer, você ficará no meu lugar. Bem, já fiz as disposições de acordo com o nosso costume, e se qualquer homem ou mulher discordar, pode dizer isso com toda liberdade.
Depois de um momento, uma mulher se levantou.
— Lorde Faa, não vai levar mulheres nessa expedição para tomar conta das crianças depois que as encontrar?
— Não, Nell. Vamos ter pouco espaço. As crianças que libertarmos vão estar melhores conosco do que lá onde estão agora.
— Mas se descobrir que não vai poder soltar as crianças sem algumas mulheres disfarçadas de guardas, de criadas ou de sei lá o quê?
— Bom, eu não tinha pensado nisso — John Faa confessou. — Prometo que vamos pensar nisso com muito cuidado quando formos para a sala das conversas.
Ela se sentou, e um homem ficou de pé.
— Lorde Faa, ouvi o senhor dizer que Lorde Asriel está no cativeiro. Faz parte do nosso plano libertar Lorde Asriel? Porque, caso faça, e se ele estiver em poder daqueles ursos como eu acho que o senhor disse, vamos precisar de mais do que 170 homens. E por mais que Lorde Asriel seja nosso amigo, não sei se temos o dever de fazer isso.
— Adriaan Braks, você não está enganado. O que eu tinha em mente era ficarmos de olhos e ouvidos abertos e vermos o que podemos descobrir enquanto estivermos no Norte. Pode ser que a gente possa fazer alguma coisa para ajudá-lo, e pode ser que não, mas pode confiar em mim: não vamos usar o que vocês nos deram, homens ou ouro, para qualquer coisa além de encontrarmos e trazermos para casa as nossas crianças.
Outra mulher se levantou.
— Lorde Faa, não sabemos o que esses Gobblers podem estar fazendo com os nossos filhos. Todos nós ouvimos boatos e histórias horríveis. Falam em crianças sem cabeça, ou crianças cortadas ao meio e depois costuradas, e outras coisas horríveis demais para dizer. Fico muito triste de ter que falar disso, mas todos nós escutamos esse tipo de coisa e quero que tudo seja esclarecido. Agora, caso o senhor encontre esse tipo de coisa, Lorde Faa, espero que sua vingança seja total. Espero que não vá deixar essas ideias de piedade e bondade impedirem que sua mão ataque com toda força, dando um golpe poderoso no coração dessa maldade infernal. Tenho certeza de que todas as mães que tiveram um filho levado pelos Gobblers concordam comigo.
Houve um ruidoso murmúrio de concordância, e ela se sentou. Em todo o Zaal as pessoas faziam gestos de concordância. John Faa esperou que se fizesse silêncio, então disse:
— Nada vai segurar minha mão, Margaret, se não for uma questão de estratégia. Se eu não atacar no Norte, vai ser para poder atacar com mais força no Sul. Atacar cedo demais é tão ruim quanto atacar o lugar errado. É claro que há um sentimento muito forte no que você diz. Mas, se seguirem esse sentimento, amigos, estarão fazendo aquilo que eu sempre aconselhei a não fazer: estarão colocando a satisfação dos seus sentimentos acima do trabalho que têm a fazer. Nosso trabalho agora é primeiro o salvamento, depois o castigo. Não é agradar a ninguém. Nossos sentimentos não têm importância. Se salvarmos as crianças e não pudermos castigar os Gobblers, fizemos a coisa mais importante. Mas se pretendemos castigar os Gobblers primeiro e assim perdermos a chance de salvar as crianças, vai ser um fracasso.
John Faa ficou um instante em silêncio.
— Mas de uma coisa você pode ter certeza, Margaret — prosseguiu. — Quando chegar a hora de castigar, vamos lhes dar um golpe tamanho que eles vão se acovardar. Vamos tirar a força deles. Vamos deixar todos eles arruinados e liquidados, partidos em mil pedaços e espalhados aos quatro ventos. O meu próprio martelo está sedento de sangue, amigos. Ele não sente o gosto de sangue desde que eu matei o campeão tártaro nas estepes do Casaquistão; ele está sonhando, pendurado lá no meu barco; mas está sentindo cheiro de sangue no vento que vem do Norte. Ontem à noite, ele falou comigo e contou sua sede, e eu disse: logo, logo. Margaret, você pode se preocupar com mil coisas, mas não se preocupe com que o coração de John Faa esteja mole demais para lutar quando chegar a hora. E quem vai dizer quando a hora chegar vai ser o raciocínio, não os sentimentos. Alguém mais quer dizer alguma coisa?
Ninguém quis, e John Faa pegou a sineta de encerramento e a tocou com força, balançando-a num grande arco, produzindo sons que enchiam o salão e subiam até as vigas.
John Faa e os outros homens na plataforma foram para a sala de conversas. Lyra ficou um pouquinho decepcionada: não iam querer que ela fosse com eles lá dentro? Mas Tony riu.
— Eles têm que fazer planos — explicou. — Você já fez sua parte, Lyra. Agora é por conta de John Faa e do conselho.
— Mas ainda não fiz nada! — Lyra protestou, enquanto seguia os outros relutantemente para fora do Salão, descendo a rua calçada de pedras na direção do ancoradouro. — Só o que fiz foi fugir da Sra. Coulter! Este foi só o começo. Quero ir para o Norte!
— Vamos fazer o seguinte: eu lhe trago um dente de morsa, está bem? — disse Tony.
Lyra fechou a cara. Quanto a Pantalaimon, ele estava ocupado fazendo caretas para o dimon de Tony, que, desdenhoso, fechou os olhos castanhos. Lyra chegou ao ancoradouro e ficou com seus novos amigos, sacudindo lamparinas penduradas em fios sobre a água escura para atrair os peixes de olhos esbugalhados que vinham nadando devagar, correndo o risco de serem espetados pelas crianças, coisa que nunca acontecia.
Mas os pensamentos dela estavam com John Faa e a conferência na sala das conversas, e não demorou muito antes que ela subisse outra vez a rua até o Zaal. Havia luz na janela da sala. A janela era alta demais para que Lyra enxergasse o outro lado, mas ela conseguiu ouvir o som de vozes lá dentro.
Então foi até a porta e bateu com firmeza cinco vezes. As vozes se calaram, uma cadeira foi arrastada e a porta se abriu, derramando uma cálida luz de nafta sobre o degrau úmido.
— Sim? — disse o homem que abriu a porta.
Atrás dele, Lyra viu os outros homens em volta da mesa, com sacolas de ouro, papéis e canetas, cálices e um frasco de gim.
— Quero ir para o Norte — Lyra falou para que todos ouvissem. — Quero ir ajudar a salvar as crianças. Era o que eu pretendia fazer quando fugi da Sra. Coulter. E até antes, eu pretendia salvar meu amigo Roger, o ajudante de cozinha da Jordan que foi raptado. Quero ir e ajudar. Sei fazer navegação e posso fazer as leituras anbaromagnéticas da Aurora, e sei quais as partes comestíveis de um urso, e todo tipo de coisas úteis. Vocês vão se arrepender se chegarem lá e descobrirem que iam precisar de mim e me deixaram para trás. E como aquela mulher disse, podem precisar de mulher para fazer um papel, e, ora, podem precisar de crianças também. Vocês não sabem. Portanto, deviam me levar, Lorde Faa, desculpe interromper sua conversa.
Ela já estava dentro da sala com todos os homens e seus dimons olhando para ela, alguns achando divertido e outros com irritação, mas ela só tinha olhos para John Faa.
Pantalaimon estava no colo dela, e seus olhos verdes de gato-do-mato soltavam faíscas. John Faa disse:
— Lyra, não podemos colocar você em perigo, então trate de não se iludir, minha filha. Fique aqui, ajude a Mãe Costa e fique em segurança. É o que você tem que fazer.
— Mas estou aprendendo a ler o aletiômetro, também. Está ficando mais claro a cada dia! Vocês vão precisar disso, vão sim!
Ele sacudiu a cabeça.
— Não. Sei que seu coração estava decidido a ir para o Norte, mas acho que nem a Sra. Coulter ia levar você. Se quer ver o Norte, vai ter que esperar todos esses problemas terminarem. Agora vá.
Pantalaimon sibilou baixinho, mas o dimon de John Faa voou das costas da cadeira dele e avançou para os dois com suas asas negras, sem ameaçar, mas como um lembrete de boas maneiras. Lyra girou nos calcanhares, e a ave, que planava sobre sua cabeça, voltou para junto de John Faa. A porta se fechou atrás da menina com um estalo final.
— Nós vamos, sim! — ela disse a Pantalaimon. — Eles que tentem nos impedir. Nós vamos!

5 comentários:

  1. Me pergunto quantos anos Lyra tem (nome bonito!) acho que não prestei muita atenção no começo...

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    1. Pois é, eu também ficava me perguntando. Ela tem doze

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    2. obrigado n me lembrava tbm :P

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  2. LUAMARA Cahill Madrigal infiltrada Ekhaterina6 de março de 2017 20:07

    E que comecem os jogos !

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Boa leitura :)