17 de fevereiro de 2017

5. A torre adamantina

... e com tal ambição, com tal insânia, do Onipotente contra o Império e trono fez audaz e ímpio guerra, deu batalhas.
John Milton, Canto I

De enxofre liquefeito se estendia por todo o comprimento de um imenso desfiladeiro soltando seus vapores pestilentos em lufadas e explosões repentinas, e impedindo a passagem da figura alada solitária parada à sua margem. Se ele subisse para o céu, os batedores inimigos que o tinham avistado e perdido o encontrariam de novo, imediatamente, mas se ele ficasse em terra, levaria tanto tempo para conseguir atravessar aquele poço insalubre que sua mensagem poderia chegar demasiado tarde.
Teria que correr o risco maior. Ele esperou até que uma nuvem de fumaça fedorenta se elevasse da superfície amarela e subiu voando rapidamente em seu ponto mais espesso.
Quatro pares de olhos em locais diferentes do céu viram o breve movimento e imediatamente quatro pares de asas bateram vigorosamente no ar empesteado pela fumaça, lançando os observadores adiante em meio a ela. Então teve início uma caçada em que os perseguidores não conseguiam ver a caça, e em que a caça não conseguia ver absolutamente nada. O primeiro a sair da nuvem de fumaça na margem oposta do lago levaria vantagem e isto poderia significar sobrevivência, ou poderia significar sucesso em apanhar a presa.
E, infelizmente, para o voador solitário, ele alcançou o ar limpo alguns segundos depois de um de seus perseguidores. Imediatamente eles se aproximaram, deixando para trás esteiras de vapor, tontos, todos os dois, por causa dos vapores nocivos. Inicialmente, a presa levou vantagem, mas então um outro caçador saiu voando da nuvem e num combate rápido e furioso todos os três, girando no ar como línguas de chamas, subiram e desceram e subiram de novo, apenas para cair, finalmente, entre as rochas do outro lado. Os outros caçadores não emergiram da nuvem.
Na extremidade oeste de uma cadeia de montanhas com cumes agudos serrilhados, em um pico que dominava os amplos panoramas da planície abaixo e dos vales atrás, uma fortaleza de basalto parecia nascer da montanha como se algum vulcão a tivesse lançado para o alto um milhão de anos antes. Nas vastas cavernas abaixo das altas muralhas, provisões de todos os tipos estavam armazenadas e rotuladas, nos arsenais e depósitos, máquinas e artefatos de guerra estavam sendo calibrados, armados e testados, nas fábricas abaixo da montanha, fogos vulcânicos alimentavam forjas imensas onde fósforo e titânio estavam sendo fundidos e combinados em ligas jamais conhecidas ou usadas antes.


No lado mais exposto da fortaleza, num ponto escondido no fundo da sombra de um espigão, onde as imponentes muralhas se elevavam diretamente dos antiquíssimos rios de lava, havia um pequeno portão, uma passagem subterrânea onde uma sentinela montava guarda dia e noite, e desafiava qualquer um que tentasse entrar.
Enquanto se efetuava a troca da guarda nas trincheiras acima, a sentinela bateu os pés uma ou duas vezes e passou as mãos enluvadas nos braços para se aquecer, pois era a hora mais fria da noite e a pequena labareda de nafta no suporte de pedra a seu lado não aquecia nada. Seu substituto viria dentro de mais dez minutos e esperava ansioso pela caneca de chocolate, pela folha de fumo e, sobretudo, por sua cama.
Ouvir a barulheira de alguém esmurrando a pequena porta era a última coisa que ele esperava.
Contudo, estava alerta e abriu a portinhola, ao mesmo tempo abrindo a torneira que permitia que um jato de nafta passasse além da chama do piloto de gás do suporte do lado de fora. No clarão da chama, viu três vultos encapuzados carregando entre eles uma quarta pessoa, cuja forma estava indistinta e que parecia doente ou ferida.
O vulto que vinha à frente atirou o capuz para trás. Tinha um rosto que a sentinela conhecia, mas, de qualquer maneira, deu a senha e disse:
— Nós o encontramos no lago de enxofre. Diz que seu nome é Baruch. Ele tem uma mensagem urgente para Lorde Asriel.
A sentinela destrancou a porta e seu dimon terrier estremeceu à medida que os três vultos manobravam seu fardo pela entrada estreita. Então o dimon emitiu um uivo suave, involuntário, que rapidamente se calou, quando a sentinela viu que o vulto sendo carregado era um anjo ferido: um anjo de baixa posição na hierarquia e com pouco poder, mas mesmo assim um anjo.
— Deitem-no no quarto da guarda — instruiu a sentinela e, enquanto eles o faziam, girou a manivela da campainha do telefone e relatou o que estava acontecendo ao oficial no comando do turno.
Na muralha mais alta da fortaleza havia uma torre de rocha de diamante: apenas um lance de escadas conduzindo a um conjunto de aposentos que tinham vista para o norte, para o sul, leste e oeste. O aposento maior era mobiliado com uma mesa e cadeiras, um gaveteiro de mapas, um outro tinha uma cama de campanha. Um pequeno banheiro completava o conjunto. Lorde Asriel estava sentado na torre adamantina de frente para seu capitão espião, a mesa entre eles coberta por uma pilha de papéis espalhados. Uma lamparina de nafta ficava pendurada sobre a mesa e um braseiro cheio de carvões em brasa quebrava o frio intenso da noite. Logo após o vão da porta, um pequenino falcão azul fêmea estava pousado num suporte.
O capitão espião chamava-se Lorde Roke. Tinha uma aparência bastante incomum: sua altura não alcançava mais que o tamanho da palma da mão de Lorde Asriel e era esguio como uma libélula, mas os outros comandantes de Lorde Asriel o tratavam com profundo respeito, pois estava armado com um ferrão venenoso nas esporas dos calcanhares.
Era seu costume sentar-se sobre a mesa e, típico de seu comportamento habitual, rejeitar qualquer coisa exceto enorme cortesia com um linguajar arrogante e uma língua ferina. Ele e os outros de seu povo, os galivespianos, possuíam poucas das qualidades dos bons espiões, exceto, é claro, o tamanho excepcionalmente pequenino: eram tão orgulhosos e cheios de melindres que jamais teriam passado despercebidos se fossem do tamanho de Lorde Asriel.
— Sim — disse ele, a voz clara e penetrante, os olhos brilhando como gotículas de tinta — sua filha, Lorde Asriel: tenho informações a respeito dela. Evidentemente, sei mais do que o senhor.
Lorde Asriel o encarou abertamente e o homenzinho soube imediatamente que havia levado a melhor sobre a cortesia de seu comandante: a força do olhar de Lorde Asriel o empurrou como se tivesse levado um peteleco, de modo que perdeu o equilíbrio e precisou estender a mão para se apoiar no copo de vinho de
Lorde Asriel. Um instante depois a expressão de Lorde Asriel havia recuperado a brandura e virtuosidade características, exatamente como a expressão de sua filha podia ser, e dali por diante Lorde Roke tratou de ser mais cuidadoso.
— Não duvido disso, Lorde Roke — disse Lorde Asriel — mas, por motivos que não compreendo, a menina é o centro da atenção da Igreja e preciso saber por quê. O que estão dizendo a respeito dela?
— O Magisterium está fervilhando de especulações, um grupo de um setor diz uma coisa, uma outra facção está investigando outra e cada uma delas está tentando esconder suas descobertas das outras. Os grupos mais ativos são o Tribunal Consistorial de Disciplina e a Sociedade da Obra do Espírito Santo — disse Lorde Roke. — Tenho espiões em ambos.
— Então conseguiu atrair um membro da Sociedade? — comentou Lorde Asriel. — Meus parabéns. Eles costumavam ser inexpugnáveis.
— Meu espião na Sociedade é Lady Salmakia — disse Lorde Roke — uma agente muito hábil. Há um padre cujo dimon é um camundongo, que ela abordou quando dormiam. Minha agente sugeriu que o homem realizasse um ritual proibido, destinado a invocar a presença da Sabedoria. No momento crítico, Lady Salmakia apareceu diante dele. O padre agora pensa que pode se comunicar com a Sabedoria sempre que quiser, e que ela tem a forma de uma galivespiana e que mora na estante de livros dele.
Lorde Asriel sorriu e perguntou:
— E o que ela descobriu?
— A Sociedade acredita que sua filha é a criança mais importante que jamais viveu. Eles acham que uma grande crise ocorrerá dentro de pouco tempo e que o destino de tudo dependerá de como ela se com portar nessa ocasião. Quanto ao Tribunal Consistorial de Disciplina, no momento eles estão conduzindo um inquérito, ouvindo testemunhas de Bolvangar e de outros lugares. Meu espião no Tribunal, o Cavaleiro Tialys, mantém contato comigo todos os dias através do magneto ressonante, e tem me mantido informado sobre o que eles descobrem. Em resumo, eu diria que a Sociedade da Obra do Espírito Santo descobrirá, muito brevemente, onde está a menina, mas não tomarão nenhuma medida. O Tribunal Consistorial levará um pouco mais de tempo, mas quando descobrirem agirão de maneira decisiva e imediatamente.
— Avise-me assim que souber de mais alguma coisa.
Lorde Roke fez uma mesura e estalou os dedos, o pequeno falcão azul fêmea, pousado no suporte de metal junto à porta, abriu as asas e planou até a mesa. Tinha rédeas, sela e estribos. Em um segundo Lorde Roke montou em seu dorso e saíram voando pela janela que Lorde Asriel estava mantendo aberta para eles.
Ele deixou a janela aberta por um minuto, a despeito do ar gelado, e se reclinou no banco embutido sob a janela, brincando com as orelhas de seu dimon pantera branca.
— Ela veio me procurar em Svalbard e eu a ignorei — disse. — Você se lembra do choque que levei... precisava oferecer um sacrifício e a primeira criança a chegar foi minha própria filha... Mas quando percebi que havia uma outra criança com ela, de modo que estaria segura, eu relaxei. Será que foi um erro fatal? Depois disso não dei nenhuma atenção a ela, nem por um momento, mas ela é importante, Stelmaria!
— Vamos pensar com clareza — respondeu o dimon. — O que ela pode fazer?
— Fazer... não muito. Será que ela sabe de alguma coisa?
— Lyra sabe ler o aletiômetro, ela tem acesso ao conhecimento.
— Isso não é nada de especial. Outros também têm. E onde, por todos os infernos, ela pode estar?
Alguém bateu à porta atrás dele e Lorde Asriel se virou imediatamente.
— Milorde — disse o oficial que entrou — um anjo acabou de chegar ao portão oeste, está ferido, ele insiste em falar com o senhor.
E, um minuto depois, Baruch estava deitado na cama de campanha que havia sido trazida para o aposento principal. Um ordenança médico havia sido chamado, mas era evidente que havia pouca esperança para o anjo: estava terrivelmente ferido, as asas rasgadas e os olhos baços.
Lorde Asriel sentou perto dele e atirou um punhado de ervas nos tições do braseiro. Como Will havia descoberto com a fumaça de sua fogueira, isso teve o efeito de definir o corpo do anjo, de modo que pôde vê-lo mais claramente.
— Bem, senhor — disse Lorde Asriel — que informações tem para mim?
— Três coisas. Por favor, deixe-me contar todas elas antes de falar. Meu nome é Baruch. Meu companheiro Balthamos e eu somos do grupo rebelde, de maneira que quisemos lutar a seu lado, assim que o senhor levantou seu estandarte. Mas queríamos trazer-lhe alguma coisa valiosa, porque nosso poder é pequeno e, não faz muito tempo, conseguimos descobrir o caminho e chegar ao coração da Montanha Nublada, a cidadela da Autoridade no Reino. E lá descobrimos...
Ele teve que parar um instante para respirar e absorver a fumaça das ervas, que pareceu acalmá-lo. Então prosseguiu:
— Descobrimos a verdade a respeito da Autoridade. Descobrimos que ele se isolou numa câmara de cristal nas profundezas do interior da Montanha Nublada e que não se ocupa mais das questões do dia-a-dia do Reino. Em vez disso, contempla mistérios mais profundos. Em seu lugar, governando em seu nome, está um anjo chamado Metatron. Tenho motivos para conhecer bem esse anjo, embora na ocasião em que o conheci...
A voz de Baruch se calou. Os olhos de Lorde Asriel soltavam fagulhas, mas ele controlou a língua e esperou que Baruch continuasse.
— Metatron é orgulhoso — prosseguiu Baruch, depois de recuperar um pouco as forças — e sua ambição é ilimitada. A Autoridade o escolheu quatro mil anos atrás para ser seu Regente e fizeram seus planos juntos. Eles têm um novo plano, que meu companheiro e eu conseguimos descobrir. A Autoridade acredita que os seres conscientes de todos os tipos se tomaram perigosamente independentes, de modo que Metatron vai intervir muito mais ativamente nas questões humanas. Ele pretende transferir secretamente a Autoridade da Montanha Nublada para uma cidadela permanente, em algum outro lugar, e transformar a montanha numa máquina de guerra. Em sua opinião, as Igrejas em todos os mundos são corruptas e fracas, fazem concessões com muita facilidade... ele quer instaurar uma inquisição permanente, controlada diretamente a partir do Reino. E a primeira campanha dele será destruir sua república...
Agora os dois estavam tremendo, o anjo e o homem, mas um de fraqueza e o outro de excitação. Baruch reuniu o que restava de suas forças e prosseguiu:
— A segunda coisa é a seguinte. Existe uma faca que corta aberturas entre os mundos, bem como qualquer coisa que existir neles. Seu poder é ilimitado, mas somente nas mãos daquele que souber usá-la. E esta pessoa é um menino...
Mais uma vez o anjo teve que parar para se recuperar. Estava com muito medo, sentia que estava se desvanecendo. Lorde Asriel percebeu o esforço que ele estava fazendo para se manter inteiro e ficou tenso, sentado, agarrando os braços da cadeira até que Baruch encontrou forças para continuar.
— Meu companheiro está com esse menino, agora. Queríamos trazê-lo diretamente ao senhor, mas ele se recusou a vir, porque... Esta é a terceira coisa que tenho que lhe contar: ele e sua filha são amigos. E ele não aceitará vir enquanto não a encontrar. Ela está...
— Quem é esse menino?
— É o filho do xamã. De Stanislaus Grumman.
Lorde Asriel ficou tão surpreendido que involuntariamente se levantou, lançando rolos de fumaça na direção do anjo.
— Grumman tinha um filho — perguntou.
— Grumman não nasceu em seu mundo. Seu nome também não era Grumman. Meu companheiro e eu fomos levados a ele exatamente por seu desejo de encontrar a faca. Nós o seguimos, sabendo que ele nos conduziria à faca e a seu portador, com a intenção de trazer o portador ao senhor. Mas o garoto se recusou a vir...
Mais uma vez Baruch precisou parar. Lorde Asriel tornou a sentar, amaldiçoando sua própria impaciência, e salpicou mais algumas ervas no fogo. Seu dimon estava deitado bem perto, a cauda varrendo lentamente o chão de carvalho, os olhos dourados de pantera jamais se despregando do rosto contorcido de dor do anjo. Baruch respirou devagar várias vezes e Lorde Asriel se manteve em silêncio. O bater da corda no mastro, lá no alto, era o único som que se fazia ouvir.
— Vá com calma, senhor — disse Lorde Asriel com gentileza. — Sabe onde está minha filha?
— Himalaia... em seu próprio mundo — sussurrou Baruch. — Grandes montanhas. Uma caverna próxima a um vale cheio de arco-íris...
— Fica a uma enorme distância daqui em ambos os mundos. Você voou muito depressa.
— Este é o único dom que possuo — disse Baruch — exceto o amor de Balthamos, a quem nunca mais verei.
— E se o senhor a encontrou tão facilmente.
— Então qualquer outro anjo também poderá encontrar.
Lorde Asriel pegou um Atlas no gaveteiro de mapas e o abriu, procurando as páginas que mostravam o Himalaia.
— Poderia ser preciso? — perguntou. — Pode me mostrar exatamente onde?
— Com a faca... — Baruch tentou dizer e Lorde Asriel percebeu que sua mente estava divagando: — Com a faca ele pode entrar e sair de qualquer mundo que quiser... O nome dele é Will. Mas eles estão correndo perigo, ele e Balthamos... Metatron sabe que descobrimos seu segredo. Eles nos perseguiram... Eles me apanharam sozinho nas fronteiras de seu mundo... eu era irmão dele... foi por isso que descobrimos o caminho na Montanha Nublada. Metatron um dia foi Enoque, filho de Jared, filho de Mahalalel... Enoque teve muitas esposas. Amava os prazeres da carne... Meu irmão Enoque me expulsou, porque eu... Ah, meu caro Balthamos...
— Onde está a garota?
— Sim. Sim. Uma caverna... a mãe dela... vale cheio de ventos e arco-íris... bandeirolas rasgadas no relicário...
Ele se levantou na cama para olhar para o Atlas.
Então a pantera branca levantou-se de um salto, num movimento rápido e pulou para a porta, mas era tarde demais. O ordenança que bateu à porta abriu sem esperar. Era assim que as coisas eram feitas, não era culpa de ninguém, mas ao ver a expressão no rosto do soldado, que olhava para além dele, Lorde Asriel se virou e viu Baruch lutando e tremendo de esforço, na tentativa de manter inteira sua forma ferida. O esforço foi mais do que ele podia suportar. Uma corrente de vento vinda da porta aberta enviou uma lufada de ar para cima da cama e as partículas da forma do anjo, frouxas devido à sua força que se esvaía, rodopiaram para o alto ao acaso e desapareceram.
— Balthamos! — veio um sussurro do ar.
Lorde Asriel pôs a mão no pescoço de seu dimon pantera, ela o sentiu tremer e o acalmou. Ele se virou para o ordenança.
— Milorde, desculpe-me.
— Não foi culpa sua. Leve meus cumprimentos ao Rei Ogunwe. Gostaria que ele e meus outros comandantes viessem até aqui imediatamente. Também gostaria que o Sr. Basilides estivesse presente, com o aletiômetro. Finalmente, quero que a Esquadrilha nº2 de girópteros seja armada e abastecida, bem como um zepelim tanque, e que estejam prontos para decolar imediatamente rumo ao sudoeste. Enviarei ordens complementares quando estiverem no ar.
O ordenança bateu continência e, com mais um olhar rápido e constrangido para a cama vazia, saiu e fechou a porta.
Lorde Asriel batucou no tampo da escrivaninha com um compasso de metal e cruzou o aposento, indo até a janela aberta que dava para o sul. Na distância abaixo, as fogueiras sempre acesas lançavam sua luz e fumaça no ar sombrio e mesmo àquela grande altura o bater de martelos podia ser ouvido em meio ao uivar do vento.
— Bem, descobrimos um bocado de coisas, Stelmaria — disse ele em voz baixa. — Mas não o suficiente.
Houve outra batida à porta e o aletiometrista entrou. Era um homem pálido, magro, de meia-idade, seu nome era Teukros Basilides e seu dimon era um rouxinol.
— Sr. Basilides, boa noite — disse Lorde Asriel. — Vou explicar qual é o nosso problema e gostaria que pusesse de lado tudo o mais enquanto trata dele...
Então ele relatou ao homem o que Baruch havia contado e mostrou o Atlas.
— Localize a tal caverna — instruiu. — Obtenha as coordenadas com tanta precisão quanto for possível. Comece imediatamente, por favor.


... bateu o pé com tanta força que chegou a doer, mesmo no sonho.
Você não acredita que eu seja capaz de fazer uma coisa dessas, Roger, de maneira que não diga isso. Eu vou acordar e não vou esquecer, pronto.
Lyra olhou em volta, mas tudo o que podia ver eram olhos arregalados e rostos sem esperança, rostos pálidos, rostos escuros, rostos velhos, rostos jovens, todos os mortos reunidos se acotovelando em torno deles, silenciosos e tristes.
O rosto de Roger era diferente. A expressão dele era a única que tinha esperança.
Por que você tem essa expressão? — perguntou ela. — Por que não está infeliz como eles? Por que não perdeu a esperança?
E ele respondeu:
Porque...

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Boa leitura :)