17 de fevereiro de 2017

37. As dunas

Minh’alma, não busques a vida eterna, mas esgota o reino do possível.
Píndaro

No dia seguinte, Will e Lyra saíram sozinhos de novo, falando pouco, ansiosos para estarem a sós. Pareciam atordoados, como se algum feliz acidente lhes tivesse roubado a agilidade de pensamento, eles se moviam devagar, seus olhos não estavam concentrados nas coisas para as quais olhavam.
Passaram o dia inteiro nas vastas colinas e, no calor da tarde, visitaram a clareira de ouro e prata no bosque. Conversaram, banharam-se, comeram, beijaram-se, depois ficaram deitados, num transe de felicidade, murmurando aquelas palavras cujos sons eram tão confusos quanto seu sentido, e tiveram a impressão de que estavam se derretendo de amor.
Ao anoitecer, sentaram para comer com Mary e Atai, mais uma vez falando pouco e, como o ar estava quente, decidiram fazer uma caminhada até a beira do mar, onde achavam que poderia haver uma brisa fresca. Foram seguindo pela margem do rio até chegarem à praia larga, clara sob a luz do luar, onde a maré baixa estava virando.
Deitaram-se na areia macia na base das dunas e então ouviram o primeiro pássaro cantar.
Os dois viraram a cabeça imediatamente, porque era um canto de pássaro que não se parecia em nada com nenhum dos outros seres que pertenciam ao mundo em que estavam. De algum lugar acima, na escuridão, veio o som de um trinado e um outro respondeu, vindo de uma direção diferente. Encantados, Will e Lyra levantaram-se de um salto e tentaram ver os cantores, mas tudo o que conseguiram avistar foram dois vultos que planavam, voando baixo, e depois saíam como dardos para as alturas, o tempo todo cantando e cantando, em sons ricos e límpidos como sinos, uma melodia de infinitas variações.
E então, com um bater de asas que levantou um pequeno chafariz de areia à sua frente, o primeiro pássaro pousou a poucos metros de distância. Lyra chamou:
— Pan?
Ele estava com a forma de um pombo, mas sua cor era escura e difícil de distinguir ao luar, e, de qualquer maneira, ele aparecia claramente sobre a areia branca. O outro pássaro ainda voava em círculos acima, ainda cantando, e então ela desceu voando para vir se juntar a ele: uma pomba também, mas branco-perolada e com uma crista de penas vermelho-escuras. E então Will descobriu como era ver seu dimon. Quando ela desceu voando até a areia, ele sentiu seu coração se apertar e depois se soltar de uma maneira que nunca esqueceria.
Mais de 60 anos se passariam e, já na velhice, ele ainda sentiria algumas sensações com a mesma intensidade e o mesmo frescor de sempre: os dedos de Lyra pondo a frutinha entre seus lábios, sob as árvores banhadas de ouro e prata, seus lábios cálidos contra os dele, seu dimon sendo arrancado de seu peito inocente, enquanto entravam no mundo dos mortos, e a retidão, a doce correção de ela voltar para ele ali, na base das dunas iluminadas pelo luar.
Lyra fez um movimento para se aproximar deles, mas Pantalaimon falou.
— Lyra — disse ele — Serafina Pekkala veio nos procurar ontem à noite. Ela nos contou uma porção de coisas. Já foi embora para ir se encontrar com os gípcios e trazê-los até aqui. Farder Coram está a caminho e Lorde Faa também, eles estarão aqui...
— Pan — disse ela, aflita. — Ah, meu Pan, você não está feliz... o que foi? O que foi que aconteceu?
Então ele mudou e voou sobre a areia num movimento fluido, com a forma de arminho branco como a neve. O outro dimon também mudou de forma Will sentiu isso acontecer, como um pequeno aperto em seu coração — e transformou-se numa gata.
Antes de se aproximar dele, a gata disse:
— A bruxa me deu um nome. Eu não precisava de um nome antes. Ela me chamou de Kirjava. Mas ouçam, vocês agora têm que nos ouvir...
— Sim, vocês precisam nos ouvir — declarou Pantalaimon. — Isso é difícil de explicar.
Se alternando, os dimons conseguiram explicar a eles tudo o que Serafina lhes havia contado, começando pela revelação sobre a natureza das crianças: sobre como, sem querer, eles haviam se tornado iguais às bruxas em sua capacidade de se separar de seus dimons e mesmo assim continuar sendo um único ser.
— Mas isto não é tudo — advertiu Kirjava.
E Pantalaimon disse:
— Ah, Lyra, perdoe-nos, mas temos que contar a vocês o que descobrimos...
Lyra estava perplexa. Quando, algum dia, Pan havia precisado ser perdoado? Ela olhou para Will e viu sua perplexidade tão claramente quanto a que sentia.
— Pode contar — disse ele. — Não tenha medo.
— É sobre o Pó — disse o dimon gata, e Will ficou maravilhado ao ouvir uma parte de seu próprio ser contar-lhe uma coisa que ele não sabia. — Todo o Pó estava fluindo para fora do mundo, todo o Pó que existia, e descendo pelo abismo que vocês viram. Alguma coisa fez com que parasse de fluir e desaparecer lá dentro, mas...
— Will, era aquela luz dourada! — exclamou Lyra. — Aquela luz toda que fluía para o abismo e desaparecia... E aquilo era Pó? Era mesmo?
— Era. Mas ainda há mais Pó vazando para lá o tempo todo — prosseguiu Pantalaimon. — E isso não pode acontecer. É muito importante que todo ele não continue a vazar. O Pó tem que ficar no mundo e não desaparecer, pois caso contrário tudo o que existe de bom vai murchar e morrer.
— Mas de onde o resto está saindo? — perguntou Lyra.
Os dois dimons olharam para Will e para a faca.
— Toda vez que fizemos uma abertura — explicou Kirjava, e novamente Will sentiu aquele pequeno arrepio de prazer: “Ela sou eu e eu sou ela...” — toda vez que alguém fez uma abertura entre os mundos, nós ou os homens da antiga Guilda, qualquer pessoa, a faca cortava uma abertura no vazio que fica do lado de fora. O mesmo vazio que existe no fundo do abismo. Nós nunca soubemos disso. Ninguém nunca soube, porque a borda era fina demais para ser vista. Mas era grande o bastante para que o Pó vazasse através dela. Se a abertura fosse de novo fechada, imediatamente, não havia tempo para que vazasse muito, mas houve milhares de aberturas que eles nunca fecharam. De modo que, durante todo esse tempo, o Pó esteve vazando para fora dos mundos e indo para o nada.
A compreensão do que tudo aquilo significava estava começando a surgir, como a luz do dia raiando, na mente de Will e de Lyra. Eles lutaram contra isso, empurraram para longe, mas era exatamente como a luz cinzenta que penetra no céu e apaga as estrelas: ela foi se infiltrando através de todas as barreiras que eles conseguiram levantar, e por baixo de todos os biombos, e pelos cantos de todas as cortinas que conseguiram fechar contra ela.
— Todas as aberturas — disse Lyra num murmúrio.
— Todas as aberturas... todas elas têm de ser fechadas? — perguntou Will.
— Sim, todas — respondeu Pantalaimon, num murmúrio, como Lyra.
— Ah, não — exclamou Lyra. — Não, não pode ser verdade...
— E por isso teremos de deixar nosso mundo e ficar no de Lyra — disse Kirjava — ou Pan e Lyra terão de deixar o deles e vir ficar no nosso. Não há outra escolha.
E então a luz plena e desoladora do dia se fez.
E Lyra começou a gritar e chorar. O grito de coruja de Pantalaimon, da noite anterior, havia assustado todas as pequeninas criaturas que o haviam ouvido, mas aquele grito não era nada diante do pranto desesperado, carregado de paixão que Lyra não podia conter. Os dimons ficaram chocados e Will, vendo a reação deles, compreendeu por quê: eles não conheciam o resto da verdade, não tinham conhecimento do que Will e Lyra sabiam. Lyra estava tremendo de raiva e desespero, andando em passadas largas de um lado para o outro, com os punhos cerrados e virando o rosto banhado de lágrimas, para a esquerda e para a direita como se buscando uma resposta. Will levantou-se de um salto e a agarrou pelos ombros, e a sentiu tensa e tremendo.
— Ouça — disse. — Lyra, escute: o que foi que meu pai disse?
— Ah — exclamou, chorando, sacudindo a cabeça sem parar — ele disse... você sabe o que ele disse... você estava lá, Will, você também ouviu!
Will pensou que ela fosse morrer ali, naquela hora, de dor e de tristeza. Lyra atirou-se nos braços dele e soluçou, agarrando-se apaixonadamente aos ombros dele, enfiando as unhas nas costas dele e seu rosto no pescoço de Will, e tudo o que ele conseguia ouvir era:
— Não... não... não...
— Escute — disse ele, de novo — Lyra, vamos tentar nos lembrar exatamente.
Poderia haver alguma saída. Poderia haver algum meio. Ele afastou os braços dela delicadamente e fez com que se sentasse. Assustado, Pantalaimon imediatamente saltou para o colo de Lyra, e o dimon gata se aproximou hesitante de Will. Ele ainda não havia tocado nela, mas naquele momento estendeu a mão em sua direção e ela encostou sua face de gata em seus dedos movendo-a numa carícia, depois, delicadamente, subiu em seu colo.
— Ele disse — começou Lyra, engolindo os soluços — ele disse que as pessoas podiam passar algum tempo em outros mundos sem serem afetadas. Podiam. E nós já passamos, não passamos? Além do que tivemos de fazer para ir ao mundo dos mortos, ainda estamos saudáveis, não estamos?
— Mas como era com Lorde Boreal? Sir Charles? Ele era bastante saudável, não era?
— Era, mas lembre-se, ele podia voltar para seu próprio mundo sempre que quisesse e recuperar a saúde. Afinal, foi lá que você o viu pela primeira vez, no seu mundo. Ele deve ter descoberto alguma janela secreta que mais ninguém conhecia.
— Bem, nós poderíamos fazer isso!
— Poderíamos, só que...
— Todas as janelas têm que ser fechadas — disse Pantalaimon. — Todas elas.
— Mas como você sabe? — questionou Lyra.
— Um anjo nos disse — respondeu Kirjava. — Encontramos um anjo. Ela nos contou tudo a respeito disso e outras coisas também. É verdade, Lyra.
— Ela? — perguntou Lyra em tom exaltado, desconfiado.
— Era um anjo mulher.
— Nunca ouvi falar de anjo mulher. Talvez ela estivesse mentindo.
Will estava pensando numa outra possibilidade.
— E se fechássemos todas as outras janelas — sugeriu — e fizéssemos uma, apenas quando precisássemos, e passássemos por ela tão depressa quanto pudéssemos e a fechássemos imediatamente... assim seria seguro, não acha? Se não deixássemos muito tempo para que o Pó saísse?
— Claro!
— Nós faríamos a janela num lugar onde ninguém pudesse encontrá-la — prosseguiu ele — e só nós saberíamos...
— Ah, isso daria certo! Tenho certeza que daria! — exclamou Lyra.
— E poderíamos passar de um mundo a outro e nos manter saudáveis.
Mas os dimons estavam angustiados e Kirjava estava murmurando:
— Não, não — e Pantalaimon disse:
— Os Espectros... Ela também nos falou dos Espectros.
— Os Espectros? — perguntou Will. — Nós os vimos durante a batalha, pela primeira vez. O que têm eles?
— Bem, descobrimos de onde eles vêm — respondeu Kirjava. — E essa é a pior parte: eles são como filhos do abismo. Cada vez que abrimos uma janela com a faca, ele faz um Espectro. É como se um pedacinho do abismo saísse flutuando e entrasse no mundo. Era por isso que o mundo de Cittàgazze era tão cheio deles, por causa de todas as janelas que deixaram abertas por lá.
— E eles crescem se alimentando de Pó — disse Pan. — E de dimons. Porque Pó e dimons são meio parecidos, pelo menos os dimons de adultos. E os Espectros ficam maiores e mais fortes como os adultos...
Will sentiu um terror sombrio em seu coração e Kirjava apertou-se contra o peito dele, sentindo-o também, e tentando confortá-lo.
— De modo que toda vez que eu usei a faca — disse — cada uma das vezes, fiz nascer mais um Espectro?
Ele se lembrou de Iorek na caverna onde havia forjado de novo a faca, dizendo: “O que você não sabe é o que a faca faz sozinha. Suas intenções podem ser boas. Mas a faca também tem intenções.”
Os olhos de Lyra estavam cravados nele, arregalados de angústia.
— Ah, Will, nós não podemos — declarou. — Não podemos fazer isso com as pessoas... não podemos deixar que outros Espectros venham, não agora, depois que vimos o que eles fazem!
— Está bem — disse ele, se levantando, abraçando seu dimon contra o peito. — Então teremos que... um de nós terá que... eu irei para o seu mundo e...
Ela sabia o que ele ia dizer e o viu carregando no colo o dimon lindo e saudável, que nem sequer tinha começado a conhecer, e pensou na mãe dele, e teve certeza que ele estava pensando nela também. Abandoná-la para viver com Lyra, mesmo pelos poucos anos que teriam juntos — será que poderia fazer isso? Ele poderia viver com Lyra, mas ela sabia que ele não seria capaz de viver consigo mesmo.
— Não — exclamou, pondo-se de pé ao lado dele, e Kirjava foi se juntar a Pan na areia, enquanto o menino e a menina se abraçavam desesperadamente. — Eu faço isso, Will! Nós iremos para o seu mundo e viveremos lá! Não faz mal se ficarmos doentes, eu e o Pan... nós somos fortes, aposto que duraremos um bom tempo e, provavelmente, existem bons médicos em seu mundo... a Dra. Malone deve saber! Ah, vamos fazer isso!
Ele estava sacudindo a cabeça, fazendo que não, e ela viu as lágrimas brilhando em suas faces.
— Você acha que eu poderia suportar isso, Lyra? — perguntou. — Acha que eu poderia viver feliz vendo você adoecer e piorar, ir minguando e depois morrer, enquanto eu fosse ficando mais forte e adulto a cada dia? Dez anos... Isso não é nada. Passaria num instante. Estaríamos com vinte e poucos anos. Não falta muito para chegarmos lá. Pense nisso, Lyra, você e eu adultos, acabando de nos preparar para fazer todas as coisas que queremos fazer... e então... tudo acabará. Você acha que eu suportaria continuar vivendo depois que você morresse? Ah, Lyra, eu seguiria você na descida até o mundo dos mortos sem pensar duas vezes, exatamente como você seguiu Roger, e assim seriam duas vidas perdidas por nada, a minha vida desperdiçada assim como a sua. Não, nós deveríamos passar nossa vida inteira juntos, ter uma vida longa e produtiva, os dois, e se não pudermos vivê-la juntos, nós... nós teremos que viver separados.
Mordendo o lábio, ela o observou enquanto ficava caminhando para baixo e para cima em sua terrível angústia.
Ele parou, se virou e prosseguiu:
— Você se lembra de uma outra coisa que ele disse, meu pai? Ele disse que temos que construir uma república do céu onde estivermos. Disse que para nós não existe nenhum outro lugar. Era isso que estava querendo dizer, agora compreendo. Ah, mas é cruel e triste demais. Pensei que ele estivesse se referindo apenas a Lorde Asriel e a seu novo mundo, mas estava falando de nós, falando de você e de mim. Temos que viver em nossos próprios mundos...
— Eu vou perguntar ao aletiômetro — disse Lyra. — Ele vai saber. Não sei por que não pensei nisso antes.
Ela sentou na areia, enxugando o rosto com a palma de uma das mãos e estendendo a outra para a sacola de lona. Lyra a levava consigo para toda parte: quando Will pensasse nela anos depois, com frequência seria com aquela pequena sacola no ombro. Ela empurrou o cabelo para trás, enfiando-o atrás das orelhas com aquele movimento rápido que ele amava, e tirou o embrulho de veludo preto.
— Consegue enxergar? — perguntou ele, pois embora a lua estivesse clara, os símbolos em círculo no mostrador eram muito pequenos.
— Eu sei onde todos eles estão — respondeu ela — sei de cor. Agora fique calado.
Ela cruzou as pernas, puxando a saia sobre as pernas para fazer um apoio. Will se deitou, apoiado num cotovelo, e observou. A luz intensa do luar, refletida na areia, iluminava o rosto de Lyra com um brilho que parecia refletir uma outra luz que vinha de dentro dela, seus olhos brilhavam e sua expressão estava tão séria e concentrada que Will poderia ter se apaixonado por ela de novo, se o amor já não possuísse cada fibra de seu ser.
Lyra respirou fundo e começou a girar os ponteiros. Mas depois de apenas alguns instantes ela parou e virou o instrumento ao contrário.
— Lugar errado — disse simplesmente e tentou de novo. Will, acompanhando tudo, via seu rosto amado claramente. E como o conhecia tão bem e já havia observado sua expressão na alegria e no desespero, na esperança e no sofrimento, logo ficou sabendo que alguma coisa estava errada, pois não havia sinal da concentração nítida em que ela costumava mergulhar tão rapidamente.
Em vez disso, uma expressão de perplexidade infeliz começou a se espalhar gradualmente: ela mordeu o lábio, começou a piscar cada vez mais e seus olhos se moveram lentamente de um símbolo para outro, quase que ao acaso, em vez de dardejar rápida e confiantemente.
— Não sei — disse ela, sacudindo a cabeça — não sei o que está acontecendo... Eu o conheço tão bem, mas parece que não consigo entender o que está querendo dizer...
Ela respirou fundo, trêmula, e virou o instrumento para o outro lado. Parecia estranho e pesado em suas mãos. Pantalaimon, sob a forma de camundongo, esgueirou-se para o colo dela e descansou as patinhas negras sobre o cristal, olhando fixamente para um símbolo depois do outro. Lyra girou um ponteiro, girou outro, depois virou a coisa inteira ao contrário e então levantou a cabeça e olhou para Will, arrasada.
— Ah, Will — exclamou — não consigo mais ler! Perdi a capacidade!
— Calma — disse ele — não se preocupe. Ainda está aí dentro de você, todo aquele conhecimento. Agora trate de se acalmar e procure encontrá-lo. Não faça força. Apenas relaxe e vá flutuando até tocá-lo...
Ela engoliu em seco e assentiu, irritada, esfregou o punho nos olhos, depois respirou fundo várias vezes, mas ele podia ver que estava tensa demais, e pôs as mãos nos ombros dela e a sentiu tremer, então a abraçou bem apertado. Lyra afastou-se dele e tentou novamente. Mais uma vez olhou para os símbolos e girou os ponteiros, mas aqueles degraus invisíveis de significado em que ela havia pisado, descendo aos vários níveis com tanta facilidade e confiança, simplesmente não estavam mais lá. Ela não sabia o que nenhum dos símbolos significava.
Ela se virou de volta, se agarrou em Will e disse desesperada:
— Não adianta, eu não sei mais...  desapareceu para sempre...simplesmente vinha quando eu precisava, para todas as coisas que eu tinha que fazer... para salvar Roger, depois para nós dois... e agora acabou, agora tudo se acabou, simplesmente perdi a capacidade de ler... estava com medo de que isso acontecesse, porque tem sido tão difícil... pensei que não estava conseguindo enxergar direito, ou que meus dedos estivessem enrijecidos, ou sei lá, mas não era nada disso, o conhecimento estava simplesmente me deixando, estava apenas se apagando aos poucos... Ah, foi-se embora, Will, eu o perdi! E nunca mais vai voltar!
Ela soluçou com um abandono desesperado. Tudo o que Will podia fazer era abraçá-la. Não sabia como consolá-la, porque era evidente que estava certa.
Então os dois dimons se arrepiaram e olharam para o alto. Will e Lyra também perceberam e seguiram os olhos deles para o céu. Uma luz estava se movendo na direção deles: uma luz com asas.
— Ê o anjo que vimos — disse Pantalaimon, arriscando um palpite. E adivinhou corretamente.
Enquanto o menino e a menina observavam sua aproximação, Xaphania abriu mais as asas e veio planando até a areia. Will, a despeito de todo o tempo que tinha passado na companhia de Balthamos, não estava preparado para a estranheza daquele encontro. Ele e Lyra seguraram a mão um do outro, bem apertadas, enquanto o anjo se aproximava deles, com a luz de um outro mundo brilhando sobre ela. Estava despida, mas isso não significava nada: de qualquer maneira, que roupas poderia um anjo vestir?, pensou Lyra. Era impossível dizer se era velha ou moça, mas sua expressão era austera e compassiva, e tanto Will quanto Lyra tiveram a sensação de que ela os conhecia até o fundo do coração.
— Will — disse ela — vim para pedir sua ajuda.
— Minha ajuda? Como posso ajudar?
— Quero que me mostre como se fecham as aberturas que a faca faz.
Will engoliu em seco.
— Eu mostro — respondeu — e, em troca, pode nos ajudar?
— Não da maneira como vocês querem. Sei a respeito do que estiveram falando. O sofrimento de vocês deixou marcas até no ar. Sei que isso não é consolo, mas creiam-me, todos os seres que têm conhecimento do dilema de vocês desejariam que as coisas pudessem ser diferentes: mas há destinos a que mesmo os mais poderosos dentre nós temos que nos submeter. Não há nada que eu possa fazer para ajudar vocês a mudar a maneira como são as coisas.
— Por que — Lyra começou a falar e descobriu que sua voz estava fraca e trêmula — por que não consigo mais ler o aletiômetro? Por que não consigo fazer isso? Era a única coisa que eu sabia fazer realmente bem, e simplesmente não está mais lá... desapareceu como se nunca tivesse existido...
— Sua capacidade de ler era uma graça — disse Xaphania, olhando para ela — e pode recuperá-la através de trabalho.
— Quanto tempo vai levar?
— Uma vida inteira.
— Tudo isso...
— Mas sua leitura, então, será muito melhor, depois de uma vida inteira de reflexão e esforço, porque virá da compreensão e do conhecimento conscientes. Graças alcançadas assim são mais profundas e mais plenas que uma graça que vem sem custar nada e, além disso, depois que a tiver alcançado, nunca mais a deixará.
— Está querendo dizer toda uma vida inteira, não é? — sussurrou Lyra. — Uma vida longa inteira? Não... não apenas... alguns anos...
— Sim, exatamente — respondeu o anjo.
— E todas as janelas têm que ser fechadas? — perguntou Will. — Todas elas mesmo?
— Compreenda o seguinte — disse Xaphania. — O Pó não é uma constante. Não existe uma quantidade fixa que sempre tenha sido a mesma. Seres conscientes produzem Pó... e o renovam o tempo todo, ao pensar, e sentir, e refletir, ao adquirir saber e ao transmiti-lo para os outros. E se vocês ajudarem todas as outras pessoas em seus mundos a fazer isso, ajudando-as a conhecerem e compreenderem a si mesmas e às outras e a maneira como tudo funciona, e mostrando-lhes como serem gentis em vez de serem cruéis, pacientes em vez de apressados, alegres em vez de grosseiras e, sobretudo, como manter suas mentes abertas, livres e curiosas... então elas renovarão o suficiente para repor o que se perde através de uma janela aberta. De modo que poderia haver uma deixada aberta.
Will tremeu de excitação e sua mente saltou para um único ponto: para uma nova janela no ar, entre seu mundo e o de Lyra. E seria o segredo deles, poderiam atravessá-la sempre que quisessem e viver por algum tempo no mundo um do outro, não vivendo o tempo todo em nenhum dos dois, de modo que seus dimons pudessem se manter saudáveis, e poderiam crescer juntos e talvez, muito mais tarde, poderiam ter filhos que seriam cidadãos secretos de dois mundos, e poderiam trazer todo o conhecimento de um mundo para o outro, poderiam fazer todo tipo de coisas boas...
Mas Lyra estava sacudindo a cabeça.
— Não — disse ela, num lamento sufocado. — Não podemos, Will — E, de repente, ele soube em que ela estava pensando e no mesmo tom angustiado disse: — Não, os mortos.
— Temos que deixá-la aberta para eles! Nós temos!
— É, caso contrário...
— E temos que fazer bastante Pó para eles, e manter a janela aberta.
Ela estava tremendo. Sentia-se muito jovem, apenas uma menininha, enquanto ele a abraçava, mantendo-a colada ao seu corpo.
— E se fizermos — disse ele quase chorando, a voz trêmula — se vivermos nossa vida corretamente e pensarmos neles enquanto a vivermos, então terão alguma coisa para contar às harpias, também. Precisamos dizer isso às pessoas, Lyra.
— Para terem histórias verdadeiras, claro — concordou ela — as histórias verdadeiras que as harpias querem ouvir em troca. Claro. Pois se as pessoas viverem a vida inteira e, quando tiver acabado, não tiverem nada para contar a respeito dessa vida, então nunca deixarão o mundo dos mortos. Nós precisamos dizer isso a elas, Will.
— Mas, cada um de nós, sozinho...
— Sim — concordou ela — sozinho...
E diante da palavra sozinho, Will sentiu uma enorme onda de raiva e de desespero começar a se mover, levantando-se para sair, vinda de um lugar muito profundo dentro dele, como se sua mente fosse um oceano que alguma profunda convulsão tivesse agitado. Sua vida inteira tinha estado sozinho e, agora, ele teria que ficar sozinho de novo e aquela bênção infinitamente preciosa que lhe tinha sido concedida teria que lhe ser tomada quase que imediatamente. Ele sentiu a onda crescer, ficando mais alta e mais escarpada para escurecer o céu, e sentiu a crista tremer e começar a cair, sentiu a grande massa descer, despencando, com todo o peso do oceano atrás de si, para explodir contra a costa rochosa e dura do que tinha que ser. E descobriu-se arquejando, soluçando, tremendo e chorando alto, com mais raiva e sofrimento do que jamais tinha sentido em sua vida, e encontrou Lyra igualmente desamparada em seus braços. Mas, à medida que a onda despendia sua força e as águas recuavam, as rochas frias e desoladas permaneceram lá, não havia como discutir com o destino, nem seu desespero nem o de Lyra as tinham movido um único centímetro.
Quanto tempo durou aquela raiva, ele não tinha ideia. Mas, finalmente, teve que diminuir e o oceano ficou um pouco mais calmo depois da convulsão. As águas ainda estavam agitadas e talvez elas nunca mais fossem ficar realmente calmas de novo, mas a força imensa se fora.
Eles se viraram para o anjo e viram que ela compreendia, e que se sentia tão triste e infeliz quanto eles. Mas ela era capaz de ver mais longe do que eles e havia uma esperança calma em sua expressão também.
Will engoliu com dificuldade e disse:
— Está bem. Vou lhe mostrar como se fecha uma janela. Mas primeiro terei que abrir uma e fazer mais um Espectro. Nunca soube de nada sobre os Espectros, caso contrário teria sido mais cuidadoso.
— Nós cuidaremos dos Espectros — disse Xaphania.
Will pegou a faca e virou-se de frente para o mar. Para sua surpresa, suas mãos estavam bastante firmes. Cortou uma janela para seu próprio mundo, e eles se viram olhando para uma enorme fábrica ou indústria química, onde tubulações complicadas se estendiam entre os prédios e tanques de armazenagem, onde luzes brilhavam em cada canto, onde filetes de vapor subiam no ar.
— É estranho pensar que anjos não saibam como fazer isso — comentou Will.
— A faca foi uma invenção humana.
— E vai fechar todas elas, exceto uma — disse Will. — Todas, exceto a do mundo dos mortos.
— Sim, isso está prometido. Mas é uma promessa condicional e vocês sabem qual é a condição.
— É, nós sabemos. São muitas as janelas que existem para fechar?
— Milhares. E há o terrível abismo feito pela bomba e há a grande abertura que Lorde Asriel fez para sair de seu mundo. Ambos devem ser fechados e serão. Mas existem muitas aberturas menores também, algumas em lugares muito profundos debaixo da terra, algumas bem altas no ar, que foram criadas de outras maneiras.
— Baruch e Balthamos disseram-me que usavam aberturas assim para viajar entre os mundos. Os anjos não poderão mais fazer isso? Vocês serão confinados a um mundo como nós somos?
— Não, nós temos outras maneiras de viajar.
— A maneira que vocês têm de viajar — interessou-se Lyra — seria possível de nós aprendermos?
— Seria. Vocês poderiam aprender a fazê-lo, como o pai de Will fez. Ela utiliza a faculdade que vocês chamam de imaginação. Mas isso não significa inventar coisas. É uma forma de visão.
— Então não é viagem de verdade — argumentou Lyra. — Ê só simulação, só faz-de-conta...
— Não — retrucou Xaphania — não tem nada de parecido com faz-de-conta. Fazer de conta é fácil. Essa maneira é difícil, mas muito mais verdadeira.
— E é como o aletiômetro? — perguntou Will. — Leva-se uma vida inteira para aprender?
— Exige muito tempo de prática, sim. Você tem que trabalhar muito. Você pensou que poderia estalar os dedos e conseguir tê-la como se fosse um presente? Tudo que vale a pena ter, vale a pena o esforço de trabalhar para ter. Mas você tem uma amiga que já deu os primeiros passos e que poderia ajudá-lo.
Will não tinha nenhuma ideia de quem pudesse ser e, no momento, não estava com disposição para perguntar.
— Compreendo — disse, suspirando. — E nós a veremos de novo? Alguma vez voltaremos a falar com um anjo depois que voltarmos para nossos mundos?
— Eu não sei — respondeu ela. — Mas não deveria desperdiçar seu tempo esperando.
— E tenho que quebrar a faca — disse Will.
— Sim.
Enquanto estavam conversando, a janela tinha ficado aberta ao lado deles. As luzes estavam acesas na fábrica, o trabalho continuava, máquinas funcionavam, substâncias químicas se combinavam, pessoas estavam produzindo materiais e ganhando a vida. Aquele era o mundo a que Will pertencia.
— Bem, vou lhe mostrar o que fazer.
E assim ele ensinou ao anjo como tatear com delicadeza e encontrar as bordas da janela, exatamente como Giacomo Paradisi tinha lhe mostrado, procurando-as com as pontas dos dedos, tateando, encontrando as bordas e apertando-as uma contra a outra. Pouco a pouco a janela foi fechada e a fábrica desapareceu.
— As aberturas que não foram feitas pela faca sutil — perguntou Will. — É realmente necessário fechar todas elas? Porque certamente o Pó só escapa pelas aberturas que a faca fez. As outras devem ter estado lá há milhares de anos e o Pó continua a existir.
— Devemos fechar todas as aberturas — declarou o anjo — porque se você acreditasse que ainda restava alguma, passaria a vida procurando por ela e isso seria um desperdício do tempo que tem. Você tem outras coisas a fazer, um trabalho muito mais importante e mais valioso, em seu mundo. Não haverá mais tempo para viajar fora dele.
— Que trabalho tenho que fazer então? — perguntou Will, mas emendou imediatamente. — Não, pensando bem, não me diga. Eu vou decidir o que vou fazer. Se disser que meu trabalho é lutar, curar, ou fazer explorações, ou seja lá o que for que possa dizer, sempre ficarei pensando nisso e se realmente acabar fazendo isso, me sentirei ressentido porque seria como se eu não tivesse tido escolha, e se não fizer, me sentirei culpado porque deveria ter feito. Qualquer coisa que eu faça, quero que seja por minha escolha, de mais ninguém.
— Então já deu os primeiros passos para alcançar a sabedoria — declarou Xaphania.
— Tem uma luz lá longe no mar — disse Lyra.
— Aquilo é o navio trazendo seus amigos para levá-la para casa. Estarão aqui amanhã.
A palavra amanhã para eles foi como um golpe violento. Lyra nunca havia imaginado que poderia se sentir relutante em ver Fardei Coram, John Faa e Serafina Pekkala.
— Agora, eu vou embora — disse o anjo. — Aprendi o que precisava saber.
Ela abraçou cada um deles com seus braços leves e frescos e os beijou na testa. Depois se abaixou para beijar os dimons e eles se transformaram em pássaros e voaram junto com ela quando abriu as asas e se elevou rapidamente no ar.
Apenas alguns segundos depois, tinha desaparecido. Alguns instantes depois de ela ter ido embora, Lyra deixou escapar uma pequena exclamação.
— O que foi?
— Eu nem perguntei a ela sobre meu pai e minha mãe... e também não posso mais perguntar ao aletiômetro, agora... será que algum dia vou saber o que aconteceu a eles?
Ela sentou devagar e ele sentou ao lado dela.
— Ah, Will — suspirou — o que podemos fazer? Será que há alguma coisa que possamos fazer? Eu quero viver com você para sempre. Quero beijar você, deitar e acordar com você todos os dias da minha vida até morrer, daqui a muitos, e muitos, e muitos anos. Não quero uma lembrança, apenas uma lembrança...
— Não — concordou ele — apenas uma lembrança é muito pouco para ter. São seus cabelos, sua boca, seus braços, seus olhos e suas mãos, de verdade, que eu quero. Eu não sabia que jamais poderia amar tanto alguma coisa. Ah, Lyra, eu queria que esta noite nunca acabasse! Se ao menos pudéssemos ficar aqui assim, e o mundo pudesse parar de girar e todo mundo adormecesse...
— Todo mundo menos nós! E você e eu pudéssemos viver aqui para sempre e apenas continuar nos amando.
— Eu vou amar você para sempre, aconteça o que acontecer. Até o dia em que eu morrer e depois que eu morrer, e quando encontrar meu caminho de saída da terra dos mortos, vou ficar flutuando para sempre, todos os meus átomos, até eu encontrar você de novo...
— E eu estarei procurando por você, Will, em todos os momentos, em cada um e todos os instantes. E quando voltarmos a nos encontrar, vamos nos abraçar tão apertados que nada e ninguém jamais vai nos separar. Todos os meus átomos e todos os seus átomos... Nós viveremos em passarinhos e em flores, em libélulas e em pinheiros, em nuvens e naquelas partículas de luz que você vê flutuando em raios de sol... E quando eles usarem seus átomos para fazer novas vidas, não poderão pegar um, terão que pegar dois, um de você e um de mim, pois estaremos abraçados tão apertados...
Eles ficaram deitados lado a lado, de mãos dadas, olhando para o céu.
— Você se lembra — cochichou ela — da primeira vez que nos encontramos, quando você entrou naquele café em Cittàgazze, e que você nunca tinha visto um dimon?
— Eu não conseguia entender o que ele era. Mas quando vi você, gostei de você imediatamente, porque era corajosa.
— Não, eu gostei de você primeiro.
— Que nada! Você lutou comigo!
— Bem — rebateu ela — lutei. Mas você me atacou.
— Não, eu não! Você entrou correndo, se jogou em cima de mim e me atacou.
— É verdade, mas parei logo.
— É verdade, mas — zombou ele, falando baixinho.
Will a sentiu estremecer e então, sob suas mãos, sentiu os ossos delicados das costas de Lyra começarem a subir e descer e a ouviu soluçar baixinho. Ele acariciou seus cabelos macios, os ombros frágeis, e então beijou seu rosto uma porção de vezes, uma vez após outra até que, algum tempo depois, ela deixou escapar um suspiro profundo e trêmulo e se aquietou. Os dimons voltaram voando, pousaram e, depois de novamente mudarem de forma, se aproximaram deles andando pela areia macia. Lyra sentou-se para recebê-los e Will ficou maravilhado com a maneira como sabia identificar, imediatamente, quem era quem entre os dimons, pouco importando a forma que tivessem. Pantalaimon agora era um animal cujo nome não conseguia muito bem encontrar: parecia um furão, grande e forte, de cor vermelho-dourada, esbelto, sinuoso e cheio de graça. Kirjava era de novo uma gata. Mas, não era uma gata de tamanho comum, e seu pelo era lustroso e farto, com mil cintilações e matizes diferentes de negro-carvão e de sombreados de cinza, o tom de azul de um lago profundo sob o sol do meio-dia, névoa-lavanda-luar-neblina... Para ver o significado da palavra sutileza, era só olhar para o seu pelo.
— Uma marta — disse ele, encontrando o nome do animal de Pantalaimon — uma marta de floresta de pinheiros.
— Pan — chamou Lyra, enquanto ele subia para seu colo num movimento fluido — você não vai mais mudar muito de forma, vai?
— Não — respondeu ele.
— É engraçado — comentou ela — você se lembra de quando éramos pequenos e eu não queria que você parasse de mudar de forma nunca...? Bem, agora já não me importo tanto, não se você ficar assim.
Will pôs a mão sobre a mão de Lyra. Um estado de espírito novo e diferente havia se apoderado dele, e sentia-se decidido e sereno. Sabendo exatamente o que estava fazendo e exatamente o que significaria, tirou a mão do pulso de Lyra e acariciou o pelo vermelho-dourado de seu dimon. Lyra deixou escapar uma exclamação. Mas sua surpresa estava mesclada com um prazer tão semelhante à felicidade que havia dominado seus sentidos quando pusera a frutinha nos lábios dele que não conseguiu protestar, porque estava sem fôlego. Com o coração batendo disparado, ela reagiu da mesma maneira: pôs a mão sobre o pelo deliciosamente sedoso do dimon de Will e, quando seus dedos penetraram, seguraram e alisaram a pelagem, Lyra sabia que Will estava sentindo exatamente o que ela estava sentindo. E também sabia que agora nenhum dos dois dimons mudaria mais de forma, depois de ter sentido na pele a carícia das mãos de seu amado.
Aquelas seriam suas formas para o resto da vida: não quereriam nenhuma outra.
E assim, se perguntando se outros amantes apaixonados antes deles teriam feito aquela descoberta capaz de proporcionar tamanha felicidade e prazer, ficaram deitados juntos enquanto a Terra girava lentamente e a Lua e as estrelas brilhavam com fulgor no céu acima deles.

7 comentários:

  1. Isso... Isso é um final de partir o coração... Cara...

    ResponderExcluir
  2. Karina,
    O capitulo 37 e o 38 estão misturados. E tem um lugar que ao invés de estar escrito mulefas está escrito muletas.

    OBRIGADO

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Opa, nem tinha percebido! Mas arrumei, obrigada por avisar!

      Excluir
  3. Nossa achei q ja tinha lido autores crueis essa (é uma autora né?) superou todos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, muito cruel!
      É um autor, o Philip :P

      Excluir
  4. Aiii Meu coração!!!!!
    Que tristeza...

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)