4 de fevereiro de 2017

23. A ponte para as estrelas

QUANDO o urso desapareceu de vista, Lyra sentiu que uma grande fraqueza a dominava, e às cegas tateou em busca de Pantalaimon.
— Ah, meu querido Pan, não posso continuar! Estou tão apavorada, tão cansada, viajei tanto, estou morrendo de medo! Queria que outra pessoa estivesse no meu lugar, eu juro!
O dimon se encostou ao pescoço dela, morno e reconfortante.
— Não sei o que fazer — Lyra soluçou. — É demais para nós, Pan, nós não vamos conseguir...
Ela se agarrou a ele, ninando-o e deixando os soluços ecoarem pela neve.
Pensava: mesmo se a... a Sra. Coulter chegasse primeiro, isso não ia salvar Roger. Ela levaria o menino para Bolvangar ou coisa pior, e me mataria por vingança...
— Por que eles fazem essas coisas, Pan? Será que todos eles odeiam tanto assim as crianças? Por quê?
Mas Pantalaimon não sabia responder; tudo que podia fazer era ficar bem grudado nela. Aos poucos, enquanto a tempestade de medo se acalmava, ela recuperou a confiança em si. Afinal, ela era Lyra! Podia estar com frio e com medo, mas era Lyra!
— Eu queria... — começou a dizer, mas parou; querer não levava a nada.
Com um último suspiro trêmulo, ela estava pronta para seguir em frente.
A essa altura, a lua morrera, e o céu ao sul estava profundamente escuro, embora milhões de estrelas ali brilhassem como diamantes no veludo. A Aurora Boreal, porém, brilhava cem vezes mais que elas. Lyra nunca a tinha visto tão brilhante e espetacular; a cada movimento, novos milagres de luz dançavam pelo céu. E por trás da inconstante cortina de luz, aquele outro mundo, a cidade iluminada pelo sol, aparecia, clara e sólida.
Quanto mais Lyra e Pantalaimon subiam, mais a terra árida se estendia abaixo deles. Ao norte estava o mar congelado, com rachaduras onde duas placas de gelo tinham colidido, mas, tirando isso, era plano e infinito, chegando até o próprio Polo e indo além dele, sem características, sem vida, sem cor, nu como Lyra jamais poderia ter imaginado. Para o leste e para o oeste, havia mais montanhas de picos altos e pontudos, as escarpas cobertas de neve e cortadas pelo vento em lâminas aguçadas como espadas. Para o sul, estava o caminho por onde tinham vindo, e Lyra olhou para trás com emoção, esperando ver seu querido amigo Iorek Byrnison e sua tropa; mas nada se movia na planície. Ela nem sequer podia ter certeza de estar enxergando os restos do zepelim ou a neve manchada de vermelho em volta dos cadáveres dos guerreiros.
Pantalaimon levantou voo e voltou para o pulso dela em forma de coruja.
— Estão logo atrás do pico! — disse. — Lorde Asriel preparou todos os seus instrumentos, e Roger não consegue fugir...
Enquanto ele falava, a Aurora Boreal piscou e perdeu intensidade, como uma lâmpada anbárica no fim do tempo de uso, e então desapareceu de vez. No escuro, porém, Lyra sentia a presença do Pó, pois o ar parecia cheio de más intenções, como formas de pensamentos ainda por nascer.
Na escuridão que a envolvia, ela ouviu uma voz infantil:
— Lyra! Lyra!
— Estou indo! — ela gritou de volta, e cambaleou para cima, caindo, levantando, lutando, já no final de suas forças, mas avançando sem parar através da neve que brilhava fantasmagoricamente.
— Lyra! Lyra!
— Estou quase chegando — ela ofegou. — Quase chegando, Roger!
Pantalaimon, em sua aflição, mudava de forma rapidamente: leão, arminho, águia, gato-do-mato, salamandra, coruja, leopardo, todas as formas que ele já havia tomado, um caleidoscópio de formas em meio ao Pó...
— Lyra!
Ela chegou ao topo e viu o que estava acontecendo.
A uns 50 metros de distância, Lorde Asriel estava torcendo juntos dois fios que levavam ao trenó tombado de lado, sobre o qual havia uma fila de baterias, vidros e peças de aparelhagem, já cobertos de cristais de gelo. Ele vestia peles grossas e tinha o rosto iluminado pela chama de uma lamparina de nafta. Deitado como a Esfinge ao lado dele estava seu dimon, movimentando a cauda preguiçosamente sobre a neve, a linda pelagem brilhando.
Em sua boca estava o dimon de Roger.
A pequena criatura lutava, arranhava, mordia, passando de pássaro a cachorro, depois gato, rato, outra vez pássaro, incessantemente chamando por Roger, a poucos metros de distância, também lutando, tentando dominar o pânico e a dor e gritando de sofrimento e de frio. Ele chamava o nome de seu dimon e chamava Lyra; ele correu e agarrou o braço de Lorde Asriel mas este o jogou longe. Ele tornou a tentar, chorando e implorando, mas Lorde Asriel o jogou no chão outra vez.
Estavam na beira de um abismo; atrás deles havia apenas trevas infinitas. Estavam mais de 300 metros acima do mar congelado.
Lyra enxergou tudo isso à luz das estrelas; mas então, enquanto Lorde Asriel ligava os fios de seus equipamentos, a Aurora Boreal surgiu outra vez, como a centelha de poder mortal que brinca entre dois terminais, só que nesse caso um deles tinha mais de mil quilômetros de altura e 30 mil de comprimento. A Aurora Boreal mergulhava e crescia, ondulando, cintilando, uma gloriosa catarata de luz.
E era controlada por ele...
Ou então ele estava recebendo energia dela, pois havia um fio que saía de um imenso carretel no trenó e subia diretamente para o céu. Da escuridão surgiu um corvo, que Lyra identificou como o dimon de uma feiticeira. Havia uma feiticeira ajudando Lorde Asriel, e ela levara o fio para as alturas.
E a Aurora brilhava outra vez.
Ele estava quase pronto. Chamou Roger e o menino obedeceu, sacudindo a cabeça, implorando, chorando, mas sem nada poder fazer.
— Não! Fuja, correndo! — Lyra gritou, se lançando encosta abaixo.
Pantalaimon saltou sobre a pantera branca e arrancou o dimon de Roger dos dentes dela. O dimon-pantera saltou sobre ele, e Pantalaimon soltou o outro dimon; ambos, mudando de forma sem parar, voltaram e começaram a lutar com o enorme animal.
Stelmaria tentava atingi-los com suas garras afiadas, e seu rugido encobriu até mesmo os gritos de Lyra. As duas crianças também lutavam contra ele ou contra as formas no ar, aquelas más intenções que desciam pelos jorros de Pó...
E lá no alto a Aurora Boreal oscilava, e seu brilho iluminava ora um prédio, ora um lago, ora uma fila de palmeiras, tudo tão perto que dava a impressão de que se podia passar caminhando de um mundo ao outro.
Lyra deu um pulo e agarrou a mão de Roger, puxando-o com força. Os dois se desvencilharam de Lorde Asriel e correram de mãos dadas, mas Roger caiu e começou a se contorcer, pois a pantera tornara a capturar seu dimon; Lyra conhecia aquela dor e tentou parar... Mas não conseguiram parar.
O rochedo estava deslizando debaixo deles.
Uma plataforma de neve, deslizando inexoravelmente para o abismo...
Para o mar congelado, centenas de metros abaixo deles...
— LYRA!
Coração pulsando, batendo angustiado junto com o de Roger... Mãos que a agarravam com força...
O corpo dele subitamente cambaleou sobre ela; e lá no alto, a maior maravilha. No momento em que ele caiu morto, o domo celeste, cravejado de estrelas, profundo, foi perfurado como se por uma lança.
Um jato de luz, um jato de pura energia liberada como uma flecha lançada por um arco imenso, disparou para cima. As cortinas de luz e cor que eram a Aurora Boreal se rasgaram com um som forte que chegou às extremidades do universo; havia terra seca no céu...
A luz do sol!
A luz do sol brilhando na pelagem de um macaco dourado...
Pois a descida da prateleira de neve havia cessado; talvez uma protuberância na encosta tivesse interrompido a queda. Lyra avistou, na neve remexida do topo da montanha, o macaco dourado surgir do ar ao lado da pantera e viu os dois dimons se eriçarem, fortes e atentos. O macaco tinha a cauda ereta, e a pantera balançava a dela de um lado para outro. Então o macaco estendeu a pata hesitantemente, a pantera baixou a cabeça em gracioso reconhecimento, os dois se tocaram...
E quando Lyra desviou o olhar deles, viu a própria Sra. Coulter presa nos braços de Lorde Asriel. A luz brincava em volta deles como raios e centelhas de intensa energia anbárica. Lyra, impotente, só podia imaginar o que tinha acontecido: a Sra. Coulter havia conseguido atravessar o abismo e chegar até ali...
Seu pai e sua mãe, juntos!
E num abraço apaixonado: uma coisa inimaginável.
Ela arregalou os olhos. O corpo de Roger estava morto em seus braços, imóvel, quieto, descansando. Ela ouviu os pais conversando. A mãe disse:
— Eles nunca vão permitir...
— Permitir? — o pai repetiu. — Nós já passamos da fase de pedir permissão como se fôssemos crianças. Eu tornei possível que qualquer um atravesse, se quiser.
— Eles vão proibir! Vão fechar a passagem e excomungar quem tentar!
— Vai ter gente demais querendo passar. Eles não vão conseguir impedir. Isso vai significar o fim da Igreja, Marisa, o fim do Magisterium, o fim de todos esses séculos de trevas! Olhe para aquela luz lá no alto: é o sol de outro mundo! Sinta o calor dele na sua pele, agora!
— Eles são mais poderosos que tudo, Asriel. Você não conhece...
— Eu não conheço? Ninguém no mundo conhece mais do que eu o poder da Igreja! Mas ela não é suficientemente poderosa para isso. De qualquer maneira, o Pó vai mudar tudo. Agora é impossível impedir.
— Era isso que você queria? Sufocar todos nós, matar todos nós com pecado e trevas?
— Eu queria me libertar, Marisa! E consegui. Olhe, veja as palmeiras balançando na praia! Está sentindo o vento? É o vento de um outro mundo! Sinta nos cabelos, no rosto...
Lorde Asriel afastou o capuz do rosto da Sra. Coulter e virou a cabeça dela para o céu, deslizando os dedos pelos cabelos dela. Lyra observava sem ousar mover um só músculo.
A mulher se agarrou a Lorde Asriel como se estivesse tonta e sacudiu a cabeça, aflita.
— Não, não... Eles estão vindo, Asriel. Sabem para onde eu vinha...
— Então venha comigo para fora deste mundo!
— Não tenho coragem...
— Você? Logo você, não tem coragem? Até sua filha viria. Sua filha teria coragem para qualquer coisa, envergonhando a mãe dela.
— Então vá com ela, e boa viagem. Ela é mais sua do que minha, Asriel.
— Não. Foi você quem a levou; tentou moldá-la. Naquela época, você a queria.
— Ela era rude demais, teimosa demais. Deixei passar tempo demais... Mas onde é que ela está? Segui as pegadas dela até aqui...
— Ainda quer ficar com ela? Duas vezes tentou prendê-la e duas vezes ela fugiu. Se eu fosse ela, ia sair correndo para não lhe dar uma terceira oportunidade.
As mãos dele, ainda segurando a cabeça dela, de repente ficaram tensas e a puxaram para ele num beijo apaixonado. Para Lyra aquilo parecia mais crueldade do que amor.
Olhando para os dimons dos dois, viu uma cena estranha: a pantera tensa, agachada, com as garras sobre a carne do macaco dourado, e o macaco relaxado, feliz, cambaleando na neve.
A Sra. Coulter escapou do beijo e disse:
— Não, Asriel, meu lugar é neste mundo, não no outro...
— Venha comigo! — ele disse, em tom urgente e autoritário. — Venha trabalhar comigo!
— Você e eu não podemos trabalhar juntos.
— Não? Você e eu podemos desmontar o universo e tornar a montar, Marisa! Podemos encontrar a fonte do Pó e destruí-la para sempre! E você gostaria de fazer parte dessa grande obra, não minta. Pode mentir sobre todo o resto: sobre o Conselho de Oblação, sobre os seus amantes... Sim, eu sei de Boreal, e não me importo. Pode mentir sobre a Igreja, pode até mentir sobre a menina, mas não minta sobre o que realmente deseja...
E suas bocas novamente se uniram com um desejo avassalador. Seus dimons brincavam violentamente; a pantera se deitou de costas, e o macaco passou as garras na pele macia do pescoço dela, e ela ronronou de prazer.
— Se eu não for, você vai tentar me destruir — disse a Sra. Coulter, se desvencilhando.
— Por que eu iria querer destruir você? — perguntou ele, rindo, com a luz do outro mundo brilhando em volta da cabeça. — Se vier comigo, se trabalhar comigo, vou me preocupar com você; se ficar aqui, perderei todo o interesse. Não pense que vou me lembrar de você por um segundo que seja. Agora: ou fique, para fazer suas maldades neste mundo, ou venha comigo.
A Sra. Coulter hesitou; fechou os olhos e oscilou, como se fosse desmaiar; mas recuperou o equilíbrio e abriu os olhos, que mostravam uma tristeza bela e infinita.
— Não — disse. — Não vou.
Os dois dimons estavam novamente separados. Lorde Asriel baixou a mão e mergulhou os dedos fortes nos pelos da pantera; então se afastou sem dizer mais nada. O macaco dourado saltou para os braços da Sra. Coulter soltando pequenos gemidos de tristeza e estendendo os braços para a pantera que se afastava; o rosto da Sra. Coulter era uma máscara de lágrimas.
Lyra as via brilhar: eram reais.
Então a mãe dela, chorando ainda, se afastou montanha abaixo, desaparecendo de vista. Lyra a observou friamente, depois ergueu os olhos para o céu. Nunca tinha visto tamanha maravilha.
A cidade ali flutuando, tão vazia e silenciosa, parecia recém-construída, à espera de ser ocupada, ou adormecida, à espera de ser despertada. O sol daquele mundo brilhava neste mundo, tornando douradas as mãos de Lyra, derretendo o gelo no capuz de pele de lobo que Roger estava usando, tornando transparentes as faces pálidas do menino, brilhando em seus olhos abertos e cegos.
Ela estava dilacerada de infelicidade. E de raiva, também. Poderia ter matado o pai; se pudesse arrancar o coração dele, teria feito isso, por causa do que ele fizera a Roger. E a ela: ele tinha mentido.
Ela ainda estava abraçada ao corpo de Roger. Pantalaimon dizia alguma coisa, mas ela estava com o cérebro em tumulto e não escutou até que ele enfiou suas garras de gato-do-mato na mão dela. Ela pestanejou.
— Que foi? — perguntou.
— O Pó! — ele disse.
— O que você está dizendo?
— O Pó. Ele vai encontrar e destruir a fonte do Pó, não é?
— Foi o que ele disse.
— E o Conselho de Oblação, a Igreja, Bolvangar, a Sra. Coulter e o resto, todos querem a mesma coisa, não é?
— É... Ou que ele pare de afetar as pessoas... Por quê?
— Porque se eles acham que o Pó é ruim, ele deve ser bom.
Ela não respondeu; uma onda de ansiedade crescia em seu peito. Pantalaimon continuou:
— Nós ouvimos todos falarem sobre o Pó, e eles têm muito medo dele, e sabe de uma coisa? Nós acabamos acreditando neles, mesmo vendo que tudo que faziam era errado, perverso e cruel... Pensamos que o Pó devia ser ruim, porque eles eram adultos e diziam isso. Mas e se não for? E se ele for...
Ela o interrompeu:
— É! E se na verdade ele for bom...
Lyra olhou para Pantalaimon e viu seus olhos verdes de gato-do-mato cintilarem. Sentiu uma vertigem, como se o mundo inteiro estivesse oscilando sob seus pés.
Se o Pó era uma coisa boa... Se fosse algo a ser procurado e valorizado...
— Nós também podemos procurar o Pó! — ela exclamou.
Era o que ele queria ouvir.
— Podemos encontrar antes dele e...
A grandiosidade daquela missão os silenciou. Lyra ergueu os olhos para o céu em chamas. Tinha consciência de como eram pequenos, ela e seu dimon, comparados com a majestade e a vastidão do universo; e de como sabiam pouco, em comparação com os profundos mistérios acima deles.
— Nós podemos, sim — Pantalaimon insistiu. — Chegamos até aqui, não foi? Podemos conseguir.
— Mas estávamos errados, Pan. Fizemos tudo errado com relação ao Roger. Achávamos que o estávamos ajudando... — Ela soluçou e beijou o rosto imóvel de Roger desajeitadamente, diversas vezes. — Entendemos tudo errado.
— Na próxima vez, checaremos tudo e formularemos todas as perguntas que pudermos imaginar. Faremos melhor da próxima vez.
— Nós estaremos sozinhos. Iorek Byrnison não vai estar lá para nos ajudar. Nem Farder Coram, nem Serafina Pekkala, ou Lee Scoresby, ninguém.
— Então só nós. Não importa. De qualquer maneira, não estamos sozinhos como...
Ela sabia que ele estava querendo dizer: “Como Tony Makarios, como aqueles pobres dimons perdidos em Bolvangar; ainda somos um ser único; nós dois somos um só.”
— E temos o aletiômetro — ela completou. — É, acho que temos que fazer isso, Pan. Vamos subir lá e procurar o Pó, e quando encontrarmos, vamos saber o que fazer.
O corpo de Roger pendia imóvel nos braços dela. Ela o colocou no chão carinhosamente.
— E faremos — finalizou.
Ela se virou para o lado em que brilhava o sol. Atrás deles, ficavam a dor, a morte e o medo; à frente deles, a incerteza, o perigo e mistérios inimagináveis. Mas eles não estavam sozinhos.
Assim, Lyra e seu dimon deram as costas ao mundo em que nasceram, e caminharam para o céu.

6 comentários:

  1. Caracas, que final... que não é bem um final, mas... uou.

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  2. Eu já disse que acho o universo desse livro incrível? Pois então, é incrível. Queria conseguir entender ele melhor porque é meio complicado. Mas é fantástico!

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  3. E que horror, tadinho do Roger. Eles não podem fazer isso com essas crianças inocentes, isso é horrível

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    1. Com o tempo você vai lendo e entendendo melhor :)
      E nossa, deu muita dó do Roger. Afinal, a aventura começou para salvá-lo... e acabou que Lyra acabou levando-o à morte </3

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  4. Tadinho do Roger!! Que ódio do Lorde Asriel e da Sra. Coulter! Os dois se merecem mesmo! Tem a continuação aqui no blog?

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    1. A história "acaba" aqui. Uma nova trilogia será lançada, mas ainda temos que esperar

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Boa leitura :)