26 de janeiro de 2017

Capítulo 9

Os nômades assistiam apreensivos enquanto o arqueiro de capa camuflada e a menina alta vestindo os trapos esfarrapados de Hilde saiam das árvores e se dirigiram para o acampamento. Trotando ao lado deles estava a pastora preto-e-branca que Jerome tinha roubado no entorno do vilarejo de Wensley.
Petulengo espalhou o que havia acontecido na floresta. Ele assistiu horrorizado quando Dente do Demônio foi atingido por uma flecha, em seguida, com horror quando a terrível máquina de matar levantou e avançou em Jerome. O aparecimento do arqueiro tinha sido a gota d'água. Petulengo tinha se virado e corrido de volta ao acampamento, balbuciando um confuso relato do que tinha acontecido na clareira.
Agora os membros da extensa família formaram em um semicírculo em silêncio, observando as duas figuras sombrias e o cão enquanto eles caminhavam para a caravana. Petulengo ficou nervoso na parte de trás do grupo, tentando esconder-se atrás dos nômades mais velhos, olhando ao redor deles para ver se ele tinha sido notado. Ele ficou surpreso com a transformação que havia acontecido com Hilde. Ela ainda usava o mesmo trapo gasto e esfarrapado. Mas estava alta agora, fina e graciosa. Tinha conseguido tirar algumas das cinzas e sujeira de seu cabelo e ele podia ver manchas loiras espreitando através do cinza.
Will parou a poucos metros dos nômades. Sua hostilidade era bem óbvia. Mas eles eram experientes nos caminhos do mundo e sabiam quem era um arqueiro quando viam um. Eles sabiam sobre a lendárias habilidades dos arqueiros com armas e sua autoridade total em questões legais. Eles não iriam se opor a ele de forma alguma. Nômades viviam no fio da navalha da tolerância relutante atualmente. Evitavam o confronto direto com as autoridades sempre que podiam.
— Jerome está morto — Will comunicou-lhes.
Um zumbido de interesse percorreu por eles. Petulengo lhes tinha dito isso, mas o menino estava em pânico e quase incoerente. Agora, o fato fora confirmado. Seu líder tinha ido embora. Para dizer a verdade, nem todos eles estavam sentidos em ouvir isso.
— Ele foi morto por aquele cachorro que estava mantendo na floresta — Will continuou. — Eu suponho que é um final apropriado para ele. O cão está morto também. Eu o matei.
Ele fez uma pausa. Os nômades tinham expressões fixas em seus rostos brancos enquanto olhava ao redor deles e ele deu um pequeno suspiro de aborrecimento.
— Eu sei que todos vocês vão afirmar que não sabiam nada sobre o que ele estava fazendo. E eu sei que todos vão estar mentindo. Eu deveria prendê-los aqui e agora. Mas, então, nós teríamos que desinfetar a nossa prisão depois que fossem libertados e tudo seria um problema muito grande. Vocês seguirão em frente, no entanto. Têm oito horas para deixar o feudo Redmont. E eu os seguirei para ter certeza de que irão. Vocês não vão me ver. Mas eu estarei lá.
Will fez uma pausa para deixar que as palavras fossem compreendidas.
— Outra coisa. Eu vou fazer com que vocês não sejam bem-vindos em qualquer um dos feudos. Vocês não vão encontrar nenhum lugar disposto a recebê-los ou ficar até mesmo um dia. Serão expulsos e se mudarão de onde quer que vá.
Ele podia ver uma aceitação mal-humorada em seus rostos. Eles não esperavam nada melhor do que isso. Tinham aceitado os riscos com o cão roubado e tinham sido apanhados. Era sempre o caminho dos nômades.
— De fato — ele continuou — vocês podem perceber que a vida de vocês pode ser completamente mais fácil se simplesmente saírem do país.
Ele examinou a linha de rostos mal-humorados em frente a ele. Estava confiante de que iriam embora de Araluen dentro de uma semana. Claro, eles estariam de volta em algum momento no futuro, mas Wil iria enfrentar esse problema quando fosse o momento.
— Agora, comecem a arrumar suas coisas e peguem a estrada.
Ele fez um gesto de desprezo com o polegar, sacudindo-o em direção a estrada. A linha de nômades se separou, lentamente no início, em seguida, movendo-se com mais velocidade enquanto começaram a levantar acampamento e embalar seus pertences.
Ele se inclinou e acariciou Ébano. Ela olhou para ele e sua cauda movia em um vai-e-vem, um longo e lento movimento.
— É bom ter você de volta, menina — ele disse suavemente. Então ele se virou para Alyss. — Pronta para ir?
Ela levantou uma mão.
— Apenas uma coisa eu tenho que cuidar.
Ela olhou ao redor do acampamento e viu Petulengo, à espreita culposamente atrás de uma cabra.
— Petulengo! — ela chamou.
Sua voz era alta e penetrante e ele sobressaltou-se, percebendo que tinha sido visto. Ele olhou em volta, procurando uma rota de fuga. Mas, quando fez isso, Will tirou o arco maciço do seu ombro e casualmente tirou uma flecha da aljava. De repente, fugir não parecia ser uma boa ideia.
Então Alyss favoreceu Petulengo com seu sorriso encantador.
— Não se assuste, querido — ela disse suavemente. — Eu só quero dizer adeus.
Ela acenou, sorrindo encorajadoramente, e ele se adiantou, aos poucos ganhando confiança à medida que percebeu que, de alguma forma, ele havia ganhado o favor desta jovem mulher. Alguns de seus antigos movimentos metidos retornavam enquanto se aproximava e parava diante dela, estimulado um pouco mais pelo sorriso.
Debaixo das cinzas e da sujeira, ele pensou, ela era definitivamente uma pessoa bonita. Ele deu um sorriso em troca. Petulengo, diga-se de passagem, fantasiava a si mesmo com senhoras. Trate-as rudemente e elas vão comer na palma de sua mão, pensou.
Em seguida, o sorriso desapareceu como uma vela sendo apagada. Ele sentiu uma sacudida brusca de agonia em seu pé direito. A bota pesada de Alyss, parte do guarda-roupa de Hilde, tinha pisado com força em seu pé, logo abaixo do tornozelo. Ele se dobrou instintivamente, ofegante de dor.
Então Alyss girou e mandou a palma de sua mão esquerda duramente em seu nariz, atirando a cabeça dele para trás e o fazendo cambalear. Seus braços fraquejaram e ele caiu sobre um montinho de terra suja. Ele estava meio grogue, apoiado nos cotovelos, tossindo enquanto sangue escorria de sua garganta.
— Da próxima vez que você jogar lenha em uma velha senhora — Alyss disse a ele, todos os vestígios do encantador sorriso haviam sumido — certifique-se de que ela não possa fazer isso.
Ela se virou para Will e esfregou suas mãos juntas em um gesto satisfeito.
— Agora estou pronta para ir — comunicou ela.

Um comentário:

  1. kkkkkkkkkkkk. Gostei dessa agora! Força na peruca! kkkkkkkkkkk
    Ass: Bina.

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Boa leitura :)