16 de janeiro de 2017

Capítulo seis


Call acordou com um som que parecia o de alguém berrando em seu ouvido.
Ele virou para o lado com tanta força que caiu da cama, batendo com os joelhos no chão da caverna. O som horrível prosseguia, ecoando pelas paredes. A porta do quarto se escancarou e, aos poucos, os gritos cessaram. Aaron surgiu no quarto, seguido por Tamara. Ambos vestiam o uniforme do primeiro ano: túnicas de algodão cinza sobre calças largas feitas do mesmo material. Ambos traziam seus braceletes atados no pulso: Tamara no direito e Aaron no esquerdo. A menina havia prendido o cabelo comprido em duas tranças negras em ambos os lados da cabeça.
— Uau. — Call se sentou sobre os joelhos.
— Foi só o sinal — Aaron informou. — Significa que é hora do café.
Call nunca havia sido acordado para a escola por um despertador antes. O pai sempre entrava no seu quarto e balançava gentilmente o ombro do filho até que Call rolava para o lado, com os olhos ainda tomados pelo sono, e resmungava alguma coisa. O menino engoliu em seco, sentindo uma profunda saudade de casa.
Tamara apontou para algum ponto atrás de Call. Suas sobrancelhas delineadas com perfeição se ergueram.
— Você dormiu com a sua faca?
Call olhou para trás e viu que a faca que o pai lhe dera havia caído da mesa de cabeceira e fora parar em cima da cama. Ele provavelmente tinha mexido os braços durante a noite e esbarrado nela.
— Algumas pessoas têm bichos de pelúcia — Aaron deu de ombros. — Outras têm facas.
Tamara cruzou o quarto e se sentou na cama, pegando a adaga enquanto Call se levantava. Ele não se apoiou na armação da cama para manter o equilíbrio, apesar de sentir vontade. Com as roupas amassadas e o cabelo todo em pé, ele tinha noção de que os outros o observavam e se davam conta do quão devagar ele se movia para evitar que a perna já machucada se torcesse.
— O que isso quer dizer? — Tamara ergueu a arma e a inclinou. — Aqui do lado. Semí... ram... mis?
Já de pé, Call comentou:
— Aposto que você pronunciou errado.
— E eu aposto que você não sabe o que o nome dela significa. — Tamara abriu um sorriso malicioso.
Jamais ocorrera a Call que aquela palavra entalhada na lâmina fosse o nome da arma. Ele realmente não achava que adagas, por serem coisas, tivessem nomes. Mesmo assim, lembrou que o Rei Arthur tinha a Excalibur e, em O Hobbit, Bilbo tinha a Ferroada.
— Você pode apelidá-la de Miri. — Tamara entregou a arma para Call. — É uma boa adaga. Muito benfeita.
Ele examinou a expressão de Tamara, tentando captar algum sinal de zombaria, mas a menina parecia séria. Ao que tudo indicava, ela respeitava uma boa arma.
— Miri — ele repetiu, virando a arma em sua mão para que desencadeasse o brilho da lâmina.
— Vamos, Tamara. — Aaron puxou uma das mangas do manto da menina. — Call precisa se vestir.
— Eu não tenho uniforme — Call admitiu.
— É claro que tem. Está bem ali. — Tamara apontou para os pés da cama enquanto Aaron a puxava para fora do quarto. — Todos nós recebemos um. Eles devem ter sido trazidos pelos elementais do ar.
Tamara estava certa. Alguém tinha deixado um uniforme impecavelmente dobrado, do tamanho exato de Call, em cima do seu cobertor, junto com uma bolsa de couro.
Quando aquilo havia sido deixado ali? Quando ele dormia? Será que ele não tinha mesmo percebido nada na noite anterior?
Ele vestiu a roupa com cuidado, sacudindo-a antes para evitar qualquer alfinete ou botão que pudesse machucá-lo. O material era liso, macio e muito confortável. As botas que ele encontrou ao lado da cama eram pesadas e envolviam o tornozelo fraco de Call com força, conferindo-lhe equilíbrio. O único problema era que a veste não possuía nenhum bolso onde pudesse guardar a Miri. Por fim, ele enfiou a faca na meia velha e a prendeu no topo da bota. Ele passou a alça da bolsa pela cabeça e saiu para a sala compartilhada, onde Tamara e Aaron estavam sentados diante de um furioso Mestre Rufus com os braços cruzados.
— Vocês três estão atrasados — disse ele. — O alarme da manhã é um chamado para o café da manhã no Refeitório e não o seu despertador pessoal. É bom que não aconteça de novo, ou então vocês perderão o café.
— Mas a gente... — Tamara começou, virando a cabeça na direção de Call.
O Mestre Rufus olhou para ela, congelando-a no mesmo lugar.
— Você ia me dizer que já estava pronta, mas que outra pessoa fez com que se atrasasse, Tamara? Porque, nesse caso, eu iria lhe informar que é responsabilidade de meus aprendizes cuidar um dos outros e o fracasso de um é o fracasso de todos. Agora, o que você queria mesmo dizer?
Tâmara baixou a cabeça. As tranças balançaram.
— Nada, Mestre Rufus — ela concluiu.
Ele assentiu uma vez, abriu a porta e sumiu no corredor, deixando claro que eles deveriam segui-lo. Call mancou até a saída, torcendo com todas as forças para que a caminhada não fosse longa e torcendo mais ainda para conseguir evitar qualquer encrenca antes de comer alguma coisa.
De repente, Aaron apareceu ao lado dele.
Call quase gritou de susto. Aaron tinha o hábito impressionante de fazer esse tipo de coisa, Call pensou. Ele deu um tapinha em um dos ombros de Call e lançou um significativo olhar para as próprias mãos. Call seguiu os olhos dele e viu que algo pendia dos dedos de Aaron. Era o bracelete de Call.
— Coloque isto — Aaron sussurrou. — Antes que Rufus veja. Você tem de usar o bracelete o tempo todo.
Call resmungou, mas pegou o bracelete e o fechou ao redor do punho, onde a joia cintilou, um cinza chumbo como uma algema.
“Faz sentido”, Call pensou. “Afinal de contas, eu sou um prisioneiro aqui.”
Assim como Call imaginou, o Refeitório não era longe. E não parecia muito diferente do refeitório da escola, sob certa perspectiva: o som das crianças conversando, o barulho dos talheres.
O Refeitório havia sido instalado em outra caverna grande com mais daqueles pilares gigantescos que pareciam sorvete derretido transformado em pedra. Lascas de mica brilhavam na rocha e o teto da caverna desaparecia na escuridão sobre as cabeças deles.
Porém, ainda era manhã, muito cedo para que Call se desse conta de toda a grandeza do lugar. Tudo que o menino queria era voltar para a cama, fingir que o dia anterior não havia acontecido e que ele estava de volta a sua casa com o pai, onde podia usar roupas normais, dormir em uma cama normal e comer comida normal.
E com toda a certeza não era comida normal o que esperava por ele na parte da frente do Refeitório. Caldeirões de ferro fumegantes enfileirados um ao lado do outro continham um sortimento de alimentos de aparência bizarra: tubérculos roxos cozidos, verduras de um verde tão escuro que eram quase negras, liquens indistintos e a cabeça de um cogumelo salpicada de vermelho tão grande quanto uma pizza e cortada em pedaços como uma torta. Cascas de árvore flutuavam em uma tigela de chá marrom bem quente. Garotos em uniformes nas cores azul, verde, branco, vermelho e cinza — cada cor representava um ano diferente do Magisterium — se serviam em xícaras feitas de madeira entalhada. Seus braceletes lançavam lampejos dourados, prateados, cor de cobre e de bronze, muitos deles incrustados com diferentes pedras coloridas. Call não tinha certeza do que aquelas pedras significavam, mas elas pareciam ser mesmo muito legais.
Tamara já estava colocando uma concha daquela coisa verde dentro do prato. Aaron, entretanto, observava as opções expressando o mesmo horror que Call sentia.
— Por favor, me diga que o Mestre Rufus vai transformar essas gororobas em alguma outra coisa — disse Aaron.
Tamara conteve uma risada e, logo em seguida, pareceu quase culpada. Call teve a impressão de que ela vinha de uma família onde as pessoas não riam muito.
— Vocês vão ver — ela disse.
— A gente vai ver? — Drew chiou. Ele parecia um pouco perdido sem sua camiseta de pônei agora que vestia a túnica lisa de gola alta e as calças que constituíam o uniforme dos alunos do Ano de Ferro. Estendeu uma das mãos, hesitante, para o caldeirão com o líquen, o derrubou e depois saiu de fininho, fingindo não ter nada a ver com aquilo.
Uma das magas atrás de uma mesa — Call a vira junto com seu elaborado colar em forma de cobra no dia do Desafio — suspirou e foi até a frente da sala limpar a bagunça. Call piscou quando seu colar de cobra pareceu se mover por um único segundo. Mas, logo em seguida, o menino decidiu que só podia estar vendo coisas. Talvez estivesse sofrendo de abstinência de cafeína.
— Onde está o café? — ele perguntou a Aaron.
— Você não devia tomar café — Aaron semicerrou os olhos enquanto pegava um pedaço de cogumelo. — Faz mal. Prejudica o seu crescimento.
— Mas eu tomo o tempo todo em casa — Call protestou. — Sempre tomo café. Bebo expresso.
Aaron deu de ombros, o que parecia ser seu movimento padrão quando era apresentado a alguma nova maluquice de Callum.
— Isto aqui é um chá esquisito.
— Mas eu amo café — Call se lamentou para o lodo verde diante dele.
— Sinto falta de bacon — comentou Célia, que estava atrás de Call na fila. Ela trazia uma nova presilha no cabelo, desta vez em forma de joaninha. Apesar de sua aparência animada, dava para ver que, no fundo, ela parecia abatida.
— Abstinência de cafeína me deixa louco — Call disse a ela. — Eu poderia esganar e matar alguém.
Ela riu como se ele tivesse feito uma piada muito cômica. Talvez ela pensasse que ele tivesse dito mesmo alguma coisa engraçada.
Call se deu conta de que ela era linda, com o cabelo loiro e as sardas salpicadas pelo nariz levemente queimado do sol. Ele se lembrou de que Célia, junto com Jasper e Gwenda, era uma das aprendizes da Mestra Milagros.
Uma onda de simpatia atravessou o corpo de Call ao imaginar que ela tinha de viver no mesmo lugar que um babaca como o Jasper.
— Ele poderia matar alguém. — Tamara disse em tom casual, olhando para trás de um dos ombros. — Ele tem uma faca imensa...
— Tamara! — Aaron a interrompeu.
Ela lhe lançou um olhar inocente antes de pegar seu prato e ir para a mesa do Mestre Rufus. Pela primeira vez Call pensou que, no fim das contas, tinha algo em comum com Tamara: uma vocação para a encrenca.
A sala era repleta de mesas de pedra ao redor das quais os grupos de aprendizes sentavam em bancos. Alguns dos alunos do Segundo e do Terceiro Anos se sentavam com seus mestres, enquanto outros, sem seus professores. Todos os aprendizes do Ano de Ferro estavam reunidos com seus mestres — Jasper, Célia, Gwenda e um garoto chamado Nigel estavam com a Mestra Milagros, cujo tom de rosa no cabelo estava ainda mais vivo naquele dia; Drew, Rafe e uma garota chamada Laurel se sentavam com o mal-humorado Mestre Lemuel. Apenas alguns dos alunos em uniformes brancos e vermelhos do Quarto e do Quinto Anos estavam presentes, e se sentavam juntos em um canto, parecendo estar envolvidos em uma discussão muito séria.
— Onde está o resto do pessoal mais velho? — Call perguntou.
— Em missões — informou Célia. — Os aprendizes mais velhos têm aulas em campo e alguns magos adultos vêm para o Magisterium para fazer pesquisa e realizar experimentos.
— Entendo — Call sussurrou. — Experimentos!
Célia não pareceu particularmente preocupada. Ela apenas sorriu para Call e seguiu para a mesa de sua mestra.
Call se jogou em uma cadeira entre Aaron e o Mestre Rufus, que já estava sentado diante de um austero café da manhã composto por um único amontoado de líquen. O prato de Call estava tomado por cogumelos e aquela coisa verde, apesar de ele não se lembrar de ter pegado nada daquilo. “Devo estar mesmo ficando maluco”, ele pensou antes de colocar uma garfada de cogumelos na boca.
O gosto explodiu na língua de Call. Era mesmo bom. Muito bom. Crocante nas bordas e levemente doce, como o sabor do xarope de bordo nas salsichas quando ele acabava colocando os dois juntos na boca.
— Hum... — Call pegou outro pedaço. Os vegetais eram cremosos e saborosos, como mingau com açúcar mascavo. Aaron levava à boca uma colherada atrás da outra, impressionado.
Ele esperava ver Tamara soltando um sorrisinho superior diante de sua surpresa, mas ela nem mesmo olhava para ele. Ela acenou para uma menina alta e magra do outro lado da sala. A garota tinha os mesmos olhos e as sobrancelhas perfeitas de Tamara. Um bracelete de cobre brilhou no pulso da menina quando ela ergueu um dos braços para acenar, preguiçosa, para Tamara.
— Minha irmã — Tamara disse, orgulhosa. — Kimiya.
Call observou a menina se sentar com o Mestre Rockmaple e alguns outros alunos vestidos de verde e depois voltou a olhar para Tamara. Ele imaginou como seria se sentir feliz ali, ficar alegre por ter sido escolhido em vez de considerar tudo aquilo um terrível acidente. Tamara e a irmã pareciam estar cem por cento certas de que aquele era um bom lugar e não o covil infernal que o pai de Call descrevera.
Mas por que seu pai mentiria?
O Mestre Rufus cortava o líquen de um jeito muito estranho, segmentando-o em partes como se fracionasse pedaços individuais de pão em fatias. Em seguida, ele cortou cada pedaço ao meio e repetiu a ação. Isso deixou Call tão irritado que ele se virou para Aaron e perguntou:
— E aí, tem alguma outra pessoa da sua família aqui?
— Não — disse Aaron, enquanto desviava o olhar como se não gostasse de tocar no assunto. — Não tenho família em lugar algum. Ouvi falar do Magisterium por uma menina que conheci. Ela viu um truque que costumo fazer quando fico entediado: faço com que ciscos de poeira se movam e formem desenhos. Ela disse que tinha um irmão que veio para cá e, apesar de ele não dever contar nada para ela, o garoto acabou falando um monte de coisas. Depois que ele se formou e a irmã foi morar com ele, comecei a treinar para o Desafio.
Call estreitou os olhos na direção de Aaron, protegido pela pilha de cogumelos.
Havia algo por trás da forma excessivamente casual com que ele contara aquela história que fez com que Call imaginasse que Aaron ocultara alguma coisa. Mesmo assim, ele não queria perguntar. Odiava quando as pessoas se metiam na sua vida. Talvez Aaron também se sentisse do mesmo jeito.
Os dois ficaram em silêncio, empurrando a comida pelo prato. Tamara voltou a comer. Do outro lado do salão, Jasper deWinter movia os braços, claramente tentando atrair a atenção de Tamara. Call a cutucou com o cotovelo e a menina amarrou a cara.
Rufus pegou um pedaço pequeno e preciso de líquen.
— Posso ver que vocês três já se tornaram bastante próximos.
Ninguém disse nada. Os gestos de Jasper para Tamara se tornavam mais intensos, como se conseguissem se ampliar. Ele claramente implorava para que ela fizesse algo, apesar de Call não saber o que era. Pular no ar? Jogar seu mingau?
Tamara se virou para o Mestre Rufus, respirando fundo como se obrigasse a si mesma a fazer alguma coisa contra a própria vontade.
— O senhor acha que poderia reconsiderar sua posição a respeito de Jasper? Sei que o sonho dele era ser escolhido pelo senhor e ainda há espaço para mais um aluno no grupo... — Tamara parou de falar, provavelmente porque o Mestre Rufus olhava para ela como uma ave de rapina prestes a arrancar a cabeça de um rato.
Porém, quando ele finalmente falou, sua voz era calma e sem irritação.
— Vocês três são uma equipe. Trabalharão e lutarão juntos e, sim, vocês até mesmo comerão juntos, pelos próximos cinco anos. Escolhi vocês não apenas como indivíduos, mas como uma combinação. Ninguém mais se juntará ao grupo, porque isso alteraria esse ajuste. — Ele se pôs de pé, arrastando a cadeira para trás com um rangido estridente. — Agora, levantem-se! Vamos começar nossa primeira lição.
A educação de Call no uso da mágica estava prestes a ter início.

10 comentários:

  1. eu li tanta mitologia por Rick Riordan que fica complicado imaginar em outros livros, principalmente como n tenho uma base, assistir um filme, por exemplo o de Percy Jackson apesar de n chegar perto do livro, ajudou a ter uma ideia de como imaginar as pessoas, o acampamento e etc

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    1. Isso também acontece comigo '-'

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    2. Pra mim ambos são fáceis, mas vc sempre sempre pode pesquisar fanart dos personagens e guardar na cabeça a aquela que mais gostar. Aí vc sempre vai ve-Los assim.

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    3. Para mim também é fácil imaginar os lugares, eles meio que me vem automaticamente na cabeça, embora as vezes eu tenha que ler a descrição do lugar mais uma vez pois eu leio muito rápido.
      Em relação aos personagens, se não tiver um filme como referência, ou se eu não gostar muito dos atores do filme, eu vejo algumas fanarts, ou simplesmente imagino algum ator ou pessoa que eu conheço que seja parecido com o personagem

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  2. Aki tem imagens n é ruim

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  3. Esse livro está me lembrando muito "Percy Jackson e os Olimpianos" q por sinal sou fã, amoooo Percy!!!

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  4. Isso tá me lembrando muito Herry Potter isso sim.. Três amigos (dois meninos e uma menina) mestre Rufos é o Damboldhore.. Jasper é o Malfoy.. Etc...

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  5. Subterrâneo, uniformes sem graça, magia, elementos. Ok, Carter e Sadie podem parar com a pegadinha, apareçam logo!! Ora, vejam só! Uma professora com uma mecha rosa no cabelo, que familiar. kkkkkk. Sinto como se nunca mais fosse ler um livro sem lembrar de outros. O que faz tudo o que eu tento escrever parecer nada original. Mas acho que é assim mesmo, todo escritor precisa de uma bagagem literária, inspiração

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  6. Esse livro parece uma salada de elementos de outros livros que já li
    Harry potter
    As crônicas dos Kane
    Percy Jackson
    Avatar (que por acaso nem é um livro, mas me lembrou mesmo assim)

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Boa leitura :)