16 de janeiro de 2017

Capítulo quatro


O sol começava a se pôr quando todos os magos terminaram de escolher seus aprendizes. Várias crianças foram embora aos prantos, incluindo, para a satisfação de Call, Kylie. Ele teria trocado de lugar com ela sem pensar duas vezes, mas, já que isso não era permitido, pelo menos ele tinha a deixado louca da vida por ter sido obrigado a ficar. Essa era a única vantagem da qual ele conseguia se lembrar, e como a hora da partida para o Magisterium se aproximava, ele tinha de se apegar a qualquer tipo de conforto.
As advertências do pai sobre o Magisterium sempre haviam sido bastante vagas, para frustração de Call. Enquanto o menino permanecia ali de pé, chamuscado, ensanguentado e coberto de tinta azul, a perna doía cada vez mais e ele não tinha mais nada a fazer além de repassar aqueles avisos em sua mente. “Os magos não ligam para nada nem para ninguém a não ser que isso os faça avançar em seus estudos. Eles roubam crianças de suas famílias. Eles são monstros. Fazem experiências com crianças. É por causa deles que sua mãe está morta.”
Aaron tentou conversar com Call, mas ele não estava no clima para bater papo. Ele brincava com o cabo da adaga, que havia enfiado no cinto, e tentava passar uma aparência assustadora. Por fim, Aaron desistiu e começou a falar com Tamara. Ela sabia muito sobre o Magisterium graças à sua irmã mais velha, que, de acordo com a menina, era a melhor aluna em absolutamente todas as matérias da escola. Apesar de parecer angustiada, Tamara prometia que se daria ainda melhor. Aaron, por sua vez, parecia feliz só por ir para uma escola de magia.
Call imaginou se deveria adverti-los. E então se lembrou do tom horrorizado na voz de Tamara quando ela viu quem era seu pai.
“Esqueça”, ele pensou. Se dependesse de Call, aqueles dois podiam ser devorados por serpes que voavam a trinta e dois quilômetros por hora e sedentas por vingança.
Finalmente, a cerimônia de seleção terminara e todos rumaram para o estacionamento. Pais com os rostos cobertos de lágrimas se despediam de seus filhos com beijos e abraços, lotando-os de malas, bolsas de viagem e caixas com comida, remédios e bens de primeira necessidade. Call ficou ali parado, com as mãos nos bolsos. Seu pai não estava ali para se despedir, mas, de qualquer forma, Call também não tinha nenhuma bagagem. Após alguns dias sem trocar de roupa, ele iria cheirar ainda pior do que naquele momento.
Dois ônibus escolares amarelos estavam à espera, e os magos começaram a dividir os alunos em grupos, de acordo com seus Mestres. Cada um dos ônibus carregaria diversos grupos. Os aprendizes do Mestre Rufus foram colocados junto com os dos Mestres Rockmaple, Milagros e Lemuel.
Como Call já esperava, Jasper foi até ele. Suas malas tinham uma aparência tão cara quanto suas roupas e traziam suas iniciais — JDW — gravadas no couro. Um sorriso de desdém se engessava no rosto de Jasper sempre que ele olhava para Call.
— Esse lugar no grupo do Mestre Rufus — Jasper começou. — Esse lugar era meu. E você o tirou de mim.
Apesar de a irritação de Jasper ser algo que deveria deixá-lo feliz, Call estava cansado de ver as pessoas agindo como se ser escolhido pelo Mestre Rufus fosse uma grande honra.
— Olha, eu não fiz nada para que isso acontecesse. Eu nem queria ser escolhido, ok? E muito menos queria estar aqui.
Jasper tremia de raiva. De perto, Call se deu conta, confuso, de que a bagagem dele, apesar de sofisticada, tinha furos no couro que haviam sido remendados com cuidado repetidas vezes. As mangas da camisa de Jasper também estavam uns cinco centímetros mais curtas do que o esperado, como se suas roupas tivessem sido doadas por outras pessoas ou como se ele tivesse crescido demais para elas. Call apostou que ele havia até mesmo se apossado do nome de outra pessoa para que batesse com o monograma.
Talvez a família de Jasper tivesse tido dinheiro algum dia, mas as coisas não pareciam mais estar tão boas assim para eles.
— Você é um mentiroso — Jasper declarou, desesperado. — Você fez alguma coisa. Ninguém é escolhido pelo mestre mais prestigiado do Magisterium por acidente, então pare de inventar historinhas para o meu lado. Quando chegarmos à escola, minha missão será recuperar o meu lugar. Você vai implorar para voltar para casa.
— Espere. Se você implorar, será que eles me deixam voltar para casa?
Jasper olhou para Call como se ele houvesse acabado de pronunciar um monte de frases em babilônio.
— Você não faz a menor ideia do quanto isto é importante. — Jasper pegou a alça da mala com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. — Não tem ideia. Não suporto nem ao menos ficar no mesmo ônibus que você. — Ele deu meia-volta e marchou em direção aos outros mestres.
Call sempre odiara o ônibus da escola. Nunca soube ao lado de quem deveria se sentar, porque nunca fizera amigos durante o caminho — ou em qualquer outro lugar, na verdade. Os outros meninos achavam que ele era esquisito. Mesmo durante o Desafio, mesmo entre pessoas que queriam ser magos, ele parecia se destacar como o estranho.
Naquele ônibus, pelo menos, havia espaço suficiente para que ele tivesse uma fileira de bancos só para si. “O fato de eu estar cheirando a pneu queimado provavelmente tem algo a ver com isso”, ele pensou. Mesmo assim, aquilo era um alívio. Tudo o que ele queria era ser deixado em paz para meditar sobre o que acabara de acontecer. Desejou que o pai tivesse lhe dado o celular pelo qual ele implorou em seu aniversário anterior. Call queria apenas poder ouvir a voz dele. Ele só queria que a sua última lembrança do pai não fosse ele sendo arrastado para fora aos berros. Tudo o que Call queria saber era o que fazer em seguida.
Quando alcançaram a estrada, o Mestre Rockmaple se levantou e começou a falar sobre a escola, explicando que os alunos do Ano de Ferro deveriam permanecer na escola durante o inverno porque não seria seguro para eles ir para casa na metade do treinamento.
Ele também falou que os alunos trabalhariam com seus mestres durante toda a semana, teriam palestras com outros magos às sextas e participariam de algum tipo de grande prova uma vez por mês. Call achou difícil se concentrar nos detalhes, especialmente quando o Mestre Rockmaple listou os Cinco Princípios da Magia, já que todos eles pareciam ter alguma coisa a ver com equilíbrio. Ou natureza. Ou alguma coisa do tipo. Call tentou prestar atenção, mas as palavras pareciam sumir antes que ele pudesse fixá-las na mente.
Após uma hora e meia de viagem, os ônibus estacionaram em uma parada no meio da estrada, onde Call se deu conta de que, além de não ter bagagem, também não havia trazido nenhum dinheiro. Fingiu não estar com fome nem com sede enquanto todos os outros garotos compravam doces, salgadinhos e refrigerantes.
Quando voltaram para o ônibus, Call se sentou atrás de Aaron.
— Você sabe para onde eles estão nos levando? — perguntou Call.
— Para o Magisterium — Aaron informou como se estivesse um pouco preocupado com a sanidade de Call. — Sabe a escola? Onde nós seremos aprendizes?
— Mas onde fica exatamente? Onde ficam os túneis? — Call insistiu. — E você acha que eles vão trancar a gente nos nossos quartos à noite? Será que tem barras nas janelas? Ah, espere, não vão rolar barras... porque não terá janelas, não é?
— Hum. — Aaron abriu seu pacote de batatas sabor pão de alho com queijo. — Quer uma batatinha?
Tamara se inclinou no corredor.
— Você é mesmo maluco, de verdade? — ela perguntou, não como se estivesse realmente insultando Call desta vez, mas como se, com toda a sinceridade, quisesse discutir o assunto.
— Você não está sabendo que, quando chegarmos lá, vamos morrer, não é? — Call disse, alto o suficiente para que todo o ônibus o ouvisse.
Um silêncio retumbante seguiu essas palavras.
Por fim, Célia falou:
— Todos nós?
Alguns garotos riram baixo.
— Bem, não todos, é claro — respondeu Call —, mas alguns de nós. E isso já é ruim o suficiente!
Todos tornaram a olhar para Call, exceto os Mestres Rufus e Rockmaple, que estavam sentados na parte da frente do ônibus e não prestavam atenção ao que os garotos faziam lá atrás. Naquele dia, Call havia sido tratado como louco mais do que em qualquer outro de sua vida, e já estava ficando cheio daquilo.
Aaron era o único que não olhava para Call como se ele fosse maluco. Em vez disso, mordeu uma batata frita.
— Quem disse isso para você? — ele perguntou. — Sobre morrermos.
— Meu pai — informou Call. — Ele foi para o Magisterium e por isso sabe muito bem como são as coisas por lá. Ele contou que os magos fazem experiências com a gente.
— Era aquele cara que ficou berrando para você no Desafio? Que atirou a faca? — quis saber Aaron.
— Ele não costuma agir assim — Call murmurou.
— Bem, ele obviamente foi para o Magisterium e continua vivo — Tamara ressaltou. Ela baixara a voz. — E a minha irmã está lá. E alguns dos nossos pais também frequentaram a escola.
— É, mas a minha mãe está morta — disse Call. — E o meu pai odeia tudo que tenha a ver com essa escola. Ele nem mesmo fala sobre o Magisterium. Ele me contou que minha mãe morreu por causa disso.
— O que aconteceu com ela? — Célia perguntou. Ela tinha um pacote de balas de goma em forma de garrafas no colo, e Call ficou tentado a pedir uma porque elas o lembravam do sundae que ele jamais ganharia. Além disso, Célia parecia gentil, como se tivesse feito essa pergunta apenas porque queria dissipar sua preocupação com os magos e não porque achava que ele era um esquisito cheio de raiva no coração. — Digo, ela teve você, então ela não morreu no Magisterium, certo? Ela deve ter se formado antes.
Essa pergunta desconcertou Call. Ele juntara todos os fatos, mesmo assim não conseguia traçar uma linha do tempo muito precisa. Houve uma briga em algum lugar, algum tipo de guerra mágica. O pai costumava ser vago sobre os detalhes. Ele sempre focava no fato de que os magos haviam deixado aquilo acontecer.
“Quando os magos entram em guerra, o que acontece com frequência, eles não se importam com a morte das pessoas.”
— Uma guerra — ele disse. — Houve uma guerra.
— Bem, isso não é lá muito específico — retrucou Tamara. — Mas, se era a sua mãe, só pode ter sido a Terceira Guerra dos Magos. A guerra do Inimigo.
— Tudo o que sei é que eles morreram em algum lugar na América do Sul.
Célia soltou um suspiro.
— Então ela morreu nas montanhas — concluiu Jasper.
— Nas montanhas? — repetiu Drew lá de trás, parecendo nervoso.
Call lembrou-se dele como o menino que perguntara sobre a escola de pôneis.
— O Massacre Gelado — disse Gwenda.
Call se recordou da forma como a garota havia se levantado da arquibancada ao ser escolhida. Ela sorria como se fosse seu aniversário, e suas muitas tranças com contas nas pontas balançaram ao redor do rosto dela. — Você realmente não sabe de nada? Nunca ouviu falar do Inimigo, Drew?
A expressão de Drew congelou-se.
— Que inimigo?
Gwenda suspirou, irritada.
— O Inimigo da Morte. Ele é o último dos Makaris e a causa da Terceira Guerra.
Drew ainda parecia intrigado. Call também não tinha muita certeza sobre o que Gwenda havia dito. Makaris? Inimigo da Morte? Tamara olhou para trás e percebeu a expressão no rosto de ambos.
— A maioria dos magos é capaz de acessar os quatro elementos — ela explicou. — Lembram-se do que o Mestre Rockmaple disse sobre recorrer ao ar, à água, à terra e ao fogo para fazer magia? E toda aquela coisa sobre a magia do caos?
Call se lembrava de algumas partes da palestra dada pelo mestre na frente do ônibus, algo sobre caos e coisas que devoravam as outras. Aquilo soara ruim mais cedo e não soava nada melhor naquele momento.
— Eles transformam o nada em coisas, e é por isso que o chamamos de Makaris. Criadores. Eles são poderosos. E perigosos. Como o Inimigo.
Call sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
Essa história de magia soava ainda mais sinistra do que o seu pai lhe dissera.
— Ser o Inimigo da Morte não me parece algo assim tão ruim — ele declarou, mais para contrariar. — Vamos combinar que a morte não é uma das coisas mais legais do mundo. Quero dizer, quem iria querer ser Amigo da Morte?
— Não é assim que as coisas funcionam. — Tamara cruzou as mãos sobre as pernas, claramente irritada. — O Inimigo era um grande mago. Talvez fosse até mesmo o melhor deles. Só que enlouqueceu. Ele queria viver para sempre e acordar os mortos. É por isso que o chamam de Inimigo da Morte, porque ele tentou conquistar a morte. Ele começou a introduzir o caos no mundo, colocou o vazio dentro de animais... e até mesmo de pessoas. Quando um pedaço do vazio é colocado dentro de uma pessoa, ela se torna um monstro inconsequente.
Do lado de fora do ônibus, o sol já havia se posto. Restara apenas uma mancha de vermelho e dourado na linha do horizonte, só para lembrá-los do quão cedo havia anoitecido.
À medida que o ônibus seguia, adentrando cada vez mais a escuridão, Call podia perceber um número cada vez maior de estrelas no céu do lado de fora da janela. Ele conseguia distinguir apenas formas vagas nas florestas pelas quais passavam. Até onde Call podia ver, a paisagem era composta apenas por uma escuridão repleta de folhas e rochas.
— E isso é provavelmente o que ele ainda vai fazer — disse Jasper. — Ele só está à espera para quebrar o Trato.
— Ele não era o único Makari de sua geração. — Tamara parecia contar uma história que aprendera de cor ou recitar um discurso que já ouvira inúmeras vezes. — Havia outra. Verity Torres, nossa principal guerreira. Ela era apenas um pouco mais velha do que somos hoje, mas era muito corajosa e liderou várias batalhas contra o Inimigo. Nós estávamos ganhando. — Os olhos de Tamara brilharam ao falar sobre Verity. — Mas, então, o Inimigo cometeu o ato mais traiçoeiro que alguém poderia cometer. — Ela abaixou a voz mais uma vez para impedir que os mestres na frente do ônibus pudessem ouvi-la. — Todos sabiam que uma grande batalha se aproximava. O nosso lado, o dos magos bons, escondeu suas famílias e filhos em uma caverna remota para que não se tornassem reféns. O Inimigo encontrou esse esconderijo e, em vez de ir para o campo de batalha, foi lá e matou todo mundo.
— O Inimigo esperava que eles morressem com facilidade — Célia acrescentou, entrando na conversa com sua voz suave. Era óbvio que ela também já tinha ouvido aquela história milhares de vezes. — Afinal, eram apenas crianças, pessoas idosas e alguns pais com seus bebês. Eles tentaram manter o Inimigo do lado de fora e mataram os Dominados pelo Caos na caverna, mas não eram fortes o suficiente para destruir o Inimigo. No fim, todos morreram e ele fugiu sem deixar vestígios. Foi tão brutal que a Assembleia ofereceu uma trégua e ele aceitou.
Houve um silêncio horrorizado.
— Nenhum dos magos bons sobreviveu? — perguntou Drew.
— Todos eles vivem na escola de pôneis — Call sussurrou. De repente, ele ficou até satisfeito por não ter dinheiro para comprar nada na parada, porque tinha certeza absoluta de que acabaria vomitando. Ele sabia que a mãe tinha morrido. Sabia até mesmo que ela morrera em uma batalha. Mas nunca havia ouvido os detalhes.
— O quê? — Tamara se virou para ele com uma expressão gélida, enfurecida. — O que você disse?
— Nada — Call apoiou as costas no encosto do banco e cruzou os braços. Pela expressão dela, ele sabia que fora longe demais.
— Você é inacreditável. Sua mãe morreu durante o Massacre Gelado e você faz piada sobre o sacrifício dela. Você age como se fosse culpa dos magos e não do Inimigo.
Call olhou para o outro lado, com o rosto quente. Sentia vergonha do que havia dito, mas também sentia raiva, pois ele deveria saber dessas coisas, não é? O pai deveria ter lhe contado. Só que ele não fizera nada disso.
— Se a sua mãe morreu na montanha, onde você estava? — Célia interrompeu a discussão, tentando acalmar os ânimos. A flor no cabelo dela ainda estava toda amassada da queda durante o Desafio, e um dos cantos encontrava-se levemente chamuscado.
— No hospital — Call respondeu. — Já nasci com a perna toda ferrada, então estava sendo operado. O lugar em que ela deveria estar era na sala de espera do hospital, mesmo que o café fosse ruim. — Era sempre assim quando ele ficava irritado. Era como se não conseguisse controlar as palavras que saíam de sua boca.
— Você é um idiota — Tamara declarou com raiva. Ela não era mais aquela menina fria e contida do Desafio. Os olhos dela se moviam de um lado para o outro de tanta raiva. — Metade dos garotos que estão no Magisterium e possuem um legado teve algum membro da família que morreu na montanha. Se continuar a falar desse jeito, alguém vai acabar afogando você em um dos lagos subterrâneos e ninguém sentirá sua falta. Nem eu.
— Tamara, estamos no mesmo grupo de aprendizes — disse Aaron. — Dá um tempo para o garoto. A mãe dele morreu. Ele pode se sentir como bem entender.
— Minha tia-avó também morreu na montanha — Célia acrescentou. — Meus pais falam dela o tempo todo, mas nunca a conheci. Não estou chateada com você, Call. Eu só queria que nada disso tivesse acontecido com a gente. Com nenhum deles.
— Bem, eu estou chateado — um cara sentado no fundo do ônibus entrou na conversa.
Call achava que o nome dele era Rafe. Ele era alto, com o cabelo cheio, escuro e cacheado, e vestia uma camiseta com a estampa de uma caveira sorridente que brilhava em um tom de verde desbotado na luz fraca.
Call se sentiu ainda pior. Estava prestes a pedir desculpas para Célia e Rafe quando Tamara se virou para Aaron e comentou, furiosa:
— Mas é como se ele não se importasse. Eles foram heróis.
— Não, eles não foram nada disso — irrompeu Call antes que Aaron pudesse falar. — Eles foram vítimas. Essas pessoas foram mortas por causa da magia e nada pode mudar isso. Nem mesmo o seu Inimigo da Morte, não é?
Houve um silêncio atônito. Até mesmo as pessoas que estavam envolvidas em outras conversas em outras partes do ônibus se viraram, boquiabertas, para Call.
Seu pai culpava os outros magos pela morte da mãe. E ele acreditava em seu pai. De verdade. Mas, com todos aqueles olhos sobre si, Call já não tinha tanta certeza sobre o que pensar.
O silêncio foi quebrado apenas pelo som dos roncos do Mestre Rockmaple. O corredor do ônibus se transformara em um depósito de lixo.
— Ouvi dizer que há animais Dominados pelo Caos próximos à escola — Célia sussurrou. — Eles são fruto das experiências do Inimigo.
— Tipo cavalos? — perguntou Drew.
— Espero que não — Tamara tremeu. Drew pareceu desapontado. — Você não iria querer ter um cavalo Dominado pelo Caos. Os Dominados pelo Caos são os servos do Inimigo. Eles têm um pedaço do vazio dentro de si, o que os torna mais espertos que outros animais, porém mais insanos e sedentos por sangue. Só o Inimigo ou um dos seus servos podem controlá-los.
— Então quer dizer que eles são como cavalos zumbis possuídos pelo demônio? — Drew insistiu.
— Não exatamente. Você pode reconhecê-los pelos olhos, que possuem um brilho intenso. Na verdade, são pálidos com cores que giram dentro das órbitas. Mas, tirando isso, são como animais normais. Essa é a parte mais assustadora — Gwenda acrescentou. — Espero que não tenhamos de sair muito.
— Eu já espero o contrário — disse Tamara. — Minha vontade é aprender a reconhecê-los e a matá-los. Quero fazer isso.
— Ah, depois eu é que sou maluco — Call comentou em voz baixa. — Não há nada com que se preocupar no Magisterium. Escola de pôneis demoníacos, lá vamos nós.
Tamara, entretanto, não estava prestando atenção nele. Ela estava inclinada na direção de outro banco, escutando Célia, que dizia:
— Ouvi falar de um novo tipo de Dominado pelo Caos que não pode ser identificado pelos olhos. Nem mesmo a criatura sabe o que ela é até o Inimigo obrigá-la a obedecer a sua vontade. Assim, tipo, até o seu gato pode estar espionando você ou...
O ônibus parou com um solavanco. Por um segundo, Call pensou que estivessem em outro posto de gasolina, mas então o Mestre Rufus se levantou.
— Chegamos — ele informou. — Façam uma fila no corredor de forma ordenada, por favor. — Por alguns minutos, tudo pareceu ser absolutamente normal, como se Call estivesse em uma excursão da escola. Os alunos pegaram suas malas e bolsas e as empurraram para fora do ônibus. Call ficou bem atrás de Aaron e, já que não tinha nenhuma bagagem para pegar, foi o primeiro a dar uma olhada ao redor.

15 comentários:

  1. Ele é 1 desses por isso a mae mandou matar

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  2. Agora faz sentindo então. Ele tem o caos e qndo fica com raiva a coisa fica fora de controle e por isso a mae mandou matar ele lá

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    1. So falta chegar no final e não ser ele kkkkk

      Ezequiel

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  3. Eu gosto do Call.
    E tadinho, como vai ficar sem roupas e coisas pessoais lá na escola?

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    1. Né! Eles nem se planejaram para a possibilidade de Call não passar... ele terá que se virar com roupas emprestadas até lá...

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  4. Tadinho do Call ... :/

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  5. Nossa estou adorando esse livro ! Depois de Harry Potter foi o único que já me cativou de cara .

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  6. Me lembrou muito o Harry na verdade ,ele é o único sobrevivente e tem poderes elevadíssimos .

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    1. E vai lembrar ainda mais pra frente...

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  8. Quando eu começo um livro novo, onde aparece um monte de personagem, com um monte de nomes que eu vou levar uns dez capítulos pra decorar, eles conversam e eu fico tipo "Quem é essa gente toda aqui?" Como assim um servo do Inimigo que não sabe o que é? Tipo alguém deixado vivo de propósito? Alguém que a própria mãe preferiria ver morto? Alguém com muita magia? Suspeito, muito suspeito, jovem Callum.

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  9. Esse livro me lembra Harry Potter e as Crônicas dos Kane.
    Tem o fato de que o magisterium me lembra um pouco Hogwarts, e o Call me lembrou o Harry agora.
    Mas esse papo de elementos, caos e equilíbrio me remete muito as crônicas dos Kane

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  10. Estou relendo
    E vocês vão de surpreender com o que vai acontecer

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Boa leitura :)