20 de janeiro de 2017

Capítulo onze


— Devastação, quieto! Shhhhiiii! — pediu Call, mas o lobo continuou latindo, cheirando entre as portas do celeiro, arranhando a madeira com as patas.
— O que você está vendo, rapaz? — perguntou Aaron. — Tem alguma coisa aí fora?
Tamara deu um passo em direção ao lobo.
— Talvez seu pai tenha voltado.
O coração de Call começou a bater violentamente. Ele correu para a porta que Devastação estava farejando e puxou-a, abrindo o celeiro para o ar frio lá de fora.
Devastação correu. A noite estava quieta. A lua brilhava no céu. Call teve de apertar os olhos para ver seu lobo correndo pela grama em direção à fila de carros destruídos, parecendo corcunda e irreal na escuridão.
— O que é isso? — Era Jasper. A voz num sussurro assustado. Ele apontava para algo. Aaron deu um passo à frente. Estavam todos em volta de Call, diante da porta aberta do celeiro. Call olhou para onde Jasper indicava. De início, não viu nada; em seguida, observando com mais atenção, viu alguma coisa desviando pela lateral de um dos carros.
Tamara se engasgou. A coisa estava se levantando, parecendo crescer a cada instante, inchando diante deles. Brilhava ao luar — um monstro feito de metal, escuro e aparentemente molhado, como se a superfície estivesse cheia de óleo. Os olhos eram como duas enormes lanternas, brilhando na escuridão. E a boca...
Call ficou olhando enquanto a imensa mandíbula se abria, alinhada com fileiras de dentes metálicos, afiados como os de tubarão, e, em seguida, se fechava sobre o capô de um Citroën antigo.
O carro fez um terrível barulho de trituração. A criatura jogou a cabeça para trás, engolindo. Cresceu ainda mais enquanto o carro desaparecia em sua boca gigante. Um instante depois, o carro sumiu e a criatura pareceu crescer ainda mais.
— É um elemental — concluiu Tamara, nervosa. — Do ferro. Deve estar extraindo poder de todos esses carros e essa sucata.
— Melhor sairmos daqui antes que note nossa presença — disse Jasper.
— Covarde — censurou Call. — É um elemental à solta. Cuidar disso não é sua função?
Jasper esticou os ombros e o encarou.
— Olhe, aquela coisa não tem nada a ver conosco. Precisamos defender pessoas, mas não quero morrer protegendo a coleção de seu pai. Ele vai ficar melhor sem todos esses carros, caso não seja executado por trabalhar com o Inimigo, o que é uma possibilidade muito grande; e para nós o melhor é sair daqui!
— Cale a boca. Apenas cale a boca. — Aaron levantou uma das mãos. O metal em seu pulso brilhou. Call conseguia ver o que parecia uma sombra se elevando de sua palma, encobrindo parcialmente a mão.
— Pare! — Tamara agarrou o pulso de Aaron. — Você não aprendeu direito a usar a magia do vazio. E o elemental é grande demais. Pense no tamanho do buraco que teria de abrir para se livrar dele.
Aaron pareceu se irritar.
— Tamara...
— Hum, pessoal — interrompeu Jasper. — Entendo que estão discutindo, mas acho que ele acabou de nos ver.
Jasper estava certo. Os olhos de farol brilhavam na direção deles. Tamara soltou Aaron quando a criatura começou a se mover. Então, inesperadamente, ela se voltou para Call.
— O que faremos?
Call estava surpreso demais com o pedido por instruções e não conseguiu responder. O que não foi problema, porque Aaron já estava falando.
— Temos de buscar a senhora Tisdale e protegê-la. Se essa criatura veio parar aqui por acaso, então talvez coma alguns carros e vá em paz. Mas, se não for isso, precisamos estar prontos.
— Elementais do ferro são raros. — Jasper pegou a bolsa de Tamara. — Não sei muito a respeito deles, mas sei que não gostam de fogo. Se ele começar a vir atrás de nós, eu lanço uma tela de fogo. Tudo bem?
— Posso fazer isso. — Tamara amarrou a cara.
— Não importa quem vai fazer! — retrucou Aaron, exasperado. — Agora vamos!
Todos começaram a correr para a casa principal. Call, um pouco mais lento, seguia na retaguarda, não só porque a perna doía, mas porque estava preocupado com Devastação. Ele queria chamá-lo, se certificar de que seu lobo estava bem, mas atrair chamar a atenção do elemental. E ele não sabia se conseguiria fugir correndo, caso precisasse. Tamara, Aaron e Jasper já estavam muito mais rápidos que ele.
A criatura continuava a se mover, às vezes parcialmente escondida pelos carros, às vezes terrivelmente clara. Não se movia depressa, mais parecia um gato perseguindo sua presa. Vinha lentamente, a cada abocanhada de metal.
Enquanto Call se aproximava da casa da senhora Tisdale, percebeu que alguma coisa estava errada. A luz escapava da casa, não só das janelas, mas de toda a frente. A porta e parte da parede tinham sumido. Fios e pedaços de madeira pendiam do buraco que restava.
Aaron foi o primeiro a correr pelos degraus.
— Senhora Tisdale! — gritou ele. — Senhora Tisdale, você está bem?
Call foi atrás, a perna doendo. A mobília estava revirada, uma mesa de centro havia sido destruída. Um sofá pegava fogo, as chamas se elevavam de um canto escurecido. A senhora Tisdale se encontrava no chão, com um terrível corte no peito. Sangue ensopava o tapete abaixo dela. Call encarou a cena, horrorizado.
Misturado ao sangue, havia pedaços brilhantes de metal.
Aaron caiu de joelhos.
— Senhora Tisdale?
Ela estava com os olhos abertos, mas não parecia conseguir fixar o olhar em nada.
— Crianças... — disse ela com uma terrível voz sussurrada. — Crianças, eles estão atrás de vocês.
Call se lembrava um pouco da magia de cura. Já tinha visto Alex utilizá-la para curar o calcanhar quebrado de Drew uma vez, extraindo poderes de ligação e cura da terra. Ele se agachou ao lado de Aaron, tentando extrair o que fosse possível. Se conseguisse curá-la, então talvez sua magia servisse para mais do que Alastair pensava.
Talvez ele fosse bom.
Pressionando os dedos gentilmente sobre a clavícula da idosa, ele direcionou a energia para ela. Tentou senti-la vindo do chão, tentou pensar em si próprio como um condutor. Mas, após um instante, ela empurrou a mão dele.
— Tarde demais para isso — informou a senhora Tisdale. — Vocês ainda podem escapar. Precisam correr. Call, eu estava lá na noite em que você achou que tivesse perdido Devastação. Fui eu que o acorrentei. Sei o que está em jogo.
Call se afastou dela, confuso.
— Do que ela está falando? — perguntou Tamara. — Do que você está falando, senhora Tisdale?
— É só um elemental. Podemos nos livrar dele. Podemos ajudá-la. — Aaron olhou, descontrolado, para Tamara e Jasper. — Talvez devêssemos pedir ajuda ao Magisterium...
— Não! — A senhora engasgou. — Não sabem o que é aquela criatura? Se chama Automotones, é um monstro antigo e terrível, foi capturado pelos magos do Magisterium há centenas de anos. — Filetes de sangue surgiram nos cantos de sua boca. Ela respirava com dificuldade. — Se está aqui agora, é porque aqueles... aqueles... aqueles magos o soltaram para caçá-los. Para matá-los!
Com um tremor, Call se lembrou da aula de Mestre Rufus sobre os elementais presos sob o Magisterium. Como eram aterrorizantes. E impossíveis de ser contidos.
— Para caçar Alastair, você quer dizer? — perguntou Jasper.
— Ele invadiu a casa — sibilou ela. — Exigiu que eu contasse onde vocês estavam. Não Alastair. Vocês quatro. — Os olhos dela se fixaram em Aaron. — É melhor correr, Makar.
A face de Aaron estava pálida de choque.
— Fugir do Magisterium? E não do Inimigo?
A boca da senhora se curvou em um estranho sorriso.
— Você nunca poderá escapar do Inimigo da Morte, Aaron Stewart — afirmou ela, e, apesar de parecer estar falando com Aaron, ela olhava para Call.
Ele a encarou de volta enquanto os olhos dela se apagavam.
— Cuidado! — gritou Tamara.
O monstro metálico — Automotones — entrou na casa pela parede quebrada. Estava verdadeiramente imenso agora. Esticou-se, as mãos lisas e enormes arrancando o teto, abrindo um buraco entre o andar superior e o inferior em busca de espaço para si. Call gritou e caiu de lado, por pouco não sendo esmagado por uma cômoda. O móvel se estilhaçou no chão, espalhando roupas.
De repente, uma tela de fogo apareceu, como uma parede viva de chamas, queimando o chão e acendendo o que restava do teto. Jasper controlava o fogo com claro esforço enquanto Automotones rugia e estalava.
— Vá! — gritou Jasper para Call. — Corra! Eu sigo você.
Call se sentiu mal por tê-lo chamado de covarde. Levantando-se do chão, ele cambaleou para os fundos da casa.
Aaron e Tamara foram em seu encalço. Tamara tinha invocado uma bola de fogo, que brilhava em sua mão. Ela jogou a cabeça para trás, as tranças voando na direção de onde Jasper estava.
— Vamos, Jasper — incentivou Aaron. — Agora!
Jasper liberou sua parede de fogo e correu em direção a eles. O elemental do ferro os perseguia. Tamara jogou a chama que invocara na barriga do monstro enquanto Jasper cambaleava para o gramado com Call.
Jasper estava claramente exausto pelo esforço que fizera a fim de sustentar a tela de fogo. Conseguiu correr alguns metros no gramado e caiu. Call deu um passo até ele, mas não tinha ideia do que fazer. Não tinha como carregar Jasper e correr; mal conseguia correr sem o peso extra de outra pessoa nos ombros.
Tamara correu pelo gramado, com Aaron logo atrás. Em seu encalço vinha o Automotones. Correndo e arranhando enquanto as chamas ardiam ao redor — o fogo de Jasper claramente havia incendiado alguns dos móveis, e agora as cortinas e provavelmente as paredes queimavam. A fazenda toda iria arder como uma tocha.
— Jasper! — Call alcançou o braço de Jasper e tentou ao menos levantá-lo.
Ele conseguiu se ajoelhar e, em seguida, soltou um berro de pavor. Call se virou e viu o elemental do ferro se erguer sobre eles, bloqueando a luz da lua. As patas da criatura desciam sobre os dois. Pareciam enormes alicates de metal, prestes a se fechar sobre Call e Jasper, prestes a cortá-los ao meio.
Call se lembrou de estar no terrível escritório do pai durante o verão, lembrou-se da raiva que sentiu e de como tinha olhado para Alastair e simplesmente a canalizara. Ele tentou concentrar todo o horror, o medo e a raiva que estava guardando e direcioná-los contra o Automotones.
O monstro voou para trás, emitindo um ruído que parecia o de um carro enferrujado sendo destruído. O ruído se transformou em um rugido furioso enquanto o Automotones se voltava para Tamara e Aaron. Aaron foi para a frente de Tamara, levantando uma das mãos, mas o monstro o empurrou dali como se ele fosse um inseto, e agarrou Tamara, levantado-a no ar.
— Tamara! — Call começou a correr em direção ao elemental, por um instante se esquecendo de que ele era aterrorizante, enorme e um verdadeiro assassino. Em sua mente, ele enxergou apenas o alicate metálico se fechando em volta de Tamara, esmagando-a. Ele tinha uma vaga noção de Aaron correndo e gritando, e também de que Tamara estava lutando, ainda que em silêncio, na garra da criatura. De repente, o Automotones balançou e tropeçou. Tamara se libertou, caindo na grama.
O elemental se contorceu, e Call viu que Devastação havia pulado nas costas do monstro, as garras Dominadas pelo Caos enterradas na pele de metal, dentes rasgando. O ruído do metal sendo rompido preencheu a noite.
Mas a criatura se sacudiu e Devastação perdeu o equilíbrio, as patas arranhando desesperadamente o ar. Ele estava se segurando pelos dentes, porém logo acabou se soltando. O lobo voou em direção à casa, ao fogo, ganindo ao cair.
Invocando o ar, ignorando o elemental e a luta, Call se concentrou em seu lobo. Concentrou-se em formar uma almofada macia de vento para pegar Devastação. Ao longe, ouviu a criatura se aproximar; vagamente, entendeu que estava colocando todos em perigo para se certificar de que seu animal de estimação não se machucasse, mas não se importava com isso.
Devastação caiu no ar mágico de Call, como se fosse uma rede, quicando um pouco, as patas balançando, os olhos brilhantes arregalados. Lentamente, Call foi abaixando o lobo para o chão, com cuidado, com muito cuidado...
Foi então que o elemental o atingiu. A sensação foi a de ter sido esmagado por uma onda gigante. Ouviu Tamara gritar seu nome, e, em seguida, voava para trás, atingindo o chão com força o suficiente para enviar uma onda de choque por seu corpo. Ele rolou, cuspindo terra e grama, e viu o elemental do ferro se erguer sobre ele. Parecia enorme, tão grande quanto o céu que se expandia sobre seu corpo. Call lutou para se levantar, a perna ruim tremendo, mas caiu de volta na grama. Ao longe, pôde ver Tamara correndo em sua direção, cordas de fogo pendendo de suas mãos, mas sabia que ela estava longe demais para chegar até ele a tempo. O Automotones já se abaixava acima dele, as mandíbulas repletas de dentes afiados abertas.
Call agarrou a terra, tentando conectar-se a ela para invocar sua magia, mas não havia tempo. Dava para sentir o cheiro de metal e ferrugem enquanto o elemental abria a boca para engoli-lo.
— Pare!
O elemental virou a cabeça para trás. Call se virou para ver Aaron atrás dele, as mãos esticadas. Brilhando em sua palma havia uma nuvem de escuridão oleosa que jorrava para cima. A expressão em seu rosto era uma que Call não se lembrava de já ter visto antes. Seus olhos ardiam como ferretes, e uma careta formou em seu rosto algo perturbadoramente parecido com um sorriso.
O vazio negro e oleoso voou da mão de Aaron direto para a garganta do Automotones. Por um instante, nada mudou. Em seguida, a criatura começou a vibrar, metal contra metal. Call ficou olhando. O elemental parecia estar sendo esmagado por uma enorme mão invisível, o metal sendo sugado por dentro. A criatura abriu a boca, e Call viu o vazio fumegando e borbulhando em seu interior. Ele percebeu o que estava acontecendo. O elemental estava entrando em colapso, cada junta e parafuso, cada placa e motor era sugado para o crescente vazio que Aaron havia jogado em sua garganta.
Call sentiu uma mão em seu ombro, e logo Aaron o puxava para cima. A expressão assustadora tinha desaparecido. Ele parecia apenas sério, assistindo, enquanto o Automotones soltava um último uivo e desaparecia na escuridão, chiando.
— O que aconteceu com ele? — perguntou Jasper, correndo. — Para onde foi? Morreu?
Call olhou para a casa em chamas, para a destruição dos carros. Não se importava com o destino do Automotones. O importante era que estavam todos em segurança.
— Está no vazio. — O tom de Aaron era seco. — Não vai voltar.
— Vamos — disse Tamara. — Precisamos nos afastar do fogo.
Começaram a voltar pelo celeiro, com Devastação correndo na frente deles. O ar estava cheio de fumaça, e o brilho do fogo que ardia atrás deles deixou o céu claro como o dia.
— O que precisamos fazer é voltar para o Magisterium. — Jasper estava sem fôlego. — Mostrar o que encontramos. O pai de Call está em contato direto com os servos do Inimigo, lembram? Ele vai levar o Alkahest para eles. Precisamos de ajuda.
— Não vamos voltar ao Magisterium — decidiu Aaron. A voz dele continuava a mesma, seca e dura. Call teve a sensação de que ele estava segurando o que quer que estivesse sentindo, contendo com força. — Eles mandaram essa coisa atrás de nós.
— Atrás de Alastair, você quer dizer — corrigiu Tamara. — Você não acredita naquela senhora, acredita?
— Sim, acredito.
— Ela não tem motivos para mentir — concordou Call.
Agora a voz de Aaron começou a falhar um pouco.
— Se eles não a mandaram, por que a criatura atacou a senhora Tisdale? Por que nos atacou? Deveria ter recebido instruções para não nos atacar.
— Talvez tenha resolvido que se não conseguiam nos recuperar, seria melhor nos matar que permitir que caíssemos nas mãos do Inimigo — deduziu Jasper. Todos o olharam surpresos. — É o tipo de coisa que a Assembleia faria — acrescentou, dando de ombros.
— Achei que você quisesse voltar — disse Call.
— Eu quero. Mas vocês realmente criaram um grande problema agora. — Jasper revirou os olhos para Call, como se ele fosse idiota, uma expressão com a qual Call estava muito familiarizado. — Quanto mais tempo passarmos longe, mais eles vão se convencer de que é melhor minimizar o prejuízo. Eliminar primeiro Aaron, depois o resto de nós, para que não restem testemunhas e seja apenas uma tragédia. Se Constantine Madden pusesse as mãos em Aaron, poderia matá-lo, ou poderia fazer uma lavagem cerebral nele. Talvez seja isso que eles temam. Talvez tenham medo de que, perdendo Aaron para Constantine, percam a guerra.
— Não ter Aaron faria com que perdessem a guerra! — disse Tamara. — Ele é o Makar!
Chegaram ao celeiro. A face de Jasper parecia esculpida em pedra sob a luz bruxuleante.
— Acho que vocês não entendem como eles pensam.
— Chega! — Call se virou para os outros. — Vocês que voltem para a escola. Acho que posso deter meu pai, só preciso encontrá-lo em tempo. Tenho de falar com ele. Preciso tentar. Mas a coisa está ficando perigosa demais para vocês me acompanharem.
Eles nunca vão entender, pensou. Meu pai quer o filho de volta. Ele acha que se entregar o Alkahest para Mestre Joseph, Joseph poderá me consertar. Poderá me tornar Callum Hunt novamente. Mas Mestre Joseph está enganando meu pai, está tentando ludibriá-lo. Provavelmente vai matá-lo assim que conseguir o Alkahest.
Mas Call não podia contar isso a eles, nada disso.
Você não pode escapar do Inimigo da Morte.
— Nem pensar. — Tamara cruzou os braços sobre o peito. — Não é seguro você ir, não é seguro para nenhum de nós. Você nem sabe para onde Alastair está se dirigindo.
— Acho que sei, na verdade. — Call abriu a porta do celeiro e entrou mancando. O restante deles, até mesmo Devastação, esperou na entrada enquanto ele pegava as cartas de Mestre Joseph. Quando voltou, ergueu uma delas para a luz.
— Têm números embaixo do nome de Mestre Joseph — observou ele. — Em todas as cartas.
— É, provavelmente a data — cogitou Jasper.
Call leu os números.
— 45. 1661. 67. 2425.
— Data? Só se for em Marte — zombou Tamara, se aproximando. — É...
— São coordenadas — explicou Call. — Latitude e longitude. Era assim que meu pai programava o GPS do carro. Esses números ajudam a encontrar os lugares. Joseph está dizendo a meu pai onde ele está.
— Então sabemos para onde vamos — disse Aaron. — Só precisamos encontrar alguma coisa em que possamos colocar essas coordenadas...
— Aqui. — Tamara pegou o telefone. Mas, quando tocou a tela, ela não acendeu. — Ah, acho que fiquei sem bateria.
— Qualquer computador em qualquer cybercafé serviria. — Call dobrou os papéis. — Mas não tem “nós”. Eu vou sozinho.
— Não vamos deixá-lo sozinho, e você sabe disso. — Aaron levantou uma das mãos para conter o protesto de Call. — Olhe, quando chegarmos à escola, talvez seu pai já tenha encontrado Mestre Joseph. Pode não haver tempo para nada, mesmo que a gente consiga convencer os magos de que sabíamos o que estávamos fazendo.
— Se formos atrás de Joseph e recuperarmos o Alkahest, aí voltaremos por cima — acrescentou Tamara. — Além disso, já mandaram um monstro atrás de nós. Até sabermos se podemos confiar neles, o único caminho é seguir em frente.
Call olhou para Jasper.
— Você não precisa ir. — Ele estava se sentindo mal de verdade por ter arrastado Jasper para aquela confusão.
— Ah, eu vou — garantiu Jasper. — Se estamos sendo perseguidos por monstros, eu fico com o Makar.
— Como os magos do Magisterium podem ser os mocinhos se mandaram um monstro nos matar só porque fugimos? — perguntou Aaron. — Nós somos crianças.
— Não sei. — Call estava começando a se preocupar com a possibilidade de não existirem mocinhos. Só pessoas com listas de Suseranos do Mal mais compridas ou mais curtas.
Tamara suspirou e passou a mão no cabelo.
— Agora precisamos encontrar uma cidade, algum lugar onde possamos conseguir roupas novas e comida. Estamos com cara de que ateamos fogo em nós mesmos e depois rolamos na lama. Não estamos em condições de nos misturar com as pessoas.
Ao ouvir as palavras rolar na lama, foi exatamente isso que Devastação começou a fazer. Call tinha de reconhecer que Tamara estava certa. Estavam sujos, e não como atores de cinema com manchas artísticas na bochecha. Os uniformes estavam rasgados e cobertos de sangue, óleo e gosma de elemental.
— Acho melhor começarmos a andar. — Jasper soou desanimado.
— Não vamos andar — disse Aaron. — Vamos de carro. Tem trezentos deles por aqui.
— Sim, mas a maioria dos que não foram comidos não funcionam — observou Call. — E os poucos que de fato funcionam, não têm chave.
— Oras — retrucou Aaron. — Eu não tenho um pai presidiário à toa. Acho que consigo fazer uma ligação direta em um desses.
Ele caminhou até onde estavam os carros com passos confiantes.
— Esse é nosso Makar — zombou Jasper. — Magia do caos e roubo de carros.
— Achei que seu pai tinha fugido. — Call correu atrás de Aaron. — E que você não sabia onde ele estava.
Aaron deu de ombros.
— Acho que ninguém gosta de admitir que o pai está na cadeia.
Naquele momento, um pai encarcerado não parecia a pior coisa do mundo para Call, mas ele sabia que era melhor ficar calado.
Call ajudou Aaron a escolher o carro menos destruído de que se lembrava de Alastair ter comprado. Um Morris Minor, verde esmeralda, que contrastava com os bancos de couro vermelho. Era um dos carros mais novos de Alastair, fabricado em 1965, e, ao contrário de muitos dos outros, não precisava de um novo motor.
— Mesmo assim não é um carro veloz — alertou Call. — Digo, provavelmente teremos de andar a menos de 65 quilômetros por hora, mesmo na estrada. E não tem GPS. Talvez ele fosse instalar em algum momento, mas não deve ter tido tempo.
— O que acontece se não ficarmos a menos de 65 quilômetros por hora? — perguntou Tamara.
Call deu de ombros.
— Talvez exploda? Não sei.
— Ótimo — disse Jasper. — Algum de vocês, seus inúteis, sabe dirigir?
— Na verdade não. — Aaron se abaixou no assento, cortando fios com a faca de Call e os amarrando novamente em uma nova combinação.
— Como você pode saber ligar um carro sem chave, mas não sabe dirigir? — Jasper soltou um suspiro.
— Boa pergunta — murmurou Aaron, esticando a cabeça. Ele estava muito suado e um pouco trêmulo. — Talvez você devesse perguntar para meu pai. Ele não chegou a me ensinar antes de ser preso.
— Já dirigi carrinhos de golfe antes — lembrou Tamara. — Qual é a diferença?
O motor ganhou vida, roncando sob as mãos capazes de Aaron.
— Eu dirijo — disse Call. O pai o havia ensinado... mais ou menos. Ele estava tão encrencado que dirigir um carro sem registro e sem seguro, ainda por cima sem habilitação, faria pouca diferença. Além disso, ele era o Inimigo da Morte, um fora da lei, um rebelde. Transgredir a lei provavelmente era só a ponta do iceberg de suas maldades.
Devastação latiu, como se concordasse com ele. O lobo havia ocupado o banco da frente e não parecia inclinado a deixar que mais ninguém sentasse ali.
Aaron se inclinou sobre o capô, parecendo exausto. Ele olhou na direção de Call, mas seus olhos não pareciam capazes de focar.
— É estranho, não? Todo mundo espera que eu seja um herói, e meu pai é um criminoso.
— Bem, considerando que estamos atrás de meu pai porque ele roubou uma espécie de artefato mágico, não estou exatamente em posição de julgar. — Call sorriu, mas Aaron não pareceu notar.
— É só... Não sei. Constantine Madden foi um Makar do mal. Talvez eu também me torne mau. Talvez esteja em meu sangue.
Call balançou a cabeça, tão surpreso por esse pensamento que inicialmente não soube como responder.
— Hum, não... Acho que você não é assim.
— Vamos, pessoal, entrem no carro — disse Tamara. — Aaron, você está bem?
Aaron fez que sim com a cabeça, entrando desajeitadamente no banco de trás. Jasper e Tamara encheram uma mala com o resto de suas coisas. Por sorte, como tinham saído da cama para combater o Automotones, as mochilas permaneceram em segurança no celeiro.
Agora tudo que Call precisava fazer era não bater. Alastair já o tinha deixado dirigir antes, guiando o volante de um dos velhos carros enquanto o pai o rebocava, ou dando uma volta na fazenda para estacionar uma nova aquisição.
Mas nada daquilo equivalia a dirigir sozinho.
Call entrou e ajeitou o banco, puxando-o para a frente de modo que seus sapatos alcançassem os pedais. Acelerador, disse a si mesmo. Freio.
Em seguida, ajustou os retrovisores, porque era isso que Alastair sempre fazia em um carro novo — torceu para que o gesto transmitisse a Aaron e Tamara, e até mesmo a Jasper, a confiança de que Call sabia o que estava fazendo.
Entretanto, aqueles movimentos familiares o fizeram pensar no pai, e um pânico desesperado o dominou.
Ele nunca seria a pessoa que seu pai amava. Essa pessoa estava morta.
— Vamos. — Jasper se sentou no banco de trás. Aparentemente tinham deixado Devastação ficar com o banco da frente. — Se é que você sabe dirigir.
— Eu sei. — Call soltou a marcha e lançou o carro para a rodovia.
O Morris Minor claramente precisava de novos amortecedores. Cada desnível na estrada fazia as crianças pularem. E consumia tanto combustível que Call percebeu que precisariam fazer muitas paradas. Ele agarrou o volante, apertou os olhos para a estrada e torceu que tudo desse certo.
No banco de trás, Aaron caiu em um sono inquieto, sem parecer se incomodar com os solavancos da estrada. Ele foi sacudido de um lado para o outro, mas não acordou.
— Ele está bem? — perguntou Call.
Tamara tocou a testa de Aaron com a parte interna do pulso.
— Não sei. Não está com febre, mas está um pouco mole.
— Talvez tenha usado magia demais — cogitou Jasper. — Dizem que o custo de usar magia do vazio é alto demais.
Levaram vinte minutos para encontrar os limites de uma cidadezinha. Call abasteceu o Morris enquanto Tamara e Jasper entravam para pagar.
— Acha que o atendente notou algo de estranho em vocês? — perguntou Call quando voltaram. Afinal, estavam com roupas queimadas e sujas de lama. E eram crianças, mal tinham 13 anos. Definitivamente novos demais para dirigir.
Jasper deu de ombros.
— Ele estava assistindo a TV. Acho que não se importou com nada além do fato de que pagamos pela gasolina.
— Vamos. — Tamara se sentou ao lado de Aaron, que continuava dormindo. — Antes que ele pare para pensar no assunto.
Tamara utilizou o mapa para guiar Call pela cidade, até chegarem a uma loja de esportes, com um grande estacionamento vazio. O lugar estava fechado. Call parou bem devagar e com todo o cuidado em uma vaga vazia. Aaron continuava dormindo. Tamara bocejou.
— Talvez devêssemos deixá-lo descansar — sugeriu Tamara.
— É — concordou Jasper. — Estou totalmente acordado e alerta, mas a magia do caos é difícil para o Makar.
Call revirou os olhos, mas ele estava tão exausto quanto os outros. Permitiu-se tirar um cochilo, deitando a cabeça em Devastação. Um instante mais tarde, tinha caído num sono inquieto. Quando despertou, Aaron estava acordado e Tamara perguntava se ele estava bem, enquanto uma luz esverdeada entrava pelas janelas.
— Não sei — respondeu Aaron. — Estou me sentindo meio estranho. E tonto.
— Talvez precise comer. — Call se espreguiçou.
Aaron sorriu enquanto Jasper e Tamara saltavam do carro.
— Comer parece uma boa.
— Fique aí, rapaz — disse Call a Devastação, coçando o lobo atrás das orelhas. — Sem latir. Trago um sanduíche.
Deixou a janela do carro aberta, caso Devastação precisasse de ar fresco. Torceu para que ninguém tentasse roubar o carro, principalmente pela segurança do próprio ladrão. Nenhuma pessoa normal, nem mesmo um ladrão de carros, estava preparado para a surpresa de enfrentar um lobo caótico.
A rua tinha algumas outras lojas, inclusive um brechó que Tamara viu com grande entusiasmo.
— Perfeito — disse ela. — Podemos arranjar roupas novas. Aaron, se não estiver disposto...
— Vou ficar bem. — Aaron ainda parecia exausto, mas conseguiu sorrir mesmo assim.
— Nenhuma roupa vai ajudar a deixar aquele seu carro mais discreto — comentou Jasper, com seu talento natural de estragar qualquer humor.
— Podemos comprar um cachecol para ele — sugeriu Call.
A loja era cheia de prateleiras de roupas antigas e usadas, e todos os tipos de bugigangas de segunda mão que Call reconhecia das incursões de seu pai a feiras de antiguidades e lojas de quinquilharias. Três bases de máquinas de costura tinham sido transformadas em um balcão. Atrás deste havia uma mulher de cabelos brancos curtos e óculos roxos. Ela olhou para eles.
— O que aconteceu com vocês quatro? — perguntou a senhora, com as sobrancelhas se erguendo.
— Surfe na lama? — Aaron arriscou, apesar de não parecer muito seguro.
Ela fez uma careta, como se não tivesse acreditado nele, ou estivesse com nojo de tê-los em sua loja, trazendo lama e tocando nas coisas com dedos sujos.
Talvez ambos.
Call não demorou para encontrar a roupa perfeita. Calça jeans, do tipo que ele usava em casa, e uma camiseta azul com a frase EU NÃO ACREDITO EM MAGIA, estampada com uma fada achatada no canto inferior direito.
Aaron começou a rir quando viu.
— Tem alguma coisa muito errada com você.
— Bem, e você parece que está saindo para a aula de yoga — rebateu Call.
Aaron tinha escolhido uma calça de moletom cinza e uma camiseta com o símbolo do yin-yang. Tamara havia encontrado um jeans preto e uma túnica de seda grande, que mais parecia um vestido. Jasper, de algum jeito, acabou com uma calça cáqui, um blazer do tamanho certo e óculos escuros de lente espelhada.
O total das roupas foi vinte dólares, o que fez com que Tamara franzisse a testa e contasse em voz alta. Jasper se inclinou sobre ela e exibiu seu sorriso mais charmoso para a mulher de óculos.
— Sabe me informar onde conseguimos arrumar uns sanduíches? — perguntou ele. — E internet?
— Bits and Bytes, a dois quarteirões na rua principal. — Ela apontou para o monte de uniformes verdes, lamacentos e descartados. — Suponho que eu possa jogar isso fora? Que tipo de roupa é essa, aliás?
Call olhou para as roupas quase com arrependimento. Os uniformes os marcavam como alunos do Magisterium. Sem eles, tudo que restava eram as pulseiras.
— Uniformes de karate — respondeu ele. — Foi assim que nos sujamos. Ninjas do karate.
— Na lama — interrompeu Aaron, sustentando sua versão.
Tamara os arrastou para fora da loja pelas costas das camisas. A rua principal estava essencialmente deserta. Alguns carros passavam, mas ninguém prestou atenção neles.
— Ninjas do karate na lama? — Tamara olhou sombriamente para Aaron e Call. — Será que poderiam tentar ser discretos? — Ela parou na frente de um caixa eletrônico. — Preciso sacar dinheiro.
— Por falar em ser discreto, soube que dá para rastrear o cartão de crédito — lembrou Jasper. — Você sabe, usando a internet.
Call ficou imaginando se teria jogado o telefone fora por nada.
— A polícia pode — corrigiu Aaron. — Não o Magisterium.
— Como você sabe?
— Bem, temos de arriscar — concluiu Tamara. — Gastamos todo o resto do dinheiro, aqueles vinte, e vamos precisar de mais para gasolina e comida.
Mesmo assim, a mão dela tremeu um pouco ao pegar o dinheiro e guardar na carteira.
O Bits and Bytes era na verdade uma loja de sanduíches com uma fileira de computadores, onde era possível alugar tempo de internet, um dólar a hora.
Aaron foi comprar sanduíches enquanto Call logava em uma das máquinas.
Ele procurou latitude e longitude no Google, o que o levou a uma página que calculava as duas coisas. Ele clicou na pesquisa e digitou os números que tinha.
Em seguida, prendeu a respiração.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Aaron.
— É no Maine — respondeu Call. — Quinze horas de carro.
Aaron levantou o olhar do sanduíche de presunto e provolone, com uma expressão de choque.
— Sério?
— Podia ser pior — ponderou Jasper, surpreendendo a Call. — Poderia ser no Alasca.
Tamara olhou ao redor e depois se voltou novamente para Call. Os olhos castanhos estavam muito sérios.
— Tem certeza de que quer fazer isso?
— Tenho certeza de que preciso — garantiu ele.
Ela deu uma mordida no sanduíche.
— Bem, comam, todos — incentivou ela. — Acho que vamos viajar para o Maine.


Depois do almoço, voltaram ao carro, jogando as mochilas na mala. Call deu uma volta com Devastação e o alimentou com dois sanduíches de rosbife. Em seguida inclinou uma garrafa de água para que ele pudesse tomar um pouco. O lobo Dominado pelo Caos comeu e bebeu com surpreendente delicadeza.
Call dirigiu, com Tamara de copiloto enquanto Jasper e Aaron deitavam em Devastação e cochilavam. Jasper devia estar exausto para se dignar a dormir sobre um animal Dominado pelo Caos.
Horas se passaram assim.
— Você sabe que também pode ser preso por andar abaixo do limite de velocidade? — comentou Tamara, seu refrigerante, quente, no suporte ao lado dela. A garota desfazia as tranças, e Call ficou surpreso pelo quanto seu cabelo era longo quando estava solto, negro e brilhante até a cintura.
Call pressionou um pouco mais o acelerador, e o Morris avançou. Enquanto o velocímetro subia, o carro começou a tremer.
— Hum — disse Tamara. — Talvez seja melhor a gente tentar a sorte com a polícia.
Ele lançou a ela um rápido sorriso.
— Você realmente acha que o Magisterium mandou o monstro atrás da gente?
— Não acho que Mestre Rufus faria isso — respondeu Tamara, hesitante. Quando falou novamente, as palavras saíram em enxurrada. — Mas não garanto nada em relação aos outros. Não faz o menor sentido para mim. Call, se você soubesse de alguma coisa... você contaria, não contaria?
— Como assim?
— Nada. — Os dedos começaram a refazer uma longa trança.
Call se concentrou na estrada, no borrão de linhas e em manter a distância dos outros carros.
— Qual é a próxima saída? — perguntou ele. — Precisamos abastecer.
— Call — insistiu Tamara. Agora ela estava brincando com a pulseira. Ele gostaria que ela se calasse. — Você sabe que se tivesse algum segredo que você quisesse me contar, eu o guardaria. Não contaria para ninguém.
— Como não falou sobre meu pai? — Call se arrependeu imediatamente. Os olhos de Tamara se arregalaram, depois ficaram furiosos.
— Você sabe por que eu fiz aquilo. Ele tentou roubar o Alkahest! Estava colocando Aaron em perigo! E as coisas acabaram sendo muito piores do que a gente imaginava. Ele não tinha boas intenções.
— Nem tudo é sobre Aaron — explodiu Call, o que o deixou se sentindo ainda pior. E Aaron não tinha culpa de ser quem era. Call ficou apenas feliz por Aaron estar dormindo, a cabeça loura apoiada no pelo de Devastação.
— Então o que é, Call? — perguntou Tamara. — Porque eu tenho a sensação de que você sabe.
Parecia que as palavras estavam subindo pela garganta de Call. Ele não sabia se queria gritar com Tamara ou desembuchar tudo só pelo alívio de não ter mais de guardar o segredo. Foi então que, do nada, o carro começou a sacudir com toda a intensidade.
— Call, devagar! — pediu Tamara.
— Eu estou devagar! — protestou ele. — Talvez seja melhor encostar...
De repente e sem aviso, Mestre Rufus apareceu, surgindo entre Call e Tamara no banco da frente.
— Alunos. — Aparentemente ele não estava nada satisfeito. — Vocês gostariam de se explicar?

8 comentários:

  1. Shazam Kraii!! Ashuashuas
    Achei engraçada a cena KkKkK '-' kKk

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    1. Aheuaheuahe também
      Eles fugindo e o cara aparece bem no meio deles

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  2. Queria que o Call contasse de uma vez pra eles.

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  3. Queria ver o call usando a magia do caos logo... tá ficando chato o aaron ficar com a fama toda kkkkkk

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    1. vdd kkkkkkk a "Aaron e o makar por isso ele mais importante blablabla'

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  4. Ai caralho!!! Deu ruim! Kkkkkkkkk. 13 anos...uma dúzia e mais 365 dias. E os personagens aí nessa rotina de sncontrar velocino, lutar com Dementadores, lutar contra esses bichos. Eu nessa idade tava aprendendo a cantar "Baby" do JB.

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Boa leitura :)