25 de janeiro de 2017

Capítulo oito


Call queria gritar. Ele sabia que devia gritar, mas a surpresa e o medo o deixaram sem ar. A sombra se mexeu novamente, desdobrando-se contra a pedra desigual do teto. Ao deslizar mais para perto do lodo fosforescente, Call perdeu a esperança de que fosse apenas um truque da luz.
Era um enorme elemental do ar, veloz como uma chicotada e incorpóreo. Parecia uma enguia imensa vinda da parte mais profunda do oceano — isso se enguias tivessem boca gigante e cheia de dentes em cada lateral do corpo enorme. Movia-se lentamente como o ar úmido e frio que antecede uma tempestade.
— Aaron. — Call tentou gritar, mas sua voz saiu como um suspiro, suave demais para ser ouvida por qualquer um além do elemental. Uma das cabeças da coisa se afastou do teto com um ruído molhado de sucção e lançou-se em direção a Call. Quando a enguia abriu a boca, Call pôde ver que apesar de ser feita de ar, a coisa tinha dentes que pareciam muito reais e muito afiados. A pele em volta da boca era repuxada de modo que a criatura tinha um sorriso perpétuo. Parecia ser capaz de arrancar metade de Call com uma mordida e depois rir disso. Não tinha olhos, apenas entalhes na cabeça.
Miri, ele pensou. A faca que Alastair tinha dado a ele, a que sua mãe fez. Estava em sua cabeceira, a muitos metros de distância. Será que o elemental podia vê-la? Call não tinha como saber. Muito, muito lentamente, ele foi chegando para trás na cama. Esticou o corpo, deitando de um jeito que expunha suas partes mais vulneráveis — o pescoço e a barriga. O elemental se moveu em direção a ele, como se farejasse o ar.
Call engoliu em seco, esticando o braço por cima da cabeça, esticando até seus dedos tocarem a ponta do cabo de Miri.
No outro cômodo, Devastação começou a latir. O elemental atacou. Um grito explodiu dos pulmões de Call quando ele pegou a lâmina e sentou, atacando às cegas. O imenso peso da criatura o derrubou de volta. O elemental mordeu o ar na tentativa de abocanhar a cabeça de Call que, naquele exato momento, enterrou a adaga sob a mandíbula da criatura. Ele tentou fechar a boca da enguia com a faca, mas, apesar de a lâmina ter cortados mais profundamente sua carne feita de ar, ela se aproximou.
Ao sentir aqueles dentes horríveis e as garras afiadas arranhando suas roupas e cortando sua pele, Call rolou da cama, sentindo o calor do sangue. Ainda não estava doendo, mas ele tinha a sensação de que logo iria doer.
Isso se ele sobrevivesse.
O elemental chicoteou em círculo, rápido como um tornado, e mergulhou mais uma vez em direção a Call no instante em que o Makar saltou para a porta. Dava para ouvir Devastação latindo sem parar do outro lado, e a voz confusa e sonolenta de Aaron.
— O que está acontecendo? O que houve, garotão?
Call se jogou contra a porta. Não abriu.
— Aaron! — gritou, encontrando a própria voz. — Aaron, tem um elemental aqui dentro! Abra a porta!
— Call? — Aaron soou desesperado. A maçaneta mexeu e a porta sacudiu no quadro, mas não cedeu.
— Está cheia feitiços de tranca! — gritou Aaron. — Call, saia do caminho! Para trás!
Aaron não precisou dizer duas vezes. Call se jogou para longe da porta e rolou contra o armário, abrindo-o quando o elemental mergulhou. A criatura bateu na porta do armário, farpas de madeira voando em todas as direções. Call só teve tempo de pular e se esconder embaixo da cama quando o elemental avançou de novo. Call saiu pelo outro lado, o elemental formando um redemoinho sobre ele.
Uma de suas cabeças se lançou contra a cama, mas a outra recuou, sibilando, claramente prestes a atacar.
Bem no momento em que Call ergueu Miri, houve uma explosão abafada junto à porta. Isso atraiu a atenção do elemental, que abriu a boca em um gesto grotesco de surpresa. A escuridão consumia as quinas da porta, mas não só isso.
Caos.
Call sentiu o puxão sob as costelas e percebeu o que estava acontecendo. Aaron estava usando seu poder do caos, fazendo Call de contrapeso. Call ficou parado quando a porta começou a ruir.
E então desapareceu, tragada pelo vazio. Aaron entrou no quarto à toda, os olhos arregalados.
— Makar! — gritou ele, com a própria mão ainda erguida em invocação, uma luz negra queimando ao redor. — Use sua magia, idiota!
O elemental chicoteava de um lado para o outro, claramente confuso com o súbito aparecimento de Aaron. Call se levantou cambaleando e se esticou em direção ao caos. Sentiu a desmaterialização selvagem do vazio se abrindo em um turbilhão. A escuridão derramou-se pelo quarto.
O elemental gritou, expelindo ar, e se encaminhou para a sala compartilhada pelo buraco onde antes havia a porta. Chicoteou o ombro de Aaron ao passar por ele, deslizando para o quarto de Tamara.
No exato instante em que ela abriu a porta a coisa avançou para a sua garganta.
Tamara se jogou no chão, rolando sob a criatura com mais agilidade do que Call jamais teria em mil anos. Devastação foi na direção dela e avançou no elemental. A coisa girou no ar, suas pernas horrorosas estremecendo, sua mandíbula medonha abrindo-se o suficiente para engolir qualquer um deles de uma só vez.
Aaron acrescentou o seu poder ao de Call. O caos cresceu, e tentáculos de um nada oleoso começaram a entrar sinuosamente no quarto. Algo emergiu da abertura no vazio, cor de fumaça e sob o formato grosseiro de um felino monstruosamente elegante com incontáveis olhos.
Um elemental do caos saltava para dentro do cômodo.
Call emitiu um ruído que veio da garganta. Abrir uma passagem para o caos era uma coisa — invocar um elemental do caos era outra.
O elemental do ar girou, sentindo uma nova ameaça. Então emitiu um ruído grave e correu na direção do elemental do caos, no mesmo instante em que o elemental recém-invocado avançava para ele.
Encontraram-se no ar. O elemental do caos mordeu a parte inferior do inimigo e o envolveu em seu corpo, apertando com força.
A porta do cômodo se abriu e Mestre Rufus entrou, seguido por Mestra Milagros.
— Call...! — Rufus começou a gritar. Então viu os elementais flutuando, um enroscado no outro.
Pareceu quase fascinado por um instante. Em seguida fez um gesto com a mão no ar e soprou.
Seu sopro se tomou uma onda de choque que varreu as criaturas. O quarto inteiro vibrou. Call caiu no chão quando o elemental do ar estremeceu e explodiu em redemoinhos que giraram como tempestades de areia em miniatura. O elemental do caos se chocou contra a parede, como tinta derramada. Não se recompôs.
— Uau — disse Aaron.
Call ficou de pé, seu coração batia forte. Tamara, usando um pijama azul — agora rasgado no joelho — atravessou o cômodo até ele, colocando a mão em seu braço. Call teve que se segurar para impedir uma súbita vontade de se apoiar nela.
Ele olhou para o próprio peito, para a camisa rasgada e o sangue ainda jorrando. Os machucados não eram fundos, mas ardiam como picadas de abelha.
Aaron estava afagando a cabeça de Devastação, encarando pensativamente o ponto onde o elemental do caos tinha estado.
— Nós ouvimos os gritos — disse Mestra Milagros. — Não achamos que... Vocês estão muito machucados?
— Eu estou bem — disse Call.
Mestre Rufus suspirou, claramente perturbado. Todos estavam, mas era enervante vê-lo em qualquer outro estado não fosse perfeitamente composto. Call se sentiu bobo. Mestre Rufus tinha dito para não investigarem, mas eles o fizeram assim mesmo. E depois Jasper bolou um plano totalmente ridículo. Como nenhum deles percebeu que ao deixar claro onde Call estaria, também deixariam claro onde ele não estaria? Qualquer um que quisesse invadir o quarto saberia exatamente o momento certo.
— Aprendizes, sentem-se todos — disse o Mestre Rufus. — Podem me contar exatamente o que aconteceu. E depois decidiremos o que fazer em seguida.
Mestra Milagros foi para perto da porta do corredor.
— Eu vou me certificar de que mais ninguém entre ou saia daqui — disse ela. — Absolutamente ninguém.
Soou um pouco paranoica, mas isso foi reconfortante para Call. Ele também estava se sentindo um pouco assim.
Call foi para o sofá com Tamara e Aaron. Tão logo sentaram, Devastação pulou no colo de Call e começou a lamber seu rosto. Tamara fez questão de explicar que estavam todos na biblioteca, estudando com Jasper, e que depois voltaram para os quartos. Ela não mencionou o que Call tinha feito no refeitório, nem o plano de Jasper. Call ficou grato por isso; já estava se sentindo burro e apavorado o suficiente.
Call explicou que a coisa estava em seu quarto e que a porta tinha sido trancada por um feitiço.
Quando começou a falar no assunto, sentiu que as mãos começavam a tremer e as enfiou entre os joelhos para esconder isso de Mestre Rufus e dos amigos.
Depois de ouvir sobre o feitiço de tranca, Mestre Rufus foi até a porta inspecionar o que havia sobrado dela. Considerando que Aaron tinha sumido com quase toda a estrutura, não havia muito o que ver.
Após alguns minutos, ele suspirou.
— Vamos trazer uma equipe de magos aqui. E, caso mais alguma coisa tenha sido alterada, vamos mudá-los para outro quarto. Em caráter permanente. Sei que é tarde, mas preciso que peguem o que estavam usando, e apenas isso. Devolveremos o restante dos pertences de vocês assim que confirmarmos que estão limpos.
— Precisamos mesmo fazer isso? — perguntou Tamara.
Mestre Rufus lançou a ela o seu mais severo olhar.
— Precisamos.
Aaron se levantou.
— Estou pronto, então, eu acho. Não mudei de roupa, nem nada. Nem Call.
Tamara pegou o uniforme no quarto e voltou para a área comum, com o sapato na mão. Call olhou em volta, para os símbolos nas paredes, as pedras brilhantes, a lareira gigante. Aquele era o espaço deles, confortável, familiar. Mas não tinha certeza de que poderia voltar a se deitar na cama e olhar para o teto sem ver a criatura. Call estremeceu. Naquele instante, ele sequer sabia se algum dia conseguiria voltar a dormir.


O quarto para o qual o Mestre Rufus os levou não parecia muito diferente do deles. Call já sabia que a maioria dos aposentos dos alunos eram iguais — dois a cinco quartos agrupados em torno de uma sala compartilhada onde os alunos podiam comer e trabalhar.
Havia quatro quartos no novo espaço. Cada um pegou um, inclusive Devastação, que deitou no chão ao lado da cama de Call e dormiu com os pés para cima. Call checou para se certificar de que seu lobo estava bem e em seguida voltou para a sala. Tamara e Aaron estavam sentados no sofá. Aaron estava com a manga puxada, o braço para fora. Tamara olhava em tom de crítica para o antebraço dele, onde uma grande mancha vermelha era visível.
— É como uma queimadura, mas sem ser uma queimadura — disse ela. — Talvez alguma espécie de reação por ter sido atingido com toda aquela magia do caos?
— Mas ele é um Makar — protestou Call. — Magia do caos não deveria machucar Aaron. Por que você não mostrou o braço para o Mestre Rufus? — Não parecia um machucado grave, mas Call apostava que estava doendo.
Aaron suspirou.
— Não estava a fim de lidar com isso — respondeu Aaron. — Eles vão ficar ainda mais histéricos, nos restringir ainda mais, mas sabem tanto quanto eu a respeito do que está acontecendo. Vão decidir que outra pessoa deve passar vinte e quatro horas de olho em você, mas ninguém vai fazer um trabalho melhor do que o nosso. Além disso, você também não parece estar se importando com o fato de que está sangrando. — Aaron puxou a manga para baixo. — Eu vou tomar banho — disse. — Ainda estou me sentindo um pouco gosmento por aquela coisa ter tocado em mim.
Tamara deu um tchau cansado enquanto Aaron ia para a porta que os levava até as piscinas de banho.
— Tudo bem? — perguntou a Call quando estavam a sós.
— Acho que sim — respondeu ele. — Não entendo muito bem por que estamos mais seguros nesse quarto.
— Porque menos gente sabe que estamos aqui — disse Tamara. A frase foi curta, mas ela não parecia irritada com Call, só um pouco cansada. — O Mestre Rufus deve achar que tem muito pouca gente em quem ele pode confiar. O que significa que qualquer um pode ser o espião. Literalmente qualquer um.
— Anastasia... — disse Call, mas de repente a porta se abriu e Mestre Rufus entrou. Seu rosto sombrio era inexpressivo, mas Call já tinha começado a aprender a ler sinais de tensão na postura do professor, na posição dos ombros. Mestre Rufus estava realmente tenso.
— Call — disse ele. — Posso falar com você um minuto?
Call olhou para Tamara, que deu de ombros.
— Seja lá o que for, pode dizer na frente dela — disse.
Mestre Rufus não pareceu satisfeito.
— Call, não estamos em um filme. Ou me deixa falar a sós com você, ou vão passar a próxima semana peneirando areia.
Tamara soltou uma risada de escárnio.
— Minha deixa para ir deitar. — Então levantou, as tranças escuras balançando, e acenou boa noite para Call antes de desaparecer no quarto.
Mestre Rufus não sentou. Apenas se apoiou na mesa.
— Callum — disse ele. — Sabemos que alguém com acesso a magia complexa está atrás de você. Mas o que nós não sabemos é... por que essa pessoa não está atrás de Aaron?
Call se sentiu sombriamente ofendido.
— Eu também sou um Makar!
Mestre Rufus ergueu um dos cantos da boca, o que não ajudou Call a se sentir melhor.
— Suponho que eu tenha que formular melhor. Não estou dizendo que você não seja um alvo valioso, mas é estranho que venham exclusivamente atrás de você, principalmente quando Aaron é Makar há mais tempo. Por que não tentar matar os dois?
— Talvez estejam tentando — disse Call. — Quer dizer, Aaron estava por perto nas duas tentativas. Talvez o elemental fosse atrás dele quando acabasse comigo.
— E talvez o lustre precisasse ser ativado por um gatilho para cair e o assassino esperou até que Aaron estivesse presente...?
— Exatamente — disse Call, aliviado por Mestre Rufus ter concluído sozinho. Ele não gostava do termo assassino, no entanto.
A palavra percorreu seus pensamento, sibilando como uma cobra. Assassino era muito pior que espião.
Mestre Rufus franziu a testa.
— Talvez. Mas acho que desde que chegou ao Magisterium, você tem guardado segredos. Primeiro os do seu pai, agora, talvez um que seja seu. Se você sabe quem está atrás de você, ou por que estão atrás de você, me diga para que eu possa protegê-lo melhor.
Call tentou não encarar Mestre Rufus. Ele não sabe sobre o Capitão Cara de Peixe, Call lembrou a si mesmo. Só está fazendo uma pergunta. Mas mesmo assim Call começou a suar nas mãos e nas axilas.
Fez o melhor que pôde para manter a expressão neutra; não tinha certeza se tinha conseguido.
— Não há nada que eu esteja escondendo — disse Call, mentindo tão bem quanto era capaz. — Se alguém está realmente tentando me matar em vez de Aaron, eu não sei o porquê.
— Quem quer que seja, sabia como entrar no seu quarto — disse Mestre Rufus. — Ninguém deveria ser capaz de tal coisa, exceto eu e vocês três. Mesmo assim tinha só um elemental esperando... o do seu teto.
Call estremeceu, mas não falou mais nada. O que poderia dizer?
Mestre Rufus pareceu decepcionado.
— Gostaria que você acreditasse que pode confiar em mim. Espero que entenda a seriedade disto tudo.
Call pensou em Aaron e na estranha queimadura-não-exatamente-queimadura. Pensou no elemental e naqueles olhos terríveis encarando-o no escuro, as garras cravadas em sua pele. Pensou no ano anterior e em todas as coisas que nunca contou ao Mestre Rufus sobre a missão fracassada para recuperar o Alkahest. Se ele fosse uma pessoa melhor, teria confessado tudo ali mesmo. Mas, se ele fosse uma pessoa melhor, o problema talvez sequer existisse.
— Não sei de nada. Não tenho segredos — disse Call ao Mestre Rufus. — Sou um livro aberto.

17 comentários:

  1. O diario de Tom Ridle tambem era um livro aberto.

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    1. Kmsgsuajfjskidiwjwhuahua !

      Morri. 😂

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    2. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk
      Vou rir até 2045 por causa dessa comparação

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    3. Oloko MAKAKKAKAKAK

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    4. Amei!!!!!
      Huashuashuashuash
      Kkkkkkkkkkkkkkk
      Rsrsrrsrsrsrsr

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  2. A luta dos elementais me lembrou MTG

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  3. Meu coração está na mão.
    Estou cada vez mais suspeitando de Alex.
    Mas eu gosto tanto dele 💔

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  4. Só mais uma pessoa pode entrar nos quartos, só pensar bem u.u

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  5. "Ninguém deveria ser capaz de tal coisa, exceto eu e vocês três."
    Ué, o Alex não podia entrar também?
    Suspeito, suspeito

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  6. Cara suspeito cada vez mais de alex e minhas suspeitas nele comesaram quando call ganhou o bilhete e aguria que entregou falou aue era de uma loira bonita ...eu sei mas ele e menino .pois e mas voces se lembram da principal "abilidade" dele, dominio do ar.ilusao.

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  7. Queria que eles confiassem no mestre Rufus...

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  8. Quem tem conexão com Anastasia? Quem em outro livro havia entrado no quarto deles e Call chegou a estranhar como foi possível? Quem tem conhecimento em magia? Quem tinha conexão com a garota morta? Quem demonstra interesse em Call? Tá bem óbvio.

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    1. Já sei!!! É o Reri Potti!!!

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  9. ALEX tá tão óbvio que to até desconfiada que n seja ele nd qe a tia Cassie faz é óbvio assim...

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    1. Pode ser psicologia reversa
      Nem sempre as coisas precisam ser complicadas ou difíceis
      As vezes é o mais óbvio que é o que é mais difícil de acreditar

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Boa leitura :)