20 de janeiro de 2017

Capítulo oito


Os magos mandaram Tamara de volta para o quarto. Ela saiu sem olhar para Call, a cabeça baixa, os ombros curvados. Ele não disse nada a ela. Teve de ficar e responder perguntas intermináveis sobre o que tinha visto e o que não tinha visto, sobre o comportamento de Alastair, e se ele tinha falado sobre Constantine Madden. Perguntara a Call se ele sabia que o pai já tinha sido amigo de Constantine, principalmente se Alastair já tinha falado sobre a mãe de Call, Sarah, de forma que sugerisse que queria trazê-la dos mortos.
— Dá para fazer isso? — perguntou Call. Mas ninguém respondeu diretamente.
Call pôde perceber que enquanto Aaron — e até mesmo Tamara — acreditou que Alastair não estava trabalhando com o Inimigo, todos os Mestres tinham certeza de que ele era um traidor. Ou louco. Ou um traidor louco.
Se Call quisesse tirar a credibilidade de Alastair, para tornar impossível que alguém acreditasse nele caso alegasse que Call tinha a alma de Constantine Madden, não podia ter feito um trabalho melhor. Essa parte deveria tê-lo deixado feliz, mas não foi o caso. Nada o deixou feliz. Estava furioso consigo mesmo e ainda mais furioso com Tamara.
Já era tarde quando finalmente o dispensaram, e Mestre Rufus o acompanhou até o quarto.
— Agora entendo por que você não quis ver seu pai quando ele veio procurá-lo — disse Mestre Rufus,
Call não respondeu. Adultos tinham um talento incrível para constatar o óbvio e também para compartilhar suas conclusões sempre que chegavam a alguma.
— Você precisa saber que não está encrencado, Callum — continuou Rufus. — Ninguém esperaria que você fosse violar o segredo de seu pai, mas esse fardo jamais deveria ter sido posto em seus ombros.
Call ficou em silêncio. Tinha passado horas falando, e não tinha mais nada a dizer.
— Seu pai se tornou muito excêntrico depois da guerra. Talvez nenhum de nós quisesse enxergar o quão extremo seu comportamento havia se tornado. Trabalhar com os elementos, como nós fazemos, traz muitos perigos. Podemos curvar o mundo à nossa vontade. Mas os reflexos na mente podem ser enormes.
— Ele não é louco. — Call se irritou.
O Mestre Rufus pausou e olhou para Call por um longo instante.
— Eu tomaria muito cuidado falando isso em algum lugar onde alguém pode escutá-lo — aconselhou Mestre Rufus. — É melhor que o mundo pense que ele é louco do que pense que ele está trabalhando com o Inimigo.
— Você acha que ele é louco?
— Não consigo imaginar Alastair trabalhando com Constantine — respondeu Rufus após uma pausa. — Fui professor dos dois. Eram, de fato, amigos. Ninguém se sentiu mais traído por Constantine ter escolhido o lado do mal que Alastair. Ninguém ficou mais determinado a destruí-lo, principalmente depois que Sarah foi morta. Não existe traição maior que a de um amigo.
Call olhou para Rufus, sentindo-se tonto. Ele pensou em Aaron, que tinha nascido para destruir Call. Destinado a esse ato, mesmo que não soubesse disso.
— Algumas pessoas são destinadas a ser amigas, e outras, inimigas — concluiu Rufus. — No fim das contas, o universo se ajeita.
— Tudo em equilíbrio — murmurou Call. Era um ditado alquímico.
— Exatamente. — Rufus colocou a mão no ombro de Call, o que, para sua surpresa, foi o suficiente para fazê-lo saltar. — Você vai ficar bem?
Call fez que sim com a cabeça e entrou em seus aposentos. Estavam vazios. Tanto Tamara quanto Aaron já tinham ido para os respectivos quartos, as portas estavam trancadas. Ele foi para o próprio quarto e deitou na cama, totalmente vestido. Devastação já estava dormindo nas cobertas. Call tirou Miri da bainha e a segurou onde pudesse vê-la, onde pudesse enxergar as espirais e curvas de metal dobrado na lâmina. Paz.
Ele deixou a mão cair para o lado e fechou os olhos, exausto demais para perder tempo se despindo.


Ele acordou no dia seguinte com os gritos do primeiro sinal, o que significava que já estava atrasado para o café da manhã. Não tinha comido muito na noite anterior e estava tonto, como se tivesse levado muitos socos no estômago em vez de apenas perdido uma refeição.
Ele vestiu um uniforme limpo e calçou as botas.
Nem Tamara, nem Aaron estavam esperando por ele na sala compartilhada.
Ou tinham decidido que o odiavam, ou nem sabiam que ele voltara na noite anterior.
Com o lobo Dominado pelo Caos em seu encalço, Call iniciou a caminhada a passos duros para o Refeitório. O lugar já estava lotado de vários aprendizes. Alunos do Ano de Ferro vestidos de preto andavam por ali, ainda fazendo caretas pela bagunça das pilhas de comidas de líquen de diferentes cores, boquiabertos com as grandes fatias de cogumelo tostando na grelha. Alguns dos aprendizes dos anos de Prata e Ouro sentavam em grupos, tinham voltado das missões e olhavam em volta com desdém, como se já fossem Mestres.
Aaron estava sentado a uma mesa com outros alunos dos Anos de Cobre. Célia estava lá, assim como Gwenda, Rafe, Laurel e Jasper. Os pratos na frente deles estavam limpos.
Tamara ocupava outra mesa com Kimiya e os amigos dela. Call ficou imaginando se ela estaria contando sobre Alastair e ele, e sobre como ela era uma heroína, mas a essa altura não havia nada que Call pudesse fazer a respeito.
Com um suspiro, ele começou a montar um prato de batatas roxas que tinham um certo cheiro de mingau, e um pouco de líquen de bacon para Devastação. Ele comeu em pé, para não ter de se sentar perto de ninguém. Não sabia se seria bem recebido em algum lugar.
Quando o segundo alarme soou, Call se dirigiu para onde Mestre Rufus sentava com os outros Mestres.
— Ah — disse Mestre Rufus, chamando Tamara e Aaron com um aceno. — Hora de começar as aulas.
— Oba — disse Call com sarcasmo.
Mestre Rufus lhe lançou um olhar de censura e se levantou para levá-los do Refeitório. Call, Aaron e Tamara o seguiram, como a cauda relutante e miserável de um cometa.
— Tudo bem? — perguntou Aaron, batendo o ombro no de Call enquanto Mestre Rufus os conduzia por uma escadaria de pedra, talhada na rocha. Os degraus desciam em espiral. Pequenas salamandras brilhantes corriam pelo teto. Call pensou mais uma vez em Warren.
— Depende — disse Call. — Você está do meu lado ou do dela?
Ele olhou para Tamara cujos lábios enrijeceram. Ela parecia estar pensando em empurrar Call pela escada.
Aaron estava visivelmente chateado.
— Precisa haver lados?
— Quando ela entrega meu pai, sim, tem de haver lados! — sibilou Call. — Nenhum amigo de verdade faria isso. Ela prometeu guardar segredo e mentiu. É uma mentirosa.
— E ninguém que realmente fosse amigo de Aaron protegeria alguém que está tentando matá-lo! — disparou Tamara.
— E mais uma vez, mentirosa, se você realmente fosse minha amiga, acreditaria em mim quando digo que não é isso que Alastair está tentando fazer!
Um olhar pior que o de raiva cruzou o rosto de Tamara. Era pena.
— Você não é objetivo, Call.
— Nem você! — Call começou a gritar, mas Mestre Rufus havia se virado e estava olhando ameaçadoramente para os três.
— Não quero mais uma palavra sobre Alastair Hunt saindo da boca de nenhum de vocês — decretou ele. — Ou vão separar areia em vez de jantar.
Call tinha passado a primeira semana no Magisterium separando grãos de areia de diferentes cores e pensou consigo mesmo que preferiria cuidar de elementais do caos. Ele calou a boca, e Aaron e Tamara fizeram o mesmo.
Tamara parecia impiedosa, e Aaron, abatido. Ele estava roendo as unhas, coisa que só fazia quando estava muito chateado.
— Agora — continuou Mestre Rufus, virando-se. Call percebeu que tinham ido até uma grande gruta sem que ele sequer notasse. As paredes eram cobertas por lodo azul da cor do céu. Mestre Rufus começou a andar de um lado para o outro, com as mãos para trás. — Todos nós sabemos que a fim de usar um elemento, é preciso um contrapeso, algo que os mantenha em equilíbrio para que um elemento não possa controlá-lo. Certo?
— Impede que você seja Devorado. Como aquele cara do fogo. — Aaron referia-se ao sujeito monstruoso e em chamas que conheceram nas profundezas das cavernas, abaixo do Magisterium.
Mestre Rufus fez uma cara de dor.
— Sim, aquele ser outrora foi Mestre Marcus. Ou, como você colocou, “o cara do fogo”. Mas tem mais que isso, não?
— É um oposto. — Tamara mexeu nas tranças. —Para puxá-lo em outra direção. Como o contrapeso do fogo é a água.
— E o contrapeso do caos é? — Rufus encarou Aaron.
— Call — respondeu Aaron. — Quero dizer, meu contrapeso é Call. Não o de todo mundo. Mas o contrapeso do caos é uma pessoa. Mas... nem sempre Call.
— Eloquente como sempre — disse Rufus. — E existe um problema com um contrapeso?
— Às vezes é difícil encontrar um? — Aaron claramente estava chutando, mas Call concluiu que ele devia estar certo. Encontrar fogo parecia uma coisa difícil. Talvez magos adultos andassem com isqueiros.
— Limita seu poder — disse Tamara. Mestre Rufus moveu a cabeça na direção da menina, indicando que ela havia dado uma resposta melhor.
— Limitar o poder é parte do que lhe dá segurança — explicou ele. — Agora, qual é o oposto de um contrapeso?
Tamara respondeu aquela também, se exibindo.
— O que fizemos com a areia no ano passado.
Call queria fazer uma careta para ela, mas tinha quase certeza de que seria pego. Este era o problema de só existirem três alunos na turma.
Mestre Rufus fez que sim com a cabeça.
— Aceleração solidária, como chamamos. Muito perigosa porque o aproxima muito do elemento. Ele lhe dá poder, mas o preço pode ser muito alto.
Call torceu para que aquele não fosse o começo de um sermão sobre como ele tinha sido um problema antes e ainda era um problema agora.
Mas Mestre Rufus prosseguiu.
— O que quero que façam é praticar usando seus contrapesos. Primeiro, peguem alguma coisa para representar cada um dos elementos. Aaron, isso vai ser particularmente difícil para você, uma vez que escolheu Call como seu contrapeso.
— Ei! — retrucou Call.
— Só quis dizer que trabalhar com um contrapeso humano é desafiador. Agora, vão encontrar seus contrapesos.
Call caminhou pela borda da gruta, encontrando uma pedra. O ar estava sempre ao seu redor, então ele concluiu que isso ele já tinha. Fogo e água eram mais difíceis, mas ele utilizou magia para transformar um pouco da água da piscina lamacenta da caverna em uma bola que manteve flutuando perto da cabeça Depois pegou uma vinha e a acenderia com fogo quando chegasse a hora.
Ele voltou para onde os outros estavam. Claro, eles completaram o exercício antes dele.
— Muito bem — elogiou Mestre Rufus. — Vamos começar pela magia do ar. Vou usar essa magia para levantar cada um de vocês pelos ares, mas segurem seus contrapesos. Será seu único contato com a magia da terra. Desçam quando sentirem que precisam usar o contrapeso.
Um por um, eles foram elevados. Call pôde sentir o assovio do vento ao seu redor, a atração emocionante do voo, deixando-o ansioso. Voar era sua parte preferida da magia. No ar, sua perna nunca incomodava. Ele começou a usar a magia do ar, formando padrões de cor, nuvens e cada vez mais entendia como uma pessoa podia ser Devorada. Tinha a impressão de que virar parte do ar não seria difícil. Ele poderia relaxar e ser soprado como uma folha errante. Todas as suas preocupações e medos também seriam soprados para longe.
Tudo que ele tinha de fazer era derrubar aquele pedaço de pedra.
— Call! — Mestre Rufus estava olhando para ele. — O exercício acabou.
Call se virou e viu que Tamara e Aaron já estavam no chão. Ele esticou a pedra para baixo e permitiu que o peso de sua conexão com a terra o preenchesse, abaixando-o lentamente até estar mais uma vez de pé, com a perna doendo, como sempre.
Rufus lançou a Call um olhar calculado.
— Muito bem, pessoal — disse ele. — Agora Aaron, vamos tentar um exercício envolvendo o caos. Coisa pequena.
Aaron assentiu, parecendo nervoso.
— Não precisa se preocupar. — Rufus indicou que deveriam abrir espaço no centro do recinto. — Se entendi bem, você derrotou muitos Dominados pelo Caos quando lutou com Mestre Joseph no ano passado.
— Sim, mas... — Aaron mordeu uma unha. — Foi sem contrapeso.
— Não, não foi. Call estava lá.
— É verdade — acrescentou Tamara. — Call estava praticamente segurando você.
— Call pode ter usado a magia dele de forma instintiva — cogitou Rufus. — O contrapeso do caos é um ser humano porque o contrapeso do vazio é a alma. Quando você usa a magia do caos, procura uma alma humana para equilibrá-lo. Sem um contrapeso, você pode facilmente utilizar cem por cento do potencial de sua própria magia e morrer.
— Isso parece... ruim — concluiu Aaron. Ele foi para o centro da caverna, e, após um segundo, Call se juntou a ele. Eles ficaram ali, desconfortáveis, ombro a ombro. — Mas não quero machucar Call.
— Não vai. — Mestre Rufus foi até o canto da gruta e voltou carregando uma jaula. Nela, havia um elemental, um lagarto com espinhos curvos nas costas. Seus olhos eram dourado-brilhantes.
— Warren? — perguntou Call.
Mestre Rufus colocou a jaula no chão.
— Você vai fazer este elemental desaparecer. Mandá-lo para o reino do caos.
— Mas é Warren — protestou Call. — Nós conhecemos esse lagarto.
— É, não sei se quero fazer... isso — declarou Aaron. — Não posso fazer uma pedra desaparecer ou outra coisa?
— Quero vê-lo trabalhar com algo mais substancial que isso — insistiu Rufus.
— Warren não quer ser desaparecido — disse o lagarto. — Warren tem coisas importantes a dizer.
— Ouviu só? Ele tem coisas importantes para nos dizer — falou Aaron.
— Ele também é um mentiroso — observou Tamara.
— Bem, sobre ser mentiroso você entende, certo? — disparou Call.
As bochechas de Tamara ficaram vermelhas, mas ela o ignorou.
— Lembra quando Warren nos levou até a caverna errada e o Devorado quase nos matou?
Aaron desviou o olhar para Call.
— Não quero fazer isso — sussurrou.
— Você não pode — murmurou Call baixinho.
— Tenho de fazer alguma coisa. — Aaron soava ligeiramente apavorado.
— Desapareça com a jaula — respondeu Call, mantendo a voz baixa.
— O quê?
— Você ouviu. — Call agarrou o braço de Aaron. — Vá.
Os olhos de Mestre Rufus se cerraram.
— Call...
Aaron levantou uma das mãos. Uma linha escura se desenrolou de sua palma, em seguida explodiu, espalhando-se, cercando a jaula, escondendo Warren da vista. Call sentiu um ligeiro puxão dentro de si, como se houvesse um elástico nas suas costelas e Aaron o estivesse puxando. Era isso que significava ser um contrapeso?
A fumaça começou a clarear. Call abaixou a mão, a tempo de ver a cauda de Warren desaparecer pela rachadura na parede da gruta. A jaula havia desaparecido, o espaço que ocupava, agora vazio.
Rufus ergueu as sobrancelhas.
— Não pretendia que mandasse a jaula para o caos também, mas... bom trabalho.
Tamara olhava para o lugar onde antes estava a jaula de Warren. Sob outras circunstâncias, Call poderia ter lançado a ela um olhar reconfortante, mas não depois de tudo que acontecera.
— Qual é o limite para o poder de Aaron? — perguntou ela de repente. — Tipo, o que ele pode fazer? Poderia mandar todo o Magisterium para o vazio?
Mestre Rufus se voltou para ela, franzindo as sobrancelhas, surpreso.
— Existem três coisas que fazem um mago se destacar. Uma delas é a capacidade de controle, outra, a imaginação, e a terceira é o reservatório de poder. Um de nossos desafios é descobrir a resposta para sua pergunta. O que Aaron pode fazer até precisar do contrapeso para puxá-lo de volta? O que Call pode fazer? O que você pode fazer? Só existe uma forma de descobrir: treino. Agora vamos tentar trabalhar com a terra.
Call suspirou. Ao que parecia, não iam acabar tão cedo.


Depois que os exercícios finalmente terminaram, os três aprendizes voltaram da gruta. Call estava exausto e tinha ficado para trás, A perna doía, assim como a cabeça, e ele parou perto de uma piscina de peixes cegos.
— Vocês têm uma vida boa — disse a eles, enquanto os peixes nadavam apáticos e pálidos nas sombras iluminadas pelo lado.
A superfície da água de repente se rompeu, e um peixe subiu para o ar, sugado por uma língua rosa e comprida. Call levantou o olhar para ver Warren pendurado em uma estalactite.
O elemental piscou para ele.
— O fim está mais próximo do que você imagina — avisou ele.
— O quê? — perguntou Call, com a impressão de que não tinha ouvido direito.
— O fim está mais próximo do que você imagina — repetiu o lagarto. Em seguida, correu pela formação rochosa para o teto da caverna.
— Ei, nós o ajudamos! — gritou Call para ele, mas Warren não voltou.


No jantar, Call se sentou com Aaron, Jasper e Célia, enquanto Tamara, mais uma vez, sentou com a irmã. Call praticamente podia sentir as ondas de gelo que irradiavam das costas de Tamara, cada vez que olhava na direção da garota.
— Por que você não para de olhar para Tamara? — perguntou Célia, espetando um cogumelo amarelo com o garfo.
— Porque ela mandou os magos investigarem o pai dele — respondeu Jasper.
Call ficou espantado, voltando o olhar para ele. Jasper abriu um sorriso angelical.
— Investigá-lo por quê? — Célia arregalou os olhos.
Call não falou nada. Se começasse a explicar ou a fabricar desculpas só pioraria as coisas. Em vez disso, ficou imaginando como Jasper sabia sobre aquelas coisas. Talvez ele e Tamara estivessem juntos. Seria bem feito para Tamara acabar com alguém como Jasper.
Jasper estava prestes a fazer um novo comentário, mas Aaron o censurou com um “cale a boca”.
— Não sei o que ele fez — admitiu Jasper. — Mas ouvi alguns dos magos conversando. Estavam dizendo que a equipe de buscas que mandaram atrás dele não encontrou nada. Aparentemente, Alastair desapareceu.
— Desapareceu? — ecoou Célia, olhando para Call, esperando que ele dissesse alguma coisa.
Call fez uma careta em direção ao prato. Pequenas rachaduras apareceram nas bordas da cerâmica graças à intensidade de sua fúria. Ele era um mago do segundo ano, já havia atravessado o Portal do Controle; sabia que não podia perder a calma daquele jeito. Mesmo com raiva, não queria que Jasper parasse de falar, não quando aquele garoto parecia saber mais sobre o que estava acontecendo com Alastair do que ele próprio.
— É, acho que alguém avisou a ele — continuou Jasper, o olhar desviando para Call. A implicação daquelas palavras era clara.
— Call não alertou ninguém — retrucou Aaron. — Ele estava com a gente o tempo todo. E pare de agir como se soubesse de tudo quando na verdade não sabe.
— Sei mais que você — retrucou Jasper com desdém na direção de Aaron. — Sei que não se pode confiar nele.
Um calafrio subiu pela espinha de Call, porque Jasper tinha razão.
Nem mesmo Call conseguia confiar em si mesmo.


Naquela noite, Call se jogou no sofá da sala compartilhada. Rufus tinha pedido que lessem sobre a era do Barão Ladrão da política da magia, que tinha durado até poucas décadas antes, mas Call não conseguia se concentrar. As palavras nadavam pela página, as bordas do livro ocasionalmente se acendiam com pequenas chamas que ele rapidamente apagava. Raiva e medo queimaram a lombada do livro com cinzas negras que mancharam seus dedos.
Tamara se recolheu depois do jantar, e Aaron tinha ido à biblioteca fazer o dever de casa. Tinha convidado Call, mas isso porque Aaron era educado e não conseguia deixar de ter atitudes gentis. Call sabia que estaria melhor sozinho. Só ele e Devastação no sofá, o lobo encolhido a seus pés, arfando suavemente e os olhos brilhando na luz fraca da sala.
No instante em ele estava certo de que ia atear fogo no livro outra vez, a porta se abriu. Era Alex Strike, os cabelos castanhos bagunçados, como sempre — Call sabia bem o que era aquilo — e uma expressão estranha no rosto.
Call guardou o livro de história debaixo de uma almofada e se sentou, ereto, com cuidado para não desalojar Devastação. Por ser assistente de Rufus, Alex era uma das únicas pessoas além do professor com acesso aos aposentos dos alunos. Mesmo assim, ele jamais entrara daquele jeito antes.
— O que houve? — perguntou Call
Alex se sentou no sofá em frente a Call, olhando para as portas fechadas dos quartos de Tamara e Aaron.
— Seus colegas de quarto saíram?
Call fez que sim com a cabeça, sem saber direito em que aquela conversa daria. Talvez, estivesse encrencado, Talvez Alex tivesse algum recado de Rufus.
Talvez houvesse alguma espécie de trote no Magisterium com alunos do segundo ano que envolvia alunos amarrados a estalactites durante toda a noite.
— É sobre seu pai — começou Alex, — Sei sobre o Alkahest. Sei que os magos estão procurando por ele.
Call olhou para Devastação, que rosnou baixinho.
— E daí? Todo mundo sabe disso. — Call pensou em Jasper.
Alex balançou a cabeça.
— Não sobre o grau de seriedade da questão.
— Não foi meu pai — garantiu Call. — Não como estão dizendo. Ele não está trabalhando com o Inimigo. Ele não está trabalhando com ninguém.
Uma expressão estranha passou pelo rosto de Alex, como se talvez só então houvesse percebido o quão perigoso era falar sobre aquele assunto com Call.
— Eu acredito em você — declarou Alex afinal. — Por isso você precisa avisar para seu pai continuar escondido. Se o encontrarem, vão matá-lo.
— O quê? — perguntou Call, apesar de ter ouvido com clareza.
Alex balançou a cabeça.
— O Alkahest sumiu. Se foi ele quem pegou, não vão perder tempo com prisão. Ele vai morrer assim que for encontrado. Por isso achei que você devia saber. Avise a ele, antes que seja tarde demais.
Call ficou imaginando como Alex poderia saber daquilo tudo, em seguida lembrou que a madrasta dele era da Assembleia. Então, o que perguntou foi:
— Por que está me ajudando?
— Porque você me ajudou. Preciso ir.
Call meneou a cabeça, e Alex saiu.
Se Alastair fosse assassinado pelos magos, seria culpa de Call. Ele tinha de fazer alguma coisa, mas, quanto mais pensava no assunto, mais tinha certeza de que não havia como dar o recado para Alastair em segurança. Mestre Rufus devia estar obviamente de olho nele — e usaria qualquer tentativa de contato para pegar Alastair se pudesse. Mas, se Call conseguisse encontrar o pai a tempo, talvez pudesse alertá-lo pessoalmente.
Pensar em Alastair fez com que Call se lembrasse da sala no porão, preparada para um ritual, e a algema pequena, do tamanho de um menino, no canto. Isso fez com que Call se lembrasse de como Devastação ganiu e do barulho que a cabeça do pai fez ao bater contra a parede.
Se ele encontrasse o pai, e o pai estivesse com o Alkahest, o que Alastair faria com ele?
Call sabia que tinha de se concentrar. Conhecia o pai melhor que ninguém. Deveria conseguir adivinhar onde o pai estaria se escondendo. Seria um local fora do circuito, algum que conhecesse bem. Um local onde magos não pensariam em procurar. Um que não pudesse ser facilmente rastreado.
Call se sentou, ereto.
Alastair comprava vários carros antigos detonados para conseguir peças — carros demais para guardar na garagem da casa, ou em sua loja, então ele tinha alugado o celeiro dilapidado de uma senhora a mais ou menos 65 quilômetros de onde moravam... e pagava em dinheiro. O celeiro seria um esconderijo perfeito — Alastair até dormia lá às vezes, quando trabalhava até tarde.
Call saiu do sofá, fazendo Devastação cair com um resmungo irritado. Ele esticou o braço e afagou a cabeça do lobo.
— Não se preocupe, garoto — disse ele. — Você vem comigo.
Foi para o quarto e pegou a bolsa de lona que estava embaixo da cama. Colocou algumas roupas rapidamente, guardou Miri e, após um instante de consideração, voltou à sala principal para guardar o que tinha sobrado das Ruffles. Precisaria de alguma coisa para comer na estrada.
Estava colocando a bolsa no ombro quando a porta se abriu novamente e Tamara e Aaron entraram. Aaron carregava uma pilha de livros, dele e de Tamara, e ela ria de alguma coisa que ele tinha acabado de dizer. Por um instante, antes de encontrarem Call, pareciam distraídos e felizes, e ele sentiu o estômago apertar. Não precisavam dele, não como amigo, nem como parte do grupo de aprendizes, nem como nada além de uma causa de brigas e discussões.
Tamara o viu primeiro, e o sorriso abandonou seu rosto.
— Call.
Aaron fechou a porta atrás de si e soltou os livros. Quando ele se ajeitou, estava olhando para as botas nos pés de Call e para as bolsas em sua mão.
— Aonde você vai? — perguntou Aaron.
— Passear com Devastação. — Call apontou para o lobo, que trotava alegremente entre eles.
— E precisou fazer uma mala com roupas suficientes para uma semana para isso? — Tamara apontou para a bolsa de lona. — O que está acontecendo, Call?
— Nada. Olhem, vocês não precisam... não precisam saber sobre isso. Assim, quando Mestre Rufus perguntar o que aconteceu comigo, não precisarão mentir.
Tamara balançou a cabeça.
— De jeito nenhum. Somos um grupo. Contamos as coisas uns para os outros.
— Por quê? Para você espalhar todos os nossos segredos? — perguntou Call, vendo Tamara se encolher. Ele sabia que estava sendo babaca, mas não conseguia se conter. — De novo?
— Depende do que você vai fazer. — A mandíbula de Aaron estava rija, de um jeito que Call raramente via. Normalmente Aaron era tão compreensivo, tão imensamente gentil que Call frequentemente se esquecia de que, por baixo, havia o aço que fazia dele o Makar. — Porque, se for alguma coisa que o coloque em perigo, aí eu mesmo contarei para os Mestres. E você pode se irritar comigo em vez de se irritar com ela.
Call engoliu em seco. Aaron e Tamara o encararam, bloqueando a porta.
— Vão matar meu pai — disse Call. As sobrancelhas de Aaron se ergueram.
— O quê?
— Alguém, e eu não vou dizer quem, vocês vão ter de confiar em mim, disse que o Alkahest desapareceu. E como meu pai fugiu, não vão prendê-lo ou julgá-lo...
— O Alkahest desapareceu? — interrompeu Tamara. — Seu pai realmente o roubou?
— Existe uma prisão de magos? — perguntou Aaron, os olhos arregalados.
— Mais ou menos. Tem o Panóptico — respondeu Tamara, sombria. — Não sei muito sobre isso, mas é um lugar onde sempre ficam de olho na pessoa. Ela nunca fica sozinha. Se seu pai realmente fez isso...
— Não tem importância — retrucou Call. — Ele vai ser morto.
— Como você sabe disso? — perguntou Tamara.
Call olhou para ela por um longo instante.
— Um amigo, um amigo de verdade me contou.
Ela empalideceu.
— E o que você vai fazer?
— Tenho de encontrá-lo e recuperar o Alkahest antes que isso aconteça. — Call ajeitou a bolsa no ombro. — Se eu o devolver à escola, posso convencer os magos de que meu pai não representa qualquer ameaça a eles, ou a você. Eu juro, Aaron, meu pai jamais o machucaria. Eu juro que não.
Aaron esfregou o rosto com as mãos.
— Nós também não queremos que seu pai se machuque.
— Morrer não é se machucar — insistiu Call. — Se não o encontrarmos, ele vai ser morto.
— Eu vou com você — disse Tamara. — Posso arrumar a mala em dez minutos.
Não quero que venha. Call apenas pensou. Nem mesmo sabia se era verdade. Mas tinha certeza de que ainda estava com raiva.
Fez que não com a cabeça.
— Por que você faria uma coisa dessas?
— A culpa disso tudo é minha. Você tem razão. Mas eu posso ajudar a despistar os magos enquanto você procura seu pai, e posso ajudar a convencer o Magisterium a aceitar de volta o Alkahest e parar de persegui-lo. Meus pais são da Assembleia. — Ela deu um passo em direção ao próprio quarto. — Só preciso de dez minutos.
— Vocês não acham que vou ficar aqui enquanto os dois saem em uma missão, acham? — retrucou Aaron. — Na última vez, vocês dois me salvaram. Agora posso ajudar na salvação.
— Você definitivamente não pode vir — disse Call. — Você é o Makar. É valioso demais para sair por aí procurando meu pai, principalmente quando todo mundo acha que ele vai machucá-lo.
— Eu sou o Makar — declarou Aaron, e Call teve a impressão de ter escutado em suas palavras a sombra de todas as coisas que Aaron tinha ouvido naquele verão. — Sou o Makar e tenho a obrigação de proteger as pessoas, não o contrário.
Call suspirou e sentou no sofá. Imaginou a longa jornada que teria de encarar, ônibus e caminhadas, a solidão, e ninguém além de Devastação para lhe fazer companhia. Nada que pudesse distraí-lo da voz em sua cabeça que dizia: seu pai vai morrer. Seu pai talvez o queira morto. Depois pensou em ter Aaron e Tamara consigo, a presença firme de Aaron, as observações engraçadas de Tamara, e se sentiu relutantemente mais leve.
— Tudo bem — concordou ele com a voz áspera. Não queria deixar seu alivio transparecer. — Só não demorem muito. Se vamos, precisamos sair daqui agora. Antes que alguém perceba.
Com um ganido, Devastação deitou no chão, claramente desapontado pelo excesso de conversa. Ele era um lobo de ação.
Alguns minutos depois, Aaron e Tamara surgiram com as próprias bolsas.
— Ainda bem que fizemos essas pedras para impedir que Aaron seja rastreado — observou Tamara, e abriu a mão, mostrando uma pilha delas. — E ainda bem que eu gosto de treinar.
Call se levantou com um suspiro.
— Vocês dois têm certeza disso?
— Temos, Call — garantiu Aaron, e Tamara fez que sim com a cabeça.
Devastação latiu uma única vez, como se ele também tivesse certeza.


O único portão do Magisterium que ficava aberto a noite inteira era o Portão das Missões, pelo qual os alunos mais velhos saíam e voltavam de missões e batalhas. Call, Aaron e Tamara foram passeando, como se estivessem indo para a Galeria comer balas ou assistir a um filme. Passaram por Célia, Rafe e Jasper, que conversavam compenetrados, e alguns alunos mais velhos, que riam e falavam sobre suas próprias aulas.
O corredor se bifurcava, um caminho levava à Galeria, outro, ao Portão das Missões. Aaron parou por um instante, olhando em volta para se certificar de que não havia ninguém de espreita antes de seguir pelo corredor que levava ao lado de fora. Tamara e Call se apressaram atrás dele, tão rápido que acabaram esbarrando um no outro e em Devastação. Quando conseguiram se recompor, todos estavam rindo, até Tamara e Call. Aaron parecia satisfeito.
Essa satisfação, entretanto, não durou muito tempo. Foram na ponta dos pés pelo corredor. O ar se tornava cada vez mais quente, e Call podia sentir o cheiro de pedra aquecida pelo sol, líquen e ar fresco. O corredor ia subindo, e era possível ver as estrelas além do Portão das Missões.
De repente, as estrelas sumiram. Uma figura esguia se elevou diante deles, sorrindo.
— Legal encontrá-los por aqui — disse Jasper.
— Essa frase é um lugar-comum dos vilões e já foi excessivamente utilizada. Sabe disso, Jasper — retrucou Call.
— Por que você está aqui? — Quis saber Aaron. — Estava nos seguindo?
— Porque eu sabia que eventualmente Call iria fazer alguma coisa — respondeu Jasper. — Sabia que a máscara ia cair. O que você esperava que eu fizesse? Nada?
— É, Jasper. — A voz de Tamara estava tomada pelo sarcasmo. — Sabe, pessoas normais, que não são psicopatas, não esperam o pior dos outros logo de cara.
Jasper cruzou os braços.
— Ah, é? Então me diga: aonde vocês vão?
— Não é de sua conta — respondeu Call. — Vá embora, Jasper.
— Isso tem a ver com o pai de um certo alguém que fugiu? — Jasper moveu uma das sobrancelhas para Call. — Os magos não ficariam felizes se soubessem que vocês estão indo atrás dele. Mestre Rufus...
— Vamos matá-lo. — sugeriu Call.
Devastação rosnou.
— Mestre Rufus? — Aaron pareceu alarmado.
— Não, claro que não é Mestre Rufus! Estou falando de Jasper — respondeu Call. — Podemos enterrar o corpo embaixo de uma pilha de pedras. Quem ficaria sabendo?
— Call, não seja ridículo — retrucou Tamara.
— Devastação poderia matá-lo — sugeriu Call. O lobo se virou ao ouvir o próprio nome, parecendo interessado pela possibilidade. Apesar de o lobo Dominado pelo Caos ter crescido no verão, Call não sabia se ele de fato conseguiria matar alguém, mas certamente poderia levar Jasper para fora e segui-lo pelo Magisterium algumas vezes.
— E eu é que sou o psicopata? — resmungou Jasper.
Call não entendia o que significava o fato de que ter agido como um verdadeiro Suserano do Mal para cima de Jasper, e mesmo assim não conseguir impressioná-lo.
Aaron ergueu uma das mãos. Por um instante, Call achou que Aaron fosse acalmá-los, dizer que Call tinha de parar com as ameaças a Jasper e que todos deveriam voltar aos próprios quartos. Em vez disso, chamas negras faiscaram entre os dedos de Aaron, formando uma teia de escuridão.
— Não me obrigue a machucá-lo. — Aaron olhava diretamente para Jasper, com o caos queimando na palma da mão. — Porque eu realmente poderia fazer isso.
Call ficou tão chocado que nem conseguiu reagir.
Jasper empalideceu, mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, Tamara deu um tapa no ombro de Aaron.
— Pare com isso. Você não pode simplesmente invocar o que lhe der na telha.
Aaron cerrou a mão em punho, e a escuridão se foi mas ele não pareceu menos assustador por isso.
Tamara apontou para Jasper.
— Vamos ter de levá-lo conosco.
— Levar Jasper com a gente? Está brincando — disse Call. — Ele vai estragar tudo!
Ela colocou as mãos nos quadris.
— Isso não é uma festa, Call.
— E eu não vou a lugar nenhum com vocês — interrompeu Jasper, começando a se arrastar pela parede da caverna. — Não sei o que está acontecendo, mas não me importo mais. Vocês enlouqueceram. Vou esquecer que vi qualquer coisa. Eu juro.
— Ah, mas não vai não — falou Aaron. — Você vai contar aos magos na primeira oportunidade.
Jasper pareceu revoltado.
— Não vou.
— Claro que vai — disse Call.
Tamara tirou uma pedra do bolso e a colocou no uniforme de Jasper.
— Vamos.
— Concordo. — Aaron pegou Jasper pela parte de trás do colarinho do uniforme. Jasper gritou e sacudiu os braços. A expressão de Aaron era sombria. — Você vem junto. Agora, pode começar a andar.

16 comentários:

  1. Hahahahaha A-D-O-R-E-I! 😈

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  2. Gosto muito do Aaron, mas sinto que tem alguma coisa estranha com ele ¬¬

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  3. Não so com ele desconfio também do Alex e da madrasta

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  4. Tá tudo dando certo demais,alguma coisa vai acontecer eu tô sentindo
    Aaron está estranho
    Alex está estranho
    E mais uma porrada de pessoas está estranha,e sobre a tirada do Call na Tamara
    Não vou mentir,adoro

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    1. Acho q o poder vai subir a cabeça do Aaron e ele q vai acabar se tornando mal.

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    2. Esse povo do magisterium está até parecendo com os Cahill
      Não dá para confiar em ninguém

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  5. Não desconfio do Aaron, mas do Alex...
    Não gostei de terem levado o Jasper u_u Concordo com o Call, ele vai estragar tudo.

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  6. Desconfio de celia posso estar erado mas ai tem coisa

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  7. — Vamos matá-lo. — sugeriu Call.
    Devastação rosnou.
    — Mestre Rufus? — Aaron pareceu alarmado.
    — Não, claro que não é Mestre Rufus! Estou falando de Jasper — respondeu Call. — Podemos enterrar o corpo embaixo de uma pilha de pedras. Quem ficaria sabendo?
    — Call, não seja ridículo — retrucou Tamara.
    — Devastação poderia matá-lo — sugeriu Call.
    melhor parte! kkkkkk

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  8. Essa obediência do Aaron me lembra alguma coisa que foi fala no livro anterior...será q se call for realmente o inimigo ele pode obrigar o Aaron a fazer qualquer coisa que quiser?

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    1. Acho que o Call não pode obrigar o Aaron. Só se ele fosse um dominado pelo caos, não um dominador do caos.
      Gente, acabei lendo um spoiler do próximo livro (óbvio que não vou repetir). E se a autora nos surpreendeu até aqui, ainda tem mto mais surpresas chocantes pela frente! Ö

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  9. Kkkkkkkkk. Só sei que estou na vibe Cahill de novo: não confiem em ninguém.

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    1. Melhor mantra para se seguir na sua vida
      "Não confiem em ninguém"

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  10. Eu acho que se Call não domina magia do caos ele não poderia ser Constantino, especialmente se for um mago se metal.

    Já como Alastair poderia ter roubado algo tão portanto sozinho e sumido assim? Desconfio do Alex Strike.

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Boa leitura :)