25 de janeiro de 2017

Capítulo nove


Os dias que se seguiram transcorreram normalmente. Call não gostava do quarto novo, que mais parecia um hotel do que um lugar que pertencia a eles. Livros, papéis e roupas novas foram trazidos pelos magos — toda vez que Call passava pela porta antiga, via que estava fechada com uma barra de ferro. Ele tentou usar sua pulseira na fechadura, mas não deu em nada. Não gostava do fato de que Miri estava trancada lá dentro e até agora não tinha criado coragem de pedir a faca aos magos. Por sorte conseguiu ficar com a pulseira de Constantine Madden, mas só porque ele a usava embaixo da sua, enfiada na manga do uniforme ou do pijama. Call sabia que deveria tirá-la, talvez até se livrar dela, mas descobriu que estava tendo dificuldade em lidar com a ideia de abrir mão dela.
Sua antipatia pelo quarto se tornou pior quando Tamara encontrou uma foto, enfiada sob um canto da cama. Era um retrato de Drew, sorrindo para a pessoa atrás da câmera e envolvendo Mestre Joseph com um dos braços. Drew era jovem na foto — talvez uns dez anos de idade — e não parecia o tipo de pessoa que poderia torturar Aaron só por diversão. E Mestre Joseph parecia um daqueles pais mais velhos, com ar de professor, aquele tipo que deseja que os filhos leiam livros infantis no original em francês. Não parecia um psicopata que tinha treinado outro psicopata pior que ele. Não parecia um cara que queria dominar o mundo.
Call não conseguia parar de olhar para a foto. Um dos lados tinha sido rasgado, mas um braço e parte de uma camiseta azul mostravam que havia mais alguém com eles. A camisa tinha listras pretas.
Por um instante de horror Call achou que pudesse ser o braço do Inimigo da Morte, mas logo se deu conta de que Constantine Madden teria morrido mais ou menos na época em que Drew nasceu.
Mas não eram só a novidade do quarto, a perda de Miri e a foto que deixavam Call desconfortável. Ele também não gostava de como o Mestre Rufus vinha olhando para ele atualmente. Nem de como Tamara vivia o tempo todo nervosa e olhando por cima do ombro. Não gostava da ruga de preocupação que recentemente tinha se formado entre as sobrancelhas de Aaron. E em particular não gostava de como seus amigos não o deixavam longe nem por um segundo.
— Oito olhos são melhores do que um — disse Aaron quando Call manifestou a vontade de passear sozinho com Devastação.
— Eu tenho dois olhos — disse Call.
— Sim, é claro — disse Aaron. — E só um ditado.
— Você está torcendo para encontrar Célia, não está? — perguntou Tamara, fazendo Aaron lançar mais um olhar de reprovação a Call.
O encontro de Célia e Jasper estava marcado para aquela sexta-feira, e Aaron achava que seria a oportunidade perfeita para descobrir se ela era a espiã. Tamara tinha conseguido arrancar de Célia quase todos os detalhes a respeito do encontro. Tinham marcado na Galeria, às oito, depois do jantar, e iriam assistir a um filme.
— Parece inocente — disse Tamara, dando de ombros ao se sentarem para almoçar e espetando o garfo no macarrão de líquen.
— Bem, é claro que parece — disse Aaron. — Ou você acha que ela iria declarar tão cedo suas intenções maléficas? — Ele lançou um olhar a Célia, que ria alegremente com Rafe e Gwenda. Jasper estava sentado com Kai e parecia no meio de uma história animada.
— Se for mesmo coisa da Célia, como ela conseguiu controlar um elemental gigante daqueles? — perguntou Call. — Sem que ele, você sabe, a matasse e comesse?
— Elementais não comem gente — disse Tamara. — Eles absorvem a energia delas.
Call parou por um instante. Estava se lembrando de Drew, que tinha sido morto por um elemental do caos sob o olhar aterrorizado de Call durante seu primeiro ano como aluno. Lembrou-se de como a pele de Drew tinha ficado azul, e depois cinza, seus olhos ficando vazios.
— ... acho estranho?
Call ouviu Aaron dizer quando saiu do devaneio.
— O quê? — perguntou Call.
— O jeito como todo mundo está olhando para a gente — respondeu Tamara com a voz baixa. — Você notou?
Call não tinha notado. Mas agora que Tamara falou, ele percebeu que as pessoas vinham encarando eles três — Aaron, especificamente. E não do jeito como normalmente o encaravam, com admiração ou aquela expressão como quem diz olha lá o Makar.
O que estava acontecendo era diferente. As pessoas observavam com olhos semicerrados, falavam em voz baixas. Todos lançavam olhares desconfiados, sussurravam e apontavam. Se dar conta disso deixou Call com uma sensação desconfortável na boca do estômago.
— O que está rolando? — perguntou Aaron, espantado. — Tem alguma coisa no meu rosto?
— Vocês realmente querem saber? — disse uma voz por uma da cabeça deles.
Call olhou para cima. Era Jasper.
— Todo mundo está falando da coisa que quase comeu Call...
— Elementais não comem pessoas — insistiu Tamara, cortando a fala de Jasper.
Ele deu de ombros.
— Tudo bem. Que seja. Enfim, as pessoas estão falando que foi Aaron que o invocou. Alguém contou para alguém que ouviram vocês dois brigando e todo mundo viu quando Aaron invocou todas aquelas criaturas do caos nas férias...
Call ficou boquiaberto.
— Isso é ridículo — disse.
Aaron olhou em volta. Quando encontrou os olhares dos outros aprendizes, todos desviaram o rosto. Alguns dos alunos do Ano de Ferro começaram a rir. Um deles começou a chorar.
— Quem está dizendo isso? — perguntou Aaron, voltando-se novamente para Jasper. Estava com as orelhas coradas e uma expressão que dizia que ele gostaria de estar em qualquer outro lugar.
— Todo mundo — respondeu Jasper. — É um boato. Acho que pelo fato dos Makaris serem instáveis e tudo mais, concluíram que você tentou matar Call. Quer dizer, algumas pessoas acham que é compreensível, porque Call é muito irritante, mas outras acham que está rolando um triângulo amoroso entre vocês e Tamara.
— Jasper. — Tamara falou com a voz mais firme possível. — Diga para as pessoas que isso é mentira.
— Qual parte?
— Nada disso é verdade! — retrucou Tamara, elevando a voz de forma dramática.
Jasper ergueu as duas mãos em um gesto de redenção.
— Tudo bem. Mas sabem como é fofoca. Ninguém vai me dar atenção. — E com isso ele se afastou da mesa, de volta para a refeição.
— Não dê ouvidos a ele — disse Tamara a Aaron. — Ele é ridículo e fica maldoso quando está assustado. Provavelmente está nervoso com o encontro e resolveu descontar em você.
Talvez, Call pensou, mas alguma coisa estava realmente acontecendo. As pessoas definitivamente estavam lançando olhares a eles. Call levantou e foi atrás de Jasper, pegando-o pelo cotovelo no momento em que ele chegou a um grande pote de líquido marrom com cheiro de canela e cravo.
— Jasper, espera aí. Você não pode simplesmente contar tudo isso e ir embora. Quem começou o boato? Quem está inventando essas coisas? Você tem que ter no mínimo um palpite.
Jasper franziu a testa o cenho.
— Não fui eu, se é isso que está insinuando... apesar de que devo dizer que me fez pensar. Aaron contou a você e Tamara histórias diferentes sobre o passado dele. Isso é bem suspeito. Não fazemos ideia de onde ele veio, ou quem é a família dele de verdade. Ele simplesmente aparece do nada e pronto! Makar.
— Aaron é uma boa pessoa — disse Call. — Tipo, muito melhor do que nós dois.
Jasper suspirou. Não estava rindo, nem desdenhando, nem fazendo qualquer uma de suas habituais expressões afetadas.
— Você não acha isso suspeito? — perguntou.
— Não — respondeu Call, marchando de volta para a mesa e fervendo de fúria por dentro. Jasper era um idiota. Aliás, todo mundo ali era, exceto ele, Tamara e Aaron.
Ele se jogou na cadeira. Tamara estava inclinada para perto de Aaron, falando com a mão no ombro dele.
— Tudo bem — dizia Aaron com a voz esgotada. — Mas eu realmente acho que temos que sair.
— O que está acontecendo? — perguntou Call.
— Eu só estava falando para ele não se deixar afetar por isso. — Tamara estava com o rosto corado, manchas vermelhas nas bochechas morenas. Call sabia que isso significava que ela estava furiosa.
— É ridículo — disse Call. — Vai passar. Ninguém pode acreditar em uma bobagem dessas por muito tempo.
Mas a expressão de Aaron dizia a Call que ele não estava tranquilo. Seus olhos verdes percorriam o refeitório quase como se ele esperasse que as pessoas fossem começar a jogar coisas nele.
— Eu vou voltar para o quarto — disse Aaron.
— Calma aí — disse Alex Strike, com sua forma comprida e esguia projetando uma sombra na mesa. Sua pulseira do Ano de Ouro brilhou quando ele estendeu a mão. Ao abrir a mão, revelaram-se três pedras redondas e avermelhadas. — São para vocês.
— Está convidando a gente pra jogar bolinha de gude? — Call presumiu.
Alex sorriu.
— São pedras-guia — falou. — Os Mestres vão fazer uma reunião hoje à noite. Vocês foram convidados. — Ele mexeu os dedos. — Uma pedra para cada um.
— Fomos convidados? — Aaron perguntou enquanto eles pegavam as pedras da mão de Alex. Ele parecia nervoso. — Por quê?
— Não faço ideia. Sou apenas o mensageiro.
— O que fazemos com isso então? — perguntou Call, examinando a própria pedra. Perfeitamente redonda e brilhante, realmente parecia muito uma bolinha de gude vermelha. Uma das grandes que se usam para atingir as outras.
— Os Mestres estão mudando os locais das reuniões por questões de segurança — explicou Alex. — Se a pessoa não tiver uma dessas, não consegue encontrar a sala. A reunião começa às seis. Basta deixar a pedra levá-los aonde devem ir.


Às seis da tarde, os três, mais Devastação, estavam sentados na nova sala compartilhada, cada um olhando para a pedra na mão. Todos vestiam uniformes escolares de cor azul; Aaron tinha engraxado os sapatos e Tamara estava com o cabelo solto, com presilhas de ouro acima das orelhas. O máximo de concessão que Call fez para ficar chique foi lavar o rosto.
— Opa, opa! — disse Tamara quando sua pedra-guia acendeu como um pisca-pisca de natal. A de Aaron foi a seguinte e depois a de Call. Todos se levantaram.
— Devastação, fique aqui — disse Call.
Após a reunião anterior com a Assembleia, ele não queria dar nenhuma desculpa para se lembrarem da existência de Devastação.
No corredor, Tamara se deixava guiar por sua pedra. Sempre que ia na direção errada, o brilho diminuía.
— O Mestre Rufus devia ter nos dado uma dessas quando fomos para os túneis — disse Call quando partiram. — Em vez daquele mapa que desaparecia.
— Acho que isso teria anulado o propósito da aula — observou Aaron, cobrindo a pedra com a mão em concha para não precisar andar de olhos semicerrados por causa da luz. — Você sabe, a coisa toda de encontrar nosso próprio caminho.
— Não seja arrogante — disse Tamara, fazendo uma curva súbita. Todas as pedras ficaram com o brilho mais fraco.
— Acho que você, hum, virou errado — disse Call, apontando para trás, para a grande sala com uma cachoeira subterrânea que a pedra parecia indicar.
— Vamos — disse ela, avançando meio cambaleante, deixando Aaron e Call sem opção que não segui-la.
Ela passou por uma pequena entrada que levava a um espaço com pé-direito alto. Um pequeno bando de morcegos se amontoou, emitindo chiados uns aos outros. Os bichos faziam todo o lugar feder. Call tampou o nariz com os dedos.
— O que você está fazendo, Tamara? — perguntou Aaron, com a voz baixa.
Ela agachou e rastejou por uma passagem estreita. Call e Aaron trocaram olhares preocupados. Era perigoso explorar as cavernas sem um mapa ou alguma espécie de guia. Havia buracos profundos e lagos de lama fervente, sem falar nos elementais.
Entrando na passagem atrás de Tamara, Call torceu muito para que ela soubesse para onde ia. A pedra parecia áspera em sua mão enquanto Call engatinhava pelo que parecia um túnel natural. A passagem ficou ainda mais estreita e Call não tinha certeza se iam caber. Seu coração começou a bater forte enquanto a única luz de que dispunham desbotava cada vez mais. Após alguns minutos de tensão a passagem se abriu em uma sala desconhecida, mas que não parecia particularmente perigosa. As pedras brilharam.
— Você vai explicar o que foi isso? — perguntou Call.
Tamara colocou as mãos nos quadris.
— Não fazemos ideia de quem esteja atrás de você. Pode ser um dos Mestres, ou alguém que sabe onde será a reunião. Não podemos pegar a rota direta. Pode ser uma armadilha. O objetivo de pedras como estas é garantir que a gente não se perca independente do caminho.
— Ah, isso foi inteligente — disse Call, tentando ignorar o pânico gelado que se acumulava em seu estômago. Ele queria acreditar que seja lá quem fosse o inimigo, ou inimigos, não seriam Mestres da escola. Ele queria acreditar que era apenas um capanga do Mestre Joseph, ou algum pobre mago que detestava Makaris. Ou talvez um aluno que tivesse irritado muito. Call sabia que conseguia ser muito irritante, principalmente quando se esforçava para isso.
Call ainda estava pensando no assunto quando chegaram à sala que os Mestres tinham escolhido para a reunião. Estavam atrasados, e a reunião já tinha começado. Um grupo de Mestres vestidos de preto estava sentado em um semicírculo lustroso de mármore. Um banco longo e baixo, também de mármore, percorria o exterior desse semicírculo, permitindo que os Mestres encarassem o centro do recinto. As estalactites culminavam em lâmpadas redondas feitas de pedra clara, cada uma brilhando com uma luz amarelada.
— Tamara, Aaron e Call — entoou Mestre Rufus quando os três entraram. — Por favor, acomodem-se em seus lugares.
Ele indicou três montes de pedras polidas diretamente à frente da mesa dos Mestres. Call ficou encarando. Era para eles sentarem naquilo? As pedras não iam simplesmente ceder e se espalhar, derrubando cada um deles no chão e causando constrangimento?
Tamara passou confiante por Call e simplesmente sentou em uma das pilhas. Ela afundou um pouco e cruzou os braços, mas as pedras não se moveram. Aaron foi o próximo e Call, depois dele, se jogou na última pilha. As pedras chiaram e estalaram quando seu peso as deslocou, mas era como sentar em uma cadeira feita de caramelo, só que menos grudento. As pedras se ajustaram ao corpo de Call até que estava sentado da forma mais confortável que sua perna permitia.
— Legal! Precisamos disso na nossa sala compartilhada — disse Call.
— Call — disse Mestre Rufus em tom sombrio. Call teve a sensação de que o mestre ainda achava que ele escondia algo. — Por favor, guarde para você seus comentários sobre a mobília; isso é uma reunião.
Sério? Achei que fosse uma festa! Call teve vontade de dizer, mas não o fez. Definitivamente, a atmosfera não poderia ser menos festiva. Mestre North e Mestra Milagros ladeavam o Mestre Rufus; Anastasia Tarquin estava próxima à beirada da mesa, seu olhar sombrio fixo em Call.
— O que está acontecendo? — perguntou Aaron, olhando em volta. — Estamos encrencados?
— Não — Mestra Milagros disse ao mesmo tempo em que Mestre North disse “talvez” e bufou.
— Só estamos tentando entender como esse ataque pode ter acontecido — disse Mestra Milagros, lançando um olhar de esguelha para Anastasia. — Tínhamos vários seguranças posicionados. Sabemos que vocês já disseram o que aconteceu, mas podem contar de novo, só para constar?
Call tentou relatar tudo, tentou se concentrar em detalhes que pudessem ajudar em vez de causar pavor e desespero, que eram exatamente o que ele sentia. Tamara e Aaron começaram a explicar as próprias partes. Call fez questão de destacar o quão útil Devastação tinha sido, uma vez que ainda estava preocupado com a visão da Assembleia sobre os animais Dominados pelo Caos.
— Alguém deve estar muito determinado. Se algum de vocês faz ideia do porquê, este seria um bom momento para compartilhar — disse Mestre Rufus, mais uma vez lançando um olhar severo para Call, como se novamente o instigasse a confessar.
Depois que Call entregou o Inimigo da Morte para a Assembleia, ele achou que seu segredo estivesse salvo, mas agora parecia mais próximo do que nunca de ser revelado. Se ao menos ele pudesse contar aos magos. Se ao menos acreditassem que Call era diferente de Constantine.
Call abriu a boca para falar, mas foi em vão. Tamara foi quem respondeu.
— Não fazemos ideia de por que alguém poderia querer machucar Call. Ele não tem inimigos.
— Eu não iria tão longe — murmurou Call, e Tamara o chutou. Forte.
— Há um boato correndo entre os alunos — disse Mestra Milagros. — Hesitamos em trazê-lo a vocês, mas precisamos ouvir o que pensam. Aaron, você teve alguma coisa a ver com o ataque do elemental?
— Claro que não teve! — gritou Call. Desta vez Tamara não o chutou por se meter na conversa alheia.
— Precisamos ouvir de Aaron — disse Mestra Milagros gentilmente.
Aaron olhou para as próprias mãos.
— Não, eu não fiz isso. Eu não machucaria Call. Não quero machucar ninguém.
— Acreditamos em você, Aaron. Callum é um Makar — disse Mestre Rockmaple, um mago baixo e de barba ruiva. Call não tinha gostado dele no Julgamento de Ferro, mas estava feliz pelo fato de ele acreditar em Aaron. — Existem muitas razões para aqueles que se opõem ao Magisterium e ao que ele representa atacarem um Makar. Acho que nossa primeira preocupação deve ser descobrir como um elemental malicioso teve acesso ao quarto de um aluno e, mais importante, como podemos garantir que isso nunca mais aconteça.
Call olhou para Aaron. Ele continuava olhando para os próprios dedos, puxando as cutículas. Pela primeira vez, Call notou que as unhas dele estavam completamente roídas.
— Não era um elemental qualquer — disse o Mestre Rufus. — Era um dos grandes elementais. Um dos que estava em nossas próprias celas. Se chamava Skelmis.
Call pensou em Automotones quebrando a casa de um dos amigos do seu pai no ano anterior, louco para destruir Call. Automotones também era um dos grandes elementais. Era perturbador pensar que alguém estava tentando matar Call há mais de um ano e que essa pessoa parecia ser capaz de conseguir as criaturas mais poderosas do Magisterium para isso. Call ficou imaginando se não seria um dos Mestres, afinal. Ele olhou em volta da mesa e estremeceu.
— Agora, talvez precisemos que os três respondam em maiores detalhes — disse Mestre North. — E isso pode levar um tempo. É um inquérito formal sobre Anastasia Tarquin e sobre a hipótese de ela ter sido negligente em sua função de guardiã dos elementais. Mestre Rockmaple vai registrar nossas descobertas e enviá-las à Assembleia.
— Eu já expliquei — disse Anastasia.
Anastasia vestia seu tradicional terno branco, o cabelo cor de gelo estava preso por pentes de marfim. Anéis de ouro branco brilhavam nos dedos. Até a pulseira da mulher era feita de couro cinza claro. A única cor em seu rosto vinha dos olhos, vermelhos por privação de sono e preocupação.
— O elemental Skelmis deve ter sido solto antes de eu colocar os guardas. Só existem duas pedras enfeitiçadas que abrem as criptas onde os elementais estão. Uma delas permaneceu pendurada no meu pescoço. A outra estava no meu quarto, em um cofre fechado por mágica e seguro por três trancas diferentes. Monitorei cuidadosamente todos que entraram e saíram. Vocês viram as anotações. Falaram com os guardas. Colocar a culpa em mim a fim de ter uma desculpa para expulsar da escola uma integrante da Assembleia não nos ajuda em nada.
— Então só porque você não notou ninguém entrando, ninguém deve ter entrado? É nisso que devemos acreditar? — perguntou Mestre North.
Anastasia se levantou e bateu com as mãos na mesa, fazendo Call saltar.
— Se pretende me acusar de alguma coisa, simplesmente acuse. Acha que estou mancomunada com forças do Inimigo? Acha que coloquei este menino e seus amigos em perigo de propósito?
— Não, é claro que não — disse Mestre North, claramente espantado. — Não estou acusando você de nada. Estou dizendo que pode se gabar sobre seus guardas o quanto quiser, mas eles não funcionaram.
— Então você só me acha incompetente — disse ele, com a voz gelada.
— O que você prefere? — disse Mestre Rufus, entrando no diálogo. — Porque é uma coisa ou outra. Se Mestre North não diz, eu digo. Era obrigação sua garantir que ninguém libertasse um elemental das criptas subterrâneas. Mesmo assim um deles saiu e quase matou um aluno, um dos meus aprendizes. A culpa é sua, Tarquin, goste você ou não.
— Não é possível — insistiu ela. — Estou dizendo, eu jamais faria nada para machucar Callum ou Aaron. Jamais deixaria um aluno em perigo.
Tamara bufou de escárnio levemente após ser excluída da declaração.
— E mesmo assim eles correram grave perigo — disse o Mestre Rufus: — Então nos ajude a descobrir o que aconteceu.
Anastasia sentou novamente.
— Muito bem. — Ela levou a mão ao pescoço e puxou a corrente de baixo da camisa. Uma gaiola grande fazia as vezes de pingente... e dentro dessa gaiola havia uma chave de bronze cuja cabeça era em formato de cadinho. — Quando assumi a guarda das criptas dos elementais das profundezas, eu me certifiquei de que a chave jamais saísse de perto de mim.
— E quanto à outra? — perguntou Mestre North. — São duas chaves. Você disse que trancou a outra. Alguém poderia ter roubado e depois devolvido?
— É muito improvável — respondeu Anastasia. — A pessoa teria que passar por três tipos diferentes de feitiço de tranca para entrar no meu cofre. E o cofre em si foi trazido para cá junto com o resto dos meus pertences. O próprio Mestre Taisuke me ajudou a colocá-lo na pedra.
— Que tipo de feitiços de tranca? — perguntou Mestra Milagros.
Anastasia hesitou, depois suspirou.
— Suponho que eu vá ter que mudá-los agora, apesar de eu achar muito improvável que alguém tenha feito o que vocês estão sugerindo. Tudo bem. A primeira tranca é uma senha que deve ser dita em voz alta. E não, não vou revelar qual é. Não disse isso a ninguém.
Por um instante, ela encarou a própria mão e suas unhas perfeitas. Anastasia era mais velha do que aparentava ser, mais velha do que Alastair, e, naquele momento, estava parecendo mesmo.
Então ela ergueu a cabeça a sua expressão voltou a ficar séria.
— O segundo é um feitiço bem inteligente, ativado pela senha. Um buraco aparece no cofre, mas se você simplesmente enfiar a mão, um elemental cobra ataca, envenenando o ladrão com uma toxina letal. Para passar por ele, é preciso conjurar fogo dentro da abertura. — Um sorrisinho malicioso se formou no canto de sua boca.
— Legal — disse Aaron baixinho. Call concordou com ele.
— E depois, por último, há um feitiço final, criado por mim. Vocês são as primeiras pessoas para quem conto sobre ele e lamento que depois disso ele precise ser substituído. Depois que o fogo é conjurado, nada muda visualmente. A essa altura a pessoa poderá enfiar a mão pelo buraco desde que o faça lentamente. Se tirar a mão rapidamente, alarmes disparam e o cofre se fecha outra vez. Contudo, é criada a ilusão de um elemental cobra saindo da abertura em posição de ataque, o que torna compreensível a tentação de recolher a mão depressa.
Por um instante todos ficaram em silêncio. Call tinha certeza de que estavam maravilhados com os dispositivos de segurança criados por Anastasia, mas também achava que estavam maravilhados com sua astúcia, pois eram feitiços bem criativos.
— Acabamos, afinal? Algo maléfico está entre nós aqui no Magisterium — disse Anastasia, com a cabeça erguida. — Todos sabemos disso. É por esse motivo que eu vim. Sugiro que a gente descubra a fonte em vez de fazer acusações sem base. Antes que seja tarde.
Mestre North voltou-se para Call, Aaron e Tamara.
— Queremos que entendam que nada parecido aconteceu no Magisterium e vamos nos certificar de que jamais volte a acontecer. Vocês três estão dispensados. Vamos prosseguir com a reunião, mas não duvidem de que vamos descobrir o que aconteceu.
Estava claro que os magos talvez fossem passar a noite toda discutindo, apesar de não terem nenhuma pista pela qual começar. Call pensou, de repente, em Jericho Madden, e em como a sua morte tinha sido acidental — um experimento que fracassou. Será que houve um inquérito depois? Várias pessoas se acusando inutilmente?
— Ainda acredito que o mais seguro seria ensiná-los — disse Anastasia, a irritação em sua voz era inconfundível. — Pode me achar negligente em minhas obrigações, mas isso não quer dizer que não tenha sido relapso nas suas também.
— Eu já os ensino — disse Mestre Rufus, lançando seu olhar mais austero a ela. — Ensino o que eles precisam saber.
— Ah — disse ela, e pareceu claro que não estava mais incomodada, já que tinha certeza de que estava com a vantagem. — Então Aaron e Callum sabem que têm o poder de remover uma alma de dentro do corpo? Eles sabem como fazer? Que alívio, porque achei que você tivesse tanto medo das habilidades deles que estava planejando não contar, mesmo que isso os matasse.
— Eu liberei nossos alunos — disse Mestre North com exaltação incomum. — Tarquin, deixe os garotos irem embora. Ouse me desafiar de novo e eu vou bani-la da escola, independente das ordens da Assembleia.
Do lado de fora da sala de reunião, Call se voltou para Aaron e Tamara. Tamara ergueu as sobrancelhas em um gesto que parecia capturar o quão completamente estranho tinha sido aquilo tudo.
Aaron balançou a cabeça. Viram um caminho familiar após alguns passos, o que foi bom, considerando que as pedras-guia só apontavam em uma direção e ficariam eternamente conduzindo o grupo à sala de reunião.
Finalmente, Aaron falou.
— Ainda bem que saímos de lá antes do encontro de Jasper. Eu estava ficando preocupado.
— Você não acha de verdade que Célia é a espiã, né? — perguntou Call. — Quer dizer, não pra valer, certo?
— Sei que você não quer que seja ela — disse Aaron, passando por uma área pantanosa que florescia em azul sob a respiração deles. — Sei que você acha que ela é sua amiga, mas temos que ter cuidado. Célia fez algo estranho na época dos dois ataques. Pode ser coincidência. Ou, talvez não.
— Então como essa coisa toda do encontro com Jasper vai ajudar? — perguntou Tamara. — Mesmo que ela seja a espiã, Jasper não é o alvo.
— Jasper me prometeu que falaria coisas sobre Call. Se ela morder a isca, saberemos.
Tamara revirou os olhos. Ela provavelmente achou que Call não notaria à pouca luz do pântano, mas ele notou.


Chegaram sem fôlego à Galeria, que estava iluminada para a noite com riachos reluzentes de lodo, brilhando em azul e verde. Alunos mergulhavam em piscinas fundas de água que brilhavam em turquesa. Call se lembrou da primeira vez em que tinha estado aqui: Célia o tinha convidado durante o Ano de Ferro, e foi uma das coisas no Magisterium que ele gostou muito. Na ocasião ele tinha ficado sem fôlego e percebido que estava diante de coisas que nenhuma pessoa comum jamais veria.
Agora ele olhava para o local com mais familiaridade. Chegava até a reconhecer algumas pessoas — em um canto, estavam Alex, a irmã de Tamara e outra menina do Ano de Ouro. Gwenda e Rafe pulavam em uma das piscinas, jogando água um no outro. Kai estava perto dos tubos de vidro que liberavam bala que espumava, cavando uma montanha de doces com uma das mãos e segurando um livro com outra.
— Olha só isso! — gritou alguém. Por um segundo Call pensou ter visto uma figura magrinha, de cabelos castanhos e com uma camiseta gasta, acenando para ele. Alguém cujos olhos brilhavam negros em um rosto pálido demais.
Drew.
Call piscou, e a visão entrou em foco na figura de Rafe, que dava um salto com tudo na piscina, espirrando água para todos os lados. Pessoas bateram palmas e vibraram; Aaron se inclinou e sussurrou para Call e Tamara:
— Lá estão eles.
Ele apontou para onde Jasper e Célia estavam sentados em um grande sofá roxo. Célia estava bonita, com um vestido cor-de-rosa, os cabelos amarrados em um rabo de cavalo. Jasper estava Jasper.
Uma vasilha de pedra flutuava entre eles. Célia colocou os dedos dentro dela e, ao puxá-los de volta, estavam brilhando. Ela os soprou e bolhas multicoloridas subiram em espiral para o teto. Célia riu.
— Putz — disse Call. — Célia está com os olhos esbugalhados para Jasper. Isso é tão estranho... Ela nem gosta dele. Ou, pelo menos, se gosta, nunca disse nada.
— Ela está atraindo Jasper para suas garras — disse Aaron.
— Vocês são dois idiotas — disse Tamara, soando resignada. — Vamos.
Sorrateiramente, os três foram até o bar cheio de petiscos e balas que ficava perto da parede. Estava escuro; Call seguiu a luz das presilhas de ouro brilhantes de Tamara. Quando emergiram do outro lado, estavam atrás do sofá roxo, muito mais perto de Jasper e Célia. Era a vez de Jasper colocar os dedos na vasilha, aparentemente. Ele lançou um olhar expressivo a Célia e em seguida soprou os dedos. Bolas ou forma de corações subiram para o ar.
— Ah, que nojo — disse Call. — Eu vou vomitar.
Tamara precisou colocar a mão na boca para abafar a risada.
— É um encontro — disse ela quando parou de rir. — Em encontros as pessoas devem se divertir.
— Ou fingir que estão se divertindo — disse Aaron, estreitando os olhos para Célia. Ele realmente parecia acreditar que ela podia ser uma espiã.
— O que tem de divertido em olhar um para a cara do outro? — perguntou Call.
— Certo — disse Tamara, lançando um olhar impenetrável aos meninos. — Se vocês dois engraçadinhos fossem sair com alguém, o que fariam?
Call viu as bochechas de Célia ruborizarem quando Jasper se indignou e disse alguma coisa para ela.
Era estranho assistir. Para começar, era bizarro ver Jasper sendo legal com alguém. Normalmente, mesmo quando ele estava disfarçado de alguém-não-muito-babaca, tinha uma ar de arrogância ao falar.
Com Célia, no entanto, parecia agir como uma pessoa normal.
E ela parecia interessada nele.
O que era totalmente injusto, considerando que o único motivo pelo qual Jasper a convidou para sair foi acobertar o que estavam realmente fazendo na biblioteca.
Pensando bem, Célia sempre dizia que Call estava exagerando quando ele chamava Jasper de babaca. Talvez ela gostasse mesmo de Jasper! Talvez só estivesse fingindo gostar de Call para se aproximar dele.
— Não sei — disse Aaron. — Faria o que a garota em questão quisesse fazer.
Call tinha se esquecido da pergunta que Aaron estava respondendo. Por um instante, torceu para que Célia fosse a espiã no fim das contas. Seria bem feito para Jasper.
Tamara cutucou Call no ombro.
— Uau. Você realmente deve gostar dela.
— Quê? N-não! — disparou ele. — Eu só estava viajando aqui! Sobre como Jasper é um babaca.
Aaron assentiu vigorosamente. Jasper e Célia estavam mergulhando os dedos ao mesmo tempo e soprando, criando bolhas em formato de borboletas e pássaros que flutuavam. Os dois começaram a rir quando um dos pássaros de Jasper desceu para comer uma das borboletas de Célia.
Agora está mais real! Call sorriu. Ficou imaginando o que aconteceria se ele conjurasse a ilusão de um gato para perseguir os pássaros.
— Se gosta tanto assim dela, você deveria convidá-la para sair — disse Tamara lentamente, escolhendo as palavras com cuidado. — Quer dizer, acho que ela perdoaria, se você explicasse.
— Explicasse o quê? — perguntou Aaron.
Call ouviu quando Jasper começou a reclamar sobre Fofinho, o furão de Gwenda. Célia tinha contado a Call sobre a reação alérgica de Jasper a Fofinho no ano passado, então Jasper sabia que ela sabia. Mesmo assim, Célia fingiu que era uma informação nova. Jasper acreditou. Continuou falando sem parar do furão e sobre como não gostava dele, e ela agiu como se estivesse fascinada. Call queria gritar.
— Ahh, olha — disse Célia quando Jasper finalmente esgotou o assunto do furão. — Alex Strike acabou de colocar um filme. Quer assistir?
Alex era mago do ar, e uma das maneiras com as quais ele demonstrava o próprio talento era formando ar colorido contra a parede da caverna da Galeria, criando a ilusão de filmes populares. Às vezes ele mudava os finais para se divertir. Call tinha uma lembrança clara de um Ewok, um droide e o fantasma de Darth Vader dançando a conga na versão de Alex do Retorno de Jedi.
Jasper pegou a mão de Célia e a ajudou a levantar do sofá. Os dois foram para o lado oeste do recinto, onde fileiras de bancos baixos tinham sido armadas. Encontraram dois assentos contíguos quando a luz naquela parte da caverna diminuiu e as primeiras cenas de um filme começaram a passar na parede.
— Lá vamos nós — sussurrou Aaron. — Ela vai se aproveitar do escuro e nocautear Jasper.
Call de repente se cansou daquilo tudo.
— Não, ela não vai — disse. — Eu já fiquei sozinho com ela várias vezes. Se ela quisesse me machucar, poderia ter feito isso. Deveríamos desistir dessa ideia. O único perigo desse encontro é Jasper fazê-la morrer de tédio.
— Ou nós morrermos pelo mesmo motivo — murmurou Tamara. — Call tem razão, Aaron. Jasper prometeu interrogá-la sobre Call, mas acho que podemos afirmar com segurança que ele se esqueceu disso.
Formas se moviam contra a parede, projetando estranhos padrões de luz. Call podia ver Alex sentado no fundo, movendo as mãos lentamente para fazer as imagens dançarem. Pelo que Call podia notar, o filme era uma combinação de Toy Story com Parque dos dinossauros, onde brinquedos eram perseguidos por velociraptors.
— Não vai dar em nada — disse Call. — Mas tenho uma ideia do que podemos fazer hoje à noite.
Isso fez Aaron olhá-lo surpreso.
— O quê?
— Se alguém foi até as criptas dos elementais e libertou Skelmis, então existem ao menos algumas testemunhas. Tem que haver.
— Os outros elementais — disse Tamara, percebendo de cara o que ele queria dizer. — Eles continuam presos lá embaixo. Provavelmente viram o que aconteceu.
— Mas a Assembleia já não teria perguntado a eles? — indagou Aaron.
— Não necessariamente — respondeu Call. — A maioria das pessoas tem muito medo de elementais. Não os consideram criaturas com as quais se possa conversar. E é difícil enfrentá-los. Mas tendo dois Makaris... e uma vez que esses elementais estão presos...
— É um plano louco — disse Tamara, mas seus olhos castanhos estavam despertos.
— Está dizendo que não quer fazer? — perguntou Call.
— Não — respondeu Tamara. — Só estou falando que é um plano louco. Como chegaríamos lá embaixo?
— Anastasia praticamente nos explicou isso durante a reunião — disse Call. — Ela disse que guarda uma chave no quarto e outra em volta do pescoço. Tudo que precisamos fazer é entrar no quarto dela quando ela não estiver.
— E os guardas? — perguntou Aaron. — Os que ficam na porta?
— A gente se preocupa com isso quando chegar lá — respondeu Call. — Se o espião entrou, tem que haver um jeito. E se não fizermos isso hoje, ela vai mudar as trancas. Não teremos outra chance.
Aaron lançou um último olhar desconfiado a Célia e fez que sim com a cabeça. Juntos, os três foram sorrateiramente para o corredor. Ao partirem na direção dos quartos dos Mestres, Call percebeu que o plano tinha três complicadores. Um, ele não sabia qual era o quarto de Anastasia Tarquin. Dois, ele não tinha como entrar. Três, uma vez lá dentro, teriam que adivinhar a senha dela.
Quão difícil pode ser?, Call se perguntou. A senha provavelmente era alguma coisa óbvia. Alguma coisa que poderiam descobrir só de olhar para os pertences dela.
E o quarto também poderia ser óbvio. Ele olhou para Tamara e Aaron. Ambos pareciam prontos a se deixar convencer de que o plano poderia dar certo. Talvez já tivessem pensado em uma maneira de fazer com que desse. E, seja como for, ao menos estariam fazendo alguma coisa em vez de simplesmente esperando que o espião atacasse outra vez.
Call suspirou. Se os Mestres da Assembleia não conseguiam resolver a situação, então estava por conta deles.

20 comentários:

  1. Agora que o Jasper falou,realmente tem algo de errado com Aaron,ele é perfeitinho demais

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    1. Também comecei a achar isso -_-

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    2. Desconfiando cada vez mais do Alex.Anastácia é madrasta dele,sendo assim seria mais"possível" ele descobrir a senha.O Elemental que atacou o Call era do Ar.Alex é um mago do que? Do ar.Sem contar que ele poderia sim ter aberto a porta do quarto do Call,sendo que ele é o ajudante do mestre Rufus...

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    3. Também tô desconfiando do Alex. Parece que ele tá sempre por perto quando alguma coisa assim acontece, ou pelo menos sempre tem algo pra relacionar com ele. Pode ser uma pegadinha das autoras, mas comtinuo desconfiando dele.

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  2. Anastácia disse que tinha filhos de outra relação? Ela parece ser velha... Joseph também é velho... Será Drew filho deles?

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  3. Será que... A Anastasia é a mãe do Drew??????

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  4. Gente,terminei agr e vcs n fazem nem ideia...

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  5. Uma hora eu acho que a tamara gosta do call, outra hora acho que ela gosta do aaron. Uma hora acho que call gosta da tamara outra hora acho que ele gosta de Célia... que confusão Kkkkkk mih

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  6. Nunca desconfiei do Aaron mas esse capitulo me colocou uma pulga atras da orelha.
    "Call olhou para Aaron. Ele continuava olhando para os próprios dedos, puxando as cutículas. Pela primeira vez, Call notou que as unhas dele estavam completamente roídas."
    Não gosto desse nervosismo

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  7. Cara so faltou ter um seta apontada em cima da cabeça do alex.
    Não sei primeiro ele diz para o Call que gosta dela pq eles são parecidos e não explica o porque e e a abilidade dele eo ar eo elementar que apareceu no quarto do calle um elemental do ar e o Alex tem acesso ao quarto dele o Alex tbm faz ilusão eo Call quando entra na Galeria vê o Drew e tem a Anastásia que é quem tem a chave o lugar onde fica os elementais e é a Madrasta do Alex e nessa ultima reunião ela disse Então Aaron e Callum sabem que têm o poder de remover uma alma de dentro do corpo? não sei se ja estou pirando com essa historia mais to achando que a alma do Jericho esta no Alex e a Anastásia eo Mestre Joseph São os pais de Drew ?
    Sério não sei o que vou fazer até que os outro livro saiam

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  8. Não acho que o Aaron seja mal, mas tem algo errado com ele nesse livro. Eu não entendo mais quem pode gostar de quem, nem me importo.

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  9. chego a desconfiar que aaron e o alex estão trabalhando juntos...ambos estão estranhos no livro ... tenho uma teoria de que eles fossem irmãos ... ja que n se fala muito dos pais de aaron e a mãe de alex ..

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  10. Desisti de shippar Call e Aaron. Agora eu sou mais Call e Jasper. Relação amor e ódio ❤️

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    1. Até que enfim!!!!! Até que enfim alguem que acha que o Call e o Jasper tem químicaaaaaa!!! 😂😂😂😂
      Desculpa o surto. Eu acho essa relação deles muito foda. Queria que eles terminassem juntos...😢 mas não acho que vai rolar... como é o shippo deles?? Como assim produção?? Não tem???? Tem que ter!!!! Vamos lá galera ajuda aí!!
      Jall?
      Calper??
      Calasper?
      Ajuda aí gente!! 😂😂😂😂
      Vou tomar meu remédio. Boa leitura. Quero resposta galera 😂😂😂
      Te amo Karina!! Sua linda! (Me ajuda aí tbm ok?!) ❤❤❤❤😙

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    2. Ih, não shippo isso não, não posso ajudar! Hauehaaheia
      Valeu ❤

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    3. Assim não dá
      É o Aaron agindo estranho
      Anastasia também é mega suspeita
      Só falta um anúncio luminoso dizendo que há algo de errado com o Alex
      E ainda tem a Célia, que também é suspeita
      Isso tá até parecendo The 39 Clues
      Não dá para confiar em ninguém
      Agora só falta começarem a desconfiar do Devastação também

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  11. Desconfio do Aaron pq ele é legal com td mundo. Não confio em quem é legal com td mundo. Principalmente pq ele disse q o pai ta preso e ele vive trocando d familia adotiva, quem é assim normalmente é mais mal humorado e na defensiva

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  12. Karina, já te falei que você é uma deusa? <3

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Boa leitura :)