16 de janeiro de 2017

Capítulo dezessete


Assim que Aaron desapareceu, os outros mestres começaram a dividir os aprendizes remanescentes em fileiras, com os alunos do Ano de Ferro no centro, ladeados pelos garotos mais velhos. Tamara e Call ficaram a certa distância de seus colegas, observando enquanto os outros se apressavam para voltar. Call imaginou se ela se sentia da mesma forma que ele — a ideia de algum dia encontrar o Makar que todos procuravam parecia algo distante, impossível, e então Aaron, o amigo deles, era o próprio.
Call olhou na direção em que estavam os lobos antes de Aaron os mandar para o vazio, mas o único sinal da presença deles eram as pegadas de suas imensas patas na neve, pegadas essas que ainda brilhavam com uma luz pálida, discreta, como se cada uma delas fosse marcada a fogo e ainda mantivesse uma brasa bem lá no fundo.
Enquanto Call observava as pegadas, algo pequeno saiu em disparada por entre as árvores como uma sombra que mudava constantemente de forma. O menino apertou os olhos, tentando ver melhor, mas não houve mais movimentos. Ele deu de ombros, lembrando-se da coisa que esbarrara nele quando corria até Drew. Os eventos recentes fizeram com que ele ficasse atento à menor brisa. Talvez estivesse imaginando coisas.
A Mestra Milagros se separou do grupo de aprendizes, então organizados de um modo que parecia ter vagamente alguma ordem, e foi até Tamara e Call com uma expressão gentil no rosto.
— Precisamos voltar agora. É improvável que ainda haja mais Dominados pelo Caos por aí, mas não temos como ter certeza. É melhor nos apressarmos.
Tamara assentiu, parecendo mais dócil do que Call jamais a vira, e começou a se arrastar pela neve. Eles se juntaram aos outros aprendizes do Ano de Ferro no centro da formação e começaram a seguir a trilha de volta ao Magisterium. Os mestres assumiram postos ao redor do grupo, com seus orbes lançando raios de luz na aurora. Célia, Gwenda e Jasper andavam com Rafe e Kai.
Jasper colocara seu casaco forrado de pele sobre Drew quando ele estava deitado no chão, um gesto de bondade muito pouco característico de sua parte, e o casaco que lhe restara fazia com que tremesse no ar congelante da manhã.
— Drew contou por que foi embora? — Célia perguntou a Call. — Você estava lá com ele antes de o Alex chegar. O que ele disse?
Call balançou a cabeça. Ele não tinha certeza se aquilo era um segredo.
— Pode contar — concluiu Célia. — Não vamos rir dele nem agir como babacas.
Gwenda lançou um olhar para Jasper e ergueu as sobrancelhas.
— A maioria de nós, pelo menos.
Jasper olhou de relance para Tamara, mas ela não falou nada.
Apesar de Jasper ser quase sempre um babaca, naquele momento Call se lembrou de que ele e Tamara eram bons amigos no dia do Desafio de Ferro e se sentiu mal por ele. O menino se recordou de quando vira Jasper na Biblioteca, se esforçando até a exaustão para fazer com que uma chama queimasse, e a forma como ele rosnou para o pôr para fora. Call se perguntou se Jasper já pensara em fugir como Drew. Ele se lembrou das palavras de Jasper: “Só os covardes deixam o Magisterium” e imediatamente deixou de se sentir mal.
— Ele falou que o Mestre Lemuel pega muito pesado com ele — Call explicou. — Que ele funciona bem sob estresse e por isso Lemuel passava o tempo tentando assustá-lo para que se saísse melhor.
— O Mestre Lemuel faz esse tipo de coisa com todos nós. Ele pula de trás das paredes gritando coisas e faz treinamentos no meio da noite — disse Rafe. — Ele não é mau. Ele está tentando nos preparar.
— Tudo bem. — Call se lembrou das unhas roídas e dos olhos assombrados de Drew. — Ele fugiu sem motivo algum. Quero dizer, quem não iria querer ter a chance de ser perseguido na neve por uma matilha de lobos Dominados pelo Caos?
— Talvez você não saiba quão ruim isso era, Rafe. — disse Tamara, parecendo preocupada. — Uma vez que o Mestre Lemuel não faz essas coisas com você.
— Drew está mentindo — Rafe insistiu.
— Ele disse que o Mestre Lemuel não o deixava comer — Call lhes contou. — Ele parece mesmo mais magro.
— O quê? — indagou Rafe. — Isso não aconteceu. Você o via no Refeitório com a gente. E, de qualquer forma, o Drew nunca me falou nada disso. Ele teria me contado alguma coisa.
Call deu de ombros.
— Talvez ele não achasse que você fosse acreditar nele. Parece que ele devia estar mesmo certo.
— Eu não iria... Eu não... — Rafe olhou para os outros, mas eles desviaram o olhar, incomodados.
— O Mestre Lemuel não é legal — Gwenda observou. — Talvez o Drew tenha achado que não tinha opção além de fugir.
— Um mestre não deveria agir assim — disse Célia. — O Drew deveria ter contado tudo para o Mestre North. Ou para alguma outra pessoa.
— Talvez ele achasse que essa era a forma como os mestres deveriam agir — Call conjecturou. — Considerando que ninguém nunca nos explicou exatamente como eles deveriam agir.
Ninguém tinha nada a dizer diante daquela afirmação. Por algum tempo, eles caminharam em silêncio, as botas triturando a neve. De soslaio, Call continuou a observar a pequena sombra que os acompanhava, se esgueirando de uma árvore para a outra. Ele quase cutucou Tamara e apontou para a sombra, mas desistiu da ideia ao se dar conta de que ela não falara uma única palavra desde que os mestres levaram Aaron de volta para o Magisterium. Parecia perdida em seus próprios pensamentos.
O que seria aquilo? Não parecia grande o suficiente para ser algum tipo de ameaça. Talvez fosse um pequeno elemental como Warren que estivesse muito nervoso para se revelar. Talvez fosse Warren, muito assustado para pedir desculpas. Seja lá o que fosse aquilo, Call parecia não conseguir tirá-lo da cabeça. Ele diminuiu o ritmo até ficar para trás, distanciando-se do restante do grupo. Os outros estavam cansados e distraídos demais para que alguns momentos depois ele pudesse ir até as árvores sem que ninguém percebesse.
A floresta estava em silêncio, e a luz dourada do sol que nascia tornava a neve brilhante.
— Quem está aí? — Call perguntou baixinho.
Um focinho peludo espiou detrás de uma das árvores. Uma coisa felpuda e com orelhas pontudas brotou diante de Call, espiando o menino com seus olhos de Dominado pelo Caos.
Um filhote de lobo.
A criatura ganiu e se esgueirou para trás, saindo do campo de visão de Call. O coração do menino retumbava dentro do peito. Ele deu meio passo para a frente, contraindo o corpo quando sua bota rompeu um graveto com um estalo. O filhote de lobo não se afastou. Call pôde ver quando o animal se aproximou, aninhando-se atrás de uma árvore. A brisa da manhã despenteava seu pelo castanho-claro. Ele farejava o ar com um focinho preto e úmido.
Não parecia ameaçador. Parecia mais um cachorro. Um filhotinho, na verdade.
— Está tudo bem. — Call tentou fazer uma voz reconfortante. — Pode sair. Ninguém vai lhe fazer mal.
A cauda pequena e peluda do lobo começou a balançar. Aos tropeços, ele caminhou até Call sobre as folhas mortas e a neve. Suas pernas ainda não estavam firmes.
— Ei, lobinho — Call baixou o tom de voz.
Ele sempre quisera desesperadamente ter um cachorro, mas o pai nunca permitiu que ele possuísse qualquer bicho de estimação.
Incapaz de se controlar, Call estendeu uma das mãos e começou a acarinhar a cabeça do lobo, com os dedos afundando nos pelos de seu pescoço. O lobo começou a abanar a cauda mais depressa e a ganir.
— Call! — Alguém o chamou, Célia talvez. — O que você está fazendo? Aonde você foi?
Os braços de Call começaram a se mexer contra a sua vontade, como se o garoto fosse uma marionete movida por varas, pois eles pegaram o lobo e o esconderam debaixo do casaco. O filhote começou a se debater, lutando para se segurar, tentando cavar o tecido da camiseta de Call com as patinhas. Ele fechou o casaco e olhou para si mesmo. “Não dá para ver que há alguma coisa aqui”, ele disse para si mesmo. Parecia apenas que ele estava com uma pança, como se tivesse exagerado no líquen.
— Call — Célia gritou de novo.
Call hesitou. Ele tinha certeza absoluta de que levar um animal Dominado pelo Caos para o Magisterium era uma infração que o faria ser expulso. Talvez até mesmo algo digno de interdição de magia. Aquele era um ato insano.
E então o filhote de lobo subiu por dentro do casaco e lambeu a ponta do queixo de Call. Ele se lembrou dos lobos que desapareceram na escuridão conjurada por Aaron. Será que algum deles era a mãe daquele filhote? Será que aquele lobo não tinha mais mãe... assim como Call?
Ele respirou fundo e passou o resto do caminho com o zíper do casaco fechado até o pescoço, mancando atrás dos outros.
— Onde você estava? — Tamara perguntou. Ela tinha saído do estado de atordoamento e naquele momento parecia irritada. — Estávamos começando a ficar preocupados.
— Meu pé ficou preso em uma raiz — disse Call.
— Da próxima vez, grite ou faça alguma coisa do tipo. — Tamara parecia muito cansada e distraída para analisar aquela história com mais cuidado.
Jasper olhou para Call com uma expressão estranha no rosto.
— Estávamos falando sobre o Aaron — informou Rafe. — Que é estranho que ele não soubesse que era capaz de usar a magia do caos. Eu nunca imaginei que ele fosse um Makar.
— Deve ser assustador — acrescentou Kai. — Usar o mesmo tipo de magia do Inimigo da Morte. Quero dizer, não tem como essa sensação ser boa, não é?
— É só poder — comentou Jasper, em tom de superioridade. — Não é a magia do caos que torna o Inimigo um monstro. O Inimigo ficou assim porque foi corrompido pelo Mestre Joseph e ficou completamente maluco.
— O que você quis dizer com “corrompido pelo Mestre Joseph”? Esse era o mestre dele? — Rafe perguntou, parecendo preocupado, como se talvez achasse que o fato de o Mestre Lemuel ser tão terrível também pudesse transformá-lo em um vilão.
— Ah, conte logo a história toda, Jasper — pediu Tamara, cansada.
— Tudo bem. — Jasper parecia grato por ela ter falado com ele. — Para aqueles de vocês que não sabem de nada, o que, a propósito, é bastante embaraçoso, o nome verdadeiro do Inimigo da Morte é Constantine Madden.
— Belo começo — disse Célia. — Nem todo mundo é um aluno com legado, Jasper.
Debaixo do casaco de Call, o lobo se contorceu.
Call cruzou os braços sobre o peito e torceu para que ninguém percebesse que sua roupa se mexia.
— Você está bem? — Célia perguntou a ele. — Você parece um pouco...
— Eu estou bem — Call insistiu.
Jasper continuou:
— Constantine tinha um irmão gêmeo chamado Jericho, e, como todos os magos que se deram bem o suficiente no Desafio, eles foram para o Magisterium quando completaram doze anos. Naquela época, a escola era muito mais focada em experimentos. Joseph, o Mestre de Jericho, estava superinteressado em magia do caos, mas, para fazer alguns dos seus experimentos, ele precisava de um Makar para ter acesso ao vazio. Ele não podia fazer isso sozinho.
A voz de Jasper se tornou mais baixa e sombria:
— Imagina só como ele ficou feliz quando descobriu que Constantine era um Makar. Jericho não precisou de muito para ser convencido a ser o contrapeso do irmão, e os mestres também não precisaram de muito para serem convencidos a permitir que o Mestre Joseph trabalhasse com os dois irmãos fora do horário das aulas regulares. Ele era um especialista em magia do caos, apesar de não ser capaz de realizá-la, e Constantine tinha muito a aprender...
— Isso não soa bem. — Call tentava ignorar que, por baixo de seu casaco, o filhote de lobo mordia um de seus botões, o que lhe fazia cócegas terríveis.
— É, não soa mesmo. — Tamara entrou na conversa. — Jasper, não é uma história de fantasmas. Não precisa contar as coisas desse jeito.
— Não estou contando de nenhuma maneira diferente de como aconteceu. Constantine e o Mestre Joseph ficaram cada vez mais obcecados com o que poderiam fazer com o vazio. Eles pegaram pedaços do vazio e os colocaram dentro de animais, transformando-os em Dominados pelo Caos como aqueles lobos. De longe eles pareciam animais normais, mas eram mais agressivos e os cérebros deles estavam todos detonados. A presença do caos puro no cérebro enlouquece a criatura. O vazio é como o tudo e o nada ao mesmo tempo. Ninguém pode mantê-lo na cabeça por muito tempo sem enlouquecer. Se o vazio pode enlouquecer até mesmo uma pessoa, imagine o estrago que pode causar em seres como esquilos, por exemplo.
— Existem esquilos Dominados pelo Caos? — Rafe perguntou.
Jasper não respondeu. Ele estava em êxtase.
— Talvez seja por isso que Constantine fez o que fez. Talvez o vazio o tenha deixado maluco. Não sabemos ao certo. Tudo que sabemos é que ele tentou uma experiência que ninguém tentara antes. Era muito difícil. Destruiu seu contrapeso e quase o matou.
— Você se refere ao irmão dele? — disse Call, cuja voz saiu um pouco estranha no final da frase. Mas o lobo parou de morder e começou a lamber seu peito. O menino também tinha certeza de que estava coberto de baba.
— É. Ele morreu no chão da sala de experiências. Ele viu seu próprio fantasma...
— Cale a boca, Jasper. — Tamara tinha um dos braços ao redor de outra garota do Ano de Ferro cujos lábios tremiam.
— Bem, de qualquer forma, Jericho foi morto. E talvez vocês tenham achado que isso deteve Constantine, mas só o tornou pior. Ele ficou obcecado por encontrar uma maneira de trazer o irmão de volta, por usar a magia do caos para trazer os mortos de volta.
Célia assentiu.
— Necromancia. Isso é totalmente proibido.
— Ele não conseguiu fazer isso, mas foi bem-sucedido ao colocar a magia do caos nos seres humanos, o que criou o primeiro Dominado pelo Caos. Parecia arrancar a alma das pessoas, de forma que elas não sabiam mais quem eram. Elas lhe obedeciam sem questionar. Não era o que Constantine queria e talvez ele nem tivesse a intenção de fazer aquilo, mas nem isso fez com que parasse com suas experiências. Por fim, outro mestre descobriu o que Constantine fazia. Eles tentaram descobrir uma forma de tirar o poder dele, mas não sabiam que o Mestre Joseph ainda era leal a ele. O Mestre Joseph conseguiu tirá-lo do Magisterium. O professor explodiu uma das paredes do Magisterium e levou Constantine com ele. Várias pessoas disseram que a explosão quase matou os dois e que Constantine ficou terrivelmente assustado. Ele agora usa uma máscara de prata para esconder as cicatrizes. Os animais Dominados pelo Caos que ele criou também fugiram após a explosão, o que explica por que há tantos deles pela floresta ao redor da escola.
— Então você está dizendo que o Inimigo da Morte ficou desse jeito por causa do Magisterium? — disse Call.
— Não — Jasper o corrigiu. — Não foi isso o que eu...
Eles avistaram o Portão das Missões, o que distraiu Call com a promessa de que, quando conseguisse voltar para o seu quarto, seria um milhão de vezes mais fácil esconder o lobo. Pelo menos seria mais fácil escondê-lo de todas as pessoas que não eram seus colegas de quarto. Ele daria um pouco de água e comida para o lobo e então... e então pensaria no que fazer.
Os portões estavam abertos. Eles passaram pelas inscrições O conhecimento e a ação são duas faces da mesma moeda e entraram nas cavernas do Magisterium, onde uma lufada de ar quente atingiu Call bem no rosto, apresentando-lhe outro problema. Do lado de fora, estava um gelo. Ali dentro, enquanto eles seguiam para seus quartos, ele logo estaria morrendo de calor com aquele casaco fechado até o queixo.
— E então, o que Constantine queria? — perguntou Rafe.
— Como? — Jasper parecia distraído.
— Na sua história. Você disse que “não era isso o que ele queria”. Os Dominados pelo Caos. Por que não?
— Porque ele queria trazer o irmão de volta. — Call não acreditava que Rafe podia ser tão lerdo. — E não uns... zumbis.
— Eles não são zumbis — Jasper explicou. — Os Dominados pelo Caos não comem pessoas. Eles só não têm memória nem personalidade. São... ocos.
Eles estavam próximo às salas do Ano de Ferro, e havia candeeiros cheios de pedras flamejantes espaçados pelos corredores. Graças ao pacote peludo que carregava na barriga, a temperatura do corpo de Call se elevou. Para completar, o lobo respirava com seu bafo quente no pescoço do menino. Na verdade, ele até achou que o bicho devia ter caído no sono.
— Como você sabe tanto sobre o Inimigo da Morte? — Rafe perguntou, com um fio de dureza na voz.
Call não ouviu a explicação de Jasper porque Tamara sussurrou no ouvido dele:
— Está tudo bem? Você está ficando meio roxo.
— Estou bem.
Ela o examinou por um momento.
— Tem alguma coisa enfiada debaixo do seu casaco?
— Meu cachecol — ele respondeu, esperando que ela não lembrasse que ele não estava usando um.
Ela franziu o cenho.
— E por que você está usando cachecol?
Call deu de ombros.
— Eu estava com frio.
— Call...
Eles já tinham chegado a seus aposentos.
Respirando aliviado, Call encostou o bracelete na porta e deu passagem para Tamara. Ela ainda acenava para se despedir dos colegas quando o menino bateu a porta atrás deles e cambaleou até o seu quarto.
— Call! — Tamara o chamou. — Você não acha que a gente deveria... eu não sei, conversar? Sobre o Aaron?
— Mais tarde — Call arfou, se jogando na cama e fechando a porta com um chute. Ele caiu de costas no colchão bem na hora em que o lobo passou a cabeça pela gola do casaco e olhou ao redor.
Livre, o animal parecia loucamente empolgado e pulava pelo quarto, suas unhas fazendo barulho sobre o chão de pedra. Call rezou para Tamara não ouvir o lobo farejar o caminho até debaixo da cama de Call, ao redor do armário e por cima do pijama que Call jogara no chão quando foi acordado mais cedo.
— Você precisa de um banho — ele disse ao lobo. O filhote parou de rolar pelo chão, com as pernas no ar, balançando a cauda e com a língua pendurada em um dos cantos da boca. Quando o menino olhou para os olhos estranhos e mutantes da criatura, lembrou-se das palavras de Jasper: “Eles não têm memórias nem personalidade. São... ocos.”
Aquele lobo, porém, tinha muita personalidade.
O que significava que Jasper não entendia tanto sobre os Dominados pelo Caos quanto pensava. Talvez os Dominados fossem daquele jeito quando o Inimigo os criou, talvez tivessem ficado ainda mais vazios ao longo de suas vidas, mas aquele filhote de lobo nasceu com o caos dentro de si.
Ele crescera daquele jeito. Ele não era o que os magos pensavam.
As palavras do seu pai voltaram à mente de Call, fazendo com que ele sentisse um calafrio que nada tinha a ver com a baixa temperatura.
“Você não sabe o que você é.”
Afastando aquele pensamento, Call subiu na cama, chutou as botas para longe e colocou a cabeça no travesseiro. O lobo pulou ao lado dele, cheirando a agulhas de pinheiro e terra recém-revirada. Por um momento, Call imaginou se o lobo iria mordê-lo. Porém, em vez disso, ele se aninhou ao lado dele, rodeando-o duas vezes antes de jogar o corpinho sobre sua barriga. Com o peso quente do lobo Dominado pelo Caos sobre si, Call caiu no sono imediatamente.

18 comentários:

  1. Gente e c ele for o irmao do inimigo q ele ressucitou? 😨😨😨😨

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  2. Estou pensando seriamente que a mãe dele tenha sido dominada pelo caos antes de ele nascer e ele tenha nascido já dominado pelo caos, como o lobo.

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    1. Ou que o pai dele tenha realmente o matado, como a mãe dele pediu (ou estava fazendo isso qua do ele jogou a faca).
      Ele pode ser o que já está morto que o Elemental falou.
      Altas ideias na minha cabeça...

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  3. Também acho q ele já nasceu consumido pelo caus como o lobinho e que a mãe dele mandou matar ele por esse motivo.
    Essa história ta mais legal do que eu imaginei!!!

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  4. ESSE MENINO É LOKOOO?????


    Como assim ele leva um lobo dominado pelo caos pra dentro do quarto, depois de quase ser morto pela família desse lobinho...

    Esse menino tem probleminhas com os animais ¬¬
    (por isso já gosto dele kkkkk)

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    1. Tipo, ele me lembra o Hagrid ou o Newt Scammander (é assim que escreve?)
      Adotando os animais que são um tanto que perigosos

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  5. Também acho que ele já nasceu dominado pelo caos. E o lobo não vai fazer nada pra ele, mesmo se fosse mal, já que ele também é um dominado pelo caos.

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  6. Pessoal, to achando aqui q o bracelete podia ser do Constantine, já q ele n completou o período no magisterium

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    1. Não tinha pensado nessa hipótese... mas faz muito sentido.

      Ezequiel

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  7. Ok, vamos ligar os fatos:
    1° Aaron foi o melhor na pontuação dos testes = Jasper disse que os Makar têm de ser bons com magia.
    2° O bracelete = Constanttine não terminou os estudos no Magisterium, e a pedra negra pode significar o controle do Caos.
    3° O bracelete ser enviado junto à carta = o pai do Call estava tentando dizer que o Call também é um Makar ou que ele é um Dominado pelo Caos desde que nasceu.
    Explicação do 3° = A mãe do Call pode ter sido dominada pelo Caos antes do Call nascer, e assim como o lobinho, Call é até "normal" se for comparado com o restante.
    4° = Um irá falhar, um irá morrer e o outro já está morto = Aaron, como Makar, tem a missão de derrotar o Inimigo da Morte, ou seja, ele irá falhar. Tamara é sempre a que raciocina mais, e também é a que mais conhece o Magisterium, mas assim como a irmã, ela pode morrer lá. E o Call, a mãe dele pode ter pedido para o Alastair matar o filho, e naquele rebuliço que teve no dia do teste, o pai do Call jogou uma adaga nele, ou seja, um já está morto.


    Tô muito doida com essas teorias :p

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    1. Mas a adaga não chegou a atingir ele. O Aaron é o que tem que derrotar o inimigo ,então provavelmente ele vai derrotar o inimigo e vai acabar morrendo . A Tamara é a que sempre acerta, então um dia ela tem que falhar. E o Call é o que já está morto. Por que? Bom,eu ainda não entendi muito bem.

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  8. Call só pode ser o que já está morto porque é dominado pelo caos

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    1. Ué, mas pq vc acha que ele é um Dominado pelo Caos?

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  9. Acho q ele é o irmão encarnado ,o contrapeso ,o mestre rofus disse q havia escolhido os 3 por serem o complemento um do outro.

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  10. Não acho que a mãe do Call era dominada pelo caos porque senão ela não estaria na caverna com os outros magos na guerra. Se ela fosse mesmo dominada pelo caos, ela seria "oca". Mas acho que o Call tem alguma coisa do caos nele. Só não sei se ele é dominado, igual ao filhote, ou um makar como o Aaron

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  11. Se um lobo bebê dominado pelo Caos pode manter a personalidade, um bebê humano também poderia. Se minha teoria estiver errada eu vou me bater muito! Ou talvez o cara tenha conseguido ressucitar o irmão em um outro corpo, como uma reencarnação? Ah, só mais um capítulo 😈

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  12. Tantas teorias
    Eu estou tão confusa que nem me arrisco em tentar uma
    Estou curiosa com o desenrolar da história

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  13. É engraçado ver os outros criando teorias quando se já sabe o final do livro.
    Tu começa pensar que tu poderia ter imaginado que aquilo ia acontecer.
    É legal ver as teorias dos outros e perceber como tu era burra de não ter pensado em algumas coisas que poderiam acontecer...

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Boa leitura :)