26 de janeiro de 2017

Capítulo 7

— Então Foldar está morto. Isso é um alívio — Douglas estava andando pelo seu escritório enquanto escutava Gilan contar do ataque ao comboio. — Você sabe que tomou um grande risco ao trocar o dinheiro de volta para a carruagem pequena e enviá-la sem proteção.
Gilan fez um gesto de desprezo.
— Não realmente. Eu estava confiante de que o informante de Foldar iria relatar a ele que o dinheiro estava na carruagem grande.
Os olhos Barão Douglas se estreitaram por um momento quando encontrou o olhar firme de Gilan. Então, como sempre, ele desviou.
— Hmm... sim. O informante. Qualquer ideia de quem poderia ser?
— Bem — Gilan falou deliberadamente — além de você e de mim, só uma pessoa sabia que o dinheiro estaria para estar na grande carruagem.
— Philip?
Gilan assentiu.
— Exatamente.
Agora, o Barão balançou a cabeça, triste.
— Eu nunca teria pensado nele! O homem está comigo há anos. Ainda assim, acho que se a tentação é grande o suficiente, qualquer um pode ficar mau — ele suspirou profundamente, obviamente achando toda a questão inoportuna. — Acho que é melhor chamá-lo aqui então.
— Se você puder — Gilan concordou.
Eles esperaram em silêncio durante os poucos minutos que levou para Philip chegar. O senescal entrou no escritório do barão com cautela. Ele olhou para o arqueiro e para o Barão.
É claro que ele sabia sobre os acontecimentos que tiveram lugar no início do dia. Era inteligente para perceber que estava sob suspeita como uma das poucas pessoas que tinham o conhecimento do falso paradeiro do dinheiro dos impostos.
— Por que fez isso, Philip? — O Barão começou com sua voz carregada de decepção.
— Meu senhor? — Philip respondeu hesitante.
Até agora, ele não tinha sido acusado de nada, embora soubesse que não poderia estar muito longe.
Gilan levantou a mão para impedir o Barão de dizer mais.
— Eu posso, Barão Douglas? — falou, e o Barão sinalizou sua aquiescência para Gilan lidar com o questionamento. Ele virou-se, as mãos cruzadas atrás das costas, uma imagem de confiança traída.
— Philip — Gilan disse calmamente — o que você estava fazendo na casa de Ambrose?
O Barão virou rapidamente de volta para encará-los, uma expressão perplexa no rosto. O rosto de Philip mostrou surpresa também. Mas não houve confusão lá.
Ele sabia ao que Gilan estava se referindo.
— Ambrose? — Douglas repetiu. — Quem diabos é Ambrose?
— Ambrose é um rico comerciante no vilarejo — Gilan explicou — Philip lhe devia dinheiro.
O senescal abaixou a cabeça.
— Você sabe sobre isso? — ele disse, sua voz quase inaudível.
O barão agora avançou, parando perto de Philip, dominando o menor homem quando ele se sentou caiu, de cabeça baixa, incapaz de encontrar seu olhar barão.
— Então você pegou o dinheiro de Foldar e traiu seu feudo? Me traiu?
Philip olhou para cima agora, angústia e perplexidade em seu rosto.
— Foldar? — repetiu ele. — Eu nunca peguei dinheiro de Foldar, meu senhor. Eu juro.
— Então como é que você paga suas dívidas? — O barão exigiu com raiva e novamente a cabeça de Philip afundou.
Ele abriu a boca para responder, mas Gilan foi mais rápido.
— Ele roubou do dinheiro dos impostos já recolhidos — disse ele, e os dois homens olharam para ele com surpresa.
— Ele o quê? — O barão perguntou, um segundo antes de Philip conseguir responder.
— Eu nunca quis ficar com ele. Eu sempre tive a intenção de pagar! Eu juro. E eu ia pagar.
— Eu sei — Gilan respondeu. Ele olhou agora para o barão. — Nos últimos meses, Philip tem passado as noites trabalhando para Ambrose e alguns dos outros comerciantes da vila. Eu o vi na outra noite, quando ele voltou da casa de Ambrose com um grande saco de dinheiro. Ele colocou-o no cofre. Era um distinguível saco branco, e eu o vi quando carreguei o dinheiro na carruagem, noite passada. Eu me perguntava, então: se um homem estivesse planejando ajudar Foldar a roubar o dinheiro dos impostos, por que se daria ao trabalho de substituir o dinheiro que ele já tinha roubado?
— Mas... o que ele fez para estes comerciantes? — O barão perguntou, confuso.
Mais uma vez, Philip pareceu envergonhado.
— Eu estava ajudando-os com suas contas. Seus registros estavam muito desleixados e todos pagavam impostos muito maiores do que eram obrigados. Eu mostrei a eles como reduzir seus impostos. Eles me pagaram pelos meus serviços, e quando eu tinha ganhado o suficiente, substituí o dinheiro que peguei emprestado da tesouraria — ele olhou suplicante para Gilan — foi tudo perfeitamente legal, eu juro.
Gilan escondeu um sorriso.
— Talvez. Se foi ético é outra questão. Pode-se dizer que você tem um conflito de interesses, sendo o responsável pela cobrança dos impostos, em primeiro lugar — ele se virou para o Barão. — O fato é, meu senhor, que Philip não é o nosso traidor.
— Então quem é? — Douglas perguntou.
Gilan encarou-o com um olhar fixo. Depois de alguns segundos, os olhos do Barão baixaram. Então Gilan falou calmamente.
— Você é, meu senhor.
— Eu? Não seja ridículo! — Todo o barulho estava de volta à voz do Barão agora. — Por que eu trairia o feudo e o reino por Foldar?
— As razões habituais, eu suponho. O dinheiro provavelmente figura entre eles. E eu suspeito que você fosse secretamente ligado a Foldar e Morgarath durante a rebelião. Talvez Foldar estivesse ameaçando a expor o fato se você não o ajudasse. Tenho certeza de que tudo vai ficar claro no seu julgamento.
— Ridículo! — o Barão Douglas gritou, como se o volume de alguma forma se equiparasse com sua inocência. — Como eu poderia estar ligado a Foldar? Eu nunca conheci o homem!
— Foi o que me disse quando eu cheguei — disse Gilan. — E então, certa vez, você me disse: “Aqueles seus olhos são o suficiente para provocar arrepios na espinha. Eles são frios e sem vida, como os de uma cobra”. Uma coisa estranha de dizer se você nunca o conheceu.
O barão olhou desesperadamente ao redor da sala, procurando uma maneira de escapar. Seus olhos caíram sobre o punhal estendido sobre a mesa e ele se lançou sobre ele.
Mas Philip foi mais rápido. Ele pulou para frente da mesma forma, pegando o pesado tinteiro e jogando o objeto e seu conteúdo na cara do barão. Douglas cambaleou para trás, arranhando seus olhos, tentando esfregar a tinta preta pesada fora deles.
— Você teria me visto ser preso por seu crime! — Philip gritou.
O barão finalmente limpou os olhos, de modo que tinha uma visão parcial. Ele se encontrou encarando a comprida espada de Gilan. O arqueiro sorriu para ele, mas não havia humor real no sorriso.
— Vamos partir para o Castelo Araluen esta tarde — comunicou. — Eu espero que você tente escapar no caminho.
Desta vez, Douglas conseguiu sustentar o olhar de Gilan. O que ele viu ali o fez desanimar. Decidiu então que não haveria tentativa de fuga. Gilan pegou um par de algemas de dedos de couro e madeira de um bolso interno e jogou para Philip.
— Coloque isso nele, tudo bem?
O senescal assentiu, então hesitou.
— Quem vai estar no comando aqui, quando ele se for?
Gilan levantou uma sobrancelha.
— No momento, eu acho que você. Depois disso, nós vamos ter que ver. Apenas tente garantir que o Rei receba algum imposto deste feudo, ok?
Philip assentiu várias vezes enquanto se ocupava em prender as mãos do Barão atrás das costas.
— É claro. Tudo que ele tiver direito — então ele não pôde resistir dar um leve sorriso. — Mas não mais.
— É justo — Gilan embainhou sua espada e levou Douglas pelo cotovelo, empurrando-o para a porta.
Enquanto eles iam para a saída, virou para o senescal, que estava ajoelhado para limpar a tinta derramada no chão do escritório.
— Eu ouvi dizer que a pena é mais poderosa que a espada — disse Gilan. — Mas eu nunca soube que o tinteiro poderia ser mais poderoso que uma adaga.

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