30 de janeiro de 2017

Capítulo 71

A rainha dos feéricos estava exatamente como Aelin se lembrava. Túnica escura, um belo rosto pálido sob o cabelo ônix, lábios vermelhos em um sorriso fraco... Nenhuma coroa adornava sua cabeça, pois todos os que respiravam, mesmo os mortos que dormiam, a conheceriam como quem ela era.
Sonhos e pesadelos ganhando forma. A face escura da lua.
E, ajoelhada diante de Maeve, uma sentinela de pedra segurava uma espada na garganta nua de Elide, que tremia. Seus guardas, todos homens de armaduras de Ansel, provavelmente tinham sido mortos antes que pudessem gritar um aviso. Pelas armas que estavam apenas metade fora de suas bainhas, eles não tiveram sequer a chance de lutar.
Manon tinha ficado imóvel como a morte ao ver Elide, suas unhas de ferro deslizando em liberdade.
Aelin forçou um meio sorriso em sua boca, empurrou seu coração cru e sangrando em uma caixa dentro de seu peito.
— Não é tão impressionante como Doranelle, se me perguntar, mas pelo menos um pântano realmente reflete sua verdadeira natureza, sabe? Será uma nova casa maravilhosa para você. Definitivamente vale o custo de percorrer todo esse caminho para conquistá-la.
Na extremidade da colina que descia para a praia, um pequeno grupo de guerreiros feéricos os monitorava. Machos e fêmeas, todos armados, todos estranhos. Um navio maciço, elegante, flutuava na baía calma além.
Maeve sorriu ligeiramente.
— Que alegria, saber que seu bom espírito habitual permanece sem modificações em dias tão sombrios.
— Como não poderia, quando tantos de seus belos homens estão em minha companhia?
Maeve inclinou a cabeça, a pesada cortina de cabelos escuros deslizando por um ombro. E como se em resposta, Lorcan apareceu na borda das dunas, ofegante, os olhos selvagens, espada para fora. Seu foco – e horror, Aelin percebeu – em Elide. Na sentinela segurando a lâmina contra seu pescoço branco. Maeve deu um pequeno sorriso ao guerreiro, mas olhou para Manon.
Com sua atenção em outro lugar, Lorcan tomou um lugar ao lado de Aelin – como se eles fossem de alguma forma aliados nisso, que lutariam costas à costas. Aelin não se incomodou em dizer nada a ele. Não quando Maeve disse à bruxa:
— Conheço seu rosto.
Aquele rosto permaneceu frio e impassível.
— Deixe a menina ir.
Uma risada pequena e rouca.
— Ah — o estômago de Aelin se contraiu quando aquele foco antigo mudou para Elide. — Reivindicada por uma rainha, bruxa e... meu tenente, ao que parece.
Aelin ficou tensa. Ela não achava que Lorcan respirava ao lado dela.
Maeve brincou com uma mecha de cabelo macia de Elide. A Senhora de Perranth estremeceu.
— A moça que Lorcan Salvaterre me chamou para salvar.
Aquela onda de poder de Lorcan no dia em que a frota de Ansel se fechou... ela sabia que era uma invocação. Da mesma forma que ela convocara os valgs para a Baía do Crânio. Ela se recusara a explicar imediatamente a presença de Ansel, querendo desfrutar da surpresa, e ele convocara a frota de Maeve para enfrentar o que acreditava ser uma frota inimiga. Para salvar Elide.
— Desculpe — Lorcan apenas disse.
Aelin não sabia se era para ela ou Elide, cujos olhos agora se arregalavam com indignação. Mas Aelin respondeu:
— Você acha que eu não sabia? Que não tomei precauções?
Lorcan franziu as sobrancelhas. Aelin deu de ombros.
Mas Maeve prosseguiu:
— Lady Elide Lochan, filha de Cal e Marion Lochan. Não é de admirar que a bruxa se coce para recuperá-la, se sua linhagem corre em suas veias.
Manon grunhiu um aviso.
Aelin arrastou a voz para a rainha dos feéricos.
— Bem, você não arrastou sua carcaça velha até aqui por nada. Então vamos continuar com isso. O que você quer pela garota?
O sorriso de víbora curvou os lábios de Maeve de novo.



Elide tremia. Cada osso, cada poro tremia de terror pela rainha imortal que estava acima dela, pela lâmina do guarda em sua garganta. O resto da escolta da rainha permanecia distante – mas era para a escolta que Lorcan continuava olhando, seu rosto apertado, seu próprio corpo quase tremendo com ira contida.
Esta era a rainha a quem ele tinha dado o seu coração? Esta criatura fria que olhava para o mundo com olhos sem graça? Que matou aqueles soldados sem um piscar de hesitação?
A rainha que Lorcan tinha convocado por ela. Ele trouxe Maeve para salvar a ela...
A respiração de Elide ficou aguda em sua garganta. Ele os havia traído. Traído Aelin por ela...
— O que devo exigir como pagamento pela menina? — Maeve refletiu, dando alguns passos na direção deles, graciosa como um raio de luar. — Por que meu tenente não me diz? Tão ocupado, Lorcan. Você tem estado tão, tão ocupado esses meses.
Sua voz estava rouca quando ele baixou a cabeça.
— Eu fiz isso por você, Majestade.
— Então, onde está meu anel? Onde estão minhas chaves?
Um anel. Elide estava disposta a apostar que era o dourado em seu próprio dedo, escondido sob a outra mão enquanto as apertava diante dela.
Mas Lorcan apontou o queixo para Aelin.
— Ela as tem. Duas chaves.
Frio ressoou através de Elide.
— Lorcan — a lâmina do guarda se contraiu em sua garganta.
Aelin apenas olhou fixamente para Lorcan.
Ele não olhou para Elide ou Aelin. Não reconheceu a existência delas enquanto continuava:
— Aelin tem duas, e provavelmente tem uma boa noção onde Erawan esconde a terceira.
— Lorcan — implorou Elide. Não... não, ele não estava prestes a fazer isso, prestes a traí-los novamente...
— Fique quieto — rosnou para ele.
O olhar de Maeve se voltou para Elide. A escuridão antiga e eterna contida ali sufocando-a.
— Que familiaridade você usa quando fala o nome dele, Senhora de Perranth. Que intimidade.
O pequeno bufo de Aelin foi seu único sinal de aviso.
— Você não tem coisas melhores a fazer do que aterrorizar os humanos? Liberte a garota e vamos resolver isso da maneira divertida.
Chamas dançaram nas pontas dos dedos de Aelin.
Não. Sua magia tinha sido esvaziada, ela ainda pairava perto da combustão.
Mas Aelin deu um passo à frente, cutucando Manon com o lado de seu corpo enquanto passava – forçando a bruxa a se afastar. Aelin sorriu.
— Quer dançar, Maeve?
Mas Aelin lançou um olhar cortante sobre o ombro de Manon como se dissesse: Corra. Agarre Elide no momento em que a guarda de Maeve estiver em pânico e corra.
Maeve devolveu o sorriso de Aelin.
— Não acho que você seria uma parceira de dança adequada agora. Não quando sua magia está quase esgotada. Achou que minha chegada foi meramente dependente da convocação de Lorcan? Quem acha que sussurrou para Morath que você estava aqui mesmo? Claro, os tolos não perceberam que, quando você se esgotasse naqueles exércitos, eu estaria esperando. Você já estava exausta depois de apagar os incêndios que minha armada causou para cansá-la na costa de Eyllwe. Foi conveniente que Lorcan tenha dado sua localização precisa e me salvou a energia de rastreá-la.
Uma armadilha. Uma armadilha enorme e perversa. Para drenar o poder de Aelin durante dias, semanas. Mas Aelin levantou uma sobrancelha.
— Trouxe uma frota inteira só para começar alguns incêndios?
— Trouxe uma frota para ver se você se levantaria para a ocasião. O que, aparentemente, o príncipe Rowan fez.
A esperança se elevou no peito de Elide. Mas então Maeve continuou:
— A frota foi uma precaução. Só no caso de os ilkens não chegarem para esgotá-la totalmente... pensei que algumas centenas de navios fariam uma boa fogueira até que eu estivesse pronta.
Sacrificar sua própria frota – ou parte dela – para ganhar um prêmio... Isso era loucura. A rainha estava completamente louca.
— Faça alguma coisa — Elide sibilou para Lorcan, para Manon. — Faça alguma coisa.
Nenhum deles respondeu.
A chama que rodeava os dedos de Aelin cresceu para abarcar a mão dela – e depois o braço, enquanto dizia para a antiga rainha:
— Tudo o que ouço é um monte de conversa.
Maeve olhou para seu guarda, e eles se afastaram. Puxando Elide com eles, a lâmina ainda em sua garganta.
Aelin disse bruscamente a Manon:
— Saia do alcance.
A bruxa foi para trás, mas seus olhos estavam no guarda segurando Elide, devorando cada detalhe que podia.
— Você não pode possivelmente esperar ganhar — Maeve observou, como se estivessem prestes a jogar cartas.
— Pelo menos vamos nos divertir até o fim — Aelin berrou de volta, a chama agora envolvendo-a completamente.
— Oh, eu não tenho nenhum interesse em matá-la — Maeve ronronou.
Então eles explodiram.
A chama explodiu para fora, vermelha e dourada – exatamente quando uma parede de escuridão açoitou Aelin.
O impacto sacudiu o mundo.
Até Manon foi derrubada no chão.
Mas Lorcan já estava se movendo.
O guarda segurando Elide banhou seu cabelo com sangue quando Lorcan cortou sua garganta.
Os outros dois guardas atrás dele morreram com um machado no rosto, um após o outro. Elide se ergueu, sua perna gritando de dor, correndo para Manon em um instinto puro e cego, mas Lorcan a agarrou pela gola da túnica.
— Tola estúpida — ele estalou, e ela arranhou-o...
— Lorcan, segure a moça — falou Maeve calmamente, sem sequer olhar para eles. — Não fique com ideias estúpidas sobre fugir com ela. — Ele parou completamente, segurando-a com força.
Maeve e Aelin se atacaram novamente.
Luz e escuridão.
A areia tremeu pelas dunas, as ondas bateram.
Só agora... Maeve só ousara atacar Aelin agora.
Porque Aelin em sua força total...
Aelin podia derrotá-la.
Mas Aelin, quase esgotada de seu poder...
— Por favor — Elide suplicou a Lorcan. Mas ele a segurava firme, escravo da ordem que Maeve tinha dado, um olho nas rainhas lutadoras, o outro nos acompanhantes que não eram tolos o suficiente para se aproximar depois de testemunhar o que tinha feito com seus companheiros.
— Corra — Lorcan disse em seu ouvido. — Se você deseja viver, corra, Elide. Empurre-me – trabalhe em torno do comando dela. Empurre-me e corra.
Ela não faria isso. Ela preferia morrer do que fugir como uma covarde, não quando Aelin cairia por todos eles, quando...
A escuridão devorava a chama.
E até mesmo Manon se encolheu quando Aelin foi batida de volta.
Uma fina parede de chamas manteve a escuridão afastada. Uma parede que vacilou...
Ajuda. Eles precisavam de ajuda...
Maeve açoitou à esquerda, e Aelin levantou uma mão, o fogo desviando.
Aelin não viu o golpe à direita. Elide gritou em advertência, mas tarde demais.
Um chicote preto cortou Aelin.
Ela caiu
E Elide achava que o impacto dos joelhos de Aelin Galathynius batendo na areia poderia ter sido o som mais horrível que já tinha ouvido.
Maeve não desperdiçou a vantagem.
A escuridão desceu, batendo de novo e de novo. Aelin desviou, mas passou por ela.
Não havia nada que Elide podia fazer enquanto Aelin gritava.
Enquanto aquele poder escuro, antigo golpeou-a como um martelo sobre uma bigorna.
Elide implorou a Manon, agora a poucos metros de distância:
— Faça alguma coisa.
Manon a ignorou, os olhos fixos na batalha diante delas.
Aelin rastejou para trás, o sangue escorrendo pela narina direita. Gotejando em sua camisa branca.
Maeve avançou, a escuridão girando em torno dela como um vento caído.
Aelin tentou se levantar.
Tentou, mas suas pernas estavam cansadas. A rainha de Terrasen ofegou, o fogo cintilando como brasas em torno dela.
Maeve apontou com um dedo.
Um chicote negro, mais rápido que o fogo de Aelin, atacou. Envolveu sua garganta. Aelin segurou-o, debatendo-se, os dentes para fora, a chama flamejando mais e mais.
— Por que não usa as chaves, Aelin? — Maeve ronronou. — Certamente você ganharia dessa maneira.
Use-as, implorou Elide. Use-as.
Mas Aelin não o fez.
A espiral de escuridão se apertou em torno da garganta de Aelin.
As chamas se acenderam e desapareceram.
Então a escuridão se expandiu, englobando Aelin novamente e espremendo apertado, apertando até que ela estivesse gritando, gritando de uma forma que Elide sabia que significava agonia insondável...
Um grunhido baixo, vicioso veio de perto, o único aviso quando um lobo maciço saltou atravessando o mato e se transformou. Fenrys.
Um batimento cardíaco mais tarde, um leão de montanha subiu uma duna, vendo a cena, e se transformou também. Gavriel.
— Deixe-a ir — grunhiu Fenrys à rainha sombria, avançando um passo. — Deixe-a ir agora.
Maeve virou a cabeça, aquela escuridão ainda atacando Aelin.
— Olha quem finalmente chegou. Outro grupo de traidores — ela alisou uma ruga em seu vestido fluindo. — Que grande esforço você fez, Fenrys, atrasando sua chegada nesta praia contanto que pudesse resistir à minha convocação. — Ela estalou a língua. — Gostou de brincar de súdito leal enquanto ofegava atrás da jovem Rainha de Fogo?
Como se em resposta, a escuridão apertou – e Aelin gritou novamente.
— Pare com isso — disse Fenrys.
— Maeve, por favor — falou Gavriel, expondo as palmas das mãos para ela.
— Maeve? — a rainha cantou. — Não Majestade? O Leão está um pouco feroz? Talvez tempo demais com seu desgraçado bastardo mestiço?
— Deixe-o fora disto — Gavriel respondeu suavemente.
Maeve afastou a escuridão ao redor de Aelin.
Estava enrolada de lado, sangrando de ambas as narinas agora, mais sangue saindo de sua boca ofegante.
Fenrys pulou para ela. Uma negra surgiu entre eles.
— Não penso assim — murmurou Maeve.
Aelin ofegou pelo ar, olhos vidrados de dor. Olhos que deslizaram para Elide. A boca sangrenta, rachada de Aelin formou a palavra novamente. Corra.
Ela não faria isso. Não podia.
Os braços de Aelin tremeram quando ela tentou se erguer. E Elide sabia que não restava magia.
Não restava fogo na rainha. Nenhuma brasa.
E a única maneira que Aelin podia enfrentar, aceitar isso, era cair lutando. Como Marion o fizera.
As respirações úmidas e duras de Aelin eram o único som acima das ondas quebrando atrás deles. Até mesmo a batalha tinha ficado silenciosa à distância. Demais – ou talvez todos estivessem mortos.
Manon ainda estava lá. Ainda não se movia. Elide implorou:
— Por favor. Por favor.
Maeve sorriu para a bruxa.
— Eu não tenho nenhuma disputa com você, Bico Negro. Fique fora disso e está livre para ir onde quiser.
— Por favor — implorou Elide.
Os olhos dourados de Manon estavam duros. Frios. Ela acenou com a cabeça para Maeve.
— Combinado.
Alguma coisa no peito de Elide se rachou.
Mas Gavriel disse de seu pequeno círculo:
— Majestade... por favor. Deixe Aelin Galathynius com sua própria guerra aqui. Vamos voltar para casa.
— Casa? — perguntou Maeve. A parede preta entre Fenrys e Aelin baixou, mas o guerreiro não tentou atravessar. Ele só olhou para Aelin, olhou para ela daquela forma que a própria Elide devia estar olhando. Ele não quebrou aquele olhar até que Maeve disse a Gavriel: — Doranelle é ainda a sua casa?
— Sim, Majestade — respondeu Gavriel com calma. — É uma honra chamá-la assim.
— Honra... — refletiu Maeve. — Sim, você e sua honra andam de mãos dadas, não é? Mas o que dizer da honra de seu voto, Gavriel?
— Eu cumpri a minha promessa.
— Será que eu ordenei ou não que executassem Lorcan à primeira vista?
— Houveram... circunstâncias que impediram de acontecer. Nós tentamos.
— Mas você falhou. Eu não deveria disciplinar meus juramentados de sangue que falham?
Gavriel abaixou a cabeça.
— É claro, vamos aceitá-lo. E eu também assumirei o castigo que a senhora destinou para Aelin Galathynius.
Aelin levantou a cabeça ligeiramente, os olhos vidrados se abriram. Ela tentou falar, mas as palavras tinham sido quebradas dela, sua voz perdida por gritar. Elide sabia a palavra que a rainha tentara gritar. Não
Não por ela. Elide perguntou-se se o sacrifício de Gavriel não era só por causa de Aelin. Mas por Aedion. Assim o filho não teria que suportar a dor de sua rainha ser ferida...
— Aelin Galathynius — pensou Maeve. — Tanta conversa sobre Aelin Galathynius. A Rainha Que Foi Prometida. Bem, Gavriel — um sorriso cruel — se está tão interessado na corte, por que não se juntar a ela?
Fenrys se esticou, preparando-se para se esgueirar diante do poder sombrio de seu amigo.
— Eu rompo o juramento de sangue com você, Gavriel — Maeve falou. — Sem honra, sem boa-fé. Você está dispensado do meu serviço e despojado de seu título.
— Sua cadela — disse Fenrys quando a respiração de Gavriel se tornou superficial.
— Majestade, por favor... — sibilou Gavriel, apertando seu braço enquanto garras invisíveis rasgavam duas linhas em sua pele, derramando sangue na grama. Uma marca semelhante apareceu no braço de Maeve, seu sangue derramando.
— Está feito — ela falou simplesmente. — Que o mundo o conheça, um macho de honra, não tendo nenhuma. Que traiu sua rainha por outra, por um bastardo seu.
Gavriel tropeçou para trás – então desabou na areia, uma mão apertada contra o peito. Fenrys rosnou, seu rosto mais lupino do que feérico, mas Maeve riu suavemente.
— Oh, você gostaria que eu fizesse o mesmo, não gostaria, Fenrys? Mas que punição maior para aquele que é um traidor em sua própria alma do que me servir para sempre?
Fenrys sibilou, sua respiração saindo em rajadas rápidas, e Elide se perguntou se ele saltaria sobre a rainha e tentaria matá-la.
Maeve se virou para Aelin.
— Levante-se.
Aelin tentou. O corpo dela falhou.
Maeve estalou a língua, e uma mão invisível puxou Aelin de pé. Os olhos cheios de dor se dissiparam, depois encheram-se de raiva fria quando Aelin percebeu a rainha que se aproximava.
Uma assassina, lembrou Elide. Aelin era uma assassina, e se Maeve chegasse perto o suficiente...
Mas Maeve não o fez. E aquelas mãos invisíveis cortaram as amarras nos cintos de espada de Aelin. Goldryn caiu no chão. Então punhais deslizaram de suas bainhas.
— Tantas armas — Maeve contemplou enquanto as mãos invisíveis desarmavam Aelin com eficiência brutal. Mesmo as lâminas escondidas por baixo das roupas saíam do seu caminho, cortando à medida que avançavam. O sangue escorreu sob a camisa e as calças de Aelin. Por que ela estava ali...
Reunindo sua força. Para uma última investida. Uma última posição.
Deixando a rainha acreditar que ela estava quebrada.
— Por quê? — Aelin murmurou. Comprando tempo.
Maeve tocou um punhal caído, a lâmina molhada com o sangue de Aelin.
— Por que me preocupar com você? Porque eu não posso deixar você se sacrificar para forjar um novo cadeado, posso? Não quando você já tem o que eu quero. E eu soube há muito, muito tempo que você me daria o que eu procuro, Aelin Galathynius, e tomei as medidas para garantir isso.
— O quê? — Aelin sussurrou.
— Você não percebeu? — Maeve perguntou de volta. — Por que eu queria que sua mãe a trouxesse para mim, por que exigi aquelas coisas de você nesta primavera?
Nenhum deles ousou se mover.
Maeve bufou, um delicado e feminino som de triunfo.
— Brannon roubou as chaves de mim, depois que eu as tirei dos valg. Elas eram minhas, e ele as pegou. E então ele se acasalou com aquela deusa de vocês, criando a linhagem de fogo, garantindo que eu pensaria muito antes de tocar sua terra, seus herdeiros. Mas todas as linhagens se desvanecem. E eu sabia que chegaria um tempo em que as chamas de Brannon ficariam embaçadas, e eu estaria pronta para atacar.
Aelin cedeu contra as mãos que a sustentavam.
— Mas em meu poder escuro, vi um vislumbre do futuro. Vi que o poder de Mala aumentaria novamente. E que você me levaria até as chaves. Só você, a única com quem Brannon deixou pistas, aquela que conseguiu encontrar as três. E eu vi quem você era, o que você era. Eu vi quem você amava. Vi seu companheiro.
A brisa do mar sibilando através do mato era o único som.
— Que poço de poder vocês dois seriam... você e o príncipe Rowan. E qualquer descendente dessa união... — um sorriso malicioso. — Você e Rowan poderiam governar este continente se quisessem. Mas seus filhos... seus filhos seriam poderosos o suficiente para governar um império que poderia varrer o mundo.
Aelin fechou os olhos. Os machos feéricos balançavam a cabeça lentamente – não acreditando nisso.
— Eu não sabia quando você nasceria, mas quando o príncipe Rowan Whitethorn veio a este mundo, quando atingiu a maioridade e era o macho feérico puro sangue mais forte no meu reino... você ainda não estava lá. E eu sabia o que teria que fazer. Para atrelá-la. Quebrá-los à minha vontade, entregar essas chaves sem pensar, uma vez que fosse forte e treinada o suficiente para adquiri-las.
Os ombros de Aelin tremiam. As lágrimas deslizaram por seus olhos fechados.
— Foi tão fácil puxar o fio mental certo naquele dia em que Rowan viu Lyria no mercado. Empurrá-lo em outro caminho, enganar aqueles instintos. Uma ligeira alteração do destino.
— Oh, deuses — respirou Fenrys.
— Então seu companheiro foi entregue a outra — Maeve continuou. — E eu o deixei se apaixonar, o deixei ter um filho. E então o quebrei. Ninguém jamais perguntou como aquelas forças inimigas passaram por aquela casa na montanha.
Os joelhos de Aelin fraquejaram completamente. Só as mãos invisíveis a mantinham erguida enquanto chorava.
— Ele fez o juramento de sangue sem questionar. E eu sabia que quando você nascesse, quando tivesse a maioridade... eu me asseguraria de que seus caminhos se cruzassem, e bastaria um olhar para o outro e eu a teria pela garganta. Qualquer coisa que eu pedisse, você me daria. Até as chaves. Pelo seu companheiro, você não poderia fazer menos. Você quase o fez naquele dia em Doranelle.
Lentamente, Aelin moveu os pés e se ergueu, o movimento tão dolorido que Elide se encolheu. Mas Aelin levantou a cabeça, o lábio se curvando para trás dos dentes.
— Eu vou matar você — Aelin rosnou para a rainha feérica.
— Foi o que você disse a Rowan depois de conhecê-lo, não foi? — o sorriso fraco de Maeve demorou-se. — Eu tinha forçado e forçado sua mãe a trazê-la para mim, para que pudesse conhecê-lo, para que finalmente pudesse ter você quando Rowan sentisse o vínculo, mas ela se recusou. E sabemos que bem isso resultou para ela. E durante aqueles dez anos depois, eu sabia que você estava viva. Em algum lugar. Mas quando você veio para mim... quando você e seu companheiro se olhavam apenas com ódio em seus olhos... admito que não previ isso. Que eu tinha quebrado Rowan Whitethorn tão completamente que ele não reconheceu sua própria companheira... que você estava tão quebrada por sua própria dor que não percebeu, também. E quando os sinais apareceram, o vínculo carranam lavou qualquer suspeita da parte dele. Mas da sua não. Quanto tempo se passou, Aelin, desde que você percebeu que ele era seu companheiro?
Aelin não disse nada, seus olhos se revolvendo de raiva, tristeza e desespero.
— Deixe-a em paz — Elide sussurrou.
Lorcan agarrou-a com mais força.
Maeve a ignorou.
— Bem? Quando você soube?
— No templo de Temis — admitiu Aelin, olhando para Manon. — No momento em que a flecha atravessou o ombro dele. Meses antes.
— E você escondeu dele, sem dúvida para salvá-lo de qualquer culpa em relação a Lyria, qualquer tipo de angústia emocional... — Maeve estalou a língua. — Que nobre mentirosa você é.
Aelin encarou o ar, seus olhos ficando vazios.
— Eu tinha planejado que ele estivesse aqui — Maeve continuou, franzindo a testa para o horizonte. — Desde que vocês dois foram embora naquele dia em Doranelle, era então que você poderia me levar até as chaves novamente. Eu até deixei pensar que você tinha se livrado disso, libertando-o. Você não tinha ideia de que eu a desencadeei. Mas se ele não estiver aqui... eu terei que fazer.
Aelin endureceu. Fenrys rosnou em advertência.
Maeve encolheu os ombros.
— Se for um consolo, Aelin, você teria mil anos com o príncipe Rowan. Mais.
O mundo abrandou, e Elide pode ouvir seu próprio sangue rugindo em seus ouvidos enquanto Maeve dizia:
— A linhagem da minha irmã Mab corre verdadeira. Os plenos poderes, mudando as habilidades, e a imortalidade dos feéricos. Você provavelmente está cinco anos do Estabelecimento.
O rosto de Aelin formou uma careta. Isso não era uma drenagem de força mágica e física, mas de espírito.
— Talvez celebremos o seu Estabelecimento juntas — refletiu Maeve — pois certamente não tenho planos de desperdiçá-la naquele cadeado. Desperdiçar as chaves, quando elas são destinadas a ser empunhadas, Aelin.
— Maeve, por favor — respirou Fenrys.
Maeve examinou suas unhas imaculadas.
— O que acho realmente divertido é que parece que nem precisei de você para ser companheira de Rowan. Ou realmente precisar quebrá-lo em tudo. Uma experiência fascinante em meus próprios poderes, se é que vale alguma coisa. Mas como duvido que você ainda vá de boa vontade, pelo menos sem tentar morrer em primeiro lugar, deixarei que tenha uma escolha.
Aelin parecia estar se preparando enquanto Maeve levantou a mão e chamou:
— Cairn.
Os machos ficaram rígidos. Lorcan virou-se perto de Elide, sutilmente tentando arrastá-la para trás, para contornar a ordem que lhe fora dada.
Um belo guerreiro de cabelos castanhos caminhou na direção deles do grupo de acompanhantes. Bonito, se não fosse pela crueldade sádica cantando em seus olhos azuis. Se não fosse para as lâminas em seus lados, o chicote enrolado ao lado do quadril, o sorriso sarcástico. Ela já tinha visto aquele sorriso antes – no rosto de Vernon. Em tantos rostos de Morath.
— Permita-me apresentar o mais novo membro do meu esquadrão, como você gosta de chamá-los. Cairn, conheça Aelin Galathynius.
Cairn se aproximou de sua rainha. E o olhar que o macho deu à rainha de Elide fez seu estômago se virar. Sádico – sim, essa era a palavra para ele, sem que ele mesmo dissesse nada.
— Cairn — Maeve disse — é treinado em habilidades que vocês têm em comum. Claro, você só teve alguns anos para aprender a arte da tortura, mas... talvez Cairn possa ensinar-lhe algumas das coisas que aprendeu em seus séculos de prática.
Fenrys estava pálido de raiva.
— Maeve, eu lhe imploro...
A escuridão bateu em Fenrys, empurrando-o de joelhos, forçando sua cabeça para o chão.
— Isso é o suficiente — sibilou Maeve.
Maeve sorria de novo quando se voltou para Aelin.
— Eu disse que você tem uma escolha. E você tem. Ou você vem de bom grado comigo e se familiariza com Cairn, ou...
Aqueles olhos deslizaram para Lorcan. Para Elide.
E o coração de Elide parou quando Maeve falou:
— Ou eu ainda a levo – e trago Elide Lochan conosco. Tenho certeza de que ela e Cairn se darão bem.

26 comentários:

  1. Não tenho chingamentos o suficiente para oferecer a Maeve,essa filha de uma mãe que morreu de desgosto por causa dela,Maeve,A Rainha Cadela.

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  2. aiaiai o meu ódio por essa mulher não cabe em um comentário, ô mulherzinha RUIM

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    1. Ela merece uma morte lenta e dolorosa, isso é tudo que eu desejo.

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  3. vaca...

    Vaca...


    VAca...

    VACa...


    VACA...


    VACAAAAAA...

    VACA, VACA, VACA, VACA ...


    ISso é o que essa Maeve é 😠😠😠

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  4. nao existem palavras pra descrever o odio que eu to sentindo por essa vaca faz ate hera parecer legal e amaranta menos cruel
    que odioooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
    tia sarah e bom vc arrumar um fim bem doloroso pra maeve

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  5. Apesar de toda a raiva pela Maeve, Rainha da Merda Sagrada, eu ainda só consigo pensar em..... O ROWAN E A AELIN SÃO PARCEIROS!!!!!!!! EU SABIA, MEU CORAÇÃO N AGUENTA.

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  6. Acho que nessas horas aelin ta se arependendo de não ter matado Maeve enquanto estava em dorranele(acho que é assim que se escreve

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  7. Erawan não é nada perto dessa cadela da Maeve

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  8. Eu sabia q o relacionamento do Rowan com a Aelin era forte pra krl, mas eu tô chocada mano, eles são parceiros, companheiros, foram pré-determinados antes mesmo d nascerem, AI MEU CORAÇÃO, ROWAN E AELIN É CASAL MAIS FODA DO MUNDO LITERÁRIO *-*
    cara essa Maeve...DESGRAÇADA, VADIA, PUTA DO KRL, QUE ELA QUEIME LENTAMENTE NO FOGO DO INFERNO, NUNCA SENTI TANTO ÓDIO COMO TÔ SENTINDO AGORA, VÁ TOMAR NO MEIO DO SEU BURACO NEGRO MAEVE Ò.Ó

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  9. E essas bruxas que não chega. .. . Que nervoso que dá! Ahhhhhh. ........

    Flavia

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  10. maeve sua vaca, vaca rosa, puta, putiane, bosta, merda, desgraça, vadia, puta do krl, criatura do mal, cadela, cláudio, idiota, cahta, ódio eterno por vc, queime no inferno, que seu fim seja torturante e o q mais... me ajudem nos xingamentos!

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  11. ELES SAO PARCEIROS EU SABIAAAA1!!!!!!!!

    QUE ÓDIO DESSA MAEVE AAAA MEU DEUS EU QUERO ENTRAR NESSE LIVRO É MATAR ELA

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  12. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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  13. Lorcan,seu desgraçado,eu confiei em vc,eu amei vc (ainda amo ksksksj) Eu to com raiva de mim por n ter raiva dele

    MAEVE SUA FDP

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  14. não aguento. Socorro... por isso que a Meave recusou quando Fenrys pediu para treinar a Aelin. Tinha que ser o Rowan. E A AELIN É IMORTAL VEEEEI! Eu suspeitava desde aquela visão que o Narrok passou pra ela, de um futuro alternativo se ela resolvesse ficar com as chaves. Na visão ela foi descrita como "Amada, IMORTAL, abençoada".

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    1. Ahn ela não é imortal, acho. Pelo o que eu entendi, otal Estabelecimento é a cerimônia para se tornar imortal. Acredito que seja uma escolha

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    2. 🤔 Pelo que eu entendi, estabelecimento é só quando seu corpo para de envelhecer e se mantém em uma idade. Acho que não tem escolha. Embora tenha como se desistir da imortalidade, isso não estaria relacionado com estabelecimento.

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  15. EU SEMPRE SOUBE QUE O ROWAN NÃO TINHA TIDO UMA COMPANHEIRA DE VERDADE, O SOFRIMENTO DELE ERA POR NÃO TER SALVADO A MULHER, E NÃO DE UM HOMEM QUE PERDEU A MULHER QUE AMA, EXISTIA UMA DIFERENÇA ENORME AI, PENA PRA MULHER QUE FOI USADA PARA ESSE FIM.
    MAEVE A PIOR CADELA QUE EXISTE NESSE MUNDO, QUEIMAAAAAA
    DRACARYS

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  16. EU SABIA QUE ELES ERAM PARCEIROS MANOO e isso so faz meu odio pela maeve aumentar

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  17. Pode até parecer meio loucura gente, mas e se o Cairn for o filho do Rowan com a Lyria. Pq todo mundo pensa que ela morreu ainda grávida, mas a Maeve diz o seguinte "E eu o deixei se apaixonar, o deixei ter um filho". Não tem nem palavras pra descrever o qual cruel isso seria.

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  18. Palhaçada to lendo esse livro só por causa da Elide

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  19. 1° AELIN VAI PODER SER IMORTAL!! 😀
    Sabiaaa no fundo do meu core q ela e Rowan são parceiros ❤❤

    2° Se ela n morrer.. Oq eu acho q tem 50% de chance disso acontecer.. Aquela historia de se sacrificar pelo cadeado e tal... Kidsgraça espero q n seja necessário isso 😥

    3° NÃO TEM XINGAMENTOS SUFICIENTES PRA XINGAR ESSA DESGRAÇADA CADELA FILHA DA.. 😡😡

    4° Meu Deus to implorando, q as coisas dêem certo nessa bagaça toda.. Ave Maria, q Aelin sobreviva, q Aelin fique bem... 💔😥

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  20. Prestando atenção nesse capítulo, tem uma diferença bem grande da atitude da Elide pra atitude do Chaol, enquanto personagens quase na mesma situação. Ele literalmente correu enquanto o Dorian foi aprisionado dando a oportunidade pra ele fugir. Enquanto a Elide não, mesmo, basicamente todos dizendo pra ela correr. Ela ficou lá, até o final, mesmo sem poder fazer nada significante pra mudar o rumo da situação. Ela permaneceu.
    Apesar de o foco do capítulo não ser esse, ainda sou bem revolts com o julgamento que o Chaol faz do caráter da Aelin.

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Boa leitura :)