26 de janeiro de 2017

Capítulo 7

Toscana

— Evanlyn? Aqui? O que diabos ela poderia querer? — perguntou Will para ninguém em particular.
Ele nunca pensava na princesa pelo nome real. Ele havia a conhecido como Evanlyn e compartilhou tantos perigos e aventuras com aquele nome que ela seria sempre Evanlyn em sua mente.
A ação imediata de Alyss foi de suspeitar. “Ela está aqui para se meter entre eu e Will”, ela pensou rapidamente. Ela sabia que Will e a princesa eram muito próximos no passado – e continuavam sendo – e isso a fazia esperar o pior de Evanlyn. Pensava nela por esse nome também, pois isso facilitava a não gostar dela. Se pensasse em Evanlyn pelo nome real, Cassandra, teria que lembrar-se de que ela era a princesa real de Araluen e deveria respeitá-la como tal. Como Evanlyn, ela era apenas outra garota tentando botar as mãos em seu namorado.
Depois dessa primeira reação exagerada, Alyss reconheceu que estava sendo irracional. Até Evanlyn não iria passar por tanto esforço para simplesmente colocar-se entre ela e Will, ela percebeu então. Deve haver outra razão, mais importante, por trás de sua chegada súbita. Evanlyn estava ali para cancelar a aceitação araluense sobre as condições do tratado e apagar todo o trabalho duro que Alyss realizou nas negociações nos últimos cinco dias? Talvez a política de Araluen tivesse mudado em relação ao acordo entre Arrida e Toscana? Isso seria extremamente estranho se fosse o caso – afinal, o tratado havia sido assinado e ratificado e ela tinha testemunhado isso em nome da coroa de Araluen.
— Talvez nós devêssemos chama-lá e perguntar a ela  disse Halt em tom de negociação em resposta à pergunta de Will.
Ele havia visto as expressões de concentração no rosto de Alyss e tinha algumas ideias sobre os pensamentos que passavam por sua cabeça. Mas isso não era motivo para deixar a princesa real largada na antessala enquanto Alyss superava seu susto.
— Claro  a alta garota loira disse, reunindo seus pensamentos, chateada consigo mesma por agir de uma forma tão antiprofissional. — Por favor, mostre a ela o caminho, Edmund.
O atendente, que estava ansioso, ciente de que estava deixando a princesa esperando, acenou agradecido e saiu, deixando a porta aberta. Poucos segundos depois ele reapareceu, ficando de lado enquanto a visitante entrava.
— Lady Evanlyn, veio vê-los  ele anunciou.
Halt franziu o cenho. A princesa só usava esse nome em viagens não-oficiais ou incógnitas. Halt sabia que isso a lembrava de um tempo em que sua vida e comportamento não eram adequados aos protocolos reais e procedimentos da corte.
Ele se levantou e deu um passo a frente, suas mãos levantadas para ela. Como um velho amigo e conselheiro, não sentiu a necessidade de ajoelhar-se. Afinal, se ela escolheu viajar incógnita, não deveria esperar tratamento real.
Ela sorriu quando o viu e pegou suas mãos.
— Olá, Halt — disse ela. — É bom te ver.
— Você também, minha senhora  Halt respondeu.
Evanlyn olhou ao redor da sala. Seu sorriso falhou levemente ao ver Alyss se levantar para cumprimentá-la.
— Bem vinda, Vossa Alteza  Alyss disse.
Evanlyn sinalizou para deixar o titulo de lado impacientemente.
— Não nessa viagem, por favor, lady Alyss. Eu não estou viajando sobre meu título oficial. Evanlyn é bom o suficiente.
Seus olhos moveram adiante e seu sorriso recuperou sua beleza natural quando viu Will.
— Olá, Will  ela disse e ele deu um passo à frente para abraçá-la.
Ele sabia que Alyss não iria gostar disso, mas tinha um genuíno afeto por Evanlyn e não iria fingir que não. Ele e Evanlyn passaram por muita coisa juntos para ele não cumprimentá-la dessa maneira. Mas ao mesmo tempo era sábio o suficiente para fazer apenas um breve abraço.
— Bem vinda a Toscana.
Mas os olhos de Evanlyn já haviam se movido adiante. A sala não estava clara o suficiente e só agora ela reconheceu a identidade da quarta pessoa presente.
— Seley El’then!  Ela falou, com um prazer evidente na voz. — Que maravilhoso vê-lo!
Selethen, percebendo a pronúncia correta do seu nome, fez o ritual arridi de saudação, levando sua mão até a boca, testa e boca de novo, curvando-se levemente.
— Lady Evanlyn. Estou encantado em vê-la novamente.  Ele pausou, então adicionou, fingindo um semblante preocupado — a não ser que você tenha descoberto que eu te devo dinheiro?
Ela balançou a cabeça, rindo de sua piada. Então percebeu que os outros estavam a espera para escutar por que ela chegara tão inesperadamente. Apontou para as cadeiras e sofás ao redor da mesa central.
— Por favor, sentem-se, todos. Preciso conversar com vocês.
Selethen hesitou enquanto todos os outros assumiram seus assentos.
— Talvez eu deva deixá-los?  Ele sugeriu, sentindo que isso poderia ser muito bem uma conversa privada entre araluenses.
Mas Evanlyn considerou sua sugestão por um segundo ou dois, então balançou a cabeça.
— Não há necessidade que você vá, Selethen. Isso não é nenhum segredo.
Ela notou um pote de café na mesa e adicionou:
— Eu mataria facilmente por uma xícara de café, foi uma viagem longa.
— Mas é claro! Minhas desculpas!  Alyss pulou de pé de novo, irritada que seu senso de hospitalidade falhou.
Sem duvida que a aparição súbita de Evanlyn estava deixando-a atrapalhada. Ela rapidamente encheu um copo de café e o colocou do outro lado da mesa. A princesa sorriu agradecida, a antipatia mútua esquecida por um momento.
— Obrigada, Alyss  ela disse. A omissão do formal “lady Alyss” era sinal o suficiente que sua gratidão era genuína.
Alyss acenou e sentou-se novamente.
Evanlyn deu um longo gole de café, olhando satisfeita para o copo.
— Acredito que este seja o seu café, Selethen?
Ele sorriu e ela bebeu de novo, tomando quase todo o conteúdo do copo. Colocou o copo na mesa, parou por um segundo ou dois para reunir seus pensamentos e começou.
— É uma longa pequena história  ela disse — Horace está desaparecido.
Houve exclamações de surpresa em torno da sala. A voz de Will foi a primeira a ser ouvida.
— Desaparecido? — perguntou— Desaparecido onde?
— Nihon-Já  Evanlyn respondeu. — Meu pai o enviou em uma missão militar algum tempo atrás. Ele devia se apresentar para a corte do imperador, ele tinha cartas de instrução do meu pai, e então passar algum tempo estudando as técnicas militares e armas de Nihon-Ja.
— O que aconteceu? Como foi que ele desapareceu?  Will perguntou.
— Para ser precisa, eu não sei o que aconteceu. Olhe, deixe-me explicar  ela disse, cortando rapidamente a próxima pergunta de Will. — Horace estava viajando com George...
— George Carter? George dos escribas? Nosso George, você quer dizer?  Will interrompeu.
Enquanto ele dizia “Nosso George” ele fez um gesto de circulo que incluía ele e Alyss.
Halt levantou uma sobrancelha para Will enquanto via a impaciência no rosto de
Evanlyn.
— Talvez uma dessas interjeições tivesse sido suficiente  ele disse  já que todas elas se referem à mesma pessoa.
Evanlyn acenou agradecida.
— Está certo — ela falou — o seu George estava lá para aconselhar Horace no protocolo e para agir como interprete.
Halt endireitou a cabeça para um lado.
— A língua comum é falada em Nihon-Já, certo?
Evanlyn concordou.
— Não tão bem quanto nos outros países. Os nihon-jins se mantiveram um pouco... isolados... ao passar dos séculos. E meu pai pensou que seria um toque diplomático — ela acenou em direção a Alyss  se o imperador fosse dirigido à palavra em sua própria língua.
Alyss assentiu.
— Nos tentamos fazê-lo sempre que possível.
— Ainda não vejo o que Horace espera aprender dos nihon-jins sobre armas e métodos — disse Will. — Afinal, ele é um perito em armas.
— Os guerreiros nihon-jins, chamados de Senshi, usam técnicas diferentes  Halt interviu. — E seus ferreiros aperfeiçoaram o método de fazer lâminas extremamente duras. Os que fazem armas para os arqueiros aprenderam deles suas técnicas muitos anos atrás.
— É por isso que suas facas de caça são incrivelmente resistentes?  Alyss perguntou.
Era bem conhecido o fato de que as facas de caça poderiam causar entalhes em espadas normais.
— É uma técnica onde vários anéis de ferro são esquentados e batidos, então encaixados e misturados juntos para formar uma composição. Ao passar dos anos, tomamos a prática de adotar boas ideias onde pudermos encontrá-las — Halt revelou.
— Nossos ferreiros em Dimascar desenvolveram uma técnica similar para criar lâminas extraresistentes  Selethen acrescentou.
— Você está falando sobre as lâminas Dimascarene, eu suponho?  indagou Halt — ouvi falar delas, mas nunca vi uma.
— Elas são muito caras, poucas pessoas podem pagar por uma  Selethen disse.
Halt acenou pensativo, guardando a informação para futura referência. Então ele se virou para Evanlyn.
— Desculpe-me, Evanlyn, nós estamos atrapalhando, por favor, continue.
— Está certo, só para cobrir qualquer futura interrupção...  Ela olhou maldosamente para Will, e ele considerou isso um pouco injusto. Afinal era Halt e Selethen que estavam conversando sobre espadas super-resistentes, não ele. Mas sua indignação não foi percebida enquanto ela continuava.
— Acredito que todos vocês são familiarizados com o sistema de rápidas mensagens do Conselho Silasiano?
Todos eles concordaram. O Conselho Silasiano era um cartel de comerciantes na parte leste do Mar Constante. Eles facilitavam as trocas instituindo um sistema central de crédito para que os fundos fossem transferidos entre países sem o risco de mandar grandes quantias de dinheiro por terra ou mar.
Em adição, eles descobriram alguns anos depois que comunicações rápidas poderiam ser tão lucrativas quanto transferências de dinheiro. Eles instalaram uma linha de pombos correios e cavaleiros de um lado do mundo para o outro. Distâncias que demorariam semanas de navio ou a cavalo puderam ser transformadas em dias. É claro que o serviço era extremamente caro, mas em emergências, muitos usuários sentiam que valia o preço.
— Nós recebemos uma mensagem de George por meio desse serviço algumas semanas atrás — disse Evanlyn. — Era muito curta e foi enviada do porto de Ooghly River em Indus, o que é mais ou menos o limite do sistema de mensagens a leste. Aparentemente, houve uma rebelião contra o imperador de Nihon-Ja, e Horace se meteu nela. As forças do imperador são muito menores e ele é um fugitivo. A última vez que foi visto, estava indo para o norte, entre as montanhas, para se esconder em algum tipo de Fortaleza lendária. Horace foi com ele.
Will sentou-se e assobiou lentamente. Isso era justamente o que Horace faria, ele pensou, se envolver em um empreendimento idealista como esse.
— E o que você está planejando fazer?  Ele perguntou, mas já sabia a resposta.
Evanlyn se virou para olhá-lo profundamente.
— Estou indo encontrar Horace — ela anunciou.

10 comentários:

  1. Era para eu gostar mais da Alyss porque ela me lembra a Annabeth e o Will o Percy. Porém eu prefiro o Will com a Evanlyn. :v

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    1. Acho que o Will fica fofo com a Alyss. Mas não parecem Percy e Annabeth. Percy tem um humor bobo, e não é inteligente como Will. Sei lá, só acho.

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    2. Eu acho eles parecidos, é claro que o Percy não é tão inteligente quanto o Will, mas muitas vezes o Will faz as coisas por instinto assim como o Percy. Eu acho o Will engraçado o Percy é mais brincalhão, Já o Will é mais sarcástico hahahha

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    3. concordo com vc lucas o will fica melhor com a evanlyn I LOVE Will and Evanlyn <3

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  2. Jesus! Alguém segura essas mulheres! Agora o combate mortal vai começar! Quem será que vai ganhar Alyss a loirona ou Cassandra a doce princesa?

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  3. Acho q Evelyn fica com o Horace

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Boa leitura :)