30 de janeiro de 2017

Capítulo 68

Foi uma agonia.
Uma agonia ver Nehemia, jovem e forte e sábia. Falando com Elena nos pântanos, entre as mesmas ruínas.
E então houve a outra dor.
Que Elena e Nehemia se conheciam. Trabalharam juntas.
Que Elena tinha planejado isso há mil anos.
Que Nehemia tinha ido a Forte da Fenda sabendo que morreria.
Sabendo que precisaria quebrar Aelin – usar sua morte para quebrá-la, para que ela pudesse se afastar da assassina e subir ao trono.
Aelin e Manon foram para outra cena. De uma conversa sussurrada à meia-noite, bem abaixo do Castelo de Vidro.
Uma rainha e uma princesa, reunidas em segredo. Como fizeram durante meses. A rainha pediu à princesa que pagasse o preço que ela tinha oferecido nos pântanos. Para organizar sua própria morte – pôr o plano em prática. Nehemia avisara Elena que ela – que Aelin – seria quebrada. Pior, que ela iria tão longe, em um abismo de raiva e desespero, que não seria capaz de sair. Não como Celaena.
Nehemia tinha razão.
Aelin estava tremendo – tremendo em seu corpo praticamente invisível, tremendo tanto que pensou que sua pele se soltaria dos ossos. Manon se aproximou, talvez o único conforto que a bruxa sabia oferecer: a solidariedade. Elas voltaram a olhar para a névoa, onde as cenas – as memórias – haviam se desenrolado.
Aelin não tinha certeza de que podia suportar outra verdade. Outra revelação de quão completamente Elena vendera a ela e a Dorian para os deuses, por causa do erro tolo que tinha cometido, não compreendendo o verdadeiro propósito do cadeado. Para selar Erawan em seu túmulo em vez de deixar Brannon finalmente terminar tudo – mandar os deuses para onde quer que eles chamassem de lar, e levar Erawan com eles. Enviá-los para casa... usando as chaves para abrir o Portão de Wyrd. E uma nova fechadura para selá-lo para sempre.
Inominável é o meu preço.
Usando seu poder, drenando até a última gota, a vida dela para forjar o novo cadeado. Para exercer o poder das chaves apenas uma vez – apenas uma vez, para banir todos eles, e então selar o portão para sempre.
As memórias brilharam.
Elena e Brannon, gritando um com o outro em um quarto que Aelin não via há dez anos – a suíte do rei no palácio de Orynth. Sua suíte – ou teria sido. Um colar brilhou na garganta de Elena: o Olho. O primeiro, e agora quebrado, cadeado, que Elena, agora a rainha de Adarlan, parecia usar como algum tipo de lembrança de sua tolice, sua promessa àqueles deuses furiosos.
Sua discussão com seu pai cresceu e cresceu – até que a princesa saiu. E Aelin sabia que Elena nunca mais voltara para aquele palácio brilhante no norte.
Então, o espelho de bruxa mostrou em alguma câmara de pedra indescritível, uma beleza de cabelos negros com uma coroa de estrelas de pé diante de Elena e Gavin, explicando como o espelho de bruxa funcionava – como guardaria aquelas memórias. Rhiannon Crochan. Manon encarou a visão, e Aelin olhou entre as duas.
O rosto... era o mesmo. O rosto de Manon e o de Rhiannon Crochan. As últimas Rainhas Crochans – de duas eras separadas.
Então uma imagem de Brannon sozinho – com a cabeça nas mãos, chorando diante de um corpo envolto em cima de um altar de pedra. A forma de uma mulher por baixo.
Elena, que cedeu sua imortalidade para viver uma vida humana com Gavin. Brannon ainda parecia não ter mais do que trinta anos.
Brannon, o calor de mil forjas brilhando em seu cabelo vermelho-dourado, mostrando seus dentes em um grunhido, como se tivesse batido um disco de metal em uma bigorna, os músculos de suas costas ondulando sob a pele dourada enquanto ele batia e batia e batia.
Quando ele forjou o Amuleto de Orynth.
Quando colocou uma lasca de pedra negra dentro de cada lado, então selou-o, uma provocação escrita em cada linha de seu corpo.
Em seguida, escreveu uma mensagem com marcas de Wyrd na parte de trás.
Uma mensagem.
Para ela.
Para o seu verdadeiro herdeiro, o castigo de Elena e a promessa aos deuses. O castigo e a promessa que haviam quebrado. Que Brannon não poderia aceitar, não aceitaria. Não enquanto suas forças durassem.
Inominável é meu preço. Escrito bem ali – em marcas de Wyrd. Aquela que tinha sido a marca de Brannon, a marca do bastardo nascido sem nome... Ela seria o preço para acabar com isso.
A mensagem na parte de trás do Amuleto de Orynth era a única advertência que ele poderia oferecer, a única desculpa pelo o que sua filha tinha feito, mesmo que contivesse um segredo dentro tão mortal que ninguém deveria saber, ninguém poderia saber.
Mas haveria pistas. Para ela. Para terminar o que eles começaram.
Brannon construiu o túmulo de Elena com suas próprias mãos. Esculpiu as mensagens lá para Aelin também.
Os enigmas e as pistas. O melhor que ele poderia oferecer para explicar a verdade enquanto mantinha as chaves escondidas do mundo, de forças que as usariam para governar, para destruir.
Em seguida, ele fez Mort, o metal para a aldrava de porta que ganhou vida por Rhiannon Crochan, que passou uma mão sobre o rosto do rei antes de deixar o túmulo.
Rhiannon não estava presente quando Brannon escondeu a lasca de pedra negra na joia da coroa de Elena – a segunda chave de Wyrd.
Ou quando colocou Damaris em seu estande, perto do segundo túmulo. Para o rei mortal que ele odiara, mas tolerara, que tinha aquele ódio por causa de sua filha. Mesmo que Gavin tivesse levado sua filha, a filha de sua alma, para longe dele.
A chave final... foi para o templo de Mala.
Era onde ele queria acabar com tudo, de qualquer maneira.
O fogo derretido ao redor do templo era uma canção em seu sangue, um aceno. Acolhedor.
Somente aqueles com seus dons – os dons dele – poderiam chegar lá. Mesmos as sacerdotisas não poderiam alcançar a ilha no coração do rio derretido. Só seu herdeiro seria capaz de fazer isso. Ou quem tivesse outra chave. Então ele guardou a chave restante sob uma laje.
E entrou naquele rio derretido, no coração ardente da sua amada.
E Brannon, rei de Terrasen, Senhor do Fogo, não emergiu outra vez.
Aelin não sabia por que a surpreendeu ser capaz de chorar nesse corpo. Que esse corpo tivesse lágrimas para derramar.
Mas Aelin as derramou por Brannon. Que sabia o que Elena tinha prometido aos deuses – e tinha lutado contra isso, a passagem daquele fardo para um de seus descendentes.
Brannon havia feito o que podia por ela. Para suavizar o golpe dessa promessa, se ele não pudesse mudar seu curso completamente. Dar a Aelin uma chance de lutar.
Inominável é o meu preço.
— Eu não entendo o que isso significa — Manon falou em voz baixa.
Aelin não tinha palavras para dizer a ela. Ela não fora capaz de contar a Rowan.
Mas então Elena apareceu, tão real quanto elas, e olhou fixamente na luz dourada desaparecendo do Templo de Mala enquanto a memória sumia.
— Desculpe — disse ela a Aelin.
Manon enrijeceu ao aproximar-se de Elena, dando um passo ao lado de Aelin.
— Era a única maneira — Elena ofereceu. Era dor genuína que havia em seus olhos. Arrependimento.
— Foi uma escolha, ou foi apenas para poupar a preciosa linhagem de Gavin, que fui escolhida? — a voz que vinha de Aelin era crua e viciosa — Por que derramar o sangue Havilliard afinal, quando você poderia recair sobre antigos hábitos e escolher outro para suportar o fardo?
Elena se encolheu.
— Dorian não estava preparado. Você sim. A escolha que Nehemia e eu fizemos foi para garantir que as coisas fossem de acordo com o plano.
— De acordo com o plano — respirou Aelin. — De acordo com todos os esquemas para me fazer limpar a bagunça que você começou com seu maldito roubo e covardia?
— Eles queriam que eu sofresse — disse Elena — e eu tenho sofrido. Sabendo que você deve fazer isso, suportar essa carga... Tem sido uma constante destruição sem fim da minha alma por mil anos. Foi tão fácil dizer sim, imaginar que você seria uma estranha, alguém que não precisaria saber a verdade, apenas estar no lugar certo com o dom certo, e ainda... ainda assim eu estava errada. Estava tão errada. — Elena levantou as mãos diante dela com as palmas para cima — eu pensei que Erawan se levantaria e o mundo iria enfrentá-lo. Eu não sabia... Eu não sabia que a escuridão iria cair. Eu não sabia que sua terra sofreria. Sofreria como eu tentei impedir a minha de sofrer. E havia tantas vozes... antes mesmo de Adarlan ter sido conquistada. Foram aquelas vozes que me acordaram. As vozes daqueles que desejavam uma resposta, desejavam ajudar — os olhos de Elena deslizaram para Manon, então de volta para os dela. — Eles eram de todos os reinos, todas as raças. Humana, bruxa, feérica... mas teceram um tapete de sonhos, todos implorando por uma coisa.... Um mundo melhor. Então você nasceu. E você era uma resposta para a escuridão crescente, com aquela chama. A chama de meu pai, o poder de minha mãe... renasceu finalmente. E você era forte, Aelin. Tão forte e tão vulnerável. Não a ameaças externas, mas a ameaça de seu próprio coração, o isolamento de seu poder. Mas havia aqueles que a conheciam pelo o que era, o que podia oferecer. Seus pais, sua corte, seu tio-avô... e Aedion. Aedion sabia que você era a Rainha Que Foi Prometida sem saber o que significava, sem saber nada sobre você, ou sobre mim, ou sobre o que fiz para poupar o meu próprio povo.
As palavras a acertaram como pedras.
— A Rainha Que Foi Prometida — repetiu Aelin — mas não para o mundo. Para os deuses, para as chaves.
Para pagar o preço. Ser seu sacrifício para finalmente selar as chaves no portão. A aparição de Deanna não tinha sido apenas para dizer a ela como usar o espelho, mas para lembrá-la que ela pertencia a eles. Tinha uma dívida com eles.
Aelin disse em voz muito baixa:
— Não sobrevivi naquela noite no Rio Florine por pura sorte, não é?
Elena sacudiu a cabeça.
— Nós não...
— Não — interrompeu Aelin. — Mostre-me.
A garganta de Elena tremeu. Mas então as névoas ficaram escuras e coloridas, e o próprio ar à sua volta tornou-se denso com a geada.
Galhos quebrando, respiração irregular, soluços ofegantes, passos claros quebrando através de mato e espinhos. O andar de um cavalo trovejante, se aproximando...
Aelin se obrigou a ficar parada quando aquela floresta familiar e congelada apareceu, exatamente como se lembrava. À medida que ela apareceu, tão pequena e jovem, a camisola branca rasgada e enlameada, o cabelo selvagem, olhos brilhando de terror e tristeza tão profundos que a tinham quebrado inteiramente. Frenética para alcançar o rio rugindo além, a ponte...
Havia os postes e uma floresta do outro lado. Seu santuário...
Manon praguejou suavemente quando Aelin Galathynius se lançou através dos postes da ponte, e percebeu que a ponte tinha sido quebrada... e mergulhou no rio enfurecido e quase congelado abaixo.
Ela tinha esquecido o quanto aquela queda era alta. Quão violento o rio negro era, as corredeiras brancas iluminadas pela lua gelada acima.
A imagem mudou, e então estava escuro, e silencioso, e elas estavam caindo, mais e mais fundo enquanto o rio a afogava em sua ira.
— Houve tanta morte — sussurrou Elena quando observavam Aelin sendo atirada, torcida e arrastada pelo rio. O frio era esmagador. — Tanta morte e tantas luzes apagadas — disse Elena, com a voz quebrada. — Você era tão pequena. E você lutou... lutou tão duro.
E lá estava ela, agarrando a água, chutando e batendo, tentando chegar à superfície, ao ar, e ela podia sentir seus pulmões começarem a falhar, sentir a pressão crescendo...
Então a luz tremeluziu no Amuleto de Orynth pendurando ao redor de seu pescoço, símbolos esverdeados efervescentes como bolhas ao redor dela.
Elena caiu de joelhos, observando o brilho do amuleto na água.
— Eles queriam que eu a levasse. Você tinha o Amuleto de Orynth, todos pensaram que você estava morta, e o inimigo foi distraído com a matança. Eu poderia levá-la, ajudá-la a rastrear as outras duas chaves. Eu tinha permissão para ajudá-la... a fazer isso. E uma vez que nós conseguíssemos as outras duas, eu a forçaria a forjar o cadeado mais uma vez. Para usar cada última parte de você para refazer o cadeado, invocar o portão, colocar as chaves de volta nele, enviá-los para casa e acabar com tudo. Você tinha poder suficiente, mesmo naquela idade. A mataria fazer isso, mas de qualquer maneira você provavelmente morreria. Então eles me deixaram formar um corpo, para te pegar.
Elena deu um suspiro trêmulo quando uma figura mergulhou na água. Uma mulher de cabelos prateados, linda em um vestido antigo. Ela pegou Aelin pela cintura, puxando-a para cima, para cima, para cima.
Elas atingiram a superfície do rio, e estava escuro, alto e selvagem, e tudo o que ela podia fazer era agarrar o tronco onde Elena a empurrara, cravando as unhas na madeira encharcada e se agarrando enquanto era levada para baixo, no fundo da noite.
— Eu hesitei — Elena suspirou — você se agarrou àquele tronco com todas as suas forças. Tudo fora tirado de você – tudo – e ainda assim você lutava. Você não cedeu. E eles me disseram para me apressar, porque mesmo assim o poder que me mantinha naquele corpo sólido estava se desvanecendo. Eles disseram para apenas pegá-la e ir, mas.... eu hesitei. Esperei chegar até a margem.
Lama e juncos e árvores pairando acima, a neve ainda remendando a colina íngreme na borda do rio.
Aelin observou-se rastejar até aquela margem do rio, centímetro por centímetro doloroso, e ela sentiu o fantasma, a lama gelada sob suas unhas, sentiu seu corpo quebrado, congelando enquanto caiu na terra e estremeceu, mais e mais.
Quando o frio letal a agarrou enquanto Elena se arrastava para a margem ao lado dela. Quando Elena pulou para ela, gritando seu nome, frio e choque começando...
— Eu pensei que o perigo estava no afogamento. — sussurrou Elena — Não pensei que estar fora no frio por tanto tempo...
Seus lábios ficaram azuis.
Aelin assistiu seu pequeno tronco subindo, descendo, subindo...
Então parou de se mexer.
— Você morreu — Elena sussurrou — Lá em cima, você morreu. Você lutou tanto, e eu falhei com você. E naquele momento não me importei que eu tivesse falhado de novo com os deuses, ou a minha promessa de corrigir tudo, ou qualquer outra coisa. Tudo em que pude pensar... — lágrimas correram pelo rosto de Elena — tudo em que pude pensar era no quão injusto era. Você não tinha sequer vivido, sem sequer tivera uma chance... E todas aquelas pessoas que haviam desejado e esperado por um mundo melhor... você não estaria lá para dar a eles.
Oh ,deuses.
— Elena — sussurrou Aelin.
A rainha de Adarlan soluçou contra as mãos, mesmo quando sua forma sacudiu Aelin, repetidamente. Tentando acordá-la, tentando reviver o pequeno corpo que tinha desistido.
A voz de Elena quebrou.
— Eu não poderia permitir. Não poderia suportar. Não pelo amor dos deuses, mas... mas pelo seu próprio.
Luz brilhou na mão de Elena, então abaixo de seu braço, então ao longo de seu corpo inteiro. Fogo. Ela se envolveu em torno de Aelin, o calor derretendo a neve ao redor delas, secando seus cabelos cobertos de gelo.
Os lábios azuis ficaram rosados. E o peito que tinha parado de respirar agora se expandiu.
A escuridão desvaneceu-se à luz cinzenta do amanhecer.
— E então eu os desafiei.
Elena colocou-a entre os joelhos e levantou-se, examinando o rio, o mundo.
— Eu sabia quem tinha uma propriedade perto daquele rio, tão longe de sua casa que seus pais toleraram sua presença, desde que ele não fosse estúpido o suficiente para provocar problemas.
Elena, em um simples brilho de luz, tirou Arobynn de um sono profundo dentro de sua antiga residência em Terrasen. Como em transe, ele enfiou as botas, os cabelos vermelhos brilhando à luz do amanhecer, montou no cavalo e partiu para o bosque.
Seu antigo mestre, tão jovem. Apenas alguns anos mais velho do que ela agora.
O cavalo de Arobynn parou como se uma mão invisível o tivesse parado, e o assassino examinou o rio, as árvores, como se procurasse algo que nem mesmo ele sabia que estava ali.
Mas havia Elena, invisível como a luz do sol, agachada nos juncos quando os olhos de Arobynn caíram sobre a pequena e suja figura inconsciente na margem do rio. Ele saltou de seu cavalo com graça felina, tirando sua capa enquanto se ajoelhava na lama e sentia sua respiração.
— Eu sabia o que ele era, o que provavelmente faria com você. Que treinamento você receberia. Mas era melhor do estar morta. E se você pudesse sobreviver, se pudesse crescer forte, se tivesse a chance de chegar à idade adulta, pensei que talvez pudesse dar às pessoas que desejaram e sonharam com um mundo melhor... pelo menos dar-lhes uma chance. Ajudando-os... antes que a dívida fosse cobrada novamente.
As mãos de Arobynn hesitaram quando ele notou o Amuleto de Orynth.
Ele tirou o amuleto de seu pescoço e o colocou no bolso. Gentilmente, ele a pegou nos braços e a levou até o cavalo que o esperava.
— Você era tão jovem — disse Elena de novo — E mais do que os sonhadores, mais do que a dívida... eu queria dar-lhe tempo. Para pelo menos saber o que era viver.
— Qual foi o seu preço, Elena? — sussurrou Aelin. — O que lhe fizeram por isso?
Elena envolveu seus braços ao redor de si mesma enquanto a imagem desaparecia, Arobynn montando em seu cavalo, Aelin em seus braços. Névoa girou novamente.
— Quando estiver pronta — Elena conseguiu dizer — eu irei também. Pelo o tempo que ganhei a você, quando este jogo acabar, minha alma será derretida de volta a escuridão. Eu não poderei ver Gavin, ou meus filhos, ou meus amigos... terei ido. Para sempre.
— Você sabia disso antes de...
— Sim, eles me disseram, mais e mais. Mas... eu não podia. Eu não podia não fazer isso.
Aelin caiu de joelhos diante da rainha. Tomou o rosto de Elena entre as mãos.
— Inominável é o meu preço — disse Aelin, sua voz quebrando.
Elena assentiu com a cabeça.
— O espelho era apenas isso, um espelho. Uma manobra para trazê-la aqui. Para que você pudesse entender tudo o que fizemos. — Pouco mais que metal e vidro, Elena tinha dito quando Aelin a convocou na Baía do Crânio. — Mas agora você está aqui, e já viu. Agora você compreende o custo. Para forjar o cadeado novamente, para colocar as três chaves de volta no portão.
Uma marca brilhava na testa de Aelin, aquecendo sua pele. A marca bastarda de Brannon.
A marca do bastardo.
— O sangue de Mala deve ser utilizado... seu poder deve ser utilizado. Cada gota de magia, de sangue. Você é o preço para fazer um novo cadeado e selar as chaves no portão. Para fazer o portão de Wyrd inteiro.
— Eu sei. — Aelin respondeu suavemente. Ela já sabia há algum tempo.
Estivera preparando-se o melhor que pôde. Preparando coisas para os outros.
— Tenho duas chaves — Aelin falou para a rainha — se eu puder encontrar a terceira, roubá-la de Erawan... você virá comigo? Me ajudar a acabar com tudo de uma vez por todas?
Você vem comigo, então eu não ficarei sozinha?
Elena assentiu com a cabeça, mas sussurrou:
— Desculpe.
Aelin abaixou as mãos do rosto da rainha. Tomou uma respiração profunda e trêmula.
— Por que você não me contou desde o começo?
Atrás delas, ela tinha a vaga sensação de que Manon avaliava calmamente.
— Você estava saindo da escravidão — respondeu Elena. — Dificilmente se mantendo, tentando arduamente fingir que ainda era forte e completa. Só havia o que eu poderia fazer para guiá-la, cutucá-la para frente. O espelho foi forjado e escondido para um dia mostrar-lhe tudo isso. De uma maneira que eu não poderia lhe dizer, não quando eu podia aparecer somente alguns minutos de cada vez.
— Por que você me disse para ir para Wendlyn? Maeve representa uma grande ameaça tanto quanto Erawan — disse Aelin.
Os olhos azuis de gelo encontraram os dela finalmente.
— Eu sei. Maeve há muito deseja recuperar a posse das chaves. Meu pai acreditava que era para algo diferente da conquista. Algo mais escuro, pior. Eu não sei por que ela só começou a caçá-las quando você chegou. Mas mandei você para Wendlyn para a cura. E assim você iria... encontrá-lo. Aquele que estava esperando tanto tempo por você.
O coração de Aelin estalou.
— Rowan.
Elena assentiu com a cabeça.
— Ele era uma voz no vazio, um sonhador secreto e silencioso. E seus companheiros também. Mas o príncipe feérico, ele era...
Aelin reprimiu seu soluço.
— Eu sei. Eu o conheço há muito tempo.
— Queria que você também conhecesse essa alegria — sussurrou Elena. — Por mais breve que fosse.
— Eu conheci — Aelin conseguiu dizer. — Obrigada.
Elena cobriu o rosto àquelas palavras, estremecendo. Mas depois de um momento, ela examinou Aelin, então Manon, ainda em silêncio e observando.
— O poder do espelho da bruxa está se desvanecendo. Não vai prendê-la aqui por muito mais tempo. Por favor, deixe-me mostrar-lhe o que deve ser feito. Como terminar. Você não será capaz de me ver depois, mas... eu estarei com você. Até o fim, a cada passo do caminho, estarei com você.
Manon apenas pôs uma mão em sua espada enquanto Aelin engoliu e disse:
— Mostre-me, então
Então Elena fez. E quando terminou, Aelin ficou em silêncio. Manon estava andando, rosnando suavemente.
Mas Aelin não lutou contra ela enquanto Elena se inclinava para beijar sua testa, onde aquela marca estivera toda a sua vida. Um pedaço de carne, marcado para o matadouro.
A marca de Brannon. A marca do nascido bastardo... o Sem Nome.
Inominável é o meu preço. Para comprar um futuro, ela pagaria.
Ela tinha feito o máximo que pôde para pôr as coisas em movimento, para garantir que uma vez que ela tivesse ido, a ajuda ainda viria. Era a única coisa que podia dar a eles, seu último presente a Terrasen. Para aqueles que amava com seu coração de fogo selvagem.
Elena acariciou sua bochecha. Então a rainha antiga e a névoa desapareceram.
A luz do sol as inundou, cegando Aelin e Manon tão violentamente que sibilaram e trombaram uma na outra. O cheiro do mar, as ondas quebrando próximas e o farfalhar dos animais do mar as cumprimentaram. E além disto, o clamor distante e os gritos da batalha.
Elas estavam na periferia dos pântanos, sobre a beira do mar em si, a batalha a quilômetros e quilômetros para o mar. Elas deviam ter viajado dentro das brumas, de alguma forma...
Uma suave risada feminina deslizou pela grama. Aelin conhecia aquele riso.
E sabia que de alguma forma, talvez não tivessem viajado através das brumas...
Tinham sido colocadas ali. Por quaisquer forças que estivessem trabalhando, quaisquer que fossem os deuses observando.
Para ficar na extensão de areia, diante do mar azul-esverdeado, os guardas com armaduras de Penhasco dos Arbustos mortos perto das dunas, ainda sangrando. Para ficar diante da rainha Maeve dos feéricos.
Elide Lochan de joelhos diante dela – com a lâmina de um guerreiro feérico em sua garganta.

30 comentários:

  1. 😢😢😢

    POde issO?? NãO aceitO

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    1. Gente! Que ódio de Elena, k ódio de Maive!!! Agora algo que nao estou entendendo, o reino das bruxas so existem bruxas e não bruxo, certo?! Se o pai de mano era Rhiannon crochan que foi morto na grande batalha das bruxas, como é que agora aparece este excerto "O rosto de Manon e o de Rhiannon Crochan. As últimas Rainhas Crochans"!! Não estou entendendo nada!! Será que alguém consegue me explicar isso?! Acho que estou ficando loca.
      Ass. Xoxo

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    2. Pois é, agora você me pegou. São sempre bruxas, nunca bruxos. Não sei como existiu um príncipe Crochan, mas ele se uniu à uma Dentes de Ferro e ambos tiveram a Manon. Rhiannon foi uma Rainha Crochan. Esse não é o nome do pai da Manon, é a avó dela!

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  2. Como assim gente? Eu comentei há uns caps atrás sobre que tipo é os finais de livros da Saraah (morro de medo do final de Corte de Espinhos e Rosas) e pelo visto... É triste. Beeeeeem triste. O que será que nos espera?

    -B.Bunny

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    1. Não comprei a história de que a Saraah gosta de contos de fadas nem por um segundo! Essa mulher é sádica! Vê se pode, fazer isso conosco, meras leitoras... Eu já devo ter morrido cinco livros atrás, mas mesmo assim quero saber... Tomara que a Aelin, Rowan, Dorian, Manon, Elide, o rei de Eyllwe, seja quem for, encontre uma forma de driblar isso! #SuandoFrio
      - Booh

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  3. Eu no começo por ter que ser deramado sangue de mala ate pensei que maeve podesse morrer com isso afinal eram irmãs né? Mas ai veio o significado do nome e so me surpriendi um pouco porque to me praparando pra morte de todo mundo faz tempo

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  4. Eu não consigo parar d chorar, não mano, isso não pode ser verdade, não me conformo, Aelin passou a vida toda lutando e quando ela resolve lutar por um mundo melhor, ela descobre q precisa morrer pra alcançar esse objetivo...não, não, por favor tia Sarah, não mate essa mulher fodástica :'( :'( :'(

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  5. 😢😢😢😭😭😭😭

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  6. Esse capitulo tava com o mesmo gosto que eu sentia lendo Trono de Vidro. Eu imaginei que esse era o preço que Celaena teria que pagar,desde a reunião com Darrow.

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  7. Arrepiada até o último cabelo. Vei.. ela vai morrer mesmo???Não to crendo nisso.
    fico com pena da Elena, nunca mais verá nenhum dos que amou

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  8. Pelo erro dela o preço a ser pago e muito alto...chorando pelo Rowan vai ficar sozinho novamente...

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  9. Oq???? A Aelin n pode morrer 😭😭😭😭😭 pq n matam o Dorian no lugar dela?? Ele já tá agindo como figurante msm... Pq a a
    Aelin??? Ela é mt foda pra morrer😭😭😭😭
    Pq escritores são tão cruéis???

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  10. Maldita Elena!! Maldita rainha cadela Meavi! 😡😡😡😈😈😈 tomara que Aelin queime esta rainha cadela até que ela vire o cadeado para mandar Erawen para os quintos dos infernos!!!
    Anna!!!

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  11. Eu não acho que Aelin morre pensem bem e a aelin ela sempre dá a volta por cima

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  12. O Rowan até resolveu a briga com a família por causa das Aelin, e ela ainda vai morrer? Não aceito.
    -Sinead

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  13. Gente mudando o foco rápidao:
    Tem três chaves, um cadeado e tem que ter uma porta também.
    Vocês lembram em a Assassina e o Deserto que a Ansel conta sobre uma porta onde sua irmã desapareceu??? Será que é aquela a porta que tem que ser usada pra fechar Erawan??? Se sim, como diabos vão levar Erawan até Penhasco dos Arbustos???

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  14. sério cara sei nem o que dizer, que tombo foi esse?!

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  15. Meu deus oq foi isso.Que tiro
    Chorei.
    Lorcan,chegue logo e salve a Elide,pliss.
    Esperando Asterin chegar com as 13 e o Abrazos e por ordem nessa poha toda

    Essa Maeve é um vagabunda

    Nahemia,por mais q eu entenda os motivos pra ela ter feito oq fez...Nao me desce

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  16. Vei, quando elas falaram do Rowan, eu comecei a chorar LOUCAMENTE!!! Eu não acredito que ele vai ter que perder a Coração de Fogo dele, gente! Socorro. Ele não merece isso, meu rowanzinho. Solucei mt vei. Não consigo lidar. E ainda penso: será que a autora vai matar ele também? Ou será que ela vai deixar ele sofrer? Qual é o pior? Ah não, por favor. POR FAVOR, Sarah! Arranje uma solução!

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  17. mano ela eh a autora mais sadica q eu ja vi como ela pode fazer a gnt se apaixonar pela personagem ao passar dos livros p agr vir e mata-la eu n to bem eu to bem triste n quero que a minha coraçao selvagem morra

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  18. COMO COMENTEI NO OUTRO CAP TINHA ESPERANÇA QUE A AELIN N PRECISASSE MORRER MAS CM TD NA VIDA É INJUSTO....
    AAAAAA AELIN VAI TER QUE MORRER AAAAAAAAAAA POHA DO CARALEO RAZIEL PQ ISSO RAZIEL PQ MDS N ACEITO N N ACEITO N ACEITO AAAA😭😭😭😭😭😭😢😭😢😭😭😭😭😢😭😭😢😢😭😭😭😱😱😱😱😱

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  19. Aelin não pode morreeeer!! Se for pra alguém morrer que seja o Dorian. :'(

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  20. Eu tava segurando as lágrimas mas quando ela falou sobre o Rowan estar esperando a Aelim não aguentei lagrimas começaram a rolar ����������������

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  21. Já precentia q ela ia morrer.
    Mas ainda estou chorando por a altora ter escrito isso.
    Queria q ela tivesse filhos com Rowan antes de ir.
    estou com raiva e alegria por a altora ter escrito o livro é estou com raiva e alegria sobre o q Elena fez
    (to me sentindo bipolar)

    Elide Lochan de joelhos diante dela – com a lâmina de um guerreiro feérico em sua garganta.
    (Por um momento achei q ela tava com a lâmina enfiada na garganta espero q não)
    Ass: Milly*-*
    Obs:nunca chorei com livros e filmes mas essa saga ta me fazendo parecer manteiga derretida #nãoconsigoparardechorar

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  22. Serio eu n entendo ela tava no espelho em um barco e quando saiu ao invés d um barco ela foi pra praia

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  23. Eu simplesmente n sei mais oq sentir... Ja estou me matando de tanto chorar, de saber q.... 😥💔 A melhor série de livros vai msm terminar assim.. ? Quantas desgraças ainda vão acontecer ? Mais do q ja esta acontecendo.. 😥

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  24. Não seria melhor matar o irmão de Dorian, tipo usar ele p/ selar o cadeado... ele também é um Havilliard....

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    Respostas
    1. Eu me sentiria muito mal se tivesse pensado nisso, que maldade! Mas pior que faz sentido

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• Não dê SPOILER!
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Boa leitura :)