30 de janeiro de 2017

Capítulo 66

Aedion Ashryver fora treinado para matar homens e manter uma linha na batalha desde que tinha idade suficiente para levantar uma espada. O príncipe herdeiro Rhoe Galathynius começara seu treinamento pessoalmente, mantendo um padrão que alguns poderiam considerar injusto, duro demais para um garoto.
Mas Rhoe sabia, Aedion percebeu quando estava na proa do navio, os homens de Ansel de Penhasco dos Arbustos armados e prontos atrás dele, Rhoe sabia que mesmo que Aedion servisse a Aelin, quando exércitos estrangeiros desafiassem a força da Portadora do Fogo... talvez não fossem meros mortais que ele enfrentaria.
Rhoe – Evalin – tinham apostado que o exército imortal que se estendia diante dele um dia chegaria a estas costas. E quiseram se assegurar que Aedion estivesse pronto quando chegassem.
— Ergam os escudos. — Aedion ordenou aos homens enquanto uma segunda saraivada de flechas chovia vindo da armada de Maeve. O manto mágico em torno de seus navios estava segurando bem o suficiente graças a Dorian Havilliard, embora ele estivesse feliz por poupá-los de qualquer derramamento de sangue. Depois da burrice que fez com Aelin e Manon.
Aedion rangeu os dentes em cada ondulação após o impacto.
— São soldados iguais vocês — falou Aedion — não deixem as orelhas pontudas enganá-los, eles sangram como o resto de nós. E podem morrer pelas mesmas feridas também.
Não se deixou olhar para trás – para onde seu pai comandava e protegia outra fileira de navios. Gavriel se manteve quieto enquanto Fenrys explicava como abater um guerreiro feérico que se cura rápido: cortar entre os músculos ao invés de persistir nas feridas superficiais. Se cortar um tendão o imobilizará por um tempo implacável ou bastante para dar o golpe final.
Mais fácil falar que fazer. Os soldados ficaram a pensar nisso – combate direto, lâmina com lâmina, contra guerreiros feéricos. E com razão.
Mas o dever de Aedion não era lembrá-los dos fatos contundentes. Seu dever era deixá-los, fazer essa luta parecer absolutamente necessária. O medo podia quebrar as linhas mais rapidamente do que qualquer ofensiva inimiga.
Rhoe – seu verdadeiro pai – lhe ensinara isso. E Aedion aprendera naqueles anos no norte. Aprendendo a lutar com os joelhos na lama e no sangue com a Devastação.
Desejava que seus soldados o flanqueassem, não desconhecidos dos Desertos.
Mas ele não deixaria o próprio medo corroer sua determinação.
A segunda rajada de flechas de Maeve ergueu-se, subindo e subindo, as flechas se elevando mais e mais rápido do que aqueles com arcos mortais. Com uma mira melhor.
O escudo invisível acima deles ondulou cintilou azul e roxo enquanto flechas batiam e deslizavam sobre ele.
E então falharam, porque aquelas flechas foram feitas para atravessar magia.
Os soldados no convés misturaram-se, escudos se deslocando, expectativa e terror crescente cobrindo os sentidos de Aedion.
— Só uma chuvinha, rapazes — disse ele sorrindo amplamente — Pensei que os bastardos estivessem acostumados com isso no Deserto.
Alguns murmuraram – mas os escudos pararam de tremer.
Aedion se obrigou a rir. Assim era o Lobo do Norte, ansioso para derramar sangue sobre os mares do sul. Como Rhoe o ensinara, como Rhoe o preparara, muito antes de Terrasen cair na sombra de Adarlan.
De novo não. Nunca mais – e certamente não para Maeve. Certamente não aqui.
À frente, na linha de frente a magia de Rowan brilhou branca em um sinal silencioso.
— Preparar flechas — ordenou Aedion.
Os arcos gemeram, flechas apontadas para o céu.
Outra saraivada.
— Fogo! — gritou Aedion.
O mundo escureceu sob suas flechas enquanto voavam para o exército de Maeve.
Uma tempestade de flechas – para distrair do verdadeiro ataque debaixo das ondas.



A água era mais escura aqui, os raios de sol que deslizavam entre os barcos próximos acima das ondas.
Outras criaturas haviam se reunido ali, buscando a carne que certamente serviria de comida quando as duas armadas finalmente se encontrassem.
Um raio de luz fez Lysandra mergulhar fundo, ondulando entre os carniceiros, misturando-se o melhor que pôde enquanto ela se lançava em uma arrancada.
Tinha modificado seu dragão do mar. Dado a ele membros mais longos – com garras.
Dado a sua cauda mais força, mais controle.
Seu próprio pequeno projeto, durante os longos dias de viagem. Tomar uma forma original, aperfeiçoá-la. Alterar o que os deuses haviam criado a seu gosto.
Lysandra alcançou o primeiro navio que Rowan havia marcado. Um mapa cuidadoso e preciso de onde e como atacar. Um estalo da cauda deixou o leme em pedaços.
Os gritos atingiram-na mesmo sob as ondas, mas Lysandra já estava nadando, subindo para o próximo barco marcado.
Ela usou suas garras desta vez, agarrando o leme e quebrando-o facilmente. Então golpeando a quilha com a cauda. Batendo, não cravando – não, da última vez seus espinhos ficaram presos, na Baía do Crânio. Então ela fizera sua cauda sem os espinhos.
As flechas voaram com mais precisão que as dos soldados valg, disparando como aqueles raios de sol na água. Ela tinha se preparado para isto também.
Eles não contavam com o revestimento de teia de aranha. Horas gastas estudando o material das asas de Abraxos haviam ensinado a ela sobre isso – como mudar sua própria pele para ficar impenetrável.
Lysandra rasgou outro leme, então outro. E outro.
Soldados feéricos gritavam por causa dela. Mas os arpões que disparavam eram pesados demais, e ela era muito rápida, mergulhava profunda e graciosamente. Chicotes de magia a atacaram debaixo da água, tentando prendê-la. Ela escapou deles também.
Uma corte que poderia mudar o mundo, falou para si mesma repetidamente. Já estava se desgastando, destruindo leme após leme, atacando os navios feéricos selecionados.
Ela havia feito uma promessa a essa corte, a esse futuro. Para Aedion. E para sua rainha. Não falharia com eles.
E se, pelos deuses, a maldita Maeve queria bater de frente com eles, se Maeve pensou em atacar enquanto estavam fracos... Lysandra faria a vadia se arrepender disso.



A magia de Dorian se agitava enquanto a frota de Maeve passava a disparar flechas para o caos absoluto. Mas ele manteve seus escudos intactos, remendando os pontos onde as flechas tinham quebrado. Seu poder já vacilava, rapidamente drenado.
Ou por causa de algum truque de Maeve ou por qualquer que fosse a magia que aquelas flechas continham.
Mas Dorian rangeu os dentes, atirando sua magia à vontade, as advertências berradas por Rowan para manter a barreira ecoando pelas águas – amplificada da mesma maneira que Gavriel usou para aumentar sua voz na Baía do Crânio.
Mas mesmo com o caos da armada de Maeve encontrando seus navios sob ataque debaixo da água, as linhas dela estendiam-se infinitamente.
Aelin e Manon ainda não voltaram.
Um macho feérico em fúria letal era terrível de se ver. Dois deles estavam perto de ser cataclísmico.
Quando Aelin e Manon sumiram por aquele espelho, Dorian suspeitou que foi apenas o rugido de Aedion que fez Rowan acalmar a fúria em que ele tinha entrado. E apenas a confusão palpitante no rosto de Dorian fez com que Rowan se segurasse para não lhe dar um soco.
Dorian olhou para as linhas de frente, onde o príncipe feérico estava na proa de seu navio, a espada e o machado prontos, e uma aljava de flechas presa nas costas, várias facas de caça afiadas. O príncipe não tinha desembainhado nada, ele percebeu.
Não, Rowan já tinha descido a um nível da ira gelada que havia feio a magia de Dorian palpitar, mesmo com a distância entre eles.
Podia sentir o poder de Rowan – sentir como ele sentia a magia de Aelin surgindo.
Rowan já havia descido ao fundo do poço de sua magia quando Manon e Aelin haviam partido. Ele tinha usado a última hora, uma vez que Aedion focara seu medo e raiva na batalha à frente, para buscar ainda mais profundamente. Agora fluía em torno deles como o mar poucos metros abaixo.
Dorian seguira o exemplo, relembrando o treinamento que o príncipe lhe dera. O gelo lhe cobrindo as veias, o coração.
Aedion lhe disse apenas uma coisa antes de partir para sua própria seção na frota. O príncipe general o examinou, seus olhos Ashryver demorando-se no machucado que ele lhe dera, e disse:
— O medo é uma sentença de morte. Quando estiver lá fora, lembre-se de que não precisamos sobreviver. Basta aguentar o suficiente para quando ela voltar... e acabar com o resto.
Quando. Não se. Mas quando Aelin encontrasse seus corpos, se o mar já não os tivesse levado... ela poderia muito bem acabar com o mundo por raiva.
Talvez devesse. Talvez este mundo merecesse isso.
Talvez Manon Bico Negro a ajudasse. Talvez elas governariam as ruínas juntas.
Ele desejou ter tido mais tempo para falar com a bruxa. Para conhecê-la além do que seu corpo já havia conhecido.
Porque mesmo com os lemes sendo destruídos... os navios agora avançavam.
Guerreiros feéricos. Nascidos e criados para matar.
Aedion e Rowan enviaram outra salva de flechas apontando para os navios. Os escudos as desintegraram antes que pudessem cumprir seu objetivo. Isso não terminaria bem.
Seu coração trovejou, e ele engoliu em seco enquanto os navios rastejavam em torno de seus irmãos que afundavam, avançando em direção a àquele limite de demarcação.
Sua magia se contorceu.
Ele teria que ter cuidado ao mirar. Teria que fazer valer a pena.
Ele não confiava em seu poder para permanecer focado se soltasse tudo.
E Rowan dissera-lhe que não o fizesse. Tinha-lhe dito para esperar até que a frota estivesse realmente sobre eles. Até eles cruzarem a linha. Até que o príncipe feérico desse a ordem de disparar.
Pois era fogo – e gelo – que guerreavam em Dorian agora, pedindo para serem libertos.
Ele manteve o queixo erguido enquanto mais navios avançavam para os quebrados à frente, e então deslizaram ao lado deles.
Dorian sabia que iria doer. Sabia que doeria destruir sua magia, e depois destruir seu corpo. Sabia que seria doloroso ver seus companheiros caírem, um por um.
Ainda assim Rowan mantinha suas linhas, não deixava seus navios se virarem para fugir.
Mais perto e mais perto, aqueles navios inimigos arremeteram em direção à linha de frente, puxados por remos poderosos. Os arqueiros estavam prestes a disparar, e a luz do sol brilhou da armadura polida dos feéricos, famintos pela batalha, a bordo. Prontos e descansados, preparados para matar.
Não haveria rendição. Maeve os destruiria apenas para punir Aelin.
Ele tinha falhado em mandar Manon e Aelin embora. Naquela aposta, talvez ele tivesse falhado com todos eles.
Mas Rowan Whitethorn não. Não quando Dorian viu aqueles navios entre as linhas inimigas que se aproximavam, carregando o mesmo estandarte:
Um estandarte prata, com um falcão gritando.
E onde a bandeira negra de Maeve que era uma coruja tinha se empoleirado uma vez... agora a bandeira preta estava abaixada para dar lugar à bandeira prateada.
Agora a bandeira escura descia inteiramente, os navios feéricos que carregavam a bandeira de prata da casa Whitethorn abriram fogo em seu próprio exército.

13 comentários:

  1. Quem não guarda Segredos e Planos ☺nesse navio?

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  2. aiiiiiiiiiii deuses do coquinho...não posso com isso...uuuiiiiii.

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  3. ''Agora a bandeira escura descia inteiramente, os navios feéricos que carregavam a bandeira de prata da casa Whitethorn abriram fogo em seu próprio exército.''
    que toppp essa parte

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  4. Até que enfim a familia do Rowan deu uma dentro

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  5. Eu quero saber qual foi o discurso que ele usou para convenser feericos a se voltarem contra sua rainha

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  6. "Agora a bandeira escura
    descia inteiramente, os navios
    feéricos que carregavam a
    bandeira de prata da casa
    Whitethorn abriram fogo em seu
    próprio exército."
    na hora q li essa parte pulei do sofá gritando, mds os parentes do Rowan aderiram a causa da Aelin, tô louca pra saber qual foi o discurso q o Rowan usou pra conhecê-los a ajudar o bonde da Aelin.
    AAAAAAAAAAAAAA TÔ SURTANDO

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  7. SURTANDO. SURTANDO. SURTANDO. ... AI PAPAI AMEI! ! A RAINHA CADELA DEVE TÁ COMO? KKKKKK. .... QUERIA VER A CARA DELA. .... MAS SÓ DE IMAGINAR. ...KKKKKK

    Flavia

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  8. maeve merdendo mais homens huahuahuhauhdiifenjjkjkjjkjkk

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  9. Ai Raziel queria ver o cara da rainha cadela agora Surtei real agora aaaaaa risos risos risos😂😂😂😂😂😂

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  10. Oq será q ele falou com os familiares?
    Ass: Milly*-*😁

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  11. Aêê mais aliados nessa buçanha!!!
    😄😄😄👏🎉

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Boa leitura :)