30 de janeiro de 2017

Capítulo 61

Eles não tiveram escolha a não ser encontrá-los. A frota de Maeve tinha o vento e a corrente, e eles não alcançariam nem a praia antes de serem pegos. E escapar dos soldados feéricos... não era uma opção.
Rowan e Aedion apresentaram todos os rumos para Aelin. Todos os caminhos chegavam a um destino: o confronto. E ela ainda estava tão esgotada, tão exausta, que... ela sabia como terminaria.
Maeve tinha três vezes navios a mais. E guerreiros imortais. Com magia.
Demorou pouco tempo para aquelas velas negras encherem o céu, para que eles percebessem que os barcos de seus inimigos eram melhores, seus soldados treinados. Rowan e a equipe haviam supervisionado muitos daqueles treinamentos – e os detalhes fornecidos não eram encorajadores.
Maeve enviou-lhes um barco de remos esculpido, carregando uma mensagem.
Entreguem-se – ou sejam mandados para o fundo do oceano. Aelin tinha até o amanhecer do dia seguinte para decidir.
Um dia inteiro. Para que o medo supurasse e se espalhasse entre seus homens.
Aelin se encontrou com Rowan e Aedion novamente. O grupo não foi convocado pela rainha, embora Lorcan andasse de um lado ao outro como uma besta enjaulada, Elide observando com um rosto que impressionantemente nada revelava.
Não havia solução. Dorian permaneceu quieto, embora muitas vezes olhasse entre ela e Manon. Como se algum quebra-cabeça estivesse colocado diante dele. Ele nunca disse qual.
Aedion reivindicou o ataque – reunir tranquilamente os barcos e atacar. Mas Maeve veria essa manobra chegar. E eles poderiam atacar mais rápido com magia do que levaria para que eles disparassem flechas e arpões.
Tempo. Isso era tudo que ela tinha para jogar.
Eles debateram e teorizaram e planejaram. Rowan fez uma tentativa decente de tentar sugerir que ela fugisse. Deixou-o falar, apenas para deixá-lo perceber quão estúpida essa ideia era. Depois da noite passada, ele devia estar bem ciente de que ela não o deixaria. Não de bom grado.
Então o pôr do sol. E a armada de Maeve esperou, parada e observando. Uma pantera aguardando, pronta para golpear na primeira luz.
Tempo. Sua única ferramenta – e sua queda. E ele estava acabando.
Aelin contou aquelas velas negras repetidas vezes à medida que a noite as cobria.
E não tinha ideia do que fazer.



Era inaceitável, Rowan tinha decidido, durante as longas horas que haviam debatido.
Inaceitável que eles tivessem feito tanto só para serem parados não por Erawan, mas Maeve.
Não se dignara a fazer nem uma aparição. Mas esse não era o estilo dela.
Ela faria de madrugada. Aceitaria a rendição de Aelin em pessoa, com todos os olhos observando. E então... Rowan não sabia o que ela faria então. O que Maeve queria, além das chaves.
Aelin estava tão calma. Choque, ele percebera. Aelin entrou em choque. Rowan vira sua raiva e matança e riso e choro, mas ele nunca a tinha visto... perdida. E ele se odiava por isso, mas não conseguia encontrar uma saída. Não conseguia encontrar uma maneira de ela sair disso.
Aelin dormia profundamente enquanto Rowan olhava para o teto acima de sua cama, então deslizou seu olhar sobre ela. Percebeu as linhas de seu rosto, as ondas douradas de seus cabelos, cada cicatriz de lua da branca e redemoinho escuro de tinta. Inclinando-se, silencioso como a neve em um bosque, ele beijou sua sobrancelha.
Não deixaria que acabasse aqui, não deixaria que isso fosse o que os separasse.
Ele conhecia as bandeiras das casas que voavam sob a própria flâmula de Maeve. Tinha contado e catalogado todos os dias, classificando as catacumbas de sua memória.
Rowan deslizou em suas roupas e esperou até sair no corredor antes de afivelar o cinto de sua espada. Ainda segurando a maçaneta, ele se permitiu um último olhar para ela.
Por um momento, o passado o enganou – por um momento, ele a viu como a tinha espionado na primeira vez nos telhados de Varese, bêbada e maltratada. Ele estava em forma de falcão, avaliando sua nova carga, e ela o tinha notado – quebrada e bêbada, ela ainda o tinha descoberto lá. E estendido a língua para ele.
Se alguém tivesse lhe dito que a mulher bêbada, briguenta e amarga se tornaria a única coisa que ele não poderia viver sem... Rowan fechou a porta.
Isso era tudo o que poderia lhe oferecer.
Rowan alcançou o convés principal e se transformou, pouco mais do que um brilho de luar enquanto se protegia e atravessava a noite salgada – para o coração da frota de Maeve.



O primo de Rowan tinha bom senso o bastante para não tentar matá-lo ao avistá-lo.
Tinham idades suficientemente próximas para que Rowan tivesse crescido com ele, criados na casa de seu tio depois que seus pais haviam desaparecido. Se seu tio desaparecesse, seria Enda quem assumia o manto como chefe de sua casa – um príncipe de considerável título, propriedade e armas.
Enda, para seu crédito, sentiu sua chegada antes de Rowan escorregar pelo escudo frágil nas janelas. E Enda permaneceu sentado na cama, embora vestido para a batalha, com a mão na espada.
Seu primo o olhou da cabeça aos pés enquanto Rowan se transformava.
— Assassino ou mensageiro, príncipe?
— Nenhum — Rowan disse, inclinando a cabeça ligeiramente.
Como ele, Enda tinha cabelos prateados, embora seus olhos verdes fossem salpicados de marrom que às vezes podiam engolir toda a cor quando ele estava com raiva.
Se Rowan tinha sido criado e construído para campos de batalha, Enda fora esculpido para intrigas e maquinações de cortes. Seu primo, enquanto alto e musculoso, faltava a largura dos ombros de Rowan e a massa sólida – embora isso também pudesse vir dos diferentes tipos de treinamento que tinham recebido. Enda sabia o suficiente sobre a luta para garantir seu lugar aqui para liderar as forças de seu pai, mas sua própria educação fora até pouco depois daquelas primeiras décadas de juventude, quando corriam selvagens juntos na propriedade principal de sua família.
Enda manteve a mão no punho de sua espada fina, completamente calmo.
— Você parece... diferente — disse seu primo, as sobrancelhas se contraindo. — Melhor.
Houve um tempo em que Enda tinha sido seu amigo – antes de Lyria. Antes... de tudo. E Rowan poderia estar inclinado a explicar quem e o que foi responsável por essa mudança, mas ele não tinha tempo. Não, o tempo não era seu aliado esta noite.
Mas Rowan disse:
— Você também parece diferente, príncipe.
Enda deu um meio sorriso.
— Pode agradecer ao meu companheiro por isso.
Uma vez, isso poderia ter enviado uma angústia através dele. Aquilo que Enda falou lembrou-lhe que seu primo não era um guerreiro de batalha, mas o nobre era tão bom quanto qualquer um para perceber detalhes importantes – observar o cheiro de Aelin, agora para sempre ligado ao dele. Rowan assentiu, sorrindo um pouco.
— Era o filho do senhor Kerrigan, não era?
De fato, havia outro perfume entrelaçado com o de Enda, o que dizia ser profundo e verdadeiro.
— Era — Enda sorriu de novo, agora com um anel no dedo. — Nós nos unimos e casamos no início deste verão.
— Quer dizer que você esperou cem anos por ele?
Enda encolheu os ombros, segurando sua espada.
— Quando se trata da pessoa certa, príncipe, esperar cem anos vale a pena.
Ele sabia. Ele o compreendia tão bem que fez o peito dele se quebrar por pensar nisso.
— Endymion — disse ele com voz rouca. — Enda, preciso que você ouça.
Havia muitas pessoas que poderiam ter chamado os guardas, mas ele conhecia Enda – ou tinha conhecido. Ele era apenas um dos vários primos que tinham empurrado seus narizes em seus negócios por anos. Tentado, Rowan agora pensava, não por fofoca, mas... para tentar manter algum pequeno pedaço dele vivo. Enda mais do que qualquer um.
Portanto Endymion deu a ele o presente de ouvi-lo. Rowan tentou manter-se conciso, tentou impedir que suas mãos tremessem. No fim, supôs que seu pedido era simples.
Quando terminou, Enda o estudou, qualquer resposta escondida por trás daquela máscara treinada pela corte de neutralidade.
— Pensarei nisso — Enda respondeu então.
Era o melhor que Rowan podia esperar. Não disse mais nada a seu primo antes de voltar a se transformar e voar pela noite – em direção a outra bandeira em que ele uma vez marchara lado a lado.
De navio em navio, Rowan foi. O mesmo discurso. O mesmo pedido.
Todos eles, todos os seus primos, tinham a mesma resposta.
Pensarei nisso.

11 comentários:

  1. Maeve,como Aelin falaria:
    Cadela Vadia
    Eu sinceramente acho que a autora deveria criar uns chingamentos melhores,esses estão perdendo a força

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    1. Estão perdendo a criatividade !KKKK

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    2. Vdd tem tanto fela da p***, que ela n tá conseguindo suprir...

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  2. Aiii todo mundo tá tãão misterioso nesses planos

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  3. Eu tô surtando d curiosidade, poha Rowan, tô louca pra saber oq ele pediu aos primos -_-

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  4. Eu só penso numa forma de libertar os outros

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  5. Rowan, Lindo... Faça o seu melhor!❤
    Torcendo!!!👊

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  6. Hapaputaquepariu com esse livro, viu.

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  7. Pronto, dois misterios agora: Oq Aelin disse a ele e Oq ele disse as primos... Argh oq, pelo Anjo, pediram ?? 😨😨

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Boa leitura :)