30 de janeiro de 2017

Capítulo 60

Aelin e Ansel brindaram com as garrafas de vinho sobre a mesa da cozinha e beberam profundamente.
Eles deveriam velejar amanhã à primeira luz. Norte – de volta ao norte. Para Terrasen.
Aelin apoiou os antebraços na mesa lisa.
— Esta foi uma entrada dramática.
Lysandra, enrolada no banco em forma de leopardo fantasma, com a cabeça no colo de Aelin, soltou uma pequena risada felina. Ansel piscou, maravilhada.
— E agora?
— Seria bom — Aedion resmungou da mesa, onde ele e Rowan as assistiam — ser incluído em apenas um desses esquemas, Aelin.
— Mas seus rostos são tão maravilhosos quando consigo revelá-los — Aelin cantou.
Ele e Rowan rosnaram. Oh, ela sabia que eles estavam bravos. Tão bravos por ela não ter contado a eles sobre Ansel. Mas o pensamento de decepcioná-los, de falhar... Ela queria fazer isso sozinha.
Rowan, aparentemente, dominou sua irritação o suficiente para perguntar a Ansel:
— O ilkens ou valgs não estavam em Melisande?
— Você está insinuando que minhas forças não eram boas o suficiente para tomar a cidade se eles estivessem? — Ansel bebeu seu vinho em grandes goles, riso dançando em seus olhos. Dorian sentou-se à mesa entre Fenrys e Gavriel, os três sabiamente calados. Lorcan e Elide estavam no convés, em algum lugar. — Não, príncipe — continuou Ansel. — Eu perguntei à rainha de Melisande sobre a falta de horrores de Morath, e, depois de alguma persuasão, ela me informou que por meio de astúcias e intrigas, ela conseguiu manter as garras de Erawan longe dela. E de seus soldados.
Aelin endireitou-se um pouco, desejando ter tido mais vinho do que o terço de uma garrafa que já consumira quando Ansel acrescentou:
— Quando esta guerra acabar, Melisande não terá a desculpa de estar preso a Erawan ou aos valg. Tudo o que ela e seus exércitos fizeram, a escolha de aliar-se com ele, foi uma escolha humana. — Um olhar aguçado para a parte mais escura da cozinha, onde Manon Bico Negro sentava-se sozinha. — Pelo menos Melisande terá as Dentes de Ferro para ter compaixão.
Os dentes de ferro de Manon brilharam na penumbra. Sua serpente alada não tinha sido vista ou ouvida desde que ela saíra, aparentemente. E ela e Elide conversaram durante mais de uma hora no convés aquela tarde.
Aelin decidiu fazer um favor a todos e interromper:
— Eu preciso de mais homens, Ansel. E não tenho a capacidade de estar em tantos lugares ao mesmo tempo.
Todos estavam observando agora.
Ansel baixou a garrafa.
— Você quer que eu levante outro exército para você?
— Quero que você me encontre as bruxas Crochans perdidas.
Manon levantou-se bruscamente.
— O quê?
Aelin arranhou uma marca na mesa.
— Estão escondidas, mas elas ainda estão lá fora, se as Dentes de Ferro as procurarem. Poderiam ter números significativos. Prometa compartilhar os Desertos com elas. Você controla Penhasco dos Arbustos e metade da costa. Dê-lhes o interior e o sul.
Manon estava rondando, a morte em seus olhos.
— Você não tem o direito de prometer tais coisas.
As mãos de Rowan e Aedion foram para suas espadas. Mas Lysandra abriu um olho sonolento, estendeu uma pata no banco e revelou as finas garras afiadas que agora estavam entre as canelas de Manon e Aelin.
Aelin disse a Manon:
— Você não pode manter a terra, não com a maldição. Ansel a ganhou, através de sangue e perdas e sua própria inteligência.
— É a minha casa, a casa do meu povo...
— Esse era o preço pedido, não era? As Dentes de Ferro recuperando sua pátria, e Erawan provavelmente prometeu quebrar a maldição — aos olhos arregalados de Manon, Aelin bufou. — Oh... as Grã-Bruxas não lhe contaram, não é? Que pena. Isso é o que os espiões de Ansel conseguiram — ela olhou para o Líder Alada. — Se você e seu povo se provarem ser melhores do que suas Matriarcas, haverá um lugar para vocês naquela terra também.
Manon apenas voltou para seu assento e encarou o pequeno braseiro da cozinha como se pudesse congelá-lo.
— Tão sensíveis, essas bruxas — Ansel murmurou.
Aelin fechou os lábios, mas Lysandra deixou escapar outra risada felina. As unhas de Manon se chocaram umas contra as outras do outro lado da sala. Lysandra apenas respondeu com as suas.
— Encontre as Crochans — Aelin disse a Ansel.
— Elas estão todas desaparecidas — Manon cortou novamente. — Nós as caçamos quase à extinção.
Aelin lentamente olhou por cima de um ombro.
— E se sua rainha as convocasse?
— Não sou mais rainha do que você.
Eles veriam quanto a isso. Aelin pousou uma mão sobre a mesa.
— Mande qualquer coisa e qualquer pessoa que encontrar para o norte — disse ela a Ansel. — Tomar a capital de Melisande clandestinamente vai pelo menos irritar Erawan, mas nós não queremos ficar presos aqui quando Terrasen for atacada.
— Creio que Erawan provavelmente nasceu irritado. — Só Ansel, que uma vez riu da morte quando saltou de um desfiladeiro e convenceu Aelin a quase morrer fazendo o mesmo, zombaria de um rei valg. Ansel acrescentou: — Farei isso. Eu não sei se será eficaz, mas tenho que ir para o norte de qualquer maneira. Embora eu pense que Hisli ficará com o coração partido por dizer adeus a Kasida mais uma vez.
Não foi nenhuma surpresa que Ansel tivesse conseguido manter Hisli, a égua Asterion que ela tinha roubado para si mesma. Mas Kasida... Oh, Kasida era tão linda quanto Aelin se lembrava, mais ainda quando foi levada por uma passarela para o navio. Aelin tinha escovado a égua quando a levou para os estábulos apertados e úmidos, e subornou a égua a perdoá-la com uma maçã.
Ansel bebeu um longo gole da garrafa.
— Eu ouvi, sabe. Quando você foi para Endovier. Eu ainda lutava por meu trono, lutando contra a horda de Lorde Loch com os senhores que eu uni, mas... mesmo nos Desertos, ouvimos quando você foi enviada para lá.
Aelin se encolheu um pouco mais na mesa, bem ciente de que os outros estavam ouvindo.
— Não foi divertido.
Ansel assentiu com a cabeça.
— Uma vez que matei Loch, tive que ficar para defender meu trono, para torná-lo direito novamente para o meu povo. Mas eu sabia que se alguém pudesse sobreviver a Endovier, seria você. Eu parti no verão passado. Cheguei às Montanhas Ruhnn quando soube que você tinha ido embora. Levada para a capital por... — ela olhou para Dorian, o rosto como pedra na mesa — ele. Mas eu não podia ir para Forte da Fenda. Era longe demais, e eu tinha ido longe demais. Portanto voltei. Fui para casa.
As palavras de Aelin estavam estranguladas.
— Você tentou me tirar de lá?
O fogo lançou reflexos de rubi e ouro nos cabelos de Ansel.
— Não houve uma hora em que não pensei sobre o que fiz no deserto. Como você disparou aquela flecha depois de vinte e um minutos. Você me disse vinte, que atiraria mesmo que eu não estivesse fora do alcance. Eu estava contando, sabia quanto tempo passou. Você me deu um minuto extra.
Lysandra se esticou, acariciando a mão de Ansel. Ela coçou indolentemente a metamorfa.
— Você era meu espelho — Aelin respondeu. — Aquele minuto extra foi tanto por mim quanto por você. — Aelin bateu de novo a garrafa contra a de Ansel. — Obrigada.
— Não me agradeça ainda — Ansel apenas respondeu.
Aelin endireitou-se. Os outros pararam de comer, utensílios descartados em seu guisado.
— Os fogos ao longo da costa não foram estabelecidos por Erawan — disse Ansel, aqueles olhos castanho avermelhados cintilando na luz da lanterna. — Nós interrogamos a rainha de Melisande e seus tenentes, mas... não foi uma ordem de Morath.
O grunhido baixo de Aedion disse-lhe que todos sabiam a resposta antes que Ansel falasse.
— Temos um relatório de que os soldados feéricos estavam começando a espiar. Atirando dos navios.
— Maeve — murmurou Gavriel. — Mas queimar não é seu estilo.
— É o meu — disse Aelin. Todos olharam para ela. Ela soltou uma risada sem humor.
Ansel apenas acenou com a cabeça.
— Ela os tem atacado, culpando-a por isso.
— Para que fim? — perguntou Dorian, passando a mão pelo cabelo preto azulado.
— Para minar Aelin — disse Rowan. — Para fazê-la parecer uma tirana, não uma salvadora. Como uma ameaça que vale a pena combater, ao invés de se aliar.
Aelin sugou um dente.
— Maeve joga bem o jogo, devo reconhecer.
— Portanto ela chegou naquelas costas — apontou Aedion. — Mas onde diabos ela está?
Uma pedra de medo mergulhou no estômago de Aelin. Ela não conseguia dizer para o norte. Sugerir que talvez Maeve navegasse para Terrasen, agora indefesa. Um olhar para Fenrys e Gavriel revelou-os já balançando as cabeças em resposta à pergunta de Rowan.
— Saímos à primeira luz — falou Aelin.



Na escuridão de sua cabine privada, uma hora depois, Rowan traçou uma linha pelo mapa espalhado no centro do chão, depois uma segunda linha ao lado e, em seguida, uma terceiro. Três linhas espaçadas igualmente, largas faixas entre o continente. Aelin, a seu lado, estudou-as.
Rowan desenhou uma flecha saindo a linha mais à esquerda apontando para o centro e falou baixo de modo que os outros nos quartos adjacentes ou no corredor não pudessem ouvir:
— Ansel e seu exército martelam nas montanhas ocidentais — mudou para a linha na extrema direita. — Rolfe, os micênicos e a frota atacam da costa leste.
Uma seta apontando para baixo na seção direita de seu pequeno desenho, onde as duas setas se encontrariam.
— A Devastação e a outra metade do exército de Ansel cobrem o centro, da Galhada do Cervo para o coração do continente, todos convergindo para Morath — aqueles olhos eram como fogo verde. — Você está movendo exércitos para a posição.
— Preciso de mais — disse ela. — E preciso de mais tempo.
Suas sobrancelhas se estreitaram.
— E em que exército você vai lutar? — sua boca se contraiu em um canto. — Suponho que não poderei persuadi-la a ficar atrás das linhas.
— Sabe melhor do que tentar.
— Onde estaria a diversão, de qualquer forma, se eu ganhasse toda a glória enquanto você fica sentada em seu traseiro? Eu nunca deixaria você ouvir o fim disso.
Ela bufou e examinou os outros mapas que estavam espalhados pelo chão da cabine. Juntos, eles formavam uma colcha de retalhos de seu mundo – não apenas o continente, mas as terras além. Ela se levantou, erguendo-se sobre aquilo, como se pudesse espiar aqueles exércitos, tão próximos quanto distantes.
Rowan, ainda ajoelhado, olhou para o mundo a seus pés.
E ela percebeu que era mesmo – se ela ganhasse aquela guerra, ganharia o continente em volta.
Aelin examinou a expansão do mundo, que uma vez parecia tão vasto e agora, a seus pés, parecia tão... frágil. Tão pequeno e quebradiço.
— Você poderia, sabe — Rowan falou, sua tatuagem sob a luz da lanterna. — Tomar para você. Pegar tudo. Use as manobras de Maeve contra ela. Cumpra essa promessa.
Não havia julgamento. Apenas cálculos e contemplações francas.
— E você se juntaria a mim se eu fizesse? Se eu virasse uma conquistadora?
— Você unificaria, não pilharia e queimaria. E sim... para qualquer fim.
— Essa é a ameaça, não é? — pensou. — Os outros reinos e territórios passarão o resto da sua existência perguntando se eu um dia ficarei inquieta em Terrasen. Farão o seu melhor para garantir que permaneçamos felizes dentro de nossas fronteiras, e descubramos mais úteis como aliados e parceiros comerciais do que conquistas em potencial. Maeve atacou a costa de Eyllwe, fazendo se passar por mim, possivelmente para virar aquelas terras estrangeiras contra mim, para anular o que ganhei com meu poder na Baía do Crânio... e usá-lo contra nós.
Ele assentiu.
— Mas se pudesse... você faria?
Por um piscar de olhos, ela pôde ver – ver seu rosto esculpido em estátuas em reinos tão distantes que nem sequer sabiam que Terrasen existia. Uma deusa viva – herdeira de Mala e conquistadora do mundo conhecido. Ela traria música, livros e cultura, acabaria com a corrupção apodrecendo nos cantos da terra...
— Não agora — ela respondeu suavemente.
— Mas depois?
— Talvez se ser rainha me aborrecer... pensarei em tornar-me uma imperatriz. Para dar à minha descendência não um reino para herdar, mas tantos quanto as estrelas.
De qualquer forma, não havia mal nenhum em dizê-lo. No pensamento, estúpido e inútil como era. Mesmo se perguntar sobre as possibilidades... talvez não a tornasse melhor do que Maeve ou Erawan.
Rowan fez um movimento com a cabeça para o mapa mais próximo – para os Desertos.
— Por que perdoou Ansel? Depois do que ela fez com você e os outros no deserto?
Aelin agachou-se novamente.
— Porque ela fez uma escolha ruim ao tentar curar uma ferida que nunca poderia consertar. Tentando vingar as pessoas que amava.
— E você realmente colocou tudo em movimento quando estávamos em Forte da Fenda? Quando estava lutando naqueles poços?
Ela deu a ele uma piscadela marota.
— Eu sabia que se desse o nome de Ansel de Penhasco dos Arbustos, de alguma forma chegaria até ela, que uma jovem de cabelo ruivo estava usando seu nome para matar soldados treinados nos Poços. E que ela saberia que era eu.
— Então, os cabelos vermelhos naquela época... não eram apenas para Arobynn.
— Nem mesmo perto disso — Aelin franziu o cenho para os mapas, insatisfeita por não ter visto outros exércitos escondidos pelo mundo.
Rowan passou a mão pelo cabelo.
— Às vezes gostaria de conhecer todos os pensamentos nessa sua cabeça, cada esquema e conspiração. Então me lembro do quanto me deleita quando você os revela, geralmente quando é mais provável de fazer meu coração parar de bater no meu peito.
— Sabia que você era um sádico.
Ele beijou sua boca uma vez, duas vezes, depois a ponta do nariz, beliscando-a com seus caninos. Ela sibilou e o afastou, e sua risada profunda retumbou contra as paredes de madeira.
— Isso é por não me contar — ele falou. — De novo.
Mas apesar de suas palavras, apesar de tudo, ele parecia tão... feliz. Tão perfeitamente satisfeito e feliz de estar lá, ajoelhado entre aqueles mapas, a lanterna lançando uma luz baixa, o mundo indo para o inferno.
O macho sem alegria e frio que conhecera inicialmente, aquele que esperava por um oponente suficientemente bom para lhe trazer a morte... ele agora a olhava com felicidade no rosto.
Ela pegou sua mão, segurando-a com força.
— Rowan.
A faísca morreu em seus olhos.
Ela apertou os dedos.
— Rowan, preciso que você faça algo por mim.



Manon estava deitada de lado em sua cama estreita, incapaz de dormir.
Não era por causa das más condições do entorno – não, ela tinha dormido em lugares muitos piores, mesmo considerando o buraco remendado na parede.
Ela fitou aquela abertura na parede, o luar vazando na brisa salgada do verão.
Ela não encontraria as Crochans. Não importava como a Rainha de Terrasen a chamasse, admitir a sua linhagem era diferente de... reivindicá-la. Duvidava que as Crochans estivessem dispostas a servir de qualquer maneira, já que ela havia matado a princesa. Sua meia-irmã.
E mesmo se as Crochans realmente decidissem servi-la, lutar por ela... Manon colocou uma mão na grossa cicatriz que agora atravessava seu ventre. As Dentes de Ferro não compartilhariam os Desertos.
Mas foi essa mentalidade, ela supôs quando virou na cama, apoiando suas costas e descolando seus cabelos do pescoço suado e pegajoso, que as mandou para o exílio.
Ela novamente espiou através das lacunas naquele buraco para o mar além. Esperando notar uma sombra no céu noturno, ouvir a batida de asas poderosas.
Abraxos já deveria estar aqui. Ela expulsou a sensação de terror em seu estômago.
Mas em vez de asas, passos rangeram no corredor do lado de fora.

Um batimento cardíaco mais tarde, a porta se abriu em dobradiças quase silenciosas, em seguida, fechou novamente. Foi trancada.
Manon não se sentou quando disse:
— O que você está fazendo aqui?
O luar percorreu o cabelo preto azulado do rei.
— Você não tem mais correntes.
Ela sentou-se, examinando onde os ferros caiam abaixo na parede.
— É mais atraente para você com elas?
Os olhos de safira pareciam brilhar no escuro quando ele se encostou na porta fechada.
— Às vezes, é.
Ela bufou, mas encontrou-se dizendo:
— Você nunca pesou nisso.
— Em quê? — ele perguntou, embora soubesse o que ela queria dizer.
— O que eu sou. Quem eu sou.
— Minha opinião é importante para você, bruxinha?
Manon caminhou em sua direção, parando a poucos metros de distância, consciente de cada centímetro de noite entre eles.
— Você não parece indignado por Aelin ter tomado Melisande sem dizer a ninguém, não parece se importar que eu seja uma Crochan...
— Não confunda meu silêncio com falta de sentimento. Tenho boas razões para manter meus pensamentos para mim mesmo.
Gelo brilhou na ponta dos dedos. Manon o examinou.
— Será você ou a rainha contra Erawan no final, eu me pergunto?
— Fogo contra a escuridão faz uma história melhor.
— Sim, mas quebrar o rei demônio em pedaços sem usar as mãos também.
Um meio sorriso.
— Posso pensar em usos melhores para minhas mãos, invisíveis e carnais.
Um convite e uma pergunta. Ela segurou seu olhar.
— Então termine o que começou — Manon respirou.
O sorriso de resposta de Dorian foi suave – com aquele vislumbre de crueldade que fazia seu sangue aquecer como se a própria Rainha do Fogo tivesse soprado fogo nela.
Ela permitiu que Dorian a apoiasse contra a parede. Deixou-o segurar seu olhar enquanto ele puxou os laços superiores de sua camisa branca.
Um. Por. Um.
Deixou-o inclinar-se para roçar a boca contra seu pescoço nu, logo abaixo de sua orelha.
Manon arqueou ligeiramente àquela carícia. Com a língua que roçava onde seus lábios estavam. Então ele se afastou.
Até mesmo enquanto aquelas mãos fantasmas continuavam a percorrer seus quadris, sua cintura. A boca dele se abriu ligeiramente, o corpo tremendo com contenção. Contenção, onde a maioria dos homens a tomava e levava quando ela oferecia, fartando-se sobre ela. Mas Dorian Havilliard disse:
— O cão de caça estava mentindo naquela noite. O que ela falou sobre a sua tenente. Senti a mentira... pude sentir o gosto dela.
Alguma parte apertada em seu peito afrouxou.
— Não quero falar sobre isso.
Ele se aproximou mais uma vez, e aquelas mãos fantasmas se arrastaram em suas costelas. Ela apertou os dentes.
— E do que você quer falar, Manon?
Ela não tinha certeza se ele tinha dito seu nome antes. E o jeito como ele falou...
— Não quero conversar — replicou ela. — E nem você — acrescentou com um olhar aguçado.
Novamente, aquele sorriso escuro e afiado apareceu. E quando ele se aproximou mais uma vez, suas mãos substituíram aquelas fantasmas.
Traçando seus quadris, sua cintura, seus seios. Círculos sem pressa e indolentes que ela lhe permitiu fazer, simplesmente porque ninguém jamais ousara. Cada roçar de pele contra a dela deixava um rastro de fogo e gelo. Ela se viu paralisada por ele – cada traço luxuoso e sedutor. Nem sequer pensou em se opor quando Dorian puxou sua camisa e examinou sua carne nua, cicatrizada.
Seu rosto se tornou voraz quando ele examinou seus seios, o plano de seu estômago – a cicatriz cortando através dele.
A fome transformou-se em algo gelado e vicioso.
— Uma vez me perguntou onde eu estou na linha entre matar para proteger e matar por prazer. — Seus dedos roçaram a costura da cicatriz em seu abdômen. — Eu ficarei do outro lado da linha quando encontrar a sua avó.
Um calafrio percorreu seu corpo, atingindo seus seios. Ele observou-os, depois circulou um deles com o dedo. Dorian curvou-se, a boca seguindo o caminho onde aquele dedo estivera. Então sua língua. Ela mordeu o lábio contra o gemido que subiu por sua garganta, as mãos deslizando para os cabelos sedosos dele.
Sua boca ainda estava em volta da ponta de seu seio quando ele voltou a encontrar seus olhos, safira emoldurada com cílios de ébano, e disse:
— Quero provar cada centímetro de você.
Manon largou todo o pretexto da razão quando o rei ergueu a cabeça e reclamou sua boca.
E, apesar de querer saboreá-la, Manon pensou que o rei tinha o sabor do mar, como uma manhã de inverno, algo tão estranho e, no entanto, familiar, que afinal arrancou aquele gemido do fundo dela.
Seus dedos deslizaram para a mandíbula dela, inclinando o rosto para tomar completamente sua boca, cada movimento da língua uma promessa sensual que a fez arquear-se contra ele. Ela o encontrava ataque após ataque enquanto ele explorava e provocava até que ela mal conseguia pensar direito.
Ela nunca tinha contemplado como seria – ceder o controle. E não tinha que ser uma fraqueza, mas uma liberdade.
As mãos de Dorian deslizaram para baixo nas suas coxas, como se estivessem experimentando os músculos ali, então para trás – colocando-as em seu traseiro, esmagando-a contra cada centímetros duro dele. O pequeno ruído em sua garganta foi cortado quando ele a levantou da parede em um movimento suave.
Manon envolveu suas pernas em torno da cintura dele enquanto a carregava para a cama, sua boca nunca deixando a dela enquanto a devorava e devorava. Enquanto a espalhava debaixo dele. Enquanto libertou as calças botão por botão, em seguida, as deslizou para baixo.
Mas Dorian afastou-se finalmente, deixando-a ofegante enquanto a observava, completamente nua diante dele. Ele acariciou um dedo pelo interior de sua coxa.
— Eu a quis desde o primeiro momento em que a vi em Carvalhal — ele disse, sua voz baixa e áspera.
Manon estendeu a mão para descartar sua camisa, o tecido branco deslizando para revelar pele bronzeada e músculos esculpidos.
— Sim — foi tudo o que ela lhe disse. Ela desabotoou o cinto, as mãos tremendo. — Sim — ela disse novamente, enquanto Dorian roçava os nós dos dedos sobre seu núcleo. Soltou um grunhido de aprovação pelo que descobriu.
Suas roupas se uniram às dela no chão. Manon deixou que ele erguesse seus braços sobre a cabeça, a magia suavemente prendendo seus pulsos ao colchão quando ele a tocou, primeiro com aquelas mãos perversas, então com sua boca perversa. E quando Manon teve que morder seu ombro para abafar seus gemidos quando ele a levou para o limite, Dorian Havilliard enterrou-se profundamente dentro dela.
Não se importava com quem ela era, quem fora ou o que uma vez prometera ser quando se movia. Passou suas mãos através de seu cabelo espesso, nos músculos de suas costas quando ele flexionou e se encrespou a cada empurrão que a levou para aquele limite cintilante novamente. Aqui, ela era apenas carne, fogo e ferro; aqui, só havia essa necessidade egoísta do corpo dela, do corpo dele.
Mais. Queria mais – queria tudo.
Poderia ter sussurrado, poderia ter implorado por isso. Porque a Escuridão a salvasse, Dorian lhe daria. Para ambos.
Ele permaneceu em cima dela quando finalmente se acalmou, seus lábios apenas alguns centímetros acima dela – pairando após o beijo brutal que ele dera para conter seu rugido quando a libertação o encontrou.
Estava tremendo com... tudo o que ele tinha feito com ela, seu corpo. Ele tirou uma mecha de cabelo do rosto dela, seus próprios dedos tremendo.
Ela não tinha percebido quão silencioso o mundo estava – quão alto eles poderiam ter sido, especialmente com tantos ouvidos feéricos nas proximidades.
Ainda estava em cima dela, nela. Aqueles olhos de safira lhe tocaram a boca, ainda arquejando ligeiramente.
— Isso era para cruzar as linhas.
Ela manteve suas palavras baixas enquanto as roupas deslizavam, puxadas por mãos fantasmas.
— E fez isso?
Ele traçou seu lábio inferior com o polegar e estremeceu enquanto ela o chupou, acendendo-o com sua língua.
— Não. Nem mesmo perto.
Mas aquela era a luz cinza do amanhecer rastejando para dentro do quarto, manchando as paredes de prata. Ele pareceu perceber isso no mesmo momento que ela. Gemendo suavemente, se afastou. Ela puxou suas roupas com eficiência treinada, e somente quando estava amarrando sua camisa, Dorian disse:
— Nós não terminamos, você e eu.
E foi a promessa puramente masculina que a fez mostrar os dentes.
— A menos que queira aprender exatamente quais partes minhas são feitas de ferro na próxima vez que me tocar, eu decido essas coisas.
Dorian deu outro sorriso de macho, as sobrancelhas levantadas, e saiu pela porta tão silenciosamente quanto chegara. Parecendo apenas parar na soleira – como se alguma coisa tivesse atrapalhado seu interesse. Mas ele continuou saindo, a porta se fechando com apenas um clique. Imperturbável, absolutamente calmo.
Manon ficou boquiaberta, amaldiçoando seu sangue por esquentar novamente, por... pelo o que lhe permitira fazer.
Ela se perguntou o que Dorian diria se ela falasse que nunca havia permitido um homem em cima dela desse jeito. Nenhuma vez. Perguntou-se o que ele diria se falasse que queria afundar os dentes em seu pescoço e descobrir que gosto ele tinha. Colocar sua boca em outras partes e ver o gosto dele lá.
Manon passou as mãos pelo cabelo e caiu sobre o travesseiro.
A escuridão a abraçou.
Ela enviou uma oração silenciosa para que Abraxos voltasse em breve. Muito tempo – ela tinha passado maldito tempo demais entre aqueles humanos e os machos feéricos. Ela precisava sair. Elide estava segura aqui – a Rainha de Terrasen poderia ser muitas coisas, mas Manon sabia que ela protegeria Elide.
Com as Treze espalhadas e provavelmente mortas, porém, independentemente do que Dorian tinha alegado, Manon não estava totalmente certa de para onde ir, uma vez que ela saísse. O mundo nunca tinha parecido tão vasto antes.
E tão vazio.



Mesmo totalmente exausta, Elide mal dormiu durante a longa noite em que ela e Lorcan se balançavam nas redes com os outros marinheiros. Os cheiros, os sons, o balanço do mar... tudo isso incomodava, nada a deixava em paz. Um dedo parecia continuar a cutucá-la, como se dissesse para ela ficar alerta, mas... não havia nada.
Lorcan agitou-se e se virou por horas. Como se a mesma força o implorasse para acordar.
Como se esperasse por algo.
Sua força estava diminuindo quando chegaram ao navio, embora não tivesse mostrado sinais de tensão além de um ligeiro aperto na boca. Mas Elide sabia que ele estava perto do que descreveu como um esgotamento. Sabia porque durante horas depois, o pequeno aperto de magia em volta do seu tornozelo continuava tremulando dentro e fora do lugar.
Depois que Manon a informara do destino inseguro das Treze, Elide se mantivera a maior parte do tempo fora do caminho de seus companheiros, deixando-os falar com aquela jovem ruiva que os encontrou na praia. Lorcan também. Os ouvira debater e planejar, o rosto tenso, como se algo dentro dele ficasse cada vez mais apertado a cada momento.
Observando-o dormir a poucos metros de distância, aquele rosto duro suavizado pelo sono, uma pequena parte de Elide se perguntou se ela teria de alguma forma trazido outro perigo para a rainha. Perguntou-se se os outros haviam notado quantas vezes o olhar de Lorcan estava fixo nas costas de Aelin. Mirando as costas dela.
Como se sentisse sua atenção, Lorcan abriu os olhos. Encontrou seu olhar fixo sem piscar. Por um momento, ela tomou aquele olhar profundo a poucos metros de distância, tornado etéreo pela luz prateada antes do amanhecer.
Ele estava disposto a oferecer sua vida por conta da dela.
Algo suavizou naquele rosto áspero enquanto seus olhos mergulhavam para onde seu braço pendia fora de sua rede, a pele ainda um pouco dolorida, mas... miraculosamente curada. Ela agradeceu duas vezes a Gavriel agora, mas ele a afastara com um leve aceno de cabeça e dar de ombros.
Um leve sorriso floresceu na boca áspera de Lorcan quando cruzou o espaço entre eles e passou seus dedos calosos pelo braço dela.
— Você escolhe isso? — ele murmurou para que fosse pouco mais alto do que o gemido das cordas da rede. Ele roçou um polegar em sua palma.
Elide engoliu em seco, mas deixou-se levar por cada traço daquele rosto. Norte – eles estavam indo para casa hoje.
— Eu pensei que fosse óbvio — ela respondeu no mesmo tom, suas bochechas esquentando.
Seus dedos se entrelaçaram nos dela, alguma emoção que ela não conseguia definir piscou como a luz das estrelas naqueles olhos negros.
— Precisamos conversar — ele murmurou.
Foi o grito do vigia que os despertou. Um de puro terror.
Elide quase caiu da rede, os marinheiros passando. Quando ela afastou o cabelo dos olhos, Lorcan já tinha ido embora.
As várias plataformas estavam cheias, e ela teve que coxear nas escadas para ver o que os havia despertado. Os outros navios estavam despertos e frenéticos. Com razão.
Navegando pelo horizonte ocidental, outra armada se dirigia para eles.
E Elide sabia em seus ossos que não era um que Aelin tinha urdido e planejado.
Não quando Fenrys prendeu a respiração, de repente ao lado dela nos degraus.
— Maeve.

24 comentários:

  1. Maeve ahhhh tia cuzona!!!! eu em.

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  2. Manorian finalmente!!!
    Livro quentinho!

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  3. — Rowan, preciso que você faça algo por mim.
    Essa frase me tirou a alegria do dia por enquanto pelo menos.
    Esse livro ainda não terminou mas ta perto e se o proximo for melhor que esse então a autora pode demorar ate o dia em que a maldição do tigre tiver fime(ou seja daqui a muito tempo porque nem sombra do filme eu vi)

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  4. Maeve. .. essa rainha cadela ..... chega pra acabar com a caravana do amor. .... ela tá precisando de um macho feérico tbm!

    Flavia

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    1. verdade...quem nao precisa em eu mesmo necessito de um

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    2. kkkkk tendo um surto de risos depois de ter lido esse comentário kkkkkkkkk

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  5. AEEEEEEEEE POHA FINALMENTE ELES SE COMERAM HEUHEU já tava começando a me irritar com o Dorian por fazer cu doce pq tipo a Manon já estava doida pra dá pra ele.
    #Manorian
    Que merda mano, tinha q ser logo a tia puta?? Se veio pegar seus machos d volta, só digo três palavras: PERDEU TIA PUTONA

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  6. quão alto eles poderiam ter sido, especialmente com tantos ouvidos feéricos nas proximidades. privacidade total soqn...
    e porra, maeve... some

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  7. sem mais delongas esse capitulo foi bem quentinho em

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  8. Aaaaeeeeeee finalmente.. já tava pensando q o Dorian tinha broxado completamente kkkkkkkkkkkkkkkkkk... a rainha vadia chegou kkkkkkkkkkk... ai ai...só mais um dia no paraíso

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  9. já to quase começando a chamar esse livro de 50 tons de vidro

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  10. Quero que os outros 2 guerreiros feéricos apareçam. Espero que a Meave tenha trazido irmão do Fenrys. E espero q a Maeve não chame todos eles de volta.

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  11. Até que em fim um pouco de guerra kkkk essa viagem tava parecendo encontro de casais, o barquinho do amor kkkk

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  12. Oq que será q aelin pedido a Rowan?

    Maeve chegou😨
    Agora Lorcan, Fenrys e gavriel vão ficar do lado dela.
    Nossa será que Lorcan vai ser morto pelos dois agora?😭
    Ass: Milly *-*

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  13. Karina quando vai postar o proximo livro?
    Nem acabei um, mas to ansiosa para ler.... Amo seu blog 😍

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  14. — Sim — foi tudo o que ela lhe disse. Ela desabotoou o cinto, as mãos tremendo. — Sim — ela disse novamente, enquanto Dorian roçava os nós dos dedos sobre seu núcleo. Soltou um grunhido de aprovação pelo que descobriu.
    Ah Manon safadinha kkkkk

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  15. so eu que acho q a Manom tem q dar um sacode nessas mina ai? pq ela e uma bruxa foda para caralho. E sinceramente a Aelin deveria entender a Manon, afinal a Aelin tbm e uma rainha sem patria e nem povo. Sodidariedade. E eu quero ver a conversa do Lorcan e da Elide!!!!!! Eu quero msm saber como eles estao agr!


    O que a Aelin pediu pro Rowan??
    Manon e Dorian!!!!!!!! FINALMENTEE!!!! MEU OTP TRANSOU! Eu já tava achando que não ia rolar kkk
    Lorcan e Elide, eu quero saber dessa conversa ai

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  16. roendo todas as minhas unhas aqui, mas que m@#$#%$

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  17. O shipp se realizooooou!!! 😀

    O inferno chegou bem mais cedo do q previamos... Q merda.

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Boa leitura :)