30 de janeiro de 2017

Capítulo 5

Aelin olhou e olhou para aquele pedaço de papel, com os nomes que tinham sido assinados muito antes desta noite, por homens que tinham decidido contra ela sem conhecê-la, homens que tinham mudado o seu futuro, seu reino, com apenas suas assinaturas.
Talvez ela devesse ter convocado esta reunião até que estivesse em Orynth, até que seu povo visse o seu regresso e quando teria sido mais difícil chutá-la para a calçada do palácio.
Aelin respirou.
— Nossa desgraça se reúne no Sul de Adarlan... e é nisso que você foca?
— Quando tivermos necessidade do seu... conjunto de habilidades, chamaremos — Darrow zombou.
Nenhum fogo queimava nela, nem mesmo uma brasa. Como se Darrow tivesse tirado seu oxigênio, apagado-o para fora. dela
— A Devastação — Aedion falou com uma pitada de sua insolência lendária —não responderá a ninguém além de Aelin Galathynius.
— A Devastação — Darrow retrucou — agora é de nosso comando. Caso não haja concordância quanto ao trono, os senhores controlam os exércitos de Terrasen — ele novamente estudou Aelin, como se sentisse o plano vago de retornar publicamente a sua cidade, para tornar mais difícil para ele chutá-la para fora, brilhando enquanto se formava. — Coloque o pé em Orynth, menina, e você vai pagar.
— Isso é uma ameaça? — Aedion rosnou, uma mão correndo para agarrar o punho da Espada de Orynth embainhada ao seu lado.
— É a lei — Darrow disse simplesmente. — Gerações de governantes Galathynius a têm honrado.
Havia tal rugido em sua cabeça, e tal vazio no mundo restante.
— Os valg marcharão sobre nós – um rei valg marchará sobre nós — Aedion pressionou, o general encarnado. — E sua rainha, Darrow, pode ser a única pessoa capaz de mantê-los afastados.
— A guerra é um jogo de números, e não magia. Você sabe disso, Aedion. Você lutou em Theralis. — A grande planície antes de Orynth, palco da condenada batalha final em que o exército do império caíra em cima deles. A maioria das forças e comandantes de Terrasen não saíram de pé do banho de sangue, então rios completamente vermelhos correram por dias depois disso. Se o próprio Aedion lutara lá... Deuses, ele mal devia ter catorze anos. Seu estômago revirou. Darrow concluiu: — a magia falhou-nos uma vez antes. Não confiaremos nela novamente.
Aedion estalou:
— Precisaremos de aliados...
— Não há aliados — disse Darrow. — A menos que Sua Alteza decida ser útil e ganhar homens e armas através de casamento — um olhar penetrante de Rowan — nós estamos sozinhos.
Aelin debateu revelar o que ela sabia, o dinheiro pela qual planejou e matou para conseguir, mas...
Algo frio e oleoso ressoou através dela. Casamento com um rei estrangeiro, ou príncipe ou imperador.
Será que esse era o custo? Não apenas pelo sangue derramado, mas de seus sonhos? Ser uma princesa eterna, mas nunca uma rainha? Lutar não apenas com a magia, mas com o outro poder no seu sangue: a realeza.
Ela não conseguiria olhar para Rowan, não poderia enfrentar aqueles olhos verdes como pinheiros sem passar mal.
Ela uma vez rira de Dorian – rira e o repreendera por ele admitir o pensamento de que se casar com alguém com quem sua alma não tivesse ligação era abominável. Ela o repreendera por ter escolhido amor acima da paz de seu reino.
Talvez os deuses a odiassem. Talvez este fosse o seu teste. Escapar de uma forma de escravidão apenas para cair em outra. Talvez este fosse o castigo pelos anos de riquezas em Forte da Fenda.
Darrow lhe deu um pequeno sorriso satisfeito.
— Me encontre aliados, Aelin Galathynius, e talvez possamos considerar o seu papel no futuro de Terrasen. Pense nisso. Obrigado por nos convidar para esta reunião.
Silenciosamente, Aelin se levantou. Os outros fizeram o mesmo. Exceto por Darrow.
Aelin arrancou o pedaço de papel com as assinaturas e examinou as palavras contundentes, as assinaturas rabiscadas. O fogo crepitante era o único som.
Aelin silenciou.
E as velas. E o lustre de ferro forjado sobre a mesa.
A escuridão caiu, quebrada apenas pelas respirações gêmeas e rápidas de Murtaugh e Ren. O tamborilar da chuva enchia a sala escura.
Aelin falou no escuro, para onde Darrow estava sentado.
— Eu sugiro, senhor Darrow, que se acostumar com isso. Porque se perdemos esta guerra, a escuridão reinará para sempre.
Houve um som de raspagem e um silvo logo em seguida, um fósforo ganhando vida e acendendo uma vela sobre a mesa.
No rosto enrugado de Darrow, ódio cintilou à vista.
— Os homens podem fazer a sua própria luz, Herdeira de Brannon.
Aelin olhou para a única chama que Darrow acendera. O papel em suas mãos murchou em cinzas.
Antes que ela pudesse falar, Darrow disse:
— Essa é a nossa lei – nossa justiça. Se ignorar esse decreto, princesa, estará contaminando tudo pelo o que sua família lutou e morreu. Os senhores de Terrasen deram sua palavra.
A mão de Rowan era sólida contra a parte inferior de suas costas. Mas Aelin olhou para Ren, seu rosto apertado. E por sobre o rugido em sua cabeça, ela falou:
— Votando ou não a meu favor, há um lugar para você nesta corte. Por ter ajudado Aedion e o capitão. Por Nehemia. — Nehemia, que havia trabalhado com Ren, lutado com ele. Algo como dor ondulou nos olhos de Ren, e ele abriu a boca para falar, mas Darrow o cortou.
— Que desperdício de uma vida isso foi — Darrow cuspiu. — Uma princesa realmente dedicada ao seu povo, que lutou até seu último suspiro para...
— Mais uma palavra — Rowan falou suavemente — e eu não me importarei com quantos senhores o apoiam ou quais são suas leis. Mais uma palavra sobre isso, e eu o estriparei antes que você possa se levantar dessa cadeira. Entendido?
Pela primeira vez, Darrow olhou nos olhos de Rowan e empalideceu com a morte que encontrou esperando-o lá. Mas as palavras do senhor bateram a sua meta, deixando uma espécie tremor de dormência em seu rastro.
Aedion arrebatou a adaga de Aelin da mesa.
— Nós levaremos os seus pensamentos em consideração.
Ele pegou seu escudo e colocou a mão no ombro de Aelin para guiá-la para fora da sala. Foi apenas a visão do escudo amassado e cheio de cicatrizes, da antiga espada pendurada na cintura dele que colocou seus pés em movimento, cortando a espessa dormência.
Ren moveu-se para abrir a porta, entrando no salão para além para examiná-lo, dando a Lysandra um amplo espaço para ela passar, Evangeline e Ligeirinha seguindo sua cauda felpuda, o sigilo que se danasse.
Aelin encontrou os olhos do jovem senhor e tomou fôlego para falar alguma coisa, quando Lysandra rosnou para o corredor.
Um punhal estava instantaneamente na mão de Aelin, em ângulo e pronto. Mas era o mensageiro de Darrow correndo na direção deles.
— Forte da Fenda — ele ofegava quando derrapou até parar, jogando chuva sobre eles. — Um dos batedores do Desfiladeiro Ferian acabou de passar. As tropas das Dentes de Ferro voam para Forte da Fenda. Vão atacar a cidade.



Aelin estava em uma clareira logo depois do brilho da pousada, a chuva fria molhando seu cabelo e erguendo calafrios em sua pele. Molhando todos, porque Rowan agora afivelava as lâminas extras que ela lhe entregara, conservando cada gota de sua magia para o que ele estava prestes a fazer.
Eles deixaram o mensageiro depois de saber as informações que ele tinha recebido – não muitas, no total.
As tropas de Dentes de Ferro baseadas no Desfiladeiro de Ferian estavam agora voando para Forte da Fenda. Dorian Havilliard seria seu alvo. Morto ou vivo.
Eles estariam sobre a cidade ao anoitecer do dia seguinte, e uma vez que Forte da Fenda fosse tomada... a rede de Erawan do meio do continente estaria completa. Nenhuma força de Melisande, Charco Lavrado ou Eyllwe poderia chegar a eles, e nenhuma das forças de Terrasen poderia descer, também. Não sem desperdiçar meses de marcha ao redor das montanhas.
— Não há nada a ser feito pela cidade — Aedion falou, sua voz cortando a chuva. Os três permaneciam sob a cobertura de um grande carvalho, mantendo um olho em Ren e Murtaugh, que foram falar com Evangeline e Lysandra, agora de volta à sua forma humana. Seu primo continuou, a chuva sibilando contra o escudo nas costas: — se as bruxas voaram para Forte da Fenda, então Forte da Fenda já se foi.
Aelin se perguntou se Manon Bico Negro estaria conduzindo o ataque – se isso seria uma bênção. A Líder Alada os salvara uma vez antes, mas apenas como pagamento de uma dívida de vida. Ela duvidava que a bruxa se sentisse obrigada a lançar-lhes um osso em breve.
Aedion encontrou o olhar de Rowan.
— Dorian deve ser salvo a qualquer custo. Eu conheço o estilo de Perrington – Erawan. Não acredite nas promessas que eles faz, e não deixe que Dorian seja tomado novamente — Aedion passou uma mão por seu cabelo encharcado e acrescentou: — Ou você mesmo, Rowan.
Eram as palavras mais horríveis que já tinha ouvido. Rowan confirmou com um aceno que fez seus joelhos tremerem. Ela tentou não pensar nos dois frascos de vidro que Aedion entregara ao príncipe momentos antes. No que eles continham. Ela nem sequer sabia quando ou onde ele os adquirira.
Nada disso. Qualquer coisa além...
A mão de Rowan apertou a dela.
— Eu vou salvá-lo — ele murmurou.
— Eu não pediria isso de você se não que fosse... Dorian é vital. Se o perdermos, perderemos qualquer apoio de Adarlan. — E um dos poucos manejadores de magia que poderia estar contra Morath.
O aceno de Rowan foi sombria.
— Eu a sirvo, Aelin. Não se desculpe por me usar.
Porque só Rowan, cavalgando os ventos com sua magia, poderia chegar a Forte da Fenda a tempo. Mesmo agora, poderia ser tarde demais. Aelin engoliu em seco, lutando contra a sensação de que o mundo estava sendo arrancado de debaixo dos seus pés.
Um lampejo de movimento perto da linha das árvores chamou sua atenção, e Aelin preencheu seu rosto com neutralidade enquanto estudava o que havia sido deixado por pequenas mãos finas na base de um carvalho nodoso. Nenhum dos outros nem mesmo lançou um olhar naquela direção.
Rowan terminou com as suas armas, olhando entre ela e Aedion com franqueza de um guerreiro.
— Onde eu os encontro depois de já ter assegurado o príncipe?
Aedion respondeu:
— Vá para o norte. Mantenha-se afastado do Desfiladeiro Ferian...
Darrow apareceu na outra extremidade da clareira, latindo uma ordem para Murtaugh ir para ele.
Não — disse Aelin.
Ambos os guerreiros se viraram.
Ela olhou para o norte, para a chuva turva e os relâmpagos.
Ela não iria colocar os pés em Orynth; não veria seu lar.
Me encontre aliados, Darrow zombara.
Não se atrevia a olhar para o que a pequena fada deixara na sombra daquela árvore atingida pela chuva a poucos metros de distância.
Aelin disse a Aedion:
— Se Ren é confiável, diga a ele para encontrar a Devastação, e estar pronto para marchar e pressionar a partir do Norte. Se não podemos liderá-los, então eles terão que trabalhar em torno das ordens de Darrow da melhor forma possível.
As sobrancelhas de Aedion se ergueram.
— Em que está pensando?
Aelin mudou o foco para Rowan.
— Consiga um barco e viaje para o sul com Dorian. Por terra é muito arriscado, mas trabalhando com seus ventos sobre o mar, poderão chegar lá em poucos dias. Para a Baía da Caveira.
— Merda — Aedion sussurrou.
Aelin apontou com o polegar sobre um ombro para a Ren e Murtaugh enquanto dizia a seu primo:
— Você me disse que eles estavam em comunicação com o capitão Rolfe. Faça com que um deles escreva uma carta de recomendação para nós. Agora mesmo.
— Pensei que você conhecesse Rolfe — observou Aedion.
Aelin lhe deu um sorriso triste.
— Ele e eu nos separamos em... más condições, para dizer o mínimo. Mas se Rolfe puder mudar para o nosso lado...
— Então teríamos uma pequena frota que poderia unir Norte e Sul – apesar do bloqueio — Aedion terminou por ela.
E era uma coisa boa que ela tivesse tomado todo o ouro de Arobynn para pagar por isso.
— A Baía da Caveira pode ser o único lugar seguro para nos escondermos – para contatar com os outros reinos — ela não se atreveu a dizer-lhes que Rolfe poderia ter muito mais do que uma frota de transportadores de bloqueio para oferecer-lhes, se ela jogasse direito. Ela disse para Rowan: — Espere lá por nós. Vamos atacar para a costa esta noite, e navegaremos para as Ilhas Mortss. Ficaremos duas semanas atrás de você.
Aedion apertou Rowan no ombro em despedida e se dirigiu para Ren e Murtaugh. Um segundo depois, o velho estava mancando para a pousada, Darrow em seus calcanhares, exigindo respostas.
Desde que Murtaugh escrevesse aquela carta para Rolfe, ela não se importava.
Sozinha com Rowan, Aelin falou:
— Darrow espera que eu obedeça a essa ordem sem reagir. Mas se pudermos reunir uma tropa no sul, podemos empurrar Erawan direto para as lâminas da Devastação.
— Isso ainda pode não convencer Darrow e os outros...
— Eu lidarei com isso mais tarde — disse ela, água espirrando enquanto balançava a cabeça. — Por enquanto, não tenho planos de perder essa guerra porque um velho bastardo decidiu que gosta de brincar de rei.
O sorriso de Rowan era feroz, mau. Ele se inclinou, apertando sua boca contra a dela.
— Eu não tenho planos para deixá-lo manter o trono, também, Aelin.
Ela só murmurou:
— Volte para mim.
O pensamento do que o esperava em Forte da Fenda a golpeou novamente. Deuses – oh, deuses. Se alguma coisa acontecesse com ele...
Ele passou um nó do dedo pelo seu rosto molhado, traçando a boca com o polegar. Ela colocou a mão em seu peito musculoso, exatamente onde aqueles dois frascos de veneno agora estavam escondidos. Por um instante, ela pensou em transformar o líquido mortal em vapor.
Mas se Rowan fosse capturado, se Dorian fosse capturado...
— Eu não posso... não posso deixá-lo ir...
— Você pode — ele disse com pouco espaço para discussão. A voz de seu príncipe-comandante. — E você vai — Rowan novamente traçou sua boca. — Quando me encontrar de novo, teremos aquela noite. Não importa onde ou quem estiver ao redor — ele deu um beijo em seu pescoço e falou por sobre a chuva que caía em sua pele: — Você é meu Coração de Fogo.
Ela agarrou seu rosto com as duas mãos, puxando-o para beijá-la.
Rowan envolveu seus braços ao redor dela, esmagando-a contra si, as mãos se movendo como se estivesse marcando a sensação da pele dela nas palmas de suas mãos. O beijo deles era selvagem com gelo e fogo se entrelaçando. Mesmo a chuva parecia fazer uma pausa quando eles finalmente se afastaram, ofegantes.
E através da chuva e do fogo e do gelo, através dos relâmpagos e trovões e da escuridão, uma palavra cintilou em sua cabeça, uma resposta e um desafio e uma verdade que ela imediatamente negou, ignorou. Não por si, mas por ele – por ele...
Rowan se transformou em um flash mais brilhante do que um relâmpago.
Quando ela finalmente parou de piscar, um grande falcão batia as asas por entre as árvores e pela chuva, atirando-se para a noite. Rowan soltou um grito penetrante quando rumou para a costa – o som de uma despedida, uma promessa e um grito de guerra.
Aelin engoliu o caroço em sua garganta enquanto Aedion se aproximou e agarrou seu ombro.
— Lysandra quer que Murtaugh fique com Evangeline. Para “treinamento de lady”. A menina se recusa a ir. Talvez seja necessário... ajuda.
A menina estava de fato agarrando-se a sua senhora, ombros tremendo com a força de seu choro. Murtaugh observava impotentes, agora de volta a partir da pousada.
Aelin atravessou o espaço barrento, os passos fazendo som de sucção. Quão longe, há tanto tempo a sua manhã alegre parecia estar agora.
Ela tocou o cabelo encharcado de Evangeline, e a menina se afastou tempo suficiente para Aelin dizer-lhe:
— Você é um membro da minha corte. E, como tal, deve responder a mim. Você é sábia e corajosa, e uma alegria, mas estamos indo para lugares escuros e horríveis, onde eu mesma temo pisar.
O lábio de Evangeline tremeu. Algo no peito de Aelin distendeu, mas ela soltou um assobio baixo, e Ligeirinha, que estivera encolhida da chuva sob seus cavalos, furtivamente afastada.
— Eu preciso de você para cuidar de Ligeirinha — Aelin falou, acariciando a cabeça úmida da cadela, suas orelhas longas. — Porque nesses lugares escuros e horríveis, um cão estaria em perigo. Você é a única a quem confio a segurança dela. Você pode cuidar dela para mim? — ela deveria ter feito mais carinhos nelas – naqueles momentos calmos, felizes e monótonos na estrada. Deveria ter saboreado cada segundo em que estavam todos juntos, todos a salvo.
Acima da menina, o rosto de Lysandra estava tenso – seus olhos brilhavam com mais do que apenas chuva. Mas a lady acenou para Aelin, mesmo enquanto observava Murtaugh mais uma vez com o foco de um predador.
— Fique com lorde Murtaugh, aprenda sobre essa corte e seu funcionamento, e proteja minha amigo — Aelin falou para Evangeline, abaixando-se para beijar a cabeça encharcada de Ligeirinha. Uma vez. Duas vezes. A cadela distraída lambeu a chuva de seu rosto. — Você pode fazer isso? — repetiu Aelin.
Evangeline olhou para a cadela, depois para sua mentora. E assentiu.
Aelin beijou o rosto da menina e sussurrou em seu ouvido:
— Trabalhe sua magia sobre esses velhos miseráveis, enquanto estiver com eles — ela se afastou para piscar para a menina. — Ganhe o meu reino de volta para mim, Evangeline.
Mas a menina estava além de sorrisos, e balançou a cabeça novamente.
Aelin beijou Ligeirinha uma última vez e virou-se para seu primo, aguardando enquanto Lysandra se ajoelhava na lama diante da menina, afastando o cabelo molhado e falando baixo demais para seus ouvidos feéricos detectarem.
A boca de Aedion era uma linha dura enquanto ele tirava os olhos de Lysandra e da menina e inclinava a cabeça para Ren e Murtaugh. Aelin ficou ao lado dele, parando a poucos passos dos senhores Allsbrook.
— Sua carta, Majestade — disse Murtaugh, estendendo um tubo selado com cera.
Aelin pegou-a, inclinando a cabeça em agradecimento.
— A menos que queira trocar um tirano pelo outro, sugiro que leve a Devastação e quaisquer outros prontos para forçar a partir do norte — Aedion disse a Ren.
Murtaugh respondeu por seu neto:
— Darrow estará bem...
— Darrow — Aedion interrompeu — agora é um homem com dias limitados.
Todos olharam para ela. Mas Aelin olhava para as luzes da taberna piscando através das árvores – e para o velho homem que mais uma vez os atormentava, uma força da natureza em seu próprio direito.
— Não tocaremos em Darrow.
— O quê? — Aedion estalou.
— Eu apostaria todo o meu dinheiro que ele já tomou as precauções para garantir que, se ele encontrar uma morte prematura, nunca poremos os pés em Orynth novamente — Murtaugh deu-lhe um aceno de cabeça em sombria confirmação. Aelin deu de ombros. — Então, nós não o tocaremos. Jogaremos o seu jogo – jogaremos por regras e leis e juramentos.
A alguns metros de distância, Lysandra e Evangeline ainda conversavam suavemente, a menina agora chorando nos braços de sua mentora, Ligeirinha ansiosamente roçando seu quadril.
Aelin encontrou o olhar de Murtaugh.
— Eu não sei, senhor, mas você foi leal ao meus tio – à minha família durante estes longos anos — ela puxou uma adaga de uma bainha escondida ao longo de sua coxa. Eles se encolheram quando ela cortou a própria palma da mão. Mesmo Aedion reconheceu. Aelin apertou a palma da mão ensanguentado em um punho, erguendo-o no ar entre eles. — Por causa dessa lealdade, você entenderá o que promessas de sangue significam para mim quando eu digo que, se essa menina voltar ferida física ou psicologicamente, ou de outra forma, eu não ligo para que leis existem, quais as regras quebrarei — Lysandra tinha agora se virado para eles, seus sentidos detectando sangue. — Se Evangeline for ferida, vocês vão queimar. Todos vocês.
— Ameaçando sua leal corte? — zombou uma voz fria enquanto Darrow parava a alguns metros de distância.
Aelin o ignorou. Murtaugh estava de olhos arregalados – assim como Ren.
O sangue dela infiltrou-se na terra sagrada.
— Que este seja o seu teste.
Aedion praguejou. Ele entendia. Se os senhores de Terrasen não pudessem manter uma criança segura no seu reino, se não pudessem encontrar em si mesmos motivo para salvar Evangeline, para cuidar de alguém que não pudesse lhes trazer nenhum bem, ganhar-lhes riqueza ou posição... eles mereciam perecer.
Murtaugh curvou-se novamente.
— Sua vontade é minha, Majestade — ele acrescentou baixinho: — Eu perdi minhas netas. Não perderei outra — e com isso, o senhor caminhou para onde Darrow esperava, puxando o lorde de lado.
Seu coração ficou apertado, mas Aelin se virou para Ren, a cicatriz escondida pelas sombras de sua encharcado capa de chuva.
— Eu gostaria que tivéssemos tempo para conversar. Tempo para me explicar.
— Você é boa em ir para longe deste reino. Eu não vejo por que agora seria diferente.
Aedion soltou um grunhido, mas Aelin o cortou.
— Julgue-me como preferir, Ren Allsbrook. Mas não falhe com este reino.
Ela viu a réplica silenciosa nos olhos de Ren. Como você fez há dez anos.
O golpe a atingiu baixo e profundo, mas ela se virou. Quando o fez, ela notou como os olhos de Ren caíram sobre a pequena menina – sobre as cicatrizes brutais em todo o rosto de Evangeline. Gêmeos à sua maneira. Algo em seu olhar se suavizou, apenas um pouco.
Mas Darrow agora trovejava na direção de Aelin, empurrando Murtaugh, seu rosto branco de raiva.
— Você... — ele começou.
Aelin levantou a mão, chama pulando da ponta de seus dedos, a chuva transformando-se em vapor acima dela. Sangue serpenteava para baixo de seu pulso do corte profundo, irmão ao outro na mão direita, brilhante como o rubi de Goldryn, espreitando por cima de seu ombro.
— Eu farei mais um juramento — ela falou, dobrando sua mão ensanguentada em um punho enquanto a baixava diante deles. Darrow ficou tenso. Seu sangue escorria para o solo sagrado de Terrasen, e seu sorriso se tornou letal. Mesmo Aedion prendeu a respiração ao seu lado. — Eu juro a você que não importa quão longe eu esteja, não importa o custo, quando você buscar o meu auxílio, eu virei. Juro por meu sangue, pelo nome da minha família, que não darei as costas a Terrasen como você deu as costas para mim. Eu juro a você, Darrow, que quando chegar o dia e você precisar da minha ajuda, vou colocar o meu reino antes do meu orgulho e não o matarei por isso. Penso que a verdadeira punição será me ver no trono pelo resto da sua vida miserável.
Seu rosto tinha ido do branco ao roxo.
Ela simplesmente se afastou.
— Aonde pensa que está indo? — Darrow exigiu.
Então Murtaugh não contara sobre seu plano de ir para as Ilhas Mortas. Interessante.
Ela olhou por cima do ombro.
— Cobrar dívidas e promessas antigas. Erguer um exército de assassinos e ladrões, exilados e plebeus. Terminar o que foi iniciado há muito, muito tempo.
O silêncio foi sua resposta.
Então Aelin e Aedion caminharam até onde Lysandra agora os monitorava, enfrentando a chuva solenemente, Evangeline abraçando-a enquanto Ligeirinha se encostava na menina que chorava silenciosamente.
Aelin se virou para a metamorfa e o general, bloqueando a tristeza de seu coração, bloqueando a dor e preocupação de sua mente.
— Nós partiremos agora.
E quando eles se dispersaram para reunir os cavalos, Aedion plantando um beijo na cabeça encharcada de Evangeline antes de Murtaugh e Ren a levarem de volta para a pousada com delicadeza considerável, Darrow caminhando na frente sem despedida que fosse, quando Aelin estava sozinha, ela finalmente se aproximou daquela árvore retorcida nas sombras.
O Povo Pequeno sabia sobre o ataque das serpentes aladas esta manhã.
Então ela supusera que esta pequena efígie, já caindo aos pedaços sob a torrente de chuva, fosse outra mensagem semelhante. Uma só para ela.
O templo de Brannon na costa fora reproduzido cuidadosamente – uma pequena engenhoca inteligente de galhos e pedras formando os pilares e o altar... E sobre a rocha sagrada em seu centro, eles criaram um veado branco de lã de ovelha crua, seus poderosos chifres não mais que espinhos curvos.
Um destino – um lugar para ir, era o que ela precisava. Ela estava disposta a ouvir, tocar junto. Mesmo que tivesse a intenção de contar aos outros apenas metade da verdade.
Aelin quebrou a estrutura templo, mas deixou o veado na palma da mão, a lã murchando na chuva. Cavalos relincharam enquanto Aedion e Lysandra os levavam para mais perto, porém Aelin sentiu um batimento cardíaco antes de ele emergir entre as distantes árvores veladas pela noite. Tão longe na floresta para ser outra coisa que não um fantasma, uma invenção do sonho de um antigo deus.
Quase sem respirar, ela observou-o por tanto tempo quanto ousou, e quando Aelin montou seu cavalo, ela se perguntou se seus companheiros podiam dizer que não era a chuva brilhando em seu rosto quando ela puxou o capuz para cima.
Perguntou-se se, também, se tinha vislumbrado o Senhor do Norte de pé vigiando do meio da floresta, o brilho imortal do veado branco silenciado pela chuva, vindo brindar Aelin Galathynius com uma despedida.

27 comentários:

  1. Uau, só o que faltava é a Aelin sobreviver e não conseguir ser rainha

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  2. Ai mds Rowan, por favor não morra e salve o Dorian *^*
    aish mano, é muito difícil parar d ler por um momento pra comentar, então...NOS VEMOS NO ÚLTIMO CAPÍTULO HEUHEU

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    1. Aish? Você também gosta de kpop?

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    2. Também só vou parar pra comentar algum capítulo muito foda , pq atrasa a leitura kkk

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  3. Obrigada Karina,estava muito ansiosa pelo livro.

    Ass:Vitória

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  4. "...Perguntou-se se, também, se tinha vislumbrado o Senhor do Norte de pé vigiando do meio da floresta, o brilho imortal do veado branco silenciado pela chuva, vindo brindar Aelin Galathynius com uma despedida..."

    Meu Deus, que escrita maravilhosa...eu releio alguns parágrafos só pra me deliciar e demorar o máximo possível em cada capítulo...como uma refeição muito gostosa que a gente aos poucos..^-^

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    1. Tao eu amiga ❤❤ Sarah tem um Dom com as palavras!!

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  5. Iskra. Outra personagem que quero que morra :)

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    1. Eu também quero. Ela merece muito morrer. Mas sinto que isso acontecerá em alguma batalha Manon vs Iskra

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  6. muma boa se matarem meu Dorian eu paro de ler esse livro TT

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  7. Gente que medo pelo Rowan e pelo Dorian >.<´

    E o Chaol como será que tá?

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  8. Chaol com certeza está em uma cadeira de roda infelizmente!!! Maldito rei de adarlan.
    Anna!!!
    😧😞😞

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  9. "E através da chuva e do fogo e do gelo, através dos relâmpagos e trovões e da escuridão, uma palavra cintilou em sua cabeça, uma resposta e um desafio e uma verdade que ela imediatamente negou, ignorou. Não por si, mas por ele – por ele..."
    Guardem essas palavras lá na frente vocês vão chorar por conta delas.
    - Nikke

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    1. Tu não me arrasa não porque se separarem o Rowan e a Aelin eu vou processar a Sarah, faça o que quisér mas não toque no meu otp

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  10. Que capítulo emocionante!
    Omg!!! O será que vai acontecer??? Ansiosa para descobrir!

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  11. Noticia Urgente o Lorde Darrow irá se casar com a Iskra e desse casamento nascera um burro com cara de sapo.

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  12. Véi espero q o Lochan (num lembro se é esse o nome) pegue a Elide e leve pra bm longe pq se ela chegar até o Darrow cm aqla pedra e ele pegar vai ser uma grande droga
    ~Leh

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    1. Lorcan. Lochan é o sobrenome da Elide :P

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  13. gente tenho que comprar esse livro, só para ler de novo, e de novo, e de novo
    Que fim!

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  14. Ai vontade de cuspir umas verdades na cara desse verme rastejante do Darrow! Anotem as minhas palavras: esse desgraçado vai se aliar ao Erawan! E ambos vão queimar!

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  15. Noooossa q livro foda mano. Estou ansioso p chegar no final e ver Aelin lá sentada no trono de Tarrassem

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  16. o meu deus isso ta igual a vida real, sem descanso dos problemas.
    Que todos os deuses os projetam, pq tem mto tempo que nao morre ninguem e ai alguem sempre morre, para meu sofrimento eterno.

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  17. Será que a Aelin e o Rowan são parceiros? O.o
    Eu sei q ele já teve a Lyria mas quem garante que foi parceria de verdade em, nao um feitiço ou sla
    Ah e eu não consigo. Compreender pq eles julgam a Aelin por não ter lutado pelo pais dela a 10 anos. Mano, eles queriam o que? Que uma criança de oito anos pegasse uma espada e lidera-se um exército!? ELA ERA UM BEBE!

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    1. Verdade! Pensei a mesma coisa quando vi a cobrança deles

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  18. Eu gosto da maneira que Darrow escolhe as palavras. Um cara destemido, but precisa morrer. Grande trabalho, Karina, só existem muitos erros nesse capítulo.

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    1. Neste livro inteiro, receio :/ assim que puder, mandarei para alguém revisar

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Boa leitura :)