30 de janeiro de 2017

Capítulo 56

Lorcan sabia que eles estavam lentos demais. Com o sinal de alerta ou não.
Elide estava ofegante, tropeçando em seus pés enquanto Lorcan parou nos arredores de uma planície inundada. Ela empurrou para trás um fio de cabelo perdido de seu rosto, o anel de Athril cintilando em seu dedo. Ela não havia questionado de quem era ou para que servia quando ele deslizou o anel no dedo dela esta manhã. Apenas a advertiu para nunca tirá-lo, que isso poderia ser a única coisa que a manteria salva dos ilken, de Morath.
O exército voou para o norte e para longe de onde Lorcan e Elide estavam, sem dúvida para assegurar uma abordagem melhor. E na extremidade da planície, distante demais para os olhos humanos de Elide verem claramente, os cabelos brancos de Whitethorn brilhavam. E o rei de Adarlan ao seu lado. Magia, brilhante e fria, ao redor deles. E ainda mais longe...
Deuses. Gavriel e Fenrys estavam nos juncos, com arcos empunhados. E o filho de Gavriel. Encarando o exército que se aproximava. Esperando por...
Lorcan percebeu para onde todos estavam olhando.
Não para o exército se aproximando deles.
Mas para a rainha parada, sozinha, no coração da planície alagada.
Lorcan percebeu tarde demais que ele e Elide estavam do lado errado da linha demarcada – muito longe ao norte onde os companheiros de Aelin estavam em segurança, atrás dela.
Percebeu o momento exato em que os olhos de Elide caíram na mulher de cabelos dourados encarando o exército.
Seus braços se afrouxaram ao redor dela. A cor sumiu do seu rosto. Elide cambaleou um passo, um passo na direção de Aelin, um pequeno gemido vindo dela.
Foi quando ele sentiu.
Lorcan já havia sentido isso antes, naquele dia em Defesa Nebulosa. Quando a Rainha de Terrasen havia destruído os príncipes valg, quando seu poder monstruoso surgira das profundezas e fizera o mundo tremer.
Aquilo não era nada – nada – comparado ao poder que agora estava rugindo para o mundo.
Elide tropeçou, encarando impressionada a terra esponjosa enquanto a água do pântano ondulava.
Quinhentos ilken estavam se fechando ao redor deles, eles haviam percebido seu aviso – e montado uma armadilha.
E aquele poder... aquele poder que Aelin estava drenando de qualquer que fosse o poço dentro dela, de qualquer fogo ardente que ela tivesse sido condenada a suportar... isto seria derramado sobre eles.
— O que é... — Elide respirou, mas Lorcan pulou sobre ela, atirando-os ao chão, cobrindo seu corpo com o dele. Ele colocou um escudo sobre eles, mergulhando duro e rápido em busca de sua magia, em uma queda quase descontrolada. Ele não tinha tempo para fazer nada além de colocar cada gota de seu poder no escudo, uma barreira que os impediria de serem derretidos, transformados em nada.
Ele não deveria ter desperdiçado o pouco de sua magia para avisá-los. Não quando agora era provável que ele e Elide morreriam.
Whitethorn sabia – mesmo em Defesa Nebulosa – que a rainha ainda não tinha atingido a idade em que seu poder pararia de crescer. Sabia que este tipo de poder vinha apenas de tempos em tempos, para servir, para servi-la...
Uma corte que não mudaria apenas o mundo. Que o faria renascer.
Uma corte que poderia conquistar o mundo – e qualquer outro que quisesse.
Se quisesse. Se aquela mulher na planície desejasse. E esta era a pergunta, não era?
— Lorcan, — Elide sussurrou, sua voz falhando ansiosa pela rainha, ou com medo dela, ele não sabia.
Não havia tempo para adivinhar, quando um rugido feroz ecoou pelos juncos da planície. Um comando.
E então uma chuva de flechas, mirando precisa e brutalmente, voando do pântano para o flanco externo do exército dos ilken. Ele soube quais eram as flechas de Fenrys pela cor preta que facilmente encontravam seus alvos. O filho de Gavriel também não ficava para trás. Ilken caíram do céu, outros entravam em pânico, esbarrando uns nos outros, em direção ao centro.
De onde a Rainha de Terrasen liberou toda força de sua magia sobre eles.



No momento em que Lysandra rugiu para sinalizar que os animais do pântano estavam agitados e ela estava segura novamente atrás de suas linhas de defesa. No momento que os ilken chegaram tão perto que Aedion poderia matá-los no céu como gansos, sua rainha irrompeu.
Mesmo que a mira de Aelin fosse para longe deles, mesmo com o escudo de Rowan, o calor do fogo queimava.
— Santos deuses — Aedion disse enquanto tropeçava pelos juncos, indo mais pra trás das linhas de ataque. — Malditos deuses sagrados.
O coração da legião não teve a chance de gritar enquanto eram levados pelo mar de fogo.
Aelin não era uma salvadora para ser seguido, mas um cataclismo a que se resistir.
O fogo ficando mais quente, seus ossos gemendo enquanto sua testa suava. Mas Aedion se reposicionou, olhando para seu pai e Fenrys para certificar-se de que estavam fazendo o mesmo ao longo da planície inundada, e mirou nos ilken fora do mar de chamas. Ele fez cada disparo valer a pena.
Cinzas caíram pela planície, como gelo constante.
Não rápido o suficiente. Como se sentisse o ritmo da magia de Aelin, gelo e vento irromperam acima de suas cabeças.
Onde a chama dourada e vermelha não derretia a legião de Erawan, Dorian e Rowan dilaceravam.
Os ilken ainda de estendiam, como se fossem uma mancha escura, difícil de lavar.
Aelin ainda queimava, Aedion não conseguia nem enxergá-la no coração daquele poder.
Havia um custo – tinha que haver um custo para tanto poder.
Ela nasceu sabendo do peso de sua coroa, de sua magia. Ele havia sentido seu limite mesmo antes de chegar à adolescência. E isto parecia punição o suficiente, mas... devia haver um preço.
Inominável é o meu preço. Isto era o que a bruxa havia dito.
A compreensão brilhava na mente de Aedion, mas ele não podia alcançá-la. Ele atirou sua penúltima flecha bem no meio dos olhos de um frenético ilken.
Uma a uma, sua própria resistência a magia se rendeu às explosões de gelo, vento e fogo.
E então Whitethorn começou a andar para a tempestade de fogo quinze metros à frente.
Em direção a Aelin.



Lorcan pressionou Elide contra o chão, derramando cada última gota de escuridão que tinha no escudo. As chamas estavam tão quentes que suor escorria pela sua sobrancelha, diretamente no cabelo sedoso dela, espalhado pelo musgo verde.
A água do pântano ao redor deles fervia.
Fervia. Peixes flutuavam de barriga para cima. As ervas secaram e pegaram fogo. O mundo inteiro era um inferno, sem começo e sem fim.
A alma escura e em farrapos de Lorcan inclinou a cabeça pra trás e rugiu em uníssono para a canção ardente de seu poder.
Elide estava se encolhendo, os punhos enrolados em sua camisa, o rosto enterrado contra seu pescoço enquanto apertava os dentes e resistia à tempestade. Não apenas fogo, ele percebeu. Mas gelo e vento também. Duas outras poderosas magias haviam se juntado a ela – destruindo os ilken. E seu próprio escudo.
Onda após onda, a magia golpeava seu poder. Se sua magia fosse um pouco mais fraca poderia ter sido destruído, e não apenas golpeado contra.
Se Erawan pusesse um colar no pescoço de Aelin Galathynius... poderia ser o fim.
Controlar aquela mulher, aquele poder... poderia um colar ser capaz de conter aquele poder?
Havia um movimento entre as chamas.
Whitethorn andava pelo pântano fervendo, seus passos sem pressa.
As chamas giraram em torno da cúpula do escudo de Rowan, rodopiando com seu vento gelado.
Só um homem que tinha perdido a maldita cabeça vagava por aquela tempestade.
Os ilken morriam e morriam e morriam, lentamente e não de modo limpo, sua magia escura falhando com eles. Aqueles que tentavam fugir do fogo, do vento ou do gelo eram pegos por flechas. Aqueles que conseguiam pousar eram pegos por garras e dentes e caudas com escamas.
Eles fizeram cada minuto do seu alarme valer a pena. Fizeram facilmente uma armadilha para os ilken. Uma armadilha que eles caíram tão facilmente...
Mas Rowan alcançou a rainha no coração do pântano enquanto suas chamas ardiam.
Quando seu próprio vento se extinguiu e as nuvens de gelo implacáveis quebraram os poucos Ilken que voavam no céu. Cinzas e gelo cintilante caíam, espessas e girando como neve, as brasas dançavam entre os aglomerados que uma vez foram ilken. Ninguém havia sobrevivido. Nenhum.
Lorcan não ousou abaixar seu escudo.
Não quando o príncipe pisou na pequena ilha onde a rainha estava. Não quando Aelin encarou Rowan, e a única chama acesa era uma coroa de fogo sobre sua cabeça.
Lorcan assistiu em silêncio quando Rowan escorregou uma mão a cintura dela e a outra acariciou o lado de seu rosto, e beijou a rainha.
Cinzas agarravam ao seu cabelo solto conforme ela envolvia os braços ao redor do pescoço dele. E uma coroa dourada de chamas brilhou acima da cabeça de Rowan – a gêmea daquela que Lorcan viu queimar naquele dia em Defesa Nebulosa.
Ele conhecia Whitethorn. Sabia que o príncipe não era ambicioso – não do modo que imortais poderiam ser.
Ele provavelmente a teria amado mesmo se ela fosse comum. Mas este poder...
Em sua alma vazia, Lorcan sentiu aquele puxão. Odiou-o.
Era por isso que Whitethorn andou firmemente até ela – porque Fenrys estava agora a meio caminho da larga planície com os olhos fixos onde eles estavam, emaranhados um no outro.
Elide se moveu debaixo dele.
— A... acabou?
Dado o calor com que a rainha beijava seu príncipe, ele não tinha certeza absoluta do que dizer a Elide.
Mas ele a deixou escapar por debaixo de seus braços. Torcendo-se para espiar as duas figuras no horizonte. Ele se levantou, observando com ela.
— Eles mataram todos eles — ela respirou.
Uma legião inteira – varrida. Não facilmente, mas... eles conseguiram.
Cinzas continuavam caindo, agarrando-se aos cabelo sedosos de Elide. Ele gentilmente resolveu colocar um pequeno escudo em sua cabeça para impedir as cinzas de caírem nela.
Não a tinha tocado desde a noite anterior. Não tivera tempo, e ele não queria pensar sobre o que aquele beijo havia feito com ele. Como o tinha destruído completamente e ainda torcido suas entranhas de maneira que ele não sabia se poderia viver com isso.
— O que fazemos agora? — Elide perguntou.
Demorou um momento para entender o que ela queria dizer. Aelin e Rowan pelo menos se separaram, embora o príncipe continuasse acariciando seu pescoço.
Poder chamava poder entre os feéricos. Talvez Aelin Galathynius estivesse sem sorte, o esquadrão já estava preso ao poder de Maeve bem antes de ela nascer, senão eles teriam se acorrentado a ela ao invés disso.
Talvez fossem todos azarados, por não terem esperado por alguém melhor.
Lorcan balançou sua cabeça para se livrar de seus pensamentos inúteis e traidores.
Aquela era Aelin Galathynius, ali. Com seu poder drenado.
Então ele sentiu – a absoluta falta de som ou calor onde uma vez havia estado. Um frio arrepiante.
Ela havia esvaziado todo o seu poço. Todos haviam. Talvez Whitethorn houvesse andado até ela e a abraçado, não para beijá-la no meio do pântano, mas para protegê-la agora que aquele poder tinha desaparecido. Uma vez que ela ficou vulnerável.
Aberta para ataques.
O que fazemos agora?, Elide perguntou.
Lorcan sorriu ligeiramente.
— Nós vamos dizer olá.
Ela se frustrou com a mudança em seu tom.
— Você não está falando em termos amigáveis.
Certamente não, e ele não estava prestes a estar, não quando a rainha estava na sua frente. Não quando ela tinha a chave de Wyrd... a irmã da que Elide carregava.
— Eles não vão me atacar — ele falou e começou a andar na direção deles.
A água do pântano estava quase escaldante e ele fez uma careta para os peixes mortos, o olhos leitosos voltados para o céu. Rãs e outros animais boiavam entre eles, balançando com as ondulações.
Elide sibilou ao entrar na água quente, mas o seguiu.
Lentamente, Lorcan aproximou-se de sua presa, muito concentrado na cadela que respirava para notar que Fenrys e Gavriel tinham desaparecido de suas posições.

13 comentários:

  1. Briga, briga, briga... kkkk
    (desculpem eu não resisti )

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  2. Senhor amado, que livro é esse? Quero acabar, mas também não quero. Só em 2019 já que só lança em 2018 o sexto livros nos EUA.

    -B.Bunny

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  3. SOCORRO, MDS TO INFARTANDO, QUE CAPÍTULO FOI ESSE 100OR???? O.O
    Aelin, Rowan e Dorian <- esse trio é foda pra krl e com o resto do bonde da Aelin, a fodalidade aumenta muuuuuito mais *-*
    BRIGAAAAAAAAAAAAAA

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  4. Lorcan não pode morrer ele tem q se aliar a Aelin

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  5. MEU DEUS OLHA ESSA TREEEETAAAAAA

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  6. GENTE MEU CORÇÃO PAROU, NÃO CONSEGUI RESPIRA DURANTE O CAPITULO, ESSA ESCRITORA É MUITO FODONA, CARAMBA....MEU LIVRO FAVORTIO.

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  7. "ele não queria pensar sobre o que aquele beijo havia feito com ele. Como o tinha destruído completamente e ainda torcido suas entranhas de maneira que ele não sabia se poderia viver com isso." oh Lircan! você está tao apanhadinho pela Elide que to achando k você vai se aliar a Aelin só p agradar a sua paixao!!! 😍😻😻
    Anna!!!

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  8. Se acontecer alguma coisa com o Lorcan eu n respondo por mim.

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  9. Só digo uma coisa (vc está caminhando para sua morte nobre lorcan.)
    Ass: Milly*-*

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  10. "Talvez Aelin Galathynius estivesse sem sorte, o esquadrão já estava preso ao poder de Maeve bem antes de ela nascer, senão eles teriam se acorrentado a ela ao invés disso.
    Talvez fossem todos azarados, por não terem esperado por alguém melhor".
    Até o o querido Lorcan de coração peludo já tá rendido à Aelin, doidinho pra fazer parte do bonde.

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  11. Eu não quero acabar o livro!!!!! Não sei o q fazer dps! Duvido eu achar algum livro que vai me tirar da depressão pós livros da Sarah...
    2018 vai ser O anexo!
    Novo trono de vidro. Novo livro de estilhaca-me. Novo livro de Corte de espinhos e rosas... Só os TOP.

    Alguém sabe de Rainha Vermelha e bom? E tipo se é infantil ou mais adulto?
    E parecido com esse?
    Pq eu tava querendo ler algum estilo ACOTAR na real kk mas não tô achando

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    1. É mais adulto, mas não no sentido de ACOTAR. É infanto-juvenil.
      Já leu Outlander? É uma série que adoro, recomendo. Não tem magia, mas eles vivem muitas aventuras

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  12. Havia um custo – tinha que haver um custo para tanto poder.
    Ela nasceu sabendo do peso de sua coroa, de sua magia. Ele havia sentido seu limite mesmo antes de chegar à adolescência. E isto parecia punição o suficiente, mas... devia haver um preço.
    Inominável é o meu preço. Isto era o que a bruxa havia dito.

    De verdade, estou com medo disso.. Espero q n aconteça oq estou pensando q vai acontecer...


    QUE CAPITULO FOI ESSE ?? TÔ ARREPIADA AKI 😱😱😱

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Boa leitura :)