30 de janeiro de 2017

Capítulo 55

A respiração de Lorcan queimava sua garganta a cada respiração, mas ele continuou correndo através dos pântanos, Elide, esforçando-se ao lado dele, nunca reclamando, apenas examinando o céu com arregalados olhos escuros.
Lorcan enviou outra explosão flamejante de seu poder. Não em direção ao exército alado que voava não muito longe, mas distante – em direção onde Whitethorn e sua rainha cadela poderiam estar neste lugar apodrecido. Se aqueles ilken os alcançassem muito antes que Lorcan pudesse chegar, aquela chave de Wyrd que a cadela levava seria tão boa quanto perdida. E Elide... ele excluiu os pensamentos.
Os ilken voavam forte e rapidamente na direção em que devia estar o coração dos pântanos. O que diabos trouxera a rainha até aqui?
Elide caiu, e Lorcan segurou-a sob um cotovelo para mantê-la em pé quando ela tropeçou em um pedaço de pedra esburacada. Mais rápido. Se os ilken os pegassem desprevenidos, se eles roubassem sua vingança e aquela chave...
Lorcan enviou explosão após explosão de seu poder em todas as direções.
Chaves à parte, ele não queria ver a cara de Elide se os ilken chegassem lá primeiro. E eles encontrassem o que restava da cuspidora de fogo e sua corte.



Não havia para onde ir.
No coração da planície apodrecida, não havia lugar para correr, ou se esconder.
Erawan os tinha seguido para aquele lugar. Enviara quinhentos ilken para recuperá-los. Se os ilken os encontraram no mar e no deserto interminável, sem dúvida seriam capazes de encontrá-los se tentassem se esconder entre as ruínas.
Estavam todos em silêncio quando se reuniram em uma colina gramada na borda das ruínas, assistindo aquela massa negra tomar forma. Nas profundezas das ruínas atrás deles, a urna de pedra ainda esperava. Intocada.
Aelin sabia que o cadeado não ajudaria – exceto se desperdiçassem seu tempo para abrir sua tampa. Brannon poderia entrar na fila para se queixar.
E Lorcan... em algum lugar lá fora. Ela pensaria nisso mais tarde. Pelo menos Fenrys e Gavriel tinham permanecido, em vez correrem para longe para cumprir a ordem de matar de Maeve.
Rowan disse, os olhos fixados sobre aquelas asas coriáceas, rápidas, longe no horizonte:
— Nós usaremos as ruínas em nossa vantagem. Forçá-los ao estrangulamento em áreas chave. — Como uma nuvem de gafanhotos, os ilken bloquearam as nuvens, a luz, o céu.
Uma espécie maçante de calma vitrificada correu por Aelin.
Oito contra quinhentos.
Fenrys rapidamente amarrou para trás o seu cabelo dourado.
— Vamos nos dividir, levá-los para longe. Antes que possam estar perto o suficiente. Enquanto eles estão ainda no ar. — Ele bateu o pé no chão, girando os ombros, como se sacudindo o controle daquele juramento de sangue que o levava a caçar Lorcan.
— Há outra maneira — Aelin disse.
— Não — foi a resposta de Rowan.
Ela engoliu em seco e levantou seu queixo.
— Não há nada, nem ninguém aqui. O risco de usar aquela chave seria mínimo.
Os dentes do Rowan brilharam quando ele rosnou:
— Não, e pronto.
Aelin disse muito baixinho:
— Você não me dá ordens.
Ela viu tanto quanto ela sentiu a ascensão do temperamento de Rowan com vertiginosa velocidade.
— Você terá que arrancar aquela chave das minhas mãos frias e mortas — ele falava sério, também, o faria matá-lo antes de deixá-la usar a chave de qualquer maneira antes de liberar o vadeado.
Aedion soltou uma risada baixa, amarga.
— Você queria enviar uma mensagem para nossos inimigos com seu poder, Aelin. — Cada vez mais perto, aquele exército surgia, o vento e o gelo de Rowan tocando-a levemente conforme ele fez um túnel para baixo em sua magia. Aedion empurrou o queixo em direção ao exército que se aproximava. — Parece que Erawan enviou sua resposta.
— Você me culpa por isso? — Aelin silvou.
Os olhos de Aedion escureceram.
— Devíamos ter ficado no norte.
— Eu não tive escolha, tenho que lembrá-lo.
— Você tinha — Aedion respondeu – nenhum dos outros, nem mesmo Rowan, interrompeu. — Você teve uma escolha que desde o começo e optou por mostrar toda a sua magia.
Aelin sabia muito bem que seus olhos estavam brilhando agora com chamas quando deu um passo na direção dele.
— Certo! Acho que a fase do “você é perfeita” acabou, então.
Aedion enrolou os lábios mostrando os dentes.
— Isto não é um jogo. Isto é guerra, e você forçou e forçou Erawan para mostrar sua mão. Se recusou a mostrar seus planos por nós primeiro, para pesarmos, quando lutamos guerras...
— Não se atreva a me culpar por isso — Aelin olhou para dentro de si mesma, o poder lá. Para baixo e para baixo, para aquele poço de fogo eterno.
— Esse não é o momento — Gavriel ofereceu.
Aedion o descartou com um movimento de mão, uma ordem cruel e silenciosa para o Leão calar a boca.
— Onde estão nossos aliados, Aelin? Onde estão nossos exércitos? Tudo o que temos para mostrar dos nossos esforços é um lorde pirata que pode muito bem mudar de ideia se ouvir isso dos lábios errados.
Ela demorou nas palavras. Tempo. Ela precisava de tempo...
— Se vamos ter uma chance — Rowan falou — precisamos nos posicionar.
Brasas surgiram de seus dedos.
— Nós faremos isso juntos — ela tentou não parecer ofendida para as sobrancelhas levantadas, a boca ligeiramente aberta dele. — Magia pode não durar muito contra eles. Mas o aço sim. — Ela empurrou seu queixo para Rowan, para Aedion. — Planejem.
Assim eles fizeram. Rowan pisou ao lado dela, uma mão na parte inferior das costas dela. O único conforto que ele mostraria – quando ele sabia, ambos sabiam, que não tinha sido o argumento a ganhar. Ele se virou para os machos de feéricos.
— Quantas flechas?
— Dez aljavas, totalmente abastecidas — Gavriel respondeu, olhando para Aedion quando ele retirou a espada de Orynth das costas e a prendeu na cintura.
De volta à forma humana, Lysandra estivera na beira da ilha, as costas rígidas enquanto os ilken se reuniam no horizonte.
Aelin deixou os machos resolverem suas posições e colocou-se ao lado da sua amiga.
— Você não tem que lutar. Você pode ficar com Manon, protegendo o outro lado.
Na verdade, Manon já estava escalando um dos muros das ruínas, uma aljava com irritantemente algumas flechas penduradas nas costas ao lado de Ceifadora de Vento. Aedion ordenara a ela que explorasse a outra direção para quaisquer surpresas desagradáveis. A bruxa tinha parecido pronta para discutir – até que pareceu perceber que, naquele campo de batalha, pelo menos, ela não era a predadora.
Lysandra vagamente trançou o cabelo preto, sua pele dourada estava pálida.
— Não sei como eles têm feito isso tantas vezes. Durante séculos.
— Honestamente, não sei, também — Aelin respondeu, olhando por cima dos ombros para os machos feéricos analisando o esboço dos pântanos, o fluxo do vento, o que quer pudessem usar em sua vantagem.
Lysandra esfregou o rosto e, em seguida, os ombros.
— Os animais do pântano são facilmente enfurecidos. Como alguém que conheço. — Aelin cutucou a metamorfa com o cotovelo, e Lysandra bufou, mesmo com o exército em frente. — Eu posso irritá-los, ameaçar seus ninhos. Então quando os ilken estiverem em terra...
— Não terão que lidar apenas com a gente — Aelin deu-lhe um sorriso sombrio.
Mas a pele de Lysandra ainda estava pálida, ela respirava um pouco superficialmente. Aelin entrelaçou seus dedos com os da metamorfa e apertou com força.
Lysandra apertou de volta, uma vez, antes de se deixar transformar, murmurando:
— Eu vou sinalizar quando terminar.
Aelin apenas acenou com a cabeça, demorando na margem por um momento para ver o pássaro branco de pernas longas atravessando do pântano – em direção à escuridão que se aproximava.
Ela voltou para os outros a tempo de ver Rowan empurrar o queixo para Gavriel, Aedion e Fenrys.
— Vocês três os conduzem – para nós.
— E o resto de vocês? — Aedion perguntou, avaliando ela, Rowan e Dorian.
— Fico com o primeiro tiro — disse Aelin, chamas dançando em seus olhos.
Rowan inclinou a cabeça.
— Minha senhora quer o primeiro tiro. Ela fica com o primeiro. E quando eles estiverem se espalhando em pânico cego, podemos entrar.
Aedion lançou-lhe um longo olhar.
— Não erre desta vez.
— Babaca — ela retrucou.
O sorriso do Aedion não chegou os olhos quando ele se virou para buscar armas extras de suas coisas, agarrando uma aljava de flechas em ambas as mãos, atirando um dos arcos longos nuas costas, junto com o escudo. Manon já estava posicionada sozinha no topo do muro atrás deles, grunhindo quando armava o outro arco de Aedion.
— Explosões curtas — Rowan dizia para Dorian. — Encontre seus alvos, o centro dos grupos, e use apenas a magia é necessária. Não desperdice de uma só vez. Aponte para as cabeças, se puder.
— E quando começarem a aterrissar? — Dorian perguntou, avaliando o terreno.
— Proteja-se, ataque quando puder. Mantenha o muro à sua volta em todos os momentos.
— Não serei seu prisioneiro novamente.
Aelin tentou ignorar o que ele quis dizer com isso.
Mas Manon falou da parede acima deles, uma seta agora encaixada frouxamente em seu arco.
— Caso aconteça, principezinho, eu o matarei antes que possam fazer isso.
— Você não fará tal coisa — Aelin sibilou.
Os dois a ignoraram quando Dorian disse:
— Obrigado.
— Nenhum de vocês será feito prisioneiro — Aelin rosnou e foi embora.
E não haveria nenhum segundo ou terceiro tiro.
Só o primeiro.
Apenas um tiro dela. Talvez fosse hora de ver quão profundo aquele novo poço de poder ia. O que vivia dentro dela.
Talvez fosse hora de Morath aprender a gritar.
Aelin se aproximou da beira da água e, em seguida, saltou para a próxima ilha de grama e pedra. Rowan silenciosamente surgiu ao lado dela, encontrando o seu ritmo ao andar ao lado dela. Não foi até que chegaram à colina próxima que ele inclinou seu rosto na direção dela, sua pele dourada esticada, seus olhos tão frios quanto ela própria.
Apenas raiva era direcionada para ela – talvez a mais furiosa que ela tinha visto desde Defesa Nebulosa. Ela mostrou os dentes num sorriso amargo feral.
— Eu sei, eu sei. Apenas sugeri usar a chave de Wyrd para o registro de todas as coisas horríveis que faço e digo.
Coriáceas, enormes asas batiam no ar, e finalmente gritos estridentes começaram a alcançá-los. Seus joelhos tremeram, mas ela apertou o cerco sobre o medo, sabendo que as criaturas poderiam sentir, sabendo que os outros também.
Então ela se obrigou a dar mais um passo na superfície encharcada, de juncos lisos – para aquele exército de ilken. Estaria sobre eles em minutos – talvez menos.
E o miserável, horrível Lorcan ganhara esse tempo extra. Onde quer que o bastardo estivesse.
Rowan não se opôs quando ela deu mais um passo, depois outro. Ela tinha que colocar distância entre todos eles – tinha que ter certeza de que cada última brasa seria capaz de atingir aquele exército, e ela não queria perder sua força para fazê-las viajar muito.
O que significava dar passos largos para fora dos pântanos sozinha. Esperar por aquelas coisas perto o suficiente para ver seus dentes. Eles tinham que saber que agora marchavam através de juncos na direção deles. O que ela faria com eles. Mas ainda assim os ilken atacariam.
Ao longe, muito longe, as criaturas do pântano começaram a rugir – sem dúvida pelos ataques de Lysandra. Ela rezou que as bestas estivessem com fome. E que elas não se importassem com a carne da raça de Morath.
— Aelin. — A voz de Rowan atravessou a água, as planta e o vento. Ela fez uma pausa, olhando por cima de um ombro onde ele agora estava sobre a margem de areia, como se tivesse sido impossível não segui-la.
Os ossos fortes e inflexíveis de seu rosto criados com a brutalidade de um guerreiro. Mas seus olhos de pinheiro verdes brilhavam – quase suaves – quando ele disse:
— Lembre-se de quem você é. Cada passo do caminho para baixo e cada passo do caminho de volta. Lembre-se de quem você é. E que você é minha.
Pensou nas novas cicatrizes nas costas dele, delicadas – marcas de unhas, as unhas dela, que ele se recusara a curar com magia e em vez disso fixara com água do mar e sal, gravando as cicatrizes no lugar antes que o corpo imortal pudesse alisá-las. As marcas de sua reivindicação, ele respirara em sua boca na última vez que esteve dentro dela. Então quem os visse saberia que ele pertencia a ela. Que ele era dela, assim como ela era dele.
E porque ele era dela, porque eles eram todos dela...
Aelin se afastou dele e correu pela planície.
A cada passo na direção do exército cujas asas ela podia apenas distinguir, ela buscou aquelas bestas que Lysandra irritou, mesmo quando começou uma descida rápida e mortal para o núcleo de sua magia.
Ela oscilava em torno da borda do núcleo de seu poder há dias, um olho no abismo agitado, derretido lá embaixo. Rowan sabia. Fenrys e Gavriel, definitivamente. Protegendo-os, secando suas roupas, matando os insetos que lhes atormentava... todas pequenas maneiras de aliviar a tensão, para manter-se firme, para se acostumar com sua profundidade e pressão.
Porque quanto mais profundo mergulhava em seu poder, mais o seu corpo, sua mente, eram espremidos sob a pressão. Isso era o esgotamento – quando aquela pressão ganhava, quando a magia era drenada rápido demais ou com muita avidez, quando era gasta e a portadora ainda tentava arrancar mais do que deveria.
Aelin chegou num ponto no coração da planície. Os ilken a viram correndo e agora voavam em sua direção.
Desconhecendo os três machos que rastejavam ao redor, curvando-se a postos para empurrar os soldados de Erawan em suas chamas.
Se ela pudesse queimar através de suas defesas. Ela teria que arrastar cada parte de seu poder para incinerar a todos. O verdadeiro poder de Aelin Portadora do Fogo. Nenhuma brasa a menos.
Então Aelin abandonou todas as armadilhas de civilização, de consciência, de regras e de humanidade e despencou para o fogo.
Ela voou para aquele abismo em chamas, apenas vagamente ciente da umidade espessa na pele dela, da pressão daquilo em sua cabeça.
Ela disparou para baixo – e empurrou para o fundo, trazendo todo aquele poder com ela para a superfície. A resistência seria enorme. E seria o teste, o teste da verdade, de controle e força. Fácil – tão fácil se lançar no coração de fogo e cinzas. A parte mais difícil seria erguê-lo; seria quando a rachadura ocorresse.
Cada vez mais profundo, Aelin disparou em seu poder. Através de olhos mortais, distantes, ela observou os ilken se aproximando rapidamente. Uma misericórdia – se eles tinham sido humanos, talvez destruí-los fosse uma misericórdia.
Aelin sabia que tinha chegado à borda antiga de seu poder, graças aos sinos de advertência em seu sangue que ressoavam em seu rastro. Que ressoavam quando ela lançou-se às profundezas do inferno ardente.
A Rainha das Sombras, a Herdeira do Fogo, Aelin do Fogo Selvagem, Coração de Fogo...
Ela queimou cada título, mesmo enquanto tornou-se cada um deles, tornou-se o que os embaixadores estrangeiros tinham sibilado quando relataram o crescente poder instável da rainha-criança em Terrasen. Uma promessa que tinha sido sussurrada na escuridão.
A pressão começou a crescer na cabeça dela, em suas veias.
Muito atrás, com segurança fora de seu alcance, ela sentiu o piscar da magia de Rowan e de Dorian quando eles reuniram o poder que responderiam ao dela própria.
Aelin elevou-se para o núcleo desconhecido de seu poder.
O inferno continuava e continuava.

9 comentários:

  1. "A Rainha das Sombras, a
    Herdeira do Fogo, Aelin do Fogo
    Selvagem, Coração de Fogo..."
    chorei com esse capítulo :'( mano pra mim a Aelin é a melhor e mais foda d todos os personagens q eu já conheci, a saga Trono de Vidro contém os melhores livros q eu já li na minha vida.
    Vc vai conseguir Aelin, vc está destinada a salvar o mundo. VC É A RAINHA DA POHA TODA <3333

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  2. todos estão se juntando...... essa aindan ão vai ser uma luta e tanto... mas a proxima.. quando todos estiverem juntos.... acho que vai ser uma luta muito foda !!

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  3. Né, vai ser uma loucura

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  4. Eu fico triste pela Aelin e seu poder crescente, é nítido que ela não o quer e eu sinceramente também não gostaria de ter seu poder.

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    1. Ela não o que mas o aceita, para poder proteger seu povo, ela aceitou que ela era. Ela amadureceu e se tornou que ela era de verdade.

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  5. Se qualquer um deles morrer nessa pora de batalha...😡😡😡😡😡😠😠😠😠😠

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  6. Espero q todos fiquem vivos
    62 e meio para cada um dos oito
    Ass: Milly *-*

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  7. Aiaia espero q ninguem morra...

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  8. É agora q as coisas vão queimar de vdd :D

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Boa leitura :)