30 de janeiro de 2017

Capítulo 53

Dois dias no labirinto interminável dos Pântanos de Pedra – dois, não o dia e meio que, droga, Rolfe tinha sugerido – e Aelin estava inclinada a queimar todo o lugar abaixo. Com toda a água e a umidade, ela nunca estava seca, sempre suada e pegajosa. E pior: os insetos.
Ela manteve os pequenos demônios afastados com um escudo de chamas invisível, revelado apenas pelo tremelicar quando eles se chocaram contra ele. Ela poderia ter se sentido mal, se não tivessem tentado comê-la viva no primeiro dia ali. Se ela não tivesse coçado as dezenas de picadas vermelhas inchadas até sua pele sangrar – e Rowan entrar em cena para curá-las.
Após o ataque do cão de caça, suas próprias habilidades de cura mantiveram-se abaixo do limite. Então Rowan e Gavriel atuaram como curandeiros para todos eles, cuidando da coceira das picadas, os vergões de plantas urticantes, os arranhões de pedaços submersos e afiados de ruínas que os cortavam se não fossem cuidadosos ao vadear através da água salobra.
Apenas Manon parecia imune aos pântanos, encontrando a beleza selvagem, o apodrecimento dos pântanos parecia agradá-la. Ela, de fato, lembrava Aelin de uma das horríveis feras do rio que governavam este lugar – com aqueles olhos dourados, aqueles dentes afiados brilhando... Aelin tentou não pensar muito nisso. Tentou imaginar sair deste lugar e para um seco, em terra fresca.
Mas no coração dos mortos, estava o miserável cadeado de Mala.
Rowan patrulhava à frente em forma de falcão enquanto o sol avançava em direção ao horizonte, Lysandra examinando as águas entre as pequenas colinas na forma de uma criatura do pântano viscosa e escamada, que fez Aelin fazer uma careta, provocando um silvo indignado de uma língua bifurcada antes de a metamorfa mergulhar na água.
Aelin fez uma careta novamente quando se arrastou até uma daquelas pequenas colinas incrustradas de arbustos espinhosos e coroadas por dois pilares caídos. Um labirinto desenhado para arranhar e furar e desgastar.
Então ela enviou uma rajada de fogo em todo o monte, tornando-o um punhado de cinzas murchas. Que se agarraram a suas botas molhadas quando passou sobre ele, um mingau cinzento encharcado.
Fenrys riu ao seu lado enquanto desciam o morro.
— Bem, essa é uma maneira de passar por isso. — Ele estendeu a mão para conduzi-la através da água, e parte sua rejeitava a ideia de ser escoltada, mas... ela estaria condenada se caísse em um poço de água. Ela tinha uma ideia muito, muito boa de quão profundo era abaixo deles. Ela não tinha nenhum interesse em nadar entre os restos apodrecidos de pessoas.
Fenrys agarrou sua mão com força enquanto eles entravam na água na altura do peito. Ele levou-a para a margem primeiro, em seguida, subiu para fora ele mesmo. Ele poderia, sem dúvida, pular as lacunas entre as ilhas em forma de lobo, assim como Gavriel poderia. Porque eles se incomodaram de ficar na forma feérica estava além de sua compreensão.
Aelin usou sua magia para se secar o melhor que pôde, e depois usou um fiapo dela para secar as roupas de Fenrys e as de Gavriel também.
Um gasto inofensivo e casual de poder. Mesmo que usá-lo por três dias seguidos na costa ardente de Eyllwe a tivesse drenado. Não só a chama, mas... fisicamente. Mentalmente. Ela ainda sentia como se pudesse dormir por uma semana. Mas a magia murmurava. Incessantemente, implacavelmente. Mesmo que ela estivesse cansada... o poder exigia mais. Secar suas roupas entre os mergulhos na água do pântano, pelo menos, mantinha a maldita coisa tranquila. Por agora.
Lysandra descobriu a cabeça medonha a partir de um emaranhado de folhas e Aelin gritou, recuando um passo. O metamorfa sorriu, revelando dois dentes muito, muito afiados. Fenrys soltou uma risada baixa, examinando a metamorfa quando ela deslizou alguns centímetros à frente.
— Então você pode mudar pele e osso, mas a marca permanece?
Lysandra parou a alguns centímetros da água, e na ilha em frente, Aedion pareceu ficar tenso enquanto continuava. Bom. Pelo menos ela não seria a única a rasgar a garganta de alguém que se sequer zombasse de Lysandra. Mas sua amiga se transformou, brilhando e crescendo, até que sua forma se tornou humanoide – feérica.
Até mesmo Fenrys estava olhando para si mesmo, ainda que uma versão menor para caber em roupas de mulher. Gavriel, desobstruindo o bando atrás, tropeçou um passo à vista.
Lysandra falou, com a voz quase idêntica ao sotaque de Fenrys:
— Suponho que isso sempre vá me relatar. — Ela estendeu seu pulso, puxando a a manga de seu casaco para revelar sua pele marrom-dourada marcada.
Mas ela continuou olhando para baixo para si mesma quando todos eles atravessaram a água e continuaram a seguir, e, finalmente, comentou:
— A sua audição é melhor — Lysandra passou a língua sobre os caninos ligeiramente alongados. Fenrys se encolheu um pouco. — Qual o motivo disso? — perguntou ela.
Gavriel se aproximou e cutucou a metamorfa, caminhando alguns passos à frente com ela.
— Fenrys é a última pessoa a perguntar. Se quer uma resposta adequada, é essa.
Lysandra riu, sorrindo para o Leão enquanto subiam o morro. Estranho – era estranho ver o sorriso dela no rosto de Fenrys. Fenrys chamou a atenção de Aelin e fez uma careta novamente, sem dúvida achando igualmente enervante. Ela riu.
Asas bateram à frente, e Aelin tomou um momento para se maravilhar quando Rowan voou duro e rápido para eles. Rápido, forte – inabalável.
Gavriel recuou alguns passos quando Lysandra se deteve ao lado de Aedion no topo da colina e mudou para sua própria forma. Ela oscilou um pouco, e Aelin se lançou – apenas para Aedion alcançá-la, segurando Lysandra suavemente pelo cotovelo quando Rowan pousou e se transformou. Todos eles precisavam de um longo descanso agradável.
Seu príncipe feérico disse:
— Mortos em frente, estaremos lá até amanhã à tarde.
Quando ela visse Rolfe novamente, eles teriam uma pequena conversa sobre como, exatamente, ele calculava distâncias naquele mapa infernal dele.
Mas o rosto de Rowan empalideceu sob as tatuagens. Depois de um momento, ele acrescentou:
— Eu posso senti-lo... minha magia pode senti-lo.
— Diga-me que não está abaixo de seis metros de água.
Um balançar rápido e agitado de cabeça.
— Eu não queria correr o risco de me aproximar demais. Mas lembra do templo do Devorador de Pecados.
— Bem! Realmente um lugar adorável, acolhedor e relaxante para se estar, então — disse ela.
Aedion riu baixinho, os olhos no horizonte. Dorian e Manon arrastaram-se para a margem abaixo, pingando, a bruxa examinando o mar de ilhas em frente. Se ela notou algo, a bruxa não disse nada.
Rowan inspecionou a ilha que seguinte: alta, protegida por um muro de pedra em ruínas de um lado, e espinhos, por outro.
— Nós vamos acampar aqui esta noite. É seguro o suficiente.
Aelin quase caiu em agradecimento. Lysandra soltou um fraco agradecimento aos deuses.
Dentro de minutos, eles haviam limpado o suficiente de uma área geral, através do trabalho físico e magia, para encontrar lugares entre os grandes blocos de pedra, e Aedion começou a cozinhar: uma parca e triste refeição de pão duro e as criaturas do pântano que Gavriel e Rowan caçaram, considerando-as seguras o suficiente para comer. Aelin não observou seu primo, preferindo não saber o que diabos estava prestes a empurrar para baixo de sua garganta.
Os outros pareciam inclinados a evitar a atenção também, e apesar de Aedion conseguir manipular suas parcas especiarias com talento surpreendente, uma parte da carne estava... pegajosa. Viscosa. Lysandra tinha educadamente, mas completamente, se abstido num ponto.
A noite caiu, um mar de estrelas cintilantes surgindo à vista. Aelin não conseguia se lembrar da última vez que estivera tão longe da civilização – talvez na travessia do oceano para Wendlyn.
Aedion, sentado ao seu lado, passou o odre muito claro de vinho. Ela bebeu a partir dele, contente pelo deslize amargo que lavou qualquer sabor persistente da carne.
— Nunca me diga o que era — Aelin murmurou para ele, observando os outros calmamente terminarem a sua própria comida. Lysandra murmurou em concordância.
Aedion sorriu um pouco perversamente, examinando os outros também. A poucos passos de distância, meio na sombra, Manon monitorava tudo. Mas o olhar de Aedion permanecia em Dorian, e Aelin se preparou. Mas o sorriso de seu primo se tornou mais suave.
— Ele ainda come como uma dama refinada.
Dorian ergueu a cabeça – mas Aelin reprimiu uma risada à lembrança. Dez anos atrás, eles se sentaram ao redor de uma mesa juntos e ela disse ao príncipe Havilliard o que achava de seus modos à mesa. Dorian piscou quando a lembrança, sem dúvida, ressurgiu, enquanto os outros olhavam entre eles.
O rei fez uma generosa reverência.
— Tomarei isso como um elogio. — De fato, suas mãos estavam principalmente limpas, suas roupas, agora secas imaculadas.
Suas próprias mãos... Aelin pescou em um bolso o seu lenço. A coisa estava tão suja quanto o resto dela, mas... melhor do que usar suas calças. Ela tirou o Olho de Elena de onde estava vulgarmente enrolado dentro, colocando-o sobre seu joelho enquanto limpava a mancha de especiarias e gordura de seus dedos, então, ofereceu o pedaço de seda para Lysandra. Aelin casualmente passou os dedos sobre o metal dobrado do olho enquanto a metamorfa limpava as mãos, a pedra azul em seu núcleo piscando com fogo cobalto.
— Tanto quanto me lembro — Dorian continuou com um sorriso malicioso — vocês dois...
O ataque aconteceu tão rápido que Aelin não sentiu ou o viu até que estava terminado.
Num momento, Manon estava sentada à beira do fogo, os pântanos uma escuridão se espalhando atrás dela.
No próximo, escamas e dentes brancos pulavam na direção dela, irrompendo a partir de uma moita. E então – quietude e o silêncio quando a besta enorme do pântano congelou no lugar.
Interrompida por mãos invisíveis – e fortes.
A espada de Manon estava metade para fora, sua respiração irregular enquanto ela olhava para a propagação leitosa da boca rosada grande o suficiente para arrancar-lhe a cabeça. Os dentes eram, cada um, longos como o polegar de Aelin.
Aedion amaldiçoou. Os outros não o fizeram, nem sequer se moveram.
Mas a magia de Dorian manteve a besta imóvel, congelada sem o gelo para ser visto. O mesmo poder que empunhara contra o cão de caça. Aelin examinou-o para qualquer rastro, qualquer segmento reluzente de poder, e não o achou. Ele não tinha sequer levantado a mão para dirigi-lo. Interessante.
Dorian disse a Manon, a bruxa ainda espiando o bocejar da morte diante de seu rosto:
— Devo matá-lo ou libertá-lo?
Aelin certamente tinha uma opinião sobre o assunto, mas um olhar de advertência de Rowan a fez fechar a boca. E ficar um pouco boquiaberta para seu príncipe.
Oh, seu velho astuto bastardo. Seu duro rosto tatuado não revelou nada.
Manon olhou para Dorian.
— Liberte-o.
O rosto do rei apertou – em seguida, o animal estava cambaleando para a escuridão, como se um deus o tivesse arremessado através dos pântanos. Um esguicho soou distante.
Lysandra suspirou.
— Não são lindos?
Aelin lhe lançou um olhar. A metamorfa sorriu.
Mas Aelin olhou para Rowan, segurando seu olhar. Muito conveniente que o seu escudo tenha desaparecido logo quando aquela coisa cambaleou para cima. Uma excelente oportunidade para uma lição de magia. E se tivesse dado errado?
Os olhos de Rowan brilharam. Por que você acha que o buraco se abriu logo na bruxa?
Aelin engoliu seu riso de desânimo. Mas Manon Bico Negro estava concentrada no rei, a mão ainda na espada. Aelin não se incomodou em fingir como se não estivesse observando-os quando a bruxa moveu aqueles olhos de ouro para ela. Para o Olho de Elena ainda equilibrado no joelho de Aelin.
O lábio de Manon recuou, revelando seus dentes.
— Onde você conseguiu isso?
Os pelos nos braços de Aelin se arrepiaram.
— O Olho de Elena? Foi um presente.
Mas a bruxa novamente olhou para Dorian – como se salvando-a daquela coisa... Oh, Rowan não baixara o escudo apenas para uma lição de magia, baixara? Aelin não se atreveu a olhar para ele desta vez, não quando Manon mergulhou os dedos na terra lamacenta a esboçou uma forma.
Um grande círculo – e dois círculos sobrepostos, um sobre o outro, dentro de sua circunferência.
— Essa é a da Deusa de Três Rostos — disse Manon, com a voz baixa. — Chamamos isso... — ela desenhou uma linha forte, no círculo mais central, no espaço em forma de olho onde eles se sobrepunham. — O Olho da Deusa. Não de Elena. — Ela circulou o exterior novamente. — Velha — disse ela sobre a circunferência externa. Ela circulou o círculo superior interior: — Mãe. — Ela circulou a parte inferior: — Donzela. — Fincou o dedo o olho interior. — E o coração da escuridão dentro dela.
Foi a vez de Aelin balançar a cabeça. Os outros sequer piscaram.
— É um símbolo das Dentes de Ferro —  Manon continuou. — Videntes Sangue Azul o tem tatuado em seus corações. E aquelas que ganharam valor em batalha, quando vivíamos nos Desertos... recebiam uma dessas. Para marcar a nossa glória, a nossa Deusa abençoada.
Aelin debateu lançar a porcaria do amuleto para o pântano, mas disse:
— O dia em que vi Baba Pernas Amarelas pela primeira vez... o amuleto ficou pesado e quente em sua presença. Pensei que fosse em advertência. Talvez tenha sido em... reconhecimento.
Manon estudou o colar de cicatrizes desfigurando a garganta de Aelin.
— O poder funcionou mesmo com a magia bloqueada?
— Foi-me dito que certos objetos eram... isentos — a voz de Aelin forçou. — Baba Pernas Amarelas sabia toda a história das chaves e portões de Wyrd. Foi ela quem me contou sobre eles. Isso é uma parte de sua história, também?
— Não. Não nesses termos — respondeu Manon. — Mas Pernas Amarelas era uma Matriarca, ela conhecia coisas agora perdidas para nós. Ela mesma botou abaixo as paredes da cidade Crochan.
— As lendas afirmam que o abate foi... catastrófico — apontou Dorian.
Sombras brilharam nos olhos de Manon.
— Aquele campo de batalha, da última vez que ouvi, ainda é estéril. Nem uma lâmina de grama cresce ali. Dizem que por causa da maldição de Rhiannon Crochan. Ou pelo sangue que encharcou a terra nas últimas três semanas de guerra.
— O que é a maldição, exatamente? — Lysandra perguntou, sobrancelhas franzidas.
Manon examinou as unhas de ferro, por tempo suficiente para que Aelin pensasse que ela não responderia. Aedion lançou o odre de volta em seu colo, e Aelin bebeu dele novamente quando Manon, finalmente respondeu.
— Rhiannon Crochan segurou as portas de sua cidade por três dias e três noites contra as três Matriarcas Dentes de Ferro. Suas irmãs estavam mortas ao redor dela, seus filhos abatidos, seu consorte cravado numa das caravanas de guerra Dentes de Ferro. A última Rainha Crochan, a esperança final de sua dinastia de mil anos... Ela não foi gentil. Foi só quando ela caiu na madrugada do quarto dia que a cidade foi realmente perdida. E quando ela estava morrendo naquele campo de guerra, quando as Dentes de Ferro botaram as paredes da cidade abaixo em torno dela e massacraram seu povo... ela nos amaldiçoou. Amaldiçoou as três Matriarcas, e através delas, todas as Dentes de Ferro. Amaldiçoou a própria Pernas Amarelas – que deu a Rhiannon o golpe final...
Nenhum deles se moveu ou falou ou respirou alto demais.
— Rhiannon jurou em seu último suspiro que ganharíamos a guerra, mas não a terra. Que, pelo o que tínhamos feito, herdaríamos a terra apenas para vê-la murchar e morrer em nossas mãos. Nossos animais adoeceriam e definhariam sobre os mortos, nossas bruxas donzelas seriam natimortas, envenenadas pelos córregos e rios. Peixes apodreceriam em lagos antes que pudéssemos pescá-los. Coelhos e cervos fugiriam através das montanhas. E o uma vez verdejante Reino das Bruxas se tornaria um deserto.
“As Dentes de Ferro riram para isso, embriagadas de sangue Crochan. Até que a primeira bruxinha Dentes de Ferro nasceu... morta. E depois outra e outra. Até o gado apodrecer nos campos, e as colheitas secarem durante a noite. Até que no final do mês, não havia comida. A cada segundo, os três clãs Dentes de Ferro estavam se voltando um contra o outro, rasgando-se em pedaços. Assim, as Matriarcas ordenaram todos ao exílio. Separado clãs para cruzar as montanhas e vaguear como gostaríamos. Em poucas décadas, elas enviariam grupos para tentar trabalhar a terra, para ver se a maldição ainda se mantinha. Esses grupos nunca mais voltaram. Temos sido andarilhas nos últimos quinhentos anos... a ferida agravada pelo fato de que os seres humanos, eventualmente, a tomaram para si mesmos. E a terra respondeu a eles.
— Mas você ainda pretende retornar? — perguntou Dorian.
Aqueles olhos dourados não eram desta terra.
— Rhiannon Crochan disse que havia uma maneira, apenas uma. Para quebrar a maldição — Manon engoliu e recitou em voz fria, apertada — Sangue pelo sangue e alma pela alma, junto foi feito, e só em conjunto pode ser desfeito. Seja a ponte, seja a luz. Quando o ferro derreter, quando as flores da primavera despontarem dos campos de sangue. Deixe que a terra seja testemunha, e retorne para casa — Manon brincou com o fim de sua trança, o pedaço de manto vermelho que tinha amarrado em torno dela. — Cada bruxa Dentes de Ferro no mundo ponderou aquela maldição. Durante cinco séculos, temos tentado quebrá-la.
— E seus pais... sua união foi feita a fim de quebrar essa maldição — Aelin testou, cuidadosamente.
Um aceno afiado.
— Eu não sabia... que a linhagem de Rhiannon tinha sobrevivido. — E agora corria pelas veias azuis de Manon.
Dorian meditou:
— Elena antecede as guerras das bruxas por um milênio. O Olho não tinha nada a ver com isso. — Ele esfregou o pescoço. — Certo?
Manon não respondeu, apenas estendeu um pé para limpar o símbolo que traçara na sujeira.
Aelin bebeu o resto do vinho e empurrou o Olho de volta em seu bolso.
— Talvez agora você entenda — ela falou a Dorian — por que acho Elena um pouquinho difícil de se lidar.



A ilha era grande o suficiente para uma conversa poder ser tida sem ser ouvida.
Rowan supôs que era precisamente o que seus ex-companheiros de equipe queriam quando o encontraram na vigia no topo coberto de videiras da escada em espiral que dava para a ilha e seus arredores. Encostado numa parte que uma vez fora uma parede da curva, Rowan perguntou:
— O que foi?
— Você deve levar Aelin a mil quilômetros daqui. Esta noite — Gavriel falou.
Uma onda de sua magia e instintos afiados disse a ele que tudo estava seguro nas imediações, acalmando a raiva assassina que escorregou para seu pensamento.
— O que quer que nos espere amanhã, tem esperado por um longo tempo, Rowan — Fenrys falou.
— E como qualquer um de vocês sabe disso?
Os olhos amarelos escuros do Gavriel reluziram brutos e brilhantes na escuridão.
— A vida da sua amada e da bruxa se entrelaçam. Elas foram conduzidas para cá por forças que ainda não podemos compreender.
— Pense nisso — Fenrys empurrou. — Duas fêmeas cujos caminhos se cruzaram esta noite de forma que nós raramente testemunhamos. Duas rainhas, que controlam cada parte deste continente, dois lados da mesma moeda. Ambas mestiças. Manon, uma Dentes de Ferro e uma Crochan. Aelin...
— Humana e feérica — Rowan terminou por ele.
— Entre si, cobrem as três principais raças da terra. Entre as duas, elas são mortais e imortais; uma adora fogo, a outra escuridão. Preciso ir em frente? É como se as estivéssemos jogando direto nas mãos de quem tem executado este jogo – por eras.
Rowan lançou a Fenrys um olhar a que outros homens teriam recuado. Ele nem mesmo considerou.
Gavriel interrompeu para dizer:
— Maeve tem estado à espera, Rowan. Desde Brannon. Por alguém que a levaria até as chaves. Por sua Aelin.
Maeve não tinha mencionado o cadeado nesta primavera. Ela não tinha mencionado o anel de Mala, também. Rowan falou lentamente, suas palavras uma promessa de morte:
— Será que Maeve os enviou por causa deste cadeado, também?
— Não — negou Fenrys. — Não. Ela nunca o mencionou. — Ele trocou de pé, voltando-se para um distante, rugido brutal. — Se Maeve e Aelin forem para a guerra, Rowan, se elas se encontrarem num campo de batalha...
Ele tentou não se deixar imaginar. A carnificina cataclísmica e destruição.
Talvez eles devessem ter permanecido no Norte, escorando suas defesas.
— Maeve não vai se permitir perder. Ela já o está substituindo — Fenrys sussurrou.
Rowan se voltou para Gavriel.
Quem?
Aqueles olhos de Leão escureceram.
— Cairn.
O sangue de Rowan congelou, mais frio do que a sua magia.
— Ela está louca?
— Ela nos contou de promoção dele um dia antes de irmos embora. Ele sorria como um gato com um canário na boca quando saímos do palácio.
— Ele é um sádico. — Cairn... Nenhuma quantidade de treinamento, tanto dentro quanto fora do campo de batalha jamais quebrara a inclinação do guerreiro feérico para a crueldade. Rowan o havia trancado, açoitado e disciplinado, exerceu qualquer que fosse o pingo de compaixão que conseguisse reunir... e nada. Cairn tinha nascido saboreando o sofrimento dos outros.
Então Rowan o expulsara de seu próprio exército – despejou-o no colo de Lorcan. Cairn durou cerca de um mês com Lorcan antes de ser despachado para uma legião isolada, comandada por um general que não estava no esquadrão e não tinha interesse em ser um. As histórias do que Cairn fez aos soldados e inocentes que encontrou...
Havia poucas leis contra o assassinato entre os feéricos. E Rowan considerara poupar o mundo da vileza de Cairn cada vez que o vira. Para Maeve nomeá-lo para o grupo, dar a ele um poder praticamente sem controle e tal influência...
— Aposto todo o ouro que tenho que ela vai esperar Aelin exaurir-se na destruição de Erawan... então atacar quando ela estiver mais fraca — Fenrys meditou.
Para Maeve não ter dado a qualquer um deles uma ordem de silêncio através do juramento de sangue... ela queria que ele – que Aelin – soubesse. Que se preocupasse e especulasse.
Fenrys e Gavriel trocaram olhares cautelosos.
— Nós ainda a servimos, Rowan — Gavriel murmurou. — E ainda temos de matar Lorcan quando chegar a hora.
— Por que falar disso de qualquer modo? Eu não ficarei no caminho de vocês. Nem Aelin vai, acredite em mim.
— Porque — Fenrys respondeu — o estilo de Maeve não é de executar. É de punir... lentamente. Ao longo de anos. Mas ela quer Lorcan morto. E não semimorto, ou com a garganta cortada, mas irrevogavelmente morto.
— Decapitado e queimado — Gavriel acrescentou severamente.
Rowan soltou um suspiro.
— Por quê?
Fenrys lançou um olhar sobre a borda da escada – para onde Aelin dormia, seu cabelo dourado brilhando ao luar.
— Lorcan e você são os machos mais poderosos do mundo.
— Você esquece que Lorcan e Aelin não conseguem nem mesmo respirar no mesmo espaço. Duvido que haja uma chance de uma aliança entre eles.
— Tudo o que estamos dizendo — Fenrys explicou — é que Maeve não toma decisões sem um motivo considerável. Esteja pronto para qualquer coisa. Enviar sua armada, seja para onde for, é apenas o começo.
Os animais do pântano rugiram, e Rowan queria rugir de volta. Se Aelin e Cairn alguma vez se encontrassem, se Maeve tinha algum plano para além de sua ganancia pelas chaves...
Aelin se virou em seu sono, franzindo o cenho para o som, e Lysandra cochilava ao lado dela na forma de leopardo fantasma, a cauda macia contraindo-se. Rowan se afastou da parede, mais do que pronto para se juntar a sua rainha. Mas ele encontrou Fenrys olhando para ela também, o rosto apertado numa careta. A voz de Fenrys era um sussurro quebrado quando ele falou:
— Mate-me. Se essa ordem for dada. Mate-me, Rowan, antes que eu tenha que fazer isso.
— Você estará morto antes de chegar a trinta centímetros dela.
Não uma ameaça – uma promessa e uma clara declaração da verdade. Os ombros de Fenrys baixaram em agradecimento.
— Estou feliz, você sabe — disse Fenrys com seriedade incomum — por ter este momento. Que Maeve involuntariamente tenha me dado isso. Que eu tenha chegado a conhecer como é. Estar aqui, ser parte disto.
Rowan não tinha palavras, então ele olhou para Gavriel.
Mas o Leão estava balançava a cabeça enquanto observava o pequeno acampamento abaixo. Observava o filho dormindo.

18 comentários:

  1. Sarita querida vc não acha que já não temos merdas o suficiente?

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    1. Sinceramente, nunca engoli a conversa de que a Sarah é amante do conto de fadas e que a história surgiu a partir de Cinderela, porque parece mais que a autora gosta de dor e sofrimento e ver a gente chorar rios :'(

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  2. Aelin vai roubas todos os machos da Maeve kkkkkkkkkk

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  3. Depois de viver siclos com aquela sadica da maeve e tendo que servila sem poder recusar nada devido ao juramento de sangue encontrar com aelin e sua corte e fazer parte dela por esse curto momento parece ser um presente enviados pelos deus

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  4. Todos não. A Elide é quem roubou o Lorcan - o que dá no mesmo kkkkkkkk

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  5. Sério mano, eu amo o Fenrys, eu tô torcendo pra Aelin roubar os machos da Maeve, ninguém merece servir essa deusa cruel e puta, Aelin precisa ajudar a quebrar o juramento d sangue deles *^* esses feéricos precisam entrar pro bonde da Aelin *-*

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  6. Mata a Maeve por favooooor tudo fica liberado do juramento dai né?

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  7. Se ela mandou matar Lorcan ..sera q quer impedir uma aliança poderosa Rowan,Lorcan Elide e Manon

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    1. N sei se ela quer matar o Lorcan para impedir aliança entre os 4... Talvez. Mas acho q é algo maior. Algo mais mind blowing. Até pq também ela não tinha como saber que o Lorcan ia encontrar a Elide, muito menos que eles iriam se tornar tão amigos.
      A NÃO SER QUE ELA TENHA COMO PREVER O FUTURO JESUS SOCORRO ... Também tem essa história da Baba pernas amarelas e da Aelin vomitando pq descobriu algo aterrorizante. Isso está me matando.

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  8. Imagina uma aliança entrar todos eles? Até arrepiou aqui.
    Quero todos esses macios feérico na corte de Aelin ❤

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  9. Acho q só eu acho a Maeve fodona. Ela ta viva por milenios, é esperta e cruel e uma lenda viva. Ela é praticamente uma deusa e queria muitooo q a maeve e erawan lutassem pra ver qual dos dois é mais forte

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  10. Tô cm medo...sério.... as vzs bate aquele pensamento de parar o livro por aqui.. em q tão todo mundo vivo.. nos loóvis maravilhosos... ai ai.. sabe uq seria louco? Fenrys ficar cm a Evangeline... qnd ela ficar maiorzinha ...clr kkkkkkkkkkkkk pq n vejo nenhum outro personagem q poderia fica cm ele... tvz uma das treze... Asterin se ela tiver viva...uq eu torço muuuito pr estar...e ele merece ser feliz... ele é taaãão fofenhoo ❤ awwwn.. maaaas neeeh... n vou parar por aqui...vamos continuar...

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  11. Sim. É claro que ela quer impedir dos dois machos super fortes. De fazerem uma aliança. E acho que a Maeve vai esperar a Aelin está acabada com o confronto com o Erawan para atacar. Muito inteligente essa megera!!!
    Agora Deus grego. Vamos montar uma armadilha para Maeve!!! Rowan amor eterno!❤

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  12. Meu deus socorro vei. Como a autora conseguiu fazer esse livro com todos os capítulos importantes, praticamente? Todo capítulo tem algum acontecimento ou alguma informação nova... Jesus. Espero q o próximo mantenha a qualidade ...
    Estou MORRENDO de curiosidade a respeito da parada de a Manon e a Aelin estarem juntas por algum planejamento maior. QUERO SABER PQ!

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  13. Meu coração se aperta por tds esses machos presos a Maeven, espero de verdade que eles consigam quebrar o juramento de sangue.

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  14. Ai gente eu acho que o Fenrys vai morrer :'(
    Se não nesse, mas no próximo livro. Sempre tem desses avisos assim.
    Quero tanto estar errada.

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  15. Gosto tanto do Fenrys e Gavriel.. Espero q ambos n morram e q ganhem a liberdade deste maldido juramento de sangue..

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Boa leitura :)