30 de janeiro de 2017

Capítulo 51

A costa de Eyllwe queimava.
Durante três dias, eles navegaram passando aldeia após aldeia. Algumas ainda em chamas, algumas apenas cinzas. E em cada uma delas, Aelin e Rowan tinha trabalhado para apagar as chamas.
Rowan, em sua forma de falcão, podia voar, mas... Isso a matava. Absolutamente a matava de tal modo, que não podiam se dar ao luxo de parar tempo suficiente para ir para a praia. Então ela fazia isso a partir do navio, escavando profundamente em seu poder, esticando-o tanto quanto podia através do mar e do céu e da areia, para atingir aqueles incêndios, apagando-os um por um.
Até que ao final do terceiro dia ela estava enfraquecida, com tanta sede que nenhuma quantidade de água foi capaz de saciar, os lábios rachados e descascando.
Rowan fora para a praia três vezes até agora para perguntar quem tinha feito aquilo.
A cada vez a resposta foi a mesma: a escuridão varrera sobre eles no meio da noite, o tipo que apagava estrelas, e, em seguida, as aldeias estavam queimando sob flechas ardentes que eles não viram até que elas tinham encontrado seus alvos.
Mas onde aquela escuridão, onde as forças de Erawan estavam... não havia nenhum sinal deles.
Nenhum sinal de Maeve, também.
Rowan e Lysandra tinham voado alto e longe, à procura de qualquer exército, mas... nada.
Fantasmas, alguns moradores afirmavam agora, os havia atacado. Os fantasmas dos mortos não-sepultados, furiosos nas casas de terras distantes.
Até que eles começaram a sussurrar outro rumor.
Que a própria Aelin Galathynius queimava Eyllwe, aldeia por aldeia. Por vingança, por não terem ajudado seu reino há dez anos.
Não importava que ela estivesse apagando as chamas. Eles não acreditavam em Rowan quando ele tentou explicar que ela acalmava os fogos à bordo do navio distante.
Ele disse a ela para não ouvir, não se deixar afundar. Então ela tentou.
E foi durante uma dessas vezes que Rowan correra o polegar sobre a cicatriz na palma de sua mão, inclinando-se para beijar seu pescoço. Ele inspirou, e ela sabia que ele detectou a resposta para a pergunta que o levara a fugir aquela manhã no navio. Não, ela não estava grávida.
Eles só haviam discutido o assunto uma vez – na semana anterior. Quando ela engatinhou de cima dele, ofegante e coberta de suor, e ele perguntou se ela estava tomando um tônico. Ela simplesmente lhe disse que não.
Ele tinha ficado imóvel.
E então ela explicara que se tinha herdado tanto do sangue feérico de Mab, ela poderia muito bem ter herdado a dificuldade dos feéricos para conceber. E mesmo se o momento fosse horrível... se esta fosse a única chance que ela tinha de fornecer a Terrasen uma linhagem, um futuro... ela não a desperdiçaria. Seus olhos verdes giraram distantes, mas ele balançou a cabeça, beijando seu ombro. E tinha sido isso.
Ela não reunira coragem para perguntar se ele queria conceber os filhos dela. Se ele queria ter filhos, dado o que acontecera com Lyria.
E durante esse breve momento antes de ele voar de volta à costa para apagar chamas, ela não teve coragem de explicar por que vomitou suas tripas naquela manhã, também.
Os últimos três dias tinham sido um borrão. A partir do momento que Fenrys pronunciara aquelas palavras, Inominável é o meu preço, tudo tinha sido um borrão de fumaça e chamas e as ondas e o sol.
Mas ao pôr do sol do terceiro dia, Aelin novamente empurrou esses pensamentos quando a escolta do navio começou a sinalizar em frente, a tripulação freneticamente trabalhando para ancorar.
O suor escorria em sua testa, sua língua era um pergaminho seco. Mas ela esqueceu sua sede, sua exaustão, quando viu o que os homens de Rolfe tinham visualizado momentos atrás.
A terra alagada e plana sob um céu nublado se espalhando pelo interior, tanto quanto os olhos podiam ver. Grama verde e brancas e pedras mofadas com crosta de colisões e buracos, pequenas ilhas de vida entre o espelho d’água cinzenta entre eles. E entre todos, projetando-se a partir de água salobra e terrenos corcovados como os membros de um cadáver mal enterrado... ruínas. Grandes ruínas desintegrando-se, um dia uma linda cidade afogada na planície.
Os Pântanos de Pedra.



Manon deixou os humanos e os feéricos se reunirem com os chefes dos outros dois navios.
Ela logo ouviu a notícia: o que procuravam estava a cerca de um dia e meio para o interior. Precisamente onde, eles não sabiam – ou quanto tempo levaria para encontrar a sua localização exata. Até que eles voltassem, os navios permaneceriam ancorados ali.
E Manon, ao que parecia, se juntaria a eles em sua viagem para o interior. Como se a rainha suspeitasse que, se ela fosse deixada para trás, sua pequena frota não estaria intacta quando eles voltassem.
Mulher inteligente.
Mas aquele era o outro problema. E um que se voltava para Manon agora, já parecendo ansioso e aborrecido.
A cauda de Abraxos oscilou um pouco, as pontas de ferro raspando e arranhando o convés do navio intocado. Como se tivesse ouvido a ordem da rainha um minuto atrás: a serpente alada tem que ir.
Na extensão plana e aberta dos pântanos, ele seria muito perceptível.
Manon colocou uma mão em seu focinho cheio de cicatrizes, encontrando aqueles olhos negros sem profundidade.
— Você precisa ficar quieto em algum lugar.
Um caloroso e triste bufo quente em sua palma.
— Não reclame disso — falou Manon, mesmo quando algo torceu e agitou no seu ventre. — Fique longe da vista, mantenha-se alerta, e volte daqui a quatro dias. — Ela se permitiu inclinar para frente, apoiando a testa contra o seu focinho. Seu grunhido retumbou nos ossos dela. — Nós somos uma dupla, você e eu. Alguns dias não são nada, meu amigo.
Ele cutucou a cabeça dela com a sua.
Manon engoliu em seco.
— Você salvou minha vida. Muitas vezes. Eu nunca lhe agradeci por isso.
Abraxos soltou outra lamentação baixa.
— Você e eu — ela prometeu a ele. — A partir de agora, até que a escuridão nos reclame.
Ela obrigou-se a se afastar. Obrigou-se a bater naquele focinho apenas mais uma vez. Depois recuou um passo. Em seguida, outro.
— Vá.
Ele não se moveu. Ela mostrou os dentes de ferro.
— .
Abraxos lançou-lhe um olhar cheio de reprovação, mas seu corpo ficou tenso, asas se elevando.
E Manon decidiu que nunca tinha odiado ninguém mais do que odiava a rainha da Terrasen e seus amigos. Por fazê-lo partir. Por causar essa despedida, quando tantos perigos não tinham sido capaz de separá-los.
Mas Abraxos estava no ar, as velas gemendo com o vento de suas asas, e Manon assistiu até que ele era uma mancha no horizonte, até que os botes estavam sendo preparados para levá-los para a grama alta e a água cinzenta estagnada dos pântanos além.
A rainha e sua corte preparada, vestindo armas como algumas pessoas se adornavam com joias, movendo-se em pergunta e resposta aos outros. Tão semelhantes, com suas Treze – semelhante o suficiente para que ela tivesse que se virar, abaixando-se para as sombras do mastro e trazer sua respiração em um ritmo igual.
Suas mãos tremiam. Asterin não estava morta. As Treze não estavam mortas.
Ela manteve os pensamentos sobre isso na baía. Mas agora, com aquela serpente alada cheiradora de flores desaparecendo no horizonte...
A última parte da Líder Alada havia desaparecido com ele.
Um vento abafado soprou para o interior – em direção àqueles pântanos. Arrastando a capa vermelha com ele.
Manon correu um dedo abaixo do manto vermelho que ela se obrigou a vestir esta manhã.
Rhiannon.
Ela nunca ouvira um sussurro de que a linhagem real Crochan escapara daquele definitivo campo de masssacre cinco séculos atrás. Ela se perguntava se qualquer uma das Crochans além de sua meia-irmã sabia que a filha de Lothian Bico Negro e um príncipe Crochan haviam sobrevivido.
Manon desabotoou o broche que segurava o manto nos ombros. Ela pesava a espessura da peça de tecido vermelho em suas mãos.
Alguns golpes fáceis de suas unhas rasgaram uma tira longa e fina da capa. Mais alguns movimentos e ela a amarrou no fim de sua trança, o vermelho forte contra o luar branco de seu cabelo.
Manon saiu das sombras atrás do mastro e espiou por cima da borda do navio.
Ninguém comentou quando ela atirou o manto de sua meia-irmã no mar.
O vento o ergueu alguns metros sobre as ondas antes de ele vibrar como uma folha morrendo de vontade de pousar no topo das ondas. Uma poça de sangue era o que parecia à distância quando a maré arrastou para fora, fora, fora para o oceano.
Ela encontrou o rei de Adarlan e rainha de Terrasen esperando no parapeito do convés principal, seus companheiros subindo no bote que aguardava balançando sobre as ondas.
Ela encontrou os olhos de safira, em seguida, aqueles de turquesa e ouro.
Sabia que tinham visto. Talvez não entendessem o significado que a capa tinha, mas... entendiam o gesto.
Manon recolheu os dentes de ferro e unhas para suas fendas quando se aproximou deles.
Aelin Galathynius disse calmamente:
— Você nunca para de ver seus rostos.
Foi só enquanto eles remavam para a costa, a deriva os absorvendo, que Manon percebeu que a rainha não quis dizer as Treze. E Manon se perguntou se Aelin, também, vira aquele manto flutuante no mar e pensou que parecia sangue derramado.

13 comentários:

  1. Isso non ecxiste! Aelin não esá grávida, o que é bom, eu acho.

    -B.Bunny


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    1. "Os últimos três dias tinham sido um borrão. A partir do momento que Fenrys pronunciara aquelas palavras, Inominável é o meu preço, tudo tinha sido um borrão de fumaça e chamas e as ondas e o sol."

      não entendi essa parte porque ela vomitou as tripas...

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    2. Bem, tudo é sempre um mistério com Aelin. É só esperar que tudo se explica

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  2. Aaaaaaaaaaa me senti traída por ela não está grávida, q iludida eu sou, mas isso é bom, eu acho pq tipo, eles estão em guerra e seria complicado pra Aelin lutar carregando o Rowan Júnior T.T

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  3. Sabia q não ela so ficou abalada ...tenho q voltar a ler o livro da luta dela com a Baba pernas amarelas pois não lembro o q ela falou faz tento tempo mas não deve ter sida nada de bom....

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  4. Meu deus do céu, eu quero mais ação de Dorian (sei que não é o capítulo dele mais eu aprendi a comentar aqui desde o comentário anterior CUIDADO COM A BURRA AHSUWSY)

    Ele tá muito espectador das coisas, mas nas pouca vezes em que ele toma iniciativa eu gosto das atitudes dele. Só espero mais destaque.

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  5. Meu deus do céu ainda bem que ela não está grávida, seria uma coisa complicada em meio a uma guerra.

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  6. Quero mais ação do Dorian/ RT
    Sdd de quando ele aparecia em 2 de 3 capítulos,sdd da amizade dele e do Chaol (q é a pessoa q eu mais to sentindo falta nesse livro,Chaol mozao💕) Sdd da Assassina de Ardalan...Scrr

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    1. Sinceramente, será q só eu não sinto um pingo de falta daquele xarope do Chapolin. Putz, para mim o melhor do livro é q ele não está presente... Não consigo entender o porque algumas pessoas gostam dele. Puta cara chato e inconveniente... As atitudes dele só ferraram tudo até hj. Eu quase pulava as partes qnd Aelim/Celaena estava c ele. Era torturante p mim ler estás partes. Chaol, fique aí onde está, e faça um favor p humanidade e não apareça mais... Obrigado.

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    2. Concordo com tudo Carlos kk Que insuportável eram as partes do Chaol... Eu me forçava a ler pq deuses...
      Mas eu sei q esse alívio de nd dele nesse livro vai cobrar seu preço no próximo... Pq o livro só dele. Affs

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  7. Sdd do Dorian "ativo" msm
    Mas mais sdd ainda do Chaol meu xuxuzinho

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Boa leitura :)