30 de janeiro de 2017

Capítulo 4

Aedion e Rowan não deixaram o mensageiro de Darrow ir na frente para avisar os lordes de sua chegada. Se essa fosse alguma manobra para colocá-los em posição ruim, apesar de tudo o que Murtaugh e Ren tinham feito por eles na primavera, então eles ganhariam vantagem da maneira que pudessem.
Aelin supôs que ela deveria ter tomado o tempo tempestuoso como um presságio. Ou talvez a idade de Murtaugh fosse uma desculpa conveniente para Darrow testá-la. Ela se irritou com o pensamento.
A taberna fora construída em uma encruzilhada dentro do emaranhado de Carvalhal. Com a chuva e a noite se instalando, estava lotada, e eles tiveram que pagar o dobro para acomodar seus cavalos. Aelin estava certa de que uma palavra sua, um lampejo daquele fogo revelador, teria esvaziado não só os estábulos, mas também a própria taberna.
Lysandra tinha se afastado meio quilômetro atrás, e quando chegaram, ela saiu dos arbustos e assentiu com a cabeça peluda e encharcada para Aelin. Tudo limpo.
Dentro da pousada, não havia quartos para serem alugados, e o próprio bar estava repleto de viajantes, caçadores e qualquer outra pessoa que estivesse procurando escapar do aguaceiro. Alguns até se sentavam contra as paredes – e Aelin supôs que seria assim que ela e seus amigos poderiam muito bem passar a noite uma vez que a reunião terminasse.
Algumas cabeças viraram em sua direção quando entraram, mas os capuzes e capas encharcadas ocultaram seus rostos e armas, e aquelas cabeças se voltaram rapidamente para suas bebidas, jogos ou canções bêbadas.
Lysandra tinha finalmente voltado à sua forma humana – e fiel ao seu juramento meses atrás, seus seios que já foram cheios, eram agora menores. Apesar do que os aguardava na sala de jantar privativa na parte de trás da pousada, Aelin encontrou o olhar da metamorfa e sorriu.
— Melhor? — ela murmurou por sobre a cabeça de Evangeline enquanto o mensageiro de Darrow, com Aedion ao seu lado, atravessava a multidão.
O sorriso de Lysandra era meio feroz.
— Ah, você não tem ideia.
Atrás delas, Aelin poderia ter jurado que Rowan abafou o riso.
O mensageiro e Aedion viraram em um corredor, a tênue luz das velas tremeluzindo nas gotas de chuva ainda escorregando do escudo redondo pendurado nas costas de seu primo. O Lobo do Norte, que conquistara batalhas com sua velocidade e força feérica, ganhara o respeito e a lealdade de sua legião como homem – como humano. Aelin, ainda em sua forma feérica, perguntou-se se deveria ter mudado de forma.
Ren Allsbrook a esperava lá dentro. Ren, outro amigo de infância que ela quase matara, tentara matar, no inverno passado, e que não tinha ideia de quem ela realmente era. Que ficara em seu apartamento sem perceber que pertencia à sua rainha perdida. E Murtaugh... ela tinha lembranças vagas do homem, principalmente envolvendo-o sentado à mesa do seu tio, deslizando para ela pedaços extras de torta de amora.
Qualquer bem que tenha sobrado, qualquer fragmento de segurança, era graças a Aedion, os dentes e arranhões estragando seu escudo eram a prova total disso, e os três homens que a esperavam.
Os ombros de Aelin começaram a inclinar-se para baixo, mas Aedion e o mensageiro pararam diante de uma porta de madeira, batendo uma vez. Ligeirinha roçou contra sua panturrilha, balançando a cauda, ​​e Aelin sorriu para a cadela, que sacudiu o corpo, espirrando gotas de água. Lysandra bufou. Trazer um cachorro molhado para uma reunião secreta – que digno de uma rainha.
Mas Aelin prometera a si mesma, meses e meses atrás, que não pretenderia ser nada além do que era. Ela tinha rastejado através da escuridão, sangue e desespero – e sobrevivera. E mesmo que lorde Darrow pudesse oferecer homens e financiar uma guerra... ela também tinha os dois. Mais seria melhor, mas... ela não estava de mãos vazias. Ela faria isso por si mesma. Por todos eles.
Aelin alinhou os ombros enquanto Aedion entrava na sala, já falando com aqueles que estavam dentro:
— Então vocês, bastardos, nos fazem caminhar penosamente pela chuva porque não querem se molhar. Ren parecendo confuso, como de costume. Murtaugh, sempre um prazer. Darrow, seu cabelo parece tão mal quanto o meu.
Alguém de dentro lhe respondeu com uma voz seca e fria:
— Dado o segredo com que arranjou este encontro, alguém pensaria que estava esgueirando pelo seu próprio reino, Aedion.
Aelin alcançou a porta entreaberta, discutindo se valia a pena iniciar a conversa, dizendo aos tolos lá dentro para manter suas vozes baixas, mas eles mantinham. Com suas orelhas feéricas, ela captava mais sons do que a média humana. Ela deu um passo à frente de Lysandra e Evangeline, deixando-as entrar atrás dela enquanto ela parava na entrada para examinar a sala de jantar privada.
Uma janela aberta para aliviar o calor sufocante da pousada. Uma grande mesa retangular diante de uma lareira, cheia de pratos vazios, migalhas e travessas usadas. Dois homens mais velhos sentavam-se nela, um com o mensageiro sussurrando algo em seu ouvido, muito suavemente para sua audição feérica, antes de se curvar para todos e sair. Ambos os homens se endireitaram quando olharam para onde Aedion estava diante da mesa – para ela.
Mas Aelin se concentrou no garoto de cabelos escuros junto à lareira, um braço apoiado contra a lareira, o rosto cheio de cicatrizes.
Ela se lembrava das espadas gêmeas nas suas costas. Daqueles olhos escuros e ardentes.
Sua boca ficara ligeiramente seca quando ela baixou seu capuz. Ren Allsbrook a examinou.
Mas os homens mais velhos se levantaram. Ela conhecia um deles.
Aelin não sabia como não reconhecera Murtaugh naquela noite em que fora ao armazém para acabar com tantos deles. Especialmente quando ele foi o único que impediu a sua matança.
O outro homem velho, embora... enquanto enrugado, seu rosto era forte e duro. Sem diversão, alegria ou calor. Um homem acostumado a conseguir o que queria, a ser obedecido sem questionar. Seu corpo era magro e resistente, sua coluna ainda estava reta. Não era um guerreiro da espada, mas da mente.
Seu tio-avô, Orlon, tinha sido ambos. E gentil – ela nunca ouvira uma palavra severa ou violenta de Orlon. Este homem, embora... Aelin manteve o olhar nos olhos cinzentos de Darrow, um predador reconhecendo outro predador.
— Lorde Darrow — disse ela, inclinando a cabeça. Ela não pôde evitar o sorriso torto. — O senhor parece aquecido.
O rosto liso de Darrow permaneceu imóvel. Sem se impressionar.
Bem, então.
Aelin observou Darrow, esperando – recusando a quebrar seu olhar até que se curvasse. Um mergulho de sua cabeça foi tudo o que ele ofereceu.
— Um pouco mais baixo — ela ronronou.
O olhar de Aedion voltou-se para ela, cheio de advertência.
Darrow não fez tal coisa. Foi Murtaugh quem se curvou profundamente até a cintura e disse:
— Majestade. Pedimos desculpas por enviar o mensageiro para buscá-la, mas meu neto se preocupa com minha saúde — uma tentativa de um sorriso. — Para meu desgosto.
Ren ignorou seu avô e empurrou a cornija da lareira, seus passos duros o único som enquanto ele contornava a mesa.
— Você sabia — ele suspirou para Aedion.
Lysandra, com sabedoria, fechou a porta e pediu a Evangeline e Ligeirinha que ficassem de pé junto à janela – para procurar olhos à espreita.
Aedion deu a Ren um pequeno sorriso.
— Surpresa.
Antes que o jovem lorde pudesse replicar, Rowan deu um passo para o lado de Aelin e puxou seu capuz para trás.
Os homens endureceram quando o guerreiro feérico se revelou em sua glória – violência desimpedida já em seus olhos. Já focado em lorde Darrow.
— Agora, essa é uma visão que não tenho visto por um tempo — murmurou Darrow.
Murtaugh mascarou seu choque – e talvez um pouco de medo – o suficiente para estender uma mão em direção às cadeiras vazias em frente a eles.
— Por favor, sentem-se. Desculpem-nos pela bagunça. Nós não tínhamos percebido que o mensageiro poderia encontrá-los tão rapidamente. — Aelin não fez nenhum movimento para se sentar. Nem seus companheiros. Murtaugh acrescentou: — Podemos pedir comida fresca, se quiserem. Vocês devem estar famintos.
Ren atirou a seu avô um olhar incrédulo que lhe disse tudo o que ela precisava saber sobre a opinião que o rebelde tinha dela.
Lorde Darrow estava observando-a novamente. Avaliando.
Humildade – gratidão. Ela deveria tentar; ela podia tentar, droga. Darrow havia se sacrificado por seu reino; ele tinha homens e dinheiro para oferecer na próxima batalha contra Erawan. Ela convocara esse encontro; pedira a esses senhores para encontrá-la. Quem se importava que fosse em outro local? Estavam todos aqui. Era suficiente.
Aelin se forçou a caminhar até a mesa. Reivindicou a cadeira em frente a Darrow e Murtaugh. Ren permaneceu de pé, monitorando-a com fogo escuro nos olhos.
Ela disse calmamente a Ren:
— Obrigada por ajudar o Capitão Westfall nesta primavera.
Um músculo tremeu na mandíbula de Ren, mas ele falou:
— Como ele vai? Aedion mencionou seus ferimentos em sua carta.
— Da última vez que ouvi, estava a caminho dos curandeiros em Antica. Para a Torre Cesme.
— Bom.
— Vocês gostariam de me esclarecer sobre como se conhecem, ou devo ser obrigado a adivinhar? — lorde Darrow perguntou.
Aelin começou a contar até dez pelo tom empregado. Mas foi Aedion quem respondeu enquanto escolhia um assento:
— Cuidado, Darrow.
Darrow entrelaçou seus dedos nodosos, mas bem cuidados e colocou-os sobre a mesa.
— Ou o quê? Me queimará às cinzas, princesa? Derreterá meus ossos?
Lysandra deslizou em uma cadeira ao lado de Aedion e perguntou com a polidez doce e implacável em que fora treinada:
— Há alguma água restante naquele jarro? Viajar através da tempestade foi um pouco duro.
Aelin poderia ter beijado a amiga pela tentativa de diminuir a nítida tensão.
— Quem, por Deus, é você? — Darrow franziu o cenho diante da beleza requintada, os olhos erguidos que não se envergonharam dos dele apesar de suas palavras gentis. Certo – ele não sabia quem viajava com ela e Aedion. Ou que dons possuíam.
— Lysandra — respondeu Aedion, desamarrando seu escudo e colocando-o no chão atrás deles com um barulho pesado. — Senhora de Caraverre.
— Não há nenhum Caraverre — disse Darrow.
Aelin deu de ombros.
— Há uma agora.
Lysandra escolhera o nome uma semana atrás, seja lá o que significasse, surgindo no meio da noite e praticamente gritando com Aelin uma vez que se dominara o suficiente para voltar à sua forma humana. Aelin duvidava que logo esqueceria a imagem de um leopardo fantasma de olhos arregalados tentando falar. Ela sorriu um pouco para Ren, que ainda a observava como um falcão.
— Tomei a liberdade de comprar a terra que sua família cedeu. Parece que vocês serão vizinhos.
— E de que linhagem lady Lysandra vem? — perguntou Darrow, com a boca se apertando para marca em cima da tatuagem de Lysandra, a marca sempre visível, não importava que forma ela tomasse.
— Nós não organizamos esta reunião para discutir linhagens e heranças — respondeu Aelin.
Ela olhou para Rowan, que deu um aceno de confirmação de que os funcionários da taberna estavam longe da sala e ninguém estava dentro do alcance auditivo.
Seu príncipe feérico caminhou para a mesa de serviço contra a parede para pegar a água que Lysandra pedira. Ele a farejou, e Aelin soube que sua magia a varreu, sondando a água em busca de qualquer veneno ou droga, enquanto flutuava quatro copos para eles em um vento fantasma.
Os três senhores assistiram em silêncio de olhos arregalados. Rowan sentou-se e casualmente serviu a água, então convocou um quinto copo, encheu-o, e flutuou-o na direção de Evangeline. A menina sorriu para a magia e voltou a olhar para a janela salpicada de chuva. Ouvindo tudo enquanto fingia ser bonita, inútil e pequena, como Lysandra lhe ensinara.
— Pelo menos o seu guerreiro feérico serve para algo além de violência bruta — lorde Darrow comentou.
— Se esta reunião for interrompida por forças hostis — Aelin apontou tranquilamente — o senhor ficará feliz por essa violência bruta, lorde Darrow.
— E quanto à sua habilidade em particular? Devo ficar feliz com isso também?
Ela não se importava sobre como ele soubera. Aelin inclinou a cabeça, escolhendo cada palavra, forçando-se a pensar por uma vez.
— Existe algum conjunto de habilidades que você prefira que eu possua?
Darrow sorriu. O sorriso não alcançou seus olhos.
— Algum controle faria bem a Vossa Alteza.
De cada lado dela, Rowan e Aedion ficaram tensos como cordas de arco. Mas se ela podia manter seu temperamento sob controle, então eles também poderiam.
Vossa Alteza. Não Majestade.
— Levarei isso em consideração — ela disse com um pequeno sorriso por sua vez. — Quanto ao motivo pelo qual minha corte e eu desejamos nos encontrar com você hoje...
— Corte? — Lorde Darrow ergueu as sobrancelhas prateadas. Então, lentamente, olhou para Lysandra, depois para Aedion e finalmente para Rowan. Ren estava boquiaberto para eles, algo como desejo – e desânimo – em seu rosto. — Isso é o que você considera uma corte?
— Obviamente, a corte será ampliada quando estivermos em Orynth...
— E falando nisso, não vejo como pode haver uma corte, se você ainda não é rainha.
Ela manteve o queixo erguido.
— Não sei se entendi o que quer dizer.
Darrow sorveu de seu copo de cerveja. O ruído quando ele o abaixou ecoou através da sala. Ao lado dele, Murtaugh ficara imóvel como a morte.
— Qualquer governante de Terrasen deve ser aprovado pelas famílias governantes de cada território.
Gelo, frio e antigo, rachava através de suas veias. Aelin desejava poder culpar a coisa pendurada em seu pescoço.
— Você está me dizendo — ela falou muito baixinho, o fogo cintilando em seu intestino, dançando ao longo de sua língua — que mesmo eu sendo a última Galathynius viva, meu trono ainda não me pertence?
Ela sentiu a atenção de Rowan em seu rosto, mas não desviou o olhar de lorde Darrow.
— Estou lhe dizendo, princesa, que enquanto você pode ser a última descendente viva de Brannon, há outras possibilidades, outras direções para tomar, caso seja considerada imprópria.
— Weylan, por favor — Murtaugh o cortou. — Nós não aceitamos a oferta de nos encontrar para isso. Foi para discutir a reconstrução, para ajudá-la e trabalhar nisso.
Todos o ignoraram.
— Outras possibilidades como você? — perguntou Aelin a Darrow. Fumaça saía de sua boca. Ela engoliu em seco, quase engasgando com ela.
Darrow não se esquivou.
— Você não pode esperar que permitamos que uma assassina de dezenove anos de idade desfile em nosso reino e comece a dar ordens, independentemente de sua linhagem.
Pense bem, respire fundo. Homens, dinheiro, apoio de seu povo já quebrado. Isso é o que Darrow oferece, o que você pode suportar para ganhar, se apenas controlar o seu temperamento.
Ela sufocou o fogo em suas veias em assobios murmurantes.
— Entendo que minha história pessoal possa ser considerada problemática...
— Acho tudo sobre você, princesa, problemático.  A última gota foi sua recente escolha de amigos e membros da corte. Pode me explicar por que uma prostituta comum está em sua companhia e se passando por uma lady? Ou por que um dos asseclas de Maeve está agora sentado ao seu lado? — ele lançou um sorriso sarcástico na direção de Rowan. — Príncipe Rowan, não? — ele deve ter deduzido tudo a partir do que o mensageiro sussurrara em seu ouvido ao chegar. — Oh, sim, já ouvimos falar de você. Que acontecimento interessante, que quando nosso reino está mais fraco e sua herdeira tão jovem, um dos guerreiros mais confiáveis ​​de Maeve consegue ganhar um ponto de apoio, depois de olhar por tantos anos para o nosso reino com tanto desejo. Ou talvez a melhor pergunta seja: por que servir aos pés de Maeve quando você poderia governar ao lado da princesa Aelin?
Levou um esforço considerável impedir seus dedos de se fecharem em punhos.
— O príncipe Rowan é meu carranam. Ele está acima de qualquer dúvida.
— Carranam. Um termo há muito esquecido. Que outra coisa Maeve lhe ensinou em Doranelle nesta primavera?
Ela mordeu sua resposta enquanto a mão de Rowan roçava a dela sob a mesa – seu rosto entediado, desinteressado. A calma de uma tempestade selvagem e congelada. Permissão para falar, Majestade?
Tinha a sensação de que Rowan apreciaria muito a tarefa de destruir Darrow em pequenos pedaços. Ela também tinha a sensação de que gostaria muito, muito de se juntar a ele.
Aelin deu um ligeiro aceno de cabeça, uma permissão sem palavras, enquanto lutava para manter suas chamas contidas.
Honestamente, ela se sentiu um pouco mal por Darrow quando o príncipe feérico lhe lançou um olhar carregado com trezentos anos de violência fria.
— Está me acusando de prestar o juramento de sangue à minha rainha com desonra?
Nada de humano, nada de misericordioso nessas palavras.
Para seu crédito, Darrow não se encolheu. Ao contrário, ergueu as sobrancelhas para Aedion, depois se virou e balançou a cabeça para Aelin.
— Você aceitou o juramento sagrado deste... macho?
Ren bebeu um pouco enquanto examinava Aedion, aquela cicatriz contra sua pele bronzeada. Ela não estava lá para protegê-lo. Ou para proteger as irmãs de Ren quando sua academia mágica se tornou um matadouro durante a invasão de Adarlan. Aedion captou a surpresa de Ren e sutilmente balançou a cabeça, como se dissesse explicarei mais tarde.
Mas Rowan se recostou em sua cadeira com um sorriso fraco – e era uma coisa horrível, terrível.
— Conheci muitas princesas com reinos para herdar, lorde Darrow, e posso dizer-lhe que absolutamente nenhuma delas foi suficientemente estúpida para permitir que um macho as manipulasse dessa maneira, muito menos, a minha rainha. Mas se eu estivesse escalando meu caminho para um trono, escolheria um reino muito mais pacífico e próspero — ele deu de ombros. — Mas não acho que meu irmão e irmã nesta sala me permitiriam viver por muito tempo se suspeitassem que desejo mal à rainha deles – ou ao seu reino.
Aedion fez um gesto sério, mas ao lado dele, Lysandra se endireitou – não por raiva ou surpresa, mas com orgulho. Quebrou o coração de Aelin tanto quanto o iluminou.
Aelin sorriu lentamente para Darrow, as chamas retorcendo-se.
— Quanto tempo demorou você para conseguir uma lista de todas as coisas possíveis para me insultar e me acusar durante esta reunião?
Darrow ignorou-a e empurrou o queixo em direção a Aedion.
— Você está bastante quieto esta noite.
— Não acho particularmente que você quer ouvir meus pensamentos agora, Darrow — Aedion respondeu.
— Seu juramento de sangue é roubado por um príncipe estrangeiro, sua rainha é uma assassina que nomeia prostitutas comuns para servi-la, e ainda assim você não tem nada a dizer?
A cadeira de Aedion gemeu, e Aelin se atreveu a lançar um olhar – para encontrá-lo agarrando os braços de madeira com tanta força que seus nós dos dedos estavam brancos.
Lysandra, embora rígida, não deu a Darrow o prazer de corar de vergonha.
E Aelin cedera. Faíscas dançavam em seus dedos por baixo da mesa.
Mas Darrow continuou antes que Aelin pudesse falar ou incendiar o quarto.
— Talvez, Aedion, se ainda espera ganhar uma posição oficial em Terrasen, poderia ver se o seu parente em Wendlyn reconsiderou a proposta de noivado de tantos anos atrás. Veja se eles o reconhecem como família. Que diferença isso faria, se você e nossa amada princesa Aelin tivessem se desposado, se Wendlyn não tivesse formalmente rejeitado a oferta para unir nossos reinos, provavelmente a mando de Maeve. — Um sorriso na direção de Rowan.
Seu mundo se inclinou um pouco. Mesmo Aedion empalideceu. Ninguém nunca dera a entender que houvera uma tentativa oficial de noivá-los. Ou que os Ashryver tinham realmente deixado Terrasen para a guerra e a ruína.
— O que as adoradas massas pensariam de sua princesa salvadora — Darrow refletiu, colocando as mãos sobre a mesa — quando ouvissem falar de como ela gastou seu tempo enquanto eles sofriam? — um tapa na cara após o outro. — Mas — Darrow acrescentou — você sempre foi bom em prostituir-se para o exterior, Aedion. Embora eu me pergunte se princesa saiba o que...
Aelin atacou.
Não com chama, mas com aço.
O punhal tremia entre os dedos de Darrow, piscando com a luz da lareira crepitante.
Ela rosnou na cara do velho, Rowan e Aedion já meio fora de suas cadeiras, Ren alcançando uma arma, mas parecendo doente – doente com a visão do leopardo fantasma sentado agora onde Lysandra estivera um momento atrás.
Murtaugh ficou boquiaberto com a trocadora de pele. Mas Darrow olhava para Aelin, o rosto branco de raiva.
— Se quer atirar insultos contra mim, Darrow, é só seguir em frente — Aelin assobiou, seu nariz quase tocando o dele. — Mas se insultar os meus novamente, não vou errar da próxima vez — ela lançou os olhos para o punhal entre os dedos abertos do velho, um fio de cabelo separando a lâmina de sua carne.
— Vejo que herdou o temperamento de seu pai — Darrow zombou. — É assim que pretende governar? Quando não gostar de alguém, vai ameaçá-lo? — ele deslizou a mão da lâmina e puxou-as para trás o suficiente para cruzar seus braços. — O que Orlon acharia deste comportamento, deste assédio moral?
— Escolha suas palavras sabiamente, Darrow — advertiu Aedion.
Darrow ergueu suas sobrancelhas.
— Todo o trabalho que tenho feito, tudo o que tenho sacrificado nesses dez anos que se passaram, tem sido em nome de Orlon, para homenageá-lo e salvar seu reino – meu reino. Eu não pretendo deixar uma criança mimada e arrogante destruir tudo com seus acessos de raiva. Você aproveitou as riquezas de Forte da Fenda esses anos, princesa? Foi muito fácil esquecer o Norte quando comprava roupas e servia o monstro que massacrou sua família e amigos?
Homens, dinheiro, e uma Terrasen unificada.
— Mesmo seu primo, apesar de sua prostituição, nos ajudou no Norte. E Ren Allsbrook — um aceno de mão na direção de Ren. — Enquanto a senhorita vivia no luxo, sabia que Ren e seu avô estavam raspando cada cobre que pudessem, tudo para encontrar uma maneira de manter vivo o esforço rebelde? Que eles se esconderam em cabanas e dormiram sob cavalos?
— Já chega — disse Aedion.
— Deixe-o prosseguir — disse Aelin, sentando-se em sua cadeira e cruzando os braços.
— O que mais há para dizer, princesa? Você acha que o povo de Terrasen será feliz por ter uma rainha que serviu seu inimigo? Que compartilhou a cama com o filho de seu inimigo?
Lysandra rosnou suavemente, fazendo os copos tremerem.
Darrow estava imperturbável.
— E uma rainha que agora, sem dúvida, compartilha a cama com um príncipe feérico que serviu o outro inimigo em nossas costas – o que acha que nosso povo vai pensar disso?
Ela não queria saber como Darrow tinha adivinhado, o que ele tinha lido entre eles.
— Quem compartilha minha cama — ela falou — não é da sua conta.
— E é por isso que você não está apta a governar. Quem compartilha a cama da rainha é da preocupação de todos. Mentirá ao nosso povo sobre o seu passado, negará que serviu ao rei deposto – e serviu também o seu filho de uma maneira diferente?
Debaixo da mesa, a mão de Rowan se atirou para agarrar a dela, seus dedos cobertos de gelo acalmando o fogo que começava a cintilar em suas unhas. Não em advertência ou reprimenda – apenas para dizer que ele, também, estava lutando com esforço para evitar usar o prato de comida de estanho para esmagar o rosto de Darrow.
Então ela não quebrou o olhar de Darrow, mesmo enquanto entrelaçava os dedos com Rowan.
— Vou dizer ao meu povo — Aelin disse em voz baixa, mas não fracamente — toda a verdade. Vou mostrar-lhes as cicatrizes de Endovier nas minhas costas, as cicatrizes no meu corpo dos meus anos como Celaena Sardothien, e direi-lhes que o novo rei de Adarlan não é um monstro. Vou dizer-lhes que temos um inimigo: o bastardo em Morath. E Dorian Havilliard é nossa única chance de sobrevivência – e paz futura entre nossos dois reinos.
— E se ele não for? Você destruirá seu castelo de pedra como fez com o de vidro?
Chaol mencionara isso meses atrás. Ela deveria ter considerado mais, que os humanos comuns poderiam exigir verificações contra seu poder. Contra o poder da corte se reunindo ao redor dela. Mas deixe Darrow acreditar que ela tinha destruído o castelo de vidro; deixe-o acreditar que ela matara o rei. Melhor do que a verdade potencialmente desastrosa.
— Se ainda quiser ser parte de Terrasen — Darrow continuou quando nenhum deles respondeu: — Tenho certeza de que Aedion pode encontrar algum uso para você na Devastação, mas eu não terei utilidade para você em Orynth.
Ela levantou as sobrancelhas.
— Há mais alguma coisa que queira me dizer?
Seus olhos cinzentos se tornaram cintilantes.
— Eu não reconheço o seu direito de governar; não a reconheço como a legítima Rainha de Terrasen. Nem os senhores de Sloane, Ironwood e Gunnar, que compõem a maioria sobrevivente restante do que outrora foi a corte de seu tio. Mesmo que a família Allsbrook fique com você, ainda é um voto contra quatro. O General Ashryver não tem terras ou títulos aqui – e como resultado, não tem voto. Quanto a Lady Lysandra, Caraverre não é um território reconhecido, nem reconhecemos sua linhagem ou sua compra dessas terras — palavras formais para uma declaração formal. — Se retornar a Orynth e tomar seu trono sem o nosso convite, será considerado um ato de guerra e de traição — Darrow tirou um pedaço de papel de seu casaco – muitas linhas de uma escrita extravagante e quatro assinaturas diferentes na parte inferior. — A partir deste momento, até que seja decidido de outra forma, você permanecerá uma princesa por sangue, mas não rainha.

40 comentários:

  1. Vá a merlin Darrow
    Estou afim de te matar e acabar com a sua arrogância

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  2. Darrow acabou de aparecer, mas já pode morrer... MDs, que cara infeliz

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    1. Tipo, MORRE DESGRAÇADO .

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    2. Ele está pedindo para morrer ,que cara desgraçado do caralho , e burro ainda por cima, a menina sofreu pra caralho , libertou a magia, foi escrava, o reino está prestes a entrar em guerra contra uma força maligna maior e mais poderosa impossível de matar e tudo que esse cara faz é se importar com quem ela está transando pelo amor de Deus VÁ Á MERDA.

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  3. Morre o rei e aparece esse Darrow
    Por que facilitar a vida da Aelin né?

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  4. aiii q vontade de esmagar a cara desse Darrow

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  5. Eu ainda to começando a ler esse livro mas tenho certeza que ele vai ingulir tudo que disse

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  6. Respostas
    1. Sim! Muito! Argh não consigo nem me expressar

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  7. Alguém mata esse Darrow por favor, esse desgraçado já pode morrer, esse cara ta brincando com fogo literalmente -_-'

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  8. Esse Darrow é insuportável o.o Alguém, por favor, explica pra ele com quem ele está falando.

    -B.Bunny

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  9. Aff! Já pode matar o Darrow? Sim pode!

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  10. Esse Darrow ainda vai se humilhar na frente da Aelin e eu vou rir muito da cara dele! Ai que vontade de matar! !

    Flavia

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  11. Darrow....

    O que dizer dessa pessoinha que mal conheço e já quero esfregar a cara no asfalto quente ¬¬

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  12. Se o Darrow quer brincar manda ele enfrenta maeve e erawa quero vem se continua assim.

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  13. Esse cara pensa que Terrasen é dele... Que ódio, não tem um pingo de respeito esse idiota.

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  14. Puxa vida, se esse Darrow realmente existisse eu daria uns bons socos nele! OHH serumaninho infeliz e chato em!

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  15. Fico pensando o q ele vai fazer
































    Fico pensando se ele vai continuar com essa arrogância quando começar os ataques....esse asqueroso vai correr atrás dela


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  16. Esse cara deveria morrer através do fogo da Aelin por misericórdia. Tipo um último ato de bondade dela para com ele. FDP.

    Brih

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  17. Tenso pera ai vou mandar um Zap para as Bruxas virem logo, assim elas podem fazer churrasquinho do Lord Darrow

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  18. Gente a Aelin é muito paciente, eu já tinha queimado esse infeliz!

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    1. Pois é! Ela amadureceu mesmo. Eu não teria aguentado. Alguma chama teria escapado e eu acabaria queimando alguma coiaa. Que RAIVA do Darrow!

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  19. Véi ela tm mais classe do q eu oh
    Se fosse eu ni luvar dela na hr q ele falou q é da conta deles qm vai pra cama cm a rainha eu ia jogar na cara q ele compartilhou a cama cm o tio dela qndo ele era rei

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  20. não vou escrever os palavrões que tenho contra esse lorde!
    mas eu queria estar ai só para arrancar o pescoço dele com minhas próprias mãos!

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  21. Alein deveria ter respondido assim:
    "DORMII! DORMI COM O FILHO DO MEU INIMIGO, MEEESMO! MAS É GRAÇAS A ISSO QUE ADARLAN AGORA É NOSSA ALIADA.
    E TRABALHEI PRA AROBYNN HAMEL MESMO, MAS GRAÇAS A ISSO ELE DEIXOU TODA A HERANÇA PARA MIM, E AGORA TENHO MAIS DINHEIRO QUE VOCÊ, IMBECIL! DINHEIRO PRA BANCAR MEU REINO!
    E TRABALHEI PRO REI DE ADARLAN, SIM. MAS GRAÇAS A ISSO DESCOBRI UM JEITO DE MATÁ-LO E, ADIVINHA SÓ?! DEU CERTO!
    EU FIZ TUDO ISSO. E O QUE VOCÊ FEZ? EU LIBERTEEEI TERRASEN! E SOU SÓ UMA MENININHA MIMADA DE 19 ANOS! IMAGINA SÓ QUE EU POSSO FAZER QUANDO FOR RAINHA?" *observa e ri internamente enquanto ele finge indiferença*

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    1. Fato!! hahaha

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    2. Né kkkkkkkk Só uma menininha de 19 anos q enfrentou mais coisas q qualquer ser mistico enfrentou! Isso n é nada pra esse imbecil né ? Q ele apodreça no tártaro esse infeliz de merda

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  22. AMEI MELHOR COMENTRIO SERIO EU ENTRO NO LIVRO E VIRO A AELIN SO PRA FALAR ISSO A ELE

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  23. Karina, vc pode me dize se eles ainda vão adaptar a serie de livros em um filme ou uma serie? Pois achei varias noticias do ano passado falando sobre mas todas sem data de estreia (obs: Obg por postar o livro❤)

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    1. Sim, haverá uma série! Essas coisas demoram mesmo, fica difícil dar datas se nem começaram a gravar ainda. Normalmente notícias assim são divulgadas quando está prestes a lançar, mas como hoje somos todos antenados, eles nos alimentam com essas notícias. Provavelmente ainda estão escrevendo o... Roteiro? Séries também tem roteiro? Enfim, acredito que terá série de tv sim!

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  24. Devoradora de livros29 de julho de 2017 21:32

    Ka, vc poderia postar aqui o livro Mil beijos de um garoto......please, chorei mtt com esse livro.

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  25. Eu n to acreditando nisso n! 5 livros pra Aelin voltar a Terrasen, 5 LIVROS!! Pra ela chegar em terrasen e n reconhecerem ela como rainha! Ah me poupem! E esse desgraçado ainda ousa chamar ela de mimada descontrolada q nenhuma unica vez se importou com sua terra natal. Tem q lembrar pra esse Idiota dos infernos q ela era uma CRIANÇA quando tudo aconteceu ?? Tem q lembrar a esse infeliz q a vida dela em Forte da Fenda n foi só luxo e compras ?? Ah vá se danar de uma vez!!

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  26. Nesses momentos q eu n podia ser a aelin pq c n eu queimava toda a bagaça e governava a força
    N sou o mais virtuoso reconheço :3

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  27. MANÍACA POR LIVROS18 de setembro de 2017 16:36

    EU ODEIO VC SE DESGRAÇADO TOMARA QUE A AELIN DERRETA SEUS OSSOS NOJENTO CARNIÇA DEMONIO VA PRO INFERNO DARROW

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Boa leitura :)