30 de janeiro de 2017

Capítulo 46

Ainda era instinto ir para as lâminas antes de Aelin buscar a magia.
E, quando Fenrys saltou para Manon com um grunhido, foi o poder de Rowan que o atirou para o outro lado do quarto.
Antes de o macho escorregar para chão, Aelin tinha uma parede de fogo entre eles.
— Que diabos? — ela cuspiu.
De joelhos, Fenrys agarrou sua garganta – o ar de Rowan o estava sufocando.
A cabine era pequena demais para todos eles ficarem ali sem chegar perto demais. Gelo dançou ao alcance de Dorian quando ele deslizou ao lado Manon, ainda acorrentada ao lado da cama.
— O que você quer dizer, que ele não é Fenrys? — Aelin perguntou à bruxa, sem tirar os olhos dele.
Rowan deixou escapar um grunhido atrás dela.
E Aelin viu com um misto de horror e fascinação quando o peito de Fenrys expandiu em uma respiração forte. Quando ele se levantou e observou aquela parede de fogo.
Como se a magia de Rowan houvesse se desgastado.
E, como a pele de Fenrys parecia brilhar e derreter, como uma criatura tão pálida quanto a neve fresca surgiu a partir da ilusão desaparecendo, Aelin lançou a Aedion um olhar sutil por cima do ombro.
Seu primo instantaneamente se moveu, as chaves para correntes de Manon aparecendo do bolso.
Mas Manon não se moveu quando a coisa tomou forma, os membros delgados, as asas dobradas e apertadas; o rosto deformado hediondo sentindo o cheiro deles...
As correntes de Manon retiniram livres.
Aelin disse à coisa além de sua parede de fogo:
— O que é você?
Manon respondeu por ele.
— Caçador de raça de Erawan.
A coisa sorriu, revelando tocos negros e podres de dentes.
— Ao seu serviço — aquilo disse. Ela disse, Aelin percebeu quando observou os seios pequenos, encolhidos em seu peito estreito. — Então, as suas tripas ficaram — ela ronronou para Manon.
— Onde está Fenrys? — Aelin exigiu.
O sorriso da cão de caça não vacilou.
— Em patrulha no navio, em outro nível, assumo. Sem saber, assim como vocês não tinham conhecimento, que um de seus próprios não estava verdadeiramente com vocês enquanto eu...
— Ugh, outra faladora — Aelin disse, lançando sua trança por cima do ombro. — Deixe-me adivinhar: você matou um marinheiro, tomou seu lugar, descobriu o que precisava sobre como tirar Manon deste navio e nossas patrulhas, e... o quê? Planejava levá-la durante a noite? — Aelin franziu a testa ao corpo magro da coisa. — Parece que você mal pode levantar um garfo. E que não come há meses.
A cão de caça piscou para ela – então rosnou.
Manon deixou escapar uma risada baixa.
— Honestamente? — Aelin continuou. — Você poderia apenas ter se esgueirado até aqui e se poupado de mil passos estúpidos...
— Metamorfa — a coisa assobiou, com fome o suficiente para as palavras de Aelin tropeçarem.
Seus enormes olhos tinham ido direito para Lysandra, rosnando baixinho na forma de leopardo fantasma no canto.
— Metamorfa — ela assobiou de novo, aquele anseio torcendo suas feições.
E Aelin tinha a sensação de que ela sabia como essa coisa tinha começado. O que Erawan prendera e mutilara nas montanhas em torno Morath.
— Como eu estava dizendo — Aelin falou o melhor que pôde — você realmente trouxe isso sobre si mesma...
— Eu vim pela herdeira Bico Negro — a cão de caça ofegou. — Mas olhe para todos vocês. Valem o seu peso em ouro.
Seus olhos ficaram turvos, como se não estivesse mais aqui, como se tivesse ido para outra sala...
Merda.
Aelin atacou com sua chama.
A cão de caça gritou
E a chama de Aelin derreteu em vapor.
Rowan estava instantaneamente lá, empurrando-a para trás, espada em punho. Sua magia...
— Você deveria ter me entregado a bruxa — a cão de caça riu, e quebrou a escotilha na lateral do navio. — Agora ele sabe que vocês viajam, que navio usam...
A criatura se lançou para o buraco que tinha aberto, bruma entrando.
Uma flecha de ponta preta acertou seu joelho, depois outra.
A cão de caça caiu a três centímetros da liberdade.
Rosnando quando entrou no quarto, Fenrys disparou outra vez, prendendo seu ombro nas pranchas de madeira.
Aparentemente, ele não gostou de ser representado. Lançou a Rowan uma olhar fervilhante que disse isso. E exigiu como todos eles não tinham notado a diferença.
Mas a cão de caça puxou-se para cima, sangue negro pulverizando a sala, enchendo-a com seu cheiro. Aelin tinha um punhal na mão, pronto para voar; Manon estava prestes a atacar; o machado de Rowan estava inclinado...
A cão de caça atirou uma cinta de couro preto no centro do quarto.
Manon parou.
— Sua tenente gritou quando Erawan a quebrou — disse a cão de caça. — Sua Majestade das Trevas manda isso para se lembrar dela.
Aelin não ousou tirar os olhos da criatura. Mas ela poderia ter jurado que Manon balançou.
E então a cão de caça disse à bruxa:
— Um presente de um rei valg... para a última Rainha Crochan viva.



Manon olhou e olhou para aquela tira de couro trançado – aquela que Asterin usava todos os dias, mesmo quando a batalha não exigia – e não importava o que a cão de caça havia declarado aos outros. Não importava se ela era a herdeira do clã de bruxas Bico Negro ou Rainha das Crochans. Não importava se...
Manon não terminou o pensamento ao barulho que silenciou tudo em sua cabeça.
O rugido que saiu de sua boca enquanto ela se lançou sobre a cão de caça.
As setas que atravessavam a besta arranharam Manon quando ela se jogou contra aquele corpo úmido e ossudo. Garras e dentes foram para o rosto dela, mas Manon tinha as mãos em torno daquele pescoço, e ferro rasgou a pele úmida.
Então aquelas garras estavam presas na madeira sob mãos fantasmas quando Dorian se aproximou, o rosto tão rígido e impassível. A cão de caça engasgou, aquelas garras tentando se libertar...
A criatura gritou quando aquelas mãos invisíveis trituraram ossos.
Em seguida, as atravessaram.
Manon ficou boquiaberta com as mãos decepadas um momento antes de a cão de caça gritar, tão alto que seus próprios ouvidos vibraram.
— Acabe logo com isso — Dorian falou.
Manon levantou a outra mão, querendo ferro para triturá-la, não de aço.
Os outros observavam por trás deles, armas prontas.
Mas a cão de caça ofegou:
— Você não quer saber o que a sua segunda disse antes de morrer? O que ela implorou?
Manon hesitou.
— Aquela marca horrível em seu estômago... impura. Você mesma fez aquilo, Bico Negro?
Não não não não...
— Um bebê, ela disse que deu origem a uma bruxinha natimorta — Manon ficou completamente fria.
E particularmente não se importou quando a cão de caça se lançou para sua garganta, dentes à mostra.
Não foi uma chama ou vento que quebrou o pescoço da cão de caça.
Mas mãos invisíveis.
O som de trituração ecoou pelo quarto, e Manon se voltou para Dorian Havilliard. Seus olhos de safira estavam totalmente impiedosos. Manon rosnou.
— Como se atreve a tomar a minha morte...
Homens no convés começaram a gritar, e Abraxos rugiu.
Abraxos.
Manon girou nos calcanhares e correu através da parede de guerreiros, cambaleando pelo corredor, subindo as escadas...
Suas unhas de ferro se fincaram em pedaços de madeira escorregadios quando ela se arrastou para cima, o estômago doendo. O ar da noite abafado a acertou, em seguida, o cheiro do mar, então...
Havia seis deles.
Sua pele não branca como osso tal qual a da cão de Caça, mas de uma escuridão camuflada – criados para sombras e discrição. Alados, todos com rostos e corpos humanoides...
Ilken, um deles rosnou quando estripou um homem em um movimento das garras. Nós somos os ilken, e viemos para a festa. De fato, os piratas estavam mortos no convés, o sangue de um cheiro penetrante e acobreado que encheu seus sentidos enquanto corria para onde o rugido de Abraxos tinha soado.
Mas ele estava no ar, voando alto, balançando a cauda.
A metamorfa em forma serpente alada ao seu lado.
Carregando três das figuras menores, muito mais ágil enquanto...
Chamas explodiram na noite, junto com o vento e gelo.
Um ilken derreteu. O segundo teve suas asas quebradas. E o terceiro – o terceiro congelou em um bloco sólido e quebrou em cima do convés.
Mais oito ilken desembarcaram, um rasgando no pescoço de um marinheiro gritando na proa...
Os dentes de ferro de Manon estalaram para baixo. Chamas explodiram novamente, erguendo-se para os terrores que se aproximavam.
Só para eles as atravessarem.
O navio foi tomado pelo corpo a corpo quando as asas e as garras rasgaram pele humana delicada, quando os guerreiros imortais se atiraram sobre os ilken que pousaram no convés.



Aedion se arremessou atrás de Aelin no momento em que a serpente alada rugiu.
Ele chegou no convés principal antes de as coisas atacarem.
Antes da chama de Aelin romper a partir do deque em frente, e ele percebeu que sua prima podia cuidar de si mesma, porque merda, o rei valg tinha ficado ocupado. Ilken, como as próprias coisas tinham se chamado.
Havia dois deles agora diante dele no tombadilho, para onde ele correu para poupar o primeiro comandante e capitão de terem seus órgãos arrancados das barrigas. Ambas as bestas tinham quase dois metros e meio de altura, e eram nascidas de pesadelos, mas seus olhos... aqueles eram olhos humanos. E seus cheiros... como carne apodrecida, porém... humana. Parcialmente.
Ficaram entre ele e as escadas de volta para o convés principal.
— Que recompensa esta caça rendeu — disse um deles.
Aedion não se atreveu a desviar a atenção deles, embora ouvisse vagamente Aelin ordenar que Rowan fosse ajudar os outros navios. Vagamente ouviu um Lobo e o grunhido de um Leão, e sentiu o beijo frio quando gelo acertou o mundo.
Aedion agarrou sua espada, girando-a uma vez, duas vezes. Teria o lorde pirata os vendido para Morath? A maneira como a cão de caça olhara para Lysandra...
Sua raiva se tornou uma canção em seu sangue.
Eles o examinaram, e Aedion balançou a espada novamente. Dois contra um – ele poderia ter uma chance.
Foi quando o terceiro pulou das sombras atrás dele.



Aelin matou um com Goldryn. Decapitação.
Os outros dois... Eles não tinham ficado muito satisfeitos por isso, se seus gritos incessantes nos momentos seguintes fossem qualquer indicação.
O rugido de um Leão cortou a noite, e Aelin rezou para que Gavriel estivesse com Aedion em algum lugar...
Os dois à sua frente, bloqueando o caminho para os convés inferiores, finalmente pararam de silvar por tempo suficiente para perguntar:
— Onde estão suas chamas agora?
Aelin abriu a boca. Mas então Fenrys saltou de um fragmento de escuridão como se tivesse simplesmente atravessado uma porta, e se atirou contra o mais próximo. Ele tinha contas a acertar, ao que parecia.
As mandíbulas de Fenrys estavam em torno da garganta do ilken, e o outro girou, garras para fora.
Ela não foi rápida o suficiente para impedi-lo quando dois conjuntos de garras cortaram o pelo branco, atravessando o escudo que ele mantinha em si mesmo, e o grito de dor de Fenrys correu através da água.
Espadas gêmeas de fogo mergulharam nos dois pescoços dos ilken.
Cabeças rolaram para o convés em sangue liso.
Fenrys cambaleou para trás, dando apenas um passo antes de cair para as tábuas. Aelin foi para ele, praguejando.
Sangue, osso e líquido esverdeado – veneno. Como aquele nas caudas das serpente aladas.
Como soprar mil velas, ela empurrou de lado sua chama, reunindo aquela água de cura. Fenrys deslocou de volta para a forma de macho, os dentes cerrados, xingando baixo e vicioso, uma mão contra as costelas rasgadas.
— Não se mova — ela disse a ele.
Ela enviara Rowan imediatamente para os outros navios, e ele tentou argumentar, mas... obedecera. Ela não tinha ideia de onde a Líder Alada estava – a Rainha Crochan. Pelos deuses.
Aelin preparou a sua magia, tentando acalmar seu coração em fúria...
— Os outros — ofegou Aedion, mancando para eles, revestido de sangue negro. Ela quase chorou de alívio — estão muito bem. — Até que ela notou o modo como os olhos de seu primo brilhavam, e... aquele era Gavriel, sangrando e mancando mais que Aedion, um passo atrás de seu filho. Que diabos tinha acontecido?
Fenrys gemeu, e ela se concentrou em suas feridas, o veneno deslizando em seu sangue. Ela abriu a boca para dizer a Fenrys para abaixar a mão quando asas bateram.
Não do tipo que ela amava.
Aedion se pôs imediatamente diante deles, espada em punho, fazendo uma careta de dor – mas um dos ilken levantou as mãos com a palma para fora. Queremos negociar.
Seu primo interrompeu. Mas Gavriel se moveu imperceptivelmente mais perto do ilken quando ele cheirou Fenrys e sorriu.
— Não se preocupe — a coisa disse a Aelin, rindo baixinho. — Ele não terá muito tempo de vida.
Aedion rosnou, espalmando suas lâminas de combate. Aelin reuniu suas chamas. Apenas o mais quente do seu fogo poderia matá-los – qualquer coisa menos e eles permaneciam ilesos. Ela pensaria nas implicações a longo prazo mais tarde.
— Fui enviado para entregar uma mensagem — disse o ilken, sorrindo sobre um ombro em direção ao horizonte. — Obrigado por confirmar na Baía do Crânio que você carrega o que Sua Majestade das Trevas procura.
O estômago de Aelin caiu a seus pés.
A chave. Erawan sabia que ela tinha uma chave de Wyrd.

15 comentários:

  1. VAI DA MERDA 🎶 VAI DA MERDAAAAAAAA
    Vai.Dá.Merda

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  2. Quantas "Majestades" nesse navio, não é mesmo?? xD

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    1. Tá difícil hahaha tá pior que GoT

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  3. AGORA SIM FODEU TUDO, CORRE NEGADA o.O
    não quero q o Fenrys morra :'(

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  4. n1 pode c... Asterin morta... ainda n consigo acreditar... chorando... luto

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  5. Não acredito,A ASTERIN,NÃO PODE SER,ela tem q estar viva
    E onde diabos ta a Manon nessa confusão toda?

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  6. Pelos deuses, tomara que ela não tenha deixado o amuleto solto por aí

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  7. Eu acho que a Asterin n tá morta

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  8. Q seja mentiraaaa, asterin plmds n esteja morta!!

    Lascou Geral :P 😨😨

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  9. Maníaca por livros. 📖6 de outubro de 2017 16:23

    Aelin medida a nesta quis dar luma de poderosa e se lançou.😡

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  10. O Fenrys não pode morrer eu proibo ele 💔😢

    ~Annenha

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Boa leitura :)