30 de janeiro de 2017

Capítulo 44

O mundo começava e terminava em fogo.
Um mar de fogo sem espaço para ar, para um som além da terra fundida em cascata. O verdadeiro coração de fogo – a ferramenta de criação e destruição. E ela estava se afogando nele.
Seu peso sufocando enquanto ela se debatia, buscando uma superfície ou um fundo para empurrar-se para cima. Nada disso existia.
Quando ele inundou sua garganta, surgindo em seu corpo e derretendo para além dela, começou a gritar silenciosamente, pedindo para parar...
Aelin.
O nome, rugiu para o núcleo da chama no coração do mundo, era um farol, uma intimação. Ela tinha nascido à espera de ouvir aquela voz, o buscara cegamente toda a sua vida, iria segui-lo até o fim de tudo...
— AELIN.
Aelin curvou-se para fora da cama, chamas em sua boca, na garganta, nos olhos. Chamas de verdade.
Dourado e azul teceram, fervendo entre riscos vermelhos. Chamas de verdade, em erupção a partir dela, os lençóis queimados, o quarto e o resto da cama poupados da incineração, o navio no meio do mar poupado da incineração, por uma parede inflexível, inquebrável do ar.
Mãos envoltas em gelo apertaram seus ombros, e através da chama, o rosto rosnando de Rowan apareceu, ordenando-lhe a respirar...
Ela respirou. Mais chamas correram para baixo de sua garganta.
Não havia nenhuma corda, nenhuma coleira para arrebatar sua magia. Oh, deuses – oh, deuses, ela não conseguia nem mesmo sentir o desgaste ameaçando chegar. Não havia nada além destas chamas...
Rowan agarrou seu rosto entre as mãos, vapor ondulou onde o seu gelo e vento encontraram o fogo.
— Você é a sua mestra, você o controla. Seu medo lhe confere o direito de assumir o controle.
O corpo dela se arqueou para fora do colchão novamente, totalmente nu. Ela devia ter queimado suas roupas – a camisa favorita de Rowan. Suas chamas queimaram mais selvagens.
Ele agarrou-a com força, obrigando-a a encará-lo quando ele rosnou:
— Eu te vejo. Vejo cada parte de você. E eu não tenho medo.
Eu não terei medo.
Uma corda no brilho ardente.
Meu nome é Aelin Ashryver Galathynius...
E eu não terei medo.
Tão certo, como se ela agarrasse na mão, a coleira apareceu.
Escuridão fluiu, abençoada e calma onde aquele pedaço de fogo queimando tinha se enfurecido.
Ela engoliu uma vez, duas vezes.
— Rowan.
Seus olhos brilhavam com uma luminosidade quase animal, examinando cada centímetro dela.
Seus batimentos cardíacos estavam desenfreados, trovejando - ela entrou em pânico.
— Rowan — ela repetiu.
Ainda assim, ele não se moveu, não parou de olhar para ela, procurando sinais de danos. Algo em seu próprio peito deslocou em seu pânico.
Aelin agarrou seu ombro, cavando suas unhas com a violência excessiva em cada linha de seu corpo, como se ele tivesse desligado quaisquer defesas que mantinha em si mesmo, em antecipação da luta para mantê-la neste corpo e não uma deusa ou pior.
— Acalme-se. Agora.
Ele não fez nada disso. Revirando os olhos, ela puxou as mãos de seu rosto para inclinar-se e jogar os lençóis para fora deles.
— Eu estou bem — ela falou, pronunciando cada palavra. — Você viu. Agora, pegue um pouco de água. Estou com sede.
Um comando básico e fácil. Para servir, da forma que ele explicou que feéricos machos gostavam de ser necessários, de satisfazer algumas partes deles que queriam barulho e um ponto final. Puxá-lo de volta até o nível de civilização e da razão.
O rosto de Rowan ainda estava duro com ira feral – e o terror traiçoeiro correndo abaixo dele.
Então Aelin se inclinou, mordeu levemente o seu queixo, certificando-se de que seus caninos arranhavam, e disse contra sua pele:
— Se você não começar a agir como um príncipe, pode dormir no chão.
Rowan se afastou, seu rosto selvagem não totalmente deste mundo, mas lentamente, como se as palavras penetrassem aos poucos, suas feições suavizaram. Ele ainda parecia bravo, mas não tão perto de matar essa ameaça invisível contra ela, quando ele se inclinou, mordiscando o queixo em troca, e disse-lhe ao ouvido:
— Farei você se arrepender de usar tais ameaças, princesa.
Oh, deuses. Seus dedos se fecharam, mas ela lhe deu um sorriso afetado quando ele se levantou, cada músculo de seu corpo nu ondulando com o movimento, e observou-o andar com a graça felina até o lavatório e jarro em cima dele.
O bastardo teve a coragem de olhar para ela quando levantou o jarro. E, em seguida, lançar a ela um sorriso macho satisfeito enquanto servia o copo até a borda, parando com precisão especialista.
Ela debateu enviar uma lambida de fogo para queimar aquele seu traseiro nu enquanto ele pousava o jarro com calma e cuidado enfatizado. E, em seguida, caminhou de volta para a cama, os olhos sobre ela a cada passo do caminho, e colocando a água sobre a mesinha ao lado dele.
Aelin ergueu-se em joelhos surpreendentemente estáveis e encarou-o.
Só o ranger do navio e o silvo das ondas contra eles enchia o quarto.
— O que foi isso? — ela perguntou em voz baixa.
Seus olhos fecharam.
— Foi... eu perdendo o controle.
— Por quê?
Ele olhou para a escotilha e a lua beijando o mar além. Tão raro para ele, evitar seu olhar.
— Por quê? — ela forçou.
Rowan finalmente encontrou seu olhar.
— Eu não sabia se ela tomara o controle novamente. — Não importava que o chave de Wyrd agora estivesse ao lado da cama e não em torno de seu pescoço. — Mesmo quando percebi que você estava escravizada pela magia, eu ainda... a magia a levou embora. Já faz um longo tempo desde que não tive certeza... desde que não sabia como trazê-la de volta. — Ele mostrou os dentes, soltando uma respiração irregular, a ira agora dirigida para dentro. — Antes de me chamar de um bastardo feérico territorial, permita-me pedir desculpas e explicar que é muito difícil...
— Rowan. — Ele parou. Ela cruzou a pequena distância persistente entre eles, cada passo como a resposta de alguma pergunta que ela fizera desde o momento em que sua alma ameaçara existir. — Você não é humano. Eu não espero que você seja.
Ele quase pareceu recuar. Mas ela colocou a mão em seu peito nu, sobre o coração. Ele ainda trovejava sob sua palma.
Ela disse suavemente, sentindo aquele coração sob sua mão:
— Eu não me importo se você é feérico, ou humano, se é valg ou um maldito skinwalker. Você é o que é. E o que eu quero... o que eu preciso, Rowan, é de alguém que não se desculpe por isso. Por ser quem é. Você nunca, nenhuma vez fez isso. — Ela se inclinou para beijar a pele nua, onde sua mão tinha estado. — Por favor, não comece a fazer isso agora. Sim, às vezes você me irrita como o inferno com esse absurdo territorial feérico, mas... eu ouvi a sua voz. Ela me despertou. Ela me levou para fora daquele... lugar.
Ele abaixou a cabeça até a testa encostar-se na dela.
— Eu gostaria de ter mais a lhe oferecer, durante esta guerra, e depois dela.
Ela deslizou os braços ao redor de sua cintura nua.
— Você me oferece mais do que eu esperava — ele parecia opor-se, mas ela continuou: — E percebi que, uma vez que ambos, Darrow e Rolfe, me informaram que eu precisava vender a minha mão em casamento por causa desta guerra, devo fazer o oposto.
Um bufo.
— Típico. Mas se Terrasen precisa...
— Esta é a maneira como vejo — disse ela, se afastando para examinar seu rosto severo. — Não temos o luxo do tempo. E um casamento com um reino estrangeiro, com os seus contratos e distâncias, além dos meses que levaria para montar e enviar um exército... não temos esse tempo. Nós só temos o agora. E o que eu não preciso é de um marido que vai tentar entrar em uma competição de controle comigo, ou que terei que prender em algum lugar para sua própria segurança, ou que vai se esconder em um canto quando eu acordar com todas essas chamas em torno de mim. — Ela beijou o peito tatuado, novamente, direto sobre aquele coração poderoso, trovejante. — Isto, Rowan... isso é tudo que eu preciso. Só isso.
As reverberações de sua respiração profunda, ecoaram em sua bochecha, e ele passou a mão pelos cabelos dela, depois por suas costas nuas. Mais abaixo.
— Uma corte que pode mudar o mundo.
Ela beijou o canto de sua boca.
— Nós vamos encontrar uma maneira. Juntos. — As palavras que ele tinha oferecido a ela uma vez, as palavras que tinham começado a cura do seu coração despedaçado. E o dele próprio. — Eu te machuquei...? — Sua voz estava grossa.
— Não. — Ele passou o polegar por sua bochecha. — Não, você não me machucou. Nem a ninguém mais.
Algo em seu peito cedeu, e Rowan recolheu-a em seus braços enquanto ela enterrava o rosto em seu pescoço. Suas mãos calejadas acariciaram suas costas, sobre toda e cada cicatriz e as tatuagens com que ele as cobrira.
— Se sobrevivermos a esta guerra — ela murmurou depois de um tempo em seu peito nu — você e eu teremos que aprender a relaxar. Dormir durante a noite.
— Se sobrevivermos a esta guerra, princesa — ele falou, correndo um dedo pelo sulco de sua coluna — ficarei feliz em fazer o que quiser. Até aprender a relaxar.
— E se nós nunca tivermos um momento de paz, mesmo depois de conseguirmos o cadeado, as chaves e enviar Erawan de volta para seu reino infernal?
A diversão desapareceu, substituída por algo mais atento quando seus dedos se acalmaram nas costas dela.
— Mesmo que tenhamos ameaças de guerra todos os dias, mesmo que tenhamos de sediar emissários agitados, mesmo se tivermos que visitar reinos horríveis e jogar limpo, eu ficarei feliz em fazê-lo, se você estiver ao meu lado.
Seus lábios tremeram.
— Ai, você. Desde quando aprendeu a fazer esses discursos bonitos?
— Eu só precisava da desculpa certa para aprender — disse ele, beijando seu rosto.
Seu corpo ficou tenso e derretido em todos os lugares certos, enquanto a boca dele se moveu mais abaixo, pressionando gentilmente, dando beijos em sua mandíbula, sua orelha, o pescoço. Ela enterrou os dedos nas costas dele, expondo sua garganta enquanto seus caninos arranhavam levemente.
— Eu te amo — Rowan ofegou em sua pele, e passou a língua sobre o local onde seus caninos tinham arranhado. — Eu andaria até o coração ardente do próprio inferno para encontrá-la.
Ele quase o fizera poucos minutos atrás, ela quis dizer. Mas Aelin apenas arqueou as costas um pouco mais, um pequeno ruído necessitado saindo dela. Isso – ele... Será que nunca passaria – o desejo? A necessidade não só de estar perto dele, mas tê-lo tão profundo que ela sentiria suas almas entrelaçando, sua dança mágica... A corda que a levou para fora daquele núcleo queimando de loucura e destruição.
— Por favor — ela respirou, unhas cravando na parte inferior das costas dele em ênfase.
O gemido baixo de Rowan foi sua única resposta ao que ele a levantou. Ela enrolou as pernas em volta da cintura dele, deixando-o carregá-la não para a cama, mas para a parede, e a sensação da madeira fria contra suas costas, em comparação com o calor e a dureza dele pressionando na frente...
Aelin ofegava por entre os dentes cerrados quando ele novamente arrastou sua língua sobre aquele ponto no pescoço.
— Por favor.
Ela sentiu seu sorriso contra a pele quando Rowan se enfiou para dentro dela num longo e poderoso golpe – e mordeu seu pescoço.
Uma reivindicação, poderosa e verdadeira, que ela entendeu que ele tanto precisava. Que ela precisava, e com os dentes nela, seu corpo nela... Ela queimaria, ela se estilhaçaria além da necessidade esmagadora...
Os quadris de Rowan começaram a se mover, estabelecendo um ritmo lento, suave enquanto mantinha os caninos enterrados em seu pescoço. Enquanto sua língua deslizava ao longo dos pontos individuais de prazer melhores intensificados com a dor, e ele provou sua própria essência, como se fosse vinho.
Ele riu, baixo e perverso, quando a liberação a fez morder seu ombro para não gritar alto o suficiente para acordar as criaturas dormindo no fundo do mar.
Quando Rowan finalmente puxou a boca para longe de seu pescoço, sua magia curou os pequenos buracos que ele tinha deixado, as mãos apertadas em suas coxas, prendendo-a à parede quando ele se moveu mais fundo, mais duro.
Aelin apenas passou os dedos pelo cabelo dele enquanto lhe deu um beijo selvagem, e provou seu próprio sangue na língua de Rowan.
Ela sussurrou em sua boca:
— Eu sempre vou encontrar um caminho de volta para você.
Desta vez, quando Aelin passou por cima da borda do abismo, Rowan mergulhou com ela.



Manon Bico Negro despertou.
Não tinha havido nenhum som, nenhum cheiro, nenhum indício de porque ela tinha acordado, mas os instintos predatórios perceberam algo errado e mandaram-na sair do sono.
Ela piscou enquanto se sentava, sua ferida agora uma dor incômoda – e encontrou a cabeça clara de toda a bruma em que estivera envolta.
O quarto era quase preto, salvo o luar que escorria através da escotilha para iluminar sua cabine apertada. Quanto tempo ela ficara perdida entre dormir e melancolia horrorosa?
Ela ouviu atentamente o ranger do navio. Um resmungo fraco soou de cima – Abraxos. Continua vivo. Ainda assim – dormindo, se ela conhecia aquele sonolento, chiado resmungado.
Ela testou as algemas em seus pulsos, levantando-as para espiar o cadeado. Uma espécie inteligente de engenhoca, as correntes grossas e ancoradas profundamente na parede. Seus tornozelos não estavam melhores.
Ela não conseguia se lembrar da última vez que tinha ficado presa. Como Elide suportara aquilo por uma década?
Talvez ela encontrasse a menina uma vez que saísse daqui. Duvidava que o rei Havilliard tivesse conseguido qualquer notícia das Treze, de qualquer maneira. Ela passaria despercebida nas costas de Abraxos, voar para a costa, e encontraria Elide antes de rastrear seu clã. E então... ela não sabia o que faria. Mas era melhor do que ficar deitada ali como um verme ao sol, deixando todo o desespero tomara o controle naqueles dias ou semanas causarem estragos nela.
Mas, como se o tivesse convocado, a porta se abriu.
Dorian estava ali, uma vela em seu...
Não uma vela. Chama pura envolvia seus dedos. Os olhos de safira se tornaram brasas brilhantes quando a encontrou lúcida.
— Foi você... quem mandou aquela onda de poder?
— Não — embora não demorasse muito a adivinhar e suspeitar quem tinha sido, então. — As bruxas não tem magia como essa.
Ele inclinou a cabeça, seu cabelo negro manchado de azul dourado por suas chamas.
— Mas você viveu bastante tempo.
Ela assentiu com a cabeça, e ele tomou isso como um convite para deslizar em sua cadeira habitual.
— Ele é chamado de Rendimento — disse ela, um frio roçando-lhe a espinha. — O pouco de magia que temos. Geralmente não podemos convocar ou exercer, mas por um momento na vida de uma bruxa, ela pode convocar um grande poder e desencadeá-lo sobre seus inimigos. O custo é que ela é incinerada na explosão, seu corpo se rende à Escuridão. Nas guerras bruxas, bruxas de ambos os lados se Renderam durante cada batalha e confronto
— É suicídio... fundir-se em pedacinhos... e levar os inimigos com você.
— É, e não é bonito. Quando as bruxas Dentes de Ferro reduzem a vida à Escuridão, o seu poder a preenche, e desencadeia dela uma onda negra. A manifestação do que está em nossas almas.
— Você já viu ser feito?
— Uma vez. Por uma bruxa jovem temerosa que sabia que ela não conquistaria a glória de outra maneira. Ela matou metade da nossa força Dentes de Ferro, bem como as Crochans.
Sua mente se agarrou a palavra. Crochans. Seu povo...
Não seu povo. Ela era uma Bico Negro, droga...
— Será que as Dentes de Ferro a usariam em nós?
— Se estiverem enfrentando clãs de nível mais baixo, sim. Clãs mais velhos são muito arrogantes, muito hábeis para escolher o Rendimento em vez de lutar seu caminho para fora. Mas clãs mais jovens e mais fracos ficam assustados, ou deseja ganhar valor através do sacrifício.
— É assassinato.
— É a guerra. Guerra é assassinato sancionado, não importa de que lado você esteja. — Ira cintilou em seu rosto, e ela perguntou: — Você já matou um homem?
Ele abriu a boca para dizer que não, mas a luz em sua mão morreu.
Ele tinha matado. Quando estivera com o colar, ela adivinhou. O valg dentro dele matara. Várias vezes. E não de modo limpo.
— Lembre-se do que eles o obrigaram a fazer — Manon falou — quando enfrentá-los novamente.
— Eu duvido que esquecerei algum dia, bruxinha. — Ele se levantou, indo para a porta.
— Essas correntes estão deixando minha pele em carne viva. Certamente você tem alguma simpatia por coisas acorrentadas. — Manon falou. Dorian fez uma pausa. Ela levantou as mãos, mostrando as correntes. — Dou a minha palavra de que não causarei qualquer dano.
— Não ainda falar comigo. Agora que está bem novamente, fale a Aelin que elas estão te machucando, quem sabe atinge o seu lado bom.
Manon não tinha ideia do que a rainha exigiria dela. Nenhuma.
— Quanto mais tempo eu ficar aqui, principezinho, é mais provável que eu faça algo estúpido quando me libertarem. Deixe-me, pelo menos, sentir o vento no meu rosto.
— Você tem uma janela. Fique na frente dela.
Parte dela endireitou-se para a dureza, a masculinidade naquele tom, no conjunto daqueles ombros largos. Ela ronronou:
— Se eu estivesse dormindo, você teria se demorado a olhar para mim por um tempo?
Diversão gelada brilhava lá.
— Você se oporia?
E talvez ela estivesse imprudente e selvagem e ainda um pouco estúpida pela perda de sangue, mas ela respondeu:
— Se você pretende esgueirar-se aqui nas horas mais escuras da noite, deveria pelo menos ter a decência de garantir que eu conseguiria alguma coisa além disto.
Seus lábios se contraíram, embora o sorriso fosse frio e sensual de uma forma que a fez se perguntar como o jogo com um rei abençoado com magia bruta poderia ser assim. Se ele faria com que ela implorasse pela primeira vez em sua longa vida. Ele parecia capaz disso – talvez disposto a deixar um pouco de crueldade para o quarto. O sangue dela vibrava.
— Por mais tentador que vê-la nua e acorrentada possa ser... — uma risada leve de amante. — Não penso que você apreciaria a perda de controle.
— E você esteve com tantas mulheres para ser capaz de julgar o que uma bruxa quer tão facilmente?
Aquele sorriso se tornou preguiçoso.
— Um cavalheiro nunca conta.
— Quantas? — Ele tinha apenas vinte anos, embora fosse um príncipe, agora um rei. As mulheres provavelmente caíam sobre ele, pois sua voz tinha se aprofundado.
— Com quantos homens você já esteve? — Ele devolveu.
Ela sorriu.
— O suficiente para saber como lidar com as necessidades de príncipes mortais. Para saber o que vai fazê-lo implorar. — Não importa que ela estivesse pensando o oposto.
Ele percorreu o quarto, entrando no limite de suas correntes, invadindo o espaço dela. Ele se inclinou sobre ela, quase nariz com nariz, nada divertido no rosto, no traço de sua boca cruel e bela, quando disse:
— Eu não acho que você possa lidar com o tipo de coisas que preciso, bruxinha. E nunca mais implorarei nada de novo na minha vida.
E então ele saiu. Manon ficou olhando para ele, um silvo de raiva deslizando de seus próprios lábios. Pela oportunidade que ela não havia aproveitado para agarrá-lo, mantê-lo refém, e exigir a sua liberdade; pela arrogância em sua suposição; pelo calor que havia se reunido em seu núcleo e agora latejava insistentemente o suficiente para que ela apertasse as pernas.
Ela nunca tinha sido negada. Os homens caíam aos montes, às vezes literalmente, rastejando em sua cama. E ela... Ela não sabia o que teria feito se ele tivesse aceitado sua oferta, se teria decidido descobrir o que o rei poderia fazer, exatamente, com a bela boca e corpo tonificado. Uma distração – e uma desculpa para se detestar ainda mais, supôs.
Ela ainda estava fervendo quando a porta quando se abriu novamente.
Dorian se apoiou contra a madeira envelhecida, os olhos ainda vidrados de uma maneira que ela não podia dizer se era luxúria, ódio ou ambos. Ele deslizou a fechadura da porta sem olhar para isso.
Seus batimentos cardíacos aumentaram, todo seu foco imortal estreitou àquela respiração constante e sem pressa, o rosto ilegível.
Sua voz estava áspera quando ele disse:
— Eu não vou desperdiçar minha respiração dizendo-lhe como seria estúpido tentar me tomar como refém.
— Eu não vou perder a minha dizendo para você apenas tomar o que eu lhe oferecer e nada mais.
Seus ouvidos se esforçaram para ouvir, mas mesmo o coração condenado dele tinha em batida sólida. E sem um sopro de medo.
— Eu preciso ouvir você dizer sim. — Os olhos dele foram para as correntes.
Levou um momento para compreender, mas ela soltou uma risada baixa.
— Tão atencioso, principezinho. Mas sim. Eu faço isso por minha própria vontade. Pode ser nosso pequeno segredo.
Ela não era nada e ninguém agora, de qualquer maneira. Compartilhar a cama com seu inimigo não era nada comparado com o sangue Crochan que corria em suas veias.
Ela começou a desabotoar a camisa branca que usava, deuses sabiam, fazia tanto tempo, mas ele rosnou:
— Eu faço isso sozinho.
Como diabos ele faria. Ela segurou o segundo botão.
Mãos invisíveis envolveram seus pulsos, com força suficiente para que ela soltasse a roupa.
Dorian percorreu a ela.
— Eu disse que faria isso. — Manon tomou em cada polegada dele enquanto ele se elevava sobre ela, e um arrepio de prazer a percorreu. — Eu sugiro que você ouça.
arrogância masculina pura nessa única declaração...
— Você está cortejando a morte se acha...
Dorian baixou a boca para a dela.
Foi o toque de uma pluma, apenas um sussurro. Intenção calculada, e tão inesperada que ela se arqueou um pouco para ele.
Ele beijou um canto de sua boca com a mesma gentileza de seda. Em seguida, o outro. Ela não se moveu, nem sequer respirou – enquanto cada parte de seu corpo esperava para ver o que ele faria em seguida.
Mas Dorian se afastou, estudando os olhos com um distanciamento frio. Tudo o que ele viu ali o fez se afastar.
Os dedos invisíveis em seus pulsos desapareceram. A porta destrancou. E aquele sorriso arrogante retornou quando Dorian deu de ombros e disse:
— Talvez outra noite, bruxinha.
Manon quase gritou quando ele deslizou porta afora – e não retornou.

26 comentários:

  1. Estou quase shippando Manon X Dorian
    Não vou mentir,ADORO

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  2. P*rra Manon!!! Elide droga, não esse principezinho de merda!!!

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  3. Fiquem juntos logo! Merda!

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  4. POdem dizer o que quizer, mas o Dorian é o maior pegador desse livro...e ele leva jeito

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  5. Vai demorar mais três livros igual a Aelin agora?? '-'

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  6. Oque ta acontecendo? E como se com a chegada do final o povo começou a se tocar que não quer ficar pra titia e tão se desenfolando (ou se enrolando em alguem). E eu to gostando disso, que venham mais casais

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  7. Gente!! Noite quem essa deles hein! Esse Dorien...

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  8. to achando que a aelin e o rowan sao parceiros , a ligaçao entre eles me lembro como a feyre e o rhys ficaram quando aceitaram a parceria

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  9. Meu.. shippo todo mundo e tals, mas eu quero mais guerra e menos romance. PLEASE!

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  10. A parte do Rowan e da Aelin foi tão fofa e safada e.e
    AFFS DORIAN SEU KRL LINDO, É UM GALINHA ARROGANTE MESMO, COME LOGO A MANON E FIQUEM JUNTOS, QUE MERDA -_-' shippando horrores esses dois, eles tem q ficar juntos *-*

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  11. Nosaaaa Mae, esse livro ta pra tipo maiores 18 anos, kd a guerra meu povo?

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    1. Pois é! Tantas cenas assim que até fiquei em dúvida se deveria postar o livro ou não no blog...

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  12. Ele é pegador.....E tá deixando ela caidinha por ele....shipooo��

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  13. cadê a guerra povo safado?

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  14. Kkkkk Dorian fazendo ela esperar!!!! Muito bem! Ele tem que ter certeza se pode confiar nela.

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  15. Dorian safado filho da mãe! Provocou a outra só pra dxar na vontade kkk
    Pegador calculista e esperto, agr a Manon achou alguém à altura

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  16. Dorian está torturando a Grande LIDER ALADA....kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Ele é demais.....

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  17. AAAAA q saudade que eu tava do Dorian "cafajeste".SE PEGUEM LOGO,PELOS DEUSES. To shippando muito

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  18. Que química que esses dois possuem. Shippei.

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  19. Aí meu Merlin! Aí minha Morgana! Que capítulo foi esse?
    Dorian seu lindo beija a Manon, ah não, beija não.. faz ela se apaixona primeiro.. que ela não consiga viver sem você e aí vcs namora, casa e depois tem babys lindos *-* aí, meu core não aguenta, para tudo que meu shipper existe *-* se a autora acaba com meu shipper juro que paro de lê esse livro u.u

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  20. EU NEM ACREDITO QUE MEU SHIPPER É REAL!!!!!!!!! Deuses acima ! Eu já tava achando que não ia rolar Manon e Dorian kk Pourra...

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  21. Devoradora de livros30 de julho de 2017 00:56

    Q palhaçada é essa aqui Sarah??? Acalma aí pq aqui n é para maiores miga

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  22. Dorian safadenho 😁 shippo demaiiiiiis, tava até achando q ia mesmo rolar... Sarah se empolgou hein, influência de ACOTAR

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  23. Puttssss...Dorian que isso :o fiquei com dó da Manon agora:O

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Boa leitura :)