26 de janeiro de 2017

Capítulo 44

Lamento dizer que sou incapaz de ajudar vocês lorde Nimatsu disse a Evanlyn.
Eles estavam sentados na sala de audiência do castelo dele. O castelo em si era uma vasta construção de madeira de quatro andares, localizado no topo de uma colina proeminente e cercado por um profundo fosso. Cada andar era posto atrás do que vinha embaixo, criando uma série de terraços que serviriam de confortáveis áreas de recreação num clima bom e posições defensivas no caso de um ataque.
O teto era construído com telhas azuis. Era de uma altura pequena, e os cantos se elevavam num estilo exótico que era desconhecido às duas garotas, embora fossem bastante comuns em construções de Nihon-Ja.
A sala era espartana a seu caráter. Eles se sentavam em grandes almofadas no chão polido de madeira, em volta de uma baixa mesa de madeira escura onde os servos de Nimatsu serviram chá e uma refeição simples. Vários estandartes altos estavam pendurados nas paredes, cada um escrito em caracteres na língua de Nihon-Ja. Eram bonitas apesar da simplicidade em forma, Alyss pensou.
A recepção delas no castelo de Nimatsu foi graciosa. Ele as recebeu bem, reconhecendo o anel que Shigeru dera a Evanlyn, e ofereceu hospitalidade. As garotas haviam tomado banho, deleitando-se na água quente depois da longa jornada fria atravessando o lago e mais um dia gasto caminhando até o castelo de Nimatsu.
Encontraram roupas limpas esperando-as quando saíram do banho; incluindo os robes externos e envoltos favorecidos pelo povo de Nihon-Ja. Elas se vestiram e então se juntaram ao senhor do castelo para uma refeição.
Evanlyn explicou o motivo da visita e fez o pedido de Shigeru por ajuda para Nimatsu. O senhor Hasanu considerou as palavras por alguns minutos em silêncio. Ele era um homem magro e parecia ter uns cinquenta anos. Sua cabeça era completamente raspada e ele não tinha barba ou bigode. Seus ossos malares eram grandes e proeminentes, os olhos calmos e profundos. Ele encontrou o olhar das visitas antes sem nenhum senso de embaraço ou decepção.
Mas agora ele recusara o pedido de Shigeru por ajuda.
As duas garotas trocaram um olhar. Evanlyn, que foi quem mais falou até agora, pareceu um pouco confusa pela recusa inesperada. Afinal de contas, Nimatsu fizera questão, durante toda a refeição, de ressaltar como ele respeitava o imperador e como sua lealdade era profunda ao homem e ao seu clã.
Ela assentiu levemente para Alyss, pedindo para que ela liderasse o debate enquanto ela, Evanlyn, tomava tempo para pensar e planejar o próximo movimento.
Lorde Nimatsu Alyss começou e os olhos escuros viraram para ela.
Alyss achou que conseguia detectar um traço de tristeza neles. Se isso era relacionado à sua recusa, talvez ela pudesse aproveitá-la como uma alavanca para fazê-lo mudar de ideia. Ela falou com cuidado, escolhendo as palavras para que não houvesse alguma insinuação de desrespeito à posição dele.
— O senhor é um súdito leal ao imperador ela disse.
Era uma frase, mas fora posta de forma que ele devesse respondê-la.
Ele assentiu.
Exatamente.
E o seu povo é leal a você... e ao Imperador?
Mais uma vez ele assentiu, inclinando-se um pouco a frente ao fazê-lo.
Certamente o senhor não tem respeito ao general Arisaka ela continuou e ele sacudiu a cabeça imediatamente.
Eu considero Arisaka um traidor e um quebrador de promessas ele disse. E como tal, ele é uma abominação.
Alyss estendeu os braços em choque.
Então eu não consigo entender por que recusa ajudar lorde Shigeru ela disse.
Talvez, pensou, ela pudesse ter posicionado aquilo em termos mais diplomáticos. Mas sentiu que era hora para falar com franqueza.
Perdoe-me Nimatsu disse. É claro que oferecerei minha ajuda a lorde Shigeru. Apenas me expressei mal. Jurei auxiliá-lo e assim farei.
Franzindo a testa, Evanlyn tentou interromper.
Então...
Nimatsu alçou uma mão para pará-la enquanto continuava.
Mas temo que o povo hasanu não irá.
Eles não lhe seguirão? Você não irá ordenar a eles? Perguntou Alyss.
Ele pousou o olhar calmo sobre ela de novo.
Eu não os ordenarei porque não irei colocá-los na posição de se recusarem a obedecer a uma ordem do senhor legítimo deles. Fazer tal coisa causaria uma enorme vergonha neles.
Mas se você ordená-los, eles devem... Evanlyn interrompeu-se.
A frustração estava muito óbvia na sua voz e ela lutou para controlá-la, sabendo que demonstrar raiva não serviria em nada à causa. Como princesa, ela estava acostumada a impor ordens e tê-las obedecidas de imediato. Ela não conseguia imaginar o motivo pelo qual Nimatsu estava relutante em fazer o mesmo.
Alyss, mais acostumada à natureza oblíqua da cortês negociação diplomática, pensou que havia enxergado um cintilar de esperança. A recusa de Nimatsu era relutante. Ele obviamente preferiria ajudá-los, mas por algum motivo, não podia.
Lorde Nimatsu, pode dizer-nos por que não pode pedir ao povo hasanu para ajudar o imperador? Ela perguntou.
Escolheu a expressão “não pode” deliberadamente. Causava menos confronto do que “não irá” e ela sentiu que havia mais coisas nisso do que apenas uma recusa teimosa de ajuda. Havia algo o prevenindo de fazer isso.
Ele olhou de volta para Alyss e seus olhos a disseram a suposição dela era correta.
Os hasanu estão com medo ele disse simplesmente.
Alyss se insinuou para trás em surpresa.
De Arisaka?
Ele sacudiu a cabeça.
Para viajar até Ran-Koshi, teríamos que primeiro passar pela Floresta de Uto ele disse. Os hasanu acreditam que há um espírito maligno solto nesta floresta.
Um espírito maligno? perguntou Evanlyn.
Lorde Nimatsu inclinou a cabeça brevemente em desculpas a elas. As garotas sentiram que esse assunto era doloroso. Ele não tinha nenhuma vontade de entregar os seus simples seguidores à zombaria de estranhos. Então ele pareceu chegar a uma decisão.
Um demônio. Eles acreditam que um demônio maligno vaga pela Floresta de Uto e não ousam colocar um pé lá dentro.
Mas isso é superstição! Evanlyn disse. Certamente você não irá...
Alyss colocou uma mão restringente no braço dela. Não havia nada a ser ganho forçando um argumento com Nimatsu. Ele notou o gesto, registrando o jeito que Evanlyn forçou-se a interromper o veemente protesto.
Essa é uma superstição que já matou dezessete do meu povo ele disse com simplicidade.
Evanlyn foi completamente pega de surpresa. Os hasanu podiam ser tímidos para com estranhos. Mas eram imensos e de estatura poderosa e a reputação deles dizia que eram lutadores ferozes. O que possivelmente teria matado tantos deles?
— Acredita neste demônio, senhor? Alyss indagou.
Novamente, aqueles calmos olhos encontraram os dela.
Acredito que há algum predador terrível vivendo livremente na floresta ele disse. Um demônio? Não. Acho que não. Mas isso não é importante. Os hasanu acreditam em demônios e acreditam que há um deles na floresta. Eles não irão atravessá-la. E não irei ordenar que atravessem. Não vejo sentido nenhum em dar uma ordem que sei que será recusada. Essa recusa envergonhará a mim e aos hasanu igualmente.
Há algo que possamos fazer? — perguntou Evanlyn.
Ele deu de ombros.
Não posso pensar em nada que vocês possam fazer para persuadi-los.
Alyss respirou fundo, depois ajeitou os ombros.
E se matarmos o demônio?

6 comentários:

  1. Agora as meninas vão virar exorcistas :D

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  2. Eu sabia que essas duas juntas ia dar problema, mas não imaginei que ia migrar para a área Winchester ou Caçadores de Sombras...

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  3. Alyss e Evanlyn trocaram com a Izzy e a Clary 😂😂

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  4. Alyss e Evanlyn tento uma de Caçadora de Sombras, só falta o Will ser o Jace e o Horace ser o Simon! kkkkkkkkkkk

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Boa leitura :)