30 de janeiro de 2017

Capítulo 42

Morte cheirava a sal, sangue, madeira e podridão.
E doía.
O abraço da escuridão doía demais. Os Antigos haviam mentido sobre isso curar todos os males, se a dor atravessando seu abdome fosse qualquer indicação. Para não mencionar a dor esmagando sua cabeça, o mero ressecamento da boca, a picada dolorida do outro corte em seu braço.
Talvez a escuridão fosse outro mundo, outro reino. Talvez tivesse ido para o reino do inferno que os seres humanos tanto temiam.
Ela odiava a Morte.
A Morte poderia ir para o inferno, também...



Manon Bico Negro ergueu as pálpebras que eram pesadas demais, ardiam demais, e apertou os olhos contra a luz da lanterna bruxuleante que oscilava sobre os painéis de madeira do quarto em que ela estava.
Não um quarto real, ela percebeu pelo cheiro de sal, pelo balanço e ranger do mundo ao seu redor. Uma cabine – em um navio.
Um quarto pequeno e sombrio, com apenas espaço para esta cama, uma portinhola pequena demais para até seus ombros se espremerem através dele...
Ela deu um salto. Abraxos. Onde estava Abraxos...
— Relaxe — falou uma voz feminina bastante familiar a partir do espaço sombreado perto do pé da cama.
Dor queimou a barriga de Manon, uma resposta atrasada ao seu movimento súbito, e ela olhou para as ataduras brancas que agora sentia contra seus dedos e a jovem rainha, descansando na cadeira ao lado da porta. Olhou entre a mulher e as correntes agora cercando os pulsos de Manon, em torno de seus tornozelos presos nas paredes com o que pareciam ser buracos recém-perfurados.
— Parece que você me deve uma dívida de vida mais uma vez, Bico Negro — Aelin Galathynius falou, o humor frio em seus olhos azul turquesa.
Elide. Teria Elide chegado aqui...
— Sua exigente serpente alada-babá é boa, por sinal. Não sei como você acabou com algo tão doce como ele para montar, mas ele está contente tomando sol na proa. Não posso dizer que isso deixa os marinheiros particularmente felizes – especialmente os responsáveis pela limpeza.
Encontre um lugar seguro, ela disse a Abraxos. E se ele tivesse de alguma forma encontrado a rainha? De alguma forma sabia que este era o único lugar que ela poderia ter uma chance de sobreviver?
Aelin apoiou os pés no chão, as botas batendo suavemente. Havia uma espécie franca de impaciência com qualquer tipo de besteira que não estava lá da última vez que Manon vira a mulher. Como se a guerreira que rira em seu caminho através da batalha no topo do templo de Temis tivesse perdido um pouco daquela diversão ímpia, mas ganhado mais da crueldade astuta.
A barriga de Manon pulsou com tanta dor que a fez morder o lábio para evitar gritar.
— Quem te deu essa ferida não estava brincando — comentou a rainha. — Problemas em casa?
Não era assunto da rainha, ou de qualquer outra pessoa.
— Deixe que me cure, e então seguirei o meu caminho — Manon murmurou, sua língua seca, uma lixa grossa.
— Oh, não — Aelin ronronou. — Você não vai a lugar nenhum. Sua montaria pode fazer o que quiser, mas você é agora oficialmente nossa prisioneira.
A cabeça de Manon começou a girar, mas ela se forçou a dizer:
— Nossa?
Um pequeno sorriso esperto. Em seguida, a rainha se levantou graciosamente. Seu cabelo estava mais longo, o rosto mais magro, os olhos azul-turquesa duros e mal-assombrados. A rainha disse simplesmente:
— Aqui estão as regras, Bico Negro. Se tentar escapar, você morre. Se fazer mal a alguém, você morre. Se de alguma forma colocar qualquer um de nós em apuros... acho que você entende aonde quero chegar. Pisa um pé fora da linha, e eu terminarei o que começamos naquele dia na floresta, com dívida de vida ou não. Desta vez, não preciso de aço para fazê-lo.
Enquanto falava, chamas douradas pareceram cintilar em seus olhos. E Manon percebeu com não pouca emoção, mesmo com a sua dor, que a rainha poderia realmente acabar com ela antes de ela chegar perto o suficiente para matar.
Aelin se virou para a porta, a mão cheia de cicatrizes na maçaneta.
— Encontrei lascas de ferro em sua barriga antes de curá-la. Sugiro que não minta para quem possa tolerar estar perto de você por tempo suficiente para obter a história completa. — Ela fez um movimento com o queixo na direção do chão. Um jarro e copo estavam ali. — Tem água ao lado da cama. Se você puder alcançá-la.
Em seguida, ela se foi.
Manon ouviu seus passos firmes desaparecerem. Não havia outras vozes ou sons além do bater das ondas contra o navio, o gemido da madeira, e... gaivotas. Eles tinham que estar ainda dentro do alcance da costa, então. Navegando para onde... ela teria que descobrir.
Depois que ela cicatrizasse. Depois que se livrasse desses grilhões. Depois que ela alcançasse Abraxos.
Mas para onde iria? Para quem?
Não havia torre para recebê-la, nenhum clã a protegeria de sua avó. E as Treze... Onde elas estavam agora? Elas haviam sido caçadas?
O estômago de Manon queimou, mas ela estendeu a mão para a água. Dor atacou-a com força suficiente para que desistisse depois de um piscar de olhos.
Elas tinham ouvido, sem dúvida – o que ela era. As Treze tinham ouvido.
Não apenas um meio-sangue Crochan... mas a última Rainha Crochan.
E sua irmã... sua meia-irmã...
Manon olhou para o teto sombreado de madeira.
Ela podia sentir o sangue da Crochan em suas mãos. E seu manto... o manto vermelho que estava presa na cabeceira da cama. O manto de sua irmã. Que sua avó a obrigara a vestir, sabendo a quem pertencia, conhecendo a dona cuja garganta Manon tinha cortado.
Não mais a herdeira Bico Negro, sangue Crochan ou não.
Desespero se enrolou como um gato em torno da dor na barriga de Manon. Não havia ninguém nem nada por ela.
Ela não se lembrava de adormecer.



A bruxa dormiu por três dias após Aelin relatar que ela tinha despertado. Dorian entrou naquela cabine apertada com Rowan e a rainha cada vez que curavam um pouco mais dela, observando a maneira como a sua magia funcionava, mas sem se atrever a tentar demais na Bico Negro inconsciente.
Mesmo inconsciente, cada respiração de Manon, cada contração, era um lembrete de que ela era uma predadora nata, o rosto dolorosamente belo uma máscara cuidada para atrair os incautos a sua condenação.
Parecia conveniente, de alguma forma, considerar que eles provavelmente estavam navegando para a sua própria destruição.
Quanto aos dois navios de Rolfe que os escoltara ao longo da costa de Eyllwe, eles se mantiveram bem longe da costa. Uma tempestade perversa os segurara entre o pequeno grupo de ilhas ao largo das águas de Leriba, e eles só sobreviveram graças aos ventos de Rowan protegendo-os. A maioria deles ficara o tempo todo com a cabeça em um balde. Inclusive ele próprio.
Eles estavam se aproximando Banjali agora – e Dorian tentara e falhara em não pensar em sua amiga morta cada vez que chegavam mais perto da linda cidade. Tentou e falhou em não considerar se Nehemia estaria com eles neste mesmo navio se as coisas não tivessem dado tão terrivelmente errado. Tentou e falhou em não contemplar se o toque que ela uma vez lhe deu – a marca de Wyrd que ela esboçou sobre seu peito – tinha de alguma forma... despertado o poder dele. Se tinha sido uma maldição, tanto quanto uma bênção.
Ele não tivera coragem de perguntar o que Aelin estava sentindo, embora a encontrasse frequentemente olhando para a costa – mesmo que não pudesse vê-la, mesmo que não chegassem perto.
Mais uma semana – talvez menos, se a magia de Rowan ajudasse – e eles estariam na fronteira oriental dos Pântanos de Pedra. E uma vez que eles estivessem lá... teriam que confiar nas direções vagas de Rolfe para guiá-los.
E evitar o exército de Melisande – o exército de Erawan agora, supôs – à espera logo que dobrassem na península no Golfo de Oro.
Mas, por agora... Dorian estava de vigia no quarto de Manon, nenhum deles assumindo qualquer risco em relação à herdeira Bico Negro.
Ele limpou a garganta quando as pálpebras dela se moveram, seus cílios escuros subindo – em seguida, subindo totalmente.
Dourado em olhos turvos de sono encontraram o olhar dele.
— Olá, bruxinha — disse ele.
Sua boca plena, sensual apertou ligeiramente, se em uma careta ou num sorriso reprimido, ele não poderia dizer. Mas ela se sentou, seu cabelo branco como o luar deslizando para frente – as correntes tilintando.
— Olá, principezinho — respondeu ela. Deuses, sua voz estava cortante.
Ele olhou para o jarro de água.
— Aceita uma bebida?
Ela tinha que estar sedenta. Eles mal foram capazes de colocar uma gota em sua garganta, não querendo arriscar que ela se asfixia ou liberasse aqueles dentes de ferro de onde quer que eles ficassem.
Manon estudou o jarro, então ele.
— Eu sou sua prisioneira, também?
— Minha dívida de vida está paga — ele disse simplesmente. — Você não é nada para mim, no total.
— Conte-me o que aconteceu. — Ela falou asperamente. Uma ordem, e ele permitiu que ela a desse.
Mas encheu o copo, tentando não parecer que estava calculando seu alcance naquelas correntes quando entregava a ela. Nenhum sinal de suas unhas de ferro, enquanto seus dedos finos envolviam o copo. Ela estremeceu um pouco, se encolheu um pouco mais enquanto o erguia aos lábios ainda pálidos – e bebeu. E bebeu.
Ela esvaziou o copo. Dorian silenciosamente o encheu para ela. Uma vez. Duas. Três vezes.
Quando ela finalmente terminou, ele relatou:
— Sua serpente alada voou direto para nós. Você caiu da sela para água a apenas cinquenta metros do nosso navio. Como ele nos encontrou, nós não sabemos. Nós a tiramos da água, Rowan teve que prendê-la temporariamente no convés, antes de ser possível movê-la para cá. É um milagre você não estar morto pela perda de sangue por si só. Sem contar a infecção. Nós ficamos aqui por uma semana, Aelin e Rowan trabalhando em você... eles tiveram que cortá-la, abrir novamente em alguns pontos para tirar a carne podre. Você tem acordado e dormido desde então.
Dorian não teve vontade de mencionar que ele foi o único a saltar para o mar. Ele simplesmente... agira, como Manon agiu quando o salvou em sua torre. Ele não lhe devia nada menos. Lysandra, na forma de dragão marinho, os apanhara momentos depois, e ele segurou Manon em seus braços enquanto subia nas costas da metamorfa. A bruxa estivera tão pálida, tão pesada, e a ferida em seu estômago... ele quase perdeu o café da manhã com a visão. Parecia um peixe que fora eviscerado negligentemente.
Eviscerado, Aelin confirmara uma hora mais tarde, quando ergueu um pequeno pedaço de metal, vindo de alguém com unhas de ferro muito, muito afiadas.
Nenhum deles mencionara que poderia ter sido a punição – por salvá-lo.
Manon avaliava o cômodo rapidamente com os olhos.
— Onde estamos?
— No mar.
Aelin ordenara que ele não desse qualquer informação sobre seus planos e paradeiro.
— Você está com fome? — ele perguntou, querendo saber o que, exatamente, ela comia.
De fato, aqueles olhos dourados focaram-se em sua garganta.
— Sério? — ele ergueu uma sobrancelha.
Suas narinas alargaram ligeiramente.
— Só por esporte.
— Você não é... parcialmente humana, pelo menos?
— Não da maneira que contam.
Certo – porque as outras partes .. feérica, valg... era sangue valg que moldava as bruxas. O próprio príncipe que o infestara compartilhava sangue com ela. A partir do buraco negro de sua memória, imagens e palavras deslizaram, daquele príncipe de olhos dourados que Dorian agora conhecia, gritando para ele fugir... olhos dos reis valg. Ele perguntou cuidadosamente:
— Então você se considera mais valg que humana?
— Os valg são meus inimigos... Erawan é meu inimigo.
— E isso nos faz aliados?
Ela não revelou qualquer indicação de qualquer maneira.
— Existe uma jovem mulher em sua comitiva chamada Elide?
— Não. — Quem diabos era essa? — Nós nunca encontramos ninguém com esse nome.
Manon fechou os olhos por um instante. Sua garganta esbelta se fechou.
— Você ouviu notícias das minhas Treze?
— Você é a primeira bruxa e serpente alada que vimos nas últimas semanas — ele refletiu por que ela tinha perguntado, por que ela tinha ficado tão imóvel. — Você não sabe se elas estão vivas.
E com aquelas lascas de ferro em seu estômago...
A voz de Manon era plana e fria como a morte.
— Diga a Aelin Galathynius para não se incomodar em me usar para as negociações. A matriarca Bico Negro não vai me reconhecer, seja como herdeira ou bruxa, e tudo que ganharão com isso será revelar a sua localização precisa.
Sua magia piscou.
— O que aconteceu depois de Forte da Fenda?
Manon deitou-se, inclinando a cabeça para longe dele. Água espirrou da escotilha aberta e atingiu seu cabelo branco, fazendo-o brilhar na cabine escura.
— Tudo tem um preço.
E foram estas palavras, o fato de que a bruxa virou o rosto e parecia estar esperando a morte reclamá-la, que o fez cantarolar:
— Uma vez que eu lhe disse para me encontrar novamente, e parece que você não pôde esperar para ver o meu rosto bonito.
Seus ombros se enrijeceram ligeiramente.
— Eu estou com fome.
Ele sorriu lentamente.
Como se tivesse ouvido aquele sorriso, Manon olhou para ele.
— Comida.
Mas ainda havia uma aresta – uma aresta muito frágil tomando cada linha de seu corpo. O que quer que tivesse acontecido, o que ela tivesse sofrido... Dorian passou um braço ao longo das costas da cadeira.
— Chegará em poucos minutos. Eu odiaria se você definhasse em nada. Seria uma pena perder a mulher mais bonita do mundo tão cedo em sua vida imortal e perversa.
— Eu não sou uma mulher — foi tudo que ela disse. Mas temperamento quente se prendeu àqueles olhos de ouro líquido.
Ele lhe deu de ombros indolente, talvez só porque ela estivesse de fato acorrentada, talvez porque, mesmo com a morte rondando, ela irradiava entusiasmo para ele, não encontrava um acorde de medo.
— Bruxa, mulher... contanto que as partes que importam estejam lá, que diferença faz?
Ela relaxou em uma posição sentada, descrença e indignação exaustos naquele rosto perfeito. Ela mostrou os dentes em um grunhido silencioso.
Dorian ofereceu um sorriso preguiçoso em troca.
— Acredite ou não, este navio tem um número anormal de homens e mulheres atraentes a bordo. Você se encaixará bem. E se encaixar com os imortais irritadiços, suponho.
Ela olhou para a porta momentos antes de ele ouviu passos se aproximando. Eles ficaram em silêncio até que a maçaneta girou, revelando o rosto carrancudo de Aedion.
— Desperta e pronta para rasgar gargantas, ao que parece — disse o general como saudação.
Dorian levantou-se, pegando a bandeja do que parecia ser ensopado de peixe. Perguntou-se se devia testá-lo em busca de veneno pelo olhar que Aedion lançava a Manon. Ela devolveu o olhar para o guerreiro de cabelos dourados.
— Eu teria arrancado você e sua serpente alada nanica do céu — Aedion falou. — Seja grata por minha rainha achá-lo mais útil viva.
Em seguida, ele se foi.
Dorian colocou a bandeja ao alcance de Manon e a observou farejá-lo. Ela tomou uma cautelosa mordida lentamente – como se deixando-a deslizar em sua barriga curando e ver como se estabelecia lá. Como se realmente testasse por veneno. Enquanto esperava, Manon falou:
— Você não dá ordens neste navio?
Foi um esforço concentrar-se para seus pelos não eriçarem.
— Você conhece a situação. Agora estou à mercê dos meus amigos.
— E a Rainha de Terrasen é sua amiga?
— Não há ninguém mais que eu gostaria que guardasse minhas costas. — Diferente de Chaol, mas... não havia razão em pensar nele, sentir falta dele.
Manon, finalmente deu outra mordida em seu peixe. Em seguida, outra. E outra.
E ele percebeu que ela estava evitando falar. O suficiente para ele perguntar:
— Foi sua avó que fez isso com você, não foi?
A colher parou na tigela de madeira lascada. Lentamente, ela virou o rosto para ele. Ilegível, um rosto de pesadelos e fantasias à meia-noite.
— Sinto muito — pediu — se o custo de me salvar aquele dia em Forte da Fenda foi... foi esse.
— Descubra se as minhas Treze estão vivas, principezinho. Faça isso, e estou às suas ordens.
— Onde você as viu por último?
Nada. Ela engoliu outra colherada.
— Eles estavam presentes quando a sua avó fez isso com você? — ele forçou.
Seus ombros se curvaram um pouco, e ela pegou outra colherada do líquido turvo, mas não o tomou.
— O custo de Forte da Fenda foi a vida da minha tenente. Recusei-me a pagar. Então ganhei tempo para as minhas Treze fugirem. No momento em que ataquei minha avó com a espada, meu título, a minha legião, foram perdidos. Eu perdi as Treze enquanto fugia. Não sei se elas estão vivas, ou se foram caçadas. — Seus olhos focaram-se nos dele, brilhando mais por entre o vapor de seu ensopado. — Encontre-as para mim. Descubra se elas vivem ou se elas voltaram para a Escuridão.
— Estamos no meio do oceano. Não haverá notícias de qualquer coisa por um tempo.
Ela voltou a comer.
— Elas são tudo o que tenho.
— Então acho que você e eu somos herdeiros sem coroa.
Um bufo sem humor. Seu cabelo branco se moveu com a brisa do mar.
Dorian se levantou e caminhou até a porta.
— Farei o que puder.
— E... Elide.
Mais uma vez aquele nome.
— Quem é ela?
Mas Manon virara-se novamente para o seu ensopado.
— Basta dizer a Aelin Galathynius que Elide Lochan está viva, e procurando por ela.



A conversa com o rei tirou tudo dela. Uma vez que a comida estava em sua barriga, uma vez que ela bebeu mais água, Manon deitou-se na cama e dormiu.
E dormiu.
E dormiu.
A porta se abriu em um momento, e ela teve a vaga lembrança da rainha de Terrasen, depois seu príncipe general, exigindo respostas sobre algo. Elide, talvez.
Mas Manon apenas permanecera ali, meio acordada, sem vontade de pensar ou falar. Perguntou-se se incomodara de respirar, se seu corpo não fizera tudo por conta própria.
Ela não tinha percebido quão impossível poderia ser a sobrevivência das Treze até que estava praticamente implorando a Dorian Havilliard para encontrá-las por ela. Até que ela se viu desesperada o suficiente para vender sua espada por qualquer notícia delas.
Se elas ainda quisessem servi-la depois de tudo. Uma Bico Negro – e uma Crochan.
E seus pais... assassinados pela avó dela. Eles tinham prometido ao mundo uma filha da paz. E ela permitira que a avó a tornasse uma cria da guerra.
Os pensamentos giravam em remoinhos, minando sua força, silenciando cores e sons. Ela acordava e seguia suas necessidades quando necessário, comia quando a comida era trazida, mas isso a deixava tão pesada, o sono logo tomava posse.
Às vezes, Manon sonhava que estava naquela sala na Ômega, o sangue de sua meia irmã em suas mãos e na boca. Às vezes, ela estava ao lado de sua avó, uma bruxa totalmente crescida e não a bruxinha que tinha sido na época, e ajudava a matriarca a cortar um homem bonito de barbudo que implorava pela vida – pela vida de sua criança. Às vezes, ela voava sobre a terra verdejante, a canção de um vento ocidental cantando sobre seu lar.
Muitas vezes, em sonho um grande gato, pálido e salpicado como neve velha em granito, sentava-se na cabine com ela, sua cauda longa balançando quando notava que a atenção dela estava presa. Às vezes, era um lobo branco sorrindo. Ou um calmo leão da montanha de olhos dourados.
Manon realmente gostaria que eles colocassem as mandíbulas em torno de sua garganta e as fechassem.
Eles nunca o fizeram.
Então Manon Bico Negro dormiu. E assim ela sonhou.

14 comentários:

  1. Esse navio podia facilmente se chamar de realeza sem coroa, porque os top que são da suprema realeza tam sem coroa, reino, exercito e tão indo lutar uma guerra com uma grande chance de fracasso (não que eu queira isso mas muita pouca coisa ta dizendo o comtrario

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  2. Tô shippando pra krl a Manon com o Dorian *-*
    alguém faz um shipp pra eles pleaaaase *^*

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  3. Um gato, um lobo, um leão, um barco ta até parecendo a arca de Noé

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  4. Lyssandra gavriel e fenrys?

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  5. Será que a rainha prometida é realmente a Aelin e não a Manon?
    Ju G

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  6. — Bruxa, mulher... contanto que as partes que importam estejam lá, que diferença faz?

    EU RI DMS😂😂
    Eu to shippando muito Dorinon? Manrian?não sei,mas shippo

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  7. Shipo mto Manorian esses dois ja se amam sem se conhecer...

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  8. Que Manon faça parte da corte de Dorian.. amei a Manon: vc não manda em nada nesse navio?
    Manon vai fazer de Dorian um verdadeiro rei.. assim eu espero. *-*
    Ela e as 13 podiam jurar lealdade a Dorian, não a Aelin ia ser foda *-*

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    1. Podiam Edilene! Ia ser MT foda! Principalmente pq ele teria a corte mais forte kk Pq a Aelin pode até ter os fericos mas porra o Dorian teria 13 das mais letais bruxas dentes de ferro!

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  9. "Dorian não teve vontade de mencionar que ele foi o único a saltar para o mar. Ele simplesmente... agira, como Manon agiu quando o salvou em sua torre"
    Primeiro: quanto amor!!!!!!!!!!!!!! Meu OTP gente!
    Segundo : ue !? Se só o Dorian se jogou pra pegar ela então a dívida de vida dela é para com ele. E não com a Aelin, tipo a Aelin não salvou ela.

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Boa leitura :)