30 de janeiro de 2017

Capítulo 3

Manon Bico Negro concentrou sua atenção no fim da ponte longa e escura para Morath e viu o clã de sua avó descer das nuvens cinzentas.
Mesmo entre as nuvens e colunas de fumaça das inúmeras forjas, as vestes obsidiana da Grã-Bruxa do clã Bico Negro eram inconfundíveis. Ninguém se vestia como a Matriarca. Seu clã surgia da cobertura de nuvens pesadas, mantendo uma distância respeitosa da Matriarca e as montadoras extras flanqueando-a.
Manon, suas Treze posicionadas atrás dela, não fez nenhum movimento enquanto as serpentes aladas e suas cavaleiras desembarcavam nas pedras escuras do pátio do outro lado da ponte. Muito abaixo, um rio imundo e arruinado rugia, competindo com o raspar de garras na pedra e o farfalhar de asas.
Sua avó viera para Morath.
Ou o que restava dela, quando um terço era nada mais do que escombros.
Asterin silvou quando a avó de Manon desmontou em um movimento suave, franzindo o cenho para a fortaleza negra erguendo-se acima de Manon e suas Treze. Duque Perrington já esperava em sua câmara do conselho, e Manon não tinha dúvidas de que seu animal de estimação, Lord Vernon, faria o seu melhor para diminuí-la e abalá-la a cada chance. Se Vernon faria um movimento para se livrar de Manon, seria agora – quando sua avó veria por si mesma o que Manon realizara.
E em que falhara.
Manon manteve as costas eretas enquanto sua avó atravessava a ampla ponte de pedra, seus passos abafados pelo barulho do rio, pelo bater de asas distantes e por aquelas forjas que trabalhavam dia e noite para equipar o exército deles. Quando pôde ver o branco nos olhos de sua avó, Manon fez uma reverência.
O rangido dos couros de montaria lhe disse que as Treze a imitaram. Quando Manon levantou a cabeça, sua avó estava à sua frente. Morte, crueldade e astúcia esperavam por ela naqueles olhos ônix salpicados de ouro.
— Leve-me até o duque — a Matriarca falou como saudação.
Manon sentiu as Treze endurecerem. Não pelas palavras, mas pelo clã da Grã-Bruxa que agora seguia nos calcanhares de sua mestra. Raro – era muito raro para elas a seguirem, protegerem-na.
Mas esta era uma cidadela de homens – e demônios. E esta seria uma estadia prolongada, senão permanente, a julgar pelo fato de que sua avó trouxera a bela jovem bruxa de cabelos escuros que atualmente aquecia a sua cama. A Matriarca seria uma tola se não tomasse proteção extra. Mesmo que as Treze sempre tivessem sido suficiente. Deveria ser suficiente.
Foi um esforço não liberar na mesma hora suas unhas de ferro à desfeita imaginada.
Manon curvou-se novamente e se virou para as altas portas abertas de Morath. As Treze se separaram para que Manon e a Matriarca passassem, então cerraram as fileiras como um véu letal. Sem riscos, não quando a herdeira e a Matriarca estavam em jogo.
Os passos de Manon eram quase silenciosos enquanto ela levava sua avó pelos corredores escuros, as Treze e o clã da Matriarca seguindo-as de perto. Os servos, quer através de espionagem ou algum instinto humano, estavam longes de serem vistos.
A Matriarca falou enquanto subiam a primeira de muitas escadas em espiral na direção da nova câmara do conselho do duque.
— Algo para relatar?
— Não, vovó.
Manon evitou o desejo de olhar de soslaio para a bruxa – para o cabelo escuro manchado de prata, as feições pálidas esculpidas com ódio antigo, os dentes oxidados expostos permanentemente.
O rosto da Grã-Bruxa que marcara a tenente de Manon. Aquela que lançara a bruxa donzela natimorta de Asterin no fogo, negando-lhe o direito de segurá-la uma única vez. Que então a espancara e quebrara, atirando-a na neve para morrer, e mentira para Manon quanto a isso por quase um século.
Manon quis saber que os pensamentos giravam agora na cabeça de Asterin enquanto caminhavam. Perguntou-se o que passava pelas cabeças de Sorrel e Vesta, que tinham encontrado Asterin na neve. E a curado.
E nunca contaram a Manon sobre isso, também.
Uma criatura de sua avó – isso é o que Manon era. Isso nunca tinha parecido uma coisa detestável.
— Você descobriu que causou a explosão? — as vestes da Matriarca flutuaram atrás dela quando entraram no corredor longo e estreito que levava para a câmara do conselho do duque.
— Não, vovó.
Aqueles olhos negros salpicados de ouro se fixaram nela.
— Que conveniente, Líder Alada, que tenha se queixado quanto aos experimentos de reprodução do duque – somente para as Pernas Amarelas serem incineradas dias depois.
Um alívio, Manon quase disse. Apesar dos clãs perdidos na explosão, era um alívio que a concepção de bruxas donzelas metade Pernas Amarelas, metade valg tivesse sido interrompida. Mas Manon sentiu, mais do que viu ou ouviu, a atenção de suas Treze fixadas nas costas de sua avó.
E talvez algo como medo passou por Manon.
Pela acusação da Matriarca – e a linha que suas Treze tinham traçado. Traçado há algum tempo, agora.
Desafio. É o que fora nos últimos meses. Se a Grã-Bruxa tomasse conhecimento desse fato, amarraria Manon a um poste e chicotearia suas costas até que sua pele pendesse em tiras. Ela faria as Treze assistirem, para provar sua impotência em defender sua herdeira e, em seguida, lhes daria o mesmo tratamento. Talvez lançando água salgada quando o fizesse. Em seguida, repetiria o ato, dia após dia.
— Ouvi um rumor de que foi o bichinho do duque – aquela mulher humana. Mas uma vez que ela foi incinerada no incêndio, ninguém pode confirmar. Não quero desperdiçar seu tempo com fofocas e teorias — Manon falou friamente.
— Ela estava presa a ele.
— Parece que o fogo de sombras não estava.
Fogo de sombras – o imenso poder que teria derretido seus inimigos dentro de batimentos cardíacos quando combinado com os as torres forradas de espelho que as três bruxas Matriarcas vinham erguendo no Desfiladeiro Ferian. Mas sem Kaltain... então seria a ameaça de pura aniquilação.
Mesmo se o duque padecesse sem um mestre agora que o seu rei estava morto. Ele rejeitara a abdicação do príncipe herdeiro ao trono.
Sua avó não disse nada enquanto elas continuavam a andar.
A outra peça no tabuleiro – o príncipe de olhos cor de safira que uma vez fora escravo de um príncipe valg por si só. Agora livre. E aliado da jovem rainha de cabelos dourados.
Elas chegaram às portas da sala do conselho, e Manon limpou todos os pensamentos de sua cabeça enquanto guardas sem expressão alguma no rosto abriam a rocha negra para elas.
Os sentidos de Manon afinaram-se para uma matança calma no momento em que pôs os olhos na mesa de vidro escuro e quem estava sentada nela.
Vernon: alto, magro, sempre sorrindo afetadamente, vestido com o verde de Terrasen.
E um homem de cabelos dourados, a pele pálida como marfim.
Nenhum sinal do duque. O estranho se virou para elas. Mesmo sua avó parou de andar.
Não pela beleza do homem, não pela força em seu corpo esculpido ou pelas finas roupas negras que usava. Mas por aqueles olhos de ouro. Gêmeos aos de Manon.
Os olhos dos reis valg.



Manon avaliou as saídas, as janelas, as armas que usaria quando abrissem seu caminho para fora. O instinto a fez entrar na frente de sua avó; o treinamento, fazendo-a espalmar duas facas antes que os olhos dourados do homem pudessem piscar.
Mas o homem penas fixou aqueles olhos valg sobre ela. Ele sorriu.
— Líder Alada — ele olhou para a avó e inclinou a cabeça. — Matriarca.
A voz era carnal e encantadora e cruel. Mas o tom, a demanda... algo no sorriso de Vernon agora parecia muito tenso, sua pele bronzeada estava muito pálida.
— Quem é você? — perguntou Manon ao estranho, mais uma ordem do que uma pergunta.
O homem apontou com o queixo na direção dos assentos não reclamados na mesa.
— Você sabe muito bem quem sou, Manon Bico Negro.
Perrington. Em outro corpo, de alguma forma. Porque...
Porque aquela falta, a sensação de outro mundo que ela por vezes vislumbrara ao olhar através dos olhos dele... estava aqui, em carne e osso.
O rosto tenso da Matriarca dizia que ela já tinha adivinhado.
— Fiquei cansado de vestir aquela carne flácida — ele falou, deslizando com graça felina para a cadeira ao lado de Vernon. Ele moveu seus dedos longos e poderosos. — Meus inimigos sabem quem sou. Meus aliados poderiam muito bem saber, também.
Vernon baixou a cabeça e murmurou:
— Meu senhor Erawan, se for de seu agrado, permita-me buscar uma bebida para a Matriarca. Sua jornada foi longa.
Manon avaliou o homem alto e delgado. Dois presentes ele lhes oferecera: o respeito por sua avó, e o conhecimento do verdadeiro nome do duque. Erawan.
Ela se perguntou o que Ghislaine, de guarda no corredor adjacente, sabia dele.
O rei valg acenou em aprovação. O Senhor de Perranth se aproximou do aparador próximo à parede, pegando um jarro enquanto Manon e a Matriarca deslizavam para os assentos em frente ao rei demônio.
Respeito – algo que Vernon não oferecera uma vez sem um sorriso zombeteiro. Mas agora...
Talvez agora que o Senhor de Perranth percebia que tipo de monstro segurava a coleira, estivesse desesperado por aliados. Sabia, talvez, que Manon... que Manon poderia estar realmente envolvida naquela explosão.
Manon aceitou o chifre esculpido para servir de copo que Vernon colocou diante delas, mas não bebeu. Nem a avó.
Do outro lado da mesa, Erawan sorriu levemente. Sem escuridão, sem corrupção espiralando dele, como se ele fosse poderoso o suficiente para mantê-la contida, despercebida, exceto pelos olhos. Os olhos dela.
Atrás delas, as Treze e o clã de sua avó ficaram no corredor, apenas as tenentes permanecendo na sala quando as portas foram seladas novamente.
Aprisionando-os todos com o rei valg.
— Então — Erawan falou, olhando-as de uma forma que fez Manon apertar os lábios para não arreganhar os dentes — as forças no Desfiladeiro Ferian estão preparadas?
Sua avó fez uma leve inclinação com o queixo.
— Elas se moverão ao entardecer. Estarão em Forte da Fenda dois dias depois disso.
Manon não se atreveu a se mover em seu assento.
— Você está enviando as tropas para Forte da Fenda?
O rei demônio lançou-lhe um olhar estreitado.
— Estou enviando você para Forte da Fenda, para tomar minha cidade de volta. Quando tiver terminado sua tarefa, a legião Ferian será deixada lá sob o comando de Iskra Pernas Amarelas.
Para Forte da Fenda. Finalmente, finalmente lutar, ver o que suas serpentes aladas poderiam fazer numa batalha.
— Será que eles suspeitam do ataque?
Um sorriso sem vida.
— Nossas forças se moverão muito rapidamente para a notícia alcançá-los — sem dúvida porque esta informação tinha sido contida até agora.
Manon bateu com um pé no chão de ardósia, já ansiosa para se mover, para comandar os outros nas preparações.
— Quantos dos clãs de Morath devo levar para o norte?
— Iskra voa com a segunda metade da nossa legião aérea. Gostaria de pensar que apenas alguns clãs de Morath seriam necessários. — Um desafio e um teste.
Manon considerou.
— Eu voarei com as minhas Treze e dois clãs de escolta.
Não havia necessidade de seus inimigos obterem uma boa contagem de quantos clãs voavam na legião aérea – ou que a totalidade fosse quando ela apostaria um bom dinheiro que só as Treze seriam suficientes para saquear a capital.
Erawan apenas inclinou a cabeça em concordância. Sua avó deu-lhe um aceno quase imperceptível – tão perto de aprovação quanto ela chegaria.
Mas Manon perguntou:
— E quanto ao príncipe? — Rei. Rei Dorian.
Sua avó lhe lançou um olhar, mas o demônio respondeu:
— Quero que o traga pessoalmente para mim. Se ele sobreviver ao ataque.
E agora que a rainha de fogo se fora, Dorian Havilliard e sua cidade estariam indefesos. Pouco importava para ela. Isso era guerra.
Lutar esta guerra, e voltar para casa no fim disto. Mesmo que este homem, este rei demônio, pudesse muito bem voltar atrás em sua palavra.
Ela lidaria com isso mais tarde. Mas primeiro... a batalha estava aberta. Ela já podia ouvir sua música selvagem em seu sangue.
O rei demônio e sua avó estavam falando novamente, e Manon ignorou a melodia de escudos colidindo e faíscas saltando de espadas o suficiente para processar suas palavras.
— Uma vez que a capital esteja tomada, quero esses barcos no Avery.
— Os homens do Lago Prateado estão de acordo? — sua avó estudou o mapa esticado na mesa de vidro preso nos cantos por pedras lisas.
Manon seguiu o olhar da Matriarca do Lago Prateado, na outra extremidade do Avery, até a sua cidade, aninhada contra os Caninos Brancos: Anielle.
Perrington-Erawan encolheu os ombros largos.
— Seu senhor ainda não declarou lealdade a mim ou ao garoto-rei. Suspeito que quando a notícia da queda de Forte da Fenda alcançá-lo, encontraremos seus mensageiros rastejando em nossa porta — um lampejo de um sorriso. — Suas fortalezas ao longo das quedas ocidentais do lago ainda carregam as cicatrizes da última vez que meus exércitos marcharam. Vi os inúmeros monumentos em Anielle a essa guerra – seu senhor saberá quão facilmente posso transformar novamente sua cidade em uma casa mortuária.
Manon estudou o mapa novamente, deixando de fora as perguntas.
Velho. O rei valg era tão velho que isso a fazia sentir-se jovem. Fazia sua avó parecer uma criança, também.
Tolice – talvez sua avó tivesse sido tola ao vendê-las em uma aliança inconsciente com esta criatura.
Ela obrigou-se a retornar o olhar de Erawan.
— Com bases em Morath, Forte da Fenda e Anielle, isso cobrirá apenas a metade sul de Adarlan. O quanto ao norte do Desfiladeiro Ferian? Ou ao sul de Adarlan?
— Enseada do Sino permanece sob meu controle – seus senhores e comerciantes amam demais o seu ouro. Melisande... — os olhos dourados do rei demônio se fixaram no país do lado ocidental das montanhas. — Eyllwe encontra-se quebrada abaixo dela, Enseada do Sino em frangalhos estéreis para o leste. É do interesse de Melisande continuar aliando suas forças com a minha própria, especialmente quando Terrasen não tem um cobre sob seu nome — o olhar do rei percorreu para o norte. — Aelin Galathynius terá alcançado sua terra a essa hora. E quando Forte da Fenda se for, ela também descobrirá quão sozinha está no Norte. A herdeira de Brannon não tem aliados neste continente. Não mais.
Mas Manon notou o modo como os olhos do rei demônio dispararam para Eyllwe – apenas uma oscilação.
Ela olhou para sua avó, ainda assistindo Manon em silêncio com uma expressão que prometia morte se ela forçasse longe demais. Mas Manon disse a Erawa:
— Sua capital é o coração do comércio. Se eu soltar a minha legião sobre ela, você terá poucos aliados humanos...
— Da última vez que vi, Manon Bico Negro, era minha legião.
Manon sustentou o olhar ardente de Erawan, mesmo que ele a desnudasse.
— Transforme Forte da Fenda em uma ruína completa — ela falou sem rodeios — e os governantes como o Senhor de Anielle, a Rainha de Melisande ou os Senhores de Charco Lavrado podem muito bem achar que vale a pena correr o risco de se unir contra você. Se destruir a sua própria capital, por que eles deveriam acreditar em suas reivindicações de aliança? Envie um decreto à frente de que o rei, a rainha são inimigos do continente. Estabeleça-nos como libertadores de Forte da Fenda, não conquistadores, e você terá os outros governantes pensando duas vezes antes de aliar-se a Terrasen. Saquearei a cidade para você o suficiente para mostrar a nossa força, mas impedirei as Dentes de Ferro de deixá-la em escombros.
Aqueles olhos de ouro se estreitaram em consideração.
Ela sabia que sua avó estava esperando mais uma palavra de Manon para descer as unhas sobre sua bochcha, mas ela manteve os ombros eretos. Ela não se importava com a cidade, com seu povo. Mas esta guerra poderia realmente se voltar contra eles, se a aniquilação de Forte da Fenda unisse seus inimigos dispersos. E isso atrasaria muito mais as Bicos Negros de voltar para seu deserto.
Os olhos de Vernon se agitaram para encontrar os dela. Medo e cálculo. Ele murmurou para Erawan:
— A Líder Alada tem um bom argumento, milorde.
O que Vernon sabia que ela não tinha conhecimento?
Erawan inclinou a cabeça, seu cabelo dourado escorregando na testa.
— É por isso que você é minha Líder Alada, Manon Bico Negro, e por isso Iskra Pernas Amarelas não ganhou a posição.
Desgosto e orgulho brigaram dentro dela, mas ela balançou a cabeça.
— Mais uma coisa.
Ela permaneceu parada, esperando.
O rei demônio descansava em seu assento.
— Há um muro de vidro em Forte da Fenda. Impossível de perder — ela sabia que havia – tinha se empoleirado nele. — Cause danos suficientes à cidade para instilar medo, mostrar o nosso poder. Mas aquele muro... derrube-o.
— Por quê? — foi sua única reação.
Aqueles olhos dourados brilharam como brasas.
— Porque destruir um símbolo pode quebrar os espíritos dos homens tanto quanto o derramamento de sangue.
Aquele muro de vidro representava o poder de Aelin Galathynius. E misericórdia. Manon manteve o olhar por muito tempo antes de acenar. O rei empurrou o queixo em direção às portas fechadas em uma dispensa silenciosa.
Manon estava fora da sala antes de ele se virar para Vernon. Não ocorreu a ela até que ela estava longe que ela deveria ter permanecido para proteger a Matriarca.



As Treze não falaram até que desembarcarem no seu arsenal pessoal no acampamento do exército abaixo, não tinha sequer arriscado sobrecarregar suas serpentes aladas para a nova torre-ninho.
Voando através da fumaça e da melancolia que sempre envolvia Morath, os dois clãs de escolta que Manon selecionara – ambos Bicos Negros – direcionaram-se para seus próprios arsenais. Bom.
Agora de pé na lama do fundo do vale e próximo ao labirinto que unia forjas e barracas, Manon disse para as Treze reunidas:
— Nós voaremos em trinta minutos — atrás delas, ferreiros e treinadores já corriam para colocar armaduras nas serpentes aladas acorrentadas.
Se eles fossem inteligentes, ou rápidos, não acabariam entre aquelas mandíbulas. A montaria azul-celeste de Asterin já avaliava o homem mais próximo a ela. Manon estava meio tentada a ver se ela conseguiria modê-lo, mas continuou dirigindo-se a seu clã:
— Se tivermos sorte, chegaremos antes de Iskra e definiremos o tom de como o saque se desenrola. Se não, procuraremos Iskra e seu clã ao chegar e impediremos o abate. Deixem o príncipe para mim — ela não se atreveu a olhar para Asterin quando disse isso. — Eu não tenho dúvidas de que as Pernas Amarelas tentarão reivindicar a cabeça. Impeçam qualquer uma delas que ousem tomá-la.
E talvez aproveitar para dar fim a Iskra. Acidentes acontecem o tempo todo no campo de batalha.
As Treze curvaram a cabeça em concordância. Manon acenou por sobre um ombro, para o arsenal oculto pelas barracas de lona de má qualidade.
— Armadura completa — ela deu-lhes um sorriso arrasador. — Nós não queremos fazer a nossa grande aparição vestindo nada além do nosso melhor.
Doze sorrisos correspondentes encontraram o dela, e elas se dispersaram, indo em direção às tendas e manequins, onde a armadura de cada uma tinha sido cuidadosa e meticulosamente construída nestes últimos meses.
Apenas Asterin permaneceu ao seu lado enquanto Manon pegava Ghislaine por um braço quando a sentinela de cabelo encaracolado passou por ela.
Ela murmurou por sobre o barulho de forjas e rugido de serpentes aladas:
— Diga-nos o que você sabe sobre Erawan — Ghislaine abriu a boca, a pele escura ficando pálida, e Manon estalou: — de forma concisa.
Ghislaine engoliu em seco, balançando a cabeça enquanto o resto das Treze se preparava para além delas. A estudiosa guerreira sussurrou para que apenas Manon e Asterin pudessem ouvir.
— Ele foi um dos três reis valg que invadiram este mundo no início dos tempos. Os outros dois foram mortos ou enviados de volta ao seu mundo escuro. Ele ficou preso aqui, com um pequeno exército. Fugiu para o continente após Maeve e Brannon esmagarem suas forças, e passou mil anos reconstruindo seus números em segredo nas profundezas além dos Caninos Brancos. Quando estava pronto, quando percebeu que a chama de Rei Brannon estava se apagando, Erawan lançou seu ataque para reivindicar o continente. Diz a lenda que ele foi derrotado pela própria filha de Brannon e seu companheiro humano.
Asterin bufou.
— Parece que a lenda está errada.
Manon soltou o braço de Ghislaine.
— Prepare-se. Conte às outras quando puder.
Ghislaine baixou a cabeça e saiu para o arsenal.
Manon ignorou o olhar apertado de Asterin. Agora não era o momento para esta conversa.
Ela encontrou o ferreiro mudo em sua forja de costume, o suor escorrendo pela testa manchada de fuligem. Mas seus olhos eram sólidos e calmos enquanto ele puxava a lona de sua mesa de trabalho para revelar a sua armadura. Polida, pronta.
O traje de metal escuro tinha sido forjado como intrincadas escamas de serpente alada. Manon correu um dedo ao longo das placas sobrepostas e levantou uma luva perfeitamente criada para sua própria mão.
— É lindo.
Horrível, mas bonita. Ela se perguntou o que ele pensava do fato de que tinha forjado esta armadura para ela usar enquanto acabava com as vidas de seus compatriotas. Seu rosto corado não revelava nada.
Ela tirou o manto vermelho e começou a vestir a armadura pouco a pouco. Ela deslizou sobre seu corpo como uma segunda pele, flexível e maleável onde ela precisava, inflexível onde sua vida dependia disso.
Quando estava pronta, o ferreiro a olhou e balançou a cabeça, em seguida, se abaixou ao lado de sua mesa para pôr outro objeto em sua superfície. Por um instante, Manon única olhou para o elmo coroado.
Ela havia sido forjado do mesmo metal escuro, o nariz as guardas da sobrancelhas feitos de modo que a maior parte de seu rosto ficaria na sombra – exceto pela boca. E seus dentes de ferro. As seis lanças da coroa saltavam para cima como pequenas espadas.
O elmo de um conquistador. O elmo de um demônio.
Manon sentiu os olhos de suas Treze, agora armadas, sobre ela enquanto enfiava a trança no pescoço de sua armadura e erguia o capacete sobre sua cabeça.
Cabia facilmente, o interior frio contra sua pele quente. Mesmo com as sombras que ocultavam a maior parte de seu rosto, ela podia ver o ferreiro com perfeita clareza enquanto seu queixo mergulhava em aprovação.
Ela não tinha ideia de por que se incomodava, mas Manon se ouviu dizendo:
— Obrigada.
Outro gesto raso foi sua única resposta antes de ela sair da barraca.
Soldados se encolheram em seu caminho enquanto ela sinalizava para as Treze e montava Abraxos, sua serpente alada envaidecida com a nova armadura.
Ela não olhou para trás para Morath enquanto levantavam para o céu cinzento.

26 comentários:

  1. MANON SUA DIVA *-* ABRAXOS SEU FOFOOOOOOO <3
    CARA O DORIAN NÃO, DEIXEM ELE EM PAZ, VCS Ñ PODEM FAZER ISSO COM ELE E NEM COM FORTE DA FENDA o.O

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  2. Meldels!!!! Fujam para as colinas, essa treta vai ser monstra, Dorian mais uma vez abduzido, tadim virou casa da mãe Joana, qualquer um pode chegar e pegar um cantim... Tisc tisc

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    1. MANÍACA POR LIVROS18 de setembro de 2017 16:08

      AACHO QUE MANON SE APAIXONOU PELO DORIAN ELA VAI POUPA-LO TOMARA QUE ROLE ALGUMA COISA

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  3. Tem hora que o Abraxos me lembra o Banguela kkkkkkkk só eu que penso assim?

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    1. Eu tbm! E eu acho q a Asterin é parecida com a Astrid, por causa do nome e pq a serpente-alada dela é azul-celeste igual a Tempestade ♡
      (Será coincidência ou foi propósito da tia Sarah?)

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  4. Tbm penso nele como o banguela kkkk

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  5. Está ficando tenso.
    Acho que a Manon quer jantar o principe, tem romance noa ar...

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  6. Eu também acho kkkkk
    É mais Dorian tem magia né..
    Talvez na última hora manon se junta a ele .. só loviii

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  7. Gente pelo amor do Santo Graal!! Manon, dá um pé na sua avó e vem para a o lado maneiro da força garota. Acho sensacional ela, personagem forte, mas espero do fundo do coração que ela não seja tão ruim assim.

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  8. Manon àquela vilã que você respeita! Adoro ela... É errado eu shipar ela com o Dorian, e pensar que ela pode entrar do lado da Aelin?

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    1. Bom, esperar que ela vá para o lado da Aelin é algo que todos esperam desde o início, acredito

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  9. Poderosa!!! Manon diva. 👑👑👑
    Dorian.... Fique bem!

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  10. Eu torço pra que as treze entrem para o Team Aelin, ai sim uma equipe que vc respeira o Erawan vai tá fudid* kkkk

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  11. Mencionou que Dorian estaria indefeso sem a proteção de Aelin, mas pfvr, ele tem uma magia tão forte que é capaz de destruir o próprio castelo de vidro, então tem que ser capaz de se defender sozinho sim!! Aelin não tá lá mas ele não é fraco não (espero) kkkkkkkk e manon aos poucos vai baixando a guarda ♥ pq shippo desde o outro livro "Mannorian" e tem que ser real simmm

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  12. Ai Razielzinho essas Treze maravilhosas! Manon, venha para o lado luminoso da força. Gente, só eu q imagino o Erawan como o Sauron?

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  13. Queria saber como o Dorian manifestava a magia dele na época q não tinha magia no seu reino?
    Nunca entendi essa parte apesar de ter relido o livro.
    Alguém pfv me responde
    Ass:mi

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    1. É que quem bloqueou a magia foi o pai dele, deixando uma brecha para si e seus descendentes

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  14. E lá vamos nós...

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  15. Cuidado Manon, nosso príncipe não é tão indefeso.. o próprio Rowan disse que ele tem um poder ilimitado e que precisa de treinamento para não se destruí..
    Ela briga vai valer.. só eu que to torcendo pra Manon vê o Dorian e não consegui ataca-lo? Tipo se junta a ele e defende forte da fenda?

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  16. Devoradorra de livros29 de julho de 2017 21:26

    Sabe o q eu gostaria de fazer com esse Erawan? Eu gostaria q fizesse q nem sussurro, q Path ia rasga o cara lá pedaço por pedaço(LITERALMENTE), ele arrancou pedaço de pele por pedaço daquele nephilim malvado, esse cara merecia o msm
    KKKKKKKK ai...ai.. Tenho problemas?

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  17. Q armadura Top 😀 n vejo a hora de ela se juntar a Aelin 🙏

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Boa leitura :)