30 de janeiro de 2017

Capítulo 39

Rowan não sabia se devia estar divertido, emocionado, ou um pouco temeroso por ele ter sido abençoado com uma rainha e amante que se importava tão pouco com decência pública. Ele a tomou três vezes naquela praia – duas na areia, em seguida, uma terceira nas águas quentes. E ainda assim o seu sangue estava elétrico. E ainda assim ele queria mais.
Eles tinham nadado em águas rasas para lavar a areia grudada neles, mas Aelin envolvera as pernas ao redor de sua cintura, beijara seu pescoço, em seguida, lambeu sua orelha da forma quando ele mordiscou a dela, e ele estava enterrado nela novamente. Ela sabia por que ele precisava do contato, porque precisava prová-la em sua língua, e depois com o resto do seu corpo. Ela precisava do mesmo.
Ele ainda precisava. Quando eles terminaram após aquela primeira vez, ele se permitira respirar, puxar sua sanidade de volta após a união que tinha... desencadeado dele. O quebrado e refeito. Sua magia tinha sido uma canção, e ela fora...
Ele nunca tivera nada parecido com ela. Tudo o que ele dera para ela, ela devolvera para ele. E quando ela o mordeu durante aqueles segundos em que estavam ligados na areia... sua magia destruíra seis palmeiras próximas em lascas quando ele chegou ao clímax, forte o suficiente para pensar que seu corpo fosse quebrar.
Mas uma vez que eles terminaram, quando ela realmente pretendia voltar a pé para a Baía da Caveira vestindo nada além de suas chamas, ele lhe entregou a camisa e o cinto. Que fez pouco para cobri-la, especialmente aquelas belas pernas, mas pelo menos estava menos propensa a iniciar um motim.
Escassamente, porém. E seria óbvio o que eles fizeram naquela praia no momento em que pisassem dentro do alcance do faro de qualquer um que tivesse olfato sobrenatural.
Ele a marcara – mais forte do que o cheiro que tinha se agarrado a ela antes. Marcou-a profunda e verdadeiramente, e não havia como desfazer, como lavar o cheiro. Ela o reivindicara, e ele a reivindicou, e ele sabia que ela estava bem consciente do que aquilo significava – assim como sabia... ele sabia que tinha sido uma escolha da parte dela. A decisão final sobre a questão de quem estaria na cama da rainha.
Ele tentaria viver de acordo com essa honra – tentar encontrar alguma maneira de provar que merecia. Que ela não tinha apostado no cavalo errado. De alguma forma. Ele ganharia. Mesmo com tão pouco a oferecer além de sua própria magia e coração.
Mas ele também conhecia sua rainha. E sabia que, apesar da enormidade do que tinham feito, Aelin também o manteve naquela praia para evitar os outros. Evitar responder às suas perguntas e demandas.
Porém ao colocar um pé para dentro da Rosa do Oceano e ver a luz no quarto de Aedion, ele soube que seus amigos não seriam tão facilmente dissuadidos.
De fato, Aelin fez uma careta para a luz – embora preocupação rapidamente tenha substituído a expressão enquanto ela se lembrava da metamorfa que estivera tão completamente inconsciente. Seus pés descalços subiram em silêncio a escada e o corredor quando ela correu para o quarto, sem se preocupar em bater antes de escancarar a porta.
Rowan soltou uma respiração afiada, tentando fazer a sua magia esfriar o fogo ainda em seu sangue. Para acalmar os instintos rugindo e furiosos para ele. Não para tomá-la – mas para eliminar qualquer outra ameaça.
Um tempo perigoso para qualquer macho feérico, quando se tinha uma amante. Pior ainda, quando isso significava algo mais.
Dorian e Aedion estavam sentados nas duas poltronas em frente à lareira escurecida, os braços cruzados.
E o rosto do primo dela ficou pálido com o que poderia ter sido o terror quando ele sentiu o cheiro de Aelin – a marcação visível e invisível sobre eles.
Lysandra se sentou na cama, rosto abatido, mas estreitou os olhos para a rainha. Foi a metamorfa quem ronronou:
— Apreciaram seu passeio?
Aedion não ousou se mover e lançou a Dorian um olhar de advertência para fazer o mesmo. Rowan mordeu contra a raiva ao ver outros machos perto de sua rainha, lembrando-se que eles eram seus amigos, mas...
Essa fúria primitiva tropeçou quando sentiu o alívio estremecido de Aelin ao encontrar a metamorfa quase totalmente curada e desperta. Mas sua rainha unicamente deu de ombros.
— E não é que esses machos feéricos são bons para alguma coisa?
Rowan ergueu as sobrancelhas, rindo enquanto debatia se a lembrava de como ela pediu-lhe por toda parte, dizendo palavras como por favor, e Oh, deuses, e em seguida alguns favores extras aplicados por boas quantidades. Ele gostaria de torcer aqueles modos raramente vistos nela novamente.
Aelin lhe lançou um olhar, desafiando-o a falar. E, apesar de ter acabado de possuí-la, apesar do fato de que ele ainda pudesse sentir o gosto dela, Rowan sabia que sempre que eles se encontrassem na cama novamente, ela não conseguiria ter o descanso que precisava. Cor manchou as bochechas de Aelin, como se ela visse seus planos se desdobrarem, mas ela levantou o amuleto que pendia de seu pescoço, que caiu sobre a mesa baixa entre Aedion e Dorian, e disse:
— Eu descobri que esta é a terceira chave de Wyrd quando ainda estava em Wendlyn.
Silêncio.
Então, como se não tivesse estilhaçado qualquer sensação de segurança que eles ainda possuíssem, Aelin retirou o Olho de Elena destroçado de sua mochila, jogou-o uma vez no ar, e então fez um movimento com o queixo para o Rei de Adarlan.
— Acho que é hora de você conhecer sua antepassada.



Dorian ouviu a história de Aelin.
Sobre a chave de Wyrd que ela secretamente transportava, sobre o que aconteceu hoje na baía, sobre como ela enganara Lorcan e como isso acabaria por levar o guerreiro de volta para eles – esperançosamente com as outras duas chaves em suas mãos. E, se tivessem sorte, eles já teriam encontrado aquele cadeado a que tinham sido ordenados duas vezes agora para recuperar dos Pântanos de Pedra – a única coisa capaz de ligar as chaves de Wyrd de volta para o portão de onde tinham sido talhadas e acabando com a ameaça de Erawan para sempre.
Nenhum número de aliados faria diferença se eles não conseguissem impedir Erawan de usar essas chaves para libertar as hordas valg de seu próprio reino acima de Erilea. Sua posse sobre duas chaves já trouxera tal escuridão. Se ele ganhasse domínio sobre a terceira, encontraria o portão de Wyrd e poderia abri-lo para qualquer mundo à vontade, usá-lo para convocar qualquer exército conquistador...
Eles tinham que encontrar o cadeado para anular aquelas chaves.
Quando a rainha terminou, Aedion estava silenciosamente furioso, Lysandra franzia a testa, e Aelin agora apagava as velas no quarto com praticamente um aceno de mão. Dois livros antigos, retirados dos alforjes abarrotados de Aedion, estavam abertos sobre a mesa. Ele conhecia aqueles livros – ele não tinha ideia de que ela os levara de Forte da Fenda. O metal deformado do amuleto do Olho de Elena estava acima de um deles enquanto Aelin verificava as marcações em uma antiga página manchada.
A escuridão caiu quando ela usou seu próprio sangue para gravar aquelas marcas no chão de madeira.
— Parece que a nossa conta de danos a esta cidade vai subir — Lysandra murmurou.
Aelin bufou.
— Nós apenas usaremos o tapete para cobrir — ela terminou fazendo uma marca, uma marca de Wyrd,
Dorian percebeu isso com um arrepio e deu um passo para trás, Aelin apertou o Olho em seu punho.
— E agora? — perguntou Aedion.
— Agora nós mantemos nossas bocas fechadas — Aelin disse docemente.
O luar se propagou no chão, devorado pelas linhas escuras que ela tinha rabiscado. Aelin foi até onde Rowan estava sentado na beira da cama, ainda sem camisa – graças à rainha que atualmente vestindo a dele, e assumiu um lugar ao seu lado, uma mão em seu joelho.
Lysandra foi a primeira a notar.
Ela sentou-se ereta na cama, os olhos verdes cintilando com brilho animal enquanto o luar sobre as marcas de sangue parecia brilhar. Aelin e Rowan se levantaram. Dorian apenas olhou para as marcas, para o luar, para o feixe reluzente que atravessava as portas abertas da varanda.
Como se a própria luz fosse uma porta, o raio de luar se transformou em uma figura humanoide.
Ele cintilou, a uma forma apenas surgiu lá. Como uma invenção de um sonho.
O pelo nos braços de Dorian arrepiou-se. E ele teve o bom senso de deslizar para fora da cadeira e se ajoelhar, abaixando a cabeça.
Ele foi o único a fazer isso. O único, ele percebeu, que tinha falado com o companheiro de Elena, Gavin. Há muito tempo – outra vida atrás. Ele tentou não considerar o que significava que ele agora carregasse a espada de Gavin, Damaris. Aelin não a pediu de volta – não parecia inclinada a fazê-lo.
Uma voz feminina abafada, como se estivesse vindo de longe, piscou e saiu da figura.
— Muito... longe — disse uma voz clara, jovem.
Aelin se adiantou e fechou aqueles livros de magia antigos antes de empilhá-los com um baque.
— Bem, Forte da Fenda não está exatamente disponível, e seu túmulo está destruído, que azar.
A cabeça de Dorian se levantou quando ele olhou entre a figura cintilante do luar e a jovem rainha de carne e osso.
O corpo mais ou menos formado de Elena desapareceu, então reapareceu, como se o próprio vento o perturbasse.
— Não é possível... manter...
— Então serei rápida — a voz de Aelin estava afiada como uma lâmina. — Sem mais jogos. Sem mais meias-verdades. Por que Deanna apareceu hoje? Eu entendi: encontrar o cadeado é importante. Mas o que é ele? E diga-me o que ela quis dizer ao me chamar de Rainha Que Foi Prometida.
Como se as palavras sacudissem a rainha morta como um relâmpago, o rosto de sua antepassada apareceu, totalmente corpóreo.
Ela era requintada: o rosto jovem e solene, seu cabelo longo e branco prateado – como o de Manon – e seus olhos... Surpreendentemente azuis, deslumbrantes. Eles agora estavam fixos nele, o vestido claro que ela usava vibrava em uma brisa fantasma.
— Levante-se, jovem rei.
Aelin bufou.
— Podemos pular a parte do sagrado-espírito-do-vosso-antepassado?
Elena apenas examinou Rowan e Aedion. Seu esbelto, pescoço fez movimentos para cima e para baixo.
E Aelin, pelos deuses, estalou os dedos para a rainha – uma vez, duas vezes – chamando a atenção de volta para ela.
— Olá, Elena — ela falou — é tão bom vê-la. Faz um bom tempo. Importa-se de responder a algumas perguntas?
Irritação brilhou nos olhos da rainha morta. Mas o queixo de Elena manteve-se elevado, com os ombros delgados para trás.
— Eu não tenho muito tempo. A conexão é muito difícil de manter tão longe de Forte da Fenda.
— Que surpresa.
As duas rainhas se encararam.
Elena, Wyrd maldito, foi quem desviou o olhar primeiro.
— Deanna é uma deusa. Ela não tem regras, costumes e códigos como nós. O tempo não existe para ela da maneira que existe para nós. Você deixou sua magia tocar a chave, a chave abriu a porta, e Deanna estava observando naquele exato momento. Que ela tenha falado através de você é por si só um presente. Que tenha conseguido empurrá-la para fora antes que ela estivesse pronta... ela não vai esquecer o insulto tão cedo, Majestade.
— Ela pode entrar na fila — respondeu Aelin.
Elena balançou a cabeça.
— Há... há tanta coisa que eu não cheguei a lhe contar.
— Como o fato de que você e Gavin nunca mataram Erawan, mentiram para todos sobre ele, e depois deixou para nós lidarmos com isso?
Dorian arriscou um olhar para Aedion, mas seu rosto estava duro, calculista, sempre o general – fixo na rainha morta agora de pé na sala com eles. Lysandra – Lysandra se fora.
Não, ela estava na forma de leopardo fantasma, esgueirando-se pelas sombras. A mão de Rowan descansava casualmente sobre a espada, embora a própria magia de Dorian tenha varrido o quarto e percebido que a arma era a distração física do golpe mágico que ele daria em Elena se ela sequer olhasse errado para Aelin. Na verdade, um escudo duro de ar estava erguido agora entre as duas rainhas – e selava a sala também.
Elena balançou a cabeça, seu cabelo prateado fluindo.
— Era importante vocês recuperarem as chaves de Wyrd antes que Erawan chegasse tão longe.
— Bem, eu não consegui — Aelin estalou. — Perdoe-me se você não foi totalmente clara em suas instruções.
— Eu não tenho tempo para explicar, mas sei que foi a única opção — Elena falou. — Para nos salvar, para salvar Erilea, era a única opção que tinha. — E para toda a atmosfera crepitante entre elas, a rainha expôs as palmas das mãos para Aelin. — Deanna e meu pai falaram a verdade. Eu pensei... pensei que estivesse quebrada, mas se eles lhe disseram para encontrar o cadeado... — Ela mordeu o lábio.
— Brannon falou para aos Pântanos de Pedra de Eyllwe para encontrar o cadeado — Aelin disse. — Onde, precisamente, nos Pântanos?
— Houve uma vez uma grande cidade no coração dos pântanos — Elena contou. — Ela está agora quase afogada na planície. Em um templo no seu centro, descansa os restos do cadeado. Eu não... Meu pai conseguiu o cadeado a um custo terrível. A custo... do corpo de minha mãe, sua vida mortal. Um bloqueio para as chaves de Wyrd, para selar a porta, e ligar as chaves dentro delas para sempre. Eu não entendia qual era o seu destino, meu pai nunca me falou nada disso até que fosse tarde demais. Tudo o que eu sabia era que o cadeado só era capaz de ser usado uma vez, o seu poder capaz de selar qualquer coisa. Então eu o roubei. Usei-o para mim, para o meu povo. Tenho pagado por esse crime desde então.
— Você o usou para selar Erawan em seu túmulo — Aelin falou calmamente.
A súplica desapareceu do rosto de Elena.
— Meus amigos morreram no vale das montanhas negras nesse dia para que eu pudesse ter a chance de pará-lo. Eu ouvi os gritos dele, mesmo no coração do acampamento de Erawan. Não pedirei desculpas por tentar acabar com o abate de modo que os sobreviventes pudessem ter um futuro. Desse modo, você pôde ter um futuro.
— Então você usou o cadeado, em seguida, atirou-o em uma ruína?
— Nós o colocamos dentro da cidade sagrada na planície, para ser uma homenagem às vidas perdidas. Mas um grande cataclismo balançou a terra décadas mais tarde... e a cidade afundou, água do pântano fluiu, e o cadeado foi esquecido. Ninguém nunca o recuperou. Seu poder já havia sido utilizado. Era apenas pouco mais que metal e vidro.
— E agora não é mais?
— Se meu pai e Deanna o mencionaram, deve ser vital para parar Erawan.
— Perdoe-me se não confio na palavra de uma deusa que tentou me usar como um fantoche para explodir aquela cidade em pedacinhos.
— Seus métodos foram desviados, mas ela provavelmente não quis causar nenhum dano...
— Besteira.
Elena piscou novamente.
— Vá para os Pântanos de Pedra. Encontre o cadeado.
— Eu disse a Brannon, e te digo o mesmo: temos assuntos mais urgentes no momento...
— Minha mãe morreu para forjar o cadeado — Elena retrucou, os olhos brilhando. — Ela se libertou de seu corpo mortal para forjar o cadeado para o meu pai. Eu fui a única que quebrou da promessa de como ele seria usado.
Aelin piscou, e Dorian se perguntou se deveria estar preocupado se ela ainda estava sem palavras. Mas Aelin unicamente sussurrou:
— Quem era a sua mãe?
Dorian buscou em sua memória, passou por todas as suas aulas de história em sua infância, mas não conseguia se lembrar.
Elena fez um som que poderia ter sido um soluço, sua imagem sumindo aos poucos no luar.
— Ela que amou mais o meu pai. Ela que o abençoou com esses poderosos dons, e em seguida se ligou em um corpo mortal e ofereceu-lhe o presente de seu coração.
Os braços de Aelin apertaram em seus lados.
Aedion desabafou:
— Merda.
Elena riu sem sentimento quando disse para Aelin:
— Por que você acha que queima tão brilhantemente? Não é apenas o sangue de Brannon que está em suas veias. Mas o de Mala.
— Mala Portadora do Fogo era sua mãe — Aelin sussurrou.
Elena já tinha ido.
— Honestamente, é um milagre que vocês duas não tenham se matado — Aedion observou.
Dorian não se preocupou em corrigi-lo que era tecnicamente impossível, já que uma delas já estava morta. Em vez disso, ele pensou em tudo o que a rainha tinha dito, e Rowan, que permanecia em silêncio, parecia fazer o mesmo. Lysandra farejava as marcas de sangue, como se num teste para buscar se a antiga rainha poderia estar ao redor.
Aelin olhou para fora das portas abertas da sacada, olhos velados e a boca numa linha apertada. Ela abriu seu punho e examinou o Olho de Elena, ainda guardado na palma de sua mão.
O relógio marcava uma hora da manhã. Lentamente, Aelin virou-se para eles. Para ele.
— O sangue de Mala corre em nossas veias — ela falou com a voz rouca, os dedos se fechando em torno do Olho antes de guardá-lo no bolso da camisa.
Ele piscou, percebendo a verdade nisso. Que, talvez, ambos fossem tão consideravelmente dotados por causa disso. Dorian perguntou a Rowan, ele poderia ter ouvido ou testemunhado algo em todas as suas viagens:
— É realmente possível para um deus tornar-se mortal?
Rowan, que observava Aelin com um pouco de cautela, se virou para ele.
— Eu nunca ouvi falar de tal coisa. Mas... feéricos têm desistido de sua imortalidade para vincular suas vidas à de seus companheiros mortais — Dorian tinha a nítida sensação de que Aelin examinava deliberadamente uma mancha em sua camisa. — É certamente possível que Mala tenha encontrado uma maneira de fazê-lo.
— Não é apenas possível — Aelin murmurou. — Ela o fez. Isso... o poço de poder descobri hoje... era da própria Mala. Elena pode ser muitas coisas, mas não mentiria sobre isso.
Lysandra deslocou de volta em sua forma humana, balançando o suficiente para cair na cama antes que Aedion pudesse se mover para estabilizá-la.
— Então, o que faremos agora? — ela perguntou, sua voz grave. — A frota de Erawan está posicionada no Golfo de Oro, Maeve navega para Eyllwe. Mas nenhum deles sabe que possuímos esta chave de Wyrd, ou se esse cadeado existe... e está bem no meio dessas duas forças.
Por um instante, Dorian se sentiu como um idiota inútil quando todos eles, incluindo ele mesmo, olhou para Aelin. Ele era o Rei de Adarlan, recordou-se. Um igual. Mesmo que suas terras e seu povo tivessem sido roubados, e sua capital, tomada.
Mas Aelin esfregou os olhos com o polegar e o indicador, tomando um longo suspiro.
— Eu realmente odeio esses velhos tagarelas — ela levantou a cabeça, examinando todos eles, e disse simplesmente: — Nós navegaremos para os Pântanos de Pedra pela manhã para encontrar esse cadeado.
— E Rolfe e os micênicos? — perguntou Aedion.
— Ele terá metade de sua frota para encontrar o resto dos micênicos, onde quer que eles estejam se escondendo. Em seguida, todos navegarão ao norte, para Terrasen.
— Forte da Fenda está entre os dois, com serpentes marinhas patrulhando — Aedion rebateu. — E este plano depende se podemos confiar em Rolfe para realmente cumprir sua promessa.
— Rolfe sabe como se manter fora de alcance — disse Rowan. — Temos pouca escolha a não ser confiar nele. E ele honrou a promessa que fez para Aelin sobre os escravos dois anos e meio atrás. — Sem dúvida, porque Aelin o fizera confirmá-la tão completamente.
— E a outra metade da frota da Rolfe? — Aedion forçou.
— Alguns continuam a defender o arquipélago — disse Aelin. — E alguns virão conosco para Eyllwe.
— Você não pode lutar contra o exército de Maeve com uma fração da frota de Rolfe — apontou Aedion, cruzando os braços. Dorian conteve sua própria concordância, deixando o general falar por ele. — Muito menos as forças de Morath.
— Eu não estou indo lá comprar uma briga — foi tudo o Aelin disse. E foi isso.
Dispersaram-se, em seguida, Aelin e Rowan escorregando para seu próprio quarto.
Dorian ficou acordado, mesmo quando a respiração de seus companheiros tornou-se profunda e lenta. Ele refletiu sobre cada palavra que Elena pronunciara, refletiu sobre aquela aparência de muito tempo atrás de Gavin, que o havia acordado para impedir Aelin de abrir aquele portal. Talvez Gavin tivesse feito isso não para poupar Aelin da condenação, mas para impedir aqueles que aguardavam, deuses de olhos frios que esperavam para agarrá-la como Deanna tinha feito hoje.
Ele enfiou a especulação para longe e considerou quando ele era menos propenso a saltar para conclusões. Mas os tópicos eram uma rede brilhando em sua mente, em tons de vermelho, verde, dourado e azul, brilhando e vibrando, sussurrando seus segredos em línguas não faladas no mundo.



À última hora do amanhecer, partiram da Baía de Crânio no navio mais veloz que Rolfe poderia poupar. Rolfe não se preocupou em dizer adeus, já preocupado com os preparativos de sua frota, antes que zarparem do porto espumante e do arquipélago exuberante além. Ele concedeu a Aelin um presente de despedida: coordenadas vagas para o cadeado. Seu mapa o localizara – ou melhor, a localização geral. Algum tipo de proteção deve ter sido colocado em torno dele, o capitão avisou-os, se sua tatuagem não conseguia identificar seu lugar de descanso. Mas era melhor do que nada, Dorian supôs. Aelin resmungara bastante.
Rowan circulava acima em sua forma de falcão, patrulhando atrás e à frente. Fenrys e Gavriel estavam nos remos, ajudando a levá-los para fora do porto – Aedion também, a uma distância confortável do pai. O próprio Dorian se apresentou no leme ao lado da capitã baixa e atarracada – uma mulher mais velha que não teve interesse de falar com ele, rei ou não. Lysandra nadava na arrebentação abaixo numa forma ou em outra, protegendo-os de quaisquer ameaças abaixo da superfície.
Mas Aelin ficou sozinha na proa, seu cabelo dourado solto e balançando atrás dela, tão quieta que ela poderia ter sido a gêmea da figura poucos abaixo. O sol nascente lançou luz dourada cintilante, sem nenhum indício do fogo lunar que ameaçou destruir a todos.
Mesmo enquanto a rainha estava desligada das sombras mundo afora... um rastro de frio traçava os contornos do coração de Dorian.
E ele se perguntou se Aelin estava de alguma forma observando o arquipélago, e os mares e os céus, como se ela nunca fosse vê-los novamente.



Três dias depois, eles estavam quase fora do alcance esmagador do arquipélago. Dorian estava novamente no leve, Aelin na proa, os outros espalhados em várias posições de aferição e de repouso.
Sua magia sentiu antes que ele. Um senso de percepção, de alerta e despertar.
Ele examinou o horizonte. Os guerreiros feéricos ficaram em silêncio antes dos outros.
Pareceu uma nuvem em primeiro lugar – um vento que emourrava a pequena nuvem no horizonte. Em seguida, um grande pássaro.
Quando os marinheiros começaram a correr para as armas, a mente de Dorian finalmente cuspiu o nome para o animal que voava na direção deles, asas cintilantes e largas. Serpente alada.
Havia apenas uma. E apenas uma pessoa montada em cima dela. Alguém que não se movia, cujo cabelo branco estava solto – pendendo para o lado. Assim como sua dona começava a escorregar.
A serpente alada desceu mais, deslizando sobre a água. Lysandra estava imediatamente pronta, à espera da ordem da rainha para mudar para qualquer forma para combatê-la...
— Não. — A palavra rasgou dos lábios de Dorian antes que ele pudesse pensar. Mas então continuou saindo, mais e mais, quando a serpente alada e sua cavaleira navegaram mais perto da embarcação.
A bruxa estava inconsciente, seu corpo inclinado para o lado porque ela não estava acordada, porque aquele azul cobrindo-a era sangue. Não atirem; não atirem...
Dorian estava rugindo a ordem enquanto se arremessava para onde Fenrys puxara seu arco, uma flecha preta visando o pescoço exposto da bruxa. Suas palavras foram engolidas pelos gritos dos marinheiros e seu capitão. A magia de Dorian inchou quando ele desembainhou Damaris...
Mas então a voz de Aelin elevou-se na confusão:
Cessar fogo!
Todos eles pararam. A serpente alada nadou para perto, então margeou, circulou o navio.
Sangue azul encrustava o focinho cheio de cicatrizes da fera. Tanto sangue. A bruxa mal se mantinha na sela. Seu rosto bronzeado estava sugado de cor, os lábios mais pálidos do que ossos de baleia.
A serpente alada completou seu círculo, se movendo mais devagar naquele momento, preparando-se para aterrar o mais perto do navio possível. Não para atacar... mas para obter ajuda.
Num momento, a serpente alada subia suavemente sobre as ondas de cobalto. Em seguida, a bruxa pendeu tanto que seu corpo parecia ser desossado. Como se nesse batimento cardíaco, quando a ajuda estava a poucos passos de distância, fosse qual fosse a sorte que a mantivera montada finalmente a abandonou.
O silêncio caiu sobre o navio quando Manon Bico Negro caiu da sela, caindo aos giros através do vento, e atingiu a água.

19 comentários:

  1. Dorian defendendo a Manon♥
    Manon e Aelin finalmente juntas *--*

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  2. ahhhhh


    só faltava a Manon mesmo *---*

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  3. Agora so falta a elide e as 13 reunidas

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  4. Quando eu penso q não tem como a Aelin ficar mais foda, bum!!! Ela fica mais foda, o poder dela é o da própria Mala *-* FINALMENTE A MANON BROTOU, DORIAN SEU LINDO DEFENDENDO A BRUXA, FINALMENTE MANO, ELAS ESTÃO JUNTAS, GUENTA CORAÇÃO *-*

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  5. Ele são parceiros tenho certeza agora
    Ele tá igual ao Rhys todo super protetor tipo mas que o normal

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  6. aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh nunca me senti tao feliiiiiiiiiiiiiiiizzzzzzzzzzzzzzzz mentiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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  7. AaaaaaAa minhas duas fodonas preferidas aaaaaaAAaa

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  8. Finalmente o trio maravilha!!! O fogo e o ferro, junto e unido forjado em prata. Vamos la encontrar o cadeado e mandar esses lordes valgs de volta para o seu mundo. Aelin, Manon bico negro ou agora crochan e o principe Dorian!
    Anna!!!

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  9. Fogo, ferro e gelo. As Rainhas e o Rei !!!❤❤❤🔥🗡❄

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  10. Como faço para entrar nesse barco ?!! Tipo , como sou uma alma caridosa faria companhia para o Fenrys..... nada a ver ele ficar de vela só acho kkkkkkk

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  11. só faltava ela pra completar o bonde

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  12. Manoooonn 😍😍😍 aí meu core num guenta...

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  13. Finalmente agora só falta Elide.
    Às vezes penso q abraços e comanda por algum Deus ou coisa do tipo para ele ter levado manon a aelin é dorian
    Ass: Milly

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  14. Se eu ainda estiver viva ao final deste livro, é pq meu coração tá ótimo e n preciso voltar ao cardiologista. Pqp!

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  15. Dorian tem que ter sua própria corte, seus soldados, que horror um rei e ninguém obedece ele.. não vejo a hora de Dorian sai da sombra de Aelin..
    Finalmente Manon chegou e Dorian estava disposto a usar magia nos aliados para salva-lo.. queria que Manon fosse o primeiro membro da corte de Dorian *-*

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  16. AH MANON!!!!! Ela pediu um lugar seguro e o Abraxos levou ela para o Dorian!!!!!!!!!!!
    E tipo o Dorian tava disposta a lutar para ninguem encostar na Manon!

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  17. Q Manon fique bem.. Cadê as Treze hein ? Nem procurar pela Manon elas foram..

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  18. Gabrielly filha de Atena6 de setembro de 2017 20:03

    AÍ MEU DEUS. Até que em fim💕💕.#Rolin
    Adoro

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Boa leitura :)