30 de janeiro de 2017

Capítulo 37

A rainha de Aedion estava no recife, Rowan ao seu lado, seu pai e Fenrys flanqueando-os. Rolfe e a maioria de seus homens estavam seguros no lado oposto da boca estreita da baía – além do topo do recife.
E através do canal entre eles...
Um navio de guerra.
Um dragão marinho.
E três serpentes do mar.
Serpentes do mar adultas. As duas primeiras... elas não tinham sido plenamente desenvolvidas.
— Oh, merda — a sentinela ao lado Aedion na torre começou a repetir. — Ah Merda. Ah Merda. Ah Merda.
As serpentes do mar que, segundo Rolfe, iriam até os confins da terra para matar aqueles que assassinavam sua prole. Só estar no coração do continente poderia poupar-lhe – mas mesmo assim, a navegação não seria segura.
E Lysandra tinha acabado de matar duas.
Parecia que não tinham vindo sozinhas. E a partir dos aplausos dos soldados valg naquele navio de guerra restante... tinha sido uma armadilha. A prole tinha sido a isca.
Elas eram apenas ligeiramente maiores do que Lysandra. As adultas – aquelas bestas enormes – tinham três vezes o tamanho dela.
Além do navio de guerra agora parado lá, arqueiros atirando contra os homens que tentavam nadar até a praia do canal que havia se tornado uma armadilha mortal para o dragão marinho verde.
O dragão marinho verde que agora estava entre as três criaturas monstruosas e sua rainha, encalhada sobre aquelas rochas sem nem mesmo, uma brasa de magia em suas veias. Sua rainha, gritando mais e mais e mais para Lysandra nadar, se transformar, correr.
Mas Aedion tinha visto Lysandra matar as duas proles.
Na segunda, ela estava lenta. E ele a tinha visto mudar de forma tantas vezes nos últimos meses para saber que ela não poderia se transformar rápido o suficiente agora, talvez não tivesse força suficiente para fazê-la de qualquer maneira.
Ela estava presa naquela forma, tão certo como seus companheiros estavam presos no recife. E se Lysandra tentasse até mesmo subir para a terra... ele sabia que as bestas a alcançariam antes que ela pudesse sequer puxar o corpo para fora das águas rasas.
Mais e mais rápido, aquelas três criaturas a cercaram. Lysandra permaneceu na boca da baía.
Mantendo a defesa.
O coração de Aedion parou.
— Ela está morta — um dos sentinelas chiou. — Oh, deuses, ela está morta...
— Cale a boca — Aedion rosnou, olhando para baía, entrando no modo frio e calculista que o permitia tomar decisões no campo de batalha, pesar os custos e riscos.
Dorian, no entanto, teve a ideia antes dele.
Do outro lado da baía, a mão levantada e cintilando como uma estrela, Dorian sinalizou para Lysandra de novo e de novo com o seu poder. Venha para mim, venha para mim, venha para mim, o rei parecia chamar.
Os três touros afundaram sob as ondas.
Lysandra se virou, mergulhando para baixo...
Mas não indo para Dorian.
Aelin parou de gritar. E a magia de Dorian se apagou.
Aedion apenas pôde ver a sombra da metamorfa disparar na direção das três bestas, encontrando-os de cabeça.
As três serpentes marinhas se espalharam, tão grandes que a garganta de Aedion ficou seca.
E, pela primeira vez, ele odiou sua prima.
Ele odiou Aelin por solicitar aquilo de Lysandra, tanto para defendê-los quanto para garantir que os micênicos lutassem por Terrasen. Odiou as pessoas que tinham deixado tais cicatrizes na metamorfa, por deixar Lysandra tão disposta a jogar a própria vida fora. Odiou... se odiou por estar preso nesta torre inútil, com uma máquina de guerra capaz de disparar um tiro de cada vez.
Lysandra avançou para a serpente do meio, e quando apenas cem metros as separava, ela desviou para a esquerda.
Elas quebraram a formação, mergulhando para baixo, uma guardando a superfície, as outras descendo. Estavam prestes a cercá-la. Prendê-la num local onde elas a rodeariam de todos os ângulos e, em seguida, a rasgariam em pedaços. Seria uma bagunça e cruel.
Mas Lysandra atravessou o canal. Se dirigindo...
Dirigindo para o navio de guerra restante.
Flechas choveram sobre ela.
Sangue floresceu quando algumas encontraram o seu alvo através de suas escamas de jade.
Ela se manteve nadando, seu sangue agitando a besta mais próxima a ela, a mais perto da superfície, em um frenesi, nadando mais rápido para alcançá-la, mordê-la...
Lysandra se aproximava do navio, sendo atingida por flecha após flecha, e saltou para fora da água.
Ela colidiu com soldados, madeira e mastro, rolando, se contorcendo e pulando, os mastros duplos quebrando sob o pulsar de sua cauda. Ela caiu na água do outro lado, sangue vermelho brilhando em todos os lugares...
Exatamente no momento em que a serpente marinha que a perseguia saltou para o navio em um arco poderoso que tirou o fôlego de Aedion. Mas, com os tocos irregulares dos mastros sobressaindo-se como lanças...
A besta aterrou em cima deles com um ruído que Aedion pôde escutar do outro lado da baía.
Ela resistiu, mas aquelas lanças agora perfurava suas costas.
E sob o seu enorme peso... o navio começou a rachar e afundar.
Lysandra não perdeu tempo esperando tudo ficar claro, e Aedion mal pôde respirar quando ela atravessou a baía novamente, as duas bestas tão terrivelmente perto que suas sombras se fundiam.
Um mergulho, as profundezas a engolindo de vista. Mas num segundo, ainda em sua cauda...
Lysandra foi direito para o alcance de Dorian.
Ela foi para tão perto da costa e próxima da torre quanto conseguiu, trazendo uma segunda besta com ela. O rei estendeu as duas mãos.
A besta se enfureceu ao passar – só para ser barrada enquanto o gelo açoitava através da água. Gelo sólido, como nunca houvera aqui.
As sentinelas ao lado Aedion ficaram em silêncio. A besta rugia, tentando se libertar – mas o gelo do rei cresceu mais grosso, prendendo a serpente dentro de seu aperto congelado. Quando o animal parou de se mover, gelo feito escamas o cobriu do focinho à cauda.
Dorian soltou um grito de guerra.
E Aedion teve que admitir o rei não era tão inútil depois de tudo, quando a catapulta atrás Dorian de saltou livre, e uma pedra do tamanho de uma carroça foi atirada.
Direto no topo da serpente congelada.
Rocha encontrou gelo e carne. E a serpente marinha quebrou em mil pedaços.
Rolfe e alguns de seus homens estavam torcendo – as pessoas torciam das docas da cidade.
Mas havia uma serpente marinha deixada no porto. E Lysandra... Ela não tinha ideia de onde a serpente estava.
O corpo verde longo se moveu na água, mergulhando sob as ondas, quase frenética.
Aedion examinou a baía, girando na cadeira de artilharia quando o fez, à procura de qualquer indício daquela sombra escura colossal...
— À SUA ESQUERDA! — Gavriel rugiu do outro lado da baía, magia, sem dúvida, amplificando sua voz.
Lysandra girou – e lá estava a outra criatura, acelerando das profundezas, como se ela fosse uma presa emboscada por um tubarão.
Lysandra se jogou em movimento. Um campo de detritos flutuantes estava ao seu redor, os navios afundados do inimigo como ilhas de morte, e se não fosse a corrente... se ela pudesse talvez chegar e pular por cima... Não, ela era muito pesada, muito lenta.
Ela novamente arriscou passar pela torre de Dorian, mas a besta não chegou perto. Ele sabia da desgraça que o esperava lá. Manteve-se fora do alcance, brincando com ela quando Lysandra se lançou de volta para o campo de destroços entre os navios inimigos. Em direção ao mar aberto.
Aelin e os outros assistiam impotentes do afloramento de recife quando os dois monstros atravessaram, a serpente marinha jogando pedaços do cascos quebrados e mastros para o ar – visando a metamorfa.
Um atingiu Lysandra na lateral, e ela oscilou.
Aedion disparou fora de seu assento, um rugido em seus lábios. Mas lá estava ela, o sangue escorrendo quando ela nadou e nadou, enquanto conduzia aquele touro através do coração de detritos, em seguida, cortando para trás – acentuadamente. A criatura a seguiu através da água turva, explodindo os detritos de que Lysandra agilmente se esquivava.
Ela nadou em um frenesi.
E Lysandra, maldita seja, conduziu a criatura pelos restos dos navios inimigos, onde os soldados valg tentavam salvar-se. A besta explodiu através de soldados e madeira como se fossem véus de teias de aranha.
Pulando através da água, retorcendo em torno de detritos, coral e corpos, a luz do sol brilhando em tons verdes e sangue rubi, Lysandra conduzia a fera em uma dança da morte.
Cada movimento mais lento à medida que mais do seu sangue vazava na água.
E então ela mudou de rumo. Dirigiu-se para a baía. Para a corrente.
E para o norte – na direção dele.
Aedion examinou a flecha enorme diante dele.
Trezentos metros de água separava a criatura de sua flecha.
— NADE — Aedion rugiu, mesmo que ela não pudesse ouvir. — NADE, LYSANDRA!!
O silêncio caiu sobre a extensão da Baía do Crânio quando aquele dragão de jade mar nadou por sua vida.
A besta se aproximou, mergulhando.
Lysandra passou sob os elos da corrente, e a sombra da serpente marinha se espalhou debaixo dela.
Tão pequena. Ela era tão pequena em comparação com aquilo – uma mordida seria todo o necessário.
Aedion se posicionou na cadeira do lançador de arpões, segurando as alavancas e girando a máquina enquanto ela nadava e nadava para ele.
Um tiro. Isso era tudo o que ele teria. Um maldito tiro.
Lysandra se atirou para a frente, e Aedion soube que ela estava ciente da morte que se aproximava. Sabia que ela estava forçando o coração daquele dragão marinho a quase parar. Sabia que a besta tinha chegado ao fundo e agora se impulsionava para cima, para cima, em direção à barriga vulnerável.
Apenas mais alguns metros, apenas mais alguns batimentos cardíacos.
Suor escorreu pela testa de Aedion, seu próprio coração martelando tão violentamente que tudo o que podia ouvir era o seu trovejar. Ele moveu a lança, um pouco, ajustando seu alvo.
A besta se alastrou das profundezas, bocarra aberta, pronta para rasgar ao meio com um só golpe.
Lysandra entrou no limite e saltou – saltou limpa para fora da água, suas escamas pingando água e sangue. A besta saltou com ela, a água escorrendo de suas mandíbulas abertas quando ela se arqueou.
Aedion disparou, batendo as palmas das mãos na alavanca.
O longo corpo de Lysandra desviou para longe daquelas mandíbulas quando a criatura saiu da água, expondo sua garganta branca...
Quando a lança maciça de Aedion foi direto e sem obstáculos para ela.
Sangue jorrou das mandíbulas abertas, e os olhos da criatura se arregalaram quando foi jogada para trás.
Lysandra bateu no mar, enviando uma nuvem de água tão alta que bloqueou a visão de ambos quando caíram no mar.
Quando tudo se acalmou, havia apenas a sombra deles – e uma piscina crescente de sangue negro.
— Você... você... — balbuciou a sentinela.
— Carregue outra, — ele ordenou, levantando de seu assento para fazer a varredura da água borbulhante.
Onde ela estava, onde estava ela...
Aelin estava sentada sobre os ombros de Rowan, examinando a baía.
E, em seguida, uma cabeça verde disparou da água, sangue negro espirrando enquanto ela atirava a cabeça decepada da serpente marinha através das ondas.
Aclamações – desenfreadas, aclamações selvagens – explodiram de todos os cantos da baía.
Mas Aedion já estava pulando e correndo, meio saltando e meio descendo as escadas que o levariam para a praia onde Lysandra agora nadava, seu próprio sangue substituindo a cor preta que manchava a água.
Tão lento, cada um de seus movimentos era tão dolorosamente lento. Ele perdeu o controle quando desceu abaixo da linha das árvores, com o peito arfando.
Raízes e pedras se prendiam nele, mas seus rápidos pés feéricos, voaram sobre o barro até que ele se tornou areia, até que a luz rompeu por entre as árvores e lá estava ela, deitada na praia, sangrando em toda parte.
Além deles, na baía, a Quebra-Navios era baixada, e a frota de Rolfe corria para fora para apanhar os soldados sobreviventes – e salvar qualquer um de seus próprios ainda estivesse lá fora.
Ele vagamente notou Aelin e os outros mergulhando no mar, nadando duramente para terra.
Aedion caiu de joelhos, estremecendo com a areia atirada contra ela. Sua cabeça escamada era quase tão grande quanto ele, mas seus olhos... aqueles olhos verdes, da mesma cor que suas escamas...
Cheios de dor. E exaustão.
Ele levantou a mão para ela, mas ela mostrou seus dentes – um grunhido baixo escorregando para fora dela.
Ele ergueu as mãos, recuando.
Não era a mulher que olhava para ele, mas a besta que ela tinha se tornado. Como se ela tivesse se entregado tão completamente aos seus instintos, que era a única maneira de sobreviver.
Havia cortes e furos em todos os lugares. Todos escorrendo sangue, encharcando a areia branca.
Rowan e Aelin – um deles poderia ajudar. Se eles pudessem convocar qualquer poder após o que a rainha tinha feito.
Lysandra fechou os olhos, sua respiração superficial.
— Abra os olhos, droga — Aedion rosnou.
Ela rosnou de volta, mas abriu um olho.
— Você chegou até aqui. Não morra na merda da praia.
O olho estreitou – com uma pitada de humor feminino. Ele tinha que pegar a mulher de volta. Deixá-la tomar o controle. Ou então a besta nunca permitiria que eles se aproximassem o suficiente para ajudar.
— Você pode me agradecer quando sua bunda gorda estiver curada.
Mais uma vez, aquele olho o observou com cautela, paciência cintilando. Mas o animal permaneceu.
Aedion continuou, até mesmo quando seu alívio começou a ruir sua máscara de calma arrogante:
— Os sentinelas inúteis na torre de vigia agora estão todos meio apaixonado por você — ele mentiu. — Um deles disse que queria casar com você.
Um grunhido baixo. Ele deu um passo, mas manteve contato visual com ela quando sorriu.
— Mas sabe o que eu disse a eles? Eu disse que não eles não tinham a menor chance no inferno. — Aedion baixou a voz, segurando aquele olhar exausto e dolorido. — Porque eu vou me casar com você — ele prometeu a ela. — Um dia. Vou me casar com você. Eu vou ser generoso e deixar você escolher quando, mesmo que seja daqui a dez anos. Ou vinte. Mas um dia, você vai ser minha esposa.
Aqueles olhos se estreitaram – no que ele só poderia chamar de indignação feminina e exasperação.
Ele deu de ombros.
— Princesa Lysandra Ashryver soa bem, não é?
E então o dragão bufou. Em diversão. Exaustão, mas... diversão.
Ela abriu os maxilares, como se estivesse tentando falar, mas percebeu que não podia neste corpo. Sangue escorreu através de seus enormes dentes, e ela estremeceu de dor.
Sons de passos na areia molhara, e ali estavam Aelin e Rowan, e seu pai e Fenrys. Todos eles encharcados, coberto de areia e pálidos como a morte.
Sua rainha cambaleou para Lysandra com um soluço, jogando-se na areia antes que Aedion pudesse gritar um aviso.
Mas Lysandra unicamente estremeceu quando a rainha colocou a mão sobre ela, dizendo repetidamente:
— Eu sinto muito, eu sinto muito.
Fenrys e Gavriel, que tinham talvez salvado a vida dela com aquele grito amplificado sobre a localização da besta, permaneceram perto da linha das árvores quando Rowan se aproximou, examinando as feridas.
Fenrys viu o olhar de Aedion, viu a ira de advertência em seu rosto se qualquer um deles chegasse perto da metamorfa, e disse:
— Aquele foi um inferno de tiro, garoto. — Seu pai acenou com a cabeça.
Aedion ignorou os dois. Qualquer que fosse a magia que sua prima e Rowan tinham esgotado, já estava se reabastecendo. As feridas da metamorfa antes abertas e sanguinolentas se fecharam, uma por uma. Lentamente – dolorosamente devagar, mas... o sangramento parou.
— Ela perdeu muito sangue — Rowan observou para nenhum deles em particular. — Demais.
— Eu nunca vi nada assim na minha vida — Fenrys murmurou.
Nenhum deles vira.
Aelin tremia, uma mão em sua amiga – o rosto tão branco e paralisado em uma careta de sofrimento que quaisquer palavras duras que ele tinha reservado para ela eram desnecessárias. Sua rainha sabia o custo. Ela levara tanto tempo para confiar em algum deles para fazer qualquer coisa. Se Aedion rugisse para ela agora, mesmo que ainda ansiasse... Aelin nunca poderia delegar novamente. Porque se Lysandra não estivesse na água quando as coisas deram tão, tão mal...
— O que aconteceu? — ele perguntou, atraindo o olhar de Aelin. — O que aconteceu lá fora?
— Eu perdi o controle — Aelin respondeu com voz rouca. Como se ela não pudesse se impedir, sua mão derivou para o peito. Onde, através de sua camisa branca, ele pôde ver o Amuleto de Orynth.
Ele soube então. Soube exatamente o que Aelin transportava. O que teria chamado a atenção de Rolfe naquele seu mapa – semelhante o suficiente para a essência valg para fazê-lo vir correndo.
Sabia por que tinha sido tão importante, tão vital, ela arriscar tudo para obtê-lo de Arobynn Hamel. Sabia que ela tinha usado uma chave de Wyrd hoje, e quase matara todos eles...
Ele estava tremendo agora, aquela raiva assumindo de fato. Mas Rowan rosnou para ele, baixo e vicioso:
— Guarde isso para mais tarde. — Porque Fenrys e Gavriel estavam tensos, observando.
Aedion rosnou de volta. Rowan deu-lhe um olhar frio, constante, que disse que se ele sequer começasse a insinuar o que sua rainha transportava, ele arrancaria sua língua. Literalmente.
Aedion empurrou a raiva para baixo.
— Nós não podemos carregá-la, e ela está fraca demais para se transformar.
— Então vamos esperar aqui até que ela possa — disse Aelin. Mas seus olhos desviaram-se para a baía, onde Rolfe agora estava sendo levado para os navios de resgate. E para a cidade além, ainda aplaudindo.
Uma vitória – mas quase uma perda. O restante dos micênicos, salvo por um de seus dragões marinhos há muito perdidos. Aelin e Lysandra haviam tecido antigas profecias em fato tangíveis.
— Eu vou ficar — disse Aedion. — Você lida com Rolfe.
Seu pai ofereceu detrás dele:
— Posso conseguir alguns suprimentos a partir da torre de vigia.
— Tudo bem — disse ele.
Aelin gemeu, ficando de pé, mas olhou para ele antes de pegar a mão estendida de Rowan. Ela disse baixinho:
— Eu sinto muito.
Aedion sabia que ela quis dizer com isso. Ele não se preocupou em responder.
Lysandra gemeu, as reverberações correndo pelos joelhos de Aedion e indo direto para seu intestino, e Aedion girou de volta para a metamorfa.
Aelin os deixou sem mais adeus.



O Leão permaneceu na moita, mantendo-se fora da vista e do som enquanto o Lobo vigiava o dragão ainda esparramado sobre a praia.
Por horas, o Lobo permaneceu lá. Enquanto a maré vazante limpava o sangue do porto. Enquanto os navios do lorde pirata enviavam os corpos do inimigo restantes para o azul esmagador. Enquanto a jovem rainha voltou para a cidade, para o coração da baía para lidar com quaisquer efeitos colaterais.
Depois que o sol começou a se pôr, o dragão agitou-se, e, lentamente, sua forma brilhou e encolheu, escamas suavizaram-se em pele, um focinho derreteu para dentro formando em um rosto humano impecável, membros atarracados alongaram-se em pernas douradas. Areia cobria seu corpo nu, e ela tentou e não conseguiu se levantar. O Lobo se moveu então, atirando sua capa ao redor dela e puxando-a em seus braços.
A metamorfa não se opôs, e seus olhos estavam fechados mais uma vez no momento em que o Lobo começou a andar da praia para as árvores, a cabeça dela encostada em seu peito.
O Leão permaneceu fora de vista e longe da oferta de ajuda. Longe das palavras que ele precisava dizer ao Lobo, que já havia derrubado uma serpente do mar com uma flecha. Vinte e quatro anos de idade e já um mito sussurrado sobre fogueiras.
Os eventos de hoje, sem dúvida, seriam contados em torno de fogueiras em terras que nem mesmo que o Leão percorrera em todos os seus séculos.
O Leão assistiu o Lobo desaparecer entre as árvores, indo em direção à cidade no final da estrada de areia, a metamorfa inconsciente em seus braços.
E o Leão se perguntou se ele próprio jamais seria mencionado naquelas histórias sussurradas – se o seu filho nunca permitiria que o mundo soubesse quem era o pai dele. Ou mesmo se preocuparia.

24 comentários:

  1. Como que fica esse shipp? Lysion? Aediandra? Eles são muito♥

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  2. Eu to jogada na mer* com esse cap.

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  3. Quando vai ter paz pra ter logo os dois casamentos (se não três ,quatro ou cinco) de uma só vez em?

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  4. Sou imortal, pois perdi a conta de quantas vezes faleci e revivi, desde o início, isso sim que é livro.

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  5. Gentem eu não como, não durmo, não saio do cantim de leitura, já me jogaram sal grosso, banho de cheiro, uns dizem que é depressão outros que é encosto, chamaram pastor, mãe de santo, psiquiatra, enfim... Só saio quando terminar esse livro, meldels é muita emoção 😵

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  6. Meus olhos marejaram, slá. Ver a Lys assim, a transformação dela durante os quatro livros anteriores e lembrar da Aelin e ela se alfinetando em Lâminas da Assassina. Nem da pra acreditar. E, assim como o Aedion, senti raiva da rainha. Céus, eu senti! Mesmo que fosse o necessário.
    Amo demais esses personagens, meldels <3

    -B.Bunny

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  7. Quem ganhou essa batalha foi a Lysandra, com ajuda do Dorian e do Aedion! O resto só enfeitou a história! E essa Deana, que eu não entendi nada! Pensei que ela tava ajudando aí ela vai e quase explode a cidade!

    Flavia

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    1. Né, Lysandra foi a maior heroína!
      Putz, quando a Aelin sentiu o medalhão, eu sabia que vinha coisa ruim pela frente. Aí apareceu a Deanna, e eu dei graças. Aí a maldita deusa tomou o controle e resolveu destruir a cidade! Que raiva desse mulher. Ainda bem que no final Aelin conseguiu retomar, mas nossa

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    2. Nossa quase não consegui ler com as lagrimas atrapalhando meu Deus q capítulo intenso Aedion e Liz tem q ter um final feliz

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  8. Krl mano, q livro é esse??? O.o eu piro nesses capítulos, e já morri várias vezes, mas tive q ressucitar pra continuar a ler, mano esse livro vai acabar com meu pobre coração O.o e se o Aedion descontar a raiva dele na Aelin, eu mato esse cara -_-'

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    1. Eu amo a Aelin e tenho completa noção de que essa não era a intenção dela mas velho,se a culpa não é dela de que é??O Aedion tá mais que certos de dizer pra ela uma vdds,ela tm q escutar e parar de pensar nas pessoas cmo peões em um jogo de xadrez,no jogo de xadrez dela, que podem ser usados pq eventualmente alguém que é importante pra ela ia ser pego no meio de uma dessas "demonstrações de poder" que deu errado

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  9. Confesso que poucos livros prenderam minha atenção igual essa saga,muito bem escrita, personagens bem desenvolvidos (com exceção do chaol que eu não gosto kkk). Assim como os outros que comentaram eu morro e revivo a cada capítulo, emocionante demais ❤ obg marina por nos proporcionar o prazer de ler esse livro aqui.

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  10. Gente que capítulo foi esse? Chocada com a Lysandra nunca imaginei que ela seria tão fodastica assim!

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  11. Nossa morri gente q cap tenso e emocionante ,fiquei tanto tempo segundo a respiração antes de ela estar são e salve q quase sufoquei mas agora eu so to chorando de alivio nem sei como vou continuar

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  12. OMG até que enfim Dorian se manifestou
    E gente, que capítulo foi esse??? Estou chocada. Com ódio daquela Deanna, mas emocionada com a reação de Aedion ♥♥♥ ele falando que vai se casar com ela :')

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  13. Tenho medo de aedion só perdoar gavriel qd ele estiver prestes a morrer, pq é sempre assim, a pessoa só reconhece que ama e que não odeia quando percebe que está prestes a perder ela. E eu gosto tanto desses personagens, não quero nenhum final triste para eles :(
    Já não basta o finnick de jogos vorazes </3

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    1. Ai ainda sofro pelo Finnick...
      Amo todos esses personagens n vou conseguir ressuscitar se algum deles morrer pq eu morro e ressuscito em cd capitulo

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  14. Depois de todos os livros só fui me tocar agora que o nome dela é Lysandra e não Lyssandra kkkk mas já ganhou meu coração.

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  15. Mano aedion tem q Prender a perdoar as pessoas
    Ele não perduou Dorian, seu pai e agora sua rainha mesmo vendo q ela estava arrependida e se sentido culpada .
    Ass: Milly

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    1. Tem razão néh??Como ele pode não perdoar alguém que foi indiretamente culpado pela morte da mãe e é juramentado aquela rainha fdp??Ou a prima por quem ele morreria se preciso mas que não confia nele pra contar que porta um dos objetos mais perigosos do mundo??Que besteira...

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  16. MEO DEUS , onde eu encontro um Aedion para mim????
    QUe coisa linda! E que dó tbm, pq ele tem razão, ele sempre pediu tão pouco ( somente o juramento de sangue, e para servir a rainha ) e msm assim essa unica coisa e tirada dele...
    A Lysandra é muito FODA! Quanto poder, quanta determinação. GOstei dela desde a primeira vez que li o nome kkk
    Ela e muito durona, se não fosse ela tinham tudo morrido.

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  17. "Porque eu vou me casar com você" Mano! Tô pasma,sério! Shippo já tem tempo, mas mds o que que foi isso? A Aelin e o Rowan já perderam a graça pra mim, agora tô muito mais preocupada com a Lysandra e Aedion, a Manon e o Dorian, a Elide e o Lorcan

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  18. Cara, tecnicamente só quem fez alguma coisa contra esse ataque dos valga Foi Aedion, Dorian e Lysandra pq o resto... Graças a Deus Lysandra está bem 😄 e que declaração foi aquela Brasil ? 😍😍😍

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Boa leitura :)